sexta-feira, dezembro 26, 2014

Mais um Natal em família, com amigos e muito trabalho.

Depois de muita correria, de uns dias sem descanso com caixas de cartão e móveis pra montar, de umas compras e umas personalizações de presentes podemos dizer que passámos bem. Cansadas e à pressa, entre turnos, assados, bacalhau, roupa-velha e um leite creme que ficou em casa por queimar mas bem. Hoje foi dia de rescaldo, entre novas brincadeiras e sofá. Uma folga merecida tanto na casa da Rita como na minha. Claro que a época natalícia só termina no dia de reis e há ainda uns presentes por entregar mas hoje foi bom poder, finalmente, estar em paz.
Aqui fica o desejo que tenham passado um Natal feliz, em família e amigos, com saúde e algumas prendinhas a ilustrar.
Até breve, esperemos.
Ana Cristina

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Tive de vir escrever a correr...

Ao jantar, nós:
- Olha Vasco, o teu amigo L foi operado ontem, sabes... Aos adenóides...
- Ohhhhh...
- É uma coisa mais ou menos normal... A mana também já foi operada aos adenóides.
Ele a olhar de relance para a Alice.
- Qual mana? 
- A mana grande.
Ele de boca aberta:
- A sério?! Foi operada aos espermatozóides?!

(Para bem o defender, que já no ano passado aprendeu todas essas coisas e domina o assunto, devo dizer que depois da gargalhada geral, se apercebeu de imediato do que tinha dito e emendou: "Estava a falar do L!!"... Claro que a nós não nos tirou o momento...)

Rita

segunda-feira, novembro 17, 2014

Notícia de última hora!!!!


Acabei de ouvir uma notícia horrível, tenebrosa, assustadora...!
Cruz credo, o cacau tem os dias contados... E agora, cruzes, como vamos nós fazer frente à corrupção nas mais altas esferas, à descoberta de que há pedófilos ao virar da esquina com ar absolutamente porreiraço, às queixas em relação às más condições de trabalho, às legionelas e aos ébolas, aos homens passados da marmita que andam por aí a esfaquear as suas companheiras de vida e mães dos filhos, à falta de professores nas escolas, ao terrorismo................................SEM CHOCOLATE??????!!!!!
Rita

terça-feira, novembro 11, 2014

Devem andar a dar amendoins ...

... ou qualquer outra coisa qualquer. Ou a dar ou a fazer as mesmas maravilhosas campanhas que incluem fidelização e adesão a serviços que a maioria nem sequer está interessado, tipo 350 canais ao preço de 20 com possibilidade de usar os canais de desporto durante 8 horas por dia entre a uma e as nove da manhã ou qualquer coisa do género.
Estou a brincar, mas a verdade é que anda por aí campanha da boa (e deve ser semelhante entre eles) ou combinação de preços. Hoje já me telefonaram de todas as redes de telefone, fixo ou móvel, com ou sem televisão. Até já repetiram contactos por parte da mesma operadora, coisa que já reclamei, é claro. 
Quase que dá para ter um surto de mania da perseguição e pensar que TODOS ELES SABIAM QUE EU ESTIVE EM CASA!!! 
Socorro!!!
Ana Cristina ;)

terça-feira, outubro 14, 2014

Problemas de idade, sexualidade... e pilosidade

Caminho para casa depois do estacionamento no regresso da escola. Cada um levava as suas mochilas e mais qualquer coisa, a amiga Van tinha-me dado uns sacos de roupa e eles ajudavam. Brinquei com o Vasco a propósito do meu sacalhão, preto, daqueles do lixo, grande, levado às costas:
- Oh, oh, oh! Sou o Pai Natal!
E ele, rindo-se:
- Só falta a barriga, mãe...!
Portanto... qualquer diferença entre mim e o homem velhote de barbas e cabelos brancos, pelo menos na opinião do meu puto de cinco anos, é mera coincidência... talvez me deva preocupar...
Rita

segunda-feira, outubro 13, 2014

Momento mesmo mesmo bom

À hora de deitar, subi à cama dela, como faço todas as noites, e, como todas as noites, cantei-lhe a canção [como a minha amiga Micas fazia à sua Inês muito antes de eu ter filhos]. Desta vez até estávamos abraçadinhas e, com a minha cabeça encostada à dela, conseguia cheirar-lhe o pescoço no meio do cabelo revolto. No fim, perguntei-lhe:
- Há quanto tempo te canto esta canção, sabes?
- Há muito.
- Lembras-te quando comecei?
- Lembro. Foi na pré. Eu aprendi essa música com o João.
É verdade. Ela tinha 03, foi o primeiro ano do pré-escolar e andou a aprendê-la com o professor de música e com as educadoras para a festa de Natal. 
- Lembras-te de quando não a cantava?
- Não...
E depois veio o momento verdadeiramente bom:
- E até quando vais querer que te cante a canção?
- Para sempre...!
Ri-me.
- É tão fixe que aches que aos 15 anos ainda vais querer que suba até aqui e te cante a canção dos abraços...!
- Sim, vou! A sério, mãe!
- Então está combinado. Vou vir até não quereres mais. 
Rita

sábado, outubro 11, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 5 - Quase um epílogo

«Ela já está boa… trouxe eu trabalho para casa e não consegui fazer nada, ela só queria atenção…»
Isto era o que me dizia o meu homem no último dia do processo de convalescença da Joana… Sem febre, pintas desaparecidas, sonos a serem repostos, a miúda voltou à sua energia habitual, com o acréscimo de necessidade de atenção que advém de um período de doença. O que, em linguagem de pai/mãe, significa: filho recuperado, sossego desaparecido.

E daí que me ocorra: haverá algum pai por esse mundo fora que não sinta isto…? Preocupação, ansiedade, medo quando os vemos com febre – cruzes, caneco, tomara que não seja nada, que passe, que seja uma porcaria de uma virose qualquer, uma porcariazeca, que não se venha a descobrir nada de esquisito, que a gente sabe que a desgraça é coisa que pode bater à porta seja de quem for – e interrogação quando os vemos bem – cruzes, caneco, dormia tanto quando tinha febre e agora não dorme nada, será que não podia dormir mais um niquito, que isto afinal revelou-se uma porcaria de uma virose qualquer?!...

Alguém?! Ou somos os únicos desnaturados a quem isto passa pela cabeça…?!
Rita

sexta-feira, outubro 10, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 4 - A mãe taralhoca

Pelo sim, pelo não, penso que para descartar a hipótese das pintas serem uma qualquer reação da Joana ao antibiótico, o médico da urgência afirmou a pretensão de o alterar. Perguntou à mãe taralhoca qual tinha sido aquele que ela havia começado.
«Clavamox», disse a mãe taralhoca, completamente certa do que afirmava.
«Trouxe-o? Ou a embalagem?». Obviamente que não, então não estava ela mesmo a ver o frasco e a embalagem à sua frente, para alguma coisa lhe servia afinal ser mãe de três, acumular em nove anos de maternidade já algumas enfermidades e ainda por cima ter uma irmã enfermeira, ela era e demonstrava ser uma mulher atenta a estar coisas.
 «E qual deles, sabe? Se é 125...250...?». Mãe taralhoca de três, com experiência de enfermidades e irmã enfermeira completamente muda, a sentir-se muito palerminha, pois claro que os xaropes têm dosagens diferentes de medicamento... E a tentar ajudar, com voz baixinha a soar lá de dentro do buraco para onde tinha acabado de cair: «Ela tem 7 kg e toma 5ml de 8 em 8 horas, não sei se ajuda...»
E lá saiu a mãe taralhoca do hospital, em tempo recorde (de, penso, menos de uma hora), com nova prescrição (com inclusão de medicamento para atenuar as comichões) para, antes da farmácia, passar no trabalho, onde explicou o que se andava a passar... De onde saiu, dali a pouco tempo, para a farmácia. E na farmácia: «Quer o genérico ou o de nome...?» Ao que a mãe taralhoca tomou a sua decisão: «É melhor o de nome, como é uma questão de reação ao primeiro antibiótico...». E a farmacêutica, a falar baixinho, mais para si, enquanto olhava para a receita: «Então é o Clamoxil... vou já preparar».
Foi nesse momento que a mãe taralhoca estacou. Clamoxil. «Desculpe, não se importa de me mostrar a embalagem antes de o ir preparar...?».
Escusado seria dizer, se não houvesse uma necessidade de auto-flagelação, que a mãe verdadeiramente taralhoca teve que voltar novamente à Estefânia, filha slingada há não sei quanto tempo a fazer doer as costas (toma lá práprenderes a não ser taralhoca de todo!), onde os senhores do balcão administrativo lá autorizaram a sua reentrada para que fosse ter com o médico que lhe tinha observado a filha para que alterasse a prescrição. E lá esperou a mãe taralhoca, filha slingada há não sei quanto tempo, à porta de uma sala vazia onde, quarenta minutos depois, uma outra mãe lhe explicou que o médico em questão tinha sido chamado para uma reunião e todos os seus pacientes haviam sido transferidos para uma colega... mas é óbvio que ninguém sabia da sua existência, uma vez que não tinha dado verdadeiramente entrada na urgência... e lá foi imiscuir-se numa outra sala, falar baixinho a uma médica do facto de ter dado ao médico anterior o nome de um antibiótico e se ter enganado, possibilitando que ele passasse uma prescrição exatamente desse mesmo antibiótico quando o objectivo era mudá-lo. 
Honra feita à nova médica, fosse por enfrentar só mais uma mãe taralhoca como muitas ou por ter mais com que se entreter nas urgências, limitou-se a mudar a receita e... pronto. Depois claro que deve ter pensado: «caramba, onde é que estes miúdos vão desencantar estas taralhocas...?»
Rita

quinta-feira, outubro 09, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 3 - As pintas

A miúda lá foi reavaliada pela pediatra no prazo indicado pelo médico do hospital e esta lá chegou à conclusão que a otite (nos dois ouvidos, safa, coitada) era bera o suficiente para merecer o apelido de bacteriana e ser tratada com antibiótico.
E eis que, menos de 24 horas depois de ter iniciado a medicação, foi-se a febre, repentina e milagrosamente...! Nós demos pulos de contentamento, eh lá, esta miúda tem uma reação espetacular ao antibiótico!!! 
O problema foi quando, à noite, começamos a olhar para a mocinha e lhe vemos as pintas. Eram pintas rosadas espalhadas pela cara e zona do pescoço, depois pelo tronco e zona genital, fundamentalmente virilhas. E o pior é que lhe dava comichão, a ela que até tinha andado bem disposta até aí, mesmo com as febres altas de 39º. Resultado: noites mal dormidas, a miúda podre de sono a acordar de quarto em quarto de hora e a queixar-se e coçar-se na zona das orelhas (facilmente confundível com a dor de ouvidos, não fosse a ausência de qualquer reação ao Benuron, que experimentamos dar-lhe nessa noite).
E, como se não bastasse a anterior saga hospital-centro de saúde, na impossibilidade de contactar a pediatra no domingo, lá rumei com ela à urgência do Hospital D. Estefânia na segunda-feira de manhã... A avaliação do médico foi de molde a descartar uma reação ao antibiótico: «Por aquilo que me está a descrever, a febre alta a cessar repentinamente e as pintas a aparecerem a seguir, isto tem tudo a ver com um contexto viral... de facto, se eu não concordasse que ela tem de facto os ouvidos muito inflamados, eu até optava por tirar o antibiótico...» 
Ou seja: Joana > 8 meses em casa sem intercorrências > 1 mês na escola = 1 infeção bacteriana e 1 infecção viral. Toma lá, vai buscar. 
Rita

quarta-feira, outubro 08, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 2 - A febre

Quando o pediatra do Hospital da Estefânia me perguntou ao que ia, expliquei que durante a última noite nos havíamos apercebido que ela estaria quente, com febre, mas que não a tínhamos medicado logo. 
De imediato me interrompeu, expressão levemente zangada (como quem acha que está diante de uma louca anti-vacinas): «Mas não a medicou logo porquê?!».

Confesso que gaguejei. Passou-me pela cabeça explicar o que tinha lido no livro do seu colega Mário Cordeiro ["A febre não é uma doença, é um sinal. A ansiedade, o desejo do médico de aplicar a terapêutica antipirética fazem com que, muitas vezes, se hipermedique a febre, apesar dos crescentes conhecimentos da sua fisiopatologia sugerirem que esta atitude, além de comportar riscos, é, em muitos casos, desnecessária e ineficaz.", entre outras passagens] mas ocorreu-me a ideia que tenho dos médicos como de uma classe que parece gostar pouco dos doentes auto-diagnosticados ou que activamente participem no estudo do seu problema de saúde, pesquisando e sugerindo. Acabou por me surgir o segundo motivo para não medicar de imediato um filho com febre: «Não quis que mascarasse outros sintomas…».
Fui interrompida. Que não mascarava nada, nada, eu que não me preocupasse e que era preferível medicar.
A verdade é que, como pessoa informada e inteligente que me sinto, não concordo. Aliás, tanto não concordo que a ida ao hospital se deveu precisamente à observação que fiz da Joana enquanto ela não estava medicada: a mão a mexer na orelha, um dedo enfiado no orifício que ao ouvido dá acesso, o gesto repetido pela manhã, mesmo no decorrer da sua boa disposição geral e normal atividade. Questiono-me se, sob o efeito do Benuron, ela teria demonstrado o seu desconforto e se me teria passado pela cabeça que pudesse ser otite. Acho que não; pelo menos é o que me dita a recordação das minhas próprias dores de ouvidos na infância, o desejo da atuação rápida do paracetamol para me aliviar.

Por outro lado, ocorre-me explicar que, desde que descobri que a febre era uma reação defensiva do organismo a um agente infeccioso, não medico logo, pelo menos enquanto a febre não chegar aos 38e pouco e/ou se não houver outra queixa ou desconforto na criança.
Depois da Joana ficar boa, fiz umas pesquisas e encontrei este documento, da Unidade de Saúde Familiar de Valongo, que me pareceu verdadeiramente esclarecedor e que aconselho todos os que têm crianças a seu cargo a ler: http://www.usfvalongo.com/documentos/edu/guia_febre.pdf. Achei extraordinário.

Xô Tôr, está decidido que da próxima vez podemos conversar um niquito melhor… posso levar o documento de Valongo imprimido dentro da mala... ou então o livrinho de 739 páginas do seu colega...
Rita

terça-feira, outubro 07, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 1 - É proibido adoecer

Um dia antes de fazer os nove meses – e, provavelmente para comemorar um mês de creche – a Joana ficou doente pela primeira vez.
A diarreia que tinha há uns dias estava a passar, controlada só com dieta, mas na quarta-feira passada fomos dar com ela com febre. Parecia bem, ativa, igual a ela mesma, com apetite, mas com febre. E, como durante o dia, me parecesse vê-la cofiar a orelha num gesto que lhe é pouco habitual, lá nos organizámos (Vasco na vizinha) e rumámos à Estefânia à noite. Aproveitámos um coxear de vários dias da Alice e levámo-la também.

Depois do Rx, o diagnóstico da mais velha foi rápido e fácil: um ligeiro entorse a necessitar só de dispensa da prática de educação física durante quinze dias, passível de melhorar em menos. A avaliação do estado da Joana demorou mais um pouco mas o resultado foi claro: uma ligeira inflamação nos dois ouvidos, sem pus, com alta probabilidade de se resolver em 48 horas só com Brufen. O médico explicou as alternativas: ou medicar, de forma talvez excessiva e precipitadamente com antibiótico, ou garantir a necessidade de reavaliação após o período indicado. Escolhida a última hipótese, questionei-o acerca do atestado para ficar em casa com a mocinha e qual não foi o meu espanto quando ele me explicou que, atualmente, só poderia fornecer uma declaração médica com o diagnóstico e que seria o colega do centro de saúde a quem caberia passar o atestado de assistência à família.

Pois que lá rumei eu, desta feita só com a doente, para o centro de saúde da minha área. Tirei a senha e expliquei no atendimento ao que vinha. Tiraram fotocópia do meu Cartão de Cidadão e da declaração do médico no hospital e mandaram-me esperar. E esperámos. Esperámos, eu e a minha rapariga pequena – doente, já tinha dito? possivelmente com um contexto viral, contagioso, certo? e a idade de nove meses, também já tinha mencionado? – exatamente TRÊS HORAS E MEIA…! Sentadas na sala de espera, indiferentemente a poderem estar ao nosso lado grávidas, bebés mais pequenos ou doentes, idosos, fosse quem fosse…
Duas horas depois de lá estarmos, dirigi-me ao atendimento e perguntei, com a maior calma e boa educação de que fui capaz – mas provavelmente com olhos raiados de fúria – do que estava eu à espera. «Então… não veio para lhe ser passado um atestado…?! Está à espera que o médico consiga chamá-la…» Perguntei se não me encontrava à espera de uma consulta de urgência para isso (passo a explicar o raciocínio: ou o médico tirava um minuto entre consultas para observar as fotocópias dos documentos e aproveitava os meus dados já informatizados para me passar o atestado o mais depressa possível ou desejava examinar novamente a criança e, nesse sentido, fá-lo-ia numa consulta com urgência para que um bebé de nove meses, doente, não estivesse à espera – tem lógica? Pelos vistos, não) e que estava ali a perguntá-lo uma vez que já tinham sido chamadas outras pessoas chegadas depois de mim, algumas delas provavelmente também com urgências.
E é quando a senhora me explica que não, que não era uma consulta. Que «qualquer coisa, blá-blá-blá, um favor do médico, quando tivesse tempo». Estaquei: «Desculpe, mas o médico não me está a fazer favor nenhum.» (Duas horas????!!!! Com filha de nove meses doente???!!! É que é cá um favor!!!!!) E ela: «Sim, no fundo é mais ou menos um favor.». Ao que expliquei que tinha estado na noite anterior no hospital durante uma hora e quarenta e que a minha filha já tinha sido examinada e diagnosticada, trazendo eu o papel do diagnóstico. E que sabia que ela, a senhora, não tinha culpa nenhuma, mas que compreendesse a minha situação. E ela explicou que eu não tinha médico de família, que no centro havia pouquíssimos médicos, e que, dada a hora a que tinha chegado (09H20, mais ou menos), já não havia senhas de urgência (que penso serem só cerca de meia dúzia por dia), e que o centro não fazia urgências (contrariamente ao teor do site do Ministério da Saúde sobre os centros de saúde, portanto). E lá amarguei mais uma hora e meia (na verdade um pouco mais, uma vez que fui chamada às 12H00), para encontrar um médico muito simpático, mas que percebi que nem sequer tinha olhado para os documentos fotocopiados e que, ao saber que a criança tinha ido ao hospital, declarou: «Ah, então diga lá, o meu trabalho assim já está facilitado…». Eu nem sequer precisei de tirar a Joana do carrinho e ele nem sequer precisou de lhe tocar, aliás, de se levantar do seu lugar.

Tempo esperado no Hospital público: 1 hora e 40 minutos (nada mau, para uma época do ano complicada e de noite).
Tempo esperado pelo atendimento no centro de saúde: 3 horas e 40 minutos.
Tempo dentro do consultório do médico no centro de saúde: 5 minutos.

Pelo que percebi que as novas indicações (provavelmente para evitar baixas fraudulentas) é dificultar ao máximo as condições para quem está doente ou tem filhos doentes. Vamos ao hospital. Depois ao centro de saúde. Ocupamos os dois serviços de saúde inutilmente. Andamos doentes, ou com filhos doentes, a necessitar de descanso e preservação em casa ou com contextos possivelmente contagiosos, a passar horas a tratar de papéis que nos justificam faltas ao trabalho, sendo que na grande maioria dos casos (as tais viroses simples e curáveis em três dias) estas nos forçam a descontos a 100%... (que é o que se desconta quando se está de baixa ou assistência à família até três dias)!!! Já para não falar que, no caso de uma doença altamente contagiosa ou incapacitante, podemos ter que enviar outra pessoa por nós ao centro de saúde e, nesse caso, sujeitamos um profissional a ter que assinar de cruz um atestado a uma pessoa que não observou…!!
Pergunto-me: o que é isto…?! A que ponto chegámos?! Já não chega a preocupação/ ansiedade de ver um filho pequeno doente?! Já não chega a culpa que sentimos tantas e tantas vezes em relação às faltas ao trabalho, à redução na equipa, a deixar os colegas desfalcados?!
Fico a pensar quem é que beneficia disto. Não são os doentes, nem os seus acompanhantes, nem os utentes do serviço de saúde, nem todos os funcionários do serviço de saúde (quer seja de hospital quer seja de centro de saúde), nem os locais de trabalho… Fico reduzida ao poder instituído, que trata de burocratizar e dificultar tanto e cada vez mais a situação a quem está doente ou a acompanhar quem está doente que só lhes resta pôr dias de férias para não ter que se sujeitar a isto…
Interiormente guardo para mim o desejo de que esta minha filha pequena saia ao irmão, que é tão resistente, e não à irmã, que apanhava todo e qualquer vírus ou bactéria no raio de quilómetros ao seu redor…
A partir de hoje, minhas gentes, já sabem: PROIBIDO ADOECER!

Rita

sexta-feira, outubro 03, 2014

No carro, a aproveitar o último fim-de-semana das férias

Vasco: - Tia. Olha aquela nuvem... Parece uma piranha-crocodilo. ... Agora parece um tubarão-martelo, mas zangado. A tia tirou a foto. Que saiu com aprovação do sobrinho, e que apontou logo para a boca do "tubarão-piranha" - Tás a ver oa dentes? E a foto foi esta...
Conseguem ver? Eu já...
Ana Cristina

terça-feira, setembro 30, 2014

As primeiras pretensões políticas de uma filha de 9 anos

"Mãe, estava aqui a pensar... Se eu algum dia vier a ser Presidente... Por acaso!... Mas não vou ser... Mas se for, por acaso, uma das coisas que eu acho que fazia... acho eu... uma das coisas que eu fazia era... pronto, era aumentar o dinheiro que todas as pessoas ganham... Achas que podia ser...?"
Rita

domingo, setembro 28, 2014

Os Xulés Quarenta e Sete, Quarenta e Três e Trinta e Cinco

Partiram juntos do saco xulezudo. Sabiam que iriam para casas diferentes. Todos eles sabiam que iriam encontrar pequenos donos. À partida já ansiavam por brincadeiras malucas e bons abracinhos, de meninos pequenos. 
O Quarente e Sete imaginava um menino reguila e bem disposto, que gostasse de brincadeiras malucas. O seu olhar é um bocadinho torto e tudo o que vê é mais ou menos enviesado, por isso está sempre pronto para mais uma gargalhada, uma tropelia e uma luta entre heróis desde que ele seja um dos justiceiros. 
O Quarenta e três, talvez por ter pernas e braços bem compridos, pensava em andar muito de baloiço, dar cambalhotas e fazer muita ginástica nas mãos de uma qualquer criança brincalhona. Na verdade também gosta de dormir, de preferência abraçado, numa cama quentinha e cheia de bonecada macia.
Por seu lado, o Trinta e Cinco tinha a ideia que o seu dono ideal seria um bebé pequenino, mas não pensava em mais nada. Ele próprio é pequenino, tem apenas 24 centímetros, por isso não sabe ainda o que esperar do futuro.

Tenho a ideia que partiram felizes. Acho mesmo que cada um deles já estará com o seus novo dono.
Nós, por cá, esperamos notícias. E fotos, claro.
Ana Cristina

sexta-feira, setembro 26, 2014

10 Livros que ficaram comigo, versão segunda mana Ranha

Corre por aí no facebook um desafio sobre 10 livros que marcaram a vida dos desafiados, independentemente da ordem pela qual sejam colocados, de serem conhecidos como bons livros ou até de serem os mais marcantes de todos os lidos. 
Tendo o repto sido lançado às Oficinas, a minha irmã respondeu primeiro e eu faço-o agora.
A minha atitude perante os desafios é sempre a mesma: no início custa-me sentir-me impelida a fazê-lo, depois gosto bastante do momento de reflexão e recordação a que me obriga. É sempre bom reviver algumas lembranças, conhecer-me e dar-me a conhecer um bocadito melhor…
Posto isto, cá vai, esperando que aos meus desafiados no facebook a proposta dê tanto gozo como me deu a mim:


  1. Tal como já referi em outras alturas, a Alice Vieira foi a grande escritora da minha infância e início de juventude, por isso não poderia deixar de a nomear… escolher um livro específico que me marcou é o mais difícil. Penso que terei de mencionar o “Flor de Mel”, uma vez que a história (principalmente o seu final) é contada de forma sub-reptícia e deixa margem a várias interpretações… a mim marcou-me a angústia de uma menina sem mãe, com necessidade de imaginar a figura maternal envolta em fantasia e a sobreposição da realidade a que é sujeita…
  2. Obviamente que tenho que referir “O meu pé de laranja-lima”, de José Mauro de Vasconcelos. Contei aqui que foi o grande livro da minha infância e é verdade. Lembro-me com imensa exatidão do momento em que encontrei a minha irmã a chorar, do que me disse, da vontade com que fiquei de sentir aquilo. Ainda hoje, ao pensar num livro ou mesmo num filme que me marque, sou transportada para as gargalhadas ou lágrimas de tristeza, desamparo ou raiva que os mesmos me tenham provocado. Um bom livro para mim é esse, o que me faz o caminho de ida até às entranhas, as revolve, regressa, e depois deixa a minha vida… desigual…
  3. A Mafaldinha, do Quino, é uma personagem literária muito marcante na minha vida, sem qualquer sombra de dúvida. Li-a e reli-a tantas vezes, foi passível de tantos risos à conta de descobertas do significado de ironia política, que era habitual dramatizá-la em família. Tenho-a impressa na mente, decorada, e vem-me à cabeça inúmeras vezes consoante as situação com que me deparo no dia-a-dia. A sua atualidade impressiona-me sempre. Tive três ou quatro livros dela, mas menciono, é claro, o grande: “Toda a Mafalda”.
  4. “Capitães da Areia” foi um dos grandes livros que li do Jorge Amado, provavelmente na minha adolescência, e não poderia deixar de o referir aqui.
  5. Em jovenzinha tive (ainda tenho, que livros não são bens que se deitem fora) alguns livros da coleção “Caminho Jovem”, todos eles muito bons e que reli várias vezes ao longo do tempo. Resolvi destacar aqui o primeiro, “Trovão, ouve o meu grito”, de Mildred D. Taylor, uma história que aborda o racismo e o valor da dignidade por volta dos anos 30, no Sul dos Estados Unidos da América. Aliás, a recordação provocou-me a vontade de o procurar e ler novamente…
  6. “Ensaio Sobre a Cegueira”, do José Saramago. O que se pode dizer deste livro que não tenha sido dito já… a sensação é a de que o Saramago tinha uma espécie de clarividência que o levava a conseguir prever e descrever situações que, face ao acontecimento inicial, se desenrolariam exatamente dessa forma… Neste caso e tanto isso em conta, a crueza e frieza do que o ser humano é capaz, face à ocorrência abordada nesta história, é absolutamente chocante… Um livro verdadeiramente magnífico, sem dúvida um dos livros da minha vida…
  7. Coloco aqui “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende, não só porque gostei muito do livro (como gostei de quase todos os da autora, embora confesse que me tenha sentido um pouco defraudada com alguns que achei muito juvenis, só porque não estava à espera que assim fosse quando os li), mas porque foi com este livro que me questionei se a literatura que vinha da América Latina seria toda assim tão magnífica, tão envolta em fantasia e beleza… Escrever realisticamente com toda a naturalidade sobre uma mulher que teria cabelos verdes deixou-me absolutamente maravilhada… Deu-me a perceção que há, de facto, quem saiba muito bem uma história…
  8. No seguimento do último livro, “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez, lido já na idade adulta, foi completamente avassalador… Ocorre-me dizer que por alguma razão é, tanto quanto tenho visto, um dos livros mais mencionados pelos desafiados que aí circulam na net… É absolutamente perfeito, não se pode dizer mais.
  9. “O principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry. É um hino à forma mais bela com que se pode descrever a amizade, o amor…
  10. Não sei se sugestionada pela resposta da minha irmã ao desafio, surge-me um livro sobre a II Guerra Mundial: “Se isto é um homem”, de Primo Levi. Li-o ao mesmo tempo que me encontrava de férias em Varsóvia e Cracóvia, em 2006, na mesma altura em que visitei o Museu de Auschwitz-Birkenau. Não poderia, quanto mais não fosse por isso, deixar de ficar marcada. Não é um livro passível de crítica literária; a história é o relato, na primeira pessoa, dos onze meses que Primo Levi passou neste campo de concentração, trabalho e morte. Não é bonito, nem é para sê-lo. É cru, frio, terrível, faz-nos doer, dá-nos um nó no estômago… lá está, é algo que nos faz acreditar no pior a que nos transporta o “Ensaio sobre a cegueira”, que é pura ficção… Aconselho vivamente.

Claro que a minha vida não se resume a estes títulos. Muitos outros se me surgem como a tendo marcado, livros que me ocorrem frequentemente, que ficaram comigo.
Oh pá, este desafio deixou-me cheia de vontade de ler... 
Rita

quinta-feira, setembro 25, 2014

Espécie de fórmula matemática

Dia em que o companheiro chega tarde porque foi trabalhar para longe é igual a: 

querer muito vir ter com os filhos + 
conseguir (devido a um belíssimo esforço conjunto de combinação e negócio) que todos se entretenham enquanto se faz uma máquina de roupa e se apanha as milhentas migalhas de pão que a sobrinha gata conseguiu espalhar pela casa depois de andar a brincar com um saco de pão durante o dia + 
suportar que a mais nova, que come otimamente, logo hoje, decida que não acha piada à sopa e faça fita para comer + 
suportar que o do meio decida, como faz invariavelmente, andar a falar altíssimo e a dar pinotes e a saltar de múltiplas e variadas formas para o sofá ou qualquer outro sítio + 
suportar que a mais velha nos queira mostrar à força uma música e dança horrorosa, de mau gosto e ainda por cima mal educada e que, para tal, se mexa imenso + 
todas as três últimas afirmações em simultâneo

O que basicamente é equivalente a deitar os meus filhos pelos olhos às oito da noite… E estar ansiosa por vê-los na cama… Ou por ter chegado a casa tarde por ter ido trabalhar para fora…
Rita

segunda-feira, setembro 22, 2014

10 Livros que ficaram comigo

Fui desafiada no facebook a nomear 10 livros que de alguma forma ficaram comigo não tendo de ser os livros certos ou grandes obras literárias. 
Como sempre, o difícil será escolher. Numa estante cheia de livros, quase todos ficaram na lembrança. E porque nos últimos tempos tenho lido muito pouco relembro alguns dos que nomeei em tempos e acrescento mais uns quantos. A ordem porque estão apresentados não tem importância nenhuma, esclareço.
Aqui vai a minha lista
  1. "Rosa minha irmã Rosa" da Alice Vieira. Na altura em que eu era, nem sempre a orgulhosa irmã mais velha, recebi do meu pai este livro, e percebi-me a mim própria um bocadinho melhor.
  2. "O Meu Pé de Laranja-Lima" de José Mauro de Vasconcelos. Nem imaginam as vezes que foi lido e relido... sempre com muitas lágrimas a acompanhar.
  3. "O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway. Li-o pela primeira vez numa biblioteca de turma e gostei muito. Li-o de novo muitos anos depois e ainda gostei mais.
  4. A trilogia de "Subterrâneos da Liberdade" - "Os Asperos Tempos", "Agonia da Noite", "A Luz no Túnel" de Jorge Amado. Na adolescência, depois de ter lido "O Cavaleiro da Esperança" também do Jorge Amado, que gostei muito, encontrei estes livros na estante dos meus pais. Os "Subterrâneos da Liberdade", como outros que li na época, vieram reforçar as minhas convicções políticas, ajudaram-me a compreender melhor o trabalho clandestino por um mundo melhor.
  5. "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago. O retrato nu da sociedade. Tão esmagador que nos deixa angustiados.
  6. "Do Amor e Outros Demónios" de Gabriel Garcia Márquez - o livro que mais me marcou do meu escritor preferido. Mas do Gabo poderei também nomear  "Cem anos de Solidão", o mais famoso livro da sua obra, ou o "Viver para contá-la" se quiserem entender a sua evolução como autor.
  7. "Servidão Humana" de W. Somerset Maugham, um livro que ninguém deve deixar de ler. E se quiserem leiam também "O Fio da Navalha" do mesmo autor.
  8. "O velho que lia romances de amor" de Luís Sepúlveda. Uma história linda.
  9. "Diário" de Anne Frank, para não nos esquecermos do holocausto. E pelos mesmos motivos dos dois últimos livros, nomeio também
  10. "A rapariga que roubava livros" de Markus Zusak...
Com toda a certeza nomeava aqui muitos mais... 
Ana Cristina

quarta-feira, setembro 17, 2014

Balanço da primeira semana de trabalho e escola

Iniciámos rotinas há uma semana. Trabalho, escolas, preparações prévias de almoços, cuidados na hora de deitar, etc e tal.
De tudo, o mais stressante para mim foi voltar à rotina chata de preparação matinal para sair de casa. A ideia de regressar ao trabalho custou mais nos momentos prévios («falta um mês», «faltam quinze dias», «falta uma semana») do que propriamente no dia em que foi inevitável. Esperavam-me a mesma área de trabalho, mas (e eu já sabia) com uma nova equipa, nova chefia, nova sala, e eu abracei as novidades com verdadeiro agrado. Ao pessoal, quase todo a processar o retorno de férias, surpreendeu a minha satisfação, mas a realidade é que foi muito tempo de mentalização para o regresso e para a constatação de ser sortuda por fazer algo que gosto.
Os miúdos “mai crecidos”, iam todos contentes por voltar à escola e aos amigos… quanto à mais nova, admirou-nos a todos pela sua capacidade de adaptação e simpatia para com um novo espaço e pessoas.


Agora, aos poucos, espera-nos a criação de rituais que funcionem nestes novos horários que, devido à licença de amamentação, ainda nos permitem gozar um pouco mais da companhia uns dos outros...
Rita

segunda-feira, setembro 15, 2014

Os filhos-gatos também gostam dos Xulés


No tempo do Pilas podíamos vê-lo, por vezes, acompanhado de xulés. Acompanhava a sua construção, sempre por perto, muitas vezes como suporte. Era possível colocar os xulés durante vários dias à mostra, em poses de grupo ou sozinhos porque o Pilas deixava-os à vontade.

Com a Misha é diferente. Uma gatinha ainda bebé, que se sente permanentemente provocada com as linhas, os tecidos, os botões ou as meias é um risco constante sempre que um xulé está a ser elaborado. Deixar um deles em cima de uma prateleira ou de um móvel representa que quando voltarmos não o encontramos no mesmo sítio porque a filha-gata aproveitou para com ele brincar ou tentar destruir. Mas de repente conseguimos ver que ela o que quer mesmo é companhia...
Ana Cristina

segunda-feira, setembro 08, 2014

E eis que amanhã...

... depois de baixa, parto, licença, férias, licença prolongada, ATL doméstico, Festa do Avante, muito tempo dedicado a filhos, tempo de filhos filhos filhos filhos filhos... recomeço a trabalhar...

Rita

Retalhos da vida na melhor festa do mundo

Na Festa do Avante pode-se fazer como se quer: vibrar nos concertos a dançar, aos saltos, numas cavalitas ou, pura e simplesmente, deitado numa qualquer manta; tomar banhos voluntários numa fonte transformada em piscina ou involuntários, de chuva; ver os murais que outros pintaram; experimentar comidas novas, independentemente da idade que se tenha; ler livros em cima de um amontoado de rede, indiferente a quem passa...
Enfim, na Festa do Avante «podes ser quem quiseres, ninguém te leva a mal...»


Rita

sexta-feira, setembro 05, 2014

Oito meses de Joana


Comecei a insistir sentá-la depois de fazer sete meses e foi num instante que o começou a fazer sozinha; quando demos por ela estava sentada no meio da sala e ninguém a tinha colocado daquela forma. No tempo que durou o campo de férias da Alice, aperfeiçoou a habilidade e foi uma surpresa para ela quando chegou.
Adora tirar fotografias e até já se ri para a câmara. Tirando esta, gosta de tudo o que é electrónico: comandos de televisão, telemóveis, o ipad... 
Começou a tentar gatinhar talvez quando já passava dos sete meses e meio. Já há algum tempo que se punha na posição e balançava o corpo.. começou depois a empurrar-se para trás e dávamos com ela meio por baixo dos sofás... entrou a seguir numa fase em que parecia saber os movimentos dos braços e das pernas, mas não coordená-los entre si... finalmente, três dias antes de completar os oito meses, começou a gatinhar.
Com as novas possibilidades de movimentação, é um perigo tê-la na cama de grades pequena mas ainda não mudou para o quarto da Alice - agora o quarto das miúdas - para não a sujeitar a muitas alterações de vida ao mesmo tempo.
Dá turras e torce o nariz quando lhe pedimos que faça uma "cara feia".
Come otimamente mas já sabe mostrar quando há uma ou outra sopa que não lhe agrada.
Adora a Fera e encaminha-se para ela assim que a vê. A seguir parece que a tortura, puxa-lhe o pêlo, apoia-se em cima dela, bate-lhe com o que tenha na mão, tudo acompanhado por guinchos de satisfação ou por sons entoados que são giríssimos e nunca tinha visto nos filhos anteriores. Poder-se-ia pensar que a Fera foge mal a vê, mas até muda de posição nas torturas - tal como acontecia com o Vasco - como quem está a ser massajado...


Desde segunda-feira que está na creche, em processo de integração gradual. Não tem chorado, tem comido e dormido bem. Eu tento aproveitar os restos de tempo que tenho para estar com ela porque o regresso ao trabalho está premente. 
Essencialmente por isso, daqui a umas horas parte comigo e com a mana para a sua primeira Festa do Avante...

Rita

quinta-feira, setembro 04, 2014

Fomos ao MUDE

Antes de aproveitarmos uma folga do pai para - com a ajuda da Tia Cristina, que ficou com os três sobrinhos - tirarmos o dia de anteontem só para nós, fomos ao MUDE no nosso dito ATL doméstico.
O MUDE é um museu interessante para visitar com miúdos (gratuito, o que é sempre bom), principalmente porque as antigas amplas instalações do Banco Nacional Ultramarino permitem grandes corridas e brincadeiras de um lado para o outro. 
Não me interpretem mal, eu fui para o ver com os miúdos (os meus e a nossa amiga de longa data, vizinha e companheira de várias aventuras)... mas é bom saber que, depois deles darem a sua atenção às peças expostas, nos sobra ainda tempo para as vermos com calma, enquanto eles se distraem à sua maneira, sem prejudicar as restantes pessoas ou o museu. Nesse sentido, o MUDE tem nota elevada.
A exposição permanente é interessante e deu para fazer pequenos jogos com o pessoal no intervalo das suas correrias. Em relação às temporárias, acho que eles gostaram da exploração visual no terceiro andar, dedicado a André Saraiva, um artista do graffiti, mas eu preferi a parte dos iconoclastas dos anos 80 e a do mobiliário das instituições públicas no Estado Novo.
Fica só uma crítica, que nos tempos atuais se torna bastante séria: não há um elevador para subir às exposições temporárias, nos 2º e 3º andares. Andar a visitar o MUDE com um carrinho de bebé torna-se assim impossível...
No final terminamos o passeio em beleza, com uns momentos no Terreiro do Paço e Cais das Colunas.



 Rita

Uma tarde bem passada com os sobrinhos


Vieram os três antes da hora de almoço para os pais poderem fazer um programinha em casal. Os mais velhos, habituados aos cantos da casa, vinham preparados para uma tarde de ramboia, com os brinquedos da casa da tia, uma televisão com os filmes do último natal ainda gravados, e um parque grande que eles costumam visitar sempre que cá vêm. Desta vez não fizemos pinturas nem grandes projectos porque o tempo era pouco, mas parece já haver umas ideias para o próximo foto-filme que vamos fazer em conjunto. Ainda fizemos uns pratos engraçados para o almoço, viram dois filmes que já conheciam e comemos gelados a caminho do parque.
A mais nova, pronta para descobrir tudo, agora que se movimenta com  mais autonomia, brincou com os brinquedos da prima-gata, que lhe inspirou muita curiosidade. Gatinhou atrás de mim a pedir colo. Comeu muito bem e espalhou pão babado por todo o lado que passou. Dormiu no meio dos brinquedos e ainda teve tempo para fazer uma birra, não muito grande é certo.

O problema foi sair com os três para ir ao parque. Descobri ontem que no elevador do prédio, daqueles velhotes de serpentina e impróprios para crianças pequenas, não cabe um carrinho de bebé aberto com o bebé sentado.
Foi uma tarde bem passada com os sobrinhos. Espero que eles também tenham gostado.
Ana Cristina


quarta-feira, setembro 03, 2014

Mas porquê?!!!

Porque é que o dia não tem o dobro das horas para eu ter mais tempo para fazer tudo o que tenho programado e que vou adiando sucessivamente para o dia seguinte?
Porque é que eu não sou daquelas pessoas a quem basta umas duas, três horitas de sono para se recomporem e trabalharem incansavelmente (pelo menos é o que parece)?
Porque é que ando sempre atrasada, agora devia já estar na rua, por exemplo?
Porque é que tenho de IR FAZER NOITE?? PORQUÊ'?!
Ana Cristina

quinta-feira, agosto 28, 2014

O Vasco dormiu ontem no seu quarto novo pela primeira vez. Ia todo feliz e dormiu a noite toda, sem qualquer interrupção.
Nesta noite, a segunda, deve-lhe ter dado as saudades e teve vontade de voltar à cama pequenina, por baixo da da Alice. Era o colchão novo, que «era duro» - comentário que a irmã tinha feito a experimentá-lo. Apesar disso, acedeu facilmente a dormir nele novamente, desde que soube que os colchões duros eram melhores para as costas.
Quando me fui despedir da Alice, encontrei-a com expressão melancólica. Brinquei que quase se poderia abrir uma janela entre os quartos para que pudessem falar ou brincar às sombras um com o outro antes de dormir. Perguntei-lhe se sentia a falta dele, e ela:
«Claro... eu gostava de o ter aqui... no andar de baixo... fazíamos... fazíamos um bom prédio juntos...»
Rita

quarta-feira, agosto 27, 2014

Manhã de Graça

Ontem deixei a pequena com a minha vizinha crescida e fui com os putos (os meus dois, mais o de cima e a de cima do lado) à Graça, ao Largo. O objectivo era ir às compras para uma atividade que eu tinha proposto fazermos e aproveitarmos o passeio para conhecermos mais do bairro. 
Ficámo-nos por alguns murais do Passeio Literário da Graça que valem tanto a pena uma visita turística ao nosso bairro e, mesmo assim, não os vimos todos... 



Claro que terá que se agendar novo passeio...!
Rita

segunda-feira, agosto 25, 2014

Praia urbana

Hoje, no ATL doméstico cá de casa, fomos conhecer a praia urbana que fizeram para os lados do Jardim do Torel.
Estava com alguma curiosidade, a coisa tinha dado notícia no telejornal mas era polémica no facebook. Uma vez lá chegada com quatro putos, três meus e um emprestado, não consegui perceber a razão de quem só tem mau para dizer.
A praia do Torel reformula temporariamente um jardim giríssimo e subaproveitado de Lisboa. Ao que parece, foi feita somente com recurso a patrocíniosDá conhecê-lo, dinamiza-o. A piscina, ou se quisermos ser absolutamente sinceros, a fonte, está tão aparentemente limpa, cuidada e tratada como... uma piscina...! Até cheira a cloro, aliás... A areia também se encontra na mesma situação, existe um nadador salvador, um polícia. Há um café estiloso (já lá estive há uns tempos, pareceu-me idêntico mas não consegui vê-lo bem desta vez), um quiosque com esplanada, uma barraquinha amorosa de venda de bolas de berlim com e sem creme. Todo o espaço é pequeno mas não estava cheio. E consiste numa boa alternativa para levar miúdos (para quem não tenha acesso a transportes facilmente ou, como eu, só queira a garantia que os pequenos se vão divertir durante o muito pouco tempo que tenho disponível) ou adolescentes. As crianças que me tocavam a mim estiveram sempre divertidíssimas, deram umas belas banhocas, brincaram no parque infantil adjacente. Afirmaram ter gostado muito e provavelmente pedirão um regresso - só possível até ao final do mês.
Venham mais originais iniciativas destas nos belos espaços da nossa cidade, faxavor... 



Rita

quinta-feira, agosto 21, 2014

Xulé Trinta e Três (33#))

Tem cara de quem gosta de se divertir e possui um nariz detector de brincadeiras, de mimos e de belos passeios.Tal como todos os outros amigos Xulés, o Trinta e Três adora tirar fotos e espera ansioso no saco xulezudo pelo momento de ser encontrado por um menino ou por uma menina que por ele se encante e queria brincar. Por ele, desde que seja para se divertir, está sempre disponível.

Boneco-de-meia, feito à mão. Com enchimento sintético e botões.
Peça única, com 20 cm.
Ainda sem dono.
Ana Cristina

terça-feira, agosto 19, 2014

A Alice faz nove anos

Há nove anos atrás passei a ter uma coisa destas para amar e cuidar... 


Hoje estamos de parabéns, minha querida filha grande.
Rita

segunda-feira, agosto 18, 2014

WIP

 Hoje mostro, muito rapidamente, um pedacinho de um dos últimos trabalhos das Oficinas RANHA. Espero que gostem.
Ana Cristina

domingo, agosto 17, 2014

Despojos de um campo de férias


No dia seguinte ao regresso comecei logo por tratar da mochila, ansiosa por arrumar qualquer coisa que aliviasse o estado de uma casa em obras, onde se anda a aumentar uma divisão e a dar-lhe uma utilidade diferente, logo, uma casa completamente de pantanas.
Essencialmente, o que vinha na bagagem era sujidade. Como já há muitos anos não via...! Para além da imundice, a mochila trazia todos os items da lista por nós elaborada previamente (com excepção de uma única meia... mas, como vinha um par a mais...!), organizados de uma forma não irrepreensível mas nada criticável...  
Muito mais importante do que a bagagem física, a miúda trazia ótimas recordações, de uns maravilhosos oito dias. Já alguns dias volvidos, continuamos a falar do campo, do que fizeram, agora cada vez com mais pormenor... E todos os dias há músicas novas... e antigas, dos meus próprios campos... músicas já trauteadas também pelo irmão...
A minha filha está mais rica com a ida para este campo, e com ela, todos nós.
Rita

sábado, agosto 16, 2014

O regresso


Se não estivéssemos demasiado embrenhados nas modificações que estamos a fazer em casa para criar o quarto do Vasco, já aqui tinha vindo falar do regresso.
Oito dias depois de ter ido, a minha menina grande regressou. Imunda, estafada, cheia de saudades, mimocas, sorriso de orelha a orelha. Geriu, como pôde, os abraços e beijos entre os manos, declarou estar ansiosa por tomar o seu banho «a escaldar», passou pelas brasas no sofá com o irmão agarrado a ela e foi extremamente satisfeita para a sua cama. 
Do campo afirmou que, de 1 a 10, a nota era a máxima. Pronta para voltar para o ano, portanto.
Rita

segunda-feira, agosto 11, 2014

As férias que já tivemos

Antes de ficarmos a três (uma vez que a Alice está agora no campo de férias), estivemos de férias a cinco, na altura em que o pai ainda não havia regressado ao trabalho. Daqui a dias, quando a miúda voltar, retomaremos o nosso ATL de Verão familiar, ou seja, pouco menos de um mês a quatro, mãe e filhos. 
Entretanto, as férias já gozadas foram óptimas... tal como se quer, com muita cor...

... cor de praia...

... cor de comezainas...

... cor de passeios...

... cor de belas vistas...

... cor de brincadeiras...

... cor de gelados...

Rita

sábado, agosto 09, 2014

Os comentadores políticos que não têm nada a ver com as políticasImagem

Imagem tirada da net
São muitos. Uns dias é o Sr. Marcelo Rebelo de Sousa a contar-nos histórias de quem disse o quê e a quem qual poder de omnipresença e omnisciência. Ao que parece comenta acerca de tudo excepto da temática da sua candidatura à Presidência da Republica. Também há o Sr. Sócrates, ex-primeiro ministro, que recusa relacionar as suas políticas com as actuais. E temos ainda o Sr. Marques Mendes, um autêntico adivinho, que nos apresenta semanalmente a sua previsão do futuro. 
Estou para comentar acerca deles há algum tempo mas tenho sempre adiado. Umas vezes por falta de tempo, outras porque as palavras escritas não ajudam a clarificar as ideias. Mas hoje, numa nova tentativa, vai a minha pessoa comentar sobre os comentadores políticos, ou seja, sobre as incoerências que tivemos de ouvir o Sr. Marques Mendes dizer. 
  • Com que então não existem dinheiros públicos envolvidos no caso do BES mas pode dizer-se que há grave lesão do interesse nacional?!... 
  • E se o Tribunal Constitucional chumbar as medidas propostas pelo governo para o próximo Orçamento de Estado o governo não deve cair porque se houvesse eleições antecipadas ninguém votava no PSD e no CDS?! Ou seja, como ninguém votava neles o melhor é não pedir a demissão... ou melhor ainda, o melhor é o TC fazer passar tudo para o governo não ficar mais uma vez como aldrabão. 
  • E também não percebe a greve na TAP numa altura destas?! Tá bem, eu esta explico. Os trabalhadores da TAP estão a fazer greve por motivos de descanso. O aumento do horário de trabalho, a obrigatoriedade de trabalho extraordinário, e a diminuição dos períodos de descanso não parecem motivos suficientes para fazer greve??? Então também não deve entender as greves dos enfermeiros exactamente nesta altura.
Acho que deu para perceber que estou um bocadinho cheia destes e de outros senhores/as, a fazer comentário político na televisão. Aliás, nenhum deles parece ter absolutamente nada a ver com o estado a que chegámos.
Mais não digo num post que, apesar de mal redigido e sem correcção tem de ser publicado. Porque isto também sou eu, uma descontente. Mas também uma crente que um dia virão novos tempos, novas atitudes.
Ana Cristina

quarta-feira, agosto 06, 2014

De mochila às costas...


... partiu ela, hoje de manhã, para o seu primeiro campo de férias... com uma grande amiga e mais de quarenta desconhecidos que presumo se irão tornar grandes companheiros a merecerem amargas lágrimas de despedida daqui a uma semana...
No saco levava todos os items da lista sugerida, mais a roupa escolhida por ela para a noite de gala, mais o seu Xulé, mais o seu característico contentamento equilibrado, de quem se adapta sempre às novas aventuras a que se propõe... 
Como eu ainda me recordo de tantas coisas do meu primeiro acampamento - e dos que se lhe seguiram - sei de fonte segura o bom que vai ser, o tanto que se cresce e se vive, o mais que se guarda para sempre... 
De forma sempre surpreendente para mim, tal como já aconteceu nos acantonamentos de dois e três dias com a turma ou nos passeios de final de ano lectivo ou em algumas festas escolares ou exibições de actividades, dei pelas lágrimas no último abraço que trocámos, mas escondi-o dela, engoli em seco e vim embora com os outros pimpolhos atrás... lágrimas de felicidade por vê-la crescer... 
Rita

domingo, agosto 03, 2014

Uma estante cheia de Xulés 2

São oito, e têm nomes seguidos, do Quarenta e Dois ao Quarenta e Nove. Quiseram marcar a diferença com uma fotografia de grupo a assinalar a quase meia centena de Xulés saídos da fábrica Oficinas RANHA.
Já seguiram quase todos para novas paragens, e foram felizes porque o saco xulezudo estava cheio e ficar lá dentro não tinha grande graça. Engraçado é brincar tanto que se fica moído e com pontos desfeitos, é dormir agarradinho ao dono pequeno ou ser admirado pelo grande. E tirar fotografias, claro (um prazer comum a todos os Xulés, como já deu para perceber). 
A história das meninas Xulés Quarenta e Quatro e Quarenta e Seis já contámos neste post, e a do verdusco e bezuguento Xulé Quarenta e Oito foi contada neste. Contaremos as outras histórias assim que possível, mas têm de esperar um bocadinho porque as artesãs e criativas das Oficinas RANHA, são também mãe-de-três-agora-de-férias ou enfermeira-a-trabalhar-a-40-horas-por-turnos-em-luta-sindical.
Ana Cristina



sábado, agosto 02, 2014

Vinte e três anos é muito tempo...

Muitos dias, muitas horas a cuidar. Vinte e três anos anos é muito tempo, deste tempo inteiro que eu tenho. É metade.
Festejei ontem os vinte e três anos que comecei a trabalhar como enfermeira. 
Não me lembro bem do primeiro dia. Só que era um bonito dia de sol, que havia notícias de uma Guerra no Golfo, e que eu tinha a noção que a minha vida iria mudar muito. Aquele era só o primeiro dia do resto da minha vida. O dia da passagem real à vida adulta, de começar a trabalhar na profissão para a qual tinha estudado e passado por grandes lutas internas, de começar a colaborar para a sociedade.
E passaram 23 anos, com vários primeiros dias do resto da minha vida e diferentes experiências profissionais. Comecei como uma menina enfermeira das que "- Menina, podia-me chamar uma enfermeira? Uma enfermeira mais velha.". Sou agora uma daquelas enfermeiras mais velhas e com experiência.
Tenho a mesma vontade de mudar o mundo (embora com uma visão mais assertiva) e, infelizmente, encontro agora algumas das mesmas dificuldades que encontrei no exercício da minha profissão quando comecei. Há uns anos pensava que estávamos numa espiral crescente mas parece que não. Não posso é desistir de acreditar que a espiral crescente é possível. 
A LUTA CONTINUA. A luta mental, a luta social, a luta política.
Ana Cristina

quarta-feira, julho 30, 2014

O verdusco e bezuguento Xulé Quarenta e Oito


Claro que quando o rapaz soube que a irmã mais velha planeava comprar um novo Xulé, de imediato puxou das suas poupanças e decidiu fazer o mesmo. O problema inicial foi a escolha. Dentro do saco xulezudo, todos se empertigavam, mas a cada novo olhar, o rapaz decidia-se por um diferente. Até chegar ao verdusco e bezuguento Xulé Quarenta e Oito.
No saco já sabiam que o Quarenta e Oito era um pouco destrambelhado, a gostar de brincadeiras malucas e divertimentos que dessem origem a muitas gargalhadas, de preferência a serem proferidas em voz alta. Daí que ninguém tivesse estranhado o imediato tácito entendimento entre o rapazinho e o verdusco. Miraram-se – o Xulé de forma desigual, devido ao seu desigual olhar –, mexeram-se, abraçaram-se, experimentaram-se. E decidiram-se um pelo outro, com a certeza de que os esperava uma vida louca repleta de tontarias a realizar em conjunto.
E foi assim que o sexto Xulé chegou à nossa família.



Rita