quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Para cumprir a tradição...

... repetimos passeios pelas ruas de Lisboa, lanches em pastelarias famosas e andamos de eléctrico.
Com o pretexto de ir fazer umas comprinhas ou umas pesquisas de mercado para projectos das Oficinas RANHA, e dar um passeio numa bonita tarde de Sol, lá fomos nós para o centro de Lisboa. Numa tarde de irmãs com sobrinha incluída, resolvemos como é óbvio lanchar na Pastelaria Nacional. A Pastelaria Nacional é um local de visita para lanchar, que apesar de rara sempre agradável. Quase uma tradição implementada há uns 20 anos, nos tempos em que Lisboa ainda não era a cidade onde se vivia mas já seria onde trabalhava e estudava. Mas há cerca de 8 anos fomos lá lanchar com a Alice, há pouco mais de 4 quisemos ir com o Vasco e agora com a Joana. Lanchámos as três, primeiro a Joana do seu leitinho de mãe, depois nós, as adultas. E constatámos mais uma vez que um bebé pequeno faz toda a gente rir, mostrar o lado mais bonito da expressão tanto a adultos jovens como mais idosos, a portugueses e estrangeiros. E sem dúvida que serve para despoletar conversa, habitualmente sobre bebés, claro.
No fim da tarde rumámos a casa de eléctrico, noutra tradição bem mais recente.
Uma tarde bem passada a três.
Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Tesourinhos que se guardam durante muitos e longos anos...

As colegas começaram agora a comprar agulhas e lãs e a dar os primeiros passos na malha. Eu, que nem nunca fui grande artista na arte das duas agulhas; posso dizer que em toda a minha vida, que me lembre, fiz umas quatro camisolas para mim e uma para a "Nancy" sempre com ajuda da madresita; até tenho servido de formadora na aprendizagem dos pontos básicos. E claro que o entusiasmo também me contagiou. Fiquei com vontade de voltar a fazer umas experiências em malha em duas agulhas. Num primeiro passo resolvi ir buscar aos pais o material básico que usava em tempos, as agulhas e, quem sabe com sorte,  o cestinho onde as guardávamos em tempos. Nessa procura encontrei um tesourinho bem maior. Uma série de novelos de lã, ao que parece de produção portuguesa. Pela minhas observação devem ser bem vintage, diria mesmo "quarentage", a contar pelas cores de bebé e pelo estado das lã (estavam a desfazer-se) e pela etiqueta que as acompanhava. Calculo, pela ausência de lembrança de ver a minha mãe usar estas cores e da Rita ter nascido quase 8 anos depois de mim numa época em que a minha mãe já não tinha tempo pra roupas de bebé, que tenham sobrado do enxoval que a minha mãe fez para a sua primeira filha, eu. Imaginei a minha mãe, grávida a fazer casaquinhos e roupinhas para o seu bebé, que não sabia ainda ser uma menina...
As etiquetas são lindas e são bem claras quanto à origem nacional do produto.
Não resisti a mostrar-vos.
Ana Cristina


domingo, fevereiro 23, 2014

Desenhador compulsivo

No ano passado, quando comentei com a Educadora do Vasco que ele não gostava de desenhar e que parecia inseguro a fazê-lo, ela descansou-me e disse que muitas vezes era assim que se passava... transmitiu ainda que a experiência dela é que tal acontecia muitas vezes com rapazes, que demoravam a querer desenhar e que depois, quando começavam, não paravam...
Parece que ela tinha razão.

Este ano reparei que as Educadoras e as Monitoras de ATL andavam a insistir com o Vasco para ele pintar e desenhar. Apesar disso, ainda não o fazia em casa por sua iniciativa. Até à semana passada.
Na quarta-feira, quando o fui buscar ao ATL, quis trazer o desenho que tinha começado, mas só se dedicou a ele na quinta. Estava motivado e quando comentámos com ele que gostávamos muito de o ver a fazer desenhos, disse: «Eu gosto. Aprendi a gostar.»
Assim sendo, desde que aprendeu a gostar, o Vasco passou a dedicar-se muito aos seus desenhos. Desde quinta à noite, contando com todos os momentos fora de casa e as outras actividades mais domésticas, o Vasco fez cinco desenhos, cada vez mais coloridos e mais preenchidos. Estão todos ligados ao seu imaginário dos super-heróis e depois de os fazer, costuma dizer que são jogos para jogar (o pai descarregou recentemente um jogo da Liga da Justiça para o Ipad), ao que eu lhe digo que tomara que ele venha a ser um grande desenhador de jogos...

o Homem-Aranha rodeado de maus, sendo que à direita há um mau que é vampiro, com o seu filho também vampiro em baixo

o Batman à esquerda e topem-me os músculos todos do super-herói do centro

 o Homem-Aranha e o Super-Homem (a deitar raios de fogo pelos olhos) rodeados de maus com pistolas (tento demovê-lo das pistolas, mas não vou lá) e martelos e paus, o Batman na horizontal, em cima

o Batman, o Homem-Aranha e o Homem-Aranha mau, com um vulcão do lado esquerdo e um lagarto verde que corre muito depressa
 
o Super-Homem (a deitar os raios pelos olhos), o Batman, o primo do Batman (mais colorido, no centro) e o Lanterna-verde, todos rodeados de muitos maus, inclusivamente de maus com expressão sorridente e simpática (como o chefe dos maus, a azul, em cima, do lado esquerdo)
 
 
No meio disto tudo, ainda há tempo para criar uma máscara de Batman para um Homem-Aranha cá de casa:

 
Como resultado, um par de mãos muito artísticas:

 Rita



sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O humor da Alice

«"Senhor dos Anéis"?! Quem é? Saturno, não?!»

(Depois achou por bem acrescentar, caso eu não tivesse percebido, que estava a brincar, que era uma piada... nota-se que foi ao planetário recentemente com a escola e que anda a dar o espaço, os astros e os planetas em Estudo do Meio?!)
Rita

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Poesia

»Amigas

Amigas é ter amizade entre tu e eu
É ser vermelho no coração
É o coração da amizade vermelho em vez de preto
E quando nos chatiamos há uma trovoada dentro de nós...»

Este foi o poema lindo que a Alice recebeu da sua grande amiga R., numa das suas cartas do dia dos namorados - na escola eles trocam cartas com os amigos. Ficou contente, mas achou importante transmitir que não rimava. Fiquei a pensar.
Cá em casa não temos muito contacto com poesia. Eu admito que nunca tive e por isso recordo-me ainda de uma ou outra com que me deparei e que me marcou.
Devido a esta constatação, decidi levar para a frente uma ideia que, acho que já há uns anos, encontrei num blog, na net (de que agora não recordo): todas as semanas, colocar num local muito frequentado da casa, uma poesia diferente.
Cá está a primeira, de António Aleixo, colada na parede da casa-de-banho:

 
O Beijo Mata o Desejo

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.


E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.
Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!


No primeiro dia, já lhe descobrimos uma outra utilidade: descobrir palavras que não se entendem e aprendê-las. Aqui foram "ensejo" e "almejo". Vamos lá ver se amanhã ela ainda se recorda dos significados e se consegue dar novas frases a estes termos...
Rita

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

WIP

Eu e a Cristina estamos a pensar em lançarmo-nos para novos projectos... para "treinar" criatividades e capacidades, forjam-se trabalhos, desta vez cá para casa...

Rita

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O meu médico e eu

Ontem fui ao meu ginecologista e obstetra. Consulta de um mês e meio após o parto, para assegurar a boa saúde das minhas partes baixas. 
Dei-me conta de repente que já nos conhecemos há um montão de anos. Quer dizer, o senhor já espreitou para as minhas entranhas umas quantas vezes, já tirou de lá duas crianças e quase quase uma terceira, já falámos sobre o meu trabalho enquanto ele me cosia, logo a seguir ao meu pedido para ver a placenta... 
Nesta gravidez notei que a nossa relação se estreitou, confessei-lhe o meu choro de ansiedade num episódio, contei-lhe pequenas coisas, ele partilhou as dele, relacionadas com as filhas, trocamos mais risadas relacionadas com coisas de nada.
De facto, a relação estreitou-se tanto ou tão pouco que ontem o gajo (acho que agora também já tenho o direito de o tratar assim, até porque ele não sabe) disse, à medida que se aproximava da marquesa onde eu estava, para observação: "Então vamos lá ver o estrago..."
Rita

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Os Xulés de 2013


Foram muito poucos.  Não admira, já não eram novidade. E a verdade é que quase todas as crianças das nossas relações mais próximas já receberam um. E depois de uma produção que incluiu 23 Xulés (o Xulé 17# são dois gémeos verdadeiros) e 8 mini-Xulés em 2012, no ano seguinte a produção das Oficinas RANHA foi em muito menor quantidade. Hoje mostramos alguns.
O Xulé 23#, 24# e 25# seguem um modelo muito semelhante mas seguiram para casas diferentes, uma no norte e as outras duas na região de Lisboa. O 23# e o 25# são os dois cinzentos, e podia pensar-se que ficariam muito semelhantes mas resultaram em bonecos bem diferentes. Seguiram em períodos diferentes para duas crianças amigas das Oficinas. O 24#, que foi feito em tons de roxo e lilás, foi uma encomenda que recebemos e seguiu para uma menina que, quando bebé andava sempre a perder um dos sapatos. Por esse motivo tem um calçado e outro à lapela.
 
Esperamos que estejam a fazer muito sucesso nas suas respectivas famílias e, quem sabe, recebemos o feed-back sob a forma de uma foto dos seus donos com os Xulés by Oficinas RANHA.
Em breve mostrarei aqui mais alguns...
Ana Cristina



Sim... é isto um babyblog?!

No outro dia comentávamos isso mesmo. Que este espaço já parecia um babyblog.
Mas, no fundo, também é um babyblog. É um "nósblog"...
 
Tenho muitas em mim. Mas, neste momento, sou muito... e muito e muito... mãe. Não é que não seja sempre mãe, mas com o nascimento desta terceira cria, a parte mãe de mim está extremamente acentuada. Passo os meus dias com ela, numa simbiose perfeita, a tentar guardar todos os bocadinhos que, pela experiência com os outros, já sei que vão ficar esquecidos. Ficam as fotografias e a memória visual, mas tudo o que é tacto e cheiro é ultrapassado...
 
Ser mãe novamente faz de mim ainda mais mãe dos outros. Sou mãe da maiorca, do meiorca e da minorca, mas sou também mãe das relações entre eles e, tendo adicionado mais uma variável, sou ainda mais mãe.
 
Nenhuma das outras de mim está apagada. A trabalhadora, que tem um trabalho de que gosta muito (mas que também a stressa muito) está de férias, bem como a delegada sindical, mas está por aqui a filha, a amiga, a que raciocina sobre o que se passa à sua volta, a que lê, a que vê televisão, a que critica alguma desta realidade que vivemos, a que a que a que...
 
A oxitocina veio também desenvolver a parte de mim que planeia tanto mas tanto, que nem sabe para que lado se virar, de tantos projectos... hoje fui obrigada a fazer uma lista de tudo o quero fazer, para poder saber por onde começar e não me esquecer de nada. Tenho dezenas de ideias na forja para a casa, para os filhos, para estas Oficinas.
 
Neste momento, portanto, sou toda mãe, só a gerar.
Rita

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Foi no dia 6 que fizemos oito anos...

... e nem nos lembrámos. Deve ter sido da virose que atacou nas duas frentes, mas também pode ter sido porque eu, de há muito tempo para cá, tenho dado pouca importância (ou quase nenhuma) a este blog. Tenho-me limitado a ler o que escreve a outra Ranha e, com o tempo o hábito de vir aqui, mais ou menos regularmente, deixar o meu cunho pessoal perdeu-se por completo.
Mas, mais uma vez, num processo de análise acerca da sua importância na minha vida pessoal, deparo-me com a ligação emocional a este cantinho, que em tempos foi para mim tão interessante sobretudo como forma de alimentar a relação fraternal que nos une, mas também como registo tanto das nossas manualidades como das nossas inquietações e pensamentos mais ou menos banais. E pronto, mais uma vez me proponho a voltar aqui de forma mais regular, e a trazer assuntos mais variados que os dos últimos posts, e que fazem pensar a quem não conhece o arRanha no Trapo que este é mais um babyblog dos muitos que se encontrarão na blogosfera.
Talvez recuperemos o hábito de postar assuntos mais variados, como as nossas pequenas artes ou apenas as nossas meras opiniões sobre temas variados.
Até lá, parabéns para o arRanha no Trapo, e para nós, as irmãs de nome artístico Oficinas RANHA.
Ana Cristina

domingo, fevereiro 09, 2014

sábado, fevereiro 08, 2014

O dia comigo e com eles

Quando ontem, ainda me encontrava eu enrolada nos lençóis, ouço a Alice, ao acordar, a queixar-se de dores fortes nas pernas e que não conseguia andar de forma normal, não quis acreditar... enfiei a cabeça ainda mais dentro dos lençóis e esperei que tivesse sido um sonho ou um engano... mas o João veio depois segredar-me se valia a pena dar-lhes a roupa previamente preparada para se irem vestindo, ou se eu achava que - encontrando-se ela provavelmente com o meu vírus e ele com uma tosse de cão - era melhor eles ficarem em casa comigo...
 
É óbvio que, mais cedo ou mais tarde, surgiria um dia em que eu teria de ficar sozinha com os três... já tinha acontecido, mas por períodos de poucas horas... mas, convenhamos, eu própria não estava boa, as dores nas articulações ainda lá estavam e eu esperava passar o dia numa tranquilidade de recuperação, sozinha com a miúda mais nova, a carregar as baterias para a chegada dos mais velhos a casa no final da tarde... 
 
No fim, o dia foi excelente... depois de se começarem a sentir os efeitos de um Brufenezito, pude organizar o tempo em função do que todos queriam fazer: um pouco de televisão, um pouco de jogos de computador, muita brincadeira, um filme com pipocas, trabalhos manuais... Confesso que, depois de passar as férias de Natal todas com a Alice e o Vasco, andava com saudades deles, de dias inteiros por nossa conta sem horários e obrigações, dedicados só às actividades do Advento e aos nossos gostos e apetites.
Nesta sexta pudemos aproveitar para realizar um trabalho que eu andava a propor há dias: usar uma caixa de cartão cá por casa para fazer um castelo. A Alice qualificou o trabalho como a melhor coisa do dia e o Vasco fartou-se de dar ideias. Nos próximos tempos, há que acabar alguns pormenores e pintar...
 
Rita

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Estamos com uma virose do caraças

A gente sabe que vírus é bicho esquisito, podemos conviver com eles desde sempre que conseguirão sempre surpreender-nos com sintomas invulgares e nomes esquisitos.
Cá por casa anda uma senhora virose estranhíssima, da qual vos faço o relato o mais simplificado que me é possível:
 
Sábado ou até sexta de noite - ao acordar do sofá para a cama, fortes comichões na planta de um pé... desde aí, comichões inusitadas numa ou noutra parte do corpo, de tempos a tempos, com especial incidência em alguns momentos nas plantas dos pés e palmas das mãos, comigo a lembrar o João que estava na hora de fazer desinfestação à Fera e que devia andar uma pulguita qualquer pela casa;
Sábado de madrugada - acordar para dar de mamar e dar-me conta de dores intensas na cabeça e nas pernas, a prolongarem-se pelo dia até ao fim da tarde, momento em que cedi a tomar Brufen, ficando indiscutivelmente melhor;
Domingo de madrugada - repetição do cenário anterior em termos de sintomas, dificuldade até para estar em pé, Brufen logo no fim da manhã para garantia de boa disposição no convívio do cunhado + irmã enfermeira cheia de uma espécie de alergia pelo corpo todo;
Segunda de madrugada - os mesmos sintomas em mim e no João, continuação de opção pelo Brufen (sou alérgica ao Benuron), a constatar-se o alívio do mau estar;
Em algum momento de segunda - verificação de que a Joana tem uma borbulhagem no couro cabeludo, pescoço e orelhas;
Em algum momento - início de comichão na cabeça, ideia súbita da possibilidade de existência de piolhos;
Quarta de manhã - tomada de consciência repentina de uma borbulhagem pelo meu corpo todo, semelhante à da Joana + telefonema ao companheiro para irmos todos ao hospital, ficando ele no carro com a caçula, à espera de saber da vontade médica de a examinar também + telefonema para a irmã enfermeira, que contou estar com um terrível mau estar, feito de dores fortes pelas articulações, com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos;
      Diagnóstico clínico: virose, esperar o final
Quinta - acordar cheia de dores fortes nas articulações, sem força e a doer até para tirar um comprimido com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos...
 
Resultado: irmãs Ranha doentes, com virose de comichões, borbulhagem generalizada, dores de corpo e articulações... mas sem febre, ranhos ou tosses... Mãe com máscara de cada vez que tem de se aproximar da filha, para cuidar dela, alimentá-la ou simplesmente mimá-la...
Ca coisa esquisita!!
Rita

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Um mês de Joana



Uma das coisas boas de ir aqui escrevendo é poder, anos depois, consultar o que disse e reviver aqueles mesmo sentimentos e sensações... é bom pensar que, em relação a eles, os miúdos poderão também um dia gostar de ver o que tanto se reflectiu sobre eles...
Assim, correndo o risco de me ver repetida em relação ao post sobre o primeiro mês do Vasco, um mês de Joana tem igualmente representado trinta e um dias de arrebatamente e adoração crescente...
A miúda é linda. Agora é-o cada vez mais, uma vez que já tem uns olhos enormes "de ver mundo" que nos seguem com assertividade, e uns sorrisões lindos de boca aberta, (ainda por cima)essencialmente para mim...
Fisicamente, é o mesmo estilo de bebé que eram a Alice e o Vasco e, devido a isso, houve quem na escola no outro dia dissesse que era parecida com eles. No entanto, muito embora existam várias pessoas a concordar que há uma maior parecença da Joana com o Vasco, acho-a com feições diferentes das deles.
É a mais chorona dos meus filhos, mas isso não é dizer muito porque a Alice não chorava praticamente nada e o Vasco também o fazia pouco. Parece ser a que come mais e por isso tens umas bochechas giraças. Mama de quatro em quatro horas durante o dia, mas as noites têm sido mais instáveis, provando-se aquela máxima famosa do "quanto mais dorme, mais quer dormir". Tem feito algumas noites com intervalos de seis horas e algumas noites a chorar desalmadamente... Somos nós que estamos efectivamente mais velhos e temos menos resistência para choros nocturnos. Com a Joana já fizemos o que nunca foi feito com os outros dois: incapazes de a sossegar, puxámo-la para a nossa cama e tentámos dormir assim. É a idade, dirão uns; o cansaço, dirão outros; a sapiência e confiança da experiência, o acreditar que não vamos fazer nenhum disparate e fazer dela uma bebé cheia de manhas, poderá ainda afirmar alguém. Será um pouco de tudo isso, acredito eu.
Ser mãe de terceira viagem é ser ainda mais descontraída. Digo "ainda mais" porque cá em casa sempre o fomos muito (ainda por cima com uma primeira filha angelical e uma irmã enfermeira-de-bebés para nos ensinar tudo o que sabe)... mas claro que agora já não damos grandes hipóteses a algumas dúvidas mais comuns. Por exemplo, quando ela chora sem conseguir acalmar-se, encolhe-se com mais facilidade os ombros e admite-se a incapacidade parental para fazer parar o choro em todas as ocasiões. Não se alinha facilmente em "será que comeu o suficiente? será o meu leite bom?"... simplesmente, pensa-se que um bebé chora, por stress, excitação, cansaço, desgaste, manhozice, necessidade de contacto ou miminho... acontece, o choro é uma forma de comunicação e, encontrando-se as suas necessidades básicas satisfeitas, é melhor admitir que um bebé chora e tem o direito de chorar...
Em resumo... nesta casa onde passei a cortar quarenta unhas por semana (oitenta de quinze em quinze dias, noventa de longe em longe, quando lhes somo as das patas dianteiras da Fera), tudo vai correndo... apaixonadamente bem...
Rita