sexta-feira, setembro 26, 2014

10 Livros que ficaram comigo, versão segunda mana Ranha

Corre por aí no facebook um desafio sobre 10 livros que marcaram a vida dos desafiados, independentemente da ordem pela qual sejam colocados, de serem conhecidos como bons livros ou até de serem os mais marcantes de todos os lidos. 
Tendo o repto sido lançado às Oficinas, a minha irmã respondeu primeiro e eu faço-o agora.
A minha atitude perante os desafios é sempre a mesma: no início custa-me sentir-me impelida a fazê-lo, depois gosto bastante do momento de reflexão e recordação a que me obriga. É sempre bom reviver algumas lembranças, conhecer-me e dar-me a conhecer um bocadito melhor…
Posto isto, cá vai, esperando que aos meus desafiados no facebook a proposta dê tanto gozo como me deu a mim:


  1. Tal como já referi em outras alturas, a Alice Vieira foi a grande escritora da minha infância e início de juventude, por isso não poderia deixar de a nomear… escolher um livro específico que me marcou é o mais difícil. Penso que terei de mencionar o “Flor de Mel”, uma vez que a história (principalmente o seu final) é contada de forma sub-reptícia e deixa margem a várias interpretações… a mim marcou-me a angústia de uma menina sem mãe, com necessidade de imaginar a figura maternal envolta em fantasia e a sobreposição da realidade a que é sujeita…
  2. Obviamente que tenho que referir “O meu pé de laranja-lima”, de José Mauro de Vasconcelos. Contei aqui que foi o grande livro da minha infância e é verdade. Lembro-me com imensa exatidão do momento em que encontrei a minha irmã a chorar, do que me disse, da vontade com que fiquei de sentir aquilo. Ainda hoje, ao pensar num livro ou mesmo num filme que me marque, sou transportada para as gargalhadas ou lágrimas de tristeza, desamparo ou raiva que os mesmos me tenham provocado. Um bom livro para mim é esse, o que me faz o caminho de ida até às entranhas, as revolve, regressa, e depois deixa a minha vida… desigual…
  3. A Mafaldinha, do Quino, é uma personagem literária muito marcante na minha vida, sem qualquer sombra de dúvida. Li-a e reli-a tantas vezes, foi passível de tantos risos à conta de descobertas do significado de ironia política, que era habitual dramatizá-la em família. Tenho-a impressa na mente, decorada, e vem-me à cabeça inúmeras vezes consoante as situação com que me deparo no dia-a-dia. A sua atualidade impressiona-me sempre. Tive três ou quatro livros dela, mas menciono, é claro, o grande: “Toda a Mafalda”.
  4. “Capitães da Areia” foi um dos grandes livros que li do Jorge Amado, provavelmente na minha adolescência, e não poderia deixar de o referir aqui.
  5. Em jovenzinha tive (ainda tenho, que livros não são bens que se deitem fora) alguns livros da coleção “Caminho Jovem”, todos eles muito bons e que reli várias vezes ao longo do tempo. Resolvi destacar aqui o primeiro, “Trovão, ouve o meu grito”, de Mildred D. Taylor, uma história que aborda o racismo e o valor da dignidade por volta dos anos 30, no Sul dos Estados Unidos da América. Aliás, a recordação provocou-me a vontade de o procurar e ler novamente…
  6. “Ensaio Sobre a Cegueira”, do José Saramago. O que se pode dizer deste livro que não tenha sido dito já… a sensação é a de que o Saramago tinha uma espécie de clarividência que o levava a conseguir prever e descrever situações que, face ao acontecimento inicial, se desenrolariam exatamente dessa forma… Neste caso e tanto isso em conta, a crueza e frieza do que o ser humano é capaz, face à ocorrência abordada nesta história, é absolutamente chocante… Um livro verdadeiramente magnífico, sem dúvida um dos livros da minha vida…
  7. Coloco aqui “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende, não só porque gostei muito do livro (como gostei de quase todos os da autora, embora confesse que me tenha sentido um pouco defraudada com alguns que achei muito juvenis, só porque não estava à espera que assim fosse quando os li), mas porque foi com este livro que me questionei se a literatura que vinha da América Latina seria toda assim tão magnífica, tão envolta em fantasia e beleza… Escrever realisticamente com toda a naturalidade sobre uma mulher que teria cabelos verdes deixou-me absolutamente maravilhada… Deu-me a perceção que há, de facto, quem saiba muito bem uma história…
  8. No seguimento do último livro, “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez, lido já na idade adulta, foi completamente avassalador… Ocorre-me dizer que por alguma razão é, tanto quanto tenho visto, um dos livros mais mencionados pelos desafiados que aí circulam na net… É absolutamente perfeito, não se pode dizer mais.
  9. “O principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry. É um hino à forma mais bela com que se pode descrever a amizade, o amor…
  10. Não sei se sugestionada pela resposta da minha irmã ao desafio, surge-me um livro sobre a II Guerra Mundial: “Se isto é um homem”, de Primo Levi. Li-o ao mesmo tempo que me encontrava de férias em Varsóvia e Cracóvia, em 2006, na mesma altura em que visitei o Museu de Auschwitz-Birkenau. Não poderia, quanto mais não fosse por isso, deixar de ficar marcada. Não é um livro passível de crítica literária; a história é o relato, na primeira pessoa, dos onze meses que Primo Levi passou neste campo de concentração, trabalho e morte. Não é bonito, nem é para sê-lo. É cru, frio, terrível, faz-nos doer, dá-nos um nó no estômago… lá está, é algo que nos faz acreditar no pior a que nos transporta o “Ensaio sobre a cegueira”, que é pura ficção… Aconselho vivamente.

Claro que a minha vida não se resume a estes títulos. Muitos outros se me surgem como a tendo marcado, livros que me ocorrem frequentemente, que ficaram comigo.
Oh pá, este desafio deixou-me cheia de vontade de ler... 
Rita

2 comentários:

Oficinas RANHA disse...

Eu sabia! Eu sabia que conseguiria adivinhar mais de metade da tua lista. Aliás, lembro-me de os leres quase todos...
Mas, na tua última sugestão, apresentas-nos um livro que ainda nunca li. Uma falta grave.
Beijinhos da mana. Ana Cristina

Micaela disse...

Questão: como é que eu respondo ao teu desafio???
Sim, Cristina, lê Primo Levi ... é daqueles que fica marcado na memória a ferros!!