quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Os Xulés voltaram a este blog

Aqui se conta a ainda curta história de dois Xulés que seguiram no Natal para novas casas. Tal como todos os outros foram feitos à mão, com muito carinho e enchimento sintético anti-alérgico. Desta vez não tiveram botões por motivos de segurança.


Eram amigos desde a altura em que eram apenas projecto. Tinham tanto em comum... foram concebidos para gente pequenina, tiveram direito a ter cara pintada, coração musical e só têm pernas. No tempo que estiveram à espera de seguir para novas paragens passaram pelo crivo avaliador do júri dos Xulés, onde crianças e adultos avaliam tanto a aparência como a funcionalidade e a originalidade. Acabaram por concluir que até nas fotografias ficavam bem juntos mas souberam desde sempre que as suas vidas iriam seguir rumos diferentes.
Do saco xulezudo saíram com a mesma vontade, alegrar os miúdos que os esperavam... E o que nos chegou foi que, tanto um como o outro, foram recebidos com entusiasmo pelos seus novos companheiros, a Ema e o Gustavo.
Por cá ficamos contentes, e desejamos aos Xulés sessenta-e-oito e setenta longas e alegres vidas.

domingo, fevereiro 18, 2018

Experiências em casas diferentes, que aos poucos também vão sendo nossas

A primeira e única vez que me lembro de ter ido a um Lar, devia ter os meus nove ou dez anos. Era em Salvaterra de Magos, tinha um papagaio, e à volta havia muito campo, por onde eu e a minha prima Sónia nos fartámos de correr e brincar. Tínhamos ido ver a minha tia-avó Emília. 
E foi isso. De resto, todos os meus avós estavam longe, em Viana, e a sua partida, quer tenha sido mais ou menos de repente ou de forma arrastada no tempo, foi acompanhada por mim de forma um tanto ou quanto distante. Vi-os envelhecer, mas aos pouquinhos, e com a perspetiva de quem sempre os tinha achado velhos, mas não os vi com o raciocínio meio desmantelado e não pude acompanhar de perto o acabar dependente da doença. 

Acompanho este definhar da minha mãe e percebo que toda a noção de velhice para os meus filhos será diferente. Há cinco meses que rumam semanalmente para o Lar onde se tornou inevitável colocá-la e, ali, à sua volta, vão criando os seus conceitos de velhice. 
Há tardes em que pouco estão com a avó. Correm lá fora, no pátio circundante, jogam à bola e às escondidas. Não me faz mossa, quero mesmo é que eles gostem de lá ir. Há tardes em que brincam no quarto, descalços, usando a cama da vizinha da avó, que nunca está e que nos garantiram que não se importaria. Sei que correm por lá de forma cada vez mais conhecedora, vão buscar rebuçados ao escritório das proprietárias e falam mais alto do que provavelmente deveriam.

Não sei se lhes faz confusão os olhares vazios de alguns idosos, ou a quietude, ou o deambular de outros. Quase não comentam o ambiente, e aceitam-no com naturalidade, mesmo nos dias em que dão entrada senhores com demência, perdidos no tempo, zangados com o mundo. Espantam-se primeiro, riem-se depois, meio à socapa. No outro dia, a uma senhora angustiada e aflita, a chamar incessantemente pelo filho e a dizer que tinha ali ido «ao engano», a Joana fez uma festinha, na mão... (Eu morri de orgulho, com a capacidade de empatia...)
 
E depois, há momentos que são pérolas e que eu espero -  espero tanto! - que lhes fiquem marcados naquela assoalhada que guardamos no cérebro para as lembranças única e exclusivamente boas. Como o de ontem, em que as miúdas brincavam sentadas a uma mesa, com bonecos de lego, e chegou a D. Idalina, amorosa, e meteu conversa, contou histórias antigas, sentou-se. E eu ouvia as duas a responder-lhe. 12, 04 e 94 anos. Uma bela conversa. 



Rita

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Post para quem sabe quem

Não sei quando é que as coisas se tornaram assim.
Calculo que um dia saímos dos pais e fomos brincar às casinhas. E arranjámos companhia e depois mais companhia. Brincámos muito. À organização de jantares de família, de festas de aniversário... Natais...! 
Fomos brincando às casinhas e às famílias, de tal forma bem, que nem nos apercebemos. Éramos as mesmas de sempre, mas um dia, sem aviso, passámos a ser quem controla medicações, quem acompanha consultas, quem leva à casa-de-banho. Somos só umas miúdas e deixámos de ser cuidadas para ser cuidadoras e dali para sermos cuidadores de quem cuidava.
Caramba, que nos andam a tirar o chão... Pode ser um tirar devagarinho, de tal forma que quando dermos por nós já só vamos andar no arame. Pode ser uma substituição do chão por rede, de tal forma que a cada passo parece que perdemos uma parte de nós mesmas. E pode ser um tirar de repente, sem aviso. 
Porcaria para isto, que ninguém avisa que pode ser assim tão rápido.
Rita

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Novidade do mês de Janeiro de 2018

Penso que por esta altura, no ano passado, eu festejava as aventuras literárias dos meus filhos... Desde o Natal, a Alice tinha lido imensos livros e o Vasco tinha-se entregue pela primeira vez, a um livro grande, com páginas recheadas de letras (mesmo que grandinhas e intercaladas com ilustrações e páginas de BD). Estava apaixonado por "Os futebolíssimo" e assim continuou durante o resto do ano, quando conseguimos comprar outros dois números da coleção. Contudo, foi uma única paixão...
Neste mês de Janeiro de 2018, a grande novidade tornou-se a quantidade de livros a que se dedicou... Adorou o "Tom Gates" que a Tia Cristina lhe ofereceu e devorou-o num ápice. Depois, como não conseguia o segundo número à velocidade do seu apetite, atirou-se aos "Diário de um Banana" que havia nesta casa e na do amigo e vizinho João. 
Foi uma descoberta magnífica. Passou a ser encontrado na companhia do Banana a qualquer momento, até às escuras... De forma que, um mês volvido o Natal, começou hoje o seu décimo primeiro livro... Acho que nem sequestrando o Jeff Kinney e obrigando-o a trabalhar em exclusividade numa qualquer cave sem janelas e focos de distração, conseguiríamos dar conta desta avidez...!



Rita

sábado, janeiro 27, 2018

Desenho de Miss Goffre


Segundo a Joana, de 04 anos, algo como: "Um tiranossauros-rex a atacar outro dinossauro, com ovos e dinossauros pequenos a sair dos ovos."


Rita

domingo, janeiro 21, 2018

Des... comunicação...

Ontem meti na cabeça que íamos almoçar fora. Só os cinco. Foi algo inesperado e talvez decidido por de repente me recordar da minha mãe, tantos anos a dizer que não dispensava ir almoçar fora uma vez por semana, custasse o que custasse... Claro que a minha mãe deu aulas de tarde durante todos os anos de que me lembro, razão pela qual a sua vida profissional não implicava almoçar fora. O mesmo não acontece connosco, daí a desvalorização da possibilidade.
Mas assim foi. Comuniquei que íamos. E fomos. Eu pretendia os crepes ainda não experimentados no Largo, mas estava cheio e acabámos na Hamburgueria no Talho, que faz sempre as delícias dos miúdos. 
A Joana e a Alice levavam um saco com Barbies, o Vasco um livro. De qualquer forma, entretivemo-nos essencialmente a conversar. Sobre o jogo de futsal que a equipa do rapazola tinha ganho, os livros que a Alice tinha lido, as patacoadas da Joana. 
Atrás de nós, uma outra família - presumo. Pai, mãe, filho adolescente. Auscultadores. E telemóvel. Ou consola, não cheguei a dar atenção o suficiente para perceber. 
Tenho ideia que, num passado algures, eu e a minha irmã... ou eu e o M... reparávamos nos casais que permaneciam silenciosos nas mesas, durante toda a refeição. Imaginávamos como seria a sua vida, se num almoço ou jantar fora, nada havia para conversar. 
Fazia-me impressão antes e continua a fazer. O filho, durante todos aqueles minutos, a jogar (ou assim pareceu), os pais durante todos aqueles minutos, em silêncio. Um quase absoluto silêncio durante toda uma refeição, incluindo o tempo prévio e os momentos pós. 
É algo que mete medo. Um dia, olharmos para aquele com quem dividimos mesa há anos, e não sobrar nada para dizer. Um dia, ter um filho à frente e não haver nada para partilhar, uma curiosidade sequer. Medo. 
Mas, por outro lado... não seria melhor colocar telemóvel ou consola de parte, forçar o contacto olhos nos olhos, treinar a comunicação de parte a parte, o contacto... até o interesse...?

(* retirada de um qualquer sítio pela net)
Rita

sexta-feira, janeiro 19, 2018

A minha agenda é única

Com a preparação do novo ano quase todos procuram o objecto que os irá acompanhar diariamente, a agenda. Actualmente há-as para todos os gostos; pequenas, médias ou grandes, com mais ou menos bonequinhos, espaço para escrever ou listas seja do que for.
A minha agenda é só minha e personalizada. Um caderno novo que vai sendo preenchido a meu gosto e onde entra tudo o que me vai surgindo.
Depois de vários anos a construir a minha própria agenda, porque apesar de ter feito várias tentativas, nenhuma das já programadas me agrada completamente, tenho seguido o conceito de adaptar a agenda ao que mais me interessa e que entretanto descobri chamar-se de "Bullet Journal". 
O Bullet Journal é definido por um sistema analógico de organização tipo diário por tópicos. Parece haver umas sugestões de como organizar um bullet journal, havendo até um sistema de símbolos e podem encontrar-se várias imagens nas redes sociais, algumas bem bonitas, de cadernos seguindo este conceito. 

A minha agenda não segue especialmente nenhum conceito, só o que fui criando ao longo dos últimos, talvez, 10-12 anos. Todos os anos faço ajustes de acordo com a experiência, retirando ou acrescentando pontos de organização e de interesse.
Escolho um caderno que me agrade e faço um planeamento básico. Para mim é importante ter uma visão anual, folha de contactos básicos e (nesta fase) notas importantes relacionadas com a saúde dos pais. Depois a agenda vai sendo construída, no meu caso com uma folha de visão mensal e vários desenhos e quadros de chamadas de atenção ou de resumos. 

Este ano tive de abdicar do caderno de desenho com argolas tamanho A6 que usei vários anos e me agradava especialmente da Winson & Newton porque não encontrei à venda (será que saiu do mercado???). Depois do desespero do momento acabei por comprar um caderno lindo, de capa dura com elástico, tamanho A5 (+) da Talens.
Não gosto de cadernos quadriculados nem pautados para a minha agenda e tenho optado por folhas lisas mas um dia ainda irei experimentar o tipo pontilhado, que me parece ser interessante para o que me interessa. Não sei se interfere nos desenhos que vou fazendo mas de certeza  que facilita a realização de quadros e organização da folha. Fica para outra altura. Por agora a minha agenda é a que vos mostro, vermelha e ainda com quase todas as folhas por preencher... e eu adoro cadernos novos.
Na imagem estão as duas agendas a do ano passado e a deste ano.
Ana Cristina