Mostrar mensagens com a etiqueta Opiniões é o que não falta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opiniões é o que não falta. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 30, 2018

E assim, de repente, sou um perigo para a sociedade

Porque este é o mês estranhei não ter recebido notícias da seguradora. São 27 anos a conduzir carro próprio e, naturalmente, os mesmos a desembolsar o que me garante a sua legalidade. Daí ter contactado a mediadora. Podia ter havido algum problema e a carta ter seguido para a morada antiga.
Recebi o telefonema há pouco, com a notícia que não me querem como segurada por ser um risco.  Não me quer a seguradora que até agora tive, nem nenhuma outra. Estou na lista negra das seguradoras!!!
Motivo: tive 3 sinistros em menos de 5 anos.
Explicando melhor; nos últimos 5 anos fiz a seguradora gastar dinheiro. E não quer dizer nada ter seguro contra todos os riscos, ou ter feito gastar pouco dinheiro, ou ainda um deles nem sequer ter sido eu mas alguém que não se identificou, e sobretudo ninguém se ter magoado, nem o facto de durante 22 anos nunca ter tido nenhum acidente provocado por mim. NÃO!!! Eu fiz a seguradora pagar o pára-choques do Nissan Qashqai que ficou com um furinho da minha chapa de matricula quando lhe dei um "beijinho". E tornei a fazer gastar quando declarei o toque que dei 4 anos e meio depois. E fiz gastar de novo quando caí na asneira de declarar a amolgadela que me deram, seguindo a informação (que acreditei, PARVA QUE SOU!!!) que como não atingia o plafond segurado anualmente não me prejudicaria... Pois é, prejudicou. E agora sou persona non grata para as seguradoras. 
Parece que agora as minhas soluções são; não ter seguro durante pelo menos uns dois anos, vender o carro e conduzir um carro de outra pessoa, ou passar a andar de transportes. Ou isso ou andar ilegalmente num carro sem seguro e como assim, se bater em algum, desde que ninguém me apanhe, não há problema nenhum.

Serve este post para vos alertar. Façam seguros baratos, e se tiverem um acidente que seja em grande (só não desejo que matem alguém porque não sou capaz de tanto... mas já faltou mais...)
Ana Cristina

domingo, janeiro 21, 2018

Des... comunicação...

Ontem meti na cabeça que íamos almoçar fora. Só os cinco. Foi algo inesperado e talvez decidido por de repente me recordar da minha mãe, tantos anos a dizer que não dispensava ir almoçar fora uma vez por semana, custasse o que custasse... Claro que a minha mãe deu aulas de tarde durante todos os anos de que me lembro, razão pela qual a sua vida profissional não implicava almoçar fora. O mesmo não acontece connosco, daí a desvalorização da possibilidade.
Mas assim foi. Comuniquei que íamos. E fomos. Eu pretendia os crepes ainda não experimentados no Largo, mas estava cheio e acabámos na Hamburgueria no Talho, que faz sempre as delícias dos miúdos. 
A Joana e a Alice levavam um saco com Barbies, o Vasco um livro. De qualquer forma, entretivemo-nos essencialmente a conversar. Sobre o jogo de futsal que a equipa do rapazola tinha ganho, os livros que a Alice tinha lido, as patacoadas da Joana. 
Atrás de nós, uma outra família - presumo. Pai, mãe, filho adolescente. Auscultadores. E telemóvel. Ou consola, não cheguei a dar atenção o suficiente para perceber. 
Tenho ideia que, num passado algures, eu e a minha irmã... ou eu e o M... reparávamos nos casais que permaneciam silenciosos nas mesas, durante toda a refeição. Imaginávamos como seria a sua vida, se num almoço ou jantar fora, nada havia para conversar. 
Fazia-me impressão antes e continua a fazer. O filho, durante todos aqueles minutos, a jogar (ou assim pareceu), os pais durante todos aqueles minutos, em silêncio. Um quase absoluto silêncio durante toda uma refeição, incluindo o tempo prévio e os momentos pós. 
É algo que mete medo. Um dia, olharmos para aquele com quem dividimos mesa há anos, e não sobrar nada para dizer. Um dia, ter um filho à frente e não haver nada para partilhar, uma curiosidade sequer. Medo. 
Mas, por outro lado... não seria melhor colocar telemóvel ou consola de parte, forçar o contacto olhos nos olhos, treinar a comunicação de parte a parte, o contacto... até o interesse...?

(* retirada de um qualquer sítio pela net)
Rita

sexta-feira, novembro 17, 2017

Dia Mundial da Prematuridade

Quem nos segue sabe que eu sou enfermeira, enfermeira num serviço de neonatologia. E quando se pensa em neonatologia tem-se imediatamente a ideia de bebés pequeninos, prematuros mas quase ninguém sabe, que neonatologia não é sinónimo de prematuridade. Neonatologia é o campo clínico que define o princípio da vida extra-útero, mais propriamente os primeiros 28 dias de vida de um recém-nascido. Não deixa de ser verdade que os prematuros são os principais clientes dos cuidados neonatais pela sua necessidade indiscutível de cuidados. E hoje, por ser o Dia Mundial da Prematuridade lembro os "meus" bebés pequeninos, agarrados à vida, lutadores desde o princípio, resilientes muitas vezes a vida inteira.

Eu, Ana Cristina, juntei-me à equipa do " O Pai, a  Mãe e Eu", o blogue de umas colegas e amigas com quem já colaborámos noutra rubrica, para montar um pequeno filme, que podem ver no facebook. Uma pequena homenagem a todos os bebés prematuros e sua famílias, que diariamente nos mostram como para alguns a vida começa de forma dura.
Ana Cristina

quarta-feira, novembro 08, 2017

Saudades de ouvir a minha MPB


Durante muitos anos era a música que consumia. E com a perda da prática de ouvir musica quase diariamente também coloquei de parte os meus CD's de música brasileira. Mas de vez em quando tenho saudades e, por vezes, procuro com o telemóvel e no YouTube, uma ou outra música que conheço há muito tempo. Deixo-me enveredar nas pesquisas, e encontro interpretes de cabelos brancos mas que continuam com aquela aura de musicalidade e intelectualidade. Hoje foi mais um dia desses. E lembrei-me daqueles LP's na casa dos pais, das tardes a ouvir repetidamente as mesmas músicas...

"Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, 
sonho meu. 
Vai mostrar essa saudade, 
sonho meu, 
com a sua liberdade, 
sonho meu. 
No meu céu a estrela-guia se perdeu. 
A madrugada fria só me traz melancolia, 
sonho meu
...."

Uma letra linda, sobre a saudade e a vida. Uns interpretes muito, muito bons. Um conjunto de gente a transpirar música por todos os poros. Neste caso ouvir é bom, mas ver é ainda melhor
Ana Cristina

segunda-feira, outubro 30, 2017

Em directo do Palácio de Belém


O Presidente do nosso país recebe outro Presidente, neste caso o da Comissão Europeia e fazem em conjunto declarações para o país... Poucas frases para quase todos ouvirem mas para os franceses perceberem.
Je suis triste. Dans mon pays, la langue officielle est le français.
Pardonne-moi. Je ne m'en suis pas rendu completement.
Imagem retirada da NET.

Ana Cristina

quinta-feira, outubro 26, 2017

O(s) diário(s) de Anne



Hoje, que tenho finalmente o meu computador novo (yupiiiiiii!!!!), posso falar nesta magnífica ideia de alguém: fazer, d'"O Diário de Anne Frank", um diário gráfico... ou, porque não dizê-lo, uma versão em banda desenhada.
Qui-lo assim que o vi, logo no início do mês, e só acabei de o ler hoje porque foi obviamente partilhado com a Alice e com outra minha leitura comprada a seguir...

Para quem não leu "O Diário de Anne Frank", aconselho. Não é feito do drama da II Grande Guerra, é sim feito da expressão do magnífico desenvolvimento interior de uma adolescente colocada em circunstâncias anormais e enquanto o mundo à sua volta enlouquecia. A adolescente por si só talvez não fosse totalmente comum, mas, mesmo quando enfiada entre as poucas paredes da sua reclusão de dois anos, os seus problemas giram em torno do que faz parte na adolescência: a comparação com a irmã, os conflitos com os pais, as exigências de terceiros em relação às suas posturas e comportamento, o amor, o sexo, o papel da mulher, a sociedade, as transformações interiores, as expectativas futuras. Ler a Anne é, no fundo, um pouco o mesmo que ler as nossas recordações de adolescente ou as mentes de todos os adolescentes que nos rodeiam... para além disso, é ler o que os nós adolescentes poderíamos ter sido se uma perseguição atroz a nível global nos obrigasse à fuga e ao refúgio...

No entanto, tanto para quem leu como para quem não leu, aconselho igualmente a versão em diário gráfico. O carinho com que o trabalho foi levado a cabo está patente nos mais pequenos pormenores, incluindo o que calculo terem sido os estudos acerca da fisionomia das pessoas em causa, da moda da época, do local da ação... O diário gráfico coloca-nos perante as personagens, como num filme, e transporta-nos, na fantasia mas também no que acreditamos poder ter sido real, à mente de Anne.

Para aqueles que não têm qualquer pretensão em vir a dedicar-se às 442 páginas de um diário que uma jovem invulgarmente conhecedora de si mesma e possuidora de grandes dotes de escrita fez entre os seus 13 e 15 anos de idade, não falhe esta versão de um grande livro... Um maravilhoso trabalho da Fundação Anne Frank e de Ari Folman e David Polonski. 
Rita

domingo, outubro 08, 2017

"Momento de sorte" ou "Coincidências do caraças"

Pode haver quem lhe chame sorte. Eu chamo-lhe mais coincidência, ou, se quiserem, uma feliz coincidência para mim. 
O meu carro estava onde está o Honda cinzento e eu estava a entrar no carro exactamente no momento em que o galho caiu. Um barulho de madeira a partir fez-me fechar a porta rapidamente. Um grande galho caiu e partiu o vidro do carro ao meu lado. O meu carro não sofreu nem um arranhão.
Horas depois soube que a polícia demorou mais de uma hora a chegar para fazer o auto e que os bombeiros estiveram a cortar o galho em bocados. Sorte para mim. Azar para o dono do carro do lado. 
Mas sobretudo incompetência para a gestão camarária que, na semana passada foi re-eleita.
Ana Cristina

segunda-feira, agosto 07, 2017

Preocupações de uma menina com quase 12 anos

Já não nos víamos há bastante tempo devido às férias e as saudades eram bastantes. Falámos do fim-de-semana prolongado no Algarve que passou com as amigas, do quanto estava morena e com imensos sinais, do corte de cabelo, dos irmãos e das amigas dela, dos grupos whatsapp e de redes sociais, de assuntos vários como é costume entre as nossas conversas. Saltámos de assunto para assunto como boas conversadoras. Pelo meio...
- Sabes tia, estou um bocado preocupada com a questão da Coreia do Norte. Não quero que ataquem os Estados Unidos, apesar do Trump. Além disso o Brasil está no mesmo continente e não quero que sofram. São nosso irmãos. Mas fiquei contente porque a guerra da Síria acabou. Fiz uma festa aos saltos e tudo (com demonstração incluída, não fosse eu não ter conseguido visualizar os festejos). Não achas tia? Agora há menos guerra no mundo.
- Ainda há demasiadas. Há demasiados conflitos no mundo... os conflitos no Iraque, em Israel, na Turquia ...
- Tens razão... Ainda bem que é  longe. E que na Síria já acabou. Era a maior guerra e os coitados já sofreram tanto... Não se faz... De qualquer forma é muito longe e não nos atinge...

Fico sempre surpreendida com estes toques de preocupação social. Suponho que seja característica pessoal. É que este é a mesma menina que em pequenina gostava dos políticos que achava que "tratavam bem do planeta", que no inicio do ano achava muito mal que o Trump tivesse sido eleito e reconhecia que o nosso Presidente é do agrado dela.
Ana Cristina

segunda-feira, julho 03, 2017

Os três romances polícias de Robert Galbraith, um autor que vale a pena.

Hoje venho aqui deixar mais uma opinião acerca das leituras que vou fazendo.
Há mais de um ano que aguardava a leitura do terceiro livro do autor que hoje apresento, primeiro porque ainda não estava editado em português, e eu não tenho inglês suficiente para mais do que um ou outro artigo científico e uns posts (se não forem em linguagem muito elaborada), segundo porque desde o início deste ano tenho dedicado o meu tempo livre também a outras actividades que não a leitura. Acho que também preciso de mudar de lentes mas ... pronto ... não falemos de coisas tristes.

Voltando ao tema deste post...
Acho que foi à cerca de uma ano e meio que descobri, apresentado por uma amiga (obrigada Susaninha), Robert Galbraith como autor de livros policiais e actualmente o meu preferido do género. Foi uma boa descoberta, tão boa que no dia em que terminei o primeiro fui a correr comprar o segundo livro e sofri, quase de abstinência, quando não o encontrei na primeira livraria que procurei. E por mim teria lido o terceiro logo a seguir se estivesse ao meu alcance.
Para quem não sabe, Robert Galbraith é o pseudónimo de J. K. Rowling, e em relação a essa opção só posso dizer que, na minha perspectiva, resultou. Uma simples leitora como eu não encontra entre os dois autores qualquer simbiose; em comum apenas a capacidade de escrever, e bem, um lado obscuro e mais ou menos macabro do comportamento humano, imaginado ou não.

Os livros de Robert Galbraith são romances policiais onde o Detective Comoran Strike (um veterano de guerra com sequelas físicas e psicológicas e com uma vida pessoal e familiar atribulada) e a sua assistente Robin Ellacot (uma jovem que se vai revelando cada vez mais uma parceira na investigação) são envolvidos, voluntariamente ou não, na procura de autores de crimes mediáticos.


Em "Quando o Cuco Chama" (interessantes também são os títulos das obras), Comoran Strike é contratado para investigar a morte de uma modelo famosa, inicialmente interpretado pela polícia de investigação como suicídio. Com a ajuda da sua assistente, que se revela bem mais astuta e interessada do que seria a suposta secretária temporária, desenvolvem uma investigação empolgante para os levar ao criminoso. As personagens são misteriosas e deixam ao leitor vários pontos para explorar a imaginação, inclusivé em relação também à sua própria relação interpessoal.

No segundo livro, "O Bicho-da-Seda", o desaparecimento de um escritor é inicialmente valorizado apenas pela sua esposa, que pretende contratar o detective para o encontrar e levar de volta pra casa. Trata-se de um autor controverso que acabara de escrever uma obra que iria certamente arruinar algumas vidas.  Ao longo da investigação, o desaparecimento vai parecendo cada vez menos inocente levando a um homicida macabro e inteligente. As personagens principais vão-se revelando cada vez mais complexas e interessantes, quer profissional quer pessoalmente.

No terceiro, e por enquanto último, a história começa quando Robin Ellacort recebe uma encomenda endereçada a ela própria, com uma perna decepada lá dentro. Em "A Carreira do Mal" tudo indica que o autor do crime pretende afectar especialmente Strike, e este tem, no seu passado, ligação com este mistério e com o autor deste e de outros crimes macabros. Paralelamente, e como convém a qualquer trama bem elaborado, as personagens evoluem e a sua relação pessoal e profissional toma outros rumos. Aparecem novas personagens que se espera tornar a encontrar e, o fim deixa-nos na expectativa de um novo capítulo. Se esse novo livro já tivesse saído eu estaria agora a lê-lo com certeza.


Já deu para perceber que, na minha opinião, vale a pena ler qualquer um dos livros de Robert Galbraith. Esperemos que também seja interessante ver a série que está a ser adaptada pela BBCOne e produzida pela Bronte Film and Television...
Ana Cristina

quinta-feira, junho 22, 2017

Farta fartinha de comissões, épocas e orçamentos a curto prazo...

Não sou, de forma alguma, entendida em incêndios, catástrofes (naturais ou não) nem em formas de os prevenir e combater. Mas passados os primeiros "momentos" de emoção sobre a tragédia que nos assolou (sobretudo quem ficou afectado directamente, quem sou eu para me comparar a quem sofre na pele as consequências de tais tragédias) também eu sinto que começa a ser hora de ter opinião.

imagem tirada da net

Parece que tudo começa como causa natural e que as condições atmosféricas não facilitaram o combate imediato. Acontece também que não era ainda a época oficial de incêndios. Ou seja, se o mesmo tivesse acontecido daqui a, sei lá, um mês, os meios de combate estariam mais preparados para combater o mesmo incêndio. Começam as dúvidas. Mas não deveriam ser as condições atmosféricas a ditar os meios à disposição e não a data do calendário?

Também será verdade que as condições locais seriam favorecedoras da propagação do fogo e que tal se deve às florestas desordenadas, estradas sem as necessárias margens de protecção, entre outros factores que passam pela existência de eucaliptos e pinheiros em demasia. Dizem uns que a lei que existe não é cumprida. Dizem alguns que as entidades protectoras locais não têm competência para obrigar a que a lei seja cumprida, por outro lado também não a têm para substituir os proprietários que não cumprem a legislação, ao que parece bem feita. Há quem diga também que a compra dos meios aéreos que ficaram no estaleiro teria ajudado a que não se propagasse tão depressa e que o aluguer dos meios aéreos, além de chegarem com atraso de dois dias, terá um enorme dispêndio. Fala-se ainda na extinção do Corpo de Guarda Florestal e no número previsto de criação de equipas de Sapadores estar praticamente estagnado. Há ainda a questão recente da criação do fundo solidário para a reconstrução das populações mais afectadas, onde não estão englobadas as populações de localidades mais pequenas....

Também eu começo a sentir a tal "raiva sem fim" que o Agostinho Lopes escreve no blog Abril/Abril e que podem ler aqui. Raiva porque se podia ter trabalhado no sentido de evitar as mortes, as perdas das propriedades (privadas ou não), a floresta ardida, os feridos. Tudo isto se resume ao mesmo factor, dinheiro. Dinheiro que quer dizer orçamento. Orçamento que quer dizer deficit... deficit que quer dizer dinheiro... 

Não tenho qualquer dúvida que toda a nossa vida é regida por orçamentos, e será necessário fazer opções mas, PORRA (só me apetece asneirar), não teria sido esta tragédia evitável se os problemas detectados há mais de duas décadas não se resumissem à simples resposta de "não há dinheiro". Na altura se calhar até havia...

Farta fartinha estou (eu e muitos mais), da criação de comissões e de pequenas leis a completar as já completas existentes. Farta fartinha estou dos orçamentos por épocas, épocas de incêndios e épocas balneares (estava para falar aqui sobre a época balnear e as praias não vigiadas mas foi esta a época que se impôs no momento). Farta fartinha estou dos gastos feitos em consequência do que não foi feito para poupar... Poupou-se algum, gasta-se agora muito. porque muito vale a vida que qualquer pessoa.

Não sei, peço desculpa pelo desabafo que já vai longo e que não acrescenta nada, mas acho mesmo que temos de ter respostas, mas sobretudo temos de ter acções. Já agora eficazes, e não apenas papéis e dossiers e respostas tipo "não é da nossa competência"...
Ana Cristina

domingo, maio 07, 2017

Eu não posso dizer que gosto muito do dia da mãe...

...  e sei que é porque não tenho filhos.
Também sei que é porque em casa dos pais não se comemorava o dia da mãe além do beijinho e das iniciativas pessoais que poderíamos ter, fazendo pequenos presentes ou dedicando poemas e papelinhos com mensagens de amor. O mesmo posso dizer para o dia do pai ou o dia da criança. Eram dias que não faziam parte do nosso calendário familiar. 
Agora mais recentemente, porque a Rita é mãe, porque os dias para os meus pais são mais iguais e todos os dias são bons para arranjar motivos para ir comemorando a vida, o dia da mãe também é lembrado. E não é que sinta qualquer tipo de ciúme pela minha irmã (quem me conhece sabe que eu sou uma tia muitissimo babada dos meus sobrinhos - e tenho mais seis além dos três da Rita - tanto que conto as peripécias deles com tanta frequência e mostro fotos que quem me ouvir, no início é capaz de pensar que são meus filhos) mas posso dizer tenho pena. Claro que também eu gostava de receber mimos em dias especiais, mas tenho pena sobretudo por não ser o colinho especial que só se pede à mãe...

Mas pensar no dia da mãe, para mim é também pensar no quanto somos bombardeadas com temas alusivos à maternidade como um estado de completa felicidade.
Acho que posso falar por todas as mulheres que gostavam de ter sido, ou gostariam de vir a ser mães, quando afirmo que toda aquela publicidade ao maravilhoso que é ser-se mãe, à descoberta de um amor incondicional, ou à plenitude da felicidade com a maternidade, quando digo que estes argumentos são demasiado redutores para a própria mulher. Primeiro porque não são verdades. Nem todas as mulheres são felizes com a sua maternidade e podem não sentir amor incondicional pelos seus filhos, e provavelmente sentem-se em algum momento culpadas por não serem sempre felizes. Segundo porque para se ser mãe é preciso ter filhos, e nem sempre a vida é facilitadora nesse aspecto. Tanto a umas, como a outras, os meus parabéns por aguentarem mais um dia da mãe.

Não quero de forma nenhuma menosprezar os sentimentos dos outros mas pergunto se as pessoas que fazem a apologia da felicidade associada à maternidade não estão muitas vezes a ser hipócritas com elas próprias. E se assim não for, se essas mesmas pessoas teriam a capacidade de ser felizes se estivessem, por exemplo, na minha situação de não mãe. 

A felicidade pessoal não pode passar "apenas" pela maternidade, com não pode passar pelo "casamento", ou pelo "curso"... A felicidade tem de ser um sentimento de procura interna que passa por nós próprios, e apenas por nós. Temos de conquistar a nossa felicidade por simplesmente sermos capazes de ficar felizes, nem que seja pela felicidade dos outros. 

E depois desta teorização toda... Parabéns a todas as mães. Às que estão felizes. Às que são o colinho tranquilizador. Às que merecem esse colinho.



Ana Cristina

sábado, abril 15, 2017

Um parque é só um parque...?

O cenário foi o parque infantil da Praça José Fontana, em Lisboa. Um feriado de manhã, não demasiado cedo mas ainda cedo o suficiente para estas aventuras, tanto que eramos os únicos. Era até difícil decidir ficar com ou sem casaco, uma vez que o sol, tanto aparecia tímido, como se revelava com mais força por entre as nuvens.
O pai e a mana foram a umas consultas e eu rumei com os outros dois à descoberta do parque.

É sempre engraçado ir a um novo parque. Alguns, como este, têm estruturas bem diferentes, que obrigam a pensar nos obstáculos a superar. Um escorrega sem assento...?! Escadas em que uma parte dos degraus não existe..?!

O Vasco sorria... divertia-o ver uma construção diferente, mas mostrava dificuldade em arriscar...



Desde pequenos que qualquer um dos meus filhos teve sempre à vontade, leveza e descontração em matéria de movimentos. A coordenação surge-lhes naturalmente. Não obstante, nenhum foi particularmente destemido, afoito, aventureiro. Será um pouco óbvio dizer que, enquanto pais, nunca nos importámos, uma vez que sabíamos que eles estariam mais seguros se se mexessem com confiança mas sem maluqueiras...

Agora, de vez em quando, encaro de outra maneira as suas hesitações. Penso no receio que lhes poderá estar subjacente. Pondero se as dúvidas os poderão acompanhar em outras áreas...
Mais do que tudo, o que desejo é que vejam além dos obstáculos, mantendo aquela espécie de aptidão inconsciente e inata para treparem, saltarem, descerem... que acreditem neles, que observem, que pensem... mas que não escolham sempre fugir de um impedimento...

Sei que isto não parece conversa sobre um parque infantil... mas talvez um parque infantil não seja só um parque infantil... talvez aí, como em tantas outras ocasiões, se possa aproveitar para treinar capacidades... aproveitar ter alguém de fora, a ver e motivar, para experimentar subidas alternativas, apoios imprevistos, locais de desequilíbrio latente... aproveitar o estar de fora para mostrar os vários caminhos que se pode seguir, onde se podem colocar os pés, incentivar a experimentar, respeitar os recuos, aplaudir os sucessos...
Ou seja, estimular competências... deles e nossas...
Rita

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Tenho uma vizinha que adivinha, ou talvez não

Há uns dias, vinha eu com um saco de compras a entrar no prédio e cruzei-me com a minha vizinha adivinha. Comentário dela; "Está de folga de certeza, a esta hora a chegar das compras...". Por acaso não tinha razão. Para mim eram horas de dormir porque o dia ia mais do que longo, já com mais de 24 horas.
Hoje a cena foi outra. De folga, numa corridinha à padaria, antes que fechasse para a hora de almoço, encontro outra vez a mesma vizinha. "-Ai, estou mesmo a ver que trabalhou de noite. Está mesmo com cara de cansada...". Comentário meu, só pra ser simpática; "Nota-se muito?"...
Vim pra casa a pensar na minha mãe e na constatação dela de que eu fico sempre com pior aspecto depois de dormir, do que antes de ir descansar na saída de noite. Conto isto sempre às minhas colegas mas há quem não acredite. Hoje foi a prova mais do que provada.
Ana Cristina

sexta-feira, abril 15, 2016

Ontem, passados 40 anos, estive lá...

...

... a representar o pai, deputado da Assembleia Constituinte e a partir de hoje deputado honorário à Assembleia da República. Título merecido para quem soube unir esforços e criar um documento que até hoje rege a nossa sociedade, a Constituição da República Portuguesa.
Eram muitas as caras conhecidas, figuras públicas, empresários famosos, dirigentes políticos, algumas através do pai e da sua actividade política. Muitos outros não reconheci, e o meu pai seria um deles se não fosse meu pai.
Para mim foi uma pena que ele não quisesse ir. Estava lá eu por ele, uma orgulhosa filha do seu não famoso pai, político por convicção, atualmente reformado com uma pensão demasiado baixa para as suas necessidades.
Ana Cristina

domingo, novembro 08, 2015

Crítica literária: As Noivas do Sultão

Na semana que foi lançado ouvi no rádio uma entrevista com a sua autora, Raquel Ochoa, que, confesso, não conhecia. 
Fiquei curiosa. Por se tratar de um romance histórico, pelo qual tenho recentemente algum interesse. Por ser escrito por uma autora portuguesa. Porque partia de um facto real, o de em 1793, depois de Portugal ter perdido a última cidade de Marrocos, numa Lisboa em rescaldo de um dos maiores terramotos seguidos de tsunami da história mundial, ter atracado uma comitiva real marroquina. Fruto de uma tempestade no Atlântico, e de quase naufragarem, as embarcações chegaram primeiro à ilha da Madeira, depois aos Açores onde, com a ajuda de marinheiros experientes foram guiadas para Lisboa. Acontece que a comitiva real marroquina era composta por mulheres! Princesas, concubinas, criadas... E essas mulheres, com hábitos culturais tão diferentes dos da época, vieram alterar as rotinas diplomáticas e até as relações interpessoais.


Li-o durante as férias e confesso que esta opinião devia ter sido escrita logo depois de lido até porque seria, com certeza, muito mais interessante de ler. Mas posso dizer que, como imaginam, gostei até porque nunca aqui escrevi sobre o que não gostei de ler. A sinopse é apenas para tentar incutir alguma curiosidade (e tenho alguma esperança que surta efeito) até porque este livro tem de tudo um pouco; factos reais, mistério, uma pitada de intriga, e até de amor. A sua autora foi uma agradável surpresa e espero em breve ler outras obras dela.
Gostei muito e aconselho.
Ana Cristina

segunda-feira, outubro 05, 2015

Declaração de intenções

Aqui se declara, no dia 5 de Outubro de 2015, dia útil (porque foi roubado) a seguir às eleições legislativas que os resultados eleitorais não refletem as minhas opiniões, nem o meu voto. Sim, porque eu votei! Tal como o fiz em todas as vezes que tive essa hipótese. Nunca desperdicei o meu direito, que considero ser um dever.

Imagem tirada da net

Hoje foi dia de reflexão acerca dos resultados. De luto pelos resultados, pois claro. Porque apesar de reforçada a força politica com que me identifico, lamento que tenha sido parca a manifestação de desagrado da população pelas políticas do anterior governo. E mais do que tudo, lamento que sejam cada vez mais os que desperdiçando o seu dever, se esqueceram que votar é um direito, conquistado apenas há 41 anos. 
Neste dia lembro a minha avó Joana que, quase analfabeta, desde que pôde sempre fez questão de votar. Ou a D. R, que na sexta feira passada foi ao cabeleireiro para ir bonita à mesa de voto e que estava preocupada se a filha não tinha tempo de a levar a votar. Hoje tenho pena que toda a nossa população não seja toda como a avó Joana ou a D. R.
E venho a este espaço declarar que, A LUTA CONTINUA! Eu vou continuar a manifestar-me pelo que acho justo, a fazer greves quando assim tiver de ser, e a votar...
Ana Cristina

quinta-feira, setembro 17, 2015

Os Bebés de Auschwitz - nascidos para sobreviver

Hoje venho lembrar uma das minhas últimas leituras, num post que há muito não havia por estas bandas. Este livro segue uma temática que me interessa; relembrar o holocausto, a vida nos campo de concentração, e as atrocidades que os homens foram capazes de cometer a outros homens, por motivos étnicos, religiosos, económicos... ou seja políticos.

Desta vez li, "Os Bebés de Auschwitz", um livro lançado recentemente, fruto da pesquisa da sua autora, uma escritora e jornalista britânica de nome Wendy Golden de quem eu nunca tinha lido alguma coisa. Baseado numa coincidência;  a de três crianças terem nascido nos dias que antecederam a libertação do campo de concentração em que as suas mães estavam detidas, por coincidência o mesmo, e de terem sobrevivido os seis, mães e filhos.
Escrito em estilo jornalístico, este livro relata três vidas, de três mulheres que, no final do ano de 1944  deram entrada no campo de concentração de Aushwitz e apesar de todas as provações, sobreviveram. Estavam as três grávidas, ainda no início da gestação. As três negaram a gravidez e conseguiram encobri-la todo o tempo. Foram transferidas para uma fábrica de trabalhos forçados nos arredores da cidade alemã de Dresden e em Abril de 1945, mesmo no final da guerra foram transferidas para o campo de extermínio de Mauthausen numa viagem de comboio que durou vários dias porque o destino foi alterado várias vezes devido à destruição das linhas férreas e da aproximação dos aliados. Chegaram no dia em que a sala de gaseamento funcionou pela última vez. Uma série de coincidências, de pequenas sortes que foram essenciais para a sobrevivência destes três bebés e das suas mães. Nunca se conheceram nem souberam da existência umas das outras.
Quantos outros não morreram nos mesmos dias, nas mesmas horas...
Vale a pena ler este livro, que acima de tudo nos relembra que a capacidade de sobreviver passa também por uma certa alegria de viver, mas sobretudo pelo conjunto de coincidências que nos rodeiam. Neste livro lembram-se várias pessoas que com pequenos ou grandes gestos ajudaram as pessoas condenadas a sofrer até à morte, mas lembra também os muitos que viram e calaram, viraram as costas ou pura e simplesmente continuaram nas suas vidas, e esses foram muitos, muitos mais.

Coincidência também é a do nascimento de uma menina, nos mesmos dias, em terra distante chamada Viana do Castelo-Portugal, e que nascendo sem as restrições por que os outros bebés passaram, também ela sobreviveu, cresceu, tornou-se uma mulher e fez este ano 70 de idade tal como os bebés do livro. Mas a que eu estou a falar, é por coincidência, a minha mãe.
Ana Cristina

quarta-feira, agosto 26, 2015

La tomatina

Uma festa que só de pensar me dá urticária. E vomitos, porque a primeira sensação que me vem é a náusea (só de pensar no cheiro de tomate maduro... na rua, no corpo... baghhhh)
Aliás, o melhor é marcar na agenda como uma semana não visitar Valência. Pensando bem, se calhar é melhor marcar o mês inteiro.

Imagem retirada da net 

Ana Cristina

sábado, julho 25, 2015

Conversa da treta para quem anda desesperado... opinião minha.


Ontem foi notícia que, para o ano que vem seremos beneficiados com a devolução de 19% da sobretaxa de IRS. E que já podemos fazer uma primeira simulação e sonhar com os milhares de euros que vamos receber ... porque o governo vai devolver milhares de euros...
Na segunda parte da notícia até nos mostraram simulações de devolução, porque a aplicação já existe (a criar a ferramenta foram muito rápidos). Claro que fomos avisados que esta é UMA POSSIBILIDADE e não uma certeza. Na verdade só no final do ano é que poderemos saber a quanto temos direito.na notícia não diziam que essa devolução dependerá de factores como a correção dos reembolsos do IVA, uma medida que consta do programa do governo para o orçamento de estado de 2015 (mas parece que esse item não aparece no simulador).
Lemos essa informação nos sites de economia ou em posts de opinião. Aqui, por exemplo informam-nos que
" ... este desagravamento está dependente das receitas de IVA e de IRS, uma vez que a fórmula de cálculo do crédito fiscal considera a diferença entre a soma das receitas do IRS e do IVA efetivamente cobradas (e apuradas na síntese de execução orçamental de dezembro de 2015) e a soma da receita dos dois impostos estimada para o conjunto do ano no Orçamento do Estado."
A mim, uma leiga nestes aspectos, parece-me mais uma medida eleitoralista, que olha sobretudo a quem está desesperado, e que por momentos qualquer dinheirinho será muito bem vindo. Mas não se esqueçam os distraídos; será quanto muito uma devolução de menos de 20% de 3,5% de quem é submetido a essa redução... Ou seja, se tudo correr bem, pois então, e se se portarem bem nas eleições podem receber uns tostões.
Ana Cristina