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quarta-feira, abril 29, 2009

Há precisamente um mês...

... eu ainda estava assim, enoooorme:

E, pelos meus cáculos e pela hora registada na fotografia (19H04), tinha chegado a casa depois de, pela ordem cronologicamente invertida:
- cortar o cabelo (novo visual para o filhote);
- desatar a chorar no meio da rua porque o cabeleireiro a que era para ir (depois encontrei outro) disse que eu tinha de esperar uma hora e eu não queria demorar mais tempo a chegar a casa para estar com a minha filha no seu último dia de "única";
- ainda passar umas horas a imprimir as últimas coisas do serviço, no serviço (e era domingo!);
- trabalhar em casa desde as 05H00 (e não 17H00!!) para acabar os últimos trabalhos;
- desatar a chorar em casa porque ainda estava a trabalhar e queria era estar a brincar com a minha filha no último dia em que ainda só lhe estava entregue a ela...
Depois desta foto, o digno de registo foram as imensas mimalhices à Alice e o "petit gateau" que o João preparou para mim, no último dia a prever-se de meses de seca de chocolate...
Rita

terça-feira, março 24, 2009

Barrigas e manos



Acho que foi na passada sexta-feira, só no dia em que fiz as 38 semanas de gravidez, que a Alice sentiu pela primeira vez o mano na minha barriga.
A paciência dela para esperar e experimentar estar a olhar não é muita... a vontade dele se exibir também me parece pouca... Enfim, nesse dia eu descansava na poltrona e ela andava à minha volta, conversa para aqui, festas para acolá, colinhos e mimos. Quando repousou a cabeça na minha barriga, levantou-a logo a seguir, olhos muito abertos. Disse-lhe que era o mano a mexer lá dentro. Ela pousou novamente a cabeça e levantou-a outra vez. Fascinada. Queria saber porquê e expliquei-lhe que o bebé estava todo enrolado lá dentro e que, como estava cada vez maior, o espaço era pouco, tinha a necessidade de, de vez em quando, esticar um braço ou uma perna...

A relação dela com este mano e com a minha barriga tem sido engraçada. Na quinta-feira teve cá uma amiga da mesma idade e a certa altura esta perguntou se podia tocar no meu bebé. Respondi-lhe que sim, mas a Alice não achou bem. Não queria, o mano era dela, a barriga também.
Tento explicar-lhe. Que o mano não é assim uma propriedade nossa. Que quando nascer vai ser do mundo. Que o mundo vai querer pegar-lhe e fazer-lhe festas e ajudar a tratar dele. Que nós temos de deixar. Que nós também não a podemos prender em casa, que ela também é do mundo e que o mundo também é dela. Ela parece perceber melhor essa comparação. Depois, quando ficar a pensar, segredo-lhe que não se preocupe, apesar de tudo ele vai ser sempre um bocadinho mais nosso do que do mundo...

Hoje, quando a fomos buscar, levantou-me a camisola e fez-me festas na barriga. («Nasce, mano!») Depois, deixou os colegas todos tocarem e eles, de olhos e sorrisos muito fascinados, fizeram quase uma fila. Se eu acreditasse, ficava na dúvida se era eu que abençoava ou que era abençoada.
Este grande mistério que é a vida.

Rita

quinta-feira, março 19, 2009

Olá, cá estou eu...

Gosto deste canto que é nosso.
E nos últimos tempos não tenho sido assídua como gostaria, não porque não tenha assunto para partilhar, não porque o rapazola já tenha nascido e nos ocupe o tempo todo, mas porque são muitos os dias em que trago trabalho para casa para acabar e não deixar para ninguém e porque são muitas as noites em que adormeço imediatamente a seguir ao jantar, no sofá, às vezes para cima do próprio computador...
Há também a questão da máquina fotográfica, cujas fotografias eu não consigo diminuir a qualidade para que possam caber aqui. A máquina "velha" foi a emprestar à Cristina - que pelos vistos também não a tem usado - e esta deve ser demasiado boa, eheheh...
Entretanto, fica o desejo que estejam todos bem. Os que nos visitam e não comentam, os que nos visitam e comentam e nos deixam com a sensação que são velhos conhecidos, os que habitualmente visito e comento mas sem andar a fazê-lo nos últimos tempos, os meros passantes ocasionais.
A ver se volto mais assiduamente para deixar registo dos últimos dias desta minha gravidez (que amanhã perfaz 38 semanas).
Rita

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Medo...

Sei que pontapeias violentamente, chamo a Alice para ver, mas de repente ficas quieto.
Pensando que a minha colega Sara nunca viu nada como isto, fico imóvel à frente dela, o seu olhar fixo na minha barriga, mas tu tranquilizas-te justamente na altura em que me levanto da secretária para ir ter com ela.
Sinto-te a vaguear mas quando levanto as camisolas para observar, páras.
Puto, estou curiosa...
... isso é pura timidez, ou um grande espírito de contradição prontinho para me vir atazanar a vida...?!
Rita
E já agora, para cumprir essa etiqueta aí em baixo, na outra gravidez não foi nada assim... a Alice morria de vontade de comunicar com o exterior e reagia sempre que a provocávamos...

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Estou grávida, tenho direito a pedir estas coisas, pronto!

Fotografia tirada sem flash, para o espelho do roupeiro da arrecadação não fazer reflexo, nas quase quase 34 semanas, e sim, é a minha tábua de passar a ferro ali à direita

Já não me lembro de com quanto tempo estava na gravidez da Alice quando me ocorreu que nunca tínhamos tido um bebé a nosso cargo. Foi mais para o fim, porque foi sempre correndo tudo tão bem, com tanta descontração, que nunca sofremos de ansiedades e stresses.
Na altura eu tinha muito presente as histórias de duas colegas que haviam sido sempre muito autónomas e aquando do nascimento do primeiro filho, tinham sofrido de inícios de depressões pós-parto. O conselho que retirava dali era a necessidade de pedir ajuda ou de, principalmente, não a recusar.
Foi assim que nasceu a convocação, mãe e irmã informadas de que contávamos com elas a acampar na nossa casa assim que a bebé nascesse, porque basicamente não percebíamos nadinha do assunto.
E depois veio a Alice, tão calma, tão boa onda, tão sem choros e lágrimas, tão adaptável a todas as rotinas impostas, que nem parecia nossa filha, nós que jurávamos que, pestes como tínhamos sido, alguma sina iriamos ter de pagar. E a meio da primeira semana lá rumou a minha mãe a dormir novamente na casa dela, aquilo lá era neta que se apresentasse, nem trabalho dava.

Pronto, tudo ok, mas isso foi nessa altura. Agora, as probabilidades de nos ocorrer o mesmo são ínfimas. Primeiro, porque já tivemos a nossa quota parte de sossego. Segundo, porque continuamos a ter sido umas grandes pestes em pequenos. Terceiro, porque não iriamos ser os pais com mais sorte do mundo, a passar pelo paraíso uma segunda vez.
E é por isso que se faz passar a nova convocação: mãe e irmã, ficam informadas que de certeza que não vamos perceber nada deste bebé, deste que decerto nos fará pagar a dobrar o sossego que tivemos com a primogénita. Quando a altura chegar, o sofá está pronto, que agora já não temos o colchãozito ranhoso da outra vez.

Rita

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Segunda gravidez

Pelos vistos parece que é normal, mas isto da segunda gravidez é muito diferente e às vezes deixa uma sensação de culpa.
A minha cabeça é só preenchida por trabalho e por aquilo que ainda tenho para acabar antes de ir embora. Parece que não deixa tempo para mais nada...
  • Tirar para fora a roupa de bebé da Alice e ver o que dá para o rapaz e o que não dá. - não feito
  • Verificar o que falta. - não feito
  • Aproveitar os saldos para comprar o que lhe possa faltar. - não feito
  • Pensar na pintura que a primeira caminha de grades (já com 40 anos!) vai ter de levar, para ele. - não feito
  • Pensar onde vou guardar a roupa do puto e onde vou ter de colocar a roupa da Alice. - não feito
  • Pensar nas pinturas que quero fazer no quarto da Alice e que o possam transformar num quarto para os dois. - não feito
Coitado do meu rapaz caçula, tem tido direito a uma percentagem de pensamento materno tão baixa, comparativamente à primogénita...

Rita
*É verdade: na foto, pançola de 30 semanas.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Filho homem 3

Já se pode imaginar o fim desta saga...
Na vida, adquirimos muitas certezas quando nos imaginamos na iminência da perda. De maneira que, já eu previa um filho homem na minha vida com agrado, quando se colocou a questão do coração, o dito com uma membrana cuja integridade deixou dúvidas. E bastaram meia dúzia de dias até um exame para eu ter a certeza seguríssima que já não dava para deixar o pilas não entrar nos planos de futuro. Ele estava cá e tinha vindo para ficar. Deixando-nos obviamente felizes, aos três, aos mesmos ditos três que já compunham esta família e que haviam desejado uma outra miúda.
Rita

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Filho homem 2

A primeira vez que me apercebi que o puto começava a tornar-se uma ideia agradável na minha vida, foi ainda nas férias, pouco tempo depois das 12 semanas. Estava numa praia e reparei numa família de estrangeiros, pai, mãe, filha rapariga mais velha, talvez com 06 anos, e filho rapaz mais novo, talvez com 02. Ambos lingrinhas, loiritos e com olhos azulões. «Olha nós daqui a uns tempos...» Assim, quase sem dar conta.
Depois vieram as lojas. Um olhar ligeirinho para a secção do lado de lá, «Já agora, deixa ver as roupas, a ver se vejo alguma coisa gira.» E as primeiras pesquisas pessoais, não a pensar nos amigos pequenos, mas em mim, em nós. Nele.
A história será mais ou menos comum. Uma pessoa vai-se mentalizando e "forçando-se" mais ou menos a pensar com naturalidade nas coisas que começam por ser... menos agradáveis para nós. De tal forma que, quando o género se confirma, a notícia já não entristece, até já tem os cunhos positivos que tivemos possibilidade de atribuir. Mas claro, ficam resquícios a que a nossa mente se agarra.
No caso deste pilas, chateava-me particularmente a questão do quarto. O quarto da Alice, tão amorosamente preparado por nós, com móveis aproveitados e repintados de cor de rosa e verde, com flores... O quarto que teríamos de modificar, sabe-se lá para o quê, com o prejuízo do rosa ser algo essencial na vida dela actualmente.
Pela minha cabeça não passava qualquer ideia para aquele quarto. E eu habituava-me a olhar para as roupitas dentro do roupeiro, e a pensar «sabe-se lá se tornará a ser usado», mas sem qualquer pesar. Depois fechava o roupeiro e ficava a olhar para as flores, para o rosa. Sem ideias, vazia de formas de incluir o pilas naquele espaço.
Decidi esperar. Não ia forçar qualquer decoração, o rapaz não ficaria traumatizado de dormir temporariamente num quarto em tons de rosa e verde, com flores.
E depois, um dia, a ver uns livros infantis, a imagem bateu. De repente. Uma inspiração suficientemente vaga, mas suficientemente certeira, sobre desenhos, cores, coisas. E nessa altura senti-me feliz. A minha mente abria-se para o meu filho menino. Começava a incluí-lo, a amá-lo. Estava pronta para o receber.
(continua)
Rita

terça-feira, dezembro 09, 2008

Filho homem 1

Dentro desta minha barriga (ainda vergonhasamente não fotografada, nem aqui nem em lado nenhum) nada um rapazola. Isso mesmo, um pilas.
O palpite foi dado logo na ecografia das 12 semanas. Eu estava invulgarmente sozinha e senti-me triste. Triste, tão triste, como se não soubessemos desde que engravidamos, que há cinquenta por cento de hipóteses para cada um dos géneros... Triste, tão triste, como se fosse algum problema, algum drama... Triste, tão triste, que ouso (também vergonhosamente) confessar aqui que até derramei umas lágrimazitas por causa disso... Triste, tão triste, que a certa altura não sabia se as lágrimas eram por causa disso, se por causa do motivo completamente ridículo para me sentir triste e que me fazia sentir verdadeiramente parva...
Sempre me imaginei com filhas, sempre olhei para as roupas de meninas e no fundo, no fundo, achei que a minha sina era ver-me rodeada de xxs... Acho que estive sempre convencida disso, nos mais pequenos gestos e pensamentos.
Vejamos. Tenho uma irmã com quem partilho uma grande e profunda amizade, uma prima direita (a morar longe), dois primos também direitos (e também a morar longe) com quem perdi o contacto próximo no início da juventude, duas primas emprestadas e algumas amigas. O meu mundo foi muito de mulheres durante muito tempo e eu acho que só comecei a aprender a lidar com o sexo oposto quando dei o meu primeiro beijo num dos exemplares (já tardiamente, dirão alguns).
Como acontecerá com muito boa gente, as minhas expectativas foram traídas pela realidade, e fiquei sem saber muito bem o que fazer com isso. Sente um rapaz da mesma forma que uma rapariga? Liga às mesmas coisas? Pensa no mesmo? Sofre ou encanta-se com o mesmo? E eu, como mãe, seria capaz de providenciar as necessidades de um filho rapaz? De falar com ele? De chegar até ele? De o perceber, de fazer com que ele me percebesse a mim? E, claro, a pergunta crucial: de o amar intensamente, não sendo ele "o esperado"...?!
Muito sinceramente, nunca me imaginei ser o "tipo de mulher" que chora quando sabe que vai ter um filho de género diferente do esperado. E, de certa forma, isso desiludiu-me muito mais do que a notícia. Fui contando à minha volta o que sentia, como forma de me apaziguar. Resulta sempre: ouço-me em voz alta e palpo o ridículo até o matar num frente a frente. Quando dei por mim, o miúdo estava a entrar na minha vida...
(continua)
Rita

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Há uma semana...

No dia 01 de Dezembro viveram-se novidades relacionadas com os dois filhos, que devido a outras questões mais prementes na altura (e já contadas), ficaram por relatar aqui.
O bebé ainda embalado na minha barriga de matriosca resolveu dar notoriamente de si para que eu, sem qualquer margem para dúvidas, passasse a ter a certeza que as sensações há alguns dias tidas eram mesmo provocadas por ele. Foi de manhã, acabadinha de acordar, e deixou o pai perceber e tudo, para que pudéssemos partilhar os dois o momento. É único e hoje dei por mim a pensar que não há fotografia que se tire, filme que se faça, ou descrição escrita que seja equivalente a saber como é. E que não terei muito mais oportunidades na minha vida para o apreciar. E que me esquecerei de como é. E de como (pelo menos para mim), não há mais nada parecido. E de como é mesmo tão bom.



Por sua vez, a menina que já esteve na minha barriga há três anos e tal, foi no dia 01 ao cinema pela primeira vez. Ia muito entusiasmada e não gostou nada de nos ver ir embora a dizer que já tínhamos os bilhetes mas só para dali a umas horas. Mesmo sem pipocas (andava com umas cólicazitas nesses dias) e com o écran a meia dúzia de metros (segunda fila), adorou a experiência e assim que saiu cá para fora disse que queria ir ao cinema outra vez. Acho que o filme foi confuso para ela e que não o percebeu bem, mas portou-se lindamente e agora gosta de cantar a música: «Ai like tomobi mobi» (para os menos entendidos na linguagem: «I like to move it, move it»).
Como vêm, por aqui, o início do mês de Dezembro só trouxe boas experiências.
Rita

terça-feira, dezembro 02, 2008

Acontece...

Entro pela sala onde será realizada a ecografia morfológica cheia de boas expectativas e sorrisos. Já sei como é, tenho alguma experiência nisto, sei que vai ser demorado, que a médica me vai dar toda a sua atenção, que tenho muito tempo para contemplar o bebé por esta maravilhosa janela de ultrasons.
Ela vai vendo tudo, ensinando, sorriso nos lábios, a tirar medidas, vê o sexo, garante que está tudo bem, fémures e húmeros praticamente do mesmo tamanho, bexiga, rins, pulmões, crâneo, palato, boca, cabeça maior que perímetro abdominal, os vinte dedos das mãos e dos pés, tudo. Quase tudo. A mim vêm-me as lágrimas aos olhos, como foi de todas as outras ecos da primeira vez e como ainda não tinha sido da segunda. Depois a médica não consegue ver com pormenor o coração porque o bebé está de costas, «saia, beba uma bebida açucarada, ande um bocadinho que eu já a chamo novamente». Faço isso, com aquela lembrança de já da outra vez ter sido assim, mas porque o bebé teimava em não abrir uma mão e deixar contar os dedos.
Torno a entrar, de sorriso, a deitar, a oferecer a barriga. A médica prescruta, desta vez o bebé está numa boa posição, dá para parar a imagem, logo a seguir já mudou. E, depois, de repente, ela pára e diz: «Rita, eu não quero que se preocupe, mas vou sugerir que faça um ecocardiograma fetal. Não consigo ver bem o coração, mas parece estar tudo bem, aliás, está tudo bem com o resto. Não quero que se preocupe, as grandes malformações cardíacas são perfeitamente visíveis. Um ecocardiograma fetal é a mesma coisa, uma ecografia feita por um cardiologista pediátrico, uma eco que incide sobre o coração. Eu estudei seis anos de obstetrícia, ele estudou seis anos de cardiologia, vai ver muito melhor do que eu. É que o coração é difícil de ver, é um órgão pequeno, constantemente em movimento, e o bebé também se mexe. Só não consigo ter a certeza se esta membrana aqui, está a ver, está totalmente íntegra.»
Não estou a ver nada. Não percebo nada, não interpreto nada. Visão, audição, todos os sentidos, entram numa espécie de túnel onde se pensa que nos estão a dizer, única e exclusivamente, que o nosso bebé tem um problema cardíaco. Tenho vontade de chorar, não me ocorre nenhuma pergunta, nenhuma dúvida, só o medo. Saio para fora do gabinete e na recepção marco o novo exame. Dali a uma semana. Uma semana de espera para ver se está tudo bem. Uma semana com a indicação de não me preocupar.
Já em casa, apercebo-me que não perguntei nada. Nome do médico, consequências de uma qualquer interrupção numa qualquer membrana, preço, nada.
Os primeiros dois dias, dia e meio, ando estranha, não me concentro o suficiente no trabalho nem em nada, há uma tristeza que me preenche e que está sempre lá, por baixo de tudo. E depois converso, ouço, pesquiso, descubro que o exame é mais comum do que pensei, que as indicações para o fazer são mais que muitas. Descontraio. Faço o melhor para, conscientemente, não me preocupar... em demasia.
Impassível à minha preocupação, ou quem sabe ligeiramente influenciado por ela, o coração do meu bebé bate. À velocidade normal, com tudo normal, tamanhos normais, localização normal, cavidades normais, artérias e veias normais, membranas normais, fluxos de sangue normais, todos os nomes esquecidos que aprendemos na escola. O meu bebé tem um bom coração, normal, e fez questão de o mostrar hoje, no exame, ao médico e à mãe. Como é normal, eu estou muito contente.
Rita

segunda-feira, novembro 24, 2008

Observações várias, para não esquecer o(s) momento(s)

- Ontem foi a primeira vez que a Alice quis levar uma malinha com ela quando saiu de casa. O pai tinha acabado de fechar a porta para ir buscar o carro, que havia ficado estacionado mais longe, e ela grita do quarto, para onde tinha acabado de ir a correr, algo do género: «Esperem, eu estou aqui, também vou!». E aparece de repente, a correr, agarrada ao saco-mochila da escola, enquanto eu a tranquilizava que ainda estava em casa, o pai só tinha ido buscar o carro. Olhei de forma estranha para o saco: «Porque é que trazes o saco da escola? Não vamos para a escola, vamos para os anos da bisa M.». E ela: «Quero levar uma mala. O pai leva uma mala, tu levas uma mala, eu também quero levar uma mala.» E levou, uma muito giraça, a primeira da sua vida.
- Ainda não sinto o meu bebé, às 21 semanas. Começo a ter hesitações sobre algumas sensações, tal como tive na primeira gravidez. «És tu? Olha, isso foste tu aí em baixo?». Ainda não responde ao toque, nem à voz, nem a nada, aparentemente. Confundem-me as sensações leves, que não se parecem com mais nada e que, de facto, me suscitam ideias de que é ele. Não deveria estar a sentir? Não devia ser mais experiente nisto? Não deveria perceber logo logo, sem me interrogar?
- Quando fazemos um desporto na gravidez, toda a gente fica a conhecer o nosso nome muito rapidamente. Senti isso da outra vez com a hidroginástica e agora com o pilates (também faço Rute, mais ou menos desde a mesma altura que tu! foi transmissão de pensamentos gravídicos!). «Está bem, Rita? Tenha cuidado, Rita... Essa cara significa o quê, Rita? O melhor é não fazer isto assim, Rita...» Tenho ideia que há colegas há muito mais tempo ali do que eu, mas é o meu nome que é referido a toda a hora. É engraçado. Uma gravidez acaba mesmo por ser quase sempre partilhada, mesmo que pouco visível, mesmo que com pouca interferência.
- A azia ainda não está aí em força, mas começo a pressenti-la. É horrível ter azia. Uma sensação de acidez e queimadura ao longo da garganta e diafragma (?)... Sou uma sortuda de só ter sabido o que era isto na gravidez. Nunca antes delas e nunca mais depois, espero. E já agora: é redondamente mentira que quando se tem azia os bebés nascem cabeludos (claro que sim, né?! mas é só mesmo para o pessoal com essa dúvida ficar a saber...). A Alice nasceu praticamente careca.
Rita

quinta-feira, novembro 20, 2008

Duas gravidezes


Tal como na primeira, vimos os dois o resultado do teste ao mesmo tempo, e tal como na primeira, ficámos os dois muito felizes. Tinham sido as duas muito bem planeadas, tinha havido idas ao médico e análises e eu seguia atentamente os dias no calendário. Tudo o resto foi diferente.
Desta segunda, eu soube, de alguma forma física ou instintiva, que estava grávida antes de fazer o teste. Era algo que estava relacionado com uma sensação nos ossos da anca quando fazia o movimento de me levantar da cama pela manhã. Ou a ligeira náusea a acompanhar-me pelo dia fora. Ou o sono. Ou poderia estar totalmente enganada, claro...
Desta segunda, descontraí e tive quase de me forçar a ir ao médico pela primeira vez pouco tempo antes das 12 semanas. Contámos mais cedo a toda a gente, não comecei a tomar logo o ácido fólico e não tive problemas em falar com o médico sobre o impedimento ao trabalho nocturno (o que na primeira aceitei até aos 08 meses...!).
Desta vez, entrei na grelha de partida com mais dois kg e, talvez por isso ou não, não me habituei ao crescimento abismal do peito logo de início. Da mesma forma, a barriga arredondou e eu senti-me gorda. «É que da outra vez não foi assim», ouvia-me a dizer...
O que descobri ser igual e deixei de achar que estava relacionado com as mudanças de estação do ano, foi aquela passividade e até desânimo do primeiro trimestre. O que descobri ser maior, mas mesmo muito maior (para além do peito e barriga) foi o sono, a começar muitas vezes antes das 22H30 e talvez sob influência dos - esses sim, totalmente novos a cada dia que passa - três anos de maternidade.
Enjoos, nada. Como se desta vez o corpo já reconhecesse tudo isto. E talvez seja mesmo isso, não sei, é uma segunda vez mas já não é tudo totalmente novo.
As contracções, por exemplo. Agora sei exactamente quando as tenho (aquelas não dolorosas que representam a preparação do útero para o grande momento), já não preciso de uma máquina de ctg para saber disso.
E há o toxoplasma, é importante de referir. Eu não sou imune ao dito. Não era da primeira e tornei a não ser da segunda. E se me achei informada pelo médico antes, agora, pelos meus próprios meios acrescentei mais alguns dados relevantes. E por isso comi ontem uma deliciosa sandes com carne e salada lá dentro. Não o faço por hábito, mas fi-lo ontem. Sem stresses e angústias.
E agora aguardo ansiosamente pelas iguais e diferentes mexidelas dentro de mim, pelo ondular da embalagem exterior, a mostrar a dança de quem anda lá por dentro. Ou por soluços, nunca antes experimentados.

Rita

A propósito da fotografia... não confirmo nem desminto a existência cá por casa, numa gaveta da casa-de-banho, dos dois ditos testes... até porque isso seria um romantismo um bocado nojento, que pode vir a denegrir a minha imagem...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Outra dela...

(... para não me esquecer... isto provavelmente agora vai ser até vocês ficarem enjoados... dêm um desconto, as mães são sempre babadonas das coisas mais comuns que os filhos digam...)
- Mãe, quando o meu bebé sair cá para fora, vais pôr aqui [faz um gesto com os braços como se fossem um berço, presumivelmente estará a falar do colo dela] e depois ela [é quase sempre uma "ela" nas suas palavras] vai usar isto [o cachecol que tinha à volta do pescoço]... e eu vou emprestar-lhe as minhas roupas...
Rita

Isto hoje não dá para mais, o tempo está em conta-relógio...

segunda-feira, novembro 03, 2008

O nosso bebé

Ontem contámos à Alice que a mãe tinha um bebé na barriga, que por isso ia ficar com a barriga grande, ia ficar gorda, que ela ia ter um mano ou uma mana e que podia fazer as perguntas que quisesse sobre isso, quando quisesse.
A parte de não podermos escolher o género não a convence totalmente, a ela que quer uma mana a todo o custo. Perguntou quem escolhia se o bebé era um mano ou uma mana, como se pudesse ir dali intimar o responsável da sua vontade.
De toda a curtíssima conversa, o que achei mais graça foi a expressão dela de alguma surpresa quando lhe disse que este bebé era nosso, de nós os três.
Não reagiu muito e, embora tivesse dado dois beijinhos na minha barriga quando uns amigos saíram cá de casa, não tornou a falar no assunto e recusou a minha proposta de contar esta novidade aos tios.
Hoje, quando subia as escadas da escola no final da tarde, uma Auxiliar disse-me que a primeira coisa que a Alice tinha feito quando chegou ao recreio tinha sido dizer-lhe: «sabes Carolina, a minha mãe tem um bebé na barriga.». Garantiu-me que ela estava muito contente e que tido contado a toda a gente, o que eu vim a verificar pela quantidade de parabéns que fui recebendo.
Quando cheguei à sala do ATL, a Alice correu para mim, deu-me um beijinho na barriga e estendeu-me metade da carcaça com manteiga dela. E acrescentou: «o bebé pode comer pão?».
Já em casa à noite, utilizou a expressão «o meu bebé na tua barriga»...
Relembro isto e sorrio, mas quase de lagriminha no canto do olho. A minha menina dá os primeiros passos no maravilhoso mundo de quem tem irmãos.
Rita

quinta-feira, outubro 09, 2008

"Menino ou menina - capítulo 1", ou "Despachadinha da silva"

A minha amiga Van falou-me por acaso nas conversas da "despachadinha", mas a verdade é que só quando se começou a saber da minha gravidez é que percebi de facto o que é ela queria dizer.
«Estás grávida? Então e agora, queres um menino não é? Ah, era giro um casalinho, e assim ficavas logo despachada...»
Mas porque carga d'água é que há tanta gente a achar que todas as pessoas quereriam ter um casal de filhos...?! E porque raios acrescentam que assim ficávamos "despachados"...?!
Serei eu obrigada a querer ter só dois filhos?! Não poderei querer ficar por só um?! Ou sonhar com uma grande família?! E estarei mais despachada porque os ditos dois se dividem pelos dois géneros e eu terei hipóteses de conviver e educar um xx e um xy?! Teremos nós que ter filhos e mais filhos para atingir essa dita perfeição de conseguir ter dos dois sexos?! Não poderá haver alguém que gostasse de ter um trio de miúdas ou um par de rapazolas?!
Talvez isto seja aquela sensibilidade extrema das grávidas, mas irrita-me profundamente a conversa de quem parte obviamente do princípio que tenho de ter um rapaz desta vez... que é isso que quero ou que, mais do que tudo, que assim é que é giro... Mas irrita-me ainda mais quando as ditas conversas acabam no quase óbvio «é que assim ficam logo despachados!»... é que nunca percebi que estava a ter filhos para me despachar, muito sinceramente... e o que ainda ninguém me conseguiu dizer é "despachar para quê"...
"Despachar - (...) atender; resolver (...) acabar, terminar apressadamente aquilo que se tinha começado; aviar-se; (...) fazer com pressa alguma coisa (...)"
in "A Enciclopédia 7", do Público
Oh pá! A minha "mai velha" tem três anos e o feijão/ervilha anda só pelas 15 semanas, ainda cá dentro da minha vida interior... Despachar?! Eu ainda estou só a começar!!!!!!
Rita

quarta-feira, outubro 01, 2008

Voltei

Voltei. De férias, para o trabalho, para Lisboa, para as nossas rotinas muito nossas, para novas fases, para as continuações e para os novos recomeços. Para casa. Melhor, mais descansada, com postura zen, decidida a continuar a importar-me mas sem vir para casa a sofrer.
Voltei também para aqui. E com novidades:

Sou novamente uma materiosca.

Rita