segunda-feira, julho 21, 2008

As rotina dos super-heróis-de-trazer-por-casa que somos todos...

Na sexta-feira a Alice foi para a cama quando os ponteiros ainda não tinham chegado às 20.
Ela tinha ido passar uns dias fora com os avós, mas depois ficou doentita, voltou, ficou dois dias em casa com o pai, voltou para a escola num dia em que jantámos com a família e nos deitámos tarde... na sexta-feira estava de rastos, do cansaço acumulado... e tinha definitivamente vestido a máscara de "miúda diabólica" com que já nos andava a ameaçar nos dias anteriores...
Quando cheguei, ela estava sentada na banheira a chorar. Não queria nada, não aderia a nada, nem às brincadeiras do costume, nem às novidades. O pai parecia estar com vontade de fugir e eu, que de manhã tinha saído de casa ansiosa por ir trabalhar (companheiros adoentados e filhas cansadas é uma mistura explosiva!), pensei que também não ia conseguir lidar bem com aquilo (porque muitas vezes não lido, eu sei...). E de repente olhei para ela e percebi todo o seu desconsolo, o seu cansaço, a sua neura e birra como forma de extravasar (é assim que se escreve?!) aquela energia negativa...
Sentei-me e disse-lhe que quando ela quisesse sair dali devia dizer-me, para eu lhe dar banho. Ela não queria, mas como eu não abandonasse a minha combinação e me mantivesse sempre tranquila, acedeu. Choramingou sempre. Porque não queria champô, porque a água estava quente, porque a água estava fria... e depois foi porque queria o sofá e porque não queria o creme e porque não queria deitar...
Perguntei-lhe se ela queria beber um biberon de leite, a chucha e ir para a caminha e ela aceitou logo. E falei com ela, disse-lhe que percebíamos que estivesse cansada e a chorar, e que não fazia mal, ela que chorasse quanto quisesse porque nós gostávamos dela na mesma, sempre. E que ia para a caminha mais cedo, quando ainda era dia e sem comer a sopa, mas era para que no dia seguinte ela acordasse bem disposta e a rir, porque não podíamos passar os dias a chorar se não não nos divertiríamos nada com a vida.
O João sorriu da teoria toda mas ela aconchegou-se a mim, abriu bem os olhos e acenou-me que sim com a cabeça. E dormiu a noite toda e desde aí tem estado a "boa onda" de (quase) sempre.
Na sexta-feira foi um dia bom, em que a super-mãe não se deixou derrotar pelos poderes da miúda diabólica.
Rita

4 comentários:

Sónia disse...

Lá em casa na semana passada nem houve tempo para banhos! Foi directa desde o banco do carro até de manhã! Só acordou para beber um leitinho e fazer xixi!!

As fraldas lá em casa "já eram"!! Tudo na sanita e bacio!

Anónimo disse...

Fantático!!! Posso Pedir-te a tua capa de super-mãe só por uns dias??? é que a minha de tanto uso tá a ficar com os poderes fraquinhos e vou ter que a mandar para a fábrica para carregar energias..... começo a sentir que os meus diabinhos estão com os poderes cada vez mais reforçados!!!!
Beijinho grande
D

rutinha disse...

eu nao digo q ando com as hormnoas loucas?estou quase a chorar com este post, adorei rita. è bom saber que as mães por mto super-mães q sejam tb são humanas!

Joana disse...

Que bom! E tão bom quando conseguimos fazer isso!
Bjs