segunda-feira, fevereiro 20, 2017

"1HD - Uma História da Dança", o cancelamento - CAPÍTULO 2

E eis que, há praticamente uma semana, na terça-feira, tudo acabou. Ou que se iniciou outro capítulo desta história, o da desilusão.

Para nós, pais, do lado de cá, a coisa deu-se com uma mensagem escrita da Diretora de Turma, que tinha sempre acompanhado o projeto de perto com os miúdos. Estes tinham sido deixados à hora costumeira do ensaio, mas num local diferente do usual. A mensagem foi recebida por mim no final do tempo destinado ao ensaio e não a tomei como uma forma distante de receber a notícia, antes pela única forma da professora da minha filha não desatar a chorar ao telefone dez vezes, de todas as que teria de dar a triste informação aos pais. 
Fiquei obviamente surpreendida com a decisão, que na altura envolvia somente o cancelamento do "1HD" e o sentimento de desolação de todos os envolvidos. Ao aceder ao site da Companhia Nacional de Bailado, percebi - perceber é uma forma de dizer que realizei, não que verdadeiramente compreendi o que estava na base da decisão - que o motivo do cancelamento de oito sessões de espetáculo ainda por vir tinham sido "os problemas técnicos".

Fui esperar pela Alice no final do dia de aulas, sem esperar pelo treino normal da ginástica. Achei que se impunha um passeio, uma conversa, essencialmente o apoio que ela precisaria para ultrapassar a desilusão. Esteve sempre calma, mas triste, contando como todos tinham chorado com a notícia e recebido com consternação e choque também a do despedimento do Bruno. Falou como ele tinha conversado com eles, tentando que percebessem essencialmente que nada do que tinham feito, enquanto atores e colaboradores no projeto, era o motivo para o fim do espetáculo. E como era necessário manter a cabeça erguida. 

Passamos o tempo todo a dizer aos filhos para trabalharem, estudarem, esforçarem-se, aplicarem-se, envolverem-se... que os resultados refletirão tudo isso e serão bons e tudo valerá a pena... Que os compromissos são para se manter, que isso faz de nós pessoas sérias e honestas e ser uma pessoa de palavra é riqueza superior às que se palpam... E depois claro que sabemos que nem sempre as coisas são assim, mas esperamos que vão aprendendo essa mensagem lentamente...

Claro que os lembramos, como eles também sabem, que apesar de tudo, foi bom. Foi bom os meses de trabalho, a descoberta, os conhecimentos que fizeram, os sítios que visitaram, os bastidores, o teatro, as palmas, a experiência. 
E, todos sabemos, os miúdos tendem a possuir uma resiliência e positivismo invejáveis... Mas é difícil, hoje, dias depois de saber que não tornará a fazer o "1HD", ainda a ouvir por vezes tristemente a desabafar... e, o mais engraçado, na inteligência de quem tem 11 anos, a valorizar o que é importante... «Será que vou tornar a ver o Rúben?», «Gostei tanto de algumas pessoas que conheci, não as vou ver mais...», «Mas sabes, mãe, eu gostei do teatro e dos bastidores e dessas coisas... mas do que eu vou sentir falta, mesmo falta, é do espetáculo... do espetáculo mesmo... de fazer, de dizer... eu gostava mesmo do 1HD, sabes, achei que estava tão bonito...»

Eu também. Estava mesmo bonito. 



Rita

1 comentário:

Oficinas RANHA disse...

Eu também achei que estava mesmo bonito...
Tia Cristina (que em deferimento do pai até foi ver...)