terça-feira, maio 06, 2008

a razão da crise...

Dos que não me conhecem pessoalmente, poucos(as) sabem que eu sou enfermeira de bebés pequeninos. Daqueles que nascem e precisam de quem cuide deles para ir para casa, muitas vezes demasiado pequenos e frágeis, dos que estando em risco de vida e necessitando de cuidados especiais já não necessitam tanto de tubos para respirar... Sou enfermeira de cuidados intermédios, como se diz em linguagem hospitalar. E amo profundamente a minha profissão, o que faço e onde o faço (apesar das muitas críticas que vou fazendo ou da vontade de fugir que me assola com mais frequência do que gostaria).
Apesar de estar há oito anos no mesmo serviço fui contra a imposição que me fizeram de ser transferida para outra unidade, a de intensivos, por factores que se prendem por interesses de gestão dos serviços mas também devido às características dos próprios bebés. Senti-me usada como um fantoche. Essa era a minha revolta, foi a minha zanga nesta semana...
E essa transferência estaria em vigor a partir de amanhã, mas por algum motivo que duvido que tenha sido o da iluminação das mentes pensantes recebi ontem a notícia que a decisão estava em stand-by pelo menos durante quatro semanas.
Continuando a ser o fantoche de serviço, aproveito mais uns dias o colinho dos "meus meninos", que do outro lado não posso dá-lo.

Beijinhos a todas as nossas visitas
Ana Cristina

15 comentários:

Eu disse...

Olá Ana

Imagino o que deves sentir, a minha mãe foi enfermeira com especialidade em obstetrícia durante 32 anos, nos últimos anos de carreira teve que deixar a sala de partos e passar para neo-natologia, por causa de um pequeno AVC que sofreu, mas pelo qual toda a gente achou que as noites e o serviço seriam demasiado pesados para ela. Esses últimos anos em que trabalhou não a senti tão feliz como antes, e dizia muitas vezes que tinha muitas saudades... espero que contigo a situação mude e possas continuar onde te sentes mais realizada.
Bjs

pimenta rosa disse...

os bébes pequeninos têm muita sorte por te ter por perto, força***
(és "colega" da minha irmã;)
bjs

Sónia disse...

Ó pá, que profissão linda!!!

Anónimo disse...

Só para te deixar um grande beijinho e dizer que te admiro mto!!!!
D

Aramar disse...

Acho a perspectiva da transferência, não só uma injustiça, mas também uma tremenda estupidez. Numa altura em que se fazem discursos tão politicamente correctos acerca da valorização da experiência e da especialização profissional, não há justificação concebível para usar os trabalhadores como meras marionetas...
Sei que vais ultrapassar tudo isso e continuar a dar o melhor de ti :)
Beijinhos!

Oficinas RANHA disse...

Amiguinhas da blogosfera:

Fiquei muito contente com a vossa solidariedade e, na verdade estou menoszangada do que na semana passada. É que apesar de não ter sido posta de parte a minha transferência tenho mais umas semanas para curtir o meu serviço, de gente piquena mas bem vivinha e a chorar em plenos pulmões quando não gosta de alguma coisa (pelo menos a maioria).
À Carla só posso dizer que o meu serviço de neonatologia é um dos que não dava prá tua mãe ter mais calma, mas como a entendo... não há nada como trabalhar no que se gosta e eu tenho a sorte de ter descoberto duas áreas de trabalho que gosto muito (a obstetricia e a neonatologia)
Beijinhos a todas
Ana Cristina

Joana disse...

Ola! Espero que consigas depois vir a gostar da nova unidade e a continuar a gostar do que fazes, que e de facto das coisas mais importante para o fazermos bem e termos uma vida boa! Embora não tenha percebido totalmente a mudança... A R. tem uma grande amiga que nasceu no teu serviço. Apenas com 25 semanas... Hoje, ja mais crescida da idade da R. é uma lutadora e olho sempre para ela como alguem especial, que ja venceu a vida! E mesmo uma grande coisa!
Bjs e boa sorte! Joana

Alma Minha disse...

Que giro... se estavas na Alfredo da Costa no dia 13 de Dez. de 2001, conheceste a minha "ferinha"... foi lá que ele nasceu... esteve nos prematuros...
Tens uma profissão linda!!!
É pena, pode ser que voltes... mas os outros bébés também mecessitam de ti :(
Beijos

Oficinas RANHA disse...

alma minha;
É lá que eu trabalho, no serviço que popularmente se chama de "prematuros", e concerteza conheci a tua ferinha... ele era prematuro?

Joana;
Não expliquei muito bem a diferença entre serviços porque quem não conhece as realidades tem dificuldade em perceber... mas se a tua amiguinha nasceu de 25 semanas é assim... quando nasceu e estava ventilada esteve na unidade de cuidados intensivos (é para lá que me querem mandar), depois, quando já não necessitava do ventilador passou para intermédios onde provavelmente esteve até ir para casa ...
beijinhos
Ana Cristina

Rutinha disse...

sabes o que é bom para essa revolta/tristeza? uns belos scones da bimby, barrados c manteiga a sair do forno, com capuccino! ;) bjs e nada de desanimos!

Alma Minha disse...

Sim, Ana Cristina!
A minha "ferinha" era "prematuro"... provavelmente também nos conhecemos... ainda passei uma semana por lá...
Foi uma semana muito dificil para nós (familia), mas felizmente tudo não passou de um susto... hoje ele está bem e é uma criança "terrivel", daí o nome de "ferinha" :)))
Foi nesta semana que deu para ver como é maravilhoso o trabalho que fazes...
Vocês "as tias", além de enfermeiras, são mães, amigas, são tudo para nós naqueles dias...
Para ti e tuas colegas de trabalho fica aqui um beijo grande e o meu MUITO OBRIGADO

macati disse...

ui... enfermeira, tao girooooooo! espero q a iluminaçao se mantenha...
bjnh

Joana disse...

De facto não conhecia a diferença de serviços. Mas porquê a revolta? As mudanças muitas vezes são boas, aprendemos sobre nós e sobre os outros, e experimentamos novas realidades. Normalmente somos resistentes, mas a mudança pode ser uma coisa boa. Nalgumas empresas as pessoas não podem ficar mais que x tempo no mesmo departamente, para quebrar os vicios resultantes da acomodação natural do ser humano. Boa sorte!
Bjs Joana

Oficinas RANHA disse...

Sabes Joana, na minha instituição não existe essa política de rotatividade, alem disso existem estudos diversos que apontam para uma melhoria dos cuidados prestados quando as pessoas da minha profissão se tornam "especialistas" do serviço onde exercem e essa fase só se atinge quando se trabalha há pelo menos 6 anos nele. Além disso, a minha transferência é uma questão de política economicista que tem pouco a ver com a necessidade de quebrar os efeitos de acomodação (que se não transferiam-me para um serviço que eu tivesse interesse e nunca tivesse passado) ou o superior interesse dos utentes. O meu lugar iria ser preenchido por quem não tinha qq experiência nem interesse em estar no meu serviço, havia colegas interessadas nesta transferência mas havia motivos de vinculo a impedir... mais não digo que não é necessário. Bem, por enquanto não vou...
Beijinhos da Ana Cristina

Joana disse...

boa sorte com o que ai vem! Bjs Joana