segunda-feira, dezembro 10, 2007

Medos

Até hoje a Alice não tem sido mocita de muitos medos. Chegou a dizer que tinha medo de algumas coisas, mas com um distanciamento afectivo que denotava que se encontrava mais a experimentar afirmações do que sentimentos.
No entanto, ou não fosse próprio da idade, começou a descobrir medos reais nos últimos tempos. Um dos primeiros (ou dos últimos, dependendo da perspectiva), foi o medo da sombra.
Numa manhã de fim-de-semana, enquanto experimentamos diversas brincadeiras uns com os outros na cama, a Alice resolve acender um dos candeeiros e, divertida, olha para os jogos que fazemos na parede, usando a sombra das mãos. Lembra-se de acender o outro candeeiro, e vira-se para ver novamente a parede. De repente, com um olhar de pânico, vê a sua própria sombra, destacando-se, enorme. Começa a gritar que tem medo, agarrando-se a nós. O medo é real, está bem patente na expressão.
Claro que não há truques infalíveis para os ensinar a lidar com estas coisas. Entretanto, a Alice já demonstrou medo de outras coisas, nomeadamente de alguns desenhos animados, mesmo para a idade dela (ai o Pimpão, do dvd da "Escolinha de Música"!). Nessas alturas, o que parecem esperar de nós difere de momento para momento e é estranho. Em algumas ocasiões quer que eu esteja ao seu lado e que altere as circunstâncias do que a amedronta. Em outras, parece querer olhar para o que lhe faz medo, de frente, como quem percebe que conhecer bem o obstáculo, mesmo que de longe ou de mão dada, seja o primeiro passo para o vencer...
Com a sombra, o medo passou inesperada e repentinamente, fins-de-semana mais tarde,
no momento em que percebeu que podia dizer-lhe adeus... literalmente... Ou seja, quando percebeu que a sombra era uma espécie de duplo e soturno ego que, no fundo, não faz mais do que repetir o que lhe ordenamos... e, por isso, responde ao adeus... no quarto, no corredor, na sala, na rua...
A transição de sentimentos foi tão engraçada que não consegui impedir-me de ir a correr buscar a máquina e registar o momento de valentia.
Rita

4 comentários:

Joana disse...

A R. pelo contrário sempre teve medos, desde que nasceu. Assustava-se com determinados barulhos. A melhor coisa que aprendi é que quando dizemos "não tenhas medo" estamos a negar o sentimento e a negar a possibilidade de ter medo. E medo temos todos nós. É isso que costumo dizer à R. e digo-lhe que eu também tenho medo de algumas coisas, e as vezes dou exemplos. É tramado isto dos medos! bjs a todos

Anónimo disse...

as crianças são mesmo um espectaculo... o T por exemplo quando está em casa à noite tem medo de sair da divisão onde nos encontramos´.... descobri isto porque sempre que ele precisava ir ao quarto ou à casa de banho, pelo caminho ia perguntando: mãe gostas de mim? pai também gostas de mim? L. gostas de mim? depois disto acontecer algumas vezes perguntei-lhe porque é que o fazia, e a resposta veio espontanea (mas sem a palavra medo) é só para saber se vocês ainda estão aqui....!

Anónimo disse...

esqueci-me de mandar bj no comentario acima :)
bjs!!!
D

Anónimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu