segunda-feira, março 27, 2017

Descubra as diferenças


Sim, numa primeira imagem são parecidos.
Mas não se enganem. A Misha é uma menina-gata de olhos grandes e verdes e pêlo comprido. O Cobi é um menino-gato em que tudo é redondinho; os olhos amarelos, a barriguinha e a cara. Não parece nas fotos mas ela é bem maior que ele mas mais magrinha.
São os dois lindos e às vezes são apanhados na mesma situação ou de maneira a confundir o olhar.



 Ana Cristina

quinta-feira, março 23, 2017

Dias de porcaria...



Hoje, depois de dar um pequeno toque com o carro, de ouvir uma boca que achei incorreta e desmotivadora e de dar praticamente 90 euros à Emel (ainda estou a saber quem conseguiu este extraordinário "tacho" à Emel que lhe dá competências policiais de passar coimas que não envolvem os seus lugares de estacionamento)... só os miúdos mais velhos a rirem às gargalhadas com um filme antigo da Joana a dançar com eles para ficar bem disposta...
Rita

segunda-feira, março 20, 2017

Hoje, no dia do equinócio da primavera...



... em que em todo o mundo, tanto o dia como a noite, têm 12 horas, Dia internacional da Felicidade e, apesar de grande parte do dia já ter passado, SORRIA...

Porque vem aí a primavera, os dias bons e as roupas leves.
Ana Cristina

domingo, março 19, 2017

Catorze anos de Fera


Nesta semana que passou, a primeira filha cá de casa completou catorze anos. 

Já lá foi o tempo em que saltava para dentro do frigorífico, ou para a cabine do duche enquanto eu tomava banho, que mamava no lóbulo da minha orelha, que ir a correr buscar os papelinhos mínimos que atirávamos para longe, que deliciava os transeuntes na rua com as suas turras na janela quando eles se metiam com ela do lado de lá do vidro. Agora, embora ainda queira ir ao pátio, já não sobe a muros e a parapeitos. Mas, havendo uma escada de incêndio, ainda há uns meses se atirou de lá em voo para caçar um pardalito que lhe captou o olhar. E depois, de uma forma extremamente hábil que lhe desconhecia por completo, torceu-lhe o pescoço num ápice e comeu-o todo, não ficando nem uma peninha para contar a história - deixando-nos na dúvida sobre a quantidade de vezes que aquilo já poderia ter acontecido.

Com esta idade, as suas aventuras resumem-se essencialmente a saltar para o sofá, de preferência quando eu lá estou, ou ir ter comigo à cama assim que a porta se abre e ficar a dormir quanto possa, enroscada em mim. No entanto, continua a manter a sua extrema paciência com os irmãos-pessoinhas e, com anos de permeio, a suportar os mimos brutos que estes lhe fazem até aprenderem a lidar corretamente com a sua doçura... e continua a ser a minha companheirona, a minha querida Fera... por falar nisso, vou buscá-la, que ela faz-me falta aqui no sofá...
Rita

terça-feira, março 14, 2017

Dar cor aos rabiscos, com lápis

Isto de desenhar e pintar é uma boa desculpa para ir fazer compras e gastar dinheiro. Falta sempre qualquer coisa, ora um bloco de papel, ora o lápis adequado, ora novos materiais a experimentar.
A última compra foi um conjunto de lápis de cor aquareláveis, 12 cores, para juntar aos lápis que cá tinha antigos, também eles do mesmo tipo. Comprei os tipo escolar, da marca Giotto, porque a bolsa não dá para materiais mais caros. Vinham numa embalagem de 48 lápis, 4 de cada cor, o que foi um bocadinho frustrante mas depressa se resolveu com a oferta à Alice e ao Vasco de um conjunto de 12 cores para cada um que, surpreendentemente para mim, foram alegremente aceites. Não faço ideia se têm qualquer intenção de os usar, se estão só a juntar material ou se é simplesmente porque fui eu a oferecer mas achei engraçado ficarem contentes com a possibilidade de levarem um conjuntinho de lápis aquareláveis  para casa.


Pintar com lápis de cor é voltar aos tempos de criança porque é o material que os pequenos usam no início, e que estão sempre prontos a substituir pelas cores mais fortes dos marcadores ou canetas de feltro. Mas é voltar também aos tempos de criança e ao prazer em pintar. E quando se sabe usar os lápis de cor, e eu não sei muito bem, é possível ter tanto prazer como em qualquer outro material de pintura de uma forma mais limpa e fácil de transportar.

Eu tenho feito algumas experiências com cor, umas vezes experimentando os lápis para colorir desenhos, outras aproveitando a sua capacidade de se comportar como aguarelas. Nem sempre tem corrido muito bem mas a culpa é mesmo da falta de experiência com este tipo de materiais. Também será um bocadinho dos materiais por não serem dos melhores. Por isso, importa experimentar também novos papéis mas, por agora, usa-se o caderno de esboços que, não sendo o ideal, também não é mau de todo (papel grosso mas não da gramagem para aguarela, que ensopa a água sem esborratar). Com papel de aguarela e bons lápis o desenho será sempre diferente mas nem sempre melhor e isso será mais um desafio.


Mas claro que qualquer dia vou "necessitar", quase urgentemente, de um conjunto de lápis de muitas cores, que por aqui há poucas EHEHEH

Se alguém conhecer bons lápis aquareláveis aceitam-se sugestões porque a compra será sempre feita depois de muita pesquisa e opiniões de quem já experimentou são sempre muito bem vindas.

Ana Cristina



sexta-feira, março 10, 2017

Desenhar e pintar.

Sempre gostei de desenhar. Além dos pequenos desenhos que iam ocupando as minhas folhas, que foram sempre uma constante, também sempre gostei de desenhar só porque sim. Os rabiscos em folhas escritas talvez sejam o resultado de hábitos que foram explorados logo em pequena, porque, pensando bem, as mais antigas memórias de fazer desenhos em folhas escritas são da primária, e era a professora que incentivava, mas acho que, tal como em muita gente são uma forma de concentração no que se pretende ouvir.
Na adolescência foi quando comecei a desenhar e pintar com um bocadinho mais de método. Experimentei desenho à vista, ou fazer experiências com materiais de cor como os pastéis (que adorei em tempos) e uma vez ou outra ainda fiquei agradada com essas experiências. Mas sempre tive dificuldade em ocupar folhas de papel inteiras, e os desenhos que ia fazendo foram sempre pequenos e ficaram perdidos na folha de papel. Acho que era para não gastar muito material, mas também porque sempre gostei de cadernos por inaugurar, folhas limpas ou pouco maltratadas. [Convém explicar a quem não me conhece o suficiente, que eu escrevo com letra pequenina e pouco marcada e, com estes dados todos podem fazer o meu diagnóstico de obsessiva e perfeccionista, mas enganam-se redondamente, não sou nada disso... ... Bem, talvez um pouquinho obsessiva...  ;) ]. Na verdade, também acho que me sentia em falta se desperdiçasse material com rabiscos e rascunhos de desenhos, é que ele é tão bonito antes de usar...

Foi à uns anos que decidi explorar um bocadinho este meu gosto, e aprender um pouco com quem sabe muito. Inscrevi-me então, porque na altura tinha horário mais previsível (e bolsa mais recheada), na Sociedade Nacional de Belas Artes - Curso de Pintura. Não acabei mas aprendi muito. Tudo pequenas coisas. Sobretudo a não ter tanto receio de experimentar. E a ter segurança que as pinturas, em especial com tintas opacas, podem ser corrigidas. E ainda a certeza que material de pintura e desenho tem de se gastar se quisermos fazer alguma coisa.

Anos passaram desde que andei na SNBA. Algumas coisas se foram pintando; madeiras, telas, tecidos e até paredes. Têm sido pequenos trabalhos, alguns deles (aliás, muitos deles) desenvolvidos em conjunto com a Rita mas, em termos pessoais, tenho desenvolvido pouco este meu passatempo, e nos últimos tempos tenho tido saudades. Saudades das telas e das tintas, mas também do risco e do rabisco que ajuda a desenvolver as ideias e a ganhar mão.

Juntando esta saudade a uns projectos que tenho (ainda só na mente, que esta cabeça não pára em ideias mais ou menos criativas) finalmente decidi combater a inercia e juntar os materiais que por aqui andavam às moscas e, gastá-los... e treinar, treinar, treinar... as ideias e a mão.
E desde o inicio do ano tenho cumprido, sob a forma de "diário" gráfico esta minha resolução. Tem resultado, nem que seja como efeito gestor de stress.
Bem, também tem servido como desculpa para não fazer mais nada (reconheço... um pouco obsessiva ;)))


Ana Cristina

terça-feira, março 07, 2017

Agora outra e não o mesmo

Em tempos o Vasco era um grande apreciador de café. Estava sempre pronto a beber um no final dos almoços de família. Foi o meu companheiro de cafezinho ao pequeno-almoço muitas vezes, nos fins de semana que por cá passava, ou em férias. Agora nem sempre lhe apetece. Agora é a Joana que me faz companhia... E eu adoro estes momentos a duas...

Ana Cristina 


domingo, março 05, 2017

Talento para romantizar

A dar as cuecas à Joana, para ela vestir.
Joana: O que têm estas?
Eu: Nada de especial... Riscas, têm só riscas.
Joana: Como as zebras...?
Rita

sábado, março 04, 2017

Obriguemo-nos a vir para a rua gritar!!!!

(A Alice com um cartaz... o trabalhão que se teve para explicar o trocadilho com o dizer popular e a organização OPART, responsável pela Companhia Nacional de Bailado)

Foi  há pouco mais de uma semana que nos fomos manifestar para a frente do Teatro Camões pela reposição do espetáculo "1HD - Uma História da Dança" (ver aqui e aqui).

Claro que isto, para quem aqui vem de vez em quando, ou espreita neste canto pelo facebook, representa mais do mesmo. Mais do mesmo discurso do espetáculo que 10 miúdos ajudaram a construir e no qual participavam quando foi subitamente cancelado, sem qualquer justificação plausível. Mais do mesmo acerca de 68.000 euros gastos numa coisa que depois é completamente desperdiçada. Mais do mesmo em relação à falta de respeito com que se tratam as pessoas. Blá blá blá.
Todos os dias vemos no telejornal estas coisas, afinal. Mais uma, menos uma. Franzimos o sobrolho, resmungamos para o ar, dizemos que é sempre a mesma coisa, que isto é a república das bananas, que isto está cheio de poleiros... blá blá blá. E depois, viramo-nos para o lado, e continuamos a nossa vida. 

Mas a verdade é que... se não for quando a coisa  nos bate à porta, quando nos pisa os calos, quando se passa na nossa casa, com a nossa miúda de 11, a quem temos de dizer que pode haver quem esteja sempre disposto a roubar-lhe o trabalho, o esforço e o empenhamento... quando nos manifestaremos...? Se não for nessas alturas que aproveitamos para reclamar, para afirmar o nosso desacordo, para nos mostrarmos lutadores... então o que sobra...? Uma mera passividade, um mero dizer que podem fazer connosco o que quiserem... 
Por isso, desta vez, não. Pode parecer uma coisa sem importância, só um espetáculo com miúdos e para miúdos, só algo que aconteceu. Mas, no fundo, é uma tomada de posição. Por isto, mas também pelo resto, por outras coisas semelhantes a que vamos assistindo, pela decisão de não se ser passivo...!

Pela reposição de "1HD - Uma História da Dança", vamos assinar a petição pública a correr, aqui: http://peticaopublica.com/search.aspx?q=1HD


(imagens da manifestação, alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional a tocar e a cantar "Acordai")

Rita

terça-feira, fevereiro 28, 2017

As mascaradas cá de casa

Fico contente que o Carnaval seja nosso, algo que vemos como uma festa pela qual ansiamos antecipadamente e que gozamos entre nós (mãe, filhos e tia, que o pai não foi feito para estas coisas), que nos faça começar a pensar e a falar nas máscaras que vamos escolher a cada ano meses antes da data. E acho piada que se entreguem totalmente às minhas ideias e que por vezes já nem se preocupem em arranjá-las. E que uns tempos antes de começarmos a temporada, fiquem inseguros por não verem a máscara a desenvolver. E que, mesmo antes de saírem de casa, todos vestidos e pintalgados, tenham sorrisos de grande contentamento, satisfação, e digam que se acham bonitos [«Afinal estou muito bonita», disse ela... ao que eu respondi: «Pff, como se houvesse dúvida...» ]...

Este ano, para eles, foi assim:

D. Panqueca foi de Bambi, que sempre é mais romântico de dizer do que "cervo". 
Máscara muito simples: camisola e leggigns castanhas, com acrescentos de barriga, bolinhas nas costas e rabinho. Maquilhagem a preceito. E, como pormenor, o desafio mais interessante da fantasia: as hastes. Muito mais simples do que parece... papel de alumínio (muito leve e moldável) a fazer o formato pretendido, revestido com fita adesiva de proteção de pintura, pinta-se e acrescenta-se umas orelhinhas de feltro. Segui dicas de vários blogs e o efeito resultante foi espetacular. 



O Sr. Crepe foi de mergulhador.
Máscara também muito simples, que só vale pelos pormenores: camisola e leggings pretas, passa-montanhas também preto (Decathlon), óculos de mergulho. Sem maquilhagem, bom para aqueles miúdos que não gostam de pinturas (não é o caso de nenhum dos meus). Cinto de pesos feito com elástico e musgumi. Barbatanas ilusórias com elástico e musgumi primeiro, antes de se romper todo, e com feltro depois (muito melhor solução, aconselho). O desafio maior foram as botijas: duas garrafas de leite interligadas com fita adesiva, pintadas com tinta de spray cinzenta metalizada; um tubo de canalização com entrada e saída diferentes (comprado numa loja de chinês), a entrar e a sair pelas garrafas (que são de um material muito fácil de trabalhar), e cujas pontas foram aproveitadas, uma para colar uma tampa de frasco com uma impressão de medidor de oxigénio, outra para colar uma tetina descartável de biberon (que não resultou, descolou e ficou sem nada); tudo colado numa placa de cartão com duas tiras de tecido (que vinham a prender uma manta comprada no Natal) com velcro.



Miss Gofre tinha fatos de compra, cá por casa, da época em que eu não metia mãos à obra. 
De forma que foi apalhaçar num dos dias. E em todos os outros preferiu ser um Capuchinho Vermelho, mas daqueles que atravessa a floresta de Ferrari vermelho e que acaba por caçar um lobo...


Rita

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Carnavalices palhaças

E de forma que é assim... havíamos de apalhaçar mais vezes, todos nós... 



Vá, apalhacemo-nos!



Oficinas Ranha

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Um dia todo PLAY

Voltámos ao Play Fest no passado sábado. Logo pela manhã, para usufruir de uma experiência quase completa.

Os miúdos saíram de pijama de casa, como fazia parte da proposta lançada pelo festival, e adoraram, não só porque, tal como toda a gente sabe, é capaz de não haver roupagem mais confortável, mas também porque foi uma indumentária assumidíssima e não uma coisa meio às escondidas como quando se vai pôr lá fora o lixo e se faz um sorriso envergonhado ao vizinho encontrado nas escadas. Não, isto foi mais do estilo «é verdade, estou de pijama no meio da rua, em plena Lisboa, e é de propósito e olha tão giro que ele é!». Mesmo do alto dos seus 11 anos não muito altos, a Alice quando reparou que não haveria muitos mais miúdos como eles, ainda esboçou um comentário de estranheza, mas logo a seguir pareceu convencer-se que os outros é que saíam a perder e não ficou minimamente incomodada.

A experiência passou a seguir pelas panquecas, pequeninas, redondinhas e saborosas, sempre com cobertura de chocolate, comidas de várias formas e feitios, inclusivamente com a ajuda do cabelo, bochechas, mãos, casaco e mais a mãe deixasse se não se apercebesse. A única não apreciadora da coisa foi a Joana, mas já sabemos que é coisa para variar e no próximo ano ser a sua maior fã...

Dividimo-nos depois, pai e filhos crescidos para a sessão dos 6-9 anos, mãe e filha pequena (com birra descomunal provocada pela separação forçada dos dois irmãos, a levar todos os outros pais na sala a crer que talvez não tivessem feito bem na escolha dos lugares, até ao início do filme) para a sessão dos 3-6.


À tarde a coisa foi diferente. Mãe e filha crescida rumaram ao cine-concerto de Buster Keaton acompanhado musicalmente por Noiserv - David Santos, o que se revelou uma experiência única, por todo o tipo de motivos: a idade do filme (e a sua tremenda qualidade cinematográfica), o seu humor, a sua diferença, a música ao vivo ali, para nós... O S. Jorge, em toda a sua magnificiência (uma sala de cinema com 827 lugares é coisa rara e ainda me lembro de lá ir com a minha irmã, nas fases em que os filmes eram uma descoberta semanal), a receber tão bem este PLAY, que belos momentos lá passámos... 

No fim, um grande passeio a pé até à nossa colina, pelo caminho longo e turístico, hora e meia de conversa partilhada, entre paragem para fotos, para ver os artistas de rua, as lojas de artesanato, os edifícios que nos rodeiam nesta tão bela cidade em que vivemos.


Decisão de futuro, para as duas convencermos a restante família: mais passeios a pé por Lisboa precisam-se!
Rita

Nota: para quem não saiba, como era o meu caso, o S. Jorge tem atualmente lá dentro um café onde se está maravilhosamente, aberto todos os dias, com exceção dos domingos sem atividade cultural. 

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Dias de trabalho mais radicais, mas com um toque de romantismo...

Dias anormais de trabalho, aqueles em que se faz "parkour", se sobe a muros, se faz equilibrismo, se trepa, se ultrapassa, se salta, se sobe, se desce, se transborda, se iça, se procura.
E, repentinamente, se vê... no meio de tudo isto... uns pormenores azuis por entre o aqui e o ali, uns degraus com frisos de azulejos floreados, um banco onde há muito alguém se terá sentado, quem sabe namorado, confidenciado, conspirado, lido, rido ou chorado... cantos completamente indiferentes a nós e nós a eles, por onde o tempo passa e quase arruína... 


E, à despedida, o sol e o mar, num inverno bem disposto...


Rita

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

"1HD - Uma História da Dança", o cancelamento - CAPÍTULO 2

E eis que, há praticamente uma semana, na terça-feira, tudo acabou. Ou que se iniciou outro capítulo desta história, o da desilusão.

Para nós, pais, do lado de cá, a coisa deu-se com uma mensagem escrita da Diretora de Turma, que tinha sempre acompanhado o projeto de perto com os miúdos. Estes tinham sido deixados à hora costumeira do ensaio, mas num local diferente do usual. A mensagem foi recebida por mim no final do tempo destinado ao ensaio e não a tomei como uma forma distante de receber a notícia, antes pela única forma da professora da minha filha não desatar a chorar ao telefone dez vezes, de todas as que teria de dar a triste informação aos pais. 
Fiquei obviamente surpreendida com a decisão, que na altura envolvia somente o cancelamento do "1HD" e o sentimento de desolação de todos os envolvidos. Ao aceder ao site da Companhia Nacional de Bailado, percebi - perceber é uma forma de dizer que realizei, não que verdadeiramente compreendi o que estava na base da decisão - que o motivo do cancelamento de oito sessões de espetáculo ainda por vir tinham sido "os problemas técnicos".

Fui esperar pela Alice no final do dia de aulas, sem esperar pelo treino normal da ginástica. Achei que se impunha um passeio, uma conversa, essencialmente o apoio que ela precisaria para ultrapassar a desilusão. Esteve sempre calma, mas triste, contando como todos tinham chorado com a notícia e recebido com consternação e choque também a do despedimento do Bruno. Falou como ele tinha conversado com eles, tentando que percebessem essencialmente que nada do que tinham feito, enquanto atores e colaboradores no projeto, era o motivo para o fim do espetáculo. E como era necessário manter a cabeça erguida. 

Passamos o tempo todo a dizer aos filhos para trabalharem, estudarem, esforçarem-se, aplicarem-se, envolverem-se... que os resultados refletirão tudo isso e serão bons e tudo valerá a pena... Que os compromissos são para se manter, que isso faz de nós pessoas sérias e honestas e ser uma pessoa de palavra é riqueza superior às que se palpam... E depois claro que sabemos que nem sempre as coisas são assim, mas esperamos que vão aprendendo essa mensagem lentamente...

Claro que os lembramos, como eles também sabem, que apesar de tudo, foi bom. Foi bom os meses de trabalho, a descoberta, os conhecimentos que fizeram, os sítios que visitaram, os bastidores, o teatro, as palmas, a experiência. 
E, todos sabemos, os miúdos tendem a possuir uma resiliência e positivismo invejáveis... Mas é difícil, hoje, dias depois de saber que não tornará a fazer o "1HD", ainda a ouvir por vezes tristemente a desabafar... e, o mais engraçado, na inteligência de quem tem 11 anos, a valorizar o que é importante... «Será que vou tornar a ver o Rúben?», «Gostei tanto de algumas pessoas que conheci, não as vou ver mais...», «Mas sabes, mãe, eu gostei do teatro e dos bastidores e dessas coisas... mas do que eu vou sentir falta, mesmo falta, é do espetáculo... do espetáculo mesmo... de fazer, de dizer... eu gostava mesmo do 1HD, sabes, achei que estava tão bonito...»

Eu também. Estava mesmo bonito. 



Rita

sábado, fevereiro 18, 2017

"1HD - Uma História da Dança", um sonho - CAPÍTULO 1

Este post está em rascunho há umas semanas porque eu não conseguia ter palavras de jeito para exprimir o orgulho que me ia cá por dentro. Agora, valores mais altos se levantam e urge a necessidade de arranjar palavras que transmitam a minha indignação.


Como começou, do lado de cá...

A escola dos miúdos tem o feliz hábito de se lançar e de lançar os miúdos para projetos únicos. Foi o caso do "1HD". O professor de Expressão Dramática da escola, Bruno Cochat, reuniu os pais e propôs a participação de dez miúdos num espetáculo infanto-juvenil que teria sido convidado a criar, uma homenagem à dança e aos 40 anos da Companhia Nacional de Bailado, a ser exibido no Teatro Camões, uma quarta e sexta feira por mês, de Janeiro a Junho de 2017.
Lançámos mãos à obra. Os miúdos essencialmente, mas também nós, pais, entusiasmados pelo entusiasmo deles. Horas semanais de trabalho. Um guião que eles próprios, miúdos, ajudaram a criar, à medida que tinham sessões de filosofia para crianças - tudo com o objetivo que o texto fosse algo com que a população estudantil se identificasse, afinal, as sessões das quartas-feiras eram para escolas. 
A Alice foi sempre adorando a experiência. Trouxe aprendizagens para casa, sobre a quantidade de vezes que Anna Pavlova tinha dançado "O Lago dos Cisnes", sobre Martha Graham, sobre Pina Baush... mas também sobre gíria teatral e lengalengas... para não falar das coisas que se aprende quando se tem de trabalhar em equipa, quando não se é escolhido para o primeiro elenco, quando há seriedade numa tarefa... 
Quanto ao Bruno, foi um professor muito dedicado, cauteloso e atento, muito respeitador dos seus alunos e com a sensibilidade necessária para lhes ir explicando todas as decisões e trajetos. Presumo que também fosse muito competente, na medida em que tinha sido convidado para coordenar os Estúdios da Vítor Cordon - Centro Educativo da Companhia Nacional de Bailado (CNB) e para criar o dito espetáculo.
O "1HD - Uma História da Dança" estreou no final de Janeiro e teve quatro representações, tendo a Alice atuado somente na última. Eu achei que o espetáculo estava magnífico, independentemente da minha moça estar em palco. Cinco crianças e um adulto (o ator Ruben Saints) a viajarem no tempo e no espaço pela história da dança, a contracenarem com bailarinos profissionais, a aprenderem sobre figuras memoráveis da dança, como é uma aula de bailado, como se dançava na época barroca... Os cenários eram grandiosos e interligavam-se com a viagem feita pelas crianças, os figurinos eram delicados e combinavam com todo o enredo. 
Tenho que dizer que fiquei surpreendida e um tanto ou quanto maravilhada com a prestação de D. Panqueca. Toda ela brilhava, em cena, natural e graciosa, com boa entoação, sem problemas onde colocar as mãos. Nunca eu teria pensado semelhante coisa, ela que nunca gosta de dar nas vistas e que foge de qualquer lugar de destaque em qualquer exibição formal ou informal (com exceção de um ambiente familiar próximo). Achei engraçadíssimo que parecesse sentir-se tão bem naquele lugar. Quando lhe perguntei o que tinha achado, foi eloquente: «Oh, é maravilhoso...!»...
E para mim, maravilhoso foi pensar em revê-la nas atuações seguintes, levar família e amigos, incluindo o pai (que não chegou a ir, para ficar com a mocinha mais nova) e a avó (uma vez que o Teatro oferece boas condições para cadeiras de rodas). 

Para a posteridade ficou a sua entrada pela entrada de artistas no Teatro Camões... 

                            

...a cortina de ferro do início do espetáculo (e usada nele)...



...o cartaz publicitário (igual aos espalhados por Lisboa)... 


... e o bilhete da minha sessão, onde só falta o autógrafo da moçoila...


Rita

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Um ano de Cobi

Parece muito mais tempo, quando penso no tempo que temos convivido com o Cobi, mas na verdade só passou um ano.
Quando ele cá chegou a casa tínhamos uma gata grande mas ainda bebé, tal era a forma como se comportava. Em pouco tempo as coisas mudaram. A Misha passou a ser uma gata ainda maior mas mais bem comportada, uma  autêntica irmã mais velha, parceira nas asneiras mas mais selectiva nos seus interesses.

Por outro lado, o Cobi, que vinha de uma casa com vários irmãos adotivos a portar-se como um menino brincalhão com os manos e com tudo o que o rodeava, continua assim.  Dá ideia que vai ser um eterno mimado-curioso-brincalhão.


Neste tempo já conseguiu roubar vários "brinquedos" dos locais onde estavam guardados, entrar na casa da vizinha de 3 formas diferentes, estraçalhar um pacote de rolos de papel higiénico, e com a ajuda da mana fazer muitas e variadas destruições.
Tem sempre um comportamento cauteloso com os humanos que chegam a casa, independentemente das suas idades, mas uma curiosidade e simpatia naturais que o fazem vir espreitar e dar festinhas nas mesmas pessoas de quem fugiu uns minutos antes.Também é conhecido por ser o primeiro a chegar à cozinha quando um dos humanos quer ir comer qualquer coisa, não ser esquisito e estar sempre pronto pra provar tudo o que os outros comem, tanto que está mais gordinho. Brinca com tudo mas não traz de volta as bolas que mandamos para longe. É tão mimoco que dá imensas lambidelas nas nossas mãos e dedos, pede festinhas, ronrrona de uma maneira que parece que está com catarro, e faz o mesmo quando anda na correira. Quando chegamos está à nossa espera, a pedir festas. Para ele as mãos não servem para lutar, só para alimentar e fazer festas.
É assim o nosso Cobi, o pestinha... (eu acho que ele tem um focinho de requila, com a sua manchinha do nariz)
Ana Cristina

domingo, fevereiro 12, 2017

Domingos

Há dias de fim-de-semana em que nada se faz... 
E domingos em que, por entre os afazeres da vidinha, a falta de carro durante umas horas e a saída para almoçar com os pais, se planeja uma primeira ida ao cinema com a mais nova e pouco mais.
E depois há os domingos que nos saem fora dos planos, com coisas pequenas e boas, muito além do planeado... Manhãs em que se tira momentos para brincar com playmobis, em que salta na cama dos pais com a mana, em que se veem clássicos na televisão, em que se pintam aguarelas e se toma banho com a Guarda do Leão completa e mais uns quantos animais amigos...


E em que se escolhe um fim de tarde para experimentar ir ao cinema no Play Fest, e se encontram amigos da sala da creche com quem se brinca animadamente no Cinema S. Jorge...


Em que se tem sorte de não chover e se vai pela rua fora a espreitar em lojas atrativas à vista, ao coração e ao paladar...


Em que se corre desenfreadamente pela calçada lisboeta, se espera ansiosamente pelo transporte público com muita esperança de se vir a conseguir entrar, e em que se vai para casa no elétrico dos turistas...


Domingos bons, os que soam a muito com pouco.

Rita

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Parabéns para nós...

Sim, porque faz hoje 11 anos que este blog foi criado. E 11 anos é uma boa data para celebrar este nosso cantinho na blogosfera. De lá para cá podem ler-se muitos posts (não tantos como gostaríamos, é certo) de várias fases das nossas vivências pessoais e criativas. 
No início quisemos mostrar quem somos e o porquê de nos denominarmos Oficinas RANHA e mostramos às nossas visitas o que mais gostávamos de fazer com trapos, tintas e pincéis, linhas e agulhas. Desta faceta mais ou menos criativa podemos destacar as fases das camisolas pintadas, das peças pintadas ou recicladas, das carteirinhas pintadas ou da linha de bijuteria, mas também não podemos esquecer as telas ou as paredes pintadas, ou mais recentemente os muitos Xulés que fizemos e que andam actualmente por esse mundo fora. Ainda criámos um outro blog para podermos mostrar apenas as nossas peças para venda, mas rapidamente desistimos dele apesar de ainda poder ser visitado.
Mas fomos também falando de nós e das nossas vidas de mulheres de família, trabalhadoras e medianamente criativas. Por vezes usámos este blog para reivindicar também os nossos direitos trabalhistas, as fases de estudo, algumas criticas literárias, de cinema e de outras artes e muitas dúvidas existenciais. A família foi crescendo, sobretudo do lado da Rita, e se ao princípio a Alice tinha poucos meses agora é uma menina pré-adolescente, irmã mais velha do Vasco (o rapaz sanduíche) e da Joana (a filha caçula). 
Temos passado por altos e baixos. E todas estas fases são para ser lembradas, embora eu gostasse de encontrar menos post's onde nos lamentamos do pouco que temos escrito para o blog, Temos agora mais visitas mas muito menos comentários mas parece ser generalizado e resultado de outras redes sociais.
Recentemente tornámos a decidir que ainda vale a pena. Por isso hoje festejamos os 11 anos do arRanha no Trapo desejando que este se mantenha activo por muitos mais anos, enquanto valer a pena. 

Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...

Ana Cristina

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Reciclar e recriar

Quando vivíamos no apartamento mais pequeno eram mais visíveis os cantinhos da nossa casa feitos com base em peças recicladas, a maior parte do tempo em que eu vivia sozinha.
Com a mudança, e a consequente compra de peças cá para casa, as "originais" foram também elas desaparecendo ou sendo readaptadas. Foi o caso da mesinha que o padresito fez lá para casa com o tampo da escrivaninha, e que tive a oportunidade de mostrar neste post. Actualmente é uma plataforma de transporte de materiais de construção e tem dado muito jeito a poupar as costas quando alguma coisa mais pesada precisa de subir ou descer os quatro andares. Não tenho a foto dela mas já não está bonita como antigamente.

Muito diferente também está a estante.
Muitas meninas, aqui no blog ou por outras vias, já me pediram por várias vezes para mostrar a minha estante de tijolos. É hoje, e aqui está ela.
Foi difícil encontrar fotografias das estantes no outro apartamento, mas pode ser vista como fundo nesta fotografia minha já com muitos anos.


A estante de tijolos é muito simples. Feita com tábuas de madeira maciça e tijolos, posso garantir-vos que se tiver peso é muito estável, independentemente do seu comprimento mas tal como todas as outras pode abaular se for demasiado comprida. As minhas estantes foram pensadas para a sala anterior, por isso tinham cerca de metro e meio de comprido e como na altura da mudança eram várias (e foram crescendo em altura ao longo dos anos) deram para montar na nova casa uma parede no escritório que se encontra, como podem ver, completamente desarrumada. As tábuas que sobraram, em conjugação com outras de dois metros de comprimento, da estante de tijolos que a Rita tinha em casa dela à semelhança da minha, são actualmente a estante do quarto das visitas, o meu cantinho de materiais para obras futuras. Tem seis tijolos de altura.
Eu continuo a gostar das minhas estantes de tijolos. Acho-as elegantes e bonitas.
Espero que também gostem.

Quem quiser fazer uma estante de tijolos não se esqueça de várias dicas:
  • Os tijolos devem ser envernizado com verniz de cantaria, ou pintados com tinta de óleo (também deve ficar giro) para não partirem facilmente.
  • As tábuas devem ser de madeira boa para que não empenem facilmente. As minhas foram tratadas com bondex cor carvalho.
  • As minhas tábuas têm a profundidade de 30 centímetros.
  • Os tijolos podem ser de 7 centímetros ou de 11. Na minha opinião é uma questão estética, por exemplo, se quisermos pôr 3 pontos de apoio o do meio não deve ficar muito grosso.
  • Eu protegi os tijolos com protector para não arranhar as tábuas nem o chão.
  • A altura entre tábuas é a dos tijolos, e infelizmente não dá para dossiês.
Se quiserem alguma dica, estão à vontade, mandem um mail.

Ana Cristina 

domingo, janeiro 29, 2017

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Mocinho de saudades tardias

Subo até à cama dele para as despedidas da noite e encontro-o com ar de choro. 
Surpreendo-me e não aceito as suas negativas em relação ao que o pôs assim, ensino-lhe que as tristezas partilhadas são tristezas divididas. Desata a chorar, naquele choro silencioso de quem sofre sozinho. De repente, diz:
- O David foi-se embora da escola...
Estaco. Pergunto:
- Que David?
E a resposta:
- O David da pré...
Não consigo impedir-me de sorrir, é mais forte do que eu. Tento disfarçar e justificar:
- Mas já foi há tanto tempo... [um ano e meio?!] Estás com saudades dele...? Queres ligar para ele amanhã? Está combinado...! 
Ficou contente. David, palpita-me que haverá um convite para fim-de-semana em breve!

Enternece-me, o meu rapazinho de saudades tardias... Faz-me lembrar quando seguíamos uma vez de carro a conversar sobre pessoas da família, e recordou-se o primo Fernando e teve de haver explicações sobre a forma como tinha morrido. E, já depois de chegarmos ao nosso destino, dali a largos minutos, damos com ele a chorar baba e ranho porque «o Biso tinha morrido» [também há mais de um ano à data]... Nada a fazer, acontece a todos... momentos em que as saudades apertam, de quem já se foi, de quem está longe ou de quem já não volta ao que era... impossível não entender... 

Rita

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Quando se vai a casa dos tios passar o fim-de-semana

  • Brinca-se em parques diferentes, com foguetões, túneis compridos e repuxos de água, lagos e gaivotas para exercitar as pernas (claro que se tem de esperar por dias mais quentes para tornar a pedalar nas gaivotas).
  • Vêem-se pelo menos dois filmes, um no sábado outro no domingo, dos que estão gravados na box.
  • Brinca-se às cócegas porque a tia é um monstro dotado de dedos cocegentos.
  • Dorme-se numa cama enorme, maior que a cama dos pais ou dos tios.
  • Fazem-se desenhos na parede, e a ideia até é da tia (aliás, a tia até faz uns gatinhos muito vem feitos)
  • Fazem-se projetos de construção de casas de cartão para gatos, mas não se tem tempo para concluir porque há muita coisa pra fazer em poucas horas.
  • E toma-se banho de espuma até ficar com os dedos a parecer uvas passas.

Pelo meio ainda se coloca a hipótese de repetir o ritual todas as semanas mas, depois reconhece-se que assim não se iria poder frequentar todas as atividades de fim-de-semana que vão surgindo, como os jogos de futebol e as festas de aniversários dos amigos.
E no fim afirma-se perentoriamente que as vezes todas que se disse que queria ir prá mamã e pró papá era a brincar.

A tia fica cansada mas feliz. Os sobrinhos acho que também... E quando, dois dias depois, a sobrinha pirralha assim que vê a tia lhe pergunta se vai pra casa dormir, e lamenta a resposta negativa, a tia tem a certeza absoluta que foi bom.
Ana Cristina

sábado, janeiro 21, 2017

Boa forma de começar um sábado

Já não me lembro como se fazem crepes ou panquecas, mas não seria difícil de ver qualquer receita na net. Para o caso, pouco interessa... Boa foi mesmo esta ideia - devida às minhas gulodices súbitas - de começar o dia de sábado, com crepes... Havia congelados, do Pingo Doce, mas uma verdadeira fome gulosa tê-los-ia desenrascado, fosse de que maneira fosse.
Pôs-se salgados e doces na mesa, mel, açúcar, canela... mas o grande vencedor foi mesmo o chocolate que à pressão se foi a correr  pedir emprestado a uma vizinha amiga. Até o Vasco, que dizia não gostar de crepes, decidiu fazer nova experimentação... e aprovou!
Daqui a uns tempos impõe-se uma realização de crepes caseiros... e claro, de panquecas, para podermos estudar bem as diferenças... :-P


Rita

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Coisas muito giras e boas que se encontram por aí

Encontrei no facebook, há umas horas, uma coisa maravilhosa.
Parece que em 2013, o Sr. Bruce Springsteen deu um concerto em Leipzig. E em determinado momento, aceitou de um fã o pedido de uma música, escrito numa espécie de cartaz. Seria o "You never can tell", da banda sonora do Pulp Fiction. Completamente fora da lista de músicas do concerto. Bruce sorri, conta por alto a quantidade enorme de anos que medeia terem tocado a música pela última vez. Depois, com muita calma e simpatia, começa a trautear a guitarra, a procurar o tom em que conseguirá cantá-la. Com ele, todos os outros músicos em palco. Há quem surgia tons, cantarole. Bruce vai rindo e experimentando a voz para o tom trauteado. Muda de guitarra, pensa ter conseguido. E, a seguir, um espetáculo improvisado, só com base na solicitação de um fã, um momento de grande gozo, ensinamentos. Dezenas de músicos, dezenas de instrumentos, tudo afinado, mesmo com improvisação e chamados a fazer solos. 
São assim os grandes profissionais, sem problemas em encarar um desafio, em sair do previsto, com a confiança de conseguir fazê-lo... e magnificamente... Afinal, um Boss é um boss.



O Bruce Springsteen fez o primeiro concerto que eu vi em estádio. 
Lembrete: neste próximo fim-de-semana tenho de o dar a conhecer aos miúdos. Já nos estou a ver em grande baile cá por casa.
Rita

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Tesourinhos


Em arrumações encontram-se sempre uns tesourinhos. Ora umas roupas que guardamos para, quem sabe, um dia tornar a vestir, ora uns bibelots que ficaram guardados desde a mudança de casa para que um dia se decida o local onde vão ficar, ora uns pedaços de tecido para quando se coser à máquina. 
Desta vez, alem disso tudo, como não podia deixar de ser, encontrei também um saco de livrinhos feitos em tempos para a montra da Ana. Não se devem lembrar mas podem vê-la neste post, Este saco tinha 14 livrinhos, os maiores com 5 cm de altura, quase todos de obras literárias, com uma lombada personalizada e escrita em letra muito pequenina (tive de ir buscar uma lupa para ler alguns), e que constam da minha estante, como "A Tenda dos Milagres" de Jorge Amado, ou "Eva Luna" de Isabel Allende, entre outros.
Fiquei com vontade de fazer uma montra pra mim mesma e outra para a Rita, afinal as autoras da primeira, e que nunca fazem nada para elas próprias. Quem sabe se não é um desafio a cumprir em breve.
Ana Cristina

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Tenho uma vizinha que adivinha, ou talvez não

Há uns dias, vinha eu com um saco de compras a entrar no prédio e cruzei-me com a minha vizinha adivinha. Comentário dela; "Está de folga de certeza, a esta hora a chegar das compras...". Por acaso não tinha razão. Para mim eram horas de dormir porque o dia ia mais do que longo, já com mais de 24 horas.
Hoje a cena foi outra. De folga, numa corridinha à padaria, antes que fechasse para a hora de almoço, encontro outra vez a mesma vizinha. "-Ai, estou mesmo a ver que trabalhou de noite. Está mesmo com cara de cansada...". Comentário meu, só pra ser simpática; "Nota-se muito?"...
Vim pra casa a pensar na minha mãe e na constatação dela de que eu fico sempre com pior aspecto depois de dormir, do que antes de ir descansar na saída de noite. Conto isto sempre às minhas colegas mas há quem não acredite. Hoje foi a prova mais do que provada.
Ana Cristina

domingo, janeiro 15, 2017

As leituras deles

Ler é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, sem dúvida.
Tenho em mim a recordação de desejar incessantemente conseguir ler o que estava ao meu redor, e de contar, lendo as imagens, as histórias do Astérix à D. Maria do Céu, a vizinha do lado dos meus pais que, infelizmente, não sabia ler - um dos projetos que dizem que eu cheguei a ter quando miúda. 
Para mim, como para tantas outras pessoas, seria uma tristeza ter filhos que não gostassem de ler... Os dois leem com facilidade desde os meses de Fevereiro do seu primeiro ano, sem juntar sílabas e hesitar nos casos de leitura (tanto quanto tenho observado, algo normal para quem aprende de acordo com o Modelo da Escola Moderna). Mesmo assim, lembro-me que, por altura das férias da passagem do 1º para o 2º ano, sentia-me frustrada por tentar que se interessassem por determinadas leituras e ver que, embora conseguissem ler com alguma facilidade, estas não os fascinavam... aconteceu com a Alice e depois com o Vasco. Claro que, à segunda vez, as minhas expectativas já eram diferentes e passavam pela compreensão também da maturidade deles...
Acho que, tal como outras pessoas cuja leitura desempenhe uma parte essencial nas suas vidas, sempre tive algum receio que os meus filhos acabassem por não apreciar ler, daí as minhas expectativas iniciais. Ao fim e ao cabo, tal como já contei anteriormente, eu passei para uma leitura fluente em muito pouco tempo, ficando com as portas abertas a histórias um pouco mais complexas...

De qualquer forma, ao seu ritmo, a Alice foi gostando cada vez mais de ler e tem sempre um ou dois livros (habitualmente na cama e na casa-de-banho). Ouço amigas falarem dos hábitos de leitura dos seus filhos e sei que até tenho sorte. Contudo, foi neste Natal que comecei a sentir-me bastante orgulhosa. A moçoila recebeu quatro livros e depois de dar uma volta rápida por cada um deles, escolheu a ordem e... atirou-se... em pouco tempo tinha-os devorado e, na decorrer da dinâmica, voltou-se para a coleção "Uma Aventura" - a qual não lhe tinha exercido grande fascínio até hoje, tendo lido três ou quatro - e começou a escolhê-los, "de enfiada"... De maneira que, e porque a fotografia já está desatualizada, desde o dia de Natal que já leu nove livros, encontrando-se agora a meio do décimo...


Com o Vasco, o salto foi ainda mais surpreendente... Na semana entre o Natal e o Ano Novo, encontrámo-nos com uma prima que se encontrava cá de férias e que lhe ofereceu este livro:


Ele interessou-se, de forma quase imperceptível, e demos por nós a ter que lhe arranjar um candeeiro melhor, para poder ler à noite. O livro é grande e, embora com bastantes imagens, a maior parte das páginas é composta por texto. Ele tem lido todos os dias uma parte e hoje escolheu enfiar-se na cama a ler, da parte da tarde, porque não lhe apetecia fazer mais nada... Todo contente, mostra como já passou de metade e como vai na páginas número 126... 

Tenho razão para andar orgulhosa ou não...?
Rita

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Passaram doze dias do novo ano...

... e é mais que tempo de assentar ideias e definir alguns objectivos. E os meus desejos relacionam-se com a expressão " fazer mais"; fazer mais, ser mais eficaz, não ceder tantas vezes à inercia e à preguicite. Em relação a este blog, e à parte que me toca das Oficinas RANHA, pretendo que o ano de 2017 seja bem diferente do que passou, de preferência bem mais criativo, metódico e dinâmico. Que o tempo disponível, as dificuldades e eu própria colaborem para tornar a activar este espaço que tanto gostamos. Esta é a resposta ao desafio da Rita, e fica aqui registada.

Adiante- Passaram doze dias do novo ano e é tempo de arrumar os poucos enfeites de Natal que cá em casa se espalharam. Este ano, com os dois filhos-gatos-pestinhas, mas também porque estivemos a fazer umas renovações (que ainda não estão concluídas, diga-se, mas a parte mais suja já passou) não se montou a árvore de Natal nem se espalharam os enfeites habituais. Comprei umas figuras daquelas que aderem aos vidros para que a época não passasse sem ser lembrada e, até essas resistiram com dificuldade aos felinos cá de casa. 
Quem os observa assim, fofinhos, só vê a parte dos gatinhos de postal, os pestinhas posso mostrar-vos noutros posts... e já tenho tema para vários. ;)



Ana Cristina

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Noites de cinema

Andávamos a falar em fazer noites de cinema, com filmes sugeridos por todos, mas essencialmente - e não de uma forma  premeditada - por nós, pais, por falarmos muitas vezes em alguns que faziam parte das nossas vidas, ou por serem muitos bons, ou por terem determinados efeitos ou uma história  interessante. Fugindo aos tradicionais filmes infantis, de animação, dobrados.
Claro que há que programar bem. Ela tem 11 e já temos visto filmes de adultos uma com a outra. Mas ele tem só 07 e está a iniciar a leitura de forma mais fluida...
Calhou de, no final de Novembro, me aperceber que num dos canais estaria a começar o "E.T.", um dos muitos comentados. Deu para gravar e no dia 01 de Dezembro, iniciámos... as noites... ou tardes...
Ontem vimos o "Titani", já a acabar o limite de tempo para o fazer. 

É muito bom ver filmes com eles os dois. Muito. Claro que vemos filmes juntos há muito tempo. Mas a partilha é diferente quando se sai da área da animação, há todo um mundo de descoberta que acaba por ser mútua... Por vezes não consigo um envolvimento completo com o filme porque ainda tenho que ler algumas das legendas ao Vasco (começa agora a conseguir algumas das mais pequenas) ou parar a visualização para explicar alguma coisa mais técnica. Contudo, há toda uma série de novidades que passam por vê-los absortos e ligados à trama, por assistir ao envolvimento deles... 
Falam nos filmes depois durante dias... Com o "E.T." houve imensas referências ao boneco em si, bem como a todas as piadas e a diversas cenas do filme... Com o "Titanic" houve primeiramente o medo declarado de vir a ter pesadelos... e em seguida, imensos comentários entre eles, descrições, cálculos relativos às mortes de algumas personagens... adormeceram a falar no filme, acordaram a falar no filme e nomeadamente a Alice veio da escola a falar do filme... falou com colegas sobre o filme, pesquisou sobre o filme e os atores... surpreendeu-se porque o Dicaprio tem mais um ano que eu... e hoje declarou que era dos atores mais bonitos que já tinha visto... Depois, rimo-nos as duas às gargalhadas quando eu lembrei que, na altura do filme, também eu era dezanove anos mais nova... e que o Dicaprio, o Johnny Depp e o Brad Pitt  - que ela dizia que eram tão bonitos - tinham todos idade para ser pais dela... e que também tinham mau hálito pela manhã ou deixavam a casa-de-banho a cheirar mal...


Rita

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Decisões para um novo ano

Por vezes, eu e a Cristina falamos em revitalizar este blog. O ano passado foi uma miséria. 
Nunca penso em desistir, em fechá-lo. Acho sempre que é uma fase mais difícil, em que os posts se acumulam em rascunhos porque são começados e nunca há tempo ou cabeça ou energia para os acabar. Penso muito no que vou escrever, construo os textos mentalmente... e depois ficam guardados só em mim. E não o quero, porque de cada vez que acedo ao blog para ler os antigamentes, principalmente aqueles que já não me lembro de ter vivido ou pensado ou sentido, sei que fiz bem, que aquilo são pedaços de mim, de nós, que ficarão ali para sempre... coisas que os miúdos poderão gostar de vir a ler (já gostam) e que lhes permitirão saber mais deles... e de nós... 
Neste ano de 2017 que agora começa, tomo a decisão - por enquanto unilateral, mas espero que a minha irmã me acompanhe - de voltar a circular mais por aqui. Sobre os filhos, os pais, o trabalho, as máscaras de Carnaval, as férias, o Natal, a política, os amigos, a nossa rua. Sobre tudo, sobre nada e, principalmente, os nadas que fazem o nosso tudo. 
E, mesmo assim, só consegui fazê-lo hoje, dia 5. 
Rita