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segunda-feira, janeiro 07, 2019

De Miss Goffre

«Mãe, tens de me mostrar o livro onde o macaco aparece a andar e se transforma num homem.»

E pronto, é isto, a evolução do homem traduzida nuns segundos de dúvida maternal...
Rita

segunda-feira, novembro 26, 2018

Avó e neta

Estava a vestir um casaco de malha às riscas e a congratular-me por ainda lhe servir, quando a ouço:
- Não gosto deste casaco.
Fiquei surpreendida e fiz o que faço sempre, converso sobre o assunto, tentando convencê-la:
- Não gostas? A sério?! É tão lindo, tão colorido... Era do mano, sabes, foi a avó que lhe ofereceu quando ele era pequeno.
Instantaneamente, ela torna a vestir o que do casaco já começara a despir:
- Ah, então gosto. 
Foi uma mudança tão rápida numa pessoinha tão tendencialmente assertiva (e oposicionista...!) nestas coisas, que eu até estranhei. Até que a ouço:
- Sabes porquê...? Porque eu gosto muito da avó, ela é muito querida...

Diga-se, para quem precisa, que quando ela nasceu, há quase cinco anos, já a avó estava doente. Enquanto bebé, sempre lhe pegou ao colo sentada, para que não se arriscasse mais uma queda inexplicável e de surpresa, naquela altura a serem cada vez mais habituais... Não me recordo de terem conversado muito as duas, porque a avó falava cada vez menos e mais baixo e as crianças pequenas não são conhecidas pela paciência... e é impossível que, com a idade que tem, ela se vá recordar de muito mais do que aquela avó, no Lar, que quase não se mexe, sem expressão, a quem ela dá um beijinho, faz umas festas na cara ou segura na mão. Ou aproveita o quarto e a cama para brincar e jogar, segundo as minhas tentativas de que a avó lhe vá apreendendo o feitio, o crescimento, desta forma tão básica que atualmente lhe é permitido... O célebre "melhor que nada"... 
Fico enternecida com as palavras dela... agradável e ao mesmo tempo tristemente enternecida... mas sorrio de mim para comigo... não é um riso fácil e descontraído como daquela vez em que, no Lar, depois de aconchegarmos as almofadas e roupa de cama à volta da minha mãe, a vejo entrelaçar os dedos das mãos uns nos outros e dizer: «Oh, tão querida... Parece um animalzinho do bosque...!»... mas é, em todo o caso, um sorriso.



Rita

segunda-feira, novembro 05, 2018

Que fixe nunca estar sozinho...

E disse ela, a de quatro, vestida de cuecas, camisola interior, meias antiderrapantes e gorro de Inverno na cabeça:
«-Mãe...... anda cá ver-me a dançar com estas duas miúdas...»




💗

Rita

quarta-feira, março 28, 2018

Gosto de posts de desenhos

A Joana gosta de desenhar e todos os dias chega com desenhos novos que fez na escola. Hoje, mesmo com pouco investimento da parte dela, trouxe estes:


À esquerda: «Uma planta e uma porta.»
Em cima, à direita: «Eu... esqueci-me de fazer o cabelo... e sabes o que é isto? São armários.»
Em baixo, à direita: «É uma rockstar [a sério...?! a miúda sabe o que é uma rock star?!] com uma viola assim [e finge que toca]...» [ao que eu pergunto «E isto?», e ela «São as mãos.», e eu «Tantos dedos!», e ela «Pois é...!»]
Rita

sexta-feira, março 23, 2018

Portanto...

... o que fazer a uma filha de quatro anos adoentada e presa em casa há vários dias...?


Pô-la a lavar a louça...!
Rita

quarta-feira, março 21, 2018

A navegar por brincadeiras

Por vezes encontro pessoas que dizem ler este canto, demonstram espanto por achar que faço imensas coisas com os meus miúdos e questionam o meu tempo e a minha paciência...
No entanto, a verdade é que, havendo projetos que são pensados e sonhados por mim durante muito tempo, outros há que nascem precisamente da falta de paciência. Eu explico.
Sempre gostei de brincar com crianças, desde muito cedo, no limiar em que deixei formalmente de ser uma deles. Mas recordo que por vezes não me apetecia as brincadeiras com bonecas e propunha coisas mais espalhafatosas. Os jogos de circo, por exemplo, em que eu lhes pegava, fazia rodopiar, inventava mil e uma cambalhotas e cabriolices - ainda hoje um sucesso, devo dizer...

Atualmente, com os meus filhos, isso continua a acontecer. O último foi um caso desses, de deslize de atividades, por assim dizer...

Joana adoentada. Não muito mal, só uma febre baixa a teimar aparecer todos os dias. As duas em casa. Uns bonequinhos de borracha que vêm numas embalagens pequenas, uma espécie de personagens de diferentes características que são zombies. A Joana a querer que eu brincasse com ela e com os ditos, vezes seguidas. À segunda, eu já farta dos mortinhos-vivos de borracha e àquelas brincadeiras nonsense a que os miúdos de quatro anos acham piada. 
E foi assim que surgiu a proposta. Fazer um barco com caixas de ovos. Ao que se acrescentou uma baleia azul sorridente.


O processo correu todo muito bem, apesar do resultado ainda não ter proporcionado tantas brincadeiras como eu gostaria. Ela empenhou-se e gostou. Os mais velhos, em particular o Vasco, também aprovaram o objeto final. 


Foi totalmente copiado de ideias a circular pela net. Não está mal, mas fica a ideia de melhoramento para um próximo barco.
Rita

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

De Miss Goffre, com 04 anos

- Mãe, conheces esta música: tãã-tã-tã-tã...?
- Hum, não estou a ver...
- Tãã-tã-tã-tã... É do Star Wars.
- Ah... é?
- Sim... Do Star Wars. O Daniel é que sabe bem. Eu não sei. A minha língua é melhor...  é melhor francês.

Nota: "Star Wars"?! "Francês"?! ?! ?! ?!

Rita

sábado, janeiro 27, 2018

Desenho de Miss Goffre


Segundo a Joana, de 04 anos, algo como: "Um tiranossauros-rex a atacar outro dinossauro, com ovos e dinossauros pequenos a sair dos ovos."


Rita

sábado, outubro 14, 2017

Novo ano letivo, nova atividade...


"- Mãe, hoje dei um pum na piscina..."
"- Ah! Ah! Ah! E ouviu-se na água, uma coisa assim: brolorlorlor...?"
"- Não..."
"- E contaste à professora?"
"- Não...!"
Estilo: sou-nova-na-piscina-mas-não-sou-parva...
Rita

quarta-feira, julho 05, 2017

Animais... alentejanos?

Passeio pelo Alentejo. Eu, a dizer à Joana:
- Bem, que sorte, já viste... Ontem vimos ovelhas e hoje já vimos cabras, cegonhas, vacas...
Miss Goffre, entusiasmada:
- Sim! Vou ver sempre animais. Agora vou ver gazelas. E zebras...
Rita

sábado, julho 01, 2017

As segundas pequenas coisas que aconteceram no segundo dia de ausência do pai

É sábado e acordamos duas horas antes da atividade planeada, para dar tempo ao tempo. Mesmo assim, saímos à pressa, vamos a correr, em stress absoluto. Quando chegamos, nem queremos acreditar, são todos tão simpáticos, parece quase que estiveram à nossa espera para começar. 
Quando saíamos - a atividade ficará para outro post - são horas de almoçar. Eles iniciam a sua lengalenga de pedido... «por que é que não almoçamos fora»... «podíamos almoçar aqui»... «ou ali»... Eu já ia preparada, concordei com o MacDonalds, os restos em casa ficariam para o jantar...
Rumámos, satisfeitos, ao Mac do Campo Grande. Tudo a correr bem. Uma voltinha escusada para estacionar, mas algo aceitável para quem não circula por aquelas bandas...
Tudo a correr bem.

E depois...
- o do meio que entorna o ice tea para a frente e quem está à frente sou eu e as minhas calças e o meu hamburguer e as minhas batatas...
- a mais velha que perde o saco de apoio que levávamos... uma questão de minutos até se perceber que os funcionários já o tinham encontrado...
- a mais nova que resolve novamente fazer xixi pelas pernas abaixo - não sei se já tinha dito mas não é nada habitual...

Enfim... ao menos foram democráticos nos acidentes... Não serve para nada mas ajuda pensar que até nos disparates se pode ser solidário...
Rita

sexta-feira, junho 30, 2017

As pequenas coisas que já aconteceram desde que esta mãe ficou sozinha com os filhos, há cerca de vinte e oito horas, para o pai ir fazer uma atividade:


- ontem, enquanto esperava que o irmão chegasse do acantonamento com a turma, a mais nova caiu e bateu com a cabeça no chão;
- o do meio chega do acantonamento às 19H30, com um dente para pôr debaixo da almofada, assim, de repente, surpreendendo a disponibilidade da fada dos dentes que abastece a casa, que se viu obrigada a ligar de urgência para uma amiga fada, para tratar do assunto - quem tem amigos tem tudo, de facto;
- hoje, mal saiu da Creche e a caminho da festa de final de ano dos manos, a mais nova decidiu fazer xixi pelas pernas abaixo;
- durante o jantar da festa de final de ano, e ainda antes de começar a comer a comida pela qual se havia esperado tanto tempo na fila, o do meio entornou o tabuleiro com a bifana, salada e "caldo verde", por ele abaixo... Depois, dotado de um grande sentido de humor, concluiu: «Pelo menos, com este caldo verde fiquei quentinho...». Ao que eu perguntei: «Ah, ainda chegaste a comer o caldo verde?». E ele respondeu: «Não. Fiquei quentinho porque ele estava quentinho e agora estou com ele todo por aqui por cima de mim...»;
- num arraial de fim de ano em que todas as famílias gelavam com um vento terrivelmente frio, o do meio perdeu o casaco;

- a mais velha teve o seu último dia na escola onde andou mais de doze anos.............................

Rita


terça-feira, junho 06, 2017

Olhem! Será...


... uma bailarina?! 
... uma fada?! 
... um manjerico?! 
... uma borboleta?!

Não!!! É só a miúda de três anos e cinco meses, que gosta de mascaradas...!
Rita

sexta-feira, junho 02, 2017

"O Miguel é que é o príncipe da mana?»

Saído assim, da boca da mocinha mais nova, quando íamos a caminho da escola e os mais velhos já seguiam à frente, a Alice com um colega que a viu e esperou por ela. 
Tão bom quando se tem idade para se se esquecer da palavra "namorado" e, em vez desta, se diz "príncipe"...
Rita

quarta-feira, março 29, 2017

Na Estefânia

Resultado de imagem para palminhas

Ontem estive na Estefânia. Hospital, entenda-se. Uma suspeita que a Joana pudesse ter uma infeção urinária. Ia muitas vezes à casa-de-banho e contorcia-se de dores. 
As urgências da Estefânia estão em obras, há uns mesitos. Na parede de uma das salas, um écran novo apresentava várias categorias: muito urgentes, urgentes, pouco urgentes e outras duas (na condição de renegadas para quem se encontra com um problema súbito de saúde e deseja ansiosamente não ser algo muito mau mas que se mantenha num nível de urgência que permita ser atendido rapidamente). À Joana foi dada pulseira verde. O écran atribuía à sua categoria a misteriosa numeração "4:43", que desejei ardentemente não ser respeitante a horas e minutos.
Entre triagem, observação médica, colheita de urina, análise à urina, conclusão médica, estivemos por lá duas horas certas. Nas várias salas para onde fui encaminhada, com a Miss Goffre, várias crianças com mais do que um acompanhante - a fazer-me lembrar a reclamação de uns amigos acerca de só poder estar um deles com o filho no Hospital de Cascais (independentemente de carrinho, casacos, sacos, etc). 
Reparei também, como reparo sempre, nos pais e filhos à minha volta. Uma mãe chinesa, com filha adolescente (e tradutora) e com filha pequenita. Casal paquistanês com bebé. Línguas diferentes, de quem deve ficar ansioso por ter de explicar o estado de saúde do seu filho e tem de o fazer numa forma diferente da que lhe seria natural. E, do lado de lá, profissionais que nos recebem a sorrir, se metem com os miúdos e têm que lidar com uma amálgama cultural, perceber o que se passa, diagnosticar, encaminhar, tratar.
As minhas palmas hoje vão para o Hospital da Estefânia. Público. Antigo, a funcionar desde 1877. Com jardim cá fora. Com urgências em obras. Por vezes a abarrotar, outras nem tanto. Com famílias de todos os tipos. Com brinquedos velhos e muito usados. Com salas em que dois progenitores podem acompanhar o seu filho, ou progenitores e irmãos, ou progenitores e avós, ou um progenitor e dois avós, ou um bairro inteiro. Onde todos são atendidos. E bem. Por vezes, em duas horas (outras vezes mais, outras vezes bem menos, como no sábado passado de manhã, em que tivemos de levar a Alice, por suspeita de fratura numa mão, que afinal se revelou um quisto sinovial). 
Bravo. 
Rita

Nota: só para que não se preocupem, a mocinha entrou com possibilidade de infeção urinária mas saiu de lá com cólicas. 

domingo, março 05, 2017

Talento para romantizar

A dar as cuecas à Joana, para ela vestir.
Joana: O que têm estas?
Eu: Nada de especial... Riscas, têm só riscas.
Joana: Como as zebras...?
Rita

terça-feira, fevereiro 28, 2017

As mascaradas cá de casa

Fico contente que o Carnaval seja nosso, algo que vemos como uma festa pela qual ansiamos antecipadamente e que gozamos entre nós (mãe, filhos e tia, que o pai não foi feito para estas coisas), que nos faça começar a pensar e a falar nas máscaras que vamos escolher a cada ano meses antes da data. E acho piada que se entreguem totalmente às minhas ideias e que por vezes já nem se preocupem em arranjá-las. E que uns tempos antes de começarmos a temporada, fiquem inseguros por não verem a máscara a desenvolver. E que, mesmo antes de saírem de casa, todos vestidos e pintalgados, tenham sorrisos de grande contentamento, satisfação, e digam que se acham bonitos [«Afinal estou muito bonita», disse ela... ao que eu respondi: «Pff, como se houvesse dúvida...» ]...

Este ano, para eles, foi assim:

D. Panqueca foi de Bambi, que sempre é mais romântico de dizer do que "cervo". 
Máscara muito simples: camisola e leggigns castanhas, com acrescentos de barriga, bolinhas nas costas e rabinho. Maquilhagem a preceito. E, como pormenor, o desafio mais interessante da fantasia: as hastes. Muito mais simples do que parece... papel de alumínio (muito leve e moldável) a fazer o formato pretendido, revestido com fita adesiva de proteção de pintura, pinta-se e acrescenta-se umas orelhinhas de feltro. Segui dicas de vários blogs e o efeito resultante foi espetacular. 



O Sr. Crepe foi de mergulhador.
Máscara também muito simples, que só vale pelos pormenores: camisola e leggings pretas, passa-montanhas também preto (Decathlon), óculos de mergulho. Sem maquilhagem, bom para aqueles miúdos que não gostam de pinturas (não é o caso de nenhum dos meus). Cinto de pesos feito com elástico e musgumi. Barbatanas ilusórias com elástico e musgumi primeiro, antes de se romper todo, e com feltro depois (muito melhor solução, aconselho). O desafio maior foram as botijas: duas garrafas de leite interligadas com fita adesiva, pintadas com tinta de spray cinzenta metalizada; um tubo de canalização com entrada e saída diferentes (comprado numa loja de chinês), a entrar e a sair pelas garrafas (que são de um material muito fácil de trabalhar), e cujas pontas foram aproveitadas, uma para colar uma tampa de frasco com uma impressão de medidor de oxigénio, outra para colar uma tetina descartável de biberon (que não resultou, descolou e ficou sem nada); tudo colado numa placa de cartão com duas tiras de tecido (que vinham a prender uma manta comprada no Natal) com velcro.



Miss Gofre tinha fatos de compra, cá por casa, da época em que eu não metia mãos à obra. 
De forma que foi apalhaçar num dos dias. E em todos os outros preferiu ser um Capuchinho Vermelho, mas daqueles que atravessa a floresta de Ferrari vermelho e que acaba por caçar um lobo...


Rita

domingo, fevereiro 12, 2017

Domingos

Há dias de fim-de-semana em que nada se faz... 
E domingos em que, por entre os afazeres da vidinha, a falta de carro durante umas horas e a saída para almoçar com os pais, se planeja uma primeira ida ao cinema com a mais nova e pouco mais.
E depois há os domingos que nos saem fora dos planos, com coisas pequenas e boas, muito além do planeado... Manhãs em que se tira momentos para brincar com playmobis, em que salta na cama dos pais com a mana, em que se veem clássicos na televisão, em que se pintam aguarelas e se toma banho com a Guarda do Leão completa e mais uns quantos animais amigos...


E em que se escolhe um fim de tarde para experimentar ir ao cinema no Play Fest, e se encontram amigos da sala da creche com quem se brinca animadamente no Cinema S. Jorge...


Em que se tem sorte de não chover e se vai pela rua fora a espreitar em lojas atrativas à vista, ao coração e ao paladar...


Em que se corre desenfreadamente pela calçada lisboeta, se espera ansiosamente pelo transporte público com muita esperança de se vir a conseguir entrar, e em que se vai para casa no elétrico dos turistas...


Domingos bons, os que soam a muito com pouco.

Rita