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domingo, fevereiro 18, 2018

Experiências em casas diferentes, que aos poucos também vão sendo nossas

A primeira e única vez que me lembro de ter ido a um Lar, devia ter os meus nove ou dez anos. Era em Salvaterra de Magos, tinha um papagaio, e à volta havia muito campo, por onde eu e a minha prima Sónia nos fartámos de correr e brincar. Tínhamos ido ver a minha tia-avó Emília. 
E foi isso. De resto, todos os meus avós estavam longe, em Viana, e a sua partida, quer tenha sido mais ou menos de repente ou de forma arrastada no tempo, foi acompanhada por mim de forma um tanto ou quanto distante. Vi-os envelhecer, mas aos pouquinhos, e com a perspetiva de quem sempre os tinha achado velhos, mas não os vi com o raciocínio meio desmantelado e não pude acompanhar de perto o acabar dependente da doença. 

Acompanho este definhar da minha mãe e percebo que toda a noção de velhice para os meus filhos será diferente. Há cinco meses que rumam semanalmente para o Lar onde se tornou inevitável colocá-la e, ali, à sua volta, vão criando os seus conceitos de velhice. 
Há tardes em que pouco estão com a avó. Correm lá fora, no pátio circundante, jogam à bola e às escondidas. Não me faz mossa, quero mesmo é que eles gostem de lá ir. Há tardes em que brincam no quarto, descalços, usando a cama da vizinha da avó, que nunca está e que nos garantiram que não se importaria. Sei que correm por lá de forma cada vez mais conhecedora, vão buscar rebuçados ao escritório das proprietárias e falam mais alto do que provavelmente deveriam.

Não sei se lhes faz confusão os olhares vazios de alguns idosos, ou a quietude, ou o deambular de outros. Quase não comentam o ambiente, e aceitam-no com naturalidade, mesmo nos dias em que dão entrada senhores com demência, perdidos no tempo, zangados com o mundo. Espantam-se primeiro, riem-se depois, meio à socapa. No outro dia, a uma senhora angustiada e aflita, a chamar incessantemente pelo filho e a dizer que tinha ali ido «ao engano», a Joana fez uma festinha, na mão... (Eu morri de orgulho, com a capacidade de empatia...)
 
E depois, há momentos que são pérolas e que eu espero -  espero tanto! - que lhes fiquem marcados naquela assoalhada que guardamos no cérebro para as lembranças única e exclusivamente boas. Como o de ontem, em que as miúdas brincavam sentadas a uma mesa, com bonecos de lego, e chegou a D. Idalina, amorosa, e meteu conversa, contou histórias antigas, sentou-se. E eu ouvia as duas a responder-lhe. 12, 04 e 94 anos. Uma bela conversa. 



Rita

quinta-feira, novembro 23, 2017

Quem diria ...

... que quase aos cinquenta anos, me juntei à minha mãe e fomos fazer as unhas... 
Ela costumava arranjar as dela e lembro-me de achar que tinha umas mãos sempre bonitas. As minhas são parecidas com as dos pai e nunca tinham contactado com alicates de tirar peles ou várias camadas de verniz. Mas foi por causa das mais dela que, há uns meses, comprei vernizes e pintei as unhas dela o melhor que consegui. A sobrinha também teve a sua influência e convenceu-me a experimentar pintar as minhas de verniz transparente. E até gostei.
Hoje foi dia de fazer novas experiências.
Qualquer dia levam uma cor escura...
Ana Cristina

quinta-feira, agosto 24, 2017

Depois de mais de vinte anos

Entrei, reconheci alguns cantos e pormenores. Comparei com o tempo em que frequentei aqueles corredores e cheguei à conclusão que não me perdia. Reconheci umas caras e ainda troquei uns minutos de conversa. Vi as coisas com o olhar de visita. Uma visita estranha que por ali viveu durante mais de quatro anos. 
O jardim continua bonito e bem tratado, quase indiferente ao passar dos anos e das vidas que por ali passam. Umas em formato profissional. Outras centradas na sua saúde e preocupações pessoais. Os claustros estão iguais, como seria de supor num edifício histórico que já resistiu a tantas passagens. 



Foi estranho. Se calhar o estranho é ter passado tanto tempo sem fazer uma visita ao hospital onde comecei a trabalhar, fez no dia um, exactamente vinte e seis anos.
Ana Cristina

quinta-feira, junho 15, 2017

Mais vale ser rica e com saúde...

Quando se está de férias nem sempre se tem muito mais tempo livre. Foi o caso da última semana.
É certo que os dias foram mais tranquilos, as noites passaram-se sem que fosse a trabalhar, houve rotinas e, acima de tudo, falta de pressa. Os horários foram feitos sobretudo à medida das necessidades da mãe, que passou connosco uns dias fora das suas próprias rotinas. Quem está próximo sabe bem, mas quem nos lê e não nos conhece pessoalmente talvez ainda não se tenha apercebido que a nossa mãe está num processo de doença progressiva, incapacitante e de muito sofrimento.
Por outro lado, quem os conhece há uns anos, a ela e ao nosso pai, relembrou ontem o tempo em que vinham para esta mesma terra de além-Tejo cheios de energia. Primeiro sozinhos, connosco ou com amigos, depois com a primeira neta, mais tarde com os dois mais velhos e agora de forma tão diferente e nem sempre juntos...
Pensar que tem sido um processo tão rapidamente incapacitante, que nem dá tempo para nos ajustamos às necessidades que vão surgindo... Tal é a velocidade da evolução da doença, que faz também pensar que este ano pode ter sido o último a passarmos uns dias de férias juntos nesta casa que eles em tempos usufruíram bem.
E esta situação talvez seja uma das poucas vezes que lamento não poder "viver dos rendimentos". Podia, quem sabe, comprar tempo de qualidade ou prolongar esta semana por várias...
 Ana Cristina
[Fotos tiradas em duas épocas diferentes. Na primeira, em 2005, numa época em que ainda não havia netos mas a primeira já vinha a caminho. ;). Na segunda, em 2013, num passeio pela Costa Vicentina.]

segunda-feira, maio 01, 2017

Foto com história



1 de Maio de 1974 de manhã em frente ao Palácio de Queluz
Fotógrafo; pai
Modelos; eu e um representante, provavelmente surpreso, do Movimento das Forças Armadas - MFA

De tarde fomos pra Lisboa
Ana Cristina

domingo, abril 30, 2017

Abril foi um mês de chuva, pelo menos pra mim

O mês de Abril veio com más notícias para uma boa amiga. A maldita doença revelou-se num exame de rotina. E se ela e quem está com ela diariamente não dormiram até ao dia da cirurgia, eu posso dizer que também perdi o sono. A junção de recordações antigas relacionadas com as datas (o dia em que foi operada é um dia histórico para a família, o dia de aniversário da minha mãe, o próprio dia 25 de Abril que trás com as comemorações as recordações) com a preocupação com a sua saúde e a saúde dos meus pais, trouxeram a sensação mista que, por um lado a vida é demasiado curta, por outro lado de vez em quando é preciso fazer pausas para recuperar energias interiores. 

Tudo junto teve o efeito de não ter efeito nenhum. O diário gráfico, projecto criativo que me tinha proposto para este ano, ficou descurado. Este blog, pra variar, também. A casa e uns projectos de organização ficaram em stand-by (que é o mesmo que dizer que tudo está um caos). 

Então, ainda ontem, dei por mim a dizer à minha amiga que ela tinha de encarar de frente a situação que lhe aconteceu, enfrentar as propostas de tratamento e seguir em frente, coisa que ela sempre fez e que desta vez não será diferente. Depois, fui a casa dos pais e a minha mãe estava tranquila, a aproveitar a vida e a rir-se com as cenas dos netos. Hoje li os comentários no facebok acerca do post que a Rita escreveu sobre o seu aniversário e chorei. Chorei por ela. Chorei pelo meu pai. Chorei pela minha amiga. Chorei pela Rita. Chorei por mim própria. 
Mas todos os choros têm um fim. E este fica por aqui. Com o final do mês.

Até amanhã. 
Ana Cristina

terça-feira, abril 25, 2017

Quarenta e três anos depois

Não tenho qualquer dúvida que o dia 25 de Abril de 1974 foi importantíssimo na minha vida.
Quase de certeza que hoje seria uma pessoa bem diferente se naquele dia (que podia ter sido outro com certeza se os militares de Abril tivessem marcado outra data) as pessoas não tivessem sentido que aquele era o momento de mudar.
Para mim, uma menina de seis anos acabados de fazer, o dia 25 de Abril de 1974 foi um dia que recordo pela alegria que senti por ver as "minhas pessoas" felizes. Recordo a empolgação do meu pai e a impulsividade com que rumou pra Lisboa ao contrário do que seriam as indicações que teria recebido, a cautela alegre com que a minha mãe lidou com o assunto, não indo à escola naquele dia e ficando comigo em casa a ouvir rádio (deixou para o dia seguinte a retirada da foto do Sr. Marcelo da época). Recordo também a chegada dos amigos lá a casa pela noite adentro. Todos se abraçavam e choravam de alegria.
Ao post que escrevi há onze anos, no início deste nosso registo não tenho quase nada a acrescentar.
O meu 25 de Abril de 1974 foi um dia alegre, e gosto sempre de o recordar, assim como gosto de recordar os outros 25 de Abril que se seguiram. Aqueles em que eu e a Rita íamos para a janela de manhã gritar para as pessoas que passavam na rua "25 de Abril Sempre! Fascismo nunca mais!". Aqueles em que desfilámos na A
venida, e foram muitos (mesmo muitos).
Este ano lá estivemos, numa nova adaptação às circunstâncias de quem leva crianças pequenas. Éramos um grupinho no meio de muitos. Sim, este ano também fomos muitos, muitos mil a celebrar Abril...
Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Parabéns para nós...

Sim, porque faz hoje 11 anos que este blog foi criado. E 11 anos é uma boa data para celebrar este nosso cantinho na blogosfera. De lá para cá podem ler-se muitos posts (não tantos como gostaríamos, é certo) de várias fases das nossas vivências pessoais e criativas. 
No início quisemos mostrar quem somos e o porquê de nos denominarmos Oficinas RANHA e mostramos às nossas visitas o que mais gostávamos de fazer com trapos, tintas e pincéis, linhas e agulhas. Desta faceta mais ou menos criativa podemos destacar as fases das camisolas pintadas, das peças pintadas ou recicladas, das carteirinhas pintadas ou da linha de bijuteria, mas também não podemos esquecer as telas ou as paredes pintadas, ou mais recentemente os muitos Xulés que fizemos e que andam actualmente por esse mundo fora. Ainda criámos um outro blog para podermos mostrar apenas as nossas peças para venda, mas rapidamente desistimos dele apesar de ainda poder ser visitado.
Mas fomos também falando de nós e das nossas vidas de mulheres de família, trabalhadoras e medianamente criativas. Por vezes usámos este blog para reivindicar também os nossos direitos trabalhistas, as fases de estudo, algumas criticas literárias, de cinema e de outras artes e muitas dúvidas existenciais. A família foi crescendo, sobretudo do lado da Rita, e se ao princípio a Alice tinha poucos meses agora é uma menina pré-adolescente, irmã mais velha do Vasco (o rapaz sanduíche) e da Joana (a filha caçula). 
Temos passado por altos e baixos. E todas estas fases são para ser lembradas, embora eu gostasse de encontrar menos post's onde nos lamentamos do pouco que temos escrito para o blog, Temos agora mais visitas mas muito menos comentários mas parece ser generalizado e resultado de outras redes sociais.
Recentemente tornámos a decidir que ainda vale a pena. Por isso hoje festejamos os 11 anos do arRanha no Trapo desejando que este se mantenha activo por muitos mais anos, enquanto valer a pena. 

Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...

Ana Cristina

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Quando se vai a casa dos tios passar o fim-de-semana

  • Brinca-se em parques diferentes, com foguetões, túneis compridos e repuxos de água, lagos e gaivotas para exercitar as pernas (claro que se tem de esperar por dias mais quentes para tornar a pedalar nas gaivotas).
  • Vêem-se pelo menos dois filmes, um no sábado outro no domingo, dos que estão gravados na box.
  • Brinca-se às cócegas porque a tia é um monstro dotado de dedos cocegentos.
  • Dorme-se numa cama enorme, maior que a cama dos pais ou dos tios.
  • Fazem-se desenhos na parede, e a ideia até é da tia (aliás, a tia até faz uns gatinhos muito vem feitos)
  • Fazem-se projetos de construção de casas de cartão para gatos, mas não se tem tempo para concluir porque há muita coisa pra fazer em poucas horas.
  • E toma-se banho de espuma até ficar com os dedos a parecer uvas passas.

Pelo meio ainda se coloca a hipótese de repetir o ritual todas as semanas mas, depois reconhece-se que assim não se iria poder frequentar todas as atividades de fim-de-semana que vão surgindo, como os jogos de futebol e as festas de aniversários dos amigos.
E no fim afirma-se perentoriamente que as vezes todas que se disse que queria ir prá mamã e pró papá era a brincar.

A tia fica cansada mas feliz. Os sobrinhos acho que também... E quando, dois dias depois, a sobrinha pirralha assim que vê a tia lhe pergunta se vai pra casa dormir, e lamenta a resposta negativa, a tia tem a certeza absoluta que foi bom.
Ana Cristina

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Tesourinhos


Em arrumações encontram-se sempre uns tesourinhos. Ora umas roupas que guardamos para, quem sabe, um dia tornar a vestir, ora uns bibelots que ficaram guardados desde a mudança de casa para que um dia se decida o local onde vão ficar, ora uns pedaços de tecido para quando se coser à máquina. 
Desta vez, alem disso tudo, como não podia deixar de ser, encontrei também um saco de livrinhos feitos em tempos para a montra da Ana. Não se devem lembrar mas podem vê-la neste post, Este saco tinha 14 livrinhos, os maiores com 5 cm de altura, quase todos de obras literárias, com uma lombada personalizada e escrita em letra muito pequenina (tive de ir buscar uma lupa para ler alguns), e que constam da minha estante, como "A Tenda dos Milagres" de Jorge Amado, ou "Eva Luna" de Isabel Allende, entre outros.
Fiquei com vontade de fazer uma montra pra mim mesma e outra para a Rita, afinal as autoras da primeira, e que nunca fazem nada para elas próprias. Quem sabe se não é um desafio a cumprir em breve.
Ana Cristina

sexta-feira, abril 15, 2016

Ontem, passados 40 anos, estive lá...

...

... a representar o pai, deputado da Assembleia Constituinte e a partir de hoje deputado honorário à Assembleia da República. Título merecido para quem soube unir esforços e criar um documento que até hoje rege a nossa sociedade, a Constituição da República Portuguesa.
Eram muitas as caras conhecidas, figuras públicas, empresários famosos, dirigentes políticos, algumas através do pai e da sua actividade política. Muitos outros não reconheci, e o meu pai seria um deles se não fosse meu pai.
Para mim foi uma pena que ele não quisesse ir. Estava lá eu por ele, uma orgulhosa filha do seu não famoso pai, político por convicção, atualmente reformado com uma pensão demasiado baixa para as suas necessidades.
Ana Cristina

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Os filmes das nossas vidas

Há filmes que se tornam marcantes nas nossas vidas. Porque os vimos muitas vezes, porque os descobrimos numa altura da nossa vida que somos vulneráveis e sedentos de sentimentos arrebatadores, ou mesmo porque são realmente bons filmes.
É o caso deste. Porque o tínhamos gravado em cassete (provavelmente beta) a Rita um dia descobriu um filme realizado na época em que nasceu. Um filme "antigo", que amou à primeira vez que o viu. De tal forma o marcou que o reviu "centenas" de vezes. Apresentou-o a todos os amigos da época, fazendo sessões de cinema em casa para verem o seu filme preferido; "Feios, Porcos e Maus", uma obra cinematográfica de culto, neo-realista, à laia de história trágico-cómica que tem como fundo a grande cidade de Roma. 
Este é, sem dúvida, um dos filmes da vida da Rita.


Lembrei-me dele porque o seu realizador, Ettore Scola, faleceu há dois dias. Lembro-me tão bem deste filme que acho que também posso dizer que este foi um dos filmes da minha vida. Fiquei com vontade de o rever. Queres, Rita?
Ana Cristina


sábado, janeiro 09, 2016

E, esta semana, no Dia de Reis

Recebi um presentinho de quem não esperava. Uma vizinha ofereceu-me umas pegas feitas por ela. Mostro-vos, para que possam ver como são lindas e um trabalho de pontos pequeninos e com uma linha fina.


Gostei. Lembrei-me das da avó Joana, também feitas em crochê, com linha mais grossa (mas provavelmente muito fina para os seus olhos de lentes grossas). Algumas são forradas a tecidos que me lembro de ver lá em casa, como o cor-de-rosa com meninos que era o da colcha da minha caminha na casa dos avós, cor de casca de ovo feita pelo avô para a primeira neta. Bateu-me uma saudade boa... 


Ana Cristina

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Ontem foi dia de festa... para a menina Rita

Eu diria que teria sido a uma quinta, porque era o último dia de aulas antes das férias do natal, mas ao que parece foi numa quarta. Pouco importa. Ontem foi quinta e o dia foi dela (mais ou menos, mas foi o dia possível quando se é uma mulher trabalhadora, com os pais numa fase mais dependente e mãe de três filhos). Teve direito a tudo um pouco; almocinho com os pais e irmã; folga à tarde; jantarinho fast food com maridinho, filhotes e mana (eu mesma, pois claro); um presente muito desejado; goluseima com vela imaginária e parabéns na rua; e para abrilhantar a coisa uns choros, amuos e gritarias.
Para mim, a mana babada, não podia ter sido melhor. O que mais poderia querer uma mulher a entrar nos novos trinta que tempo de qualidade com quem mais se ama. Um jantar com amigos? Vai ser hoje. Tirar foto com o Pai Natal? Tirámos...


E já agora, porque se anda parca em palavras e em posts, relembro este escrito há nove anos. Acerca do dia que marcou a minha infância. Fez ontem 40 anos.
Ana Cristina

segunda-feira, setembro 14, 2015

As férias acabaram, pelo menos por enquanto

Este blog estava de férias há uns dias, tal como eu. É verdade, que as férias souberam a pouco mas já passaram e o que interessa é que o novo ciclo se faça, de preferência com sucesso que é como quem diz, que a vida continua. Hoje é dia de voltar às rotinas do trabalho, aos turnos, aos stresses do serviço (que, com a falta de pessoal, ainda se tornam maiores). Uma nova fase se aproxima, e que se prevê cheia de dificuldades e lutas constantes. 
Mas hoje é dia também de inícios para os sobrinhos, de primeiro ano para o Vasco, de segundo ciclo para a Alice. Ontem pareciam entusiasmados, quando preparavam as mochilas do primeiro dia. O Vasco queria, porque achava importante, levar um caderno e um estojo com canetas e lápis na mochila nova e queria guardar o lanche ontem pra a experimentar. A Alice, depois de muito procurar e com ajuda, lá encontrou um caderno fixe para levar no primeiro dia, escolheu o estojo e ofereceu um lápis novo ao mano para lhe dar sorte. Pareceram contentes e esta manhã mandaram a foto da praxe à tia babada.
Lembrei-me dos meus próprios inícios. Do primeiro dia de aulas não tenho ideia, tal era o hábito de acompanhar a mãe à escola que não foi marcante. Lembro-me bem é da pasta da escola. Feita de serapilheira, com uma bolsinha de plástico com lápis de cor, foi o meu pai que ma ofereceu e tenho ideia que foi aos 5 anos porque ainda não andava na escola. Mas lembro-me bem de andar com ela na mão o dia inteiro, de dormir com ela e acordar em pé, no quarto, com a pasta na mão... era mesmo uma paixão.
Mais tarde tive outra pasta, azul escura, como a que mostro aqui mas com os meninos rabinos, uns desenhos animados da época que lembravam que estava na hora de deitar. E dessa também me lembro bem.

Ana Cristina

domingo, agosto 09, 2015

Ainda a propósito do saco de recordações...

Coisa cómica: kalkitos. Ainda no outro dia a fada dos dentes tinha deixado uns cá por casa e eu tinha falado com os miúdos sobre esta brincadeira do decalque, quando agora os encontro, aos antigos, dentro do saco dos tesourinhos...! Mesmo a calhar... o Vasco adorou... E cá está, para a posteridade: os kalkitos do meu tempo (e acho que era bem pequena e que quem os tinha feito era a Cristina) e os de agora (são os do canto inferior direito)... para quem queira recordar...


E agora, a dúvida que faz medo... Por que raio tinha eu, aos 12 ou 13 anos de idade, na agenda telefónica só com os contactos dos colegas do 7º e 8º ano, um "embalsemador de animais"????!!!

Rita

sábado, agosto 08, 2015

Saco de tesourinhos


Era um saco trazido de casa dos meus pais já há uns meses largos; o conteúdo da arca de madeira que em tempos o meu Avô tinha feito para a minha irmã, como tantas outras de variados tamanhos espalhadas pelas várias casas da família paterna. No ano passado o meu pai retirou tudo do seu interior e devolveu a arca à sua legítima dona. Para mim veio o grande saco de plástico cheio de papeladas.
Hoje, tanto tempo volvido com o saco enfiado primeiro no antigo escritório (que há um ano passou a ser o quarto do Vasco), depois dentro da arrecadação e finalmente num canto da sala, decidi-me a arrumá-lo. Faz parte das decisões pós-férias grandes, arrumar as coisas aparentemente sem solução que se amontam por qualquer canto desta casa. 
Correspondências a lembrar-me de dramas entre amigas, recortes de bds e de artigos de jornal, antigos estojos com pequenas preciosidades irrelevantes, muitos desenhos de presente da irmã mais velha, agendas com moradas, o relato altamente sucinto de uma importante viagem de um mês de há praticamente trinta anos atrás... e escritos... muitos escritos meus, de brincadeiras entre colegas, de trabalhos da escola, de projetos de teatro ou só do interior de mim mesma, pelo prazer de escrever... 
Leio-os e reconheço muitos, recordo até o envolvimento sentimental e a animação com que me entregava a eles, às vezes até o local ou a fase em que estava... De outros não tenho a mínima noção... 
Gosto de me rever ali e tranquiliza-me descobrir outras pequenas coisas importantes, como um artigo do Diário de Notícias de Fevereiro de 1992,  que me mostra que crianças abandonadas e institucionalizadas já era um assunto que me interessava e que, por isso, eu não sou uma pessoa longe do ponto de onde parti...
Rita

sexta-feira, julho 10, 2015

Ser tia, ser irmã, eu...

Nas últimas semanas partilharam comigo mensagens e frases simpáticas sobre significado de ser tia. Logo nesta altura, em que levei o Vasco comigo nuns dias de férias a terras do costume de além-Tejo, e que trouxe a Alice uns dias para minha casa para passarmos também uns dias diferentes do habitual. Logo nesta fase, que me apetecia escrever umas coisas bonitas sobre os sobrinhos que estão perto não esquecendo os que estão longe da vista.
Ou, quem sabe, dissertar algo sobre o quão sortuda me sinto naqueles momentos em que a Joana me dá uns abracinhos bons, ou me manda beijinhos sonoros como os que de repente aprendeu a dar, ou até quando chora de braços estendidos quando me vou embora (mesmo sabendo que ela o que quer mesmo é ir passear posso fingir qu)e ela me quer a mim...). Mas faltam-me palavras bonitas.
Eu podia dizer que ser tia é o prolongamento de ser a irmã mais velha. Eu sou A irmã mais velha. Aquela que o nosso tio chamava de uma segunda mãe para a Rita. A que sabia ser uma voz ativa na vida da pequena, que tinha a consciência que era imitada, e ouvida, quando os conflitos entre pais e filha surgiam. A ponte entre os pais e a filha mais nova. A que ensinou muito mas aprendeu muitíssimo. E que não se pense que abriu sempre o terreno para a mais nova, houve alturas em que foi a pequena que o abriu. Ser irmã mais velha também é ficar contente com os feitos da pequena, às vezes com uma pontinha de inveja (daquela boa, que nos faz ficar muito mais contentes que tristes). E ser tia também é tudo isso, tirando a pontinha de inveja, claro (essa é sempre direcionada para a irmã)
Hoje antes quero lembrar os tempos de irmãs. Os momentos de irmã babada, quando a Rita chegou a casa zangada com a professora de religião e moral porque a sua teoria da origem do Homem era incompatível com a da irmã. Ou quando me escolhia a mim para esclarecer as suas dúvidas. Ou mesmo quando era pequenina e me convenceu a não mudar de quarto porque quando tínhamos pesadelos podíamos dar as mãos uma à outra. Ou a despedida chorosa quando fui de férias, tinha ela 3 anos... Deu-me mesmo a volta a piolha...




Ana Cristina

quarta-feira, julho 01, 2015

Passou mais de um mês desde que aqui postei

E, não se iludam, também não vai ser desta que vou fazer um post de grande interesse. 
Venho aqui só dizer que no tempo que se passou, fiz alguns Xulés que estão à venda n' A Venda Lusitana, passei uns dias de férias no alentejo com parte da família, fui a um casamento, e esta semana tenho estou de rescaldo de umas trocas malucas e com a sobrinha mais crescida cá em casa. Ainda deu tempo para momentos de convívio, com uma amiga de longa data que nos últimos anos tem estado por terras dos UK e um jantar de aniversário da grande amiga de infância... Tudo isto intercalado com uns turnos doidos que já deu para ser denominada de vampiro-nurse.
Falhou a actualização do blog e as visitinhas aos espaços do costume. Mas aguardem-me, que eu volto.
Mas fica uma foto (muito fraquinha) que recorda as palhaçadas depois do jantar de aniversário da Tina, Prova provada que aderimos às selfies.


Ana Cristina

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Hoje é dia de aniversários...

Assim, de repente, enquanto verificava mentalmente o ano que passou e em especial o dia que hoje faz um ano, lembrei-me do nascimento da Joana, das sms que por esta hora trocava com as amigas e família, da Rita e do João que foram pais pela terceira vez, da felicidade e emoção que é ver uma criança nascer, crescer, evoluir... sobretudo numa bonita família e que eu tenho a sorte de partilhar.
Mas outros dias 2 de Janeiro foram importantes na minha vida. Representativos de novas etapas, começos importantes e que me marcaram. Em especial um deles.
Começava o ano de 1996 e eu eram uma jovem enfermeira, já com uns aninhos de experiência, é claro, e iniciava uma nova fase, que se transformou no encontro de uma área de trabalho apaixonante e que me marcou como profissional e pessoalmente. Foi na CH que comecei a ser a enfermeira que hoje sou, que me transformei como pessoa, que encontrei amigos que recordo com muito carinho. Foi por trabalhar na CH que dei espaço a uma faceta criativa e frequentei as aulas de pintura e comecei a dançar o tango.  Foi nesse tempo que tudo começou... e passaram 19 anos. Tanto tempo... um tempo que não parece ter passado e que também deixou marcas menos boas. Mas hoje é dia de lembrar os bons velhos tempos, as conquistas, as amizades que perduram, os amores que desses tempos resultaram.
Ana Cristina