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sábado, março 31, 2018

Nove anos de Vasco

Em Agosto de 2017, depois de regressar do primeiro campo de férias que fez sem ninguém conhecido, o Vasco respondeu da seguinte forma à pergunta que lhe fiz sobre o que tinha dito, durante uma das atividades feitas por lá, que eram os seus super-poderes:
«-Saber quem sou ao pé dos outros.»
Ficámos a olhar para ele, sem perceber exatamente o que queria dizer, e pedi mais explicações sobre o que significava. Respondeu mais ou menos isto:
«-É assim como saber que o outro é melhor...»
Sou bastante insistente a tentar perceber as coisas e, ao terceiro pedido meu para que explicasse melhor, tentou ir mais além:
«É assim, por exemplo... se eu estiver a jogar um jogo e o outro ganhar, não querer ser como ele. Porque eu gosto de ser como sou.»

O meu rapazinho fez ontem 9 anos e o que mais desejo é que conserve toda esta sapiência. 
É difícil descrever tudo o que cabem nestes nove anos: tranquilidade, sensibilidade, perspicácia, inteligência, energia, amizade, companheirismo... Alguém me disse uma vez que achava piada ao Vasco por ser "boa onda" e isso é, efetivamente, verdade. Parece ter nascido com a invejável capacidade de se aceitar e de aceitar os outros como são e, sendo essa uma das características mais difíceis de conquistar ao longo da vida, só posso concluir que deve ser um mocinho de sorte... 



Rita

terça-feira, março 06, 2018

Por oposição a...

O rapazinho, Vasco de seu nome, chega a casa de uma amiga, para um fim de tarde de brincadeira. Encontra-a descontraída e atentamente no sofá, a ver o "Titanic". Quase no fim, o barco já meio naufragado. Ele senta-se logo, de casaco ainda, imediatamente envolvido pela cena. E diz:
- Agora é aquela parte em que as pessoas vão morrer de uma forma desagradável...

Rita

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Novidade do mês de Janeiro de 2018

Penso que por esta altura, no ano passado, eu festejava as aventuras literárias dos meus filhos... Desde o Natal, a Alice tinha lido imensos livros e o Vasco tinha-se entregue pela primeira vez, a um livro grande, com páginas recheadas de letras (mesmo que grandinhas e intercaladas com ilustrações e páginas de BD). Estava apaixonado por "Os futebolíssimo" e assim continuou durante o resto do ano, quando conseguimos comprar outros dois números da coleção. Contudo, foi uma única paixão...
Neste mês de Janeiro de 2018, a grande novidade tornou-se a quantidade de livros a que se dedicou... Adorou o "Tom Gates" que a Tia Cristina lhe ofereceu e devorou-o num ápice. Depois, como não conseguia o segundo número à velocidade do seu apetite, atirou-se aos "Diário de um Banana" que havia nesta casa e na do amigo e vizinho João. 
Foi uma descoberta magnífica. Passou a ser encontrado na companhia do Banana a qualquer momento, até às escuras... De forma que, um mês volvido o Natal, começou hoje o seu décimo primeiro livro... Acho que nem sequestrando o Jeff Kinney e obrigando-o a trabalhar em exclusividade numa qualquer cave sem janelas e focos de distração, conseguiríamos dar conta desta avidez...!



Rita

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Touros e espermatozóides

Portanto, fomos há uns dias ver o "Ferdinando" e tivemos uma conversa sobre as touradas e os touros.

Por sua vez, hoje, a propósito de qualquer coisa que passava na televisão, tive de explicar-lhe o que eram "bebés proveta", com exemplo.

E, sendo assim, qual o resultado da junção destas duas conversas na cabeça do meu filho de 08 anos?
"Os espermatozóides são como os touros. Nascem para morrer.»
Rita

domingo, julho 16, 2017

Piada dele, sem o ser, sobre o seu campo de férias

Sobre o acampamento de Verão, o Vasco explica:
- Mãe, o nome do meu destacamento era "Valente Pedra"! Foi a Vera quem deu a ideia...
- Ah sim? Então vocês eram "os calhaus"...!
- Não, nós eramos "os pedrados"!
- Não ficava melhor "os calhaus"?
- Não, isso não faz sentido... nós eramos "os pedrados", é muito mais giro...
- Ok... E tu sabes o que é isso d'"os pedrados"?
- Sei mais ou menos...
- Ah, ok. Então e o que é que percebes mais ou menos?
- Hum... bem, vais ter que me explicar essa parte porque eu também não percebo bem o mais ou menos...
Rita

domingo, julho 02, 2017

Conversa imaginária de um Fada dos Dentes para outra


- Eh pá, tens de me desenrascar... um dos miúdos da minha lavra voltou de um acantonamento sem um dos incisivos e eu estou aqui com um problema e não consigo ir ao meu armazém... Ajuda-me, por favor!
- Hum, está bem, vou ver o que consigo arranjar aqui no meu... O miúdo, como é ele?
- Rapaz, oito anos, desportivo, está nas primeiras leituras... porreirinho, fácil de agradar... Olha, pode ser uma bd simples, do Patinhas...
- Ok, vou ver, já te ligo... [minutos mais tarde] Olha, estou aqui a ver... tens é que te decidir rápido, tenho de me ir embora, tenho uma urgência das minhas... O que é que achas: um livro do "Lago dos Cisnes", com cd de música...?
- Hã..................................... está bemmmmmmmm.................... se não há mais naaaada..............
- Ou queres uma revista do "Star Wars" com um lego para fazer...?
- .......?! Isso, é isso! Obrigada, pá, isso foi super fixe, safaste-me de boa!

Rita

sábado, julho 01, 2017

As segundas pequenas coisas que aconteceram no segundo dia de ausência do pai

É sábado e acordamos duas horas antes da atividade planeada, para dar tempo ao tempo. Mesmo assim, saímos à pressa, vamos a correr, em stress absoluto. Quando chegamos, nem queremos acreditar, são todos tão simpáticos, parece quase que estiveram à nossa espera para começar. 
Quando saíamos - a atividade ficará para outro post - são horas de almoçar. Eles iniciam a sua lengalenga de pedido... «por que é que não almoçamos fora»... «podíamos almoçar aqui»... «ou ali»... Eu já ia preparada, concordei com o MacDonalds, os restos em casa ficariam para o jantar...
Rumámos, satisfeitos, ao Mac do Campo Grande. Tudo a correr bem. Uma voltinha escusada para estacionar, mas algo aceitável para quem não circula por aquelas bandas...
Tudo a correr bem.

E depois...
- o do meio que entorna o ice tea para a frente e quem está à frente sou eu e as minhas calças e o meu hamburguer e as minhas batatas...
- a mais velha que perde o saco de apoio que levávamos... uma questão de minutos até se perceber que os funcionários já o tinham encontrado...
- a mais nova que resolve novamente fazer xixi pelas pernas abaixo - não sei se já tinha dito mas não é nada habitual...

Enfim... ao menos foram democráticos nos acidentes... Não serve para nada mas ajuda pensar que até nos disparates se pode ser solidário...
Rita

sexta-feira, junho 30, 2017

As pequenas coisas que já aconteceram desde que esta mãe ficou sozinha com os filhos, há cerca de vinte e oito horas, para o pai ir fazer uma atividade:


- ontem, enquanto esperava que o irmão chegasse do acantonamento com a turma, a mais nova caiu e bateu com a cabeça no chão;
- o do meio chega do acantonamento às 19H30, com um dente para pôr debaixo da almofada, assim, de repente, surpreendendo a disponibilidade da fada dos dentes que abastece a casa, que se viu obrigada a ligar de urgência para uma amiga fada, para tratar do assunto - quem tem amigos tem tudo, de facto;
- hoje, mal saiu da Creche e a caminho da festa de final de ano dos manos, a mais nova decidiu fazer xixi pelas pernas abaixo;
- durante o jantar da festa de final de ano, e ainda antes de começar a comer a comida pela qual se havia esperado tanto tempo na fila, o do meio entornou o tabuleiro com a bifana, salada e "caldo verde", por ele abaixo... Depois, dotado de um grande sentido de humor, concluiu: «Pelo menos, com este caldo verde fiquei quentinho...». Ao que eu perguntei: «Ah, ainda chegaste a comer o caldo verde?». E ele respondeu: «Não. Fiquei quentinho porque ele estava quentinho e agora estou com ele todo por aqui por cima de mim...»;
- num arraial de fim de ano em que todas as famílias gelavam com um vento terrivelmente frio, o do meio perdeu o casaco;

- a mais velha teve o seu último dia na escola onde andou mais de doze anos.............................

Rita


quinta-feira, junho 29, 2017

Do rapazote

Segunda coisa que um filho de 08 anos nos diz depois de chegar de um acantonamento de quatro dias com a sua turma:
- Mãe, posso ir dormir a casa do Xis esta noite?

E não, a primeira não foi que estava cheio de saudades, foi a exibição de um espaço vazio num lugar de um dente...
Rita

terça-feira, fevereiro 28, 2017

As mascaradas cá de casa

Fico contente que o Carnaval seja nosso, algo que vemos como uma festa pela qual ansiamos antecipadamente e que gozamos entre nós (mãe, filhos e tia, que o pai não foi feito para estas coisas), que nos faça começar a pensar e a falar nas máscaras que vamos escolher a cada ano meses antes da data. E acho piada que se entreguem totalmente às minhas ideias e que por vezes já nem se preocupem em arranjá-las. E que uns tempos antes de começarmos a temporada, fiquem inseguros por não verem a máscara a desenvolver. E que, mesmo antes de saírem de casa, todos vestidos e pintalgados, tenham sorrisos de grande contentamento, satisfação, e digam que se acham bonitos [«Afinal estou muito bonita», disse ela... ao que eu respondi: «Pff, como se houvesse dúvida...» ]...

Este ano, para eles, foi assim:

D. Panqueca foi de Bambi, que sempre é mais romântico de dizer do que "cervo". 
Máscara muito simples: camisola e leggigns castanhas, com acrescentos de barriga, bolinhas nas costas e rabinho. Maquilhagem a preceito. E, como pormenor, o desafio mais interessante da fantasia: as hastes. Muito mais simples do que parece... papel de alumínio (muito leve e moldável) a fazer o formato pretendido, revestido com fita adesiva de proteção de pintura, pinta-se e acrescenta-se umas orelhinhas de feltro. Segui dicas de vários blogs e o efeito resultante foi espetacular. 



O Sr. Crepe foi de mergulhador.
Máscara também muito simples, que só vale pelos pormenores: camisola e leggings pretas, passa-montanhas também preto (Decathlon), óculos de mergulho. Sem maquilhagem, bom para aqueles miúdos que não gostam de pinturas (não é o caso de nenhum dos meus). Cinto de pesos feito com elástico e musgumi. Barbatanas ilusórias com elástico e musgumi primeiro, antes de se romper todo, e com feltro depois (muito melhor solução, aconselho). O desafio maior foram as botijas: duas garrafas de leite interligadas com fita adesiva, pintadas com tinta de spray cinzenta metalizada; um tubo de canalização com entrada e saída diferentes (comprado numa loja de chinês), a entrar e a sair pelas garrafas (que são de um material muito fácil de trabalhar), e cujas pontas foram aproveitadas, uma para colar uma tampa de frasco com uma impressão de medidor de oxigénio, outra para colar uma tetina descartável de biberon (que não resultou, descolou e ficou sem nada); tudo colado numa placa de cartão com duas tiras de tecido (que vinham a prender uma manta comprada no Natal) com velcro.



Miss Gofre tinha fatos de compra, cá por casa, da época em que eu não metia mãos à obra. 
De forma que foi apalhaçar num dos dias. E em todos os outros preferiu ser um Capuchinho Vermelho, mas daqueles que atravessa a floresta de Ferrari vermelho e que acaba por caçar um lobo...


Rita

domingo, janeiro 29, 2017

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Mocinho de saudades tardias

Subo até à cama dele para as despedidas da noite e encontro-o com ar de choro. 
Surpreendo-me e não aceito as suas negativas em relação ao que o pôs assim, ensino-lhe que as tristezas partilhadas são tristezas divididas. Desata a chorar, naquele choro silencioso de quem sofre sozinho. De repente, diz:
- O David foi-se embora da escola...
Estaco. Pergunto:
- Que David?
E a resposta:
- O David da pré...
Não consigo impedir-me de sorrir, é mais forte do que eu. Tento disfarçar e justificar:
- Mas já foi há tanto tempo... [um ano e meio?!] Estás com saudades dele...? Queres ligar para ele amanhã? Está combinado...! 
Ficou contente. David, palpita-me que haverá um convite para fim-de-semana em breve!

Enternece-me, o meu rapazinho de saudades tardias... Faz-me lembrar quando seguíamos uma vez de carro a conversar sobre pessoas da família, e recordou-se o primo Fernando e teve de haver explicações sobre a forma como tinha morrido. E, já depois de chegarmos ao nosso destino, dali a largos minutos, damos com ele a chorar baba e ranho porque «o Biso tinha morrido» [também há mais de um ano à data]... Nada a fazer, acontece a todos... momentos em que as saudades apertam, de quem já se foi, de quem está longe ou de quem já não volta ao que era... impossível não entender... 

Rita

domingo, janeiro 15, 2017

As leituras deles

Ler é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, sem dúvida.
Tenho em mim a recordação de desejar incessantemente conseguir ler o que estava ao meu redor, e de contar, lendo as imagens, as histórias do Astérix à D. Maria do Céu, a vizinha do lado dos meus pais que, infelizmente, não sabia ler - um dos projetos que dizem que eu cheguei a ter quando miúda. 
Para mim, como para tantas outras pessoas, seria uma tristeza ter filhos que não gostassem de ler... Os dois leem com facilidade desde os meses de Fevereiro do seu primeiro ano, sem juntar sílabas e hesitar nos casos de leitura (tanto quanto tenho observado, algo normal para quem aprende de acordo com o Modelo da Escola Moderna). Mesmo assim, lembro-me que, por altura das férias da passagem do 1º para o 2º ano, sentia-me frustrada por tentar que se interessassem por determinadas leituras e ver que, embora conseguissem ler com alguma facilidade, estas não os fascinavam... aconteceu com a Alice e depois com o Vasco. Claro que, à segunda vez, as minhas expectativas já eram diferentes e passavam pela compreensão também da maturidade deles...
Acho que, tal como outras pessoas cuja leitura desempenhe uma parte essencial nas suas vidas, sempre tive algum receio que os meus filhos acabassem por não apreciar ler, daí as minhas expectativas iniciais. Ao fim e ao cabo, tal como já contei anteriormente, eu passei para uma leitura fluente em muito pouco tempo, ficando com as portas abertas a histórias um pouco mais complexas...

De qualquer forma, ao seu ritmo, a Alice foi gostando cada vez mais de ler e tem sempre um ou dois livros (habitualmente na cama e na casa-de-banho). Ouço amigas falarem dos hábitos de leitura dos seus filhos e sei que até tenho sorte. Contudo, foi neste Natal que comecei a sentir-me bastante orgulhosa. A moçoila recebeu quatro livros e depois de dar uma volta rápida por cada um deles, escolheu a ordem e... atirou-se... em pouco tempo tinha-os devorado e, na decorrer da dinâmica, voltou-se para a coleção "Uma Aventura" - a qual não lhe tinha exercido grande fascínio até hoje, tendo lido três ou quatro - e começou a escolhê-los, "de enfiada"... De maneira que, e porque a fotografia já está desatualizada, desde o dia de Natal que já leu nove livros, encontrando-se agora a meio do décimo...


Com o Vasco, o salto foi ainda mais surpreendente... Na semana entre o Natal e o Ano Novo, encontrámo-nos com uma prima que se encontrava cá de férias e que lhe ofereceu este livro:


Ele interessou-se, de forma quase imperceptível, e demos por nós a ter que lhe arranjar um candeeiro melhor, para poder ler à noite. O livro é grande e, embora com bastantes imagens, a maior parte das páginas é composta por texto. Ele tem lido todos os dias uma parte e hoje escolheu enfiar-se na cama a ler, da parte da tarde, porque não lhe apetecia fazer mais nada... Todo contente, mostra como já passou de metade e como vai na páginas número 126... 

Tenho razão para andar orgulhosa ou não...?
Rita

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Noites de cinema

Andávamos a falar em fazer noites de cinema, com filmes sugeridos por todos, mas essencialmente - e não de uma forma  premeditada - por nós, pais, por falarmos muitas vezes em alguns que faziam parte das nossas vidas, ou por serem muitos bons, ou por terem determinados efeitos ou uma história  interessante. Fugindo aos tradicionais filmes infantis, de animação, dobrados.
Claro que há que programar bem. Ela tem 11 e já temos visto filmes de adultos uma com a outra. Mas ele tem só 07 e está a iniciar a leitura de forma mais fluida...
Calhou de, no final de Novembro, me aperceber que num dos canais estaria a começar o "E.T.", um dos muitos comentados. Deu para gravar e no dia 01 de Dezembro, iniciámos... as noites... ou tardes...
Ontem vimos o "Titani", já a acabar o limite de tempo para o fazer. 

É muito bom ver filmes com eles os dois. Muito. Claro que vemos filmes juntos há muito tempo. Mas a partilha é diferente quando se sai da área da animação, há todo um mundo de descoberta que acaba por ser mútua... Por vezes não consigo um envolvimento completo com o filme porque ainda tenho que ler algumas das legendas ao Vasco (começa agora a conseguir algumas das mais pequenas) ou parar a visualização para explicar alguma coisa mais técnica. Contudo, há toda uma série de novidades que passam por vê-los absortos e ligados à trama, por assistir ao envolvimento deles... 
Falam nos filmes depois durante dias... Com o "E.T." houve imensas referências ao boneco em si, bem como a todas as piadas e a diversas cenas do filme... Com o "Titanic" houve primeiramente o medo declarado de vir a ter pesadelos... e em seguida, imensos comentários entre eles, descrições, cálculos relativos às mortes de algumas personagens... adormeceram a falar no filme, acordaram a falar no filme e nomeadamente a Alice veio da escola a falar do filme... falou com colegas sobre o filme, pesquisou sobre o filme e os atores... surpreendeu-se porque o Dicaprio tem mais um ano que eu... e hoje declarou que era dos atores mais bonitos que já tinha visto... Depois, rimo-nos as duas às gargalhadas quando eu lembrei que, na altura do filme, também eu era dezanove anos mais nova... e que o Dicaprio, o Johnny Depp e o Brad Pitt  - que ela dizia que eram tão bonitos - tinham todos idade para ser pais dela... e que também tinham mau hálito pela manhã ou deixavam a casa-de-banho a cheirar mal...


Rita

domingo, novembro 13, 2016

Histórias de Fadas

Ontem o rapazeco ficou fanado e andou a brincar que tinha passado a ter duas balizas. Embrulhou o dente num papel e colocou-o ansiosamente por baixo da almofada. 
Hoje de manhã estava desiludidíssimo com a tão afamada Fada dos Dentes. Quase que dei com ele de lágrimas nos olhos. Fiz-lhe então a proposta: «Ouve, no mundo inteiro há um montão de miúdos a perder dentes... algum deles há-de gostar do que te calhou a ti... por que não escreves uma carta à Fada e propões uma troca...?»
E, no fim da tarde:


[Fada dos dentes, como eu não gostei da tua prenda porque já tenho uma coisa para fazer aviões, talvez me possas trocar a coisa dos aviões por 10 ou 11 saquetas de cromos de futebol 2016-17 por favor, por favor, por favor. Obrigada, desculpa. Para: Fada do dente De:Vasco]

Da carta passou para um desenho do que poderia oferecer à Fada, caso pudesse... Dali para outros desenhos e propostas de jogos... À noite, este era o cenário em torno da cama:


Como a Fada que vem cá a casa é muito fixe, ele é capaz de ser um rapaz de sorte...
Rita

segunda-feira, março 14, 2016

Deles, em registos diferentes, a alguns minutos de intervalo

Palavras de uma filha de dez anos, após uma notícia no telejornal sobre o último atentado em Ankara: "Não gosto de ver isto... Faz-me doer a alma... Todas as pessoas deviam viver como nós..." 
(Tradução interior do "como nós" no coração da mãe: em paz, com capacidade de lutar por uma felicidade...)

Palavras de um filho de seis anos, quando lê o nome do canto superior direito no écran de televisão - Nicolau - e lhe explico que foi uma pessoa importante que morreu: "O Pai Natal morreu...?!"

Rita

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Lá está: diferenças

Proposta de um jogo, feita pela Alice, ao jantar:
- Mãe, tenta adivinhar o que estou a dizer...
Leitura labial, portanto.
Frase da Alice: «Estas flores são muito bonitas.»
Frase do Vasco: «Sou um cagalhão.»
Rita

segunda-feira, novembro 30, 2015

Fim-de-semanário gráfico

Foi no outro dia, numa reunião da escola, que me apercebi que o Vasco investia pouco no desenho. 
Para mim, desenhar é importante. É uma forma de expressão que acaba por passar despercebida e ser pouco incentivada num ensino essencialmente virado para a escrita e a matemática. 
Fiz então uma proposta: um fim-de-semanário gráfico. Ou seja, um desenho por fim-de-semana, sobre o que quisessem, o que tivessem feito, o que desejariam fazer. 

No sábado, o Vasco desenhou assim:


A sua paixão de há algum tempo: o futebol. Ele e o vizinho João no páteo, a jogar futebol. E depois eu perguntei: «E a arrecadação?». E apareceu. «Não percebo como está o tempo? Faz sol? Está a chover?» E apareceu o sol e as nuvens. «E o limoeiro?» E lá estava ele, uma árvore maravilhosa. «Talvez pudesses dizer o que é o desenho...». Pumbas, legenda.
Depois, como se tivesse adivinhado o futuro, foi jogar à bola com o João. 

No domingo, lembrou-se de desenhar novamente. Desta vez uma curiosidade recente: dinossauros. A ver no livro, mas mesmo assim, uns belos dinossauros. 


Esta foi uma ideia muito fixe. Sou capaz de comprar um caderno e aceitar a proposta para mim mesma.

Rita

sábado, novembro 14, 2015

Esquecemo-nos de desejar

... um bom S. Martinho, com muitos magustos deliciosos por aí...!

(desenho do Vasco aos 05 anos, há um ano atrás)

Este ano, para além da sempre grandiosa Festa do Outono da escola (que atualmente se tornou num pré-magusto, tão pré que nem teve direito a castanhas, com grande pena nossa), nós também tivemos um magusto, com amigos e bailaricos na aldeia...
A notar: cá por casa, já todos gostam de castanhas, tendo sido a Alice a destoar e a demorar o seu tempo a ser conquistada. É óbvio que a pequena gostou à primeira dentada...


Rita