De repente, a miúda que andava por ali e fazia parte da família, mas como uma espécie de atriz de segundo plano, a miúda que queria sempre (mas sempre) os beijos dele e que o agarrava de vez em quando, tornou-se verdadeiramente importante. Importante enquanto entidade individual que faz parte do mesmo grupo em que nos inserimos, mas com mais capacidades do que as que temos e que por isso é alguém que se deve seguir, imitar e adorar...
Com esta "tomada de consciência inconsciente", o Vasco passou a olhar para a Alice, a querer fazer o que ela fazia, a repetir gestos, vontades, gostos, brincadeiras. É de tal forma que por vezes é preciso chamar-lhe a atenção para o facto dele ser uma pessoa diferente da que ela é e de gostar, por exemplo, de alimentos que ela pede para não comer.
A Alice sente-se feliz com a novidade. «Ele quer fazer tudo o que eu faço...» Vai aprendendo a requisitar-lhe serviços... «ralha com a mãe, ralha, ela foi má para a mana»... a provocar-lhe reacções e a gozar a sensação de se ser influente e adorado... ao mesmo tempo, aprende que por vezes também consegue irritá-lo...
Não sei quando esta relação passará a outra fase mas, neste momento, os dois são verdadeiros companheiros, compinchas de brincadeiras e risos e gritos e perseguições alucinantes e excitadas pela casa.
O que posso eu dizer... é maravilhoso.
Rita








