terça-feira, julho 19, 2016

Exercício-de-escrita-ou-talvez-não... ou... O-prometido-é-devido 1

Sabes... no dia em que me disseste que costumavas sonhar com ela e te respondi que já há muito que não me acontecia... sonhei...
Estávamos numa espécie de festa, não sei porquê nem por quem. Ela já estava doente, mas propôs-se cantar. E então cantou. Eu, que não me recordo de ela ser muito cantora, sonhei com ela a cantar o fado melhor do que a Amália. O fado. No meu sonho, eu ouvi e percebi que, a cantar, ela ficava menos doente. Como acontece por vezes com os gagos, sabes. E então chorei.
E depois acordei.
Rita

sexta-feira, abril 15, 2016

Ontem, passados 40 anos, estive lá...

...

... a representar o pai, deputado da Assembleia Constituinte e a partir de hoje deputado honorário à Assembleia da República. Título merecido para quem soube unir esforços e criar um documento que até hoje rege a nossa sociedade, a Constituição da República Portuguesa.
Eram muitas as caras conhecidas, figuras públicas, empresários famosos, dirigentes políticos, algumas através do pai e da sua actividade política. Muitos outros não reconheci, e o meu pai seria um deles se não fosse meu pai.
Para mim foi uma pena que ele não quisesse ir. Estava lá eu por ele, uma orgulhosa filha do seu não famoso pai, político por convicção, atualmente reformado com uma pensão demasiado baixa para as suas necessidades.
Ana Cristina

quinta-feira, março 31, 2016

Páscoa 2 - ou - A caça aos ovos da Páscoa de 2016

Descrevo por aqui a nossa caçada da Páscoa para que esta fique mesmo guardada em algum lado, já que os papéis se perdem e as recordações também... foi o que aconteceu com a de 2014 e a Cristina tem insistido para que eu não deixe que tal se repita... Portanto, seguindo o seu conselho e insistência, cá está, o post dedicado à Caça aos Ovos da Páscoa de 2016...!

Se há dois anos cada pista reservava em si dois ovinhos de chocolate, este ano o tesouro consistia no conjunto completo dos ovos, encerrando cada pista uma peça do enigma que permitia encontrar o local onde o mesmo estava guardado. Tal como na última ocasião, as pistas necessitavam do trabalho conjunto de cada um deles (Alice e Vasco), por vezes com colaboração de mais alguém da família. Cada pista estava guardada numa divisão da casa, de forma que a caçada obrigava a percorrer a residência para lá e para cá.

A caça começava com um texto introdutório por baixo do prato da Alice (colocada ali muito pouco tempo antes de ela a descobrir), para que fosse ela a lê-lo, e dizia: 

«Caça aos Ovos 2016


Então ouvi dizer que se querem divertir?

Na caça aos ovos vamos investir!
Há muito jogo e pista diferente, para quem assiste também ficar contente...
Vasco e Alice: cada desafio é alternado, para que um não fique até ao fim da caça condenado.
De cada pista, uma palavra sai...
No fim, o local do tesouro encontrai!
Conselho: podem precisar de lápis ou caneta, mas estejam descansados, não há ampulheta...


Preparados? Abrir... Pista 1: Sou um recipiente onde a planta cresce contente"


A Pista 2 estava portanto, num vaso, na marquise, e dirigida ao Vasco. O enigma era: «São umas caixinhas todas redondinhas... Gostam delas inteiras, misturadas ou em forma de estrelinhas... Diz lá então: quais são as coisas, quais são as coisinhas... que saem do cu das galinhas?» Depois de encontrada a palavra "ovos", a pista que indicava o caminho a seguir estava colada numa dobra do papel do enigma (como todas daí em diante) cuja abertura só era autorizada depois da solução: «Onde a mãe decide guardar coisas para as orelhas enfeitar»


A Pista 3 estava no meu quarto, no interior da minha caixa de brincos, e era dirigida à Alice. O enigma era: «Procura uma palavra pequenina, quase como um mero "só"... De um lado, bem redondinha, como se de um ovinha se tratasse, está a letra... Do ouro, a serpente malandra, como se de o comer gostasse, é a letra...». Depois de descobrirem a palavra "os", abriam o resto da pista, que dava o caminho: «No meu quarto, onde há um mundo, mas não o encontro num segundo...»

A Pista 4 estava então no quarto dela, por trás de um quadro com uma ilustração com um planisfério, e era dirigida ao Vasco: «Antes que tenhamos que beber um chá de tília, retira as letras da palavra Família. O que encontras com o que sobra?» Era uma cruzada de letras, o objetivo era ele retirar todas as que compunham a palavra em questão e descobrir as que sobravam: E-D-N-O-R-S-C... tendo eles depois que descobrir a palavra "esconder". Após o fazerem, abririam o resto da pista, com o caminho: «Onde há uma coisa que precisamos usar, depois de comer e antes de deitar.»

A Pista 5 estava colada por baixo do copo das escovas de dentes, era dirigida à Alice e dizia: «Havia um herói que era pequeno, no seu último dia fomos visitá-lo, encontrámos um planeta distante e de lá trouxemos prendas com cheiro a tangerina... Se a tua palavra queres encontrar, a essas prendas terás de ir busca. Procura aquela que é sobre uma e a mesma coisa... olhada e pensada de forma diferente, por muita gente... Vá, são só quatro letra, não pode haver mais tretas!!»
Este enigma era dos mais difíceis e era alusivo a um livro da editora Planeta Tangerina trazido do último dia da livraria "O Pequeno Herói", que existia há uns anos na Graça. Trata-se de "Uma mesa é uma mesa, será?"... e a palavra era de facto «mesa». Depois de a descobrirem (e a Alice descobriu, com muito esforço, alguma ajuda e amuos), abriam o resto da pista, com o caminho: «Nesse mesmo conjunto de folhas com palavras e letras, para que não restem dúvidas...»


A Pista 6 estava assim no interior desse livro, no corredor, e era dirigida ao Vasco: «É muito fácil, não há que enganar, só tens que na profissão antiga do avô pensar... Divide a palavra em sílabas ou bocadinhos, são quatro mas tu vais querer o primeirinho...». A palavra era "de", retirada da profissão "desenhador". Após a sua descoberta, o resto da pista continha o caminho da seguinte: «No meio do que pões no pé e que no fim do dia cheira a chulé...»

A Pista 7 estava no quarto do rapaz, no meio da gaveta das meias, e era para a Alice: «É igual a conseguir, mas pertence à segunda conjugação. É o verbo no presente, e conjugado como se fosse "o cão..."...». Não era fácil, mas a Alice lá conseguiu a palavra «pode». Depois, o resto da pista dizia: «A próxima pista está escondida nos utensílios de fazer a comida.»

A Pista 7 estava obviamente no meio das panelas, na cozinha, e era para o Vasco: «É a vogal mais usada no nome das pessoas presentes...». Ele teve que apontar o nome de todos e contar as vogais. Era, é mais que certo, a palavra "a" e depois de a encontrarem, partiam para a abertura do resto da pista: «A pista 9 está escondida no que se usa para controlar o que na sala podemos visualizar.»

A Pista 8 estava na sala, no compartimento que usamos para o comando da televisão, era dirigida à Alice: «Nada a comentar, no 2-6-6-3-7 vais ter de a encontrar!». O enigma consistia em descobrir que nas teclas do comando existem letras e que daí ela teria que extrair as correspondentes aos números indicados e descobrir a palavra "comer". Em seguida, vinha o desafio final: «Juntem as palavras todas que descobriram, encontrem a frase escondida e... onde está o tesouro da Páscoa?»

Depois de montarem a frase «A mesa de comer os ovos pode esconder!», caça terminada!!!




Rita

Nota: para algumas pistas, usei as ajudas do blog Tempo Junto, que são espetaculares...

sábado, março 26, 2016

Páscoa 1

Há dois anos, porque me encontrava de licença de maternidade da Joana e tinha tempo e disponibilidade mental, resolvi tentar criar algo que se pudesse impor como ritual de Páscoa. Dei então a ideia de fazermos uma caça aos ovos aqui por casa e, antes disso, de criarmos um recipiente que pudesse servir para eles colocarem os ovinhos que fossem encontrando. 

Os de 2014, feitos com aproveitamento de caixas de ovos (e que ainda andam cá por casa porque eles se recusam terminantemente a mandá-los fora), ficaram assim:


Em 2015, não tive capacidade para organizar nada destas coisas (com grande pena deles, que se fartaram de falar no assunto) e este ano resolvi voltar à ação... Com a Joana ainda não contamos, mas o nosso amigo vizinho aceitou prontamente o desafio e, recorrendo a pratos de plástico, lá fizeram os três uns "sacos de ovos" bem giros... As ideias são tiradas do maravilhoso mundo que é o Pinterest e adoro ver que já conseguem fazer quase tudo sem ajuda e com espetaculares rasgos de criatividade individual.


Resultado final de 2016:


Rita


sexta-feira, março 25, 2016

Refeições de comemoração inusitadas

Por vezes surgem assim, de forma inesperada... 

O aniversário de uma colega de trabalho, da minha ex-equipa que me deixa tantas saudades. A proposta feita de manhã, prontamente aceite. O caminho percorrido a pé, em grupo, até ao restaurante brasileiro. Um rodízio saboroso, regado a caipirinha, sangria, boa conversa e grandes risadas. A surpresa que ela nos decidiu fazer, por contraponto ao que deveria ter sido.
Em resumo: um excelente almoço, gozado na companhia de quem sinto muito a falta, mesmo trabalhando no mesmo corredor que eu... 


No dia seguinte, mais uma surpresa... Uma ponte repentina a levar a um almoço de família a quatro, na Hamburgueria no Talho - restaurante novo na nossa zona e ao qual ainda não tínhamos ido. Uma boa experiência, sem andar sempre atrás das duas pernas pequeninas da casa, que só fomos buscar à creche a seguir. Ainda por cima em dia de sol, tendo podido passear pelas ruas sem horários e a pensar nos próximos dias de mini-férias.


De repente, uma amiga que se lembra da urgência de marcarmos um jantar como este, ou este (que foi o primeiro). A marcação para o dia seguinte, a aproveitar a estadia daquela que agora não anda por bandas portuguesas diariamente e a ida de outra para dias de férias no estrangeiro. A urgência justificável por essas lembranças repentinas e talvez pela necessidade premente de convívio. 
Na verdade, dou a volta à cabeça e, tirando o jantar com direito a ir ver o "Mamma Mia" (que não terá dado post por aqui e que já terá sido em 2008, acreditam...!), não me lembro de mais nenhum... E sabem tão bem e são tão bons... 
E se esses posts falavam de jantares já não muito fáceis de marcar na altura, imagine-se agora... que somos as mesmas quatro trabalhadoras, mas todas mães (por alturas do primeiro jantar havia só três filhos, agora perfazem nove...!), uma já fora de Portugal, cada uma com a sua família e horários e casa... Mas talvez por ser mais difícil, temos mesmo de garantir que os fazemos mais vezes... e agradecer a quem tem essas ideias repentinas e age com urgência, mesmo que depois de esqueça de marcar mesa e acabe por nos calhar na rifa aquela que fica mesmo mesmo encostadinha à porta... 


Há semanas de sorte, caramba...
Rita

segunda-feira, março 14, 2016

Deles, em registos diferentes, a alguns minutos de intervalo

Palavras de uma filha de dez anos, após uma notícia no telejornal sobre o último atentado em Ankara: "Não gosto de ver isto... Faz-me doer a alma... Todas as pessoas deviam viver como nós..." 
(Tradução interior do "como nós" no coração da mãe: em paz, com capacidade de lutar por uma felicidade...)

Palavras de um filho de seis anos, quando lê o nome do canto superior direito no écran de televisão - Nicolau - e lhe explico que foi uma pessoa importante que morreu: "O Pai Natal morreu...?!"

Rita

quarta-feira, março 09, 2016

Para fixar

Este foi o dia em que a minha filha mais velha viu neve.

Esta semana foi a primeira em que a minha filha mais nova deixou de se autodenominar de "Pana" para passar a ser "Oana".

Em resumo: o mundo é delas!!
Rita

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Experiências novas que se fazem cá em casa

Sempre assim foi. Quando vêm passar uns dias a casa dos tios, gostam de ter dias diferentes. Daqueles que são cheios de televisão de manhã (porque a tia dorme sempre até tarde), de brincadeiras malucas e lutas de cócegas, de pinturas com tintas e projectos criativos, e de filme à noite (dos que estão guardados na box de gravação e que habitualmente até já viram mas não se importam de voltar a ver). Foi assim que, em tempos, vimos repetidamente o "Mamma Mia" e escolheram a música para banda sonora do filme que eu produzi e realizei e que eles ofereceram à família como presente de natal de 2013. É nestes dias que fazemos gravações malucas, quase sempre cheia de novas aptidões físicas, ou palhaçadas. Depois vemos tudo no computador e rimo-nos imenso. Quando os dias estão bons também damos passeios ou vamos ao parque aqui perto de casa e que, por ser grande e diferente, eles gostam de ir frequentemente. São dias diferentes mas cheios de rotinas, que passam por saber gerir muito bem o tempo porque normalmente os projectos são imensos para as poucas horas de brincadeira. Para nós, são também dias muitos diferentes, com o barulho e confusão que só os miúdos pequenos fazem. Enchem a alma e fazem saudades. 
Numa das ultimas vezes que cá estiveram fizemos um pic-nic na sala. Com tudo a que tivemos direito; sumos de pacote, batatas fritas, cada um a fazer as suas sandes com tudo o que apeteceu, pratos e talheres de plástico... Foi uma estreia, tanto para os sobrinhos como para os tios. E no fim, o resultado foi quase o mesmo dos pic-nic's no pinhal quando era pequena. Uns brincaram, outros descansaram mesmo ao lado da toalha.



Fica o registo fotográfico, e a ideia. Fazer pic-nic's na sala é muito fixe, sobretudo de inverno.
Ana Cristina

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Cá em casa temos um novo habitante

Um menino-gato. Um mano mais novo para a Misha. Com quase um ano e meio, chegou receoso e muito tímido, mas disposto a confiar nos humanos que o receberam com muito mimo e a dar a volta à felina que por aqui era dona e senhora. Não respondia pelo nome e por isso os sobrinhos decidiram que teriamos de lhe mudar o nome. Ficou Cobi, porque os livros dizem que os gatos respondem melhor a nomes com som de i, porque estamos em ano de jogos olímpicos, e porque a mascote dos de Barcelona assim se chamava e também era uma mascote bonita e simpática.
E chegou pra conquistar, tantos os humanos como a mana-gata. E a integração tem sido muito mais fácil do que imaginámos. Em apenas uma semana tornou-se um membro da família, mais um curioso e traquinas como a que cá tínhamos em casa, que faz parceria na destruição das plantas que o dono tanto gosta e partilha um espaço na cama durante a noite. Apresento-vos o Cobi e a sua semana cheia de emoções. Conseguem perceber a evolução?
Ana Cristina

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Carnaval de 2016

A sexta-feira foi para o desfile da escola, já para não mencionar o facto de ter sido dia de trabalho. O fim-de-semana foi passado de volta do torneio de futsal do filho sanduíche. A segunda-feira foi para o Museu da Carris. Hoje a tia estava de folga e o dia de Carnaval era nosso. 
Se o tempo decidiu repetir a graça de não nos permitir ir a uma cidade com corsos carnavalescos, repetimos nós igualmente o programa do ano passado: bowling. As palhaçonas compareceram, mas desta vez acompanhadas por um boneco de neve (com nariz já deficiente, fruto de vários dias de mascaradas), um Minion e um tropa. O Charlot rumou a outras paragens, mas o nosso amigo vizinho, sempre boa companhia, aderiu com facilidade à ideia. 


Acabo o Carnaval sempre com a recordação de ideias antigas (a de mostrar aos miúdos outros carnavais que não só o deles e não só o nosso) mas também com novos desafios (experimentar novas palhaçadas que não só palhaços, quem sabe até uma palhaçada em conjunto)... e o desejo de uma festa por mais dias...
Rita

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Museu da Carris

A aproveitar a minha folga e as férias deles, fomos com o nosso amigo vizinho João ao Museu da Carris. 

O Museu da Carris é extraordinário e ficámos fãs. Fica na zona de Alcântara e está dividido em três blocos, com direito a viagem de elétrico entre eles. 
No bloco 1, podemos ver um conjunto de objetos e fotografias relacionados com os autocarros, elétricos, elevadores e metro: as antigas "missangas" de madeira em que consistiam os bilhetes, as fardas dos condutores, revisores e vendedores de bilhetes, as miniaturas de alguns dos transportes da história da Carris, os quadros sinópticos da antiga rede de metro (por antigo entende-se de há uns quantos anos atrás, sei lá... quinze...?), mobiliário administrativo e até instrumentos musicais da banda da Carris. Para mim, destacou-se o espelho em que os funcionários se observavam antes de começar a trabalhar e onde se encontrava gravado: "Mais um minuto e veja como se apresenta ao serviço. Atenção! A barba está feito e o fato bem limpo? Note bem. Um aspecto de limpesa agrada a todos."
A seguir, nos Blocos 2 e 3, podemos ver, entrar e mexer em elétricos e autocarros antigos, desde aqueles que eram puxados por cavalos até aos mais recentes (alguém se lembra daqueles que circulavam há uma dúzia de anos, cor de laranja e com assentos em plástico?), passando pelos de dois andares e até podendo experimentar uma cabine do metro...! O espaço dá para correr e brincar e fazer aquilo que qualquer miúdo (ou adulto infantilóide) gosta: tocar à vontade!!!! 



Fica ainda por mencionar que podemos estacionar dentro do Museu, até ser atingido o número de lugares disponíveis. E que os funcionários são genuinamente simpáticos e transparecem gostar mesmo de nos ter lá. E que os valores de bilheteira correspondem a 4 euros por adulto e 2 por criança a partir dos seis anos de idade. 
Parece-me que já têm onde ir no próximo fim-de-semana...
Rita

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Os filmes das nossas vidas

Há filmes que se tornam marcantes nas nossas vidas. Porque os vimos muitas vezes, porque os descobrimos numa altura da nossa vida que somos vulneráveis e sedentos de sentimentos arrebatadores, ou mesmo porque são realmente bons filmes.
É o caso deste. Porque o tínhamos gravado em cassete (provavelmente beta) a Rita um dia descobriu um filme realizado na época em que nasceu. Um filme "antigo", que amou à primeira vez que o viu. De tal forma o marcou que o reviu "centenas" de vezes. Apresentou-o a todos os amigos da época, fazendo sessões de cinema em casa para verem o seu filme preferido; "Feios, Porcos e Maus", uma obra cinematográfica de culto, neo-realista, à laia de história trágico-cómica que tem como fundo a grande cidade de Roma. 
Este é, sem dúvida, um dos filmes da vida da Rita.


Lembrei-me dele porque o seu realizador, Ettore Scola, faleceu há dois dias. Lembro-me tão bem deste filme que acho que também posso dizer que este foi um dos filmes da minha vida. Fiquei com vontade de o rever. Queres, Rita?
Ana Cristina


sábado, janeiro 09, 2016

E, esta semana, no Dia de Reis

Recebi um presentinho de quem não esperava. Uma vizinha ofereceu-me umas pegas feitas por ela. Mostro-vos, para que possam ver como são lindas e um trabalho de pontos pequeninos e com uma linha fina.


Gostei. Lembrei-me das da avó Joana, também feitas em crochê, com linha mais grossa (mas provavelmente muito fina para os seus olhos de lentes grossas). Algumas são forradas a tecidos que me lembro de ver lá em casa, como o cor-de-rosa com meninos que era o da colcha da minha caminha na casa dos avós, cor de casca de ovo feita pelo avô para a primeira neta. Bateu-me uma saudade boa... 


Ana Cristina

segunda-feira, dezembro 28, 2015

O Calendário do nosso Advento - dos dias 15 a 24

Dia 15 - Hoje vamos fazer um jogo cómico de Natal à hora do jantar.
Mais uma ideia simples e divertida: fazer um boneco de neve de olhos tapados... Foi resultado de muita risota e muitas experiências subsequentes... e percebemos distintamente que alguns têm muito melhor perceção do espaço dos seus desenhos, ora veja-se:

Por baixo, do lado direito, o desenho do Vasco; em cima dele o do Pai; por cima da foto da Alice, o desenho dela (dois, para demonstrar que de facto conseguia, de olhos fechados, fazer muito bem o boneco e ainda uma árvore...)

Dia 16 - A Joana tem a sua festa e não há muito tempo... vamos acabar as coisas que começámos a fazer?
Já nem sei se conseguimos acabar alguma coisa...

Dia 17 - Dia da mãe cá de casa! Vamos dar-lhe muitos mimos, levá-la a sair à noite para ver as iluminações de Natal.
Bem, nada a dizer... Foi o dia dos meus quarenta, recheado de prazeres bons e pequenos... E descemos à Baixa e vimos mesmo as iluminações e o espetáculo do Terreiro do Paço, ao qual se seguiu um jantar de aniversário fixe no MacDonalds...


Dia 18 - Se queremos o calendário continuar, as atividades anteriores temos de acabar...
Foi só neste dia que conseguimos acabar o projeto do Pai Natal... se não contarmos com as rédeas e hastes das renas...

Dia 19 - Hoje o jantar é um piquenique!

Dia 20 - Vamos encher uma saca de brinquedos que não precisamos para dar aos meninos que não têm...
E encheram... mais do que um saco, que levámos logo no dia a seguir a um Centro de Acolhimento... esperamos que tenham feito sucesso, os brinquedos que foram tão mimados cá em casa... 

Dia 21 - Dia de tirar uma boa foto de Natal para enviar a todos com desejos de boas festas!
Também não tirámos, pode ser que venha agora uma para o ano novo...

Dia 22 - Falta a mensagem de Boas Festas deste ano para os vizinhos...
Também não a fizemos, mas foi mesmo por necessidade de ir comprar algumas prendas que ainda faltavam...

Dia 23 - Vamos fazer a prenda para os tios... e talvez consigamos acabar o que está pendente...
Esta foi a "minha" prenda orgulho deste Natal... porque foi feita com muito carinho, planeamento e (acho que alguma) criatividade... o processo foi divertido e o resultado foi estupendo... eles aceitaram a minha proposta de darem mãos e pés para pintarem uns individuais para os tios, levaram-na a cabo e eu dei a grande parte dos retoques finais... Acho que foi uma das grandes prendas que os miúdos já fizeram para oferecer aos tios!



Dia 24 - Dia de ajudar em tudo o que for preciso!
Foi mais de acabar os individuais iniciados no dia anterior...

Balanço deste ano: entre três a quatro atividades propostas não realizadas... e mais alguns dias ocupados a tentar realizá-las... Para o ano pode ser que consigamos fazer tudo.
Rita

domingo, dezembro 27, 2015

O Calendário do nosso Advento - dos dias 08 a 14

Dia 8 - Hoje é dia de fazer as prendas para os avós!!! Propõe-se pintar-lhes umas velas que até podem vir a ser acesas no Natal... A Joana também participa!
Resultado final: as velas e os seus "transportes", como lhe chamou o Vasco... e quando rimos e dizemos que ele queria dizer "suportes", ele insiste que não, que queria mesmo dizer "transportes"... a Alice ajuda à festa, referindo que dá para transportar as velas nas bases, por isso...


Dia 9 - O pinheirinho precisa de uns enfeites vossos para este ano. Vão fazê-los com uma técnica nova e divertida...
Na verdade, só ela é que seguiu a técnica nova, do ponto cruz... e não foi fácil, tendo tido muitas ajudas minhas. Para ele optou-se por um enfeite mais simples, feito em dez minutos... e a surpresa foi ter, como prenda de Natal realizada na creche, um enfeite da Joana... 




Dia 10 - Como será o Natal na China? E se pesquisássemos, para saber?
Às vezes, as ideias simples, guardadas para dias com pouco tempo, surpreendem pela positiva. Os dois ficaram todos animados com a pesquisa na internet sobre o Natal chinês... e menos depois de constatarem que não se festeja o Natal na China...

Dia 11 - Como apareceu o Pai Natal? E se fizéssemos um projeto sobre isso? Hoje é o dia da pesquisa...
Diz 12 - Dia de construir ou montar o projeto de ontem...
O João vizinho também participou e fartámo-nos de aprender, sobre o São Nicolau, sobre a roupa vermelha e branca, o trenó e as renas do Pai Natal, e sobre o falso mito do seu nascimento estar ligado à Coca-Cola... Ficou lindo... (e só agora reparo que ainda não se acabaram rédeas e hastes)!





Dia 13 - Hoje vamos ajudar a fazer uma Árvore de Natal para a Joana brincar...
Esta proposta ficou para o ano, não houve oportunidade...

Dia 14 - Hoje só há tempo para o festejo de Natal do futebol do Vasco...
Esta é sempre uma boa - e, mais que boa, necessária, tendo em conta a azáfama dos dias normais de Dezembro até às férias - ideia para o calendário: aproveitar as já esperadas e quase incontáveis festas e festividades e convívios normais da data para os dias correspondentes no calendário...


Rita

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Ontem foi dia de festa... para a menina Rita

Eu diria que teria sido a uma quinta, porque era o último dia de aulas antes das férias do natal, mas ao que parece foi numa quarta. Pouco importa. Ontem foi quinta e o dia foi dela (mais ou menos, mas foi o dia possível quando se é uma mulher trabalhadora, com os pais numa fase mais dependente e mãe de três filhos). Teve direito a tudo um pouco; almocinho com os pais e irmã; folga à tarde; jantarinho fast food com maridinho, filhotes e mana (eu mesma, pois claro); um presente muito desejado; goluseima com vela imaginária e parabéns na rua; e para abrilhantar a coisa uns choros, amuos e gritarias.
Para mim, a mana babada, não podia ter sido melhor. O que mais poderia querer uma mulher a entrar nos novos trinta que tempo de qualidade com quem mais se ama. Um jantar com amigos? Vai ser hoje. Tirar foto com o Pai Natal? Tirámos...


E já agora, porque se anda parca em palavras e em posts, relembro este escrito há nove anos. Acerca do dia que marcou a minha infância. Fez ontem 40 anos.
Ana Cristina

terça-feira, dezembro 08, 2015

O Calendário do nosso Advento - Dia 5, 6 e 7

Deveria deixar os Dias 5 e 6 para a Tia, porque foi com ela que a Alice e o Vasco os passaram... Ficam assim as propostas do Calendário, mas fotos, descrições e sentimentos ficarão para ela, caso os queira partilhar... É um desafio, mana, vamos ver se o aceitas... 

Dia 5 - Dia para ir ver ao cinema com a Tia!
Dia 6 - Dia de fazer uma maluquice de Natal com a Tia...

Como acontece sempre em Dezembro, o fim-de-semana foi passado na casa dos Tios. Trocas de turnos deram origem ao tempo todo para eles... a Joana ainda não foi porque as atividades planeadas não seriam possíveis, mas deve aguardar ansiosamente pela oportunidade... E como sei que adoram e que se divertem imenso, não sou capaz de deixar de pensar que este fim-de-semana deveria ser obrigatoriamente instituído pelo menos com frequência trimestral. Bom para a Tia, bom para os sobrinhos... excelente para os pais, devo admiti-lo...

Dia 7 - Vamos descobrir o que é uma embalagem solidária dos CTT e... preenchê-la...
Esta obrigou a consultar a net antes do pequeno-almoço, para saber do que se falava... E, se com a Alice foi pacífico, houve uma série de conceitos (para além da recordação do que são os CTT ou correios) a explicar ao Vasco, quando confessou que não tinha percebido nada... falou-se então de solidariedade, instituição, a forma como alguns meninos podem viver numa instituição e porquê... 
No fim, depois de algumas compras e de buscas por coisas que já não precisávamos, conseguimos orgulhosamente este conjunto para a Ajuda de Mãe:


Fraldas, toalhitas, leite em pó, cotonetes, soro... e, em segunda mão, um cobertor, biberons, recipiente para o leite, fraldas de pano, babetes (quase não usados) e dois bonequinhos... 
Faço uma ressalva, para quem possa estar interessado: não é possível trazer a embalagem solidária (há em dois tamanhos) da estação dos correios para casa, os items são levados para aí e colocados na embalagem fornecida e que não sai da estação. 
Descobrimos também o Pai Natal Solidário, dos CTT, e ficámos a pensar em apadrinhar uma carta... e em preencher mais embalagens, ao longo do ano...
Rita

sábado, dezembro 05, 2015

O Calendário do nosso Advento - Dia 2, 3 e 4

Dia 2 [como não poderia deixar de ser] - Dia de fazer a Árvore de Natal e enfeitar a casa
Ainda não está tudo. O pinheirinho está preparado para a festa e na sala há uns salpicos de enfeites. Na caixa de cartão das coisas de Natal, um conjunto de enfeites feitos ao longo dos anos de vida deles para a escola encontra-se à espera de engalanar o resto da casa, mas a parte principal da tarefa está pronta e isso é que é preciso.

Dia 3 - Vamos escrever a carta ao Pai Natal com o que gostaríamos de receber. Só depois abrimos esta janela... [o papel estava dobrado em dois e colado com fita cola, para só ser possível ver depois da primeira parte da tarefa estar feita] Agora, escrevemos uma carta aos pais, sobre o que queríamos receber deles neste Natal...
A ideia tinha sido retirada de algo que tinha visto no facebook: uma espécie de experiência do Ikea, onde se pedia isto aos miúdos. O resultado é que, após as escolhas dos brinquedos preferidos, os filhos concentravam-se essencialmente em pedir aos pais mais tempo e disponibilidade para eles. O vídeo era lindo e tive curiosidade de saber o que diriam os meus filhos...

Carta da Alice ao Pai Natal:
«Querido Pai Natal!
Enfim, já é dezembro, eu acho que os meus pais estão orgulhosos de mim, portei-me bem eu queria: uma Nicoleta [outra?! deve pensar que cá em casa se faz coleção...], vária roupa (Zara, Bertca e H&M), várias coisas da ale-hop [eu acho piada à indefinição, "várias coisas"], um quarto só para mim [eheheheh, só se for acompanhado de uma máquina que estique a casa, isso é que era fixe, poderíamos acrescentar-lhe também uma arrecadação de todas as coisas que estão desarrumadas e que há anos não nos apetece arrumar e ainda um quarto para fazer de atelier, que dava jeito e é mais fino do que ter um escritório], uma nintendo, uma FAMÍLIA FELIZ [e não está a falar do prato chinês], um escondidinhos (peluche), boneca da disney (big-hero six ou outras).
Feliz Natal Ho Ho Ho Chau»

Carta do Vasco ao Pai Natal:
«Uma playstation portatil, uma televisão só para mim, uma nintendo, um peluche urso»

Se não fosse sabê-los sem grandes desejos (não são daqueles miúdos que falam imenso em coisas desejadas, ficam até um pouco desnorteados quando se lhes pede uma carta), diria que a frustração iria ser o sentimento da noite de Natal... 

Carta da Alice aos pais:
«Eu queria: várias bonecas, um estojo de pinturas [perguntei-lhe, é mesmo material de papelaria, não de maquilhagem], um computador, bonecas da disney, um diário [deve ser para juntar à meia dúzia que já tem], coisas da Clares, um telemóvel, experimentar aulas de zumba para crianças [ * ] , um piano, peluches. 
Fim»
[a notar: para nós, nada de desejos de bom Natal, o velhote das barbas ficou com todos...]

Carta do Vasco aos pais:
«Um campo de futebol pequeno [ ], ir à kidzania, ir ao cinema, ter uma piscina de bolas cá em casa, ter um cão eletrónico [já tem, um cheio de flatulência, adorado por todos cá em casa e pelas visitas], ter o golfinho Blu Blu [segredado pela irmã], Arlo telecomandado [segredado pela irmã

[A quem ofereça prendas aos meus filhos: não se preocupem com estes desejos. Poucos serão realizados e eles sabem-no. Não se importam. Todos os anos temos esta conversa e têm perfeito conhecimento que receberão muitas coisas em que nunca tinham pensado e que essa surpresa traduz a maior magia de todas.]
De qualquer forma, conclusão da experiência: materialismo 1, idealismo 0. Os miúdos do Ikea são o máximo... ou então os meus filhos são uns sortudos e têm pais que lhes dão o tempo todo que eles precisam... é isso, de certeza ;-) Vê-se logo, pelo pedido das nintendos, playstations e televisões, que precisam é de tempo sem nós, para ficarem isolados do mundo...

Dia 4 - Escolher uma música de Natal e construir uma coreografia... quem sabe, pode ser apresentada na noite de Natal...
Esta não foi feita comigo, mas já pedi para me mostrarem. Estava bem, era basicamente cada um a dançar da sua forma, para o seu lado, sem qualquer tipo de gestos preparados com antecedência... presumo que serão igualmente um grande sucesso na noite...

Rita

[ * - YUPIIII!!! É bom quando acertamos nas prendas que não sabemos que os filhos querem, antes de lermos qualquer carta que tenham escrito... Fixe, fixe, fixe... devemos ser, de facto, uma família feliz, mesmo sem as letras garrafais...]

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Lá está: diferenças

Proposta de um jogo, feita pela Alice, ao jantar:
- Mãe, tenta adivinhar o que estou a dizer...
Leitura labial, portanto.
Frase da Alice: «Estas flores são muito bonitas.»
Frase do Vasco: «Sou um cagalhão.»
Rita

quarta-feira, dezembro 02, 2015

O Calendário do nosso Advento - Dia 1

Com Dezembro chega a época natalícia cá a casa, o que é o mesmo que dizer que se pendura o maravilhoso Calendário do Advento com um segredo por cada dia encerrado nas suas pequenas algibeiras... 

O Calendário é uma tradição da nossa família há cinco anos. Envolve muito planeamento meu, muitas pesquisas na net para atividades e trabalhos a propor, muitos olhares para o calendário do mês. Há escolhas indicadas para cada dia, consoante a vida extracurricular dos filhos: às segundas há um tempo livre com a Alice, depois do piano, mas o Vasco chega mais tarde, do futebol; às terças e quintas os minutos são poucos depois das ginásticas de cada um; às quartas ela está livre mas ele tem terapia da fala, da qual, apesar de tudo, não chega tarde; às sextas ele volta mais tarde do futebol mas a noite é mais comprida devido ao fim-de-semana que se avizinha. Os sábados e domingos são maior garantia de tempo para atividades mais compridas, mas há que ter em conta o restante planeamento do Natal e das prendas. Também é preciso nunca esquecer dias de trabalho suplementar, em que as atividades poderão ter que ficar a cargo do pai, menos dado a trabalhos manuais. O objetivo é chegar ao dia 25 com a realização completa das propostas para cada dia, mas isso não depende só de mim e nunca conseguimos um ano que tudo tivesse corrido da forma pretendida. Não faz mal, a vida precisa sempre de ajustes e a verdade é que se vai melhorando com o tempo e a prática.
Eu sou fã do Calendário, que promove tanto do meu stress natalício, mas tanto prazer nos momentos de convívio com os filhos. Começo a pensar nele com muita antecedência e tenho no computador documentos criados que me permitem colocar ideias ao longo do ano. E, claro, felizmente tenho amigas como a V, que me acompanha nestas paixões e nos planeamentos diários, partilhando sugestões, compras, conversas...

Este ano, o Calendário reservava-nos a leitura para o Dia 1: «Olá novamente! Vamos começar a época natalícia com a leitura de uma história de Natal emprestada...»


Na ideia de não ceder ao eterno consumismo, a colega E emprestou "A história de Natal de Auggie Wren", de Paul Auster. Lemo-la a seguir ao jantar, ainda à mesa. É magnífica e, nesta edição, da ASA, as ilustrações são um belíssimo acompanhamento. 
Imaginemos que alguém utiliza uma mentira para fazer algo de bom e inesquecível a alguém. Pode algo de incorreto tornar-se correto? Pode uma mentira sê-lo, se partilhada por opção por duas pessoas que conhecem a verdade? A extraordinária escrita e o suspense da história deste livro tornaram-no muito agradável e suscitaram conversas interessantes em torno destas perguntas... Foi assim um grande início do nosso Advento deste ano, obrigada E!!!
Rita