segunda-feira, outubro 05, 2015

Declaração de intenções

Aqui se declara, no dia 5 de Outubro de 2015, dia útil (porque foi roubado) a seguir às eleições legislativas que os resultados eleitorais não refletem as minhas opiniões, nem o meu voto. Sim, porque eu votei! Tal como o fiz em todas as vezes que tive essa hipótese. Nunca desperdicei o meu direito, que considero ser um dever.

Imagem tirada da net

Hoje foi dia de reflexão acerca dos resultados. De luto pelos resultados, pois claro. Porque apesar de reforçada a força politica com que me identifico, lamento que tenha sido parca a manifestação de desagrado da população pelas políticas do anterior governo. E mais do que tudo, lamento que sejam cada vez mais os que desperdiçando o seu dever, se esqueceram que votar é um direito, conquistado apenas há 41 anos. 
Neste dia lembro a minha avó Joana que, quase analfabeta, desde que pôde sempre fez questão de votar. Ou a D. R, que na sexta feira passada foi ao cabeleireiro para ir bonita à mesa de voto e que estava preocupada se a filha não tinha tempo de a levar a votar. Hoje tenho pena que toda a nossa população não seja toda como a avó Joana ou a D. R.
E venho a este espaço declarar que, A LUTA CONTINUA! Eu vou continuar a manifestar-me pelo que acho justo, a fazer greves quando assim tiver de ser, e a votar...
Ana Cristina

quinta-feira, setembro 17, 2015

Os Bebés de Auschwitz - nascidos para sobreviver

Hoje venho lembrar uma das minhas últimas leituras, num post que há muito não havia por estas bandas. Este livro segue uma temática que me interessa; relembrar o holocausto, a vida nos campo de concentração, e as atrocidades que os homens foram capazes de cometer a outros homens, por motivos étnicos, religiosos, económicos... ou seja políticos.

Desta vez li, "Os Bebés de Auschwitz", um livro lançado recentemente, fruto da pesquisa da sua autora, uma escritora e jornalista britânica de nome Wendy Golden de quem eu nunca tinha lido alguma coisa. Baseado numa coincidência;  a de três crianças terem nascido nos dias que antecederam a libertação do campo de concentração em que as suas mães estavam detidas, por coincidência o mesmo, e de terem sobrevivido os seis, mães e filhos.
Escrito em estilo jornalístico, este livro relata três vidas, de três mulheres que, no final do ano de 1944  deram entrada no campo de concentração de Aushwitz e apesar de todas as provações, sobreviveram. Estavam as três grávidas, ainda no início da gestação. As três negaram a gravidez e conseguiram encobri-la todo o tempo. Foram transferidas para uma fábrica de trabalhos forçados nos arredores da cidade alemã de Dresden e em Abril de 1945, mesmo no final da guerra foram transferidas para o campo de extermínio de Mauthausen numa viagem de comboio que durou vários dias porque o destino foi alterado várias vezes devido à destruição das linhas férreas e da aproximação dos aliados. Chegaram no dia em que a sala de gaseamento funcionou pela última vez. Uma série de coincidências, de pequenas sortes que foram essenciais para a sobrevivência destes três bebés e das suas mães. Nunca se conheceram nem souberam da existência umas das outras.
Quantos outros não morreram nos mesmos dias, nas mesmas horas...
Vale a pena ler este livro, que acima de tudo nos relembra que a capacidade de sobreviver passa também por uma certa alegria de viver, mas sobretudo pelo conjunto de coincidências que nos rodeiam. Neste livro lembram-se várias pessoas que com pequenos ou grandes gestos ajudaram as pessoas condenadas a sofrer até à morte, mas lembra também os muitos que viram e calaram, viraram as costas ou pura e simplesmente continuaram nas suas vidas, e esses foram muitos, muitos mais.

Coincidência também é a do nascimento de uma menina, nos mesmos dias, em terra distante chamada Viana do Castelo-Portugal, e que nascendo sem as restrições por que os outros bebés passaram, também ela sobreviveu, cresceu, tornou-se uma mulher e fez este ano 70 de idade tal como os bebés do livro. Mas a que eu estou a falar, é por coincidência, a minha mãe.
Ana Cristina

quarta-feira, setembro 16, 2015

Piadas desportivas de um filho

1.
No outro dia, o Vasco e o nosso amigo vizinho estavam a jogar à bola no pátio. A certa altura, começaram a rir-se a alto e bom som, sendo que o amigo veio dizer que o Vasco não tinha marcado golo, encontrando-se mesmo à frente da baliza, e sem guarda-redes. O Vasco concordava, bem-disposto:
- Eu hoje estou invencível a falhar remates!!!!

2.
No fim-de-semana, após lhe comprarmos uns ténis novos, ficou entusiasmadíssimo, mostrando-os e falando deles a toda a gente. A certa altura, gabava-se:
- Oh mãe, estes ténis são mesmo bons, até se dobram e tudo, vê lá, é que se dobram mesmo...!


Rita

segunda-feira, setembro 14, 2015

As férias acabaram, pelo menos por enquanto

Este blog estava de férias há uns dias, tal como eu. É verdade, que as férias souberam a pouco mas já passaram e o que interessa é que o novo ciclo se faça, de preferência com sucesso que é como quem diz, que a vida continua. Hoje é dia de voltar às rotinas do trabalho, aos turnos, aos stresses do serviço (que, com a falta de pessoal, ainda se tornam maiores). Uma nova fase se aproxima, e que se prevê cheia de dificuldades e lutas constantes. 
Mas hoje é dia também de inícios para os sobrinhos, de primeiro ano para o Vasco, de segundo ciclo para a Alice. Ontem pareciam entusiasmados, quando preparavam as mochilas do primeiro dia. O Vasco queria, porque achava importante, levar um caderno e um estojo com canetas e lápis na mochila nova e queria guardar o lanche ontem pra a experimentar. A Alice, depois de muito procurar e com ajuda, lá encontrou um caderno fixe para levar no primeiro dia, escolheu o estojo e ofereceu um lápis novo ao mano para lhe dar sorte. Pareceram contentes e esta manhã mandaram a foto da praxe à tia babada.
Lembrei-me dos meus próprios inícios. Do primeiro dia de aulas não tenho ideia, tal era o hábito de acompanhar a mãe à escola que não foi marcante. Lembro-me bem é da pasta da escola. Feita de serapilheira, com uma bolsinha de plástico com lápis de cor, foi o meu pai que ma ofereceu e tenho ideia que foi aos 5 anos porque ainda não andava na escola. Mas lembro-me bem de andar com ela na mão o dia inteiro, de dormir com ela e acordar em pé, no quarto, com a pasta na mão... era mesmo uma paixão.
Mais tarde tive outra pasta, azul escura, como a que mostro aqui mas com os meninos rabinos, uns desenhos animados da época que lembravam que estava na hora de deitar. E dessa também me lembro bem.

Ana Cristina

quinta-feira, setembro 03, 2015

Começa amanhã. E nós, para variar, lá estaremos!


Pode ser que a gente se veja por lá, nesta que é melhor festa do ano...
Ana Cristina & Rita

O livro que se perde faz sempre falta


Há muito que neste blog não se falava de livros. Mas eles por estas bandas não faltam, como sabem. Actualmente falta-me um, porque O PERDI! Ao livro e à maravilhosa capa de livros que o forrava quando acompanhei o pai à consulta no hospital. Fico sempre chateada quando perco alguma coisa... mas agora só posso desejar que tenha sido encontrado por alguém que goste tanto de livros como eu, que o leia e que use a capa muitas vezes.
Por isso, venho por este meio, desejar as melhores leituras a quem encontrou o meu livro.
Ana Cristina

segunda-feira, agosto 31, 2015

Coisas boas

Só num prédio espetacular como o meu é que existem miúdos fixes... que resolvem fazer uma espécie de festa com mensagem de boas vindas e prenda para os meus... 


Estou enternecida...
Rita

domingo, agosto 30, 2015

Sete dias... só com uma filha...

Significa estarmos um pouco mais abandonados, em diversas vertentes do nosso dia-a-dia...


 Faz prever tempo para nos dedicarmos a pequenos projetos criativos...


Quer dizer que se pode brincar e dar mais atenção personalizada à mais nova, que raramente pode ser filha única...


Representa aproveitar o dia em que se começou a trabalhar às 05H00 e, por isso, se acabou mais cedo, para vir calmamente a pé para casa, passar na drogaria como há muito tempo se planeava fazer e comprar algo para mais e diferentes projetos criativos...


Abre a possibilidade de finalmente nos fecharmos num quarto para levar a cabo trabalhos pensados já há um ano porque o pai dá bem conta dos afazeres normais só com uma filha agarrada às pernas...


Parece querer dizer que se pode acordar mais tarde meia hora... mas afinal constata-se que alguém se esqueceu de dizer isso à filha que ficou, ou ela não decidiria acordar todos os dias antes das 07H00...


Torna possível reviver jantares a sós, na mesinha pequena da sala, a ver seja o que for que apeteça na televisão...

Rita

quarta-feira, agosto 26, 2015

La tomatina

Uma festa que só de pensar me dá urticária. E vomitos, porque a primeira sensação que me vem é a náusea (só de pensar no cheiro de tomate maduro... na rua, no corpo... baghhhh)
Aliás, o melhor é marcar na agenda como uma semana não visitar Valência. Pensando bem, se calhar é melhor marcar o mês inteiro.

Imagem retirada da net 

Ana Cristina

terça-feira, agosto 25, 2015

Pés e mãos, todos pequenos...

O Vasco já no ano passado ficou contente quando eu lhe emprestei um par de meias. E serviam!? (em minha defesa tenho que vos lembrar que as meias eram de desporto, daquelas que servem a vários tamanhos, mas que o meu número é dos pequenos é, sem dúvida)
Este ano, quando fomos de férias lá me avisou que achava que levava meias suficientes mas podia ser que necessitasse das minhas, não fossem estar apertadas. ;) E esse foi o motivo de uma sessão fotográfica bem divertida entre tia e sobrinho. Muita risota, muitas fotos (todas fraquinhas mas divertidas) e até um filme de luta de pés. Deixo-vos uma, onde se comparam pés e mãos, todos pequenos...

E pronto, vou abrir uma etiqueta sobre pés, patinhas etc... ficará Tootsie Tuesdays como teria de ser.
Ana Cristina

segunda-feira, agosto 24, 2015

Ao fim e ao cabo...

... festas com classe é arranjar, só para si...

uma lavradeira...


um cabeçudo...


e um tocador de bombo...


O que mais é preciso, hã...?
Rita

domingo, agosto 23, 2015

Crónicas de uma Romaria, dia 3, que é como quem diz, dia 22

Dia de chuvinhas miudinhas, de estar com a família chegada de férias e de, armada em dondoca, ver pela primeira vez o Cortejo Histórico e Etnográfico das bancadas na avenida. De ver carros renovados, mas também o antiguinho, com a já habitual nau. De ver novos fatos, mas também perucas antigas (ou iguais às antigas). De ouvir os mesmos ritmos e músicas. De ver algumas caras de sempre. De rir com alguns quadros (faltou o homem da lampreia, pá!) e com a boa disposição geral. De pedir por tudo o que oferecido, a broa, o vinho, a sardinha... De acordar o Vasco para ver a parte etnográfica, já que tinha dormido durante toda a parte histórica. De ensinar aos miúdos todo um pouco do que é feita esta minha cidade. De ouvir reconhecer-me como filha da minha mãe por quem praticamente nunca me tinha visto e de me encher de orgulho por isso.


Pena, pena, tenho que a chuva nos tenha pregado a partida de não me deixar revisitar e mostrar o fogo de artifício aos miúdos... Mas também dessa chuva e nevoeiro e falhas de fogo é feita a minha recordação das festas, ou não estivéssemos nós em Viana...
Rita

sábado, agosto 22, 2015

Crónicas de uma Romaria, dia 2, que é como quem diz, dia 21

Segundo dia foi dia de Bombos e Cabeçudos. No Desfile da Mordomia, no dos Ranchos e, obviamente, na Praça - naquele que é meu momento preferido de todas as festas, o que relembro sempre com saudade e que, desta vez, até me comoveu (ridícula, eu, mulher feita com lágrimas nos olhos a ver a informal competição dos homens a tocar bombo...!)... 
Ao contrário de mim, os miúdos cansaram-se e a mais velha até falou no zumbido com que ficou nos ouvidos... gente fraquinha, esta...


E, aceitando a ideia que nunca vi tudo da Romaria, vi este ano pela primeira vez o Desfile "Vamos pr'á Festa", dos Ranchos, em maravilhosa companhia... 


Rita

quinta-feira, agosto 20, 2015

Crónicas de uma Romaria, dia 1, que é como quem diz, dia 20

Vir nesta altura do ano a Viana é o mesmo que dizer que viemos à Romaria da Senhora da Agonia... Não é fácil a opção de revisitar as festas das férias da minha infância e juventude, uma vez que apanha sempre o aniversário da Alice e gostamos de o festejar essencialmente com os tios e avós. A última vez tinha sido há seis anos, era o Vasco um bebé muito pequeno e estávamos de licença.
Este ano, talvez porque a sugestão da licença do ano passado trazia essa recordação mas sem que tivesse havido hipótese de realização do projeto, as saudades apertaram. Da cidade, do convívio familiar, das festas, das memórias. Em mim havia o desejo intenso de partilhar as festas e tudo o que as envolve com os miúdos. 
Por essa razão, em noite de aniversário da mais velha, partimos (eu e os mais velhos) na caminhada para a cidade, para ver os tapetes das ruas dos pescadores a serem feitos. Pelo caminho, avizinhava-se o início da Romaria, pequenos grupos de cantares e o som de um ou outro bombo. 


No dia seguinte, o primeiro dia formal das festas, foi altura de visitar as ruas já feitas. Descobri que a serradura deu lugar ao sal e que na rua principal, que antes era projetada pelo tio-avô, já não existe a limitação das cores vermelho, verde e amarelo. Em todo o caso, toda a decoração era bela e foi engraçado ver, mais uma vez, as soluções arranjadas (como o desenho da Sra. da Agonia todo feito em seixos pintados, com exceção de cara e mãos).


Da parte da tarde, depois da tentativa falhada de ver a procissão vinda do mar (a que vai pisar os tapetes) foi tempo de dar a conhecer o Campo. Fiquei surpreendida de, à chegada a Viana, não me recordar dessa parte das festas que tanto gozo me dava, e de só me lembrar já depois de andar por lá . Houve divertimentos para todos: trampolim para D. Panqueca, carrinhos de choque para o Sr. Crepe e até carrocel para Miss Goffre!

Rita

quarta-feira, agosto 19, 2015

Parabéns à Alice (e a nós, ora essa)


Ocorre-me tanto e nem sei por onde começar.
Há dez anos a minha vida dividiu-se em "antes de filhos" e "depois de filhos". Tinha a Alice comigo e interrogava-me vezes sem conta como se poderia ser tão feliz...
Hoje, nem sei como é que passaram dez anos e a miúda pernalta, loira e de olho azul, se tornou nesta pré-adolescente que anda por aqui, que opina sobre tudo, que vai tendo curiosidades sobre o mundo (ontem, a propósito de nada, perguntou o que havia agora no lugar das torres gémeas - vá-se lá saber a que velocidade da luz circulam aqueles pensamentos...!), que tem inseguranças mas é teimosa como só ela, que tem um sentido de adaptação invejável para qualquer pessoa, que faz ginástica com toda a facilidade, que é simpática e sorridente, que chora com facilidade nos dramas com as amigas, que é preocupada e solidária com os irmãos (mas também lhes faz tropelias e é capaz de mesquinhices), que gosta de tudo e não se apaixona grandemente por nada, que gosta imenso de ler, que é doce e mimosa, que me enche de orgulho (mas também de irritação) com grandes e pequenas coisas, que não gosta muito de comer extravagâncias mas é muito gulosa (principalmente de doces processados), que arranja amigos com facilidade, que adora fazer teatros e danças com a família mas não gosta de dar nas vistas... que é linda e está a crescer...
Minha filha maravilhosa, que mudou e muda o meu mundo todos os dias... adoro-te.
Rita

terça-feira, agosto 18, 2015

Mais uns dias de férias, desta vez em Viana, terra do coração...

Lembro-me de andar na primária, dos outros irem "à terra" e eu ir a Viana. 
Viana do Castelo nunca foi "a terra", mas foi sempre a minha terra. De onde a mãe era e o pai tinha passado a ser desde os cinco anos. Onde estavam os avós, os tios, os primos. Onde se passavam os melhores Natais, no friozinho, com uma árvore de Natal chamada pinheirinho cheia de bonequinhos diferentes de todos os outros e trazidos de França pelos tios. Onde se acabavam todas as férias de Verão e já depois dos pais acabarem as deles. Onde se faziam piqueniques no pinhal e os adultos se deitavam a dormir a seguir (o que, dada a condicionante de ser a mais nova, sempre me chateou bastante, uma vez que toda a gente sabe no desperdício em que consiste uma sesta), se pescavam lapas, caramujas, ouriços do mar. Onde se receberam amigas e segundas primas e se viveram grandes aventuras. Onde se saía à noite. Onde se arranjaram namorados e curtições e experiências. Onde se ia muito à praia, a diversas praias, de mar e de rio, e se tomavam imensos banhos, mesmo com água de gelar os ossos. 
Em Viana estão, ou de Viana são, tantas das minhas pessoas. De Viana são imensas das minhas recordações de infância e juventude... e não me ocorre nenhuma que seja má... De Viana eu adoro até o cheiro.
Este ano estamos mais uma vez em Viana, terra do coração. 


Rita

domingo, agosto 09, 2015

Ainda a propósito do saco de recordações...

Coisa cómica: kalkitos. Ainda no outro dia a fada dos dentes tinha deixado uns cá por casa e eu tinha falado com os miúdos sobre esta brincadeira do decalque, quando agora os encontro, aos antigos, dentro do saco dos tesourinhos...! Mesmo a calhar... o Vasco adorou... E cá está, para a posteridade: os kalkitos do meu tempo (e acho que era bem pequena e que quem os tinha feito era a Cristina) e os de agora (são os do canto inferior direito)... para quem queira recordar...


E agora, a dúvida que faz medo... Por que raio tinha eu, aos 12 ou 13 anos de idade, na agenda telefónica só com os contactos dos colegas do 7º e 8º ano, um "embalsemador de animais"????!!!

Rita

sábado, agosto 08, 2015

Saco de tesourinhos


Era um saco trazido de casa dos meus pais já há uns meses largos; o conteúdo da arca de madeira que em tempos o meu Avô tinha feito para a minha irmã, como tantas outras de variados tamanhos espalhadas pelas várias casas da família paterna. No ano passado o meu pai retirou tudo do seu interior e devolveu a arca à sua legítima dona. Para mim veio o grande saco de plástico cheio de papeladas.
Hoje, tanto tempo volvido com o saco enfiado primeiro no antigo escritório (que há um ano passou a ser o quarto do Vasco), depois dentro da arrecadação e finalmente num canto da sala, decidi-me a arrumá-lo. Faz parte das decisões pós-férias grandes, arrumar as coisas aparentemente sem solução que se amontam por qualquer canto desta casa. 
Correspondências a lembrar-me de dramas entre amigas, recortes de bds e de artigos de jornal, antigos estojos com pequenas preciosidades irrelevantes, muitos desenhos de presente da irmã mais velha, agendas com moradas, o relato altamente sucinto de uma importante viagem de um mês de há praticamente trinta anos atrás... e escritos... muitos escritos meus, de brincadeiras entre colegas, de trabalhos da escola, de projetos de teatro ou só do interior de mim mesma, pelo prazer de escrever... 
Leio-os e reconheço muitos, recordo até o envolvimento sentimental e a animação com que me entregava a eles, às vezes até o local ou a fase em que estava... De outros não tenho a mínima noção... 
Gosto de me rever ali e tranquiliza-me descobrir outras pequenas coisas importantes, como um artigo do Diário de Notícias de Fevereiro de 1992,  que me mostra que crianças abandonadas e institucionalizadas já era um assunto que me interessava e que, por isso, eu não sou uma pessoa longe do ponto de onde parti...
Rita