sábado, fevereiro 18, 2017

"1HD - Uma História da Dança", um sonho - CAPÍTULO 1

Este post está em rascunho há umas semanas porque eu não conseguia ter palavras de jeito para exprimir o orgulho que me ia cá por dentro. Agora, valores mais altos se levantam e urge a necessidade de arranjar palavras que transmitam a minha indignação.


Como começou, do lado de cá...

A escola dos miúdos tem o feliz hábito de se lançar e de lançar os miúdos para projetos únicos. Foi o caso do "1HD". O professor de Expressão Dramática da escola, Bruno Cochat, reuniu os pais e propôs a participação de dez miúdos num espetáculo infanto-juvenil que teria sido convidado a criar, uma homenagem à dança e aos 40 anos da Companhia Nacional de Bailado, a ser exibido no Teatro Camões, uma quarta e sexta feira por mês, de Janeiro a Junho de 2017.
Lançámos mãos à obra. Os miúdos essencialmente, mas também nós, pais, entusiasmados pelo entusiasmo deles. Horas semanais de trabalho. Um guião que eles próprios, miúdos, ajudaram a criar, à medida que tinham sessões de filosofia para crianças - tudo com o objetivo que o texto fosse algo com que a população estudantil se identificasse, afinal, as sessões das quartas-feiras eram para escolas. 
A Alice foi sempre adorando a experiência. Trouxe aprendizagens para casa, sobre a quantidade de vezes que Anna Pavlova tinha dançado "O Lago dos Cisnes", sobre Martha Graham, sobre Pina Baush... mas também sobre gíria teatral e lengalengas... para não falar das coisas que se aprende quando se tem de trabalhar em equipa, quando não se é escolhido para o primeiro elenco, quando há seriedade numa tarefa... 
Quanto ao Bruno, foi um professor muito dedicado, cauteloso e atento, muito respeitador dos seus alunos e com a sensibilidade necessária para lhes ir explicando todas as decisões e trajetos. Presumo que também fosse muito competente, na medida em que tinha sido convidado para coordenar os Estúdios da Vítor Cordon - Centro Educativo da Companhia Nacional de Bailado (CNB) e para criar o dito espetáculo.
O "1HD - Uma História da Dança" estreou no final de Janeiro e teve quatro representações, tendo a Alice atuado somente na última. Eu achei que o espetáculo estava magnífico, independentemente da minha moça estar em palco. Cinco crianças e um adulto (o ator Ruben Saints) a viajarem no tempo e no espaço pela história da dança, a contracenarem com bailarinos profissionais, a aprenderem sobre figuras memoráveis da dança, como é uma aula de bailado, como se dançava na época barroca... Os cenários eram grandiosos e interligavam-se com a viagem feita pelas crianças, os figurinos eram delicados e combinavam com todo o enredo. 
Tenho que dizer que fiquei surpreendida e um tanto ou quanto maravilhada com a prestação de D. Panqueca. Toda ela brilhava, em cena, natural e graciosa, com boa entoação, sem problemas onde colocar as mãos. Nunca eu teria pensado semelhante coisa, ela que nunca gosta de dar nas vistas e que foge de qualquer lugar de destaque em qualquer exibição formal ou informal (com exceção de um ambiente familiar próximo). Achei engraçadíssimo que parecesse sentir-se tão bem naquele lugar. Quando lhe perguntei o que tinha achado, foi eloquente: «Oh, é maravilhoso...!»...
E para mim, maravilhoso foi pensar em revê-la nas atuações seguintes, levar família e amigos, incluindo o pai (que não chegou a ir, para ficar com a mocinha mais nova) e a avó (uma vez que o Teatro oferece boas condições para cadeiras de rodas). 

Para a posteridade ficou a sua entrada pela entrada de artistas no Teatro Camões... 

                            

...a cortina de ferro do início do espetáculo (e usada nele)...



...o cartaz publicitário (igual aos espalhados por Lisboa)... 


... e o bilhete da minha sessão, onde só falta o autógrafo da moçoila...


Rita

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Um ano de Cobi

Parece muito mais tempo, quando penso no tempo que temos convivido com o Cobi, mas na verdade só passou um ano.
Quando ele cá chegou a casa tínhamos uma gata grande mas ainda bebé, tal era a forma como se comportava. Em pouco tempo as coisas mudaram. A Misha passou a ser uma gata ainda maior mas mais bem comportada, uma  autêntica irmã mais velha, parceira nas asneiras mas mais selectiva nos seus interesses.

Por outro lado, o Cobi, que vinha de uma casa com vários irmãos adotivos a portar-se como um menino brincalhão com os manos e com tudo o que o rodeava, continua assim.  Dá ideia que vai ser um eterno mimado-curioso-brincalhão.


Neste tempo já conseguiu roubar vários "brinquedos" dos locais onde estavam guardados, entrar na casa da vizinha de 3 formas diferentes, estraçalhar um pacote de rolos de papel higiénico, e com a ajuda da mana fazer muitas e variadas destruições.
Tem sempre um comportamento cauteloso com os humanos que chegam a casa, independentemente das suas idades, mas uma curiosidade e simpatia naturais que o fazem vir espreitar e dar festinhas nas mesmas pessoas de quem fugiu uns minutos antes.Também é conhecido por ser o primeiro a chegar à cozinha quando um dos humanos quer ir comer qualquer coisa, não ser esquisito e estar sempre pronto pra provar tudo o que os outros comem, tanto que está mais gordinho. Brinca com tudo mas não traz de volta as bolas que mandamos para longe. É tão mimoco que dá imensas lambidelas nas nossas mãos e dedos, pede festinhas, ronrrona de uma maneira que parece que está com catarro, e faz o mesmo quando anda na correira. Quando chegamos está à nossa espera, a pedir festas. Para ele as mãos não servem para lutar, só para alimentar e fazer festas.
É assim o nosso Cobi, o pestinha... (eu acho que ele tem um focinho de requila, com a sua manchinha do nariz)
Ana Cristina

domingo, fevereiro 12, 2017

Domingos

Há dias de fim-de-semana em que nada se faz... 
E domingos em que, por entre os afazeres da vidinha, a falta de carro durante umas horas e a saída para almoçar com os pais, se planeja uma primeira ida ao cinema com a mais nova e pouco mais.
E depois há os domingos que nos saem fora dos planos, com coisas pequenas e boas, muito além do planeado... Manhãs em que se tira momentos para brincar com playmobis, em que salta na cama dos pais com a mana, em que se veem clássicos na televisão, em que se pintam aguarelas e se toma banho com a Guarda do Leão completa e mais uns quantos animais amigos...


E em que se escolhe um fim de tarde para experimentar ir ao cinema no Play Fest, e se encontram amigos da sala da creche com quem se brinca animadamente no Cinema S. Jorge...


Em que se tem sorte de não chover e se vai pela rua fora a espreitar em lojas atrativas à vista, ao coração e ao paladar...


Em que se corre desenfreadamente pela calçada lisboeta, se espera ansiosamente pelo transporte público com muita esperança de se vir a conseguir entrar, e em que se vai para casa no elétrico dos turistas...


Domingos bons, os que soam a muito com pouco.

Rita

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Parabéns para nós...

Sim, porque faz hoje 11 anos que este blog foi criado. E 11 anos é uma boa data para celebrar este nosso cantinho na blogosfera. De lá para cá podem ler-se muitos posts (não tantos como gostaríamos, é certo) de várias fases das nossas vivências pessoais e criativas. 
No início quisemos mostrar quem somos e o porquê de nos denominarmos Oficinas RANHA e mostramos às nossas visitas o que mais gostávamos de fazer com trapos, tintas e pincéis, linhas e agulhas. Desta faceta mais ou menos criativa podemos destacar as fases das camisolas pintadas, das peças pintadas ou recicladas, das carteirinhas pintadas ou da linha de bijuteria, mas também não podemos esquecer as telas ou as paredes pintadas, ou mais recentemente os muitos Xulés que fizemos e que andam actualmente por esse mundo fora. Ainda criámos um outro blog para podermos mostrar apenas as nossas peças para venda, mas rapidamente desistimos dele apesar de ainda poder ser visitado.
Mas fomos também falando de nós e das nossas vidas de mulheres de família, trabalhadoras e medianamente criativas. Por vezes usámos este blog para reivindicar também os nossos direitos trabalhistas, as fases de estudo, algumas criticas literárias, de cinema e de outras artes e muitas dúvidas existenciais. A família foi crescendo, sobretudo do lado da Rita, e se ao princípio a Alice tinha poucos meses agora é uma menina pré-adolescente, irmã mais velha do Vasco (o rapaz sanduíche) e da Joana (a filha caçula). 
Temos passado por altos e baixos. E todas estas fases são para ser lembradas, embora eu gostasse de encontrar menos post's onde nos lamentamos do pouco que temos escrito para o blog, Temos agora mais visitas mas muito menos comentários mas parece ser generalizado e resultado de outras redes sociais.
Recentemente tornámos a decidir que ainda vale a pena. Por isso hoje festejamos os 11 anos do arRanha no Trapo desejando que este se mantenha activo por muitos mais anos, enquanto valer a pena. 

Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...

Ana Cristina

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Reciclar e recriar

Quando vivíamos no apartamento mais pequeno eram mais visíveis os cantinhos da nossa casa feitos com base em peças recicladas, a maior parte do tempo em que eu vivia sozinha.
Com a mudança, e a consequente compra de peças cá para casa, as "originais" foram também elas desaparecendo ou sendo readaptadas. Foi o caso da mesinha que o padresito fez lá para casa com o tampo da escrivaninha, e que tive a oportunidade de mostrar neste post. Actualmente é uma plataforma de transporte de materiais de construção e tem dado muito jeito a poupar as costas quando alguma coisa mais pesada precisa de subir ou descer os quatro andares. Não tenho a foto dela mas já não está bonita como antigamente.

Muito diferente também está a estante.
Muitas meninas, aqui no blog ou por outras vias, já me pediram por várias vezes para mostrar a minha estante de tijolos. É hoje, e aqui está ela.
Foi difícil encontrar fotografias das estantes no outro apartamento, mas pode ser vista como fundo nesta fotografia minha já com muitos anos.


A estante de tijolos é muito simples. Feita com tábuas de madeira maciça e tijolos, posso garantir-vos que se tiver peso é muito estável, independentemente do seu comprimento mas tal como todas as outras pode abaular se for demasiado comprida. As minhas estantes foram pensadas para a sala anterior, por isso tinham cerca de metro e meio de comprido e como na altura da mudança eram várias (e foram crescendo em altura ao longo dos anos) deram para montar na nova casa uma parede no escritório que se encontra, como podem ver, completamente desarrumada. As tábuas que sobraram, em conjugação com outras de dois metros de comprimento, da estante de tijolos que a Rita tinha em casa dela à semelhança da minha, são actualmente a estante do quarto das visitas, o meu cantinho de materiais para obras futuras. Tem seis tijolos de altura.
Eu continuo a gostar das minhas estantes de tijolos. Acho-as elegantes e bonitas.
Espero que também gostem.

Quem quiser fazer uma estante de tijolos não se esqueça de várias dicas:
  • Os tijolos devem ser envernizado com verniz de cantaria, ou pintados com tinta de óleo (também deve ficar giro) para não partirem facilmente.
  • As tábuas devem ser de madeira boa para que não empenem facilmente. As minhas foram tratadas com bondex cor carvalho.
  • As minhas tábuas têm a profundidade de 30 centímetros.
  • Os tijolos podem ser de 7 centímetros ou de 11. Na minha opinião é uma questão estética, por exemplo, se quisermos pôr 3 pontos de apoio o do meio não deve ficar muito grosso.
  • Eu protegi os tijolos com protector para não arranhar as tábuas nem o chão.
  • A altura entre tábuas é a dos tijolos, e infelizmente não dá para dossiês.
Se quiserem alguma dica, estão à vontade, mandem um mail.

Ana Cristina 

domingo, janeiro 29, 2017

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Mocinho de saudades tardias

Subo até à cama dele para as despedidas da noite e encontro-o com ar de choro. 
Surpreendo-me e não aceito as suas negativas em relação ao que o pôs assim, ensino-lhe que as tristezas partilhadas são tristezas divididas. Desata a chorar, naquele choro silencioso de quem sofre sozinho. De repente, diz:
- O David foi-se embora da escola...
Estaco. Pergunto:
- Que David?
E a resposta:
- O David da pré...
Não consigo impedir-me de sorrir, é mais forte do que eu. Tento disfarçar e justificar:
- Mas já foi há tanto tempo... [um ano e meio?!] Estás com saudades dele...? Queres ligar para ele amanhã? Está combinado...! 
Ficou contente. David, palpita-me que haverá um convite para fim-de-semana em breve!

Enternece-me, o meu rapazinho de saudades tardias... Faz-me lembrar quando seguíamos uma vez de carro a conversar sobre pessoas da família, e recordou-se o primo Fernando e teve de haver explicações sobre a forma como tinha morrido. E, já depois de chegarmos ao nosso destino, dali a largos minutos, damos com ele a chorar baba e ranho porque «o Biso tinha morrido» [também há mais de um ano à data]... Nada a fazer, acontece a todos... momentos em que as saudades apertam, de quem já se foi, de quem está longe ou de quem já não volta ao que era... impossível não entender... 

Rita

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Quando se vai a casa dos tios passar o fim-de-semana

  • Brinca-se em parques diferentes, com foguetões, túneis compridos e repuxos de água, lagos e gaivotas para exercitar as pernas (claro que se tem de esperar por dias mais quentes para tornar a pedalar nas gaivotas).
  • Vêem-se pelo menos dois filmes, um no sábado outro no domingo, dos que estão gravados na box.
  • Brinca-se às cócegas porque a tia é um monstro dotado de dedos cocegentos.
  • Dorme-se numa cama enorme, maior que a cama dos pais ou dos tios.
  • Fazem-se desenhos na parede, e a ideia até é da tia (aliás, a tia até faz uns gatinhos muito vem feitos)
  • Fazem-se projetos de construção de casas de cartão para gatos, mas não se tem tempo para concluir porque há muita coisa pra fazer em poucas horas.
  • E toma-se banho de espuma até ficar com os dedos a parecer uvas passas.

Pelo meio ainda se coloca a hipótese de repetir o ritual todas as semanas mas, depois reconhece-se que assim não se iria poder frequentar todas as atividades de fim-de-semana que vão surgindo, como os jogos de futebol e as festas de aniversários dos amigos.
E no fim afirma-se perentoriamente que as vezes todas que se disse que queria ir prá mamã e pró papá era a brincar.

A tia fica cansada mas feliz. Os sobrinhos acho que também... E quando, dois dias depois, a sobrinha pirralha assim que vê a tia lhe pergunta se vai pra casa dormir, e lamenta a resposta negativa, a tia tem a certeza absoluta que foi bom.
Ana Cristina

sábado, janeiro 21, 2017

Boa forma de começar um sábado

Já não me lembro como se fazem crepes ou panquecas, mas não seria difícil de ver qualquer receita na net. Para o caso, pouco interessa... Boa foi mesmo esta ideia - devida às minhas gulodices súbitas - de começar o dia de sábado, com crepes... Havia congelados, do Pingo Doce, mas uma verdadeira fome gulosa tê-los-ia desenrascado, fosse de que maneira fosse.
Pôs-se salgados e doces na mesa, mel, açúcar, canela... mas o grande vencedor foi mesmo o chocolate que à pressão se foi a correr  pedir emprestado a uma vizinha amiga. Até o Vasco, que dizia não gostar de crepes, decidiu fazer nova experimentação... e aprovou!
Daqui a uns tempos impõe-se uma realização de crepes caseiros... e claro, de panquecas, para podermos estudar bem as diferenças... :-P


Rita

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Coisas muito giras e boas que se encontram por aí

Encontrei no facebook, há umas horas, uma coisa maravilhosa.
Parece que em 2013, o Sr. Bruce Springsteen deu um concerto em Leipzig. E em determinado momento, aceitou de um fã o pedido de uma música, escrito numa espécie de cartaz. Seria o "You never can tell", da banda sonora do Pulp Fiction. Completamente fora da lista de músicas do concerto. Bruce sorri, conta por alto a quantidade enorme de anos que medeia terem tocado a música pela última vez. Depois, com muita calma e simpatia, começa a trautear a guitarra, a procurar o tom em que conseguirá cantá-la. Com ele, todos os outros músicos em palco. Há quem surgia tons, cantarole. Bruce vai rindo e experimentando a voz para o tom trauteado. Muda de guitarra, pensa ter conseguido. E, a seguir, um espetáculo improvisado, só com base na solicitação de um fã, um momento de grande gozo, ensinamentos. Dezenas de músicos, dezenas de instrumentos, tudo afinado, mesmo com improvisação e chamados a fazer solos. 
São assim os grandes profissionais, sem problemas em encarar um desafio, em sair do previsto, com a confiança de conseguir fazê-lo... e magnificamente... Afinal, um Boss é um boss.



O Bruce Springsteen fez o primeiro concerto que eu vi em estádio. 
Lembrete: neste próximo fim-de-semana tenho de o dar a conhecer aos miúdos. Já nos estou a ver em grande baile cá por casa.
Rita

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Tesourinhos


Em arrumações encontram-se sempre uns tesourinhos. Ora umas roupas que guardamos para, quem sabe, um dia tornar a vestir, ora uns bibelots que ficaram guardados desde a mudança de casa para que um dia se decida o local onde vão ficar, ora uns pedaços de tecido para quando se coser à máquina. 
Desta vez, alem disso tudo, como não podia deixar de ser, encontrei também um saco de livrinhos feitos em tempos para a montra da Ana. Não se devem lembrar mas podem vê-la neste post, Este saco tinha 14 livrinhos, os maiores com 5 cm de altura, quase todos de obras literárias, com uma lombada personalizada e escrita em letra muito pequenina (tive de ir buscar uma lupa para ler alguns), e que constam da minha estante, como "A Tenda dos Milagres" de Jorge Amado, ou "Eva Luna" de Isabel Allende, entre outros.
Fiquei com vontade de fazer uma montra pra mim mesma e outra para a Rita, afinal as autoras da primeira, e que nunca fazem nada para elas próprias. Quem sabe se não é um desafio a cumprir em breve.
Ana Cristina

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Tenho uma vizinha que adivinha, ou talvez não

Há uns dias, vinha eu com um saco de compras a entrar no prédio e cruzei-me com a minha vizinha adivinha. Comentário dela; "Está de folga de certeza, a esta hora a chegar das compras...". Por acaso não tinha razão. Para mim eram horas de dormir porque o dia ia mais do que longo, já com mais de 24 horas.
Hoje a cena foi outra. De folga, numa corridinha à padaria, antes que fechasse para a hora de almoço, encontro outra vez a mesma vizinha. "-Ai, estou mesmo a ver que trabalhou de noite. Está mesmo com cara de cansada...". Comentário meu, só pra ser simpática; "Nota-se muito?"...
Vim pra casa a pensar na minha mãe e na constatação dela de que eu fico sempre com pior aspecto depois de dormir, do que antes de ir descansar na saída de noite. Conto isto sempre às minhas colegas mas há quem não acredite. Hoje foi a prova mais do que provada.
Ana Cristina

domingo, janeiro 15, 2017

As leituras deles

Ler é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, sem dúvida.
Tenho em mim a recordação de desejar incessantemente conseguir ler o que estava ao meu redor, e de contar, lendo as imagens, as histórias do Astérix à D. Maria do Céu, a vizinha do lado dos meus pais que, infelizmente, não sabia ler - um dos projetos que dizem que eu cheguei a ter quando miúda. 
Para mim, como para tantas outras pessoas, seria uma tristeza ter filhos que não gostassem de ler... Os dois leem com facilidade desde os meses de Fevereiro do seu primeiro ano, sem juntar sílabas e hesitar nos casos de leitura (tanto quanto tenho observado, algo normal para quem aprende de acordo com o Modelo da Escola Moderna). Mesmo assim, lembro-me que, por altura das férias da passagem do 1º para o 2º ano, sentia-me frustrada por tentar que se interessassem por determinadas leituras e ver que, embora conseguissem ler com alguma facilidade, estas não os fascinavam... aconteceu com a Alice e depois com o Vasco. Claro que, à segunda vez, as minhas expectativas já eram diferentes e passavam pela compreensão também da maturidade deles...
Acho que, tal como outras pessoas cuja leitura desempenhe uma parte essencial nas suas vidas, sempre tive algum receio que os meus filhos acabassem por não apreciar ler, daí as minhas expectativas iniciais. Ao fim e ao cabo, tal como já contei anteriormente, eu passei para uma leitura fluente em muito pouco tempo, ficando com as portas abertas a histórias um pouco mais complexas...

De qualquer forma, ao seu ritmo, a Alice foi gostando cada vez mais de ler e tem sempre um ou dois livros (habitualmente na cama e na casa-de-banho). Ouço amigas falarem dos hábitos de leitura dos seus filhos e sei que até tenho sorte. Contudo, foi neste Natal que comecei a sentir-me bastante orgulhosa. A moçoila recebeu quatro livros e depois de dar uma volta rápida por cada um deles, escolheu a ordem e... atirou-se... em pouco tempo tinha-os devorado e, na decorrer da dinâmica, voltou-se para a coleção "Uma Aventura" - a qual não lhe tinha exercido grande fascínio até hoje, tendo lido três ou quatro - e começou a escolhê-los, "de enfiada"... De maneira que, e porque a fotografia já está desatualizada, desde o dia de Natal que já leu nove livros, encontrando-se agora a meio do décimo...


Com o Vasco, o salto foi ainda mais surpreendente... Na semana entre o Natal e o Ano Novo, encontrámo-nos com uma prima que se encontrava cá de férias e que lhe ofereceu este livro:


Ele interessou-se, de forma quase imperceptível, e demos por nós a ter que lhe arranjar um candeeiro melhor, para poder ler à noite. O livro é grande e, embora com bastantes imagens, a maior parte das páginas é composta por texto. Ele tem lido todos os dias uma parte e hoje escolheu enfiar-se na cama a ler, da parte da tarde, porque não lhe apetecia fazer mais nada... Todo contente, mostra como já passou de metade e como vai na páginas número 126... 

Tenho razão para andar orgulhosa ou não...?
Rita

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Passaram doze dias do novo ano...

... e é mais que tempo de assentar ideias e definir alguns objectivos. E os meus desejos relacionam-se com a expressão " fazer mais"; fazer mais, ser mais eficaz, não ceder tantas vezes à inercia e à preguicite. Em relação a este blog, e à parte que me toca das Oficinas RANHA, pretendo que o ano de 2017 seja bem diferente do que passou, de preferência bem mais criativo, metódico e dinâmico. Que o tempo disponível, as dificuldades e eu própria colaborem para tornar a activar este espaço que tanto gostamos. Esta é a resposta ao desafio da Rita, e fica aqui registada.

Adiante- Passaram doze dias do novo ano e é tempo de arrumar os poucos enfeites de Natal que cá em casa se espalharam. Este ano, com os dois filhos-gatos-pestinhas, mas também porque estivemos a fazer umas renovações (que ainda não estão concluídas, diga-se, mas a parte mais suja já passou) não se montou a árvore de Natal nem se espalharam os enfeites habituais. Comprei umas figuras daquelas que aderem aos vidros para que a época não passasse sem ser lembrada e, até essas resistiram com dificuldade aos felinos cá de casa. 
Quem os observa assim, fofinhos, só vê a parte dos gatinhos de postal, os pestinhas posso mostrar-vos noutros posts... e já tenho tema para vários. ;)



Ana Cristina

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Noites de cinema

Andávamos a falar em fazer noites de cinema, com filmes sugeridos por todos, mas essencialmente - e não de uma forma  premeditada - por nós, pais, por falarmos muitas vezes em alguns que faziam parte das nossas vidas, ou por serem muitos bons, ou por terem determinados efeitos ou uma história  interessante. Fugindo aos tradicionais filmes infantis, de animação, dobrados.
Claro que há que programar bem. Ela tem 11 e já temos visto filmes de adultos uma com a outra. Mas ele tem só 07 e está a iniciar a leitura de forma mais fluida...
Calhou de, no final de Novembro, me aperceber que num dos canais estaria a começar o "E.T.", um dos muitos comentados. Deu para gravar e no dia 01 de Dezembro, iniciámos... as noites... ou tardes...
Ontem vimos o "Titani", já a acabar o limite de tempo para o fazer. 

É muito bom ver filmes com eles os dois. Muito. Claro que vemos filmes juntos há muito tempo. Mas a partilha é diferente quando se sai da área da animação, há todo um mundo de descoberta que acaba por ser mútua... Por vezes não consigo um envolvimento completo com o filme porque ainda tenho que ler algumas das legendas ao Vasco (começa agora a conseguir algumas das mais pequenas) ou parar a visualização para explicar alguma coisa mais técnica. Contudo, há toda uma série de novidades que passam por vê-los absortos e ligados à trama, por assistir ao envolvimento deles... 
Falam nos filmes depois durante dias... Com o "E.T." houve imensas referências ao boneco em si, bem como a todas as piadas e a diversas cenas do filme... Com o "Titanic" houve primeiramente o medo declarado de vir a ter pesadelos... e em seguida, imensos comentários entre eles, descrições, cálculos relativos às mortes de algumas personagens... adormeceram a falar no filme, acordaram a falar no filme e nomeadamente a Alice veio da escola a falar do filme... falou com colegas sobre o filme, pesquisou sobre o filme e os atores... surpreendeu-se porque o Dicaprio tem mais um ano que eu... e hoje declarou que era dos atores mais bonitos que já tinha visto... Depois, rimo-nos as duas às gargalhadas quando eu lembrei que, na altura do filme, também eu era dezanove anos mais nova... e que o Dicaprio, o Johnny Depp e o Brad Pitt  - que ela dizia que eram tão bonitos - tinham todos idade para ser pais dela... e que também tinham mau hálito pela manhã ou deixavam a casa-de-banho a cheirar mal...


Rita

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Decisões para um novo ano

Por vezes, eu e a Cristina falamos em revitalizar este blog. O ano passado foi uma miséria. 
Nunca penso em desistir, em fechá-lo. Acho sempre que é uma fase mais difícil, em que os posts se acumulam em rascunhos porque são começados e nunca há tempo ou cabeça ou energia para os acabar. Penso muito no que vou escrever, construo os textos mentalmente... e depois ficam guardados só em mim. E não o quero, porque de cada vez que acedo ao blog para ler os antigamentes, principalmente aqueles que já não me lembro de ter vivido ou pensado ou sentido, sei que fiz bem, que aquilo são pedaços de mim, de nós, que ficarão ali para sempre... coisas que os miúdos poderão gostar de vir a ler (já gostam) e que lhes permitirão saber mais deles... e de nós... 
Neste ano de 2017 que agora começa, tomo a decisão - por enquanto unilateral, mas espero que a minha irmã me acompanhe - de voltar a circular mais por aqui. Sobre os filhos, os pais, o trabalho, as máscaras de Carnaval, as férias, o Natal, a política, os amigos, a nossa rua. Sobre tudo, sobre nada e, principalmente, os nadas que fazem o nosso tudo. 
E, mesmo assim, só consegui fazê-lo hoje, dia 5. 
Rita

domingo, novembro 13, 2016

Histórias de Fadas

Ontem o rapazeco ficou fanado e andou a brincar que tinha passado a ter duas balizas. Embrulhou o dente num papel e colocou-o ansiosamente por baixo da almofada. 
Hoje de manhã estava desiludidíssimo com a tão afamada Fada dos Dentes. Quase que dei com ele de lágrimas nos olhos. Fiz-lhe então a proposta: «Ouve, no mundo inteiro há um montão de miúdos a perder dentes... algum deles há-de gostar do que te calhou a ti... por que não escreves uma carta à Fada e propões uma troca...?»
E, no fim da tarde:


[Fada dos dentes, como eu não gostei da tua prenda porque já tenho uma coisa para fazer aviões, talvez me possas trocar a coisa dos aviões por 10 ou 11 saquetas de cromos de futebol 2016-17 por favor, por favor, por favor. Obrigada, desculpa. Para: Fada do dente De:Vasco]

Da carta passou para um desenho do que poderia oferecer à Fada, caso pudesse... Dali para outros desenhos e propostas de jogos... À noite, este era o cenário em torno da cama:


Como a Fada que vem cá a casa é muito fixe, ele é capaz de ser um rapaz de sorte...
Rita

quarta-feira, novembro 02, 2016

Fim de tarde fora da caixa

Às vezes é assim. 
Chegamos a casa num dos raros dias sem atividades e o jantar já está feito. O pai não vai às compras, a mais velha tem estudo para fazer, os outros dois preparam-se para um fim de tarde televisivo. Afastada dos restantes, acabo de colar as fotografias de um trabalho da Joana no seu caderno da creche. 
Talvez por eu própria não estar hipnotizada sob o olhar da caixa mágica, lembro: «Vasco, vou desafiar-te para um jogo.»
Ele não me liga logo. Vou buscar o jogo, um puzzle de 200 peças, e espalho-as pela mesa. Torno a chamá-lo. Ele vem, observa, solta uma interjeição de espanto por o jogo ser um puzzle. Não percebo se está satisfeito, desiludido ou surpreso. Ainda vai até à sala. Começo a virar as peças todas para o mesmo lado, a separar as que têm bordo. Torno a espicaçá-lo. Chega ao fim o tempo determinado para a caixa hipnotizadora e a televisão é desligada. E começa a magia. 
Duzentas peças de magia. Uma mãe que desafia um filho. Um filho que se senta. Um pai que se aproxima, curioso e começa a procurar peças. Uma filha que no fim do estudo também quer participar. A outra que traz outro jogo para cima da mesa. 
Uma hora e pouco de magia. E de boa disposição. E de querer estar ali e em mais lado nenhum. Com sucesso. 



Mas às vezes é mesmo preciso desligar a caixa. E ajuda ter o jantar feito.
Rita

terça-feira, julho 19, 2016

Exercício-de-escrita-ou-talvez-não... ou... O-prometido-é-devido 1

Sabes... no dia em que me disseste que costumavas sonhar com ela e te respondi que já há muito que não me acontecia... sonhei...
Estávamos numa espécie de festa, não sei porquê nem por quem. Ela já estava doente, mas propôs-se cantar. E então cantou. Eu, que não me recordo de ela ser muito cantora, sonhei com ela a cantar o fado melhor do que a Amália. O fado. No meu sonho, eu ouvi e percebi que, a cantar, ela ficava menos doente. Como acontece por vezes com os gagos, sabes. E então chorei.
E depois acordei.
Rita

sexta-feira, abril 15, 2016

Ontem, passados 40 anos, estive lá...

...

... a representar o pai, deputado da Assembleia Constituinte e a partir de hoje deputado honorário à Assembleia da República. Título merecido para quem soube unir esforços e criar um documento que até hoje rege a nossa sociedade, a Constituição da República Portuguesa.
Eram muitas as caras conhecidas, figuras públicas, empresários famosos, dirigentes políticos, algumas através do pai e da sua actividade política. Muitos outros não reconheci, e o meu pai seria um deles se não fosse meu pai.
Para mim foi uma pena que ele não quisesse ir. Estava lá eu por ele, uma orgulhosa filha do seu não famoso pai, político por convicção, atualmente reformado com uma pensão demasiado baixa para as suas necessidades.
Ana Cristina