segunda-feira, janeiro 07, 2019

De Miss Goffre

«Mãe, tens de me mostrar o livro onde o macaco aparece a andar e se transforma num homem.»

E pronto, é isto, a evolução do homem traduzida nuns segundos de dúvida maternal...
Rita

Conciliar...

... tudo... 

... a tentativa de se chegar a horas de manhã, 
... de ter tudo pensado e arranjado no final do dia, 
... de acompanhar atividades, 
... de ler antecipadamente para depois acompanhar e apoiar o estudo de matérias tão diferentes como a origem do protestantismo, o Past Tense, os censos e a demografia, os átomos, 
... de ler os livros sobre bulling sugeridos para depois se conversar e partilhar,
... de organizar comemorações de aniversário,
... de brincar com brinquedos novos,
... de gerir a frustração de uma grande avaria no carro,
... de pensar em formas de efetivamente estar com amigos,
... de lavar máquinas e máquinas de roupa e de arrumar sacos e sacos de roupa,
... de incentivar a responsabilidade e organização das gentes pequenas e, por que não, aprender a desenvolvê-las cada vez mais em nós...

é difícil esta conciliação e não tem sobrado muito de mim para tudo o resto que ainda quero... o espaço para o mindfulness antes das sete, para o treino no final da tarde, para as arrumações pequenas que se transformam em grandes... para este blog...

A fazer fé nas palavras da mana e de um ou outro amigo que insistem... «há que praticar para trabalhar o músculo»... e, só por isso, arrasto o computador para o colo para escrever este nada de jeito... Já está, quem sabe amanhã...

Rita


terça-feira, janeiro 01, 2019

Resoluções de Ano Novo

Resolução renovada ao fim do primeiro dia de um ano novo: escrever mais neste blog.

Rita

domingo, dezembro 09, 2018

segunda-feira, novembro 26, 2018

Avó e neta

Estava a vestir um casaco de malha às riscas e a congratular-me por ainda lhe servir, quando a ouço:
- Não gosto deste casaco.
Fiquei surpreendida e fiz o que faço sempre, converso sobre o assunto, tentando convencê-la:
- Não gostas? A sério?! É tão lindo, tão colorido... Era do mano, sabes, foi a avó que lhe ofereceu quando ele era pequeno.
Instantaneamente, ela torna a vestir o que do casaco já começara a despir:
- Ah, então gosto. 
Foi uma mudança tão rápida numa pessoinha tão tendencialmente assertiva (e oposicionista...!) nestas coisas, que eu até estranhei. Até que a ouço:
- Sabes porquê...? Porque eu gosto muito da avó, ela é muito querida...

Diga-se, para quem precisa, que quando ela nasceu, há quase cinco anos, já a avó estava doente. Enquanto bebé, sempre lhe pegou ao colo sentada, para que não se arriscasse mais uma queda inexplicável e de surpresa, naquela altura a serem cada vez mais habituais... Não me recordo de terem conversado muito as duas, porque a avó falava cada vez menos e mais baixo e as crianças pequenas não são conhecidas pela paciência... e é impossível que, com a idade que tem, ela se vá recordar de muito mais do que aquela avó, no Lar, que quase não se mexe, sem expressão, a quem ela dá um beijinho, faz umas festas na cara ou segura na mão. Ou aproveita o quarto e a cama para brincar e jogar, segundo as minhas tentativas de que a avó lhe vá apreendendo o feitio, o crescimento, desta forma tão básica que atualmente lhe é permitido... O célebre "melhor que nada"... 
Fico enternecida com as palavras dela... agradável e ao mesmo tempo tristemente enternecida... mas sorrio de mim para comigo... não é um riso fácil e descontraído como daquela vez em que, no Lar, depois de aconchegarmos as almofadas e roupa de cama à volta da minha mãe, a vejo entrelaçar os dedos das mãos uns nos outros e dizer: «Oh, tão querida... Parece um animalzinho do bosque...!»... mas é, em todo o caso, um sorriso.



Rita

segunda-feira, novembro 19, 2018

Há lá coisa melhor do que elogios numa segunda-feira de manhã...

São 10H15 de segunda-feira e recebo um telefonema de trabalho, aqui no trabalho. 
Ele quer saber da situação da sua ainda incipiente adolescente e eu explico-lhe. 
Pergunta-me se há necessidade de me tornar a ligar e eu digo que o poderá fazer, se assim quiser, mas que à partida já sabe o que esperar. 
E ele vai e diz que ligará antes do Natal, mesmo que seja para me desejar boas festas. 
E desfaz-se em elogios, de entre os quais o que eu mais gostei: «A Rita acalma qualquer um.» 
Eu. Logo eu, que na altura até ralhei com ele. Acalmo gente. Rio-me para dentro com a diferença do que podemos ser em diversas áreas da nossa vida. 
E agradeceu muito. E eu sei, porque o ouvi mas também porque o senti, que foi mesmo real. Que, mesmo tendo em conta o meu aparecimento numa fase necessariamente desagradável de vida e acontecimentos, houve um espaço para sentir que eu tinha reduzido o que foi negativo... 

Vim aqui só para não me esquecer que, não obstante o dia cinzento que se vê pela janela nas minhas costas, aqui dentro de mim, o dia está solarengo e anuncia uma boa semana. Com licença, vou então trabalhar com ganas. 
Rita

domingo, novembro 11, 2018

Coisas que acontecem...

... quando se sai a correr, em cima da hora do cinema:


E sim, só reparei quando estava a sair do carro, já no centro comercial... E sim, fui mesmo assim. 

Para salvaguarda de quem se possa estar a preocupar com a minha sanidade mental, devo acrescentar que o quarto em que me calcei estava às escuras. 

Rita

segunda-feira, novembro 05, 2018

Que fixe nunca estar sozinho...

E disse ela, a de quatro, vestida de cuecas, camisola interior, meias antiderrapantes e gorro de Inverno na cabeça:
«-Mãe...... anda cá ver-me a dançar com estas duas miúdas...»




💗

Rita

terça-feira, outubro 30, 2018

E assim, de repente, sou um perigo para a sociedade

Porque este é o mês estranhei não ter recebido notícias da seguradora. São 27 anos a conduzir carro próprio e, naturalmente, os mesmos a desembolsar o que me garante a sua legalidade. Daí ter contactado a mediadora. Podia ter havido algum problema e a carta ter seguido para a morada antiga.
Recebi o telefonema há pouco, com a notícia que não me querem como segurada por ser um risco.  Não me quer a seguradora que até agora tive, nem nenhuma outra. Estou na lista negra das seguradoras!!!
Motivo: tive 3 sinistros em menos de 5 anos.
Explicando melhor; nos últimos 5 anos fiz a seguradora gastar dinheiro. E não quer dizer nada ter seguro contra todos os riscos, ou ter feito gastar pouco dinheiro, ou ainda um deles nem sequer ter sido eu mas alguém que não se identificou, e sobretudo ninguém se ter magoado, nem o facto de durante 22 anos nunca ter tido nenhum acidente provocado por mim. NÃO!!! Eu fiz a seguradora pagar o pára-choques do Nissan Qashqai que ficou com um furinho da minha chapa de matricula quando lhe dei um "beijinho". E tornei a fazer gastar quando declarei o toque que dei 4 anos e meio depois. E fiz gastar de novo quando caí na asneira de declarar a amolgadela que me deram, seguindo a informação (que acreditei, PARVA QUE SOU!!!) que como não atingia o plafond segurado anualmente não me prejudicaria... Pois é, prejudicou. E agora sou persona non grata para as seguradoras. 
Parece que agora as minhas soluções são; não ter seguro durante pelo menos uns dois anos, vender o carro e conduzir um carro de outra pessoa, ou passar a andar de transportes. Ou isso ou andar ilegalmente num carro sem seguro e como assim, se bater em algum, desde que ninguém me apanhe, não há problema nenhum.

Serve este post para vos alertar. Façam seguros baratos, e se tiverem um acidente que seja em grande (só não desejo que matem alguém porque não sou capaz de tanto... mas já faltou mais...)
Ana Cristina

sexta-feira, outubro 19, 2018

Isto de ser aéreo...

Isto poderia ser para o Martim, de 12 anos, que em pouco menos de uma hora se descreveu a si e a uma amiga, por mais do que uma vez, como "aéreos".

Aéreo é...
Ter uma  ideia insistentemente na mente, sonhada ou recordada, 
                                                                                                    ouvir ser questionada acerca das chaves do carro que, mais de uma hora depois, nos apercebemos ter esquecido em casa, vir para casa a pé de mãos dadas com a ideia, regressar depois ao carro, já com as chaves no bolso, vir a conduzir para casa com a ideia no lugar do pendura, estacionar e andar até casa, meter a mão ao bolso e encontrá-lo aberto e sem as chaves de casa, voltar ao carro olhando com a ideia para os cantos do passeio para ver se encontramos o molho de chaves que nem teremos ouvido cair, vasculhar o carro à procura, tornar a casa desejando que as chaves tenham ficado esquecidas, para depois as encontrar num outro bolso fechado do casaco, a namorar com a nossa ideia... 
                                                                                            e ter a certeza que se continuará a sonhá-la ou recordá-la...

Quem não...?

Rita

quinta-feira, outubro 18, 2018

segunda-feira, outubro 15, 2018

Da doença

Fui ver-te.
Estavas estranhamente parecida com o antes, toda tu mais redondinha, os falsos caracóis perfeitos, tu sentada direita na cama, costas encostadas atrás. Fiquei de boca aberta, falaste comigo, disseste que te sentias melhor mas que era por pouco tempo e que, para além do mais, tinhas muitas dores.
Nem sei bem o que senti... ver-te melhor, conseguir ouvir-te e perceber-te. De tão assoberbada, encostei-me a ti e chorei, de surpresa espantada com o ter-te de volta, mesmo que por período escasso. 
Acordei assim, a gemer do choro sonhado. Escasso mesmo. E desperdiçado.
Rita

sábado, julho 07, 2018

Distorção maior

Vivo a vida que tenho com a normalidade ganha no dia-a-dia, nos gestos usuais, nas caras normais, nos mesmos papéis... Raramente penso a fundo nesta realidade distorcida que é aquela em que me movo e que não é, não pode ser, não está e não pode estar nunca ao alcance das pessoas ao meu redor. Isso é o suposto e não me aflige. E a verdade é que não sou atormentada por essa distorção da realidade que não é a minha mas que visito diariamente.
E depois há semanas estranhas. E momentos maus, verdadeiramente maus, daqueles em que a distorção ultrapassa o inimaginável, até para quem se habitua a ter essa fasquia elevada... em que se sabe que, fazendo o melhor e mais que se possa fazer, nunca haverá nada, em lugar nenhum, capaz de compensar a deformação que não era suposta...
Nesses dias, vive-se. E sobrevive-se. De preferência com os filhos, o marido, os amigos, os programas que nos capacitam que há sempre alguém, algures, a dar o máximo por um mundo melhor. Para que não tenhas que lutar sempre contra uma distorção maior. 
Rita

sexta-feira, julho 06, 2018

Quatro anos de MISHA

Fez hoje 4 anos que chegou cá a casa. Era uma bebé-gata com cerca de 3 meses, aparentemente grande para a idade. Vinha mais ou menos desconfiada mas adaptou-se bem e num instante adotou-nos como família humana. Continua uma menina-gata linda, de olhos grandes e pêlo comprido. Tão confiante que nunca parece ter medo. Mantém-se reguila mas não tanto como em bebé, e as plantas cá de casa continuam a sofrer os seus ataques. Agora é uma irmã mais velha, daquelas que ajuda nas traquinices mas não é quem dá mais nas vistas, que faz as asneiras mas disfarça bem melhor que o mano.
Não festejámos a entrada dela na família (não deu tempo) mas eu ainda consegui tirar umas fotos da peluda. Aqui está a Misha, numa foto de hoje... e é linda, não é?

Ana Cristina

domingo, junho 10, 2018

Quase que tenho vergonha

É verdade. Quase que tenho vergonha de vir aqui escrever depois de tanto tempo ausente. E se pensam que agora estou virada para outras redes sociais, não estão completamente errados, porque, nos últimos tempos, tenho visitado mesmo que pouco, o facebook e o instagram mais do que tenho vindo aqui. Claro que isso não tem desculpa, até porque este é, ainda, o cantinho onde mais me interessa deixar a minha marca... mas também o que obriga a mais método de dedicação, e por consequência, mais tempo para fazer um post minimamente interessante. E tempo não tem abundado por estes lados. 
A juntar ao dia-a-dia de enfermeira, sindicalista, filha de pais mais ou menos dependentes, há uns meses também se juntaram as pesquisas, os trabalhos e estudos, porque estou a fazer uma pós-graduação. E voltei a não ter tempo para os meus pequenos prazeres pessoais. Tenho deixado de parte os meus pequenos desenhos e pinturas, os Xulés estão por fazer, e os livros já se acumulam há muito. Mas tem sido bom voltar aos estudos. É mais ou menos um sentimento agridoce, onde o doce é a aprendizagem e a energia que se ganha com o estimulo do estudo, e o acre é a falta de tempo para todas as outras coisas que gostamos de fazer. E vir aqui ao blog está incluído nessas faltas.
Voltei hoje, sem promessas, e com vontade de aqui aparecer muito mais...
A todas as nossas visitas Olá Olá, cá estou eu... viva!!!

Mostro-vos a pequena parte da estante de livros por ler...
Ana Cristina

sexta-feira, abril 06, 2018

Ida à biblioteca



Fomos inscrever-nos à biblioteca.

Gosto de bibliotecas. Para além de estarem cheias de uma das coisas mais espetaculares do mundo, são representativas de uma ideia filantrópica excecional... quer dizer... quem é que se lembrou de criar um espaço em que a literatura estivesse ao alcance de todos, sem custos, por períodos de tempo mais ou menos alargados... Se pararmos para nos debruçarmos sobre a ideia de algo que já tão comum e adquirido nas nossas vidas, apercebemo-nos do quão verdadeiramente magnífico o conceito é. 

A nossa biblioteca não fica muito longe de casa (dá um passeiozito bom) e não é muito grande, mas faz parte da rede BLX, o que significa que podemos dar conta do nosso interesse por um qualquer livro que não exista ali e virá o dito de uma outra da mesma rede. É, portanto, o mesmo que ter ao nosso alcance os livros de quase vinte bibliotecas!!! Podemos requisitar livros e filmes por 15 dias e renovar a sua estadia na nossa casa, através de diversas vias, por idêntico tempo. Também temos acesso aos periódicos que não sejam mais atuais, sendo que fiquei igualmente deliciada com a perspetiva de no próximo mês poder requisitar a National Geographic de Abril...

Inscrever-me nas BLX fez-me recordar dos tempos de escola e do bom que sempre foi ir a bibliotecas... E apesar de ter sido comedida nas escolhas e de ter trazido somente dois livros - tenho ainda novos em casa para ler -, entre mim, a Alice e o Vasco, saímos de lá maravilhados com a ideia de dez novas leituras e quatro filmes para os próximos tempos...

Rita

sábado, março 31, 2018

Nove anos de Vasco

Em Agosto de 2017, depois de regressar do primeiro campo de férias que fez sem ninguém conhecido, o Vasco respondeu da seguinte forma à pergunta que lhe fiz sobre o que tinha dito, durante uma das atividades feitas por lá, que eram os seus super-poderes:
«-Saber quem sou ao pé dos outros.»
Ficámos a olhar para ele, sem perceber exatamente o que queria dizer, e pedi mais explicações sobre o que significava. Respondeu mais ou menos isto:
«-É assim como saber que o outro é melhor...»
Sou bastante insistente a tentar perceber as coisas e, ao terceiro pedido meu para que explicasse melhor, tentou ir mais além:
«É assim, por exemplo... se eu estiver a jogar um jogo e o outro ganhar, não querer ser como ele. Porque eu gosto de ser como sou.»

O meu rapazinho fez ontem 9 anos e o que mais desejo é que conserve toda esta sapiência. 
É difícil descrever tudo o que cabem nestes nove anos: tranquilidade, sensibilidade, perspicácia, inteligência, energia, amizade, companheirismo... Alguém me disse uma vez que achava piada ao Vasco por ser "boa onda" e isso é, efetivamente, verdade. Parece ter nascido com a invejável capacidade de se aceitar e de aceitar os outros como são e, sendo essa uma das características mais difíceis de conquistar ao longo da vida, só posso concluir que deve ser um mocinho de sorte... 



Rita

quarta-feira, março 28, 2018

Gosto de posts de desenhos

A Joana gosta de desenhar e todos os dias chega com desenhos novos que fez na escola. Hoje, mesmo com pouco investimento da parte dela, trouxe estes:


À esquerda: «Uma planta e uma porta.»
Em cima, à direita: «Eu... esqueci-me de fazer o cabelo... e sabes o que é isto? São armários.»
Em baixo, à direita: «É uma rockstar [a sério...?! a miúda sabe o que é uma rock star?!] com uma viola assim [e finge que toca]...» [ao que eu pergunto «E isto?», e ela «São as mãos.», e eu «Tantos dedos!», e ela «Pois é...!»]
Rita

sexta-feira, março 23, 2018

Portanto...

... o que fazer a uma filha de quatro anos adoentada e presa em casa há vários dias...?


Pô-la a lavar a louça...!
Rita