quarta-feira, julho 09, 2014

Somos um montão


Eu: Já viram, as pessoas devem pensar que vocês são todos irmãos… Ainda por cima tu também és clarinha, com o cabelo quase do da cor da Alice… são da mesma altura, as pessoas devem pensar que vocês são gémeas, já viram…
Di: É verdade, e as pessoas devem pensar que vocês são uns malucos, com muitos filhos…!

Na verdade, pouco nos têm perguntado. Logo no primeiro dia, quando parámos para almoçar a meio da viagem, apareceu precisamente um casal com quatro, de idades todas diferentes. Olharam para nós, olhámos para eles. Quando íamos embora, a mulher cruzou-se com o João e questionou: «Com quatro não é fácil, hã…». O João não desarmou: «Uns dias melhores que outros.», deixando-a ir embora com um sorriso pretensamente cúmplice de quem não percebe o cliché totalmente verdadeiro e que se poderia aplicar se até só lhe tivesse perguntado só por ele.
Hoje, um casal brasileiro não resistiu a perguntar se eram os quatro nossos. Não mentimos (provavelmente a Di não deixaria, ela que se recusa até à brincadeira que é como se fosse nossa filha emprestada por estes dias), mas eles, sempre divertidos, admitiram que, nos tempos que correm, mesmo com três somos uma raridade e que na altura deles era mais comum. Depois acrescentaram que, ainda por cima, nós eramos novinhos, ihihih… nesse caso também não desarmamos, eles que pensassem sobre a nossa idade o que quisessem…
Devemos ter a nossa dose de atenção, claro está. Ainda por cima sendo um conjunto tão bem oleado, cada um a chegar à praia com a sua incumbência (mãe com mochila da filha pequena e filha pequena; pai com saco de praia, meio iglô e uma barreira; filha grande e amiga alternadamente com mochila da comida e mochila gigantesca de brinquedos de praia; filho pequeno com bola ou meio iglô), a saber como organizar os chinelos todos juntos, como colocar a roupa toda no saco antes de correr para a água, a ir depois embora todos em fila desordenada com os chinelos pela mão. Provavelmente seria pior se fosse para nos organizarmos de manhã, antes de ir para a escola ou trabalho, mas nas férias, tudo funciona, até nas horas previamente propostas para sair de casa.

Rita

terça-feira, julho 08, 2014

Momentos de férias

Os três, na piscina minúscula montada no páteo (conselho: em casa alentejana com um nico de páteo, bote-se sempre uma piscina, nem que seja pouco mais que um alguidar… o divertimento é sempre garantido), assustam-se com uma abelha.
A Di dá-lhe uma pancada com a rede de limpeza. O problema parece resolvido, até repararem dali a um tempo que a abelha ainda mexe e tenta a todo o custo patinar na água expulsa do recipiente azul.
A Alice desafia a Di a matá-la com o chinelo (não tinha os seus), mas esta recusa porque em tempos o irmão matou uma mosca com um chapéu e o chapéu ainda hoje mantem a mancha de sangue.
A conversa mantem-se neste tom, comigo divertida a interferir (que os bonés se lavam, que o sangue sai com a lavagem), e eles pouco preocupados com a abelha, que não parece oferecer perigo.
De repente, a Di repara que a abelha parece partida ao meio (deve ter sido da pancadona anterior com a rede, livra!). A Alice torna a desafiar, a Di torna a recusar.
Eu acrescento que a abelha deve estar a sofrer e que matá-la acaba por ser um bom acto, que lhe permitirá acabar com o sofrimento.
A Di decide-se logo a seguir, solidária com a causa, e sai da piscina. Procura os chinelos, um de cada cor, e ouço-a a dizer para si mesma, em voz alta: «O verde ou o cor-de-rosa?! O rosa, que fica melhor com o sangue…». Temos ali, portanto, uma pequena “abicida” cheia de preocupações estéticas…
Rita

segunda-feira, julho 07, 2014

Como três não nos chegavam...


Posto o último post, este ano, à semelhança do que já tinha acontecido há dois anos, trouxemos uma amiguinha de férias.
O tempo passou, a nossa família está maior e dois anos mais crescida, a amiga é diferente da R. Tudo isso traz uma dinâmica completamente diferente.
Ao contrário do que se possa pensar, tem sido tudo fácil. As duas entendem-se perfeitamente, ainda praticamente não houve conflitos para gerir, ou fomos nós que não demos por isso. Na verdade, não fosse preciso alimentá-las e transportá-las de ida e volta para a praia, quase não éramos necessários.
A única coisa que me faz pena é ver o Vasco a tentar algumas vezes introduzir-se no duo dinâmico. Com pouco sucesso. Ele, que é verdadeiramente um fixolas, volta-se facilmente para outra coisa, mas não consigo deixar que o desprezo e desinteresse delas me toque. A Di acaba por seguir a Alice nessas atitudes e são as da irmã as que mais me custam. Principalmente tendo em conta que eles até se dão bastante bem.
Da outra vez, fosse porque ele fosse mais pequenino e se limitasse a andar atrás delas, fosse porque a R. o conhece desde sempre e estava muito habituada a ele, fosse porque elas ainda não tinham brincadeiras tão complexas, fosse porque com 03 anos ele ainda tinha perante elas aquele ar de bebé, foi mais fácil lidar com o triângulo. Nem sequer o sentimos como tal.
Até ao quarto dia, a exclusão a que elas o votaram foi notória e quando ele procurava o companheirismo habitual da irmã («não é, mana?!», «viste, mana?!») e ela o repelia, até me doía. Depois, a aproximação foi algo quase imperceptível… primeiro, a amiga que se quis juntar a um jogo de futebol pais e filho… depois, uma brincadeira a três na praia… mais tarde, um boneco hulk a conviver com umas nancys… isto vai…

Rita

domingo, julho 06, 2014

Ontem publicamos a mensagem 1111...

Apesar de pouco movimentado, este blog afinal já tem uma longa história. Até agora, oito anos e exactamente 5 meses.
E apesar de escrever pouco nele, continuo a gostar deste projecto.
Ana Cristina


Nota: Esta foi a primeira imagem que publicámos no arRanha no Trapo. Uma camisola pintada à mão que oferecemos a uma amiga. Na altura tivemos de fotografar a fotografia...

sábado, julho 05, 2014

Os meus obrigados

Fico tão contente por termos tido a hipótese de, há uns meses, termos trocado o nosso carro por um novo (novo para nós) que permite colocar mais dois lugares. É que é tão bom trazer amigos pequenos de férias. É tão bom ter grandes amigos grandes que confiam em nós para nos permitirem isso. E é tão bom ter amigos em quem confiamos para levarem os nossos filhos de férias. E tão tão bom chegar à conclusão que, ao contrário do que pensávamos, a nossa capacidade para fazer amigos destes não diminui com o passar da vida. E, também ao contrário do que poderíamos ter considerado em tempos, o grupo destes amigos pode ir aumentando. E eles andam por aí e é uma sorte encontrá-los, mas é também reflexo das pessoas que nós somos, por conseguirmos atraí-los e isso também diz algo de nós e é bom.

Eu esqueci-me completamente de aproveitar a iniciativa dos CTT para enviar obrigados aos meus amigos. Mesmo depois de deles ter recebido obrigados, continuei a atrapalhar-me com o dia-a-dia e tornei a esquecer-me… Vão então por aqui esses obrigados aos meus amigos. Eles sabem quem são.

Rita

quarta-feira, julho 02, 2014

Nota-se muito...


... que fomos à exposição dos Transformers?!
Rita

Pequena nota: nada de especial que valha grandemente a pena a deslocação, mas mais engraçado a partir das 16h, quando abrem os jogos aos miúdos e fornecem uns quantos espécimes para mexer... já agora, pegar naquelas coisas e transformá-las em robots e em veículos ou dinossauros (?!) deve ser tarefa para seres extraordinários, provavelmente com mãos pequeninas, com certeza...

terça-feira, julho 01, 2014

A Alice e a marcha

Neste último domingo a Alice teve a última exibição da Marcha infantil da escola.
Fazendo bem as contas, há nove anos que a Alice assiste aos ensaios da Marcha da escola. Chegávamos lá para Maio e era vê-la a marchar pela casa com as mãos nas ancas. Sempre achei que seria natural ela querer participar quando fosse para o 1º ciclo e foi uma surpresa quando declarou que «dava muito trabalho» e não se quis inscrever.
Talvez porque no 1º ano a turma estava lá quase em peso, no ano a seguir alinhou. Gostou dos ensaios e das exibições, mas não declarou nenhuma paixão nem demostrou orgulhos especiais.
É preciso ter a noção que a Marcha da escola é “à séria”. Ensaiam coreografias e músicas quase todos os dias, obedecem à regra das três marchas (a tradicional da coletividade, a original da coletividade e a original desse ano para todas as marchas de Lisboa), vão ao Pavilhão MEO Arena, descem a Av. da República, aparecem na televisão e têm várias outras exibições espalhadas por feriados e fins-de-semana de Junho.
No ano passado foi mais difícil, ela tinha treinos intensos de ginástica e sarau precisamente num dos dias de exibição. Não sei se isso lhe retirou algum prazer ao envolvimento na Marcha; o que é certo é que não a vi vibrar.
Este ano foi completamente diferente. No primeiro dia de exibição, no Pavilhão, ela estava verdadeiramente feliz, encantada com a sua aparência, preocupada com a sua prestação. Foi espetacular vê-la tão contente com a Marcha ao longo do mês e perceber a evolução da maturidade nas suas posturas do ano passado para este ano…
Gosto de a ver ali, acho que lhe faz bem. É no fundo a hipótese de se relacionar com um projeto de equipa intenso mas que a curto prazo lhe permite ver os resultados do trabalho conjunto, trazendo-lhe as vantagens que advêm precisamente do trabalho de equipa.
Quanto a nós, lá marchamos também para a ver, com diversos grupos de amigos ou familiares divididos pelos dias de exibições. Brincamos acerca das indumentárias das outras Marchas, observamos o bairrismo dos outros e fingimo-nos de bairristas, decoramos (mesmo sem querer) a marcha original do ano (repetida e repetida e repetida), rimo-nos muitos, damos por nós a acordar a trautear músicas, fixamos mais uma quantidade de bons momentos para a posteridade…

(no ano passado, panorama geral da Marcha no Pavilhão, a miúda a dormir no caminho para casa e com um grupo de amigas)

(este ano, praticamente os mesmos cenários)

Rita

segunda-feira, junho 30, 2014

Mais uma fã de Xulés

Não lhe basta um, gosta de todos desde que estejam ao seu alcance. Cá em casa, há cerca de dois meses, a Joana teve a oportunidade de ver vários Xulés todos juntos. Quase 20 bonecos feitos de meia a rodear a boneca viva foram o mote para uma pequena sessão fotográfica colorida e bem disposta. E ficou provado que também ela pertence ao Fã-Clube dos Xulés.

Ana Cristina

domingo, junho 29, 2014

Justiças

Vou tentar explicar o cenário de ontem, no Parque, mesmo no finalzinho de uma festa de anos. O pessoal adulto agrupava-se, ora a ver os restos do jogo Brasil-Chile, ora a conversar. O pessoal pequeno andava no parque infantil.
De repente, uma senhora atravessa a relva, passo acelerado e furioso, e vem ter com umas das miúdas mais crescidas (de 8 ou 9 anos), cobrar-lhe o facto de ter torcido o braço ao seu filho, bem mais pequeno. A miúda olhava-a entre o surpreendido e receoso, sem conseguir dizer nada. Aliás porque nada lhe havia sido perguntado pela senhora.
A mãe da miúda saiu do nosso grupo e foi então perguntar à filha o que tinha ocorrido. Ao que parece, o menino, mesmo que mais pequeno, tinha andado atrás do grupinho das nossas miúdas, a insultá-las (aliás, tinha passado também bastante tempo da festa de anos a chatear todos os meninos que conseguia) e, em determinado momento, como se tal não lhe bastasse, tinha agarrado numa pedra e encontrava-se a ameaça-las com ela. Tinha sido nesse momento que a miúda havia interferido e decidido afastar o perigo. 
Fiquei chocada. Não com a história, não com a postura da miúda ou do pequeno... Mas com a da mãe... Que, sem ter testemunhado a cena, decidiu vir, não esclarecer ou inquirir a menina, mas reclamar com ela... Pareceu-me, sinceramente, um exemplo da forma como determinadas - infelizmente, tantas - pessoas escolhem viver a vida, sem dar valor ao contraditório, sem duvidar, sem analisar, sem tentar perceber, escolhem partir em frente assumindo uma só posição. Não teria sido mais justo vir perguntar à menina o que tinha acontecido? Tentar esclarecer e assumir uma posição equilibrada?
Não percebo... Como podemos pretender evoluir, enquanto seres individuais e colectivos, sem ponderarmos, nas situações mais simples, colocarmos-nos do outro lado, do lado do outro...
Rita

sábado, junho 28, 2014

Nas férias, com um sobrinho falador...

Vasco - Tia?! Sabes o creme da caspa? Aquele creme da caspa para o cabelo?
Eu - ?!?!? Não. Não sei do que estás a falar.
Vasco - Aquele creme da caspa que deu na televisão! O Cristiano Ronaldo usa o creme da caspa e fica com o cabelo com riscas...
Eu - Ahhh... ... ... mas tu sabes o que é a caspa?
Vasco - Acho que é o cabelo com riscas... 

***

Enquanto observava o avô a tratar dos dentes e da dentadura...
Vasco - Avôoo, Já te caíram os dentes de leite todos foi? ...

***

 De repente, ao ouvir uma música na televisão...
Vasco- Gosto muito desta música. Eu tinha esta música no carro. Mas era no outro carro. ... Tenho saudades.
Eu - Tens saudades do carro antigo é? Mas não gostas deste?
Vasco - Não. Da música...
Ana Cristina

quinta-feira, junho 26, 2014

Xulés feitos pelos pequenos

Foi no final do ano passado, quando preparávamos os presentes de natal e o de aniversário da mãe, que faz anos uma semana antes, o Vasco teve a ideia. Ele queria fazer um presente que envolvesse vários materiais; meias, tampas de iogurtes líquidos, e talvez cápsulas de café mas não sabia muito bem o quê. A Alice achou boa ideia mas antes queria concretizar um projecto para o qual andamos (acho que só eu porque eles se esquecem sempre) a recolher a matéria prima e ainda não temos material suficiente (e eu bebo muito poucos iogurtes). No meio da troca de ideias surgiu, vinda do Vasco, a proposta de se fazer um boneco de neve.
E assim fizemos. Com a minha ajuda fizeram dois bonecos de neve, ela uma menina ele um menino, que ofereceram à mãe uns dias depois. Estavam muito contentes pelas suas obras, que estiveram na sala toda a época natalícia e foram guardadas na caixa de enfeites de natal.
Apresento-vos os Bonecos de Neve, tipo Xulés, feitos pelos pequenos. Ficaram giros não ficaram?
Ana Cristina

terça-feira, junho 24, 2014

Fases e desabafos...

Ando numa fase tão estúpida. 
Estupidamente à espera e estupidamente com falta de energia.
Tenho a casa de pantanas, com muita da roupa dos miúdos já arrumada (a referente às trocas de estação, mas também a da Joana já preparada para os próximos meses e até a que já não lhe serve, devidamente ensacada e preparada para seguir para outras paragens). No entanto, ainda se encontram espalhadas pela casa uma ou outra pilha de roupa ou uma ou outra caixa à espera que me dedique. Por seu turno, a minha roupa de Verão continua à espera que lhe dê atenção, com as minhas gavetas num estado de destrambelhamento nunca visto, eu todos os dias sem saber o que vestir (síndroma pós-gravidez, já o conheço, tudo me serve mas parece que não gosto de me ver com nada). Estou à espera que me nasça energia para arrumar a minha roupa e o que resta da deles, para deixar de ter esta sensação
Tenho uma estante nova e linda, enorme, mas como o homem ainda vem amanhã completar a coisa, não posso começar a transferir os livros para lá. Apesar disso, tenho a sensação que poderia começar a tirá-los dos outros sítios e limpá-los. Estou à espera que o senhor acabe a sua obra, mas também à espera da energia para começar a projetar a nova arrumação e decoração.
Basicamente, sei que poderia começar a arranjar estas coisas porque, ao fazê-lo sequencialmente, isso me permite ir preparando a nova decoração que o atual escritório vai ter quando se transformar no quarto do Vasco, mas tem-me faltado energia para o fazer...
E detesto ter a minha casa assim, mas... 
E, para além disto, tenho projetos criativos para levar a cabo (umas peças de roupa para transformar para a Alice, duas da Cristina para arranjar, uma camisola para fazer para mim, prendas para pensar), mas...
E posts, montões de posts "rascunhados", mas...

Caneco, sinto-me mesmo numa fase estúpida.
Amanhã vou começar a pôr cobro a isto.
Rita

sexta-feira, junho 20, 2014

Dos primeiros tempos do meu sobrinho-gato

De como ele chegou, minúsculo, e cresceu, forte, saudável, brincalhão, arisco e mimocas. 
De como viveu uma boa vida, convosco, connosco. 
Beijinhos, querida irmã e cunhado. 








Rita

quinta-feira, junho 19, 2014

Onze anos e três meses

Encostámos o carro e a Rita veio passá-lo para o meu colo. Vinha com as instruções do leite em pó e um biberão. Chegou lá casa, escondeu-se atrás da máquina de lavar a roupa e tivemos de colocar garrafas de água a tapar o espaço porque de lá não queria sair. Era tão pequenino que tínhamos medo de o pisar. O F queria deixar a luz acesa durante a noite porque lhe fazia impressão que ficasse às escuras mas logo na primeira ou segunda noite ouvimos os guizos do brinquedo e encaixamos que via bem melhor que nós. Só comia connosco lá em casa, por isso, nos primeiros tempos nunca ficava muito tempo em casa sozinho. Aliás, foi o motivo para muitas visitas dos tios-humanos que dormiram lá em casa várias vezes para poder brincar com ele, e da adoção da Fera, a prima-gata. Ficou Pilas porque duas semanas depois de estar lá em casa deparámo-nos com o facto que tinha uma bolsinha com duas bolinhas. Tinha olhos azuis e orelhas enormes. As orelhas continuaram grandes mas a cor dos olhos passou de azul a verde e de verde a amarelo.
Foi quase toda a vida brincalhão e curioso. Respondia ao nome, era falador (principalmente comigo) e gostava de atenção. Não gostava de máquinas fotográficas mas apareceu várias vezes neste blog.
O que posso dizer mais sobre o Pilas? Que hoje, depois de quase um ano e meio de internamentos, de antibióticos e de soros para hidratar, não conseguiu recuperar. Faleceu hoje, infelizmente sem ser ao meu colo porque estamos de férias.
Foram onze anos e três meses de convívio. Com o Pilas aprendi imenso. Hoje quase nem me lembro do tempo em que, para mim, era quase impossível fazer festinhas a um gato, pegar nele ao colo e me sentir confortável. Hoje quase nem me lembro da nossa casa sem o Pilas. E eu vou sentir muita falta dele, das recepções calorosas, das miadelas para dar nas vistas, da companhia ...


Ana Cristina

domingo, junho 15, 2014

Mais dos nossos Santos...

Os Santos enoooooooormes deste ano deram azo a tudo: ao arraial do páteo com vizinhos, aos arraiais do bairro com amigos, a muitas e boas sardinhas e caracóis e cervejolas e sangrias, a gelados da Santini na Vila Berta, a bailarico na Graça, a caloraças até às duas da manhã... mas também, e essencialmente para a Alice, a horas e horas de brincadeira com os amigos do prédio, com direito a pinturas temáticas e a duches de água gelada para refrescar...


Rita

quinta-feira, junho 12, 2014

Santos!

Há muitos anos atrás, eramos nós raparigas dos arrabaldes, vinhamos para os Santos com a Tina, a Catarina, a Prima Ana, a Sónia-Minha-Mana-Duracell.
Era bastante divertido. Dávamos umas voltas para estacionar o carro e aterrávamos num qualquer bailarico onde comíamos umas sardinhas, bebíamos umas sangrias e dançávamos música pimba até nos aprouver.
Depois de vir morar para Lisboa, passamos a ausentar-nos para aproveitar os feriados em terras alentejanas. Recordo-me de um ano ter de estar de serviço e de ser chamada precisamente quando tínhamos acabado de começar a comer umas sardinhas com os vizinhos do lado.
Há dois anos os Santos foram memoráveis porque fui voluntária num arraial imenso da escola e quando este terminou fui por Lisboa afora comemorar até o Sol nascer com um bando de amigos novos e fixes. Acho que foi a partir daí que decidi abraçar o St. António neste meu bairro e aproveitar até ao tutano. 
Com a Alice na marcha da escola (tema para futuro post), tornou-se ainda melhor, ganhou nova dimensão, sempre na companhia de bons amigos. 
No ano passado, o arraial foi no nosso páteo, uma coisa combinada à pressão com os vizinhos de cima e família. Foi tão agradável que decidimos continuá-lo no dia seguinte. E repetir este ano.
De maneira que tudo se apronta: o páteo já tem mesa posta e decoração a rigor, e a filha descansa um bocadinho a jogar antes de ir descer a Avenida. E eu daqui a nada vou sardinhar um bocado nas traseiras e santo antonar pela freguesia no intervalo de refeições da mais nova.


Rita

quarta-feira, junho 11, 2014

Uma camisola pintada para uma amiga


É muito bom pegar nos pincéis, há muito tempo postos de parte porque ultimamente tenho estado mais virada para outros materiais, e pintar uma camisola para uma amiga como se fosse para nós. A camisola tem a "nossa" cor. As tintas são nos "nossos" tons preferidos e ficam sempre bonitas no fundo escolhido. Os motivos, sendo especialmente pintados a pensar na ofertada, correspondem também ao nosso gosto. O resultado é uma peça que nos orgulhamos. Mostro-a pendurada agora, mas posso dizer-vos que fica muito melhor vestida na sua dona. Em mim também não ficava mal mas, nesse ponto, com ela está muito melhor.

A verdade é que fiquei com vontade de voltar a pintar camisolas e, quando voltar de uns dias de férias que estou a passar por terras alentejanas, acho que vou pintar algumas. Nem que seja só para mim.
Ana Cristina

A Joana de cinco meses (e quase dez dias):


A Joana de cinco meses parece ter desenvolvido extraordinariamente no último mês. 

Há uns tempos que tinha parado de palrar como fazia e passado a dedicar-se mais à fisicalidade. Aprendeu a rebolar para a posição de barriga para baixo quando tinha acabado de fazer quatro meses e meio e está agora a aprender a técnica de o fazer ao contrário, que acontecia sempre de forma involuntária. 
Talvez porque a coisa parece mais ou menos dominada, nesta última semana tinha começado novamente a chamar-nos e a falar connosco, mas só usando "uh-uh-uh". Desde ontem que recomeçou em grandes conversas, o que me alegra muito, que adoro perder tempo a observar-lhe as boquinhas diversas. 

Dobrou o riso também na semana dos quatro meses e meio e foi por pouco que não vim cá dizer que, como rir é das melhores coisas que podemos fazer, naquele dia se tinha iniciado o resto da sua vida. A avaliar pelos escritos neste blog, a Alice e o Vasco fizeram-no primeiro, e ambos com a tia Cristina. Até agora, a Joana só gargalhou comigo, em brincadeiras palermas, mas ainda não adquirimos a noção exacta do que lhe desencadeia o sentido de humor. 
Apesar disso, a Joana é - digo-o orgulhosamente acerca de todos os meus filhos - verdadeiramente simpática. Sorri maravilhosamente a todos os que a cumprimentam e por vezes enruga o nariz todo quando o faz, o que, pode ser de mim que sou a mãe, mas é super divertido. (Ontem passeia-a para o colo de duas adolescentes que estavam a ver uma das exibições da marcha da Alice e que estavam fascinadas com ela... foi vê-las a experimentar posições, a passá-la de uma para a outra... e a miúda impassível e bem disposta durante o tempo todo que aquilo durou...)

Come sopa desde há um mês, fruta há ligeiramente menos e já experimentou papa. Demorou poucos dias a habituar-se à colher e até agora parece gostar de tudo... menos de ser acordada de propósito para almoçar, no caso de só ter passado pelas brasas... aí, venha a maminha, que será mais rápida e permite abracinhos e miminhos...

Já levou uma pequena traulitada de descuido, quando a sua mãe a tinha apoiada na anca e mediu mal a passagem das duas por uma porta... tem dois irmãos de oito e cinco anos muitas vezes de volta dela, mas foi a mãe negligente a fazer uma destas...

Faz uma festa (com muita agitação de pés e sorrisos escancarados) maior ao pai, manos e caras conhecidas... mas a ninguém como me faz a mim... tem uma relação tão especial comigo que chega a choramingar se me vê a passar ou se me ouve quando está no colo do pai... e eu aproveito como nunca aproveitei, até ao máximo...

Rita

A foto foi tirada no dia da festa de final de ano lectivo do Vasco, em que o tema eram os piratas e havia adereços para as famílias comprarem... os nossos deram para uma bela sessão de fotografias depois, já em casa...

terça-feira, junho 10, 2014

Saudades...

Os meus miúdos são tão fixes...

Hoje, às 12h, o Vasco foi de férias com os tios e avós... Estava todo entusiasmado, mas a minha irmã disse que, ainda o carro tinha acabado de virar a esquina e subia a rua, já ele dizia que ia ter saudades... Mas daquelas boas, que não anulam projectos, tanto que no fim da tarde trocou duas palavras comigo e perguntou se podia desligar... 

Por sua vez a Alice, antes de ir para a cama, depois de um dia todo muito ocupado com amigos, marcha, convívio e brincadeira, confessou-me que já tinha saudades dele...

Rita

domingo, junho 08, 2014

Fã-Clube dos Xulés

Com este post se começam a mostrar as fotos que temos recebido dos Xulés depois de saírem da oficina. Com pequenos fãs, nas novas casas ou em passeios ao ar livre os Xulés andam por aí e parecem fazer algum sucesso entre miúdos e graúdos.
E a primeira foto que mostramos é a do pequeno Miguel com o Xulé 019#. Foi tirada há mais de um ano e foi a primeira que recebemos, via facebook. Vinha com a autorização para  ser mostrada mas esperou este tempo todo para inaugurar este nova etiqueta que se chama "Fã-Clube dos Xulés". 
Entretanto, podemos dizer que há vários Xulés disponíveis para partir e que em breve mostraremos novidades.

Ana Cristina




segunda-feira, junho 02, 2014

Da vida... E da morte

Dou por mim a pensar nas quaisquer falhas orgânicas ou de vida ou de formação de personalidade que fazem com que, para certas pessoas, em determinado momento, a vida deixe de lhes bastar. 
A vida por si só, quero eu dizer.
Como é que, por desgaste, infelicidade, desespero profundos, deixe de bastar aquela brisa fresca que se apanha de manhãzinha nesta altura do ano... Ou o cheiro que se espalha pela casa depois de se tirar um bolo de chocolate do forno... Ou a visão do mar... Ou a percepção da beleza de uma flor... Ou a audição de uma música que nos toca e arrepia os braços... Ou o abraço ou o colo dado a um bebe, mesmo quando ele não é o nosso... Ou a leitura de uma história ou visão de um filme que nos deixa e lágrimas nos olhos... Ou o prazer intenso da concretização de uma boa ideia...
Tudo coisas que nos fazem sentir vivos. A nós sozinhos. 
Já para não falar de tudo o que de bom tem para se recordar, todos os beijos de amor, os momentos em que vemos uma filha crescer, todas as brincadeiras que tivemos com os irmãos, os convívios com a família e amigos, as comidas que se provou, todas as aventuras de uma vida que já se teve.
Já para não falar na perspectiva do amanhã...
O que se passará para que alguém, num determinado momento da sua vida, que no fundo é curto, quase que um mero instante, se esqueça de tudo isso e lhe ponha cobro.

Gostei de ti, foste sempre uma presença fixe para mim, marcaste-me e não me esquecerei de tudo o que contaste e ensinaste e partilhaste. Tenho pena. Pena que, fundamentalmente, o tal momento ou instante tenha ganho. 
Rita

segunda-feira, maio 19, 2014

Joelhada ao Dia dos Museus


Há uns tempos planeei gozar este Dia dos Museus "à grande" com os miúdos. Habitualmente deixo-o sempre passar e como este ano estava em casa, achei que seria fácil.
O problema é que o joelho do meu homem, de tão desportivo que é, está no estaleiro. Uns ligamentos que decidiram dar trabalho, romper a sua ligação, talvez descruzar o seu cruzamento, vamos lá nós, pobres leigos mortais, saber... 
De forma que, durante uns dias, os primeiríssimos, foi como se tivesse quatro filhos e não três. E mesmo agora, que o pobre já vai ajudando, mesmo de muletas, há muita coisa que ordinariamente seriam do seu pelouro e que de repente me passaram a estar adstritas.

Para que alguém possa perceber em que é que isso me dificulta a vida, tenho que afirmar com solenidade que o João é um homem extraordinariamente competente em casa e na família. As nossas tarefas são igualmente repartidas, mas ele tem muito mais iniciativa e, em determinados momentos, muito mais dinamismo do que a minha pessoa.

O cómico é perceber - e eu já lho disse - em como as paragens dele podem ser, ao mesmo tempo, reconfortantes. Quer dizer, não desejo que o homem ande "deficiente"... Mas gosto francamente de concluir que, quando e se for preciso, eu consigo ser igualmente competente. Acordar, tratar de mim, fazer os pequenos-almoços todos, comprar pão, tratar de almoços e lanches dos putos, pôr os miúdos a mexer de manhã mesmo com as apoplexias inerentes, levá-los à escola, voltar, dar de mamar (ou antes), preparar dois tabuleiros com pequenos-almoços e almoços para nós os dois, transportar tabuleiros, comer, ir fazer as compras todas para a casa, pensar nas refeições, fazer as refeiçoes, manter a casa mais ou menos, ir buscar os putos à escola, pô-los a mexer nas suas tarefas diárias do fim do dia, escolher roupas para o dia seguinte, levar homem ao médico, levar filhos a festas de anos, ir a reuniões escolares, fazer máquinas de roupa, estender máquinas de roupa, etc, etc, etc. É uma loucura, mas é uma loucura que consigo levar a cabo... mas felizmente só por poucos dias... é extenuante, ainda por cima porque mantenho tudo o que habitualmente é meu pelouro nesta família: as tarefas que são minhas e planificar actividades, imaginar, criar, pensar e promover autonomias, lidar com a escola, pensar e trabalhar em projectos artísticos para a casa e para as Oficinas... (e as partes desinteressantes de dar voltas sazonais aos roupeiros dos três filhos - fase em que estamos...)
Caramba, é bom saber-me capaz disto... e ao mesmo tempo, que não tenho que o ser sempre, ufa...

E assim, por problemas derivados de um joelho, este ano foi mais um que, com grande pena minha, demos uma joelhada ao Dia dos Museus - porque na verdade, chegou uma altura do dia em que só me passava pela cabeça o desejo de, pura e simplesmente, ESTAR em casa.
Rita



quinta-feira, maio 15, 2014

Depois de uns dias sem postar

Apareço a mostrar-vos as plantas cá de casa. Enquanto a marquise serve de estufa e não de forno...



Estão bonitas, não estão?
Ana Cristina

quarta-feira, abril 30, 2014

Mais malhas



Aproveitando a época das malhas em duas agulhas, no final do inverno ainda fiz outras duas peças. Mostro-as agora, não porque tenham sido oferecidas recentemente, mas porque as fotos ficaram, primeiro à espera de ser tiradas e depois de ser mostradas neste blog. Pode ser que sirvam de inspiração para o trabalho de verão na preparação da estação outono-inverno que se seguirá.
Bem, continuando, no dia em que ofereci  as golas aos sobrinhos, recebi da Rita a proposta de fazer umas perneiras para a Alice que, ao que parece, que queria muito ter umas.
Achei graça porque eu lembro-me de ter pelo menos dois conjuntos de perneiras, umas em castanho mesclado, outras com uns bonecos coloridos a dar a volta à perna. Deve ser de as ter usado, nos anos 80, que tenho um certo carinho pela peça de vestuário que são as perneiras e que agora parece que estão na moda outra vez. Fazem-me sempre lembrar as bailarinas do "Fame" e um estilo desportivo. 
Claro que aceitei a proposta de imediato e sem surpresa. Surpreendida fiquei quando, na despedida desse mesmo dia a Alice me veio abraçar e agradecer a gola nova. Aproveitou para me lembrar do novo projecto e fazer mais um pedido;  "- Tia, quando fizeres as perneiras podias-me fazer também umas luvas?". "- Upss", disse eu, "- Mas eu não sei fazer luvas...". Ao que ela respondeu: "- Podes sempre tentar."
Não tentei. Resolvi fazer-lhe umas "luveiras", palavra que passei a denominar a peça que cobre os braços e parte das mãos com o objectivo de as aquecer, e que na net encontrei definidas como "polainas da braço". Não interessa como se chamam, mas que foram um sucesso foram.
A Alice, que já valoriza as peças feitas especialmente para ela, depois de receber as perneiras e luveiras levou-as para a escola vários dias e emprestou as luveiras às amigas. Segundo ela há uma série de amigas que também querem umas. 
Parece que, além de Xulés, posso fazer luveiras quando quiser oferecer um presente a meninas de 8-9 anos. E se estiverem largas não faz mal, porque se não estiverem vão ficar de tanto uso.
Ana Cristina

segunda-feira, abril 28, 2014

Mães, filhas e filmes

1.
A minha mãe costumava contar que, há muitos e muitos anos atrás, a minha avó Conceição - a mãe dela - não conseguia dormir bem. Sem televisão e penso que por não ser socialmente muito bem visto ir sozinha ao cinema (ou talvez só porque quisesse companhia), levava-a com ela ao "Palácio" - outrora o único cinema em Viana do Castelo e onde eu ainda cheguei a ir ver alguns filmes. A minha mãe não tinha idade suficiente e a minha avó usava então o documento de identificação de uma outra filha, nascida anteriormente mas que já não era viva, para conseguir levá-la com ela.
O mais cómico da história é que a minha avó dormia durante toda a sessão, não imaginando provavelmente estar a criar uma cinéfila que, ainda há pouco tempo, alimentava o hábito de, sem qualquer problema, ir ao cinema sozinha...
 
2.
Vem-me muitas vezes à cabeça as matinés dos antigos domingos lá de casa. Recordo-me da fase dos filmes musicais mas também da dos westerns ou de outras... O meu pai - tal como, pelos vistos, a sogra noutros tempos - deitava-se ao comprido no sofá grande e passava o filme a ressonar. A minha mãe ficava no sofá individual e eu e a Cristina sentávamo-nos no chão, mais ou menos à frente. Gostava muito das explicações da minha mãe sobre os actores e os filmes, em voz baixa para não acordar o meu pai... mas talvez o que tenha ficado mais indelevelmente marcado em mim foi a sua mão simultaneamente a fazer-me cafuné... para mim, ainda hoje as festas na cabeça têm sabor e cheiro a sapateado e rugidos de leões a abrir tardes bem passadas...
 
3.
Penso que o filme "com pessoas e legendas" que primeiro terei visto com a Alice, terá sido o "Mary Poppins", só no ano passado. Desde aí, juntámos-lhes alguns, de propósito ou por casualidade: "Quem tramou Roger Rabbit", "O Sítio das Coisas Selvagens" (que ficou por acabar), o "Capitães de Abril", "O estranho caso de Benjamim Button" ou, no caso de hoje, "Extremamente Alto, Incrivelmente Perto". Alguns têm uma temática ou uma apresentação infantil mas outros obrigam-me a fazer paragens a meio, a explicar factos ou até a pesquisar coisas na internet paralelamente. Alguns são quase um preâmbulo de outras visualizações e leituras, como o "Capitães", mas podem envolver ao mesmo tempo a lembrança que, lá porque ouvimos e aprendemos uma quantidade enorme de asneiras no filme, não significa que optemos por repeti-las. Outros geram raciocínios imaginativos habitualmente não usados, como o "Benjamim Button". Outros ainda, como o de hoje, têm relação com assuntos sérios e pesados, como o luto ou o terrorismo.
O que a Alice não sabe é que guardo mentalmente filmes destes para ver com ela, que aguardo ansiosamente pelo momento em que lhos proponho e ela aceita, pelas mãos dadas ou festas trocadas no sofá ou na cadeira do cinema, pelas explicações que se geram, sejam elas segredadas ou ditas em volume normal, na altura de intervalo ou de opção por pausa no comando. Partilho coisas que sei sobre os actores, procuramos depois fotos ou informações que nos possam interessar. Mas o que fica, o que retenho, o que espero, é que aquelas horas que são nossas se prolonguem sensitivamente na sua mente e na sua pele e que venham a ter o mesmo doce toque dos cafunés antigos da minha mãe e dos nossos filmes.


Rita
(para a minha madrezita, aniversariante de hoje, com muitas saudades das nossas tardes de domingo, dos nossos musicais... e dos meus cafunés, obviamente)

domingo, abril 27, 2014

Festejar e aprender a liberdade para além do dia 25

Apesar de terem passado dois dias, por cá ainda continuamos no rescaldo do 25 de Abril.
40 anos é muito tempo e é uma data redonda. Eu já nasci no grande boom demográfico da esperança em bons e novos tempos do pós-revolução. No entanto, acho que cresci a absorver a importância da data, da luta, das conquistas, dos valores defendidos. Para mim, é muito importante que os meus filhos cresçam com a mesma noção, a dar a mesma importância à Liberdade - algo tão difícil para quem viveu sempre com ela e é filho de quem viveu sempre com ela.
 
Este ano a escola também resolveu festejar de forma diferente e tem corrido muito bem. Num dos dias desta semana convidou alguns avós para falarem sobre como era a escola antes do 25 de Abril. A minha mãe foi uma das convidadas e o desafio revelou-se - penso eu - bastante gratificante para as três gerações de mulheres da nossa família ali presentes - para a minha mãe, para mim, e para a Alice (e até para a Joana, que passou duas horas na maior, entre acordada e a dormir).
 
 

No dia anterior ao do feriado, a escola tentou depois uma reconstituição do ambiente antes do 25 de Abril, com meninos e meninas a entrarem por lados diferentes e para salas diferentes, com direito a recreio e corredor dividido, reguadas a fingir, retratos e crucifixos na parede... e depois, um simbólico 25 de Abril, com a Grandola a soar pelo edifício e os meninos a romperem as divisórias que os separavam... Parece que a celebração não ficará por aqui e que se aguardam mais iniciativas até o ano lectivo acabar...
 
Na sexta descemos todos a Avenida, como a Cristina explicou no post anterior... E ontem, eu e a Alice rumámos à Cinemateca Junior para ver o filme da Maria de Medeiros, o «Capitães de Abril» (filme que eu vi pela segunda vez e que, mais uma vez, não me convenceu totalmente... mas foi bom para poder fazer a Alice imaginar alguns cenários). A seguir, subimos as duas até ao Largo do Carmo para ver a exposição de fotografias num dos locais onde se fez a história daquele dia... muito rapidamente, para ir depois ao encontro do pai e dos filhos, que já estava a chegar a hora da Joana comer...
 
 
 Para além disto, fiz a seleção de algumas leituras úteis para os próximos tempos...


 Porque é preciso festejar... mas também ensinar a Liberdade...
 Rita

sábado, abril 26, 2014

40 anos de liberdade

Noutros anos, comemorei também aqui a data histórica de conquista da liberdade. Neste post, já antigo, relembrei a minha vivência do dia 25 de Abril de 1974, tinha seis anos. Mais recentemente, como neste post, ou neste, lembrei que a comemoração costumamos fazê-la na rua. Por isso, quem nos lê, sabe que é tradição familiar ir ao desfile da Av. da Liberdade neste dia sempre que possível. Este ano não foi diferente. Fomos todos, os que não tiveram de trabalhar... Fotos?! Mostro só a nossa...
 
 
Ana Cristina

quinta-feira, abril 24, 2014

De Chico Buarque, sobre a revolução de Abril de 1974

Tanto Mar - Versão Original
Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

sábado, abril 19, 2014

A Joana com três meses e meio...

 
- pesa qualquer coisa e mede qualquer coisa que nós não fazemos a mínima ideia de quanto é, primeiro porque só a levámos ao médico duas vezes (falhou a consulta do segundo mês e só marcámos a do terceiro para quando estiver praticamente a uma semana do quarto), e depois porque, olhando para ela e vendo-a a mamar tão bem e achando-a tão desenvolvida e com bom aspecto, deixei de ceder à preocupação com o peso (uma vez que os meus putos sempre tiveram tendência para ser racinha finguelas)...
- segura perfeitamente a cabeça e desde os dois meses, o que faz com que todos sem excepção o realcem - ou não percebem nada de bebés, ou já não se lembram, ou a miúda pequena tem mesmo um super-pescoço (espero que não com tanta tendência para os torcicolos como a sua mãe)...
- descobriu as mãos, primeiro de forma aparentemente involuntária, no início do segundo mês, quando começou a pô-las na boca... e depois de forma totalmente propositada, ora para as saborear ora para as observar... as dela e as nossas, é claro...
- adora adora adora atenção... principalmente para conversar, partilhando muitos "ahs", "ehs", "grrrs", "rrrrs", "auuus", "ags" e outras coisas igualmente interessantes... mesmo quando se encontra entre o bom e o mau humor, basta dar-lhe duas tretas de conversa na sua língua para começar logo a sorrir entre choraminguice... (tenho que dizer que ela ainda não tinha dois meses e já eu achava que estava pronta a começar a fazer os seus primeiros sons intencionais e dirigidos à minha pessoa... aqueles foram de facto os primórdios da palradice... vai ser conversadora, vai...)
- adora adora adora colo... principalmente se o portador da sua pessoa se mexer de um lado para o outro, obviamente...
- é capaz de abrir a goela de forma violenta, mas só no recato do lar... em outras situações como reuniões de pais, aulas assistidas de expressão motora e música , festa do aniversário do irmão, é espectacular... adormece, anda bem disposta e nem se queixa de ultrapassar horários de refeições...
- já empina a barriga para ser pegada ao colo quando está na cama, espreguiçadeira ou cadeira do carro
- sempre que está deitada, mesmo com as costas altas, farta-se de fazer abdominais para se conseguir sentar - o que, admitindo que pode ser dos nossos olhos adoradores, é muito cómico...
- continua moreninha (pelo menos em comparação com os outros)...
- toma muito menos vezes banho do que os irmãos tomavam, confesso... um dia porque não dá jeito, no outro porque quero esperar pelos manos para acompanharem, outro porque chegamos demasiado tarde a casa e são horas de fazer o jantar e preparar o dia seguinte... enfim, também não se suja muito...



(nós, em estilo desportivo, depois de uma aula aberta de expressão motora da sala de jardim de infância do Vasco... a escola dos miúdos faz sempre, todos os anos, e eu adoro participar... desta vez levei a besnica a reboque)

Rita

sexta-feira, abril 18, 2014

Com um dia de atraso, apesar de tudo

 
Isto de fazer dos dias noites e de ter horários de trabalho diferentes tem as suas consequências. É frequente ter vontade de vir aqui comentar algo, uma notícia de momento, um acontecimento ou apenas uma ideia e perder essa oportunidade. E com ela perder-se também o post que tinha pensado. Desta vez quase aconteceu o mesmo. Ontem, quando soube que tinha falecido, estava a trabalhar. Cheguei a casa tarde e quase no dia de hoje. Sem vontade de ligar o computador deixei passar a referência neste espaço. Havia tantas e tão bonitas referências na net à sua morte que o meu post, pouco inspirado e sem imagens, não traria nada de novo a este lamento colectivo. Esta manhã pensei o mesmo e deixei passar outra vez a oportunidade. Fiquei a folhear os livros seus que se encontram na minha estante.
 
 
Mas não me parece bem deixar de fazer a minha referência ao acontecimento. Afinal, Gabriel Garcia Marquez, o Gabo, é ainda o meu escritor preferido. Há uns anos, neste post, tive a oportunidade de deixar o meu apontamento sobre o seu livro auto-biográfico e de lá pra cá a minha opinião não mudou. Apenas o lamento da sua morte ser apenas o fim do seu corpo, que a sua mente já vagueava há anos perdida com a sua memória. O que mais o caracterizava como escritor, e imagino como pessoa, a mente criativa e inundada de recordações, há muito que se tinha perdido. Por isso e porque, tal como o próprio referiu, " A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para poder contá-la", eu apenas posso recordar aqui que um dos melhores escritores de sempre, o representante maior do Realismo Mágico, Prémio Nobel da Literatura de 1982, o meu escritor preferido, faleceu ontem infelizmente, mas o Mundo estava mais pobre há muito tempo.
 
Ana Cristina

terça-feira, abril 15, 2014

Alentejo

Não chegou a meia dúzia de dias, os que estivemos no Alentejo. Pareceram muitos mais, mesmo que os dias tenham estado nublados e não tenhamos feito nada de extraordinário.
De qualquer forma fica a nota, para lembrança futura, do dia 10 de Abril de 2014, como tendo sido o primeiro dia de praia da vida da Joana... e o do ano da Alice e do Vasco, com direito a banhoca e tudo... E a ressalva que mais uns dias tinham retirado a rodinha que faltava à bicicleta da Alice e ficávamos a vê-la a andar totalmente equilibrada... ficará com certeza para as próximas férias...






Rita

domingo, abril 13, 2014

Voltar às malhas, depois de tantos anos

Desta vez sem a ajuda da madresita, e sem recurso ao "Grande Livro dos Lavores", mas com o apoio do You Tube (pelos vistos a ferramenta moderna de aprendizagem) no relembrar de pontos e pormenores mais simples da malha em duas agulhas, ou knitting, como lhe quiserem chamar.

Foi um entusiasmo recente, do final deste inverno, e por contágio de algumas colegas que andam a dar os primeiros passos nesta técnica.  Eu estou um bocadinho mais adiantada, porque em tempos, há muitos e longos anos, ainda fiz umas camisolas para mim e para as bonecas. Coisas simples e sem grande técnica mas que resultaram.
Lembro-me da primeira camisola que fiz, e que foi minha grande companheira durante mais ou menos vinte anos (talvez encontre nos álbuns fotográficos dessa camisola e vos possa mostrar) e que acabou por ter um fim quase trágico quando foi adoptada pelo Pilas.
Mas voltando à malha em duas agulhas, desta vez, num instante os dedos obedeceram e a vontade de fazer uma peça em malha chegou.
 Resultou em duas peças.
Golas para os sobrinhos, porque está na moda voltar às malhas e eu gosto de peças pequenas.
Ficaram giras não ficaram?
Ana Cristina

sexta-feira, abril 11, 2014

Irmanices

Hoje, numa breve passagem pela internet, soou-me que era dia dos irmãos (realmente, há dia de tudo, só falta inventarem o dos tios, que também merecem).
Senti que tinha de dizer algo em relação a isto, mas o tema é-me tão caro e ao mesmo tempo óbvio, que nem sei por onde começar.
Ter uma irmã que foi sempre uma amiga e que se tornou a melhor amiga de todas vincou a minha vida e a minha personalidade. Há uma ideia de companhia sempre presente, de alguém que toma conta de mim a todo o instante, que está e estará sempre lá. Adoro-a e admiro-a incondicional e profundamente.
Não tenho qualquer dúvida que tenho hoje três filhos por causa desta relação, porque anseio para eles o que tenho para mim… Uma das coisas que mais gostaria é que, no seu futuro, conseguissem construir e manter um relacionamento como eu tenho com a minha irmã, que ficassem afastados das pequenas coisas que ao longo da vida podem contribuir para os separar, que tivessem sempre a ânsia de telefonar uns para os outros para contar as suas novidades, que desejassem partilhar os momentos mais importantes das suas vidas uns com os outros.
Sem dúvida que sou mais feliz por ter a minha irmã. E, como tal, o dia seria para festejar em conjunto, caso tivessemos tido essa oportunidade. Não tivemos, festejei a irmandade dos meus.
Tirei-lhes muitas fotos, todos contentes no seu conjunto, a dar ideias de poses e quase a sufocarem a mais nova com algumas delas. Depois constatei que quase não temos fotografias juntas, Cristina, e andei aqui a fazer cortes e recortes para poder colocar uma. Temos que remediar isto…
Feliz dia dos irmãos, minha querida irmã.



Rita

quinta-feira, abril 10, 2014

Borboletário e Jardim Botânico

Ontem seguimos uma ideia do Quarto das Brincadeiras e fomos visitar o Jardim Botânico e o Borboletário.
Estivemos quase quase para não ir, uma vez que saímos de casa às quatro e o Borboletário encerra às cinco. Aventurámo-nos e pedimos opinião na bilheteira, onde nos garantiram que tinhamos tempo.
O Borboletário é um mundo modesto, cuja pequenez nos surpreende e quase desilude a uma primeira vista. Depois, aos poucos e poucos, começa a revelar-se. Uma borboleta esvoaça aqui, outras quedam-se acolá, em mostruários há crisálidas penduradas e alguns painéis informativos convidam à procura dos espécies e à sua comparação com as fotografias. Uma jovem explica-nos, de forma simpática e acolhedora, que as borboletas se vêem melhor quando há Sol porque recebem dele a sua energia. Chama-nos à atenção para algumas, garante que uma lagarta dá sempre uma borboleta. Traz um cesto com várias a voar lá dentro e, depois de explicar que as tinha andado a apanhar porque o Borboletário necessitava sempre de introdução de espécies por questões de equilíbrio do seu ecosistema, vai soltando uma a uma, diante dos olhares de quem está próximo.
No fim ainda houve direito a corridas pelo Jardim Botânico para uns e refeição por baixo das árvores para outros.



Rita