quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O meu médico e eu

Ontem fui ao meu ginecologista e obstetra. Consulta de um mês e meio após o parto, para assegurar a boa saúde das minhas partes baixas. 
Dei-me conta de repente que já nos conhecemos há um montão de anos. Quer dizer, o senhor já espreitou para as minhas entranhas umas quantas vezes, já tirou de lá duas crianças e quase quase uma terceira, já falámos sobre o meu trabalho enquanto ele me cosia, logo a seguir ao meu pedido para ver a placenta... 
Nesta gravidez notei que a nossa relação se estreitou, confessei-lhe o meu choro de ansiedade num episódio, contei-lhe pequenas coisas, ele partilhou as dele, relacionadas com as filhas, trocamos mais risadas relacionadas com coisas de nada.
De facto, a relação estreitou-se tanto ou tão pouco que ontem o gajo (acho que agora também já tenho o direito de o tratar assim, até porque ele não sabe) disse, à medida que se aproximava da marquesa onde eu estava, para observação: "Então vamos lá ver o estrago..."
Rita

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Os Xulés de 2013


Foram muito poucos.  Não admira, já não eram novidade. E a verdade é que quase todas as crianças das nossas relações mais próximas já receberam um. E depois de uma produção que incluiu 23 Xulés (o Xulé 17# são dois gémeos verdadeiros) e 8 mini-Xulés em 2012, no ano seguinte a produção das Oficinas RANHA foi em muito menor quantidade. Hoje mostramos alguns.
O Xulé 23#, 24# e 25# seguem um modelo muito semelhante mas seguiram para casas diferentes, uma no norte e as outras duas na região de Lisboa. O 23# e o 25# são os dois cinzentos, e podia pensar-se que ficariam muito semelhantes mas resultaram em bonecos bem diferentes. Seguiram em períodos diferentes para duas crianças amigas das Oficinas. O 24#, que foi feito em tons de roxo e lilás, foi uma encomenda que recebemos e seguiu para uma menina que, quando bebé andava sempre a perder um dos sapatos. Por esse motivo tem um calçado e outro à lapela.
 
Esperamos que estejam a fazer muito sucesso nas suas respectivas famílias e, quem sabe, recebemos o feed-back sob a forma de uma foto dos seus donos com os Xulés by Oficinas RANHA.
Em breve mostrarei aqui mais alguns...
Ana Cristina



Sim... é isto um babyblog?!

No outro dia comentávamos isso mesmo. Que este espaço já parecia um babyblog.
Mas, no fundo, também é um babyblog. É um "nósblog"...
 
Tenho muitas em mim. Mas, neste momento, sou muito... e muito e muito... mãe. Não é que não seja sempre mãe, mas com o nascimento desta terceira cria, a parte mãe de mim está extremamente acentuada. Passo os meus dias com ela, numa simbiose perfeita, a tentar guardar todos os bocadinhos que, pela experiência com os outros, já sei que vão ficar esquecidos. Ficam as fotografias e a memória visual, mas tudo o que é tacto e cheiro é ultrapassado...
 
Ser mãe novamente faz de mim ainda mais mãe dos outros. Sou mãe da maiorca, do meiorca e da minorca, mas sou também mãe das relações entre eles e, tendo adicionado mais uma variável, sou ainda mais mãe.
 
Nenhuma das outras de mim está apagada. A trabalhadora, que tem um trabalho de que gosta muito (mas que também a stressa muito) está de férias, bem como a delegada sindical, mas está por aqui a filha, a amiga, a que raciocina sobre o que se passa à sua volta, a que lê, a que vê televisão, a que critica alguma desta realidade que vivemos, a que a que a que...
 
A oxitocina veio também desenvolver a parte de mim que planeia tanto mas tanto, que nem sabe para que lado se virar, de tantos projectos... hoje fui obrigada a fazer uma lista de tudo o quero fazer, para poder saber por onde começar e não me esquecer de nada. Tenho dezenas de ideias na forja para a casa, para os filhos, para estas Oficinas.
 
Neste momento, portanto, sou toda mãe, só a gerar.
Rita

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Foi no dia 6 que fizemos oito anos...

... e nem nos lembrámos. Deve ter sido da virose que atacou nas duas frentes, mas também pode ter sido porque eu, de há muito tempo para cá, tenho dado pouca importância (ou quase nenhuma) a este blog. Tenho-me limitado a ler o que escreve a outra Ranha e, com o tempo o hábito de vir aqui, mais ou menos regularmente, deixar o meu cunho pessoal perdeu-se por completo.
Mas, mais uma vez, num processo de análise acerca da sua importância na minha vida pessoal, deparo-me com a ligação emocional a este cantinho, que em tempos foi para mim tão interessante sobretudo como forma de alimentar a relação fraternal que nos une, mas também como registo tanto das nossas manualidades como das nossas inquietações e pensamentos mais ou menos banais. E pronto, mais uma vez me proponho a voltar aqui de forma mais regular, e a trazer assuntos mais variados que os dos últimos posts, e que fazem pensar a quem não conhece o arRanha no Trapo que este é mais um babyblog dos muitos que se encontrarão na blogosfera.
Talvez recuperemos o hábito de postar assuntos mais variados, como as nossas pequenas artes ou apenas as nossas meras opiniões sobre temas variados.
Até lá, parabéns para o arRanha no Trapo, e para nós, as irmãs de nome artístico Oficinas RANHA.
Ana Cristina

domingo, fevereiro 09, 2014

Ensinamentos

Desde que deu o sistema digestivo na escola, a Alice não "faz cocó"... faz fezes...
Rita

sábado, fevereiro 08, 2014

O dia comigo e com eles

Quando ontem, ainda me encontrava eu enrolada nos lençóis, ouço a Alice, ao acordar, a queixar-se de dores fortes nas pernas e que não conseguia andar de forma normal, não quis acreditar... enfiei a cabeça ainda mais dentro dos lençóis e esperei que tivesse sido um sonho ou um engano... mas o João veio depois segredar-me se valia a pena dar-lhes a roupa previamente preparada para se irem vestindo, ou se eu achava que - encontrando-se ela provavelmente com o meu vírus e ele com uma tosse de cão - era melhor eles ficarem em casa comigo...
 
É óbvio que, mais cedo ou mais tarde, surgiria um dia em que eu teria de ficar sozinha com os três... já tinha acontecido, mas por períodos de poucas horas... mas, convenhamos, eu própria não estava boa, as dores nas articulações ainda lá estavam e eu esperava passar o dia numa tranquilidade de recuperação, sozinha com a miúda mais nova, a carregar as baterias para a chegada dos mais velhos a casa no final da tarde... 
 
No fim, o dia foi excelente... depois de se começarem a sentir os efeitos de um Brufenezito, pude organizar o tempo em função do que todos queriam fazer: um pouco de televisão, um pouco de jogos de computador, muita brincadeira, um filme com pipocas, trabalhos manuais... Confesso que, depois de passar as férias de Natal todas com a Alice e o Vasco, andava com saudades deles, de dias inteiros por nossa conta sem horários e obrigações, dedicados só às actividades do Advento e aos nossos gostos e apetites.
Nesta sexta pudemos aproveitar para realizar um trabalho que eu andava a propor há dias: usar uma caixa de cartão cá por casa para fazer um castelo. A Alice qualificou o trabalho como a melhor coisa do dia e o Vasco fartou-se de dar ideias. Nos próximos tempos, há que acabar alguns pormenores e pintar...
 
Rita

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Estamos com uma virose do caraças

A gente sabe que vírus é bicho esquisito, podemos conviver com eles desde sempre que conseguirão sempre surpreender-nos com sintomas invulgares e nomes esquisitos.
Cá por casa anda uma senhora virose estranhíssima, da qual vos faço o relato o mais simplificado que me é possível:
 
Sábado ou até sexta de noite - ao acordar do sofá para a cama, fortes comichões na planta de um pé... desde aí, comichões inusitadas numa ou noutra parte do corpo, de tempos a tempos, com especial incidência em alguns momentos nas plantas dos pés e palmas das mãos, comigo a lembrar o João que estava na hora de fazer desinfestação à Fera e que devia andar uma pulguita qualquer pela casa;
Sábado de madrugada - acordar para dar de mamar e dar-me conta de dores intensas na cabeça e nas pernas, a prolongarem-se pelo dia até ao fim da tarde, momento em que cedi a tomar Brufen, ficando indiscutivelmente melhor;
Domingo de madrugada - repetição do cenário anterior em termos de sintomas, dificuldade até para estar em pé, Brufen logo no fim da manhã para garantia de boa disposição no convívio do cunhado + irmã enfermeira cheia de uma espécie de alergia pelo corpo todo;
Segunda de madrugada - os mesmos sintomas em mim e no João, continuação de opção pelo Brufen (sou alérgica ao Benuron), a constatar-se o alívio do mau estar;
Em algum momento de segunda - verificação de que a Joana tem uma borbulhagem no couro cabeludo, pescoço e orelhas;
Em algum momento - início de comichão na cabeça, ideia súbita da possibilidade de existência de piolhos;
Quarta de manhã - tomada de consciência repentina de uma borbulhagem pelo meu corpo todo, semelhante à da Joana + telefonema ao companheiro para irmos todos ao hospital, ficando ele no carro com a caçula, à espera de saber da vontade médica de a examinar também + telefonema para a irmã enfermeira, que contou estar com um terrível mau estar, feito de dores fortes pelas articulações, com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos;
      Diagnóstico clínico: virose, esperar o final
Quinta - acordar cheia de dores fortes nas articulações, sem força e a doer até para tirar um comprimido com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos...
 
Resultado: irmãs Ranha doentes, com virose de comichões, borbulhagem generalizada, dores de corpo e articulações... mas sem febre, ranhos ou tosses... Mãe com máscara de cada vez que tem de se aproximar da filha, para cuidar dela, alimentá-la ou simplesmente mimá-la...
Ca coisa esquisita!!
Rita

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Um mês de Joana



Uma das coisas boas de ir aqui escrevendo é poder, anos depois, consultar o que disse e reviver aqueles mesmo sentimentos e sensações... é bom pensar que, em relação a eles, os miúdos poderão também um dia gostar de ver o que tanto se reflectiu sobre eles...
Assim, correndo o risco de me ver repetida em relação ao post sobre o primeiro mês do Vasco, um mês de Joana tem igualmente representado trinta e um dias de arrebatamente e adoração crescente...
A miúda é linda. Agora é-o cada vez mais, uma vez que já tem uns olhos enormes "de ver mundo" que nos seguem com assertividade, e uns sorrisões lindos de boca aberta, (ainda por cima)essencialmente para mim...
Fisicamente, é o mesmo estilo de bebé que eram a Alice e o Vasco e, devido a isso, houve quem na escola no outro dia dissesse que era parecida com eles. No entanto, muito embora existam várias pessoas a concordar que há uma maior parecença da Joana com o Vasco, acho-a com feições diferentes das deles.
É a mais chorona dos meus filhos, mas isso não é dizer muito porque a Alice não chorava praticamente nada e o Vasco também o fazia pouco. Parece ser a que come mais e por isso tens umas bochechas giraças. Mama de quatro em quatro horas durante o dia, mas as noites têm sido mais instáveis, provando-se aquela máxima famosa do "quanto mais dorme, mais quer dormir". Tem feito algumas noites com intervalos de seis horas e algumas noites a chorar desalmadamente... Somos nós que estamos efectivamente mais velhos e temos menos resistência para choros nocturnos. Com a Joana já fizemos o que nunca foi feito com os outros dois: incapazes de a sossegar, puxámo-la para a nossa cama e tentámos dormir assim. É a idade, dirão uns; o cansaço, dirão outros; a sapiência e confiança da experiência, o acreditar que não vamos fazer nenhum disparate e fazer dela uma bebé cheia de manhas, poderá ainda afirmar alguém. Será um pouco de tudo isso, acredito eu.
Ser mãe de terceira viagem é ser ainda mais descontraída. Digo "ainda mais" porque cá em casa sempre o fomos muito (ainda por cima com uma primeira filha angelical e uma irmã enfermeira-de-bebés para nos ensinar tudo o que sabe)... mas claro que agora já não damos grandes hipóteses a algumas dúvidas mais comuns. Por exemplo, quando ela chora sem conseguir acalmar-se, encolhe-se com mais facilidade os ombros e admite-se a incapacidade parental para fazer parar o choro em todas as ocasiões. Não se alinha facilmente em "será que comeu o suficiente? será o meu leite bom?"... simplesmente, pensa-se que um bebé chora, por stress, excitação, cansaço, desgaste, manhozice, necessidade de contacto ou miminho... acontece, o choro é uma forma de comunicação e, encontrando-se as suas necessidades básicas satisfeitas, é melhor admitir que um bebé chora e tem o direito de chorar...
Em resumo... nesta casa onde passei a cortar quarenta unhas por semana (oitenta de quinze em quinze dias, noventa de longe em longe, quando lhes somo as das patas dianteiras da Fera), tudo vai correndo... apaixonadamente bem...
Rita

sábado, janeiro 25, 2014

A primeira brincadeira a três

Que fique registado que hoje foi o primeiro dia de brincadeira a três. Quer dizer... foi mais de brincadeira a dois à custa da terceira... como decerto irá acontecer muitas e muitas vezes no futuro desta casa, independentemente do primeiro, segundo e terceiro elementos rodarem entre si...
A coisa foi simples mas deu origem a minutos largos de risadas e gargalhadas: Dona Panqueca e Senhor Crepe de volta da espreguiçadeira, com uma Miss Goffre acordada mas demasiado zen para se incomodar com o facto deles lhe tirarem e colocarem em cima um barretinho, escolhendo diversas formas para o fazer, «o barrete velhota», «o barrete carteiro», «o barrete cocó», etc... Se a não interacção e indiferença contar como interacção, ficou devidamente filmada a primeira brincadeira de muitas que se esperam.
Rita

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Em casa...

Como é que uma mãe e uma filha de três semanas se entretêm em casa sozinhas, principalmente depois da primeira constatar que não tem fotografias nenhumas com a segunda...?

Rita

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Quem é que andou a dizer que os meus filhos não choravam?!


A Joana faz hoje três semanas, mas estou para escrever este post já há uns dias.
A brincar, apetece-me dizer que a miúda se está a revelar uma pirata, mas é só porque neste preciso momento me está a dar a soneira do tempo que ela passou a chorar durante a noite e não me deixou dormir. Não conseguimos perceber se isto acontece a seguir a dias em que tem mais estímulo e cansaço: visitas, os manos em casa, mais colo. O que é verdade é que acontece. É quase certo que a minorca não gosta de ir de olho muito arregalado para a cama e, se for a meio da noite, quando, depois de dar de mamar, eu apago a luz, ui, vem logo o chorinho. No início era um chorinho que passava rapidamente a fúria que rapidamente se entrecortava com silêncios e rapidamente passava. Agora, que a miúda está maior, o choro também é mais forte... e resistente.
Não desesperamos e achamos que não é nada de mais... mas o meu cansaço vai pesando um bocadinho, uma vez que não consigo depois dormir durante o dia (detesto!)...
Há duas noites, foi chorando (e dormindo e chorando e dormindo) durante praticamente duas horas... nada a acalmava e a certa altura tive a certeza que os nossos esforços para a tranquilizar só serviam para a estimular mais... só acalmou mesmo quando decidi dar-lhe de mamar novamente. Depois disso, eu e a Cristina (bom mesmo é ter uma irmã enfermeira de bebés) elaborámos uma estratégia: nem pensar deixar passar cinco horas de intervalo (na noite anterior tinha dormido seis, foi a única vez); colocar um saco de água quente a aquecer a caminha enquanto ela está fora dela, a mamar; não mudar a fralda caso não esteja suja. Foi um plano de sucesso... nessa noite... porque, nesta última, a pirralha voltou a fazer das suas e tornou a não gostar das luzes apagadas...
Brinco a achar que isto é coisa para noite sim-noite não... mas hoje o dia também não lhe correu bem e acho mesmo é que a miúda gosta de colinho e mãozinhas dadas... quem a pode censurar...? Alguém por aí sabe onde é que se pode arranjar uma pessoa que nos faça umas festinhas nas costas e nos dê a mão, quando precisamos de dormir porque a nossa filha não nos deixou dormir...?
Rita
 
 
A foto é de uma manhã em que ela estava mais aborrecida e só se acalmou quando "passeada" no sling...

sexta-feira, janeiro 17, 2014

A minha última leitura


Há uns dias acabei de ler este livro, que tinha começado no hospital, no dia seguinte à Joana nascer. Prenda de Natal.
Entusiasmei-me a lê-lo, talvez um pouco com na esperança ou perspectiva de encontrar um pouco da vivacidade, sentido de humor e originalidade da "Crónica dos Bons Malandros", o único livro que eu conhecia do Mário Zambujal. Não seria fácil... E de facto, "O diário oculto de Nora Rute" não lhe chega aos pés. É giro, de leitura simples e fácil, com uma série de referências interessantes aos costumes, convenções, acontecimentos dos anos 60... vale a pena se se desejar, como me acontece tantas vezes, visualizar um pouco de épocas anteriores. Para além disso, é leve e agradável, nada maçador, perfeitamente realista. Por outro lado, falta-lhe uma qualquer espécie de clímax.
Fiquei curiosa de ler mais livros do Mário Zambujal. Mas confesso que, ainda na esperança de encontrar algo tão espectacular como a "Crónica"...
Rita

* E, caso interesse a alguém, o grafismo da capa é giríssimo... parece que o Clube do Autor (a editora) tem uma série de livros recentes do Mário Zambujal, todos com esta espécie de grafismo. Eu gosto de capas bonitas... nunca é de descurar na escolha de um livro para levar para casa...

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Da Joana, com quinze dias


Ontem fomos às consultas, à minha e à dela.
 
Comigo está tudo ok e retive essencialmente o facto de neste momento ter somente três quilos a mais do que quando engravidei - e calculo que, como visto as calças que vestia, pelo menos dois deles estejam acumulados na minha fábrica particular de produção de leite, neste momento. Decidi que a partir da próxima semana vou começar uma série de exercícios para fazer aqui por casa.
 
Em relação à minorca:
- nasceu com 48,5 cm e 2980 kg e neste momento tem 50 cm e 3360 kg. Os reflexos neurológicos estão perfeitos. A médica achou que tudo nela estava a desenvolver-se optimamente.
- depois de um início de vida em que bastava estar acordada para andar de boca aberta de um lado para para outro, a miúda amainou a sua sofreguidão e conseguimos estabilizar-lhe os horários para que mamasse de quatro em quatro horas. Também diminuiu o tempo em que está a mamar, parece finalmente acreditar que ninguém tem qualquer interesse em deixá-la à fome. Com o aumento de peso, já começámos a tentar espaçar-lhe os intervalos da noite.
Cada filho que tenho parece gostar mais de comer. A Alice sempre foi "pisco", mamava dez minutos e ela própria largava a maminha e caía para o lado a dormir. O Vasco era mais comilão e gostava de adormecer enquanto comia, ficando só basicamente a chuchar, se eu o deixasse. A Joana gosta mesmo de mamar e, mesmo com interregno para mudar fralda, está sempre disposta a mais um bocadinho de leite.
- depois de mamar, sai ao irmão e fica sempre com soluços, SEMPRE... a diferença é que, quando lhe metia a maminha na boca dele para que os soluços acabassem quando mamasse mais um niquito, ele parava e ficava de olho arregalado, com expressão surpreendida... a ela, como não se faz rogada a mamar mais um bocadinho, os soluços terminam logo...
- não gosta muito das luzes totalmente apagadas durante a noite e de forma geral faz sempre um chorinho... como chora baixo e pouco, não tem grande sucesso... ainda não tem lágrimas...
- por enquanto, é a minha filha morena... tem um tom de pele aparentemente bem mais escuro do que os outros... os olhos são escuros, mas ainda têm uma cor indefinida, o cabelo também é escuro e não lhe vejo, na implantação, nenhum que seja loiro... a continuar assim, vai fazer uma grande diferença nas festas e parques infantis, em que, ao longe, conseguiamos sempre controlar os nossos... esta, pelos vistos, vem com mais capacidade para se camuflar...
 
Rita

domingo, janeiro 12, 2014

Uma semana de vida - 2

Foi há uma semana que se conheceram, os três. Os mais velhos chegaram ao Hospital sorridentes e expectantes. Quiseram pegar-lhe e posaram para as fotos.
Se a Alice se apaixonou descaradamente à primeira vista, o Vasco não terá ficado menos enamorado. De olhos muito grandes e espantados, disse «Ela é mesmo muito pequena...!» e tem repetido a frase todos os dias, parece sempre uma nova redescoberta de cada vez que a vê acordada antes de sair para a escola ou depois de chegar... «É tão pequenina...», «Tem o nariz tão pequenino...», «Tem um rabinho mesmo pequenino...», «Tem umas bochechas tão pequenas...»...
No Hospital, depois da surpresa, colo e fotografias iniciais, deu-lhe o mimo. Começou a falar à bebé (tinha começado poucas semanas antes do parto) e queria enroscar-se no meu colo. E se bem que na escola nos transmitem estar completamente normal, em casa continua assim, com mais ou menos fitinhas, muita necessidade de miminhos, tendência para falar abebesado e com uma surdez selectiva bastante acentuada, mesmo quando lhe estamos a dois passos.
Apesar disso, o seu enamoramento também é notório. A «mana bebé» é a sua primeira lembrança ao chegar a casa... só para ela, ele guarda todo um interminável stock de «beijinhos bebés» (uma reinvenção nossa, só de mãe e filho, no momento de deitar, de beijinhos que a minha irmã também me costumava dar) e de festas de mão pesada na cabeça... Gosta de lhe pegar, de a ver mamar e já disse, de forma muito assertiva, que a mana ia vê-lo à escola «amanhã» (o que teve de ser revertido em «um dia destes, depois dela ter feito um mês»). Não vive em torno da irmã, mas olha-a sempre fascinado e ela provoca-lhe uma imensidão de perguntas... a idade que ele vai ter quando a Joana tiver três, oito, catorze anos... o leitinho que me sai das maminhas, se ele também bebeu leitinho...
 

Não há dúvida nenhuma que esta Joana tem muita sorte...
Rita

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Uma semana de vida - 1

A Alice tinha uma composição para fazer nas férias. A escolha era aberta: algo sobre o Natal, sobre o Ano Novo ou outro tema à escolha. "O nascimento da minha irmã", foi o selecionado:
 
«Foi assim numa tarde que a minha irmã nasceu era magra tinha cabelo castanho e olhos pretos. passado um dia a Joana foi para casa e nós fomos lá ter, ela estava acordada e chorava muito mas quanto a mãe lhe deu de mamar calou-se logo, depois fomos lanchar e a Joana começo a chorar e eu fui dizer à mãe e a mãe foi buscá-la e ela adormeceu no colo da mãe, depois os avós e o tio foram-se embora e a tia não, a tia jantou connosco e depois foi-se embora. Nessa mesma a Joana acordome e depois o resto do dia correu bem mas com uma bébe.»
 
Não sei se, mesmo com a notória falta de investimento a partir de certo momento do texto, com os erros, com as confusões factuais, com a falta de vírgulas ou maiúsculas ou pontos finais, dá para perceber a paixão. A Alice está perdidamente apaixonada pela mana. Fica totalmente embevecida com ela, nem que seja só a olhá-la, quer participar em tudo, pega-lhe com uma descontração e qualidade de fazer inveja a muita gente crescida e só tem pena de na maior parte do tempo - tendo em conta que segunda-feira começou a escola e só tivemos sozinhos a cinco no domingo, e mesmo assim numa parte do dia - a encontrar a dormir.
 
Talvez seja preciso uma foto para perceber melhor:


Rita

sexta-feira, janeiro 03, 2014

Ao segundo dia do ano de dois mil e catorze

A Joana nasceu. Depois de ter deixado passar o aniversário da sua mãe, o Natal e a Passagem de Ano escolheu nascer num dia especial, só dela (e do primo Fernando, mas se fosse excluir todos os aniversários de familiares e amigos tinha que nascer lá pra vinte e tal de Janeiro e isso seria de todo impossível). Para esclarecer bem, e resolver confusões de peso, a rapariga pesa 2980 g, e não se parece ainda com ninguém. Em comum com os manos tem a elegância, e a beleza, pois claro. 
Foi um belo início do ano, a lembrar o velho ditado popular que nos lembra que em "ano novo, vida nova". E já agora vida nova, longa, saudável, e muito feliz...
Ana Cristina, a tia babadissima

terça-feira, dezembro 31, 2013

O balanço possível de uma mulher que, se se deitar de barriga para baixo, está de facto em bom estado de balançar

 
 
Sei que parece estranho para quem possa estar a parir daqui a umas horas... mas às vezes, nem acredito... paro alguns segundos por dia e digo para mim mesma que nem acredito que estou grávida e que vou ter um terceiro filho... que eu quis tanto e que cheguei tantas vezes a pensar que ficaria só em formato desejo-sonho...
O balanço deste ano é obviamente o balanço desta gravidez... foi boa, como as outras, praticamente sem stresses (a nível de saúde)... mas muito mais cansativa, com momentos de verdadeira exaustão (eu a achar que era dos 37 anos, o médico a chamar-me a atenção que era de já ter os outros dois), como que para me ajudar na despedida deste estado de materiosca que eu gostei sempre tanto e que tive sempre pena de não poder ser repetido muitas vezes na vida... Foi extraordinário partilhá-lo com os miúdos e saber que, daqui a pouco tempo, inicia-se para todos uma nova viagem... e, como diz a Joana com tanta razão, se na nossa vida a relação de irmãos foi das melhores coisas que tivemos, então é mais um motivo de felicidade saber que podemos aumentá-la exponencialmente para os nossos filhos...
Em termos de trabalho, guardo com imenso prazer o ter vindo para casa ligeiramente mais cedo (penso que a 10 de Dezembro, com trabalho que ainda me ocupou uma semana). Foi das melhores decisões que pude tomar este ano e que me deu espaço para tudo o que queria: gozar os filhos, gozar o Natal e o Natal com os filhos, gozar este fim de gravidez, gozar a minha família sem pressas. No resto dos outros meses, acho que consegui atingir a maturidade para não entrar em demasiada ansiedade com o ambiente do trabalho... ou consegui reunir-me dos melhores amigos para me ajudar a fazê-lo...
Esta miúda irá nascer em 2014, é praticamente certo. Com ela, espero que venham muitas coisas boas, mesmo que a par com tudo o que sabemos de antemão que não irá ser fácil. Bom ano!!!!!!
Rita

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Grande dia, feito de coisas pequenas

Às vezes, os grandes dias estão cheios de coisas boas mas pequeninas.
Como o de hoje:
 
Manhã de brincadeira e jogos de computador.
Almoço de hamburgueres caseiros (dentro de pão com sementes e tudo).
Ida ao parque.
Regresso a casa a tempo de fazer bolachas de chocolate:


De danças malucas ao som de um cd oferecido no Natal (é favor não reparar nas meias por dobrar em cima do sofá):


De um grande banho de espuma com um maravilhoso líquido também oferecido no Natal:


E ainda de um jantar de pizzas feitas em casa (refeição escolhida pelo Vasco no seu segundo desaniversário).

Rita

domingo, dezembro 29, 2013

O artesanato deste ano

Neste Natal, não houve tempo nem possibilidade de fazer as prendas todas, ou quase todas, de forma artesanal... da minha parte, com excepção das mãos dos miúdos cosidas no saco desportivo para os tios (e nuns embrulhos feitos de publicidade costurada), também não houve grandes costuras (a Cristina ainda fez uns Xulés, nomeadamente para a nova sobrinha, um lindo de morrer!!!)...
Para os amigos e familiares pequenos, estas Oficinas voltaram aos pincéis, o que lembrou gozos passados... este foi o resultado:


Rita

sábado, dezembro 28, 2013

Chegaram as quarenta...

Para quem domine mais ou menos esta coisa das semanas da gravidez, hoje faço 40 semanas... em teoria, nove meses. Estou assim:


Ou seja, a miúda ainda está cá. Poupou-nos e poupou-se a nascer no meu dia de aniversário... depois na véspera de Natal e no dia do dito... os dias passam, calmamente, e penso que ela já revela alguma inteligência em deixar-se ficar para Janeiro, acho que deixará o dia do ano velho e o do novo... Vai escolher um dia que seja dela, sem festas e depois das festas...
Tanto quanto diz o médico, parece que isto se deve ao meu colo do útero, que é «muito protector»... ainda por cima «para terceiro filho»... estamos à espera do encaixe... como também diz o médico, assim que a cabeça encaixe, pode ser muito rápido... esta conversa dura há quinze dias ou três semanas, pelo menos...
De qualquer forma, para que não pensemos que se deixou dormir, mexe-se imenso. Na verdade, se se mexer tanto no mundo exterior como se mexe no meu interior, vai ser energia para dar e vender. O facto do espaço não ser muito não parece incomodá-la minimamente, faz pela vida, estica-se quando lhe apetece, indiferente ao desconforto que me possa provocar.
Ora bem, o que temos aqui... uma miúda teimosinha, sem qualquer poder de encaixe e extraordinariamente enérgica... Em duas palavras: estamos lixados.
Rita

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Terceiro episódio do nosso Advento

Dia 11 - Hoje temos de acabar as actividades pendentes. Enquanto isso, vamos ouvir músicas de Natal...
Quando o tempo parece escassear, haver uns dias em que se pára para actualizar as actividades (e a nossa mente) é útil... e, por vezes, é a única coisa que se pode fazer...
 
Dia 12 - Amanhã é a festa do Vasco. Vamos fazer um bolo para ele levar.
Por acaso, o Vasco adormeceu... ela é que aproveitou, tivemo-nos uma à outra só durante uns momentos... e soube-nos bem, que estávamos a precisar... se bem que isso ficará para falar a seguir...
 
Dia 13 - É festa de Natal do Vasco e dia do primeiro convívio natalício... Hoje vamos só usufruir desses momentos entre amigos...
E o rapazinho dança tãoooo bem... e gosta, entrega-se, curte o espectáculo... viva as festas dos filhos, adoro...
 
Dia 14 - Dia de cinema de Natal!
Tão simples, mas a Alice ansiava por este dia... fomos os quatro ver o "Frozen" e divertimo-nos imenso...
 
Dia 15 - Vamos escolher dois brinquedos (cada um), quase novos, para doar a meninos que não têm...
Grande sucesso, escolheram cinco!
 
Dia 16 - Hoje é dia de começar a prenda que vamos dar aos avós...
A ideia escolhida (do blog Pais Criativos, filhos felizes) foi um frasco com "O que eu digo sobre os meus avós"... «Só dissemos coisas boas, achas que iamos dizer coisas más?!», disse ela ao avô... Agora é só esperar que eles tenham gostado do que lá encontraram...


Dia 17 - Hoje o dia é todo da mãe! É preciso tratá-la bem e dar-lhe muitos miminhos...
Ainda estive para incluir "e fazer à primeira tudo o que ela pede", mas achei que, mesmo como prenda de aniversário, era algo praticamente inalcançável...
Tive direito a uma prenda muito gira, feita por eles, com a ajuda da tia Cristina (obviamente!):

 
Dia 18 - Dia de fazer prendas!
Este ano, a prenda que eles ofereceram aos tios, foi um saco, de tipo desportivo, daqueles que se embrulha num saquinho mais pequeno e que dá para levar para uma viagem, para a eventualidade de se precisar de trazer mais bagagem... esperemos que as mãozadas dos sobrinhos viajem nos sacos dos tios por muitos e muitos sítios.

 
Dia 19 - Hoje vamos fazer as etiquetas para as prendas...
Este ano ainda não foram feitas por nós... compradas e só escritas, já deram bastante trabalho... talvez para o ano possam ser todas artesanais...
 
Dia 20 - Logo à noite, vamos agasalhar-nos, jantar fora, ver as iluminações de Natal e uma espécie de "circo especial"...
Não foi logo nesse dia que rumámos à Baixa e que vimos o Circo multimédia que lá se encontrava... a Alice passou esse dia mal disposta, acabou por vomitar três vezes... mas dois dias depois, lá estávamos, a reclamar o nosso direito de passeio nocturno...
 
Dia 21 - Vamos fazer uma casa de bolacha...
E fizemos... comprada aqui ... esqueceram-se foi de acrescentar nas instruções, que era conveniente fazer no dia anterior ou no próprio dia em que se pretendia servi-la e comê-la... nem conseguimos tirar fotografia... no Natal só sobravam ruínas... e moles...
 
Dia 22 - Hoje vamos tentar encontrar jogos de Natal no computador... cada um tem direito a uma hora de jogo...
 
Dia 23 - Dia de embrulhar prendas!
Também chegará o dia em que faremos o nosso próprio papel de embrulho... este ano ainda foi dos comprados...
 
Dia 24 - Hoje é véspera de Natal, um dia de muito trabalho...! Todas as ajudas são preciosas...
 
E, por muito que tivesse achado o nosso calendário deste ano um tanto ou quanto aborrecido, achei que tinha compensado quando, no dia de hoje, a Alice lamentou já não ter calendário com actividades...
Rita

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Segundo episódio do nosso Calendário do Advento

Talvez porque é o que acontece comigo, tenho sempre a ideia que poderá dar jeito a alguém ver estes posts sobre as actividades do Calendário do Advento, não vá precisar de ideias. Sendo assim, mesmo atrasadas, gosto de as pôr aqui. Continuo então a novela do nosso Natal:

Dia 6 - Vamos tirar uma fotografia de Natal bem gira!


Dia 7 - Dia de actividade de Natal com a tia...!
A tia aproveitou os dias que pediu para passar com os sobrinhos e os três fizeram um filme maravilhoso para toda a família...

Dia 8 - Ao jantar, vamos brincar com a comida e fazer um Pai Natal no prato...
 

Dia 9 - Vamos aproveitar as fotografias que tirámos e fazer uns postais de Natal para quem mora longe...
Temos sempre problemas com os postais de Natal. Houve um ano que os fizemos e não enviámos. Desta vez, começámo-los, não chegámos a acabá-los... agora, já depois do Natal, quando lhes queria colar as fotos e enviar, não os encontro... um dia, havemos de conseguir...

Dia 10 - Hoje, todos irão "dar um pezinho" para criar uma mensagem de boas festas para os vizinhos...
Esta mensagem, feita parcialmente no dia 10, só foi completada e colocada no dia 24, eheheheh... Daqui, o que eu retiro com mais carinho é o apoio do homem da casa... a iniciativa de levar a cabo as actividades não é dele, mas apoia sempre o que lhe peço e disponibiliza-se... obrigadão, homem... és um espectáculo...
 
 
Rita

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Manhã do Dia de Natal

Há lá coisa melhor de fazer na manhã do dia 25 do que montar e jogar e descobrir com eles as prendas de Natal...?!



Rita

quarta-feira, dezembro 11, 2013

No dia onze do doze do treze...

... a primeira frase do Vasco quando acordou, foi:
- O meu cérebro está a dizer-me para eu abrir uma prenda...
 
(Desde Domingo que ele é o único que tem prendas por baixo da árvore...)
Rita

domingo, dezembro 08, 2013

Os primeiros dias do nosso advento

Começou Dezembro, começou o nosso Calendário do Advento!!!
Dia 1 - Ir ao teatro com a tia...
A conjugação do fim-de-semana combinado na casa da tia com o aproveitamento de uns bilhetes oferecidos para a peça "Dom Quixote", no TIL... Pena, pena, só tive de ficar em casa desta vez...
Dia 2 - Hoje é dia de montar a Árvore de Natal
Acho piada o reviver de mim mesma na mão deles, a brincar constantemente com os bonecos do pinheirinho... gosto principalmente dos amores que ela inventa, entre anjos e palhaços por exemplo...


Dia 3 - Vamos decorar as janelas com neve falsa


Dia 4 - Toca a fazer a actividade de ontem, ficou em atraso...
É o que acontece nos dias em que o Vasco aterra no sofá depois de chegar da escola e dorme até ao dia seguinte... resultados do final da sesta, este ano, conjugado com o início do karaté.
Dia 5 - Vamos recortar flocos de neve de papel...
Já foi há uns tempos que tentámos (com a Alice) esta actividade, mas as mãos dela eram pouco hábeis para fazer grandes recortes em papel normal... e mesmo em guardanapos tornou-se difícil... desta vez escolhi aquelas forminhas para pôr bolinhos e até o Vasco conseguiu... com algum esforço, mas a janela escolhida ficou linda...



Mais dias daqui a uns dias...

Rita

domingo, dezembro 01, 2013

Coisas de filhos para não esquecer

Na passada sexta-feira, dia 29 de Novembro:
 
Sentada ao computador, no trabalho, de manhã, percebi uns ligeiros movimentos rápidos e ritmados no lado superior direito da minha barriga. Parecia que respiravas, miúda, mas achei absurdo, por te saber sem oxigénio nos pulmões ainda... hoje fiquei a saber, através dos conhecimentos da tia, que sim, que é verdade, que treinas para respirar, mesmo que não o faças ainda... como diz o tio, isso aí por dentro é um verdadeiro ginásio gratuito...
No fim da tarde, como se não bastassem as estreias na minha percepção de ti, senti-te soluçar...
 
E, querendo eu também que seja uma mera estreia de uma lamechice que provavelmente nunca me irá cansar, ouve-se o Vasco, na viagem de carro para casa dos tios: «Sabes mãe... és a melhor mãe do mundo...».

Rita

domingo, novembro 17, 2013

Pesadelos de uma futura mãe de três 1

Pesadelo vai ser quando...

... Tiver que organizar as mudanças de roupa da estação dos três... Ver o que não serve aos três... Devolver o que emprestaram aos três... Dar a alguém o que, sendo nosso, deixou de servir aos dois mais novos (finally!!)... Subir e descer do escadote para tirar o que ainda poderá servir e guardar o que ainda irá dar... Escadotar, desdobrar, fazer experimentar, dobrar, ensacar... A três, a três, a três.........................

SOCORROOOOOOOO!!!!!!!

Rita

terça-feira, novembro 12, 2013

Animais macacos

Já não sei como começou... acho que foi pela sopa, à qual não achávamos piada quando eramos miúdos e depois passámos a gostar... daí recordei que nem sempre havia sopa lá em casa, mas que tinha que levar com ela nas férias em Viana, a todas as refeições, o que me chateava imenso... daí passei para o facto da Tia Alcide não pôr sal nenhum na sopa, o que decididamente contribuía para o seu desinteresse... e vai daí a Alice faz perguntas sobre a Tia Alcide e o pai questiona-a se já não se recordava dela, ao que o lembrei que a miúda tinha pouco mais de um ano na altura em que a minha tia tinha morrido...
E andávamos neste circuito de conversas quando se ouviu o rapazinho ao meu lado: «Isso foi há muito tempo, quando eramos animais?»... Não foi obviamente entendido. Tentou explicar melhor: «Quando eramos animais... ai, quando eramos animais macacos, ai, quando eramos macacos...?»
E pronto, na mente do meu rapazinho de quatro anos, o passado é uma espécie de mistura de teoria da evolução com encarnação budista, em que antes de sermos o que somos, antes de nascermos, antes de irmos parar às barrigas das mães, eramos animais macacos...
Rita

terça-feira, novembro 05, 2013

segunda-feira, novembro 04, 2013

O Halloween deste ano

É verdade que não festejámos o Halloween como em outros tempos, com a família e amigos todos "horrivelmente" mascarados... por outro lado, cá em casa continua-se a viver a data, desta vez através dos pequenos... enquanto se sonha poder voltar a fazer um convívio como o de antigamente, planeiam-se as máscaras pedidas.
 
Este ano, como em outros momentos, fui deixando tudo para o último dia... ele foi convencido a, como no ano passado, ir de esqueleto, uma vez que já tinha o pijama para a ocasião - não oferecia problema... Quanto a ela, não havia roupas cá por casa e queria ir de vampira... Os dias foram passando sem que eu me preocupasse com o evento... na tarde de quarta-feira, tive que me armar de ideias...
 
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Corri à Graça, onde comprei à pressão uma capa baratucha, numa loja de chineses... em casa, com um pedaço de feltro vermelho, fiz um corte apressado para uma gola a rigor e cosia-a com um alinhavo à dita capa... não me terá demorado mais de 15 minutos...


Veio depois a escolha da roupa: camisola vermelha, leggins pretas e o único vestido preto da Alice (sim, para quem tem boa vista, o vestido de 04 ou 05 anos tornou-se uma túnica de 08). Aproveitando um papel brilhante colante que havia cá por casa (utilizado há uns anos para a mesma técnica: estrelas numa roupa rosa para uma máscara de fada), recortei uns morcegos e colei-os no vestido túnica... feito já depois de ela se ir deitar, o que originou grandes sorrisos de surpresa pela manhã...

           
No final, os pormenores... um colar dentro dos mesmos tons, as unhas vermelhas (pretas no Vasco) e a maquilhagem horripilante... Eles saíram e voltaram todos contentes e ela referiu até se ir deitar como tinha gostado deste Halloween e a pena que tinha de ter acabado.
Acabou por ser tão bom ter deixado tudo para a última da hora e recordar a mim mesma como os miúdos não precisam de muito para serem felizes e como, posta à prova, eu consigo ser uma verdadeira "idiota"...
Rita

segunda-feira, outubro 21, 2013

Teria feito cem anos ontem

Um dos homens mais talentosos da musica e poesia da língua portuguesa. Amante da vida e constantemente apaixonado, Vinicius de Moraes, deixou-nos uma obra lindíssima. Eu não me canso de o ler e sobretudo de o ouvir. A ele e aos seus amigos e companheiros da criação musical...


No meio de tantas opções deixo aqui o "Samba pra Vinicius" de Toquinho e Chico Buarque. 
Espero que gostem.
Ana Cristina

sábado, outubro 19, 2013

Eu, voyeur de magníficas loucuras

Às vezes, eu estou mesmo ali ao lado, a ouvi-los.
Misturam tudo, brincam com os legos e com a cozinha e com os petshops e a caravana das pin e pon. Depois passam para barbies ou nancys. Ele fala de monstros e heróis e ela responde em linguagem de namorados e beijos. Montam mundos de playmobil. Ela pode ser mãe e ele o filho, com outros irmãos bonecos. Mas ela pode estar presa e ele ser o salvador apaixonado. Ou cães, agora mesmo ele é um cão obrigado a fazer ginástica com uma fita de ginástica ritmica. Dão pinotes no corredor, com um balão. Gargalham muito, correm pela casa toda a fugir um do outro e cansam-nos de tanta excitação e histeria.
Às vezes, quando estou mesmo ali ao lado e me entretenho a ouvi-los, só focada naquela esquizofrenia de brincadeira... sinto-me no paraíso...
Rita

quinta-feira, outubro 17, 2013

Miúda,

Há mais ou menos uma semana fui ao médico falar sobre nós as duas. Como sempre, ele aproveitou e espreitou para os meus interiores, não daquela forma que ele já deve estar mais que habituado, mas da outra, bem mais agradável, que também me permite ver-te.
Foi muito fixe. Estavas a chuchar na língua e via-se perfeitamente o movimento ritmado do queixo e pescoço. O médico ficou animadíssimo por irmos na 28ª semana e já teres «reflexo neurológico». Eu também, claro, apesar de perceber muito menos do assunto. Ainda não tens nome, mas já tens reflexo neurológico e, para já, isso é de longe muito melhor do que um nome.
Como não sei se me vou recordar disto, aproveito para te dizer que mexes imenso. Há dias em que passas o tempo todo a exercitar-te pelas minhas entranhas, há outros em que parece que só te lembras de o fazer de manhã e no fim da tarde ou noite. Além do neurológico, tenho ideia que tens para aí um reflexo qualquer de inconstância, o que me faz prever que vás ter bastantes capacidades para me chagares a tola. Vai com calma, que nós já não somos uns miúdos. Mas aproveita, que nós já não somos uns miúdos.
Confesso-te que me aborrece sentir-te muito mais do que te vejo, quando te olho ficas muito mais parada. Para além do neurológico e do de inconstância, tens obviamente o reflexo do contraditório, mas isso será inerente a qualquer filho, por isso aviso-te que não é propriamente uma novidade. Ainda não te consigo exibir mas, a continuar assim, pode ser que daqui a uns tempitos consiga fazer umas belas filmagens dos teus movimentos-alien-dentro-da-pançola.
Para já, é tudo. Fica bem e exercita-te o quanto possas. De preferência, se me for dado o direito a pedir alguma coisa, que seja quando estamos a ver.
Mãe
 
Rita

quarta-feira, outubro 16, 2013

A nova austeridade

Não sou boa a matemática e não tenho grandes noções de economia...
Oriento-me bem a escrever sobre "emocionalidades", mas atrapalho-me muito no que toca a falar sobre política...
Mas... fico a pensar...
... como é que se estabelecem cortes salariais a quem ganha 600 euros...?
... e por que razão os cortes param nos 12% para quem ganha 2000...?
.... por que carga de água, por exemplo, o nosso Primeiro Ministro, que ganhará como ordenado bruto base cerca de 5700 euros, também só será cortado em 12%...?
... é que, se é suposto os ditos cortes serem "progressivos", por que razão param nos 2000 euros...?
... porque não abrangem os que ganham de facto MUITO?
E, já agora...
.... como é que o Primeiro Ministro pode ousar sequer dizer que quem tiver os cortes previstos, não vai alterar assim tanto o seu nível de vida em 2014???!!!

Rita

domingo, outubro 13, 2013

Os segredos do castelhano

Depois de terem estado praticamente uma hora de volta do you tube, a ver umas músicas de uma qualquer série em castelhano, ajudo o Vasco a calçar-se enquanto ele cantarola:
- "Com un soco, una mirada..."... Mãe, o que é uma "mirada"?
- Uma mirada, em português, é o mesmo que "uma olhadela", "um olhar"...
- E então "com un soco, una mirada"?!
- Hã... isso já não tenho a certeza...
- Já sei! É "um murro nos olhos"...!
Rita


Claro que seria estranho "um murro nos olhos" como verso de uma qualquer canção romântica... agora há pouco, resolvi pesquisar... "Con solo una mirada"... de facto, parecia fazer mais sentido...

sábado, outubro 12, 2013

Está neste momento a dar o filme "Chocolate" no canal foxlife... É uma frustração... Não suporto filmes que não têm absolutamente relação nenhuma com os livros que são a sua base... Tenho dito.
Rita

quarta-feira, outubro 09, 2013

Acicatar

Cenário da manhã sem o pai, que ainda não chegou a casa, do trabalho. Apesar do discurso «hoje estamos sem o pai, precisamos de nos unir, preciso da vossa ajuda para nos conseguirmos despachar», e da resposta positiva pronta dos dois, o filho está particularmente molengão e a filha não ajuda nada. A certa altura, zango-me com ele e reclamo. Já na cozinha, ouço-a a acrescentar qualquer coisa, percebo o tom de voz.
- Alice, para de acicatar!
- Oh mãe, eu não estou nada a acicatar...! Eu nem sequer sei o que é acicatar...!
- Se não sabes o que é, como é que podes dizer que não o fizeste?!
- Então, o que é acicatar?
- Acicatar é ir a seguir aumentar o que foi dito. Eu disse uma coisa e tu ires depois aumentar aquilo que eu tinha dito...
- Ah, isso fiz.
Rita

terça-feira, outubro 08, 2013

O Vasco e a miúda-sem-nome

O Vasco, que agora refere muito a gravidez ou a mana bebé (coitada, ainda não tem nome), lembra-se dela em qualquer momento.
No outro dia foi na casa-de-banho do restaurante.
Ele: - Mãe, está-te a cheirar mal?
Eu: - Não, ainda não.
...
Ele: - Mãe, e agora, está-te a cheirar mal?
Eu: - Hum... ainda não.
...
Eu: - Olha, agora já me está a cheirar mal. Já chegou aqui o cheiro.
Ele: - Ah...! E à mana bebé?
Eu: - Não, a ela não, felizmente para ela, ainda está protegida desse fedor todo...
Ele: - Ah ah ah! Pois, porque se não ficava logo morta, não era?!

Rita

segunda-feira, outubro 07, 2013

A aventura das análises enguiçadas - capítulo 3

Dois ou três dias depois do Dia 2, com fim-de-semana de permeio, D. Rita descansadamente na sua hora de almoço. Toca o telemóvel:
- 'Tou sim, D. Rita?
- Sim, sou eu.
- Oh D. Rita, desculpe, fala aqui do posto de colheitas... É que ligaram do laboratório... e falta uma análise, a do exsudado (rectal ou anal ou lá como seja o nome mais adequado a essa coisinha maravilhosa)...
D. Rita inspira e expira, não é que tenha alguma coisa contra as simpáticas senhoras do posto ou o aprazível espaço do posto, mas tem mais do que fazer às manhãs do que ir lá passa-las:
- A sério?! Mas eu estive aí ainda há dois dias... e fui aí duas vezes seguidas...! Mas foi uma análise que o médico passou... está na requisição...?
- D. Rita, peço-lhe imensas desculpas... mas nós já não temos a requisição connosco, já foi para o laboratório... mas se quiser perguntar ao médico... no laboratório disseram que todas as grávidas fazem esta análise...
D. Rita inspira e expira novamente, pode ser esquecida, comilona, lavadinha, cota com ar juvenil, mas a simpatia ninguém lhe tira, mesmo sabendo que vai ter que levar o rabiosque (literalmente) novamente ao posto:
- Deixe estar, então eu passo por aí amanhã...
 
E foi nessa fatídica manhã, sem incidentes de maior, que a saga verdadeiramente terminou, que ninguém espera que uma #%& de umas análises demore mais do que três dias a fazer...
Rita

domingo, outubro 06, 2013

A aventura das análises enguiçadas - capítulo 2

Dia 2:

Já depois de D. Rita ter entrado no posto à sua hora de abertura, ter bebido o líquido da garrafinha e ter aguardado uma hora. Sentada agora na cadeira das análises, braço estendido. Para tirar o sangue, uma enfermeira novinha e uma senhora mais velha, presumo que técnica de análises, a dar as luzes todas dos procedimentos à primeira.
Técnica:
- Ai, tem umas veias tão boas, nem sabe a sorte que tem...
D. Rita:
- Sim? Mas veja lá, no parto da minha primeira filha a enfermeira teve que me picar três vezes para pôr o soro, foi azar... o que vale é que não me faz diferença nenhuma...
Enfermeira:
- Nem lhe perguntei, e desta vez está à espera de quê?
D. Rita:
- É uma menina.
Enfermeira:
- Ah, fica com duas meninas!
D. Rita:
- Sim, mas também tenho um rapaz. Rapariga-rapaz-rapariga.
Ténica a olhar para D. Rita, enfermeira a falar sobre como um dia gostava de ter dois filhos, mas como namorado estava numa de ter só um. D. Rita a responder como o seu companheiro durante tanto tempo também queria ter dois e como afinal se mudavam os planos.
Técnica (com o tom condescendente com que falava com D. Rita desde o dia anterior, o tom habitualmente usado ou com crianças ou com senhores velhinhos, o que D. Rita achou que fosse já hábito profissional, dada a localização do posto de colheitas):
- Pois, e agora fica pelos três... (atenção, não uma interrogação, mais uma afirmação)
D. Rita:
- Oh sim!!!!! Eu sempre quis ter três filhos...
Técnica:
- Pois, é melhor... até porque, como é muito novinha (!!!!!!!), pode fazer-lhe mal (?????!!!!)...
D. Rita, de repente transformada em miúda-Rita-praticamente-uma-adolescente:
- Mas sabe que eu não sou assim tão novinha...! Tenho 37 anos...
Técnica, de repente transformada em ginasta-que-dá-mortais-de-costas-em-décimas-de-segundos:
- Ahhhhh, então tinha mesmo que ser agora!!!!!!!!
 
D. Rita, de repente transformada em cota-que-tem-filhos-a-roçar-a-idade-em-que-quase-devia-estar-nos-netos, mais uma hora no posto a pensar no que é que a Técnica terá ficado a pensar quando olhava para ela. Ok, que era nova e tal, ainda por cima com a saia de ganga de peitilho, a falar num companheiro... mas fazer mal ter três filhos por ser nova????!!!! Que raios era aquilo? Um atestado à minha ignorância, ingenuidade, burrice?
D. Rita a sair do posto divertidíssima, com história cómica que ainda agora, mais de uma semana passada a faz rir... mas a sentir-se como se de repente, mesmo que por momentos, nem que fosse por breves instantes, tivesse sido olhada com ligeiro, nem que fosse ligeiríssimo preconceito, uma jovem destravada com três filhos seguidos sabe-se lá a viver do quê ou de quem... mas, em todo o caso, uma jovem!!!!!
 
[continua brevemente]

Rita