segunda-feira, novembro 04, 2013

O Halloween deste ano

É verdade que não festejámos o Halloween como em outros tempos, com a família e amigos todos "horrivelmente" mascarados... por outro lado, cá em casa continua-se a viver a data, desta vez através dos pequenos... enquanto se sonha poder voltar a fazer um convívio como o de antigamente, planeiam-se as máscaras pedidas.
 
Este ano, como em outros momentos, fui deixando tudo para o último dia... ele foi convencido a, como no ano passado, ir de esqueleto, uma vez que já tinha o pijama para a ocasião - não oferecia problema... Quanto a ela, não havia roupas cá por casa e queria ir de vampira... Os dias foram passando sem que eu me preocupasse com o evento... na tarde de quarta-feira, tive que me armar de ideias...
 
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Corri à Graça, onde comprei à pressão uma capa baratucha, numa loja de chineses... em casa, com um pedaço de feltro vermelho, fiz um corte apressado para uma gola a rigor e cosia-a com um alinhavo à dita capa... não me terá demorado mais de 15 minutos...


Veio depois a escolha da roupa: camisola vermelha, leggins pretas e o único vestido preto da Alice (sim, para quem tem boa vista, o vestido de 04 ou 05 anos tornou-se uma túnica de 08). Aproveitando um papel brilhante colante que havia cá por casa (utilizado há uns anos para a mesma técnica: estrelas numa roupa rosa para uma máscara de fada), recortei uns morcegos e colei-os no vestido túnica... feito já depois de ela se ir deitar, o que originou grandes sorrisos de surpresa pela manhã...

           
No final, os pormenores... um colar dentro dos mesmos tons, as unhas vermelhas (pretas no Vasco) e a maquilhagem horripilante... Eles saíram e voltaram todos contentes e ela referiu até se ir deitar como tinha gostado deste Halloween e a pena que tinha de ter acabado.
Acabou por ser tão bom ter deixado tudo para a última da hora e recordar a mim mesma como os miúdos não precisam de muito para serem felizes e como, posta à prova, eu consigo ser uma verdadeira "idiota"...
Rita

segunda-feira, outubro 21, 2013

Teria feito cem anos ontem

Um dos homens mais talentosos da musica e poesia da língua portuguesa. Amante da vida e constantemente apaixonado, Vinicius de Moraes, deixou-nos uma obra lindíssima. Eu não me canso de o ler e sobretudo de o ouvir. A ele e aos seus amigos e companheiros da criação musical...


No meio de tantas opções deixo aqui o "Samba pra Vinicius" de Toquinho e Chico Buarque. 
Espero que gostem.
Ana Cristina

sábado, outubro 19, 2013

Eu, voyeur de magníficas loucuras

Às vezes, eu estou mesmo ali ao lado, a ouvi-los.
Misturam tudo, brincam com os legos e com a cozinha e com os petshops e a caravana das pin e pon. Depois passam para barbies ou nancys. Ele fala de monstros e heróis e ela responde em linguagem de namorados e beijos. Montam mundos de playmobil. Ela pode ser mãe e ele o filho, com outros irmãos bonecos. Mas ela pode estar presa e ele ser o salvador apaixonado. Ou cães, agora mesmo ele é um cão obrigado a fazer ginástica com uma fita de ginástica ritmica. Dão pinotes no corredor, com um balão. Gargalham muito, correm pela casa toda a fugir um do outro e cansam-nos de tanta excitação e histeria.
Às vezes, quando estou mesmo ali ao lado e me entretenho a ouvi-los, só focada naquela esquizofrenia de brincadeira... sinto-me no paraíso...
Rita

quinta-feira, outubro 17, 2013

Miúda,

Há mais ou menos uma semana fui ao médico falar sobre nós as duas. Como sempre, ele aproveitou e espreitou para os meus interiores, não daquela forma que ele já deve estar mais que habituado, mas da outra, bem mais agradável, que também me permite ver-te.
Foi muito fixe. Estavas a chuchar na língua e via-se perfeitamente o movimento ritmado do queixo e pescoço. O médico ficou animadíssimo por irmos na 28ª semana e já teres «reflexo neurológico». Eu também, claro, apesar de perceber muito menos do assunto. Ainda não tens nome, mas já tens reflexo neurológico e, para já, isso é de longe muito melhor do que um nome.
Como não sei se me vou recordar disto, aproveito para te dizer que mexes imenso. Há dias em que passas o tempo todo a exercitar-te pelas minhas entranhas, há outros em que parece que só te lembras de o fazer de manhã e no fim da tarde ou noite. Além do neurológico, tenho ideia que tens para aí um reflexo qualquer de inconstância, o que me faz prever que vás ter bastantes capacidades para me chagares a tola. Vai com calma, que nós já não somos uns miúdos. Mas aproveita, que nós já não somos uns miúdos.
Confesso-te que me aborrece sentir-te muito mais do que te vejo, quando te olho ficas muito mais parada. Para além do neurológico e do de inconstância, tens obviamente o reflexo do contraditório, mas isso será inerente a qualquer filho, por isso aviso-te que não é propriamente uma novidade. Ainda não te consigo exibir mas, a continuar assim, pode ser que daqui a uns tempitos consiga fazer umas belas filmagens dos teus movimentos-alien-dentro-da-pançola.
Para já, é tudo. Fica bem e exercita-te o quanto possas. De preferência, se me for dado o direito a pedir alguma coisa, que seja quando estamos a ver.
Mãe
 
Rita

quarta-feira, outubro 16, 2013

A nova austeridade

Não sou boa a matemática e não tenho grandes noções de economia...
Oriento-me bem a escrever sobre "emocionalidades", mas atrapalho-me muito no que toca a falar sobre política...
Mas... fico a pensar...
... como é que se estabelecem cortes salariais a quem ganha 600 euros...?
... e por que razão os cortes param nos 12% para quem ganha 2000...?
.... por que carga de água, por exemplo, o nosso Primeiro Ministro, que ganhará como ordenado bruto base cerca de 5700 euros, também só será cortado em 12%...?
... é que, se é suposto os ditos cortes serem "progressivos", por que razão param nos 2000 euros...?
... porque não abrangem os que ganham de facto MUITO?
E, já agora...
.... como é que o Primeiro Ministro pode ousar sequer dizer que quem tiver os cortes previstos, não vai alterar assim tanto o seu nível de vida em 2014???!!!

Rita

domingo, outubro 13, 2013

Os segredos do castelhano

Depois de terem estado praticamente uma hora de volta do you tube, a ver umas músicas de uma qualquer série em castelhano, ajudo o Vasco a calçar-se enquanto ele cantarola:
- "Com un soco, una mirada..."... Mãe, o que é uma "mirada"?
- Uma mirada, em português, é o mesmo que "uma olhadela", "um olhar"...
- E então "com un soco, una mirada"?!
- Hã... isso já não tenho a certeza...
- Já sei! É "um murro nos olhos"...!
Rita


Claro que seria estranho "um murro nos olhos" como verso de uma qualquer canção romântica... agora há pouco, resolvi pesquisar... "Con solo una mirada"... de facto, parecia fazer mais sentido...

sábado, outubro 12, 2013

Está neste momento a dar o filme "Chocolate" no canal foxlife... É uma frustração... Não suporto filmes que não têm absolutamente relação nenhuma com os livros que são a sua base... Tenho dito.
Rita

quarta-feira, outubro 09, 2013

Acicatar

Cenário da manhã sem o pai, que ainda não chegou a casa, do trabalho. Apesar do discurso «hoje estamos sem o pai, precisamos de nos unir, preciso da vossa ajuda para nos conseguirmos despachar», e da resposta positiva pronta dos dois, o filho está particularmente molengão e a filha não ajuda nada. A certa altura, zango-me com ele e reclamo. Já na cozinha, ouço-a a acrescentar qualquer coisa, percebo o tom de voz.
- Alice, para de acicatar!
- Oh mãe, eu não estou nada a acicatar...! Eu nem sequer sei o que é acicatar...!
- Se não sabes o que é, como é que podes dizer que não o fizeste?!
- Então, o que é acicatar?
- Acicatar é ir a seguir aumentar o que foi dito. Eu disse uma coisa e tu ires depois aumentar aquilo que eu tinha dito...
- Ah, isso fiz.
Rita

terça-feira, outubro 08, 2013

O Vasco e a miúda-sem-nome

O Vasco, que agora refere muito a gravidez ou a mana bebé (coitada, ainda não tem nome), lembra-se dela em qualquer momento.
No outro dia foi na casa-de-banho do restaurante.
Ele: - Mãe, está-te a cheirar mal?
Eu: - Não, ainda não.
...
Ele: - Mãe, e agora, está-te a cheirar mal?
Eu: - Hum... ainda não.
...
Eu: - Olha, agora já me está a cheirar mal. Já chegou aqui o cheiro.
Ele: - Ah...! E à mana bebé?
Eu: - Não, a ela não, felizmente para ela, ainda está protegida desse fedor todo...
Ele: - Ah ah ah! Pois, porque se não ficava logo morta, não era?!

Rita

segunda-feira, outubro 07, 2013

A aventura das análises enguiçadas - capítulo 3

Dois ou três dias depois do Dia 2, com fim-de-semana de permeio, D. Rita descansadamente na sua hora de almoço. Toca o telemóvel:
- 'Tou sim, D. Rita?
- Sim, sou eu.
- Oh D. Rita, desculpe, fala aqui do posto de colheitas... É que ligaram do laboratório... e falta uma análise, a do exsudado (rectal ou anal ou lá como seja o nome mais adequado a essa coisinha maravilhosa)...
D. Rita inspira e expira, não é que tenha alguma coisa contra as simpáticas senhoras do posto ou o aprazível espaço do posto, mas tem mais do que fazer às manhãs do que ir lá passa-las:
- A sério?! Mas eu estive aí ainda há dois dias... e fui aí duas vezes seguidas...! Mas foi uma análise que o médico passou... está na requisição...?
- D. Rita, peço-lhe imensas desculpas... mas nós já não temos a requisição connosco, já foi para o laboratório... mas se quiser perguntar ao médico... no laboratório disseram que todas as grávidas fazem esta análise...
D. Rita inspira e expira novamente, pode ser esquecida, comilona, lavadinha, cota com ar juvenil, mas a simpatia ninguém lhe tira, mesmo sabendo que vai ter que levar o rabiosque (literalmente) novamente ao posto:
- Deixe estar, então eu passo por aí amanhã...
 
E foi nessa fatídica manhã, sem incidentes de maior, que a saga verdadeiramente terminou, que ninguém espera que uma #%& de umas análises demore mais do que três dias a fazer...
Rita

domingo, outubro 06, 2013

A aventura das análises enguiçadas - capítulo 2

Dia 2:

Já depois de D. Rita ter entrado no posto à sua hora de abertura, ter bebido o líquido da garrafinha e ter aguardado uma hora. Sentada agora na cadeira das análises, braço estendido. Para tirar o sangue, uma enfermeira novinha e uma senhora mais velha, presumo que técnica de análises, a dar as luzes todas dos procedimentos à primeira.
Técnica:
- Ai, tem umas veias tão boas, nem sabe a sorte que tem...
D. Rita:
- Sim? Mas veja lá, no parto da minha primeira filha a enfermeira teve que me picar três vezes para pôr o soro, foi azar... o que vale é que não me faz diferença nenhuma...
Enfermeira:
- Nem lhe perguntei, e desta vez está à espera de quê?
D. Rita:
- É uma menina.
Enfermeira:
- Ah, fica com duas meninas!
D. Rita:
- Sim, mas também tenho um rapaz. Rapariga-rapaz-rapariga.
Ténica a olhar para D. Rita, enfermeira a falar sobre como um dia gostava de ter dois filhos, mas como namorado estava numa de ter só um. D. Rita a responder como o seu companheiro durante tanto tempo também queria ter dois e como afinal se mudavam os planos.
Técnica (com o tom condescendente com que falava com D. Rita desde o dia anterior, o tom habitualmente usado ou com crianças ou com senhores velhinhos, o que D. Rita achou que fosse já hábito profissional, dada a localização do posto de colheitas):
- Pois, e agora fica pelos três... (atenção, não uma interrogação, mais uma afirmação)
D. Rita:
- Oh sim!!!!! Eu sempre quis ter três filhos...
Técnica:
- Pois, é melhor... até porque, como é muito novinha (!!!!!!!), pode fazer-lhe mal (?????!!!!)...
D. Rita, de repente transformada em miúda-Rita-praticamente-uma-adolescente:
- Mas sabe que eu não sou assim tão novinha...! Tenho 37 anos...
Técnica, de repente transformada em ginasta-que-dá-mortais-de-costas-em-décimas-de-segundos:
- Ahhhhh, então tinha mesmo que ser agora!!!!!!!!
 
D. Rita, de repente transformada em cota-que-tem-filhos-a-roçar-a-idade-em-que-quase-devia-estar-nos-netos, mais uma hora no posto a pensar no que é que a Técnica terá ficado a pensar quando olhava para ela. Ok, que era nova e tal, ainda por cima com a saia de ganga de peitilho, a falar num companheiro... mas fazer mal ter três filhos por ser nova????!!!! Que raios era aquilo? Um atestado à minha ignorância, ingenuidade, burrice?
D. Rita a sair do posto divertidíssima, com história cómica que ainda agora, mais de uma semana passada a faz rir... mas a sentir-se como se de repente, mesmo que por momentos, nem que fosse por breves instantes, tivesse sido olhada com ligeiro, nem que fosse ligeiríssimo preconceito, uma jovem destravada com três filhos seguidos sabe-se lá a viver do quê ou de quem... mas, em todo o caso, uma jovem!!!!!
 
[continua brevemente]

Rita

sábado, outubro 05, 2013

A aventura das análises enguiçadas - capítulo 1

Dia 1

Nove horas da manhã, posto de colheitas bem compostinho de gente. Faço a inscrição, a entrega da requisição, etc e tal.
- Não tenho aqui o dinheiro, mas quando agora for tomar o pequeno-almoço levanto e trago-lhe, pode ser?
- Pequeno-almoço?! Ahahaha, nem pensar, a D. Rita tem que fazer a análise da glicémia, o que significa... hum, tendo em conta a requisição... que tem que ficar aqui, sentadinha, duas horas em jejum...
D. Rita de sorriso amarelo:
- Ah sim? Já não me lembrava como era... pensava que bebia o líquido, tirava sangue e depois ia comer e tirava novamente daqui a uma hora... Duas?! Duas horas?! Mas não costuma ser uma...?
- A requisição tem para fazer passada uma hora e passadas duas...
D. Rita a olhar para o relógio e a fazer contas à vida, nem pensar em aguentar até às 11H15 sem comer nadinha, D. Rita ainda lhe um treco qualquer, que é mulher de alimento...
 
- Tem aqui também o exsudado. Fez tudo direitinho, não fez?!
D. Rita a dizer mal da sua vida:
- "Tudo direitinho"... como?!
- Não teve relações?
- Não...
- E não tomou banho...
- Ah, tomei tomei... (essa agora, D. Rita é mulher de alimento E munto limpinha, mas o que é isto?!)
- Sim, mas não se lavou assim bem, deixou só cair a água... (???????!!!!!!!!!!!!!!!)
- Ah, lavei lavei...
- Ah, não pode ser... tem de voltar noutro dia...
D. Rita contrafeita, já tinha que voltar para as míseras duas horas de tortura:
- Bem, ao menos trouxe a primeira urina da manhã...
- E fez tudo direitinho...?
- Hum... sim, acho que sim...
- Acordou, lavou-se, deixou cair as primeiras pinguinhas para fora do frasco...
- Sim, sim, sim... (credo, mesmo que não tivesse, lá ousaria a D. Rita confessar mais uma idiotice)
 
D. Rita a ir embora, mas não sem antes referir algo que a deixe com melhor imagem no posto:
- Bem, então eu volto amanhã... e desta vez até tinha metade de um limão e tudo...
- Limão?! Para quê?!
- Então, para pôr no líquido da glicémia e saber melhor, não é esse o truque?
- Ah, já não é preciso, agora já são umas garrafinhas com o líquido preparado, até tem para lá um sabor qualquer a laranja...

Agora, alguém me explique... Em que mundo esquizofrénico é que uma mulher tem duas coisas para fazer análise, uma para a qual tem que se lavar qualquer coisinha e outra para a qual convem ir mesmo sujeca...????!!!!! (Pronto, também poderia perguntar-me em que mundo é que uma mulher grávida pela terceira vez se esquece de como é que se faz a análise da glicêmia, mas isso não interessa nada...)
 
[continua brevemente]

Rita

sexta-feira, outubro 04, 2013

E eis que hoje,...

... o Vasco, que não tem abraçado o projecto familiar assim com entusiasmo estonteante, disse à hora do jantar:
- E depois eu vou casar com ela.
E, face aos nossos olhares de incompreensão, esclareceu:
- Com a bebé...
Rita

No dia dos animais


O Pilas manda dizer que se sente muito melhor, está com mais vontade de brincar e de morder as mãos da dona. Ontem foi ao Hospital Veterinário, fez análises e não ficou de um dia para o outro para fazer hidratação endovenosa porque toda a gente acho que ele estava com muito bom aspecto.
Turrinhas, festinhas e mordidelas.

domingo, setembro 29, 2013

"Zarafa"


Hoje, a aproveitar uma extraordinária iniciativa do Dolce Vita Monumental, que pelos vistos andou a dinamizar umas sessões de cinema familiares gratuitas - da qual eu só soube desta última - eu e a Alice fomos ver "Zarafa".
O objectivo deste post é aconselhar veementemente este filme. Porque é absolutamente maravilhoso... desde a animação até à história, "Zarafa" é de facto uma aventura extraordinária vivida por um conjunto de personagens multiculturais: dois meninos africanos, um beduíno solitário, um inventor francês, duas vacas sagradas do Tibete, uma pirata grega e a primeira girafa chegada a França, oferecida pelo Paxá do Egipto para tentar influenciar o Rei desse país a auxiliar numa guerra contra os turcos. Uma história linda sobre a importância dos compromissos e a amizade.
Fica a ideia.
Rita

terça-feira, setembro 24, 2013

Na praia as brincadeiras improvisam-se...

Em casa há um enorme saco de brinquedos de praia mas quando estamos de férias todos juntos, tios e sobrinhos o costume é levar apenas um, de preferência não muito pesado ou muito volumoso. Ou então escolher o que a praia nos pode fornecer para passarmos bons momentos de brincadeira.
Lembro-me sempre das horas a fazer buracos e construções de areia, primeiro sozinha, depois para a Rita, mais ou menos toscas mas sempre fruto de muitas horas de empenhamento. 
Este ano já brincámos, por sugestão do Vasco, às máquinas de gelados feitos de açúcar de areia e de farinha de areia e gelo de areia. Já inventámos histórias com pedrinhas, onde cada pedrinha é uma personagem. Mas o mais espectacular foi a ideia de construir uma "Festa do Avante" com pauzinhos a fazer de pessoas, as carrinhas de gelados são as pedras maiores e existe um palco com músicos e tudo. A foto não é muito elucidativa mas posso garantir que a "festa" ficou o máximo.
Ana Cristina

O Vasco e a pele castanha ...

- Algum de vocês já viu um bebé de cor castanha? - perguntou o Vasco, numa tarde, aparentemente sem motivo nenhum.
- Claro. E tu também já viste. Por exemplo a mana da R, a K é de cor castanha e ainda é pequenina...
- Ahhh, simmm... - responde o Vasco aparentemente elucidado sobre a questão
Passado um bom bocado.
- O tio Fernando nasceu castanho???
***
No meio do almoço, feijoada (feita com feijão preto) de choco.
- Olha o que estamos a comer. Feijões como o tio Fernando e choco como nós...
Ana Cristina

segunda-feira, setembro 23, 2013

As coisas mais simples que os filhos nos ensinam...

Iamos as duas pela rua e eu tentava explicar-lhe como não é bom interromper os outros quando estão a falar, principalmente para dizer e perguntar algo sem qualquer tipo de relação com a conversar. Que era uma coisa pouco respeitadora com as pessoas que falavam. Que uma coisa era participar na conversa e que outra diferente era interromper por si só. Algo deste género.
A certa altura dei por mim a dizer:
- Olha, por causa disso é que há um provérbio, que eu por acaso não gosto nada, mas que me está a ocorrer agora e que é «quando um burro fala, os outros baixam as orelhas»...
Por acaso senti-me verdadeiramente parva ao utilizar um provérbio que eu não gosto e que parece sempre insultuoso sem, ainda por cima, ser minimamente cómico... e ela:
- Oh mãe, isso não faz sentido nenhum... porque, se os outros burros baixarem as orelhas, também não ouvem o que o primeiro está a dizer...
E fez-se luz porque razão, de facto, o provérbio me pareceu sempre tão absurdamente... estúpido... e redutor da inteligência alheia...
Com a minha rapariga, nesse dia, terá sido certamente a última vez que o usei.
Rita

terça-feira, setembro 17, 2013

Mais uma história de filas de supermercado quando se está grávida

Parece-me que todas as grávidas terão histórias das filas do supermercado e dos assentos prioritários nos autocarros... eu não serei excepção...
 
Sexta-feira, Pingo Doce, hora de ponta, que é o mesmo que dizer perto da hora de almoço, quando vão os senhores velhinhos todos.
Eu na fila prioritária.
À minha frente, talvez cinco clientes. Três deles idosos. Mesmo à minha frente, a típica senhora resmungona, não idosa, não grávida, não deficiente, mas provavelmente com a característica cegueira selectiva de muita gente das filas prioritárias e ainda por cima com necessidade de resmungar sobre tudo e todos. Inclusivamente sobre o facto de estar numa fila «para reformados». Mecanismos de cegueira activados, mesmo quando eu encontrei uma conhecida com carrinho de bebé a quem respondi, alto e bom som, que estava grávida de uma miúda.
De repente, um homem novo, estrangeiro, com aspecto de romeno, dois items na mão, questiona a senhora imediatamente atrás de mim, se pode passar porque só tem duas coisas para pagar. Mediante resposta afirmativa, tornei-me completamente invisível, tendo o senhor ido fazer a mesmíssima pergunta à resmungona da frente. Menos compreensiva, diz-lhe que não, que era o que faltava, que ela só tinha uma coisa e estava na fila (correcto, mesmo que na fila prioritária). Não contente, continua na resmunguice, desta vez contra todos os estrangeiros, que pensam que chegam a Portugal blá blá blá e passam à frente nas filas...
A senhora da caixa repara que estou grávida. A resmungona está prestes a ser atendida e eu acho que não vale a pena fazer-me valer do meu direito, ressalvo que havia outras pessoas em situação de prioridade (não a resmungona, entenda-se). A resmungona repara que estou grávida (grande surpresa!) e que não pedi a ninguém para passar à frente, como o dito estrangeiro, blá blá blá, mais uma série de parvoíces xenófobas.
Tenho vontade de lhe dizer que não vejo a coisa assim e que não tenho nada contra quem vem para Portugal trabalhar e tentar a sua sorte, tal como não vejo mal nenhum português tentar o futuro num qualquer estrangeiro. Tenho vontade mas não digo, tenho mais vontade de me despachar e ir embora, estou cansada e muito trabalho me espera em casa.
A senhora atrás de mim vem interceder pelo senhor estrangeiro, perguntar-me se me importo. Olho diretamente para o senhor e explico-lhe que não estou de acordo, porque ele está numa fila prioritária, porque estou grávida, porque estou cansada de estar a pé, porque talvez ele devesse estar a pedir o mesmo favor em outra fila, faria mais sentido. A senhora atrás de mim continua a interceder pelo senhor e tenta dizer-lhe para passar à minha frente, que pode fazê-lo, que é só uma coisa. A senhora da caixa intercede por mim, que ninguém passa à frente de ninguém que não o autorize. A resmungona fica a resmungar contra todos os estrangeiros que vêm para Portugal, inconsciente do facto de, nos tempos que correm, são cada vez menos os de fora que procuram oportunidades cá dentro e cada vez mais os de dentro que correm lá para fora, o que significará alguma coisa.
Pago e venho-me embora, cansada e irritada contra tudo e todos, as resmungonas que resmungam contra todos os outros, mas que se sentem no direito de usufruir direitos que não são seus, os ceguetas que nunca vêm uma grávida na fila prioritária, os que pedem a prioritários para lhes passar à frente porque só têm um item para pagar, os que pensam que, independentemente do que se disse, podem ignorar e passar à frente na mesma... raios...
Rita

terça-feira, setembro 10, 2013

Fórmula de hoje

Rescaldo da Festa do Avante + tarde de trabalho um niquito mais puxada + reuniões escolares dos filhos + filhos a demorarem a deitar-te nos últimos dias + previsão de um acordar mais cedo para toda a gente cá em casa amanhã + previsão do início do ano escolar + previsão do trabalho da festa de aniversário da Alice nos próximos dias

=
De rastos

Rita

terça-feira, setembro 03, 2013

Noções de economia do Vasco, de 04 anos

Enquanto viamos uma reportagem na televisão, há uns dias:
- Mãe, depois vamos para aquela piscina.
- Aquilo não é uma piscina, é um cruzeiro. Um barco grande, tão grande que até tem piscinas lá dentro. E depois as pessoas compram uma viagem e vão passear naquele branco enorme e podem fazer aquilo, ir à piscina, fazer ginástica...
- Depois vamos para ali, para aquele piscina.
- Oh! É muito caro, custa muito dinheiro. Quem compra?
- Eu compro...!
- Sim? E com que dinheiro?
Pequeno momento de silêncio, e logo a seguir:
- Tu dás-me o dinheiro e eu compro.
Rita

segunda-feira, setembro 02, 2013

As decisões dos filhos

Este post também se podia chamar: "Caneco-como-custa-por-vezes-respeitar-as-decisões-dos filhos..."
 
Tinhamos decidido que este ano voltavam à natação. Mesmo que só uma vez por semana, para mim é essencial que aprendam a nadar, a desenrascar-se dentro e à tona da água.
Havia depois as outras actividades. Sem aula de ginástica para a sua idade e depois de ir ver uns minutos de karaté da aula de um amigo, o Vasco falava incessantamente da arte marcial. O que, claro, tem tudo a ver com ele e com as suas paixões heróicas dos últimos tempos...
 
Com a Alice a coisa era mais difícil. Anda na ginástica rítimica há dois anos. Os treinos são intensos, duas horas, três vezes por semana, a levar a flexibilidade até um novo patamar. A mim encanta-me vê-la, é tão elástica e tem tanto jeito... Mas confesso que até nós percebemos que o ginásio não tem conseguido motivar a prática, as miúdas treinam um ano inteiro no duro para exibirem um esquema de minutos num sarau do final do ano. É desmotivante e fez-me encarar a perspectiva da competição de uma forma que nunca tinha pensado, como algo muito mais estimulante do treino. Isso ou a representação. Mas vejamos, até eu, nos meus tempos áureos de miúda nos arrabaldes de Lisboa, fiz muito mais exibições de patinagem artítisca do que ela de ginástica rítmica.. e ela pratica-a com muito mais seriedade...!
Como também ela tinha referido o karaté, demos-lhe a escolha. E ela, com toda a naturalidade, prescindiu da ginástica e seguiu por outro caminho.
 
Confesso que fiquei triste. Não lhe vejo grande tendência para o karaté, mas por outro lado, na ginástica a miúda é um espectáculo. Só não brilha ainda... e talvez eu tivesse a esperança que viesse a fazê-lo, a erradiar aquele brilho de que tem a sorte de, na vida, encontrar coisas em que conjugue o talento com a paixão. Mas claro, ela tem direito a encontrar as suas paixões... ou a escolher outra coisa qualquer, mesmo que não a apaixone... Eu só tenho que respeitar e apoiar, eu sei...
Mas convenhamos, que às vezes custa, custa.
 
Rita

domingo, setembro 01, 2013

Por falar em interpretações...

Portanto, a fazer fé no telejornal de hoje, o Senhor Primeiro Ministro acha que os Juízes do Tribunal Constitucional têm um problema de interpretação da Constituição... os senhores Juízes que não fazem outra coisa que não seja estudar, debater e interpretar a Constituição Portuguesa, são esses, né...? São os mesmos que votam em maioria contra as propostas do Senhor Primeiro Ministro, certo...?
Mas isto deve ser só a minha interpretaçãozita...
Rita

quarta-feira, agosto 28, 2013

Três... a conta que nós fizemos...

São engraçadas as reações quando se conta que se espera um terceiro filho.
Há o grupo grande - talvez não tão grande, mas grande para nós, porque é o nosso grupo, a família, alguém lhe chamou há poucos dias "a nossa comunidade" - que se abre num sorriso de felicidade pelo aumento do "nós".
Há aqueles em menor número, que revelam um pouco de inveja da nossa novidade.
Há um grupo de incrédulos, que diz que somos doidos.
Outro, também de espanto, que nos qualifica de corajosos.
E penso que talvez outro pequeno, com apenas espanto pela decisão e talvez a fazer interiormente contas à vida, à nossa, entenda-se.

Vivemos tempos menos fáceis, é verdade. Cá em casa há dois funcionários públicos, por isso são escusadas palavras (espero).
Será por isso que se fala em coragem...? É preciso ter coragem para ter filhos? Ou apenas para ter mais um filho, tendo em conta os tempos que correm? Ou é por nos aventurarmos nos três?
Acho que é bom poder ter, claro. Mas o essencial é querer ter, não? Essas deverão ser sempre as duas ideias subjacentes ao desejo de ter um filho: querer e poder. A disponibilidade, o tempo, isso vem por acréscimo da motivação. Até a facilidade... é estranho, mas, havendo coisas em que ter mais um dificulta, em outras só facilita. Tornamo-nos obrigatoriamente menos preguiçosos, menos picuinhas, mais pacientes, mais ágeis... até, penso eu, mais novos...
Hoje, a Ana contava as dificuldades de pôr o único filho na cama, adormecê-lo durante uma hora e meia, ao colo, em absoluto silêncio. Perguntava como conseguiamos nós, as amigas, ter hobbies, costurar, cozinhar, quando tinhamos dois. A resposta tem a sua simplicidade. Há coisas que não se conseguem com dois. Não dá. O segundo não permite. Por isso, nem sequer se pode ou se pensa nisso, há automaticamente que explorar outras soluções. E, estranhamente, ganha-se, fica-se com mais tempo, mais capacidades na resolução de situações, mais sentido prático, mais pragmatismo.
Claro que nas rotinas diárias, ter mais um não ajuda. Agora, que temos estado uns dias cá por casa sem filhos, acordamos mais tarde, comemos qualquer coisa. Mas, ao mesmo tempo, quando estão cá, também os obrigamos a uma maior independência, autonomia.
 
Claro que tudo isto são pensamentos. Os meus. De quem espera mais um. E anseia por ele, signifique o que significar. Mais trabalho?! Quero lá saber... Nem sei se sou corajosa... sou, neste momento, só mais feliz...
Rita

terça-feira, agosto 27, 2013

Decisão de hoje

Fala-se muito sobre o facto de irmos deixando de fazer coisas à medida tendo filhos... ok, isto parece estranho... mas que nos descontraimos perante mais uma experiência... e que isso começa na gravidez.
De facto, há algo de verdade nisto. Tinha pensado que iria tirar muitas fotos, uma com a mesma roupa, no mesmo local, de mês para mês (algo que uns primos fizeram e que sempre achei uma ideia excelente). Nada. Até agora, quase não tenho fotos.
E foi isso que me fez tomar uma decisão, hoje. A partir de agora, que estou de 22 semanas de gravidez (cinco meses e meio, mais coisa menos coisa), vou tirar uma foto minha todas as semanas. Vou ali pôr um alarme semanal no telemóvel e já venho.

 
A ver se na próxima me lembro de tirar dali o cadáver do manjerico.
Rita

sexta-feira, agosto 23, 2013

O Chiado



Parece-me inacreditável que tenha sido há vinte e cinco anos.
Eu tinha 12, estava de férias em Viana do Castelo e lembro-me de se falar nisso durante dias e telejornais a fio. Toda a gente devia conversar sobre o assunto, de tal forma foi gigantesco...
Quando eu e o meu primo Pedro viemos para Lisboa, pedimos à minha mãe para ir ver o que restava do Chiado. A ideia que tenho é que a maior parte do entulho já tinha sido retirada das ruas e que tinham construído uma passagem em metal pelo Chiado, uma passagem bem resistente, cinzenta e com tejadilho, como uma espécie de mórbida ponte sobre a desgraça. Recordo-me de estar excitada com a perspectiva de visualizar ao vivo o tão grande horror que tinha acontecido, mas de ter ficado tão impressionada com o cheiro a queimado e o cenário de destruição, que me fartei de ter pesadelos a noite inteira. Nunca mais me esqueci.
É esquisito pensar que tenha sido há tanto tempo, acho que não calculava que fosse há tanto. E é bom pensar que, apesar das más recordações e das duas mortes, o Chiado e Lisboa deram a volta, resistiram, sobreviveram, reconstruiram-se, refizeram-se.
Rita

Eheheheh, consegui resistir a escrever sobre a bebé e a gravidez e tudo o que sinto neste momento, viva...

quinta-feira, agosto 22, 2013

A tão esperada eco

E foi assim que, ontem, entrámos todos para o consultório onde iria decorrer a ecografia morfológica e, durante uma hora, pudemos ver o novo membro da família por inteiro. Braços, pernas, nariz, boca, dedos das mãos e pés, coração, estômago, rins, cérebro, diafragma, sangue para um lado e para o outro. E também um "pipi".
Nos meus interiores mora então uma miúda, com cerca de 442 gramas de peso, ou seja, percentil 50 (o peso médio que parece que os meus gostam de perder após o nascimento).
 
Para nós, desta vez, o género era indiferente, se bem que tendo a pensar que será melhor para o Vasco ter o síndroma de sanduiche conseguindo, pelo menos, manter um lugar único na família, o do rapazola. É engraçado, para quem como eu já quis tanto ter só filhas meninas, voltar a pensar com agrado em vestir os antigos vestidos da Alice, ao mesmo tempo que se sente alguma pena em ter a ideia que vai perder a hipótese de ver repetidas as conversas do pirralho lingrinhas sobre músculos e super-heróis...
Os manos estão contentes, isso é bom.
E a miúda, ainda em regime de SPA, permanece indiferente a tudo isto e também ao facto de ser ainda uma mulher sem nome. Já comunica, desde a semana passada (20 semanas), primeiro em movimentos suaves e quase impercetíveis, e agora cada vez mais e melhor, várias vezes por dia. Chamei-os há uns dias, para encostarem as cabeças à barriga, comigo deitada (era a única posição em que na altura eu sentia alguma coisa). A Alice reconheceu (?) um pontapé... o Vasco disse que ela estava a chorar lá dentro...
 
Agora é que isto vai começar a ser mesmo mesmo MESMO fixe...!
Rita

segunda-feira, agosto 12, 2013

Até agora...

Cinco meses.
Estou com cinco meses de gravidez e tinha planeado para mim mesma falar aqui nestes dias a passar e em tudo o que eles me trazem... ainda por cima tendo em conta que não passarei mais vezes por isso... E afinal...
Veio o final do ano lectivo, e as férias, e a gravidez, e alterações de férias de última hora, e coisas de saúde... e às vezes a noite chega e não me apetece fazer rigorosamente nada, só aproveitar para descansar depois dos miúdos irem para cama... e tudo o que penso e sinto vai ficando para depois, para escrever mais tarde, num outro amanhã...
Portanto, que é assim. Amanhã começo.
Rita

quinta-feira, julho 04, 2013

O Pilas está outra vez internado...

Desde ontem. Por agravamento da insuficiência renal e consequente desidratação, emagrecimento. Parece ter ainda a mesma infecção urinária para a qual já fez vários ciclos de tratamento e que se mantém resistente a quase todos os antibióticos.

:((( Ana Cristina

Sai o Pedro Sai o Paulo??

"Entra o Pedro, entra o Paulo
Dois rapazinhos a saltar à corda
Um chama-se Pedro, outro chama-se Paulo
Sai o Pedro, sai o Paulo."

É impressionante como algumas cantilenas de quando eramos miúdos se mantêm actuais...
Rita

quinta-feira, junho 20, 2013

Eu também declaro, tal como a Alice Vieira, que sou contra qualquer luta dos trabalhadores!

DECLARACÃO ANTIGREVE:


Eu, .................................................................................................................................................. ,

NIF . ....................................................., Trabalhador/a da empresa................................................. ,

DECLARO:


QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.

QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquertipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,

EXIJO:

1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5 º. QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves , piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer beneficio actual ou futuro que se consiga por meio da greve.
 
Alice Vieira

Ao que parece, esta declaração circula nas redes sociais como sendo da autoria da Alice Vieira, a escritora. Não sei se é verdade mas gostava de aqui dizer que, qualquer que seja a sua autoria, subscrevo inteiramente quem a escreveu.

terça-feira, junho 18, 2013

O Bairro da Estrela Polar

O livro que aqui mostro é um dos que entraram na minha biblioteca recentemente e aguardava na prateleira dos "a ler em breve". Levei-o para férias e foi o primeiro a ser lido. 
Em primeiro lugar escolhi-o porque, tenho lido pouco de autores portugueses, que me parece ser uma falha na minha auto-formação como leitora. Deste autor, Francisco Moita Flores não tenho experiência suficiente para emitir uma opinião bem fundamentada. Li apenas Ballet Rose, que foi escrito em parceria com a jornalista Felícia Cabrita. Nessa altura gostei da obra, escrita à laia de pesquisa policial. Deu, mais tarde, mote para uma série televisiva que, na minha opinião não seguindo rigorosamente a história contada pela publicação serviu para começar a alertar para os hábitos sexuais perversos de algumas figuras poderosas (para quem não sabe ballet rose foi um escândalo sexual, penso que nos anos 60, que envolveu gente importante e poderosa do regime e que terminou com a absolvição das pessoas importantes e na condenação de algumas prostitutas. Caiu no esquecimento até que um dia alguém fez a ligação ao caso casa pia...). Resumindo, de Francisco Moita Flores tinha a ideia, muito baseada no conhecimento de algumas séries televisivas mas também porque muitas das suas obras são passadas para o pequeno ecran, que será um bom cronista, com escrita leve e de fácil compreensão, não que os temas sejam leves ou fáceis, mas muito visual e transparente na descrição das personagens e ambientes.

Deste, porque é deste livro que se trata este post posso dizer que gostei. Escrito numa linguagem de leitura fácil, que remete para um ambiente de bairro urbano em Lisboa, onde as personagens principais são à luz da lei criminosos, mas solidários e amigos dos seus amigos. 
"O Bairro da Estrela Polar" lembra-nos as grandes desigualdades sociais, os ambientes familiares pautados pela pobreza económica cultural e social, o narcotráfico e o crime organizado como carreira profissional, a falta de esperança no futuro e o convívio com as armas e ambientes agressivos. Ficamos a simpatizar com as personagens e até acabamos por torcer que os seus esquemas lhes corram bem. 
Do autor fiquei mais ou menos com a ideia que tinha e, para reforçar a minha ideia apercebi-me que em breve este livro vai servir de argumento para uma série televisiva. Aconselho a sua leitura.

O Bairro da Estrela Polar, de Francisco Moita Flores. Edição Casa das Letras - Leya, 2012
ISBN 978-972-46-2127-2
Ana Cristina

segunda-feira, junho 17, 2013

Foi tão bom...

... fazer nada e depois descansar. Foram uns dias descanso, com tempo para quase todos os gostos. Visitámos lugares já conhecidos mas que são sempre bons de voltar, melhores ainda quando têm poucas pessoas de férias. Deu para ler uns livros, que em breve poderei mostrar. Mas as férias, por agora, acabaram e hoje é dia de voltar ao trabalho e à luta.
Ana Cristina

quinta-feira, junho 13, 2013

O nosso Santo António


Cá por casa também houve arraial... decorámos o páteo e partilhámo-lo numa grande sardinhada com os vizinhos, alguns familiares nossos e alguns familiares dos vizinhos... a festa manteve-se até à hora de ir buscar a Alice, que regressava de marchar na Avenida com a escola (promete-se a explicação para outro dia...)...
Como se não tivesse a festa sido suficiente na noite de Santo António, continuámo-la no dia, com os vizinhos e uma nova ementa.
Por cá, as festas de Lisboa ainda estão longe de terminar... planeiam-se mais marchas, um noite de fados e uma noite de Mouraria algures... pelo meio, um sarau de ginástica, o final do ano lectivo, um acantonamento com a turma... Em resumo, muitos afazeres.. e dos bons...
Rita

quarta-feira, junho 12, 2013


Na noite de Santo António
Vamos todos ao arraial
Mas não vamos esquecer
De fazer GREVE GERAL 

No dia 27 de Junho, a não esquecer. Imagem e quadra adoptada daqui.
Ana Cristina

quarta-feira, junho 05, 2013

Eu avisei o S. Pedro, mas ele não ligou nenhuma

O tempo hoje não colaborou nas nossas intenções de ir para a praia. Fomos na mesma porque, teimosos, achámos que, quando a tarde chegasse, o Sol aparecesse por detrás das nuvens. E ainda fizemos umas duas horitas de tempo encoberto mas agradável desde que protegidos do vento. Depois desse tempo viemos corridos com o vento que soprava do lado da aragem, como diz uma amiga, por sinal alentejana e da zona. 
Apesar das previsões não serem animadoras, acredito que amanhã vai melhorar. Ou não fosse eu uma esperançada.
Ana Cristina

terça-feira, junho 04, 2013

Duas primeiras vezes... hoje e ontem

Hoje foi o primeiro dia de praia deste ano. Um bom dia de Sol, na Costa Vicentina colaborou e, a vontade de praia e bom tempo também já era muita. verdade (Dizem que vai piorar mas, como imaginam, ignoro as más notícias até ser obrigada a conviver com elas. Aliás, já fiz saber ao S. Pedro que estou de férias e não trouxe roupa a contar nem com frio nem com chuva.)

Ontem foi a primeira vez, em toda a vida, que pintei as unhas dos pés. Tenho memória de andar a passear na rua com a prima Beca e as amigas e de elas me elogiarem as unhas das mãos pintadas, mas que me lembre nunca pintei nem as das mãos nem as dos pés. Foi ontem, de vermelho, com muita falta de arte mas com o resultado que imaginava. Mostro aqui, para que possam testemunhar a minha proeza.
Ana Cristina

quarta-feira, maio 29, 2013

A minha Nanda

Hoje, foi-se mais uma das minhas pessoas. Família de coração, daquelas pessoas que estão e estiveram sempre lá, que recordaremos sempre e que fizeram de nós o que somos.
A Nanda Mãe era, numa daquelas brincadeiras muito nossas que não deixam de ser verdade, a minha "avó postiça", a única que eu na minha infância tive sempre a dois passos de casa, uma vez que as outras estavam em Viana do Castelo, tão longe... Com ela eu tive direito a outras pessoas que também preencheram a minha vida... e a muita aprendizagem e convívio felino, que naquela casa sempre imperaram muitos gatos... aliás, foi pelas mãos dela que a Fera, a minha primeira filha, chegou à minha família... com ela tive direito a um armário mágico cheio de livros e brinquedos... à água bebida em copinhos de licor... a ouvir falar interminavelmente durante as telenovelas... a saber o que era um presente na altura em que mo era dado e sem que tivesse tido tempo de o desembrulhar... a uma voz muito rouca sempre pronta a disparatar, mas também a rir muito... nos últimos anos, a telefonemas em todos os dias de aniversário meu e dos meus filhos... a sensação de disponibilidade, sempre muita e toda para mim...
A minha Nanda Mãe partiu hoje. E, sendo óbvio que ninguém dura para sempre e que, depois do que não se dura, perdura tudo o que se viveu e construiu, a verdade é que eu estou triste e a minha família ficou bem mais pobre...
Rita

segunda-feira, maio 27, 2013

Ontem, a fazer umas experiências com a máquina fotográfica...

... tirei esta foto. A ideia era fotografar a estante dos livros especialmente umas prateleiras que eu gosto mais para fazer um post a lembrar a Feira do Livro.
E afinal a fotografada fui eu...
Olá cá estou eu!
Ana Cristina

sexta-feira, maio 10, 2013

E o resultado foi este...


Dois frascos pequenos de um doce espesso e escuro e quatro frascos de 250 ml de doce mais fluído e de  uma cor mais de acordo com a fruta que lhe deu origem.
Os restos ficaram numas tacinhas para as várias provas que cá em casa se fazem. Até agora houve dois votantes e os dois doces de morango, feitos em dias seguidos com algumas diferenças, estão empatados.
Ana Cristina

terça-feira, maio 07, 2013

Uma primeira experiência

Diz o ditado popular que há sempre uma primeira vez para tudo. E hoje foi a minha primeira vez a fazer doce. Quem me conhece bem sabe que cozinhar não é das minhas actividades favoritas. Aliás, diga-se sinceramente que não é nem das favoritas nem das frequentes porque cá em casa há quem goste bem mais de cozinhar que eu, o que é uma sorte para os dois. Na cozinha o que gosto de fazer são mesmo as experiências culinárias, como pequenas entradas que um dia ouvi falar ou alguma receita pouco habitual. Nunca bolos ou doces, a não ser as rabanadas  ou o arroz doce no Natal.
Desta vez, e porque noutro dia me explicaram como sendo uma receita muito simples e eu fiquei com vontade de experimentar, fui fazer algo completamente diferente. Doce de Morango. 
Está com ar apetitoso não está?
O mais engraçado é que amanhã vou fazer outra vez Doce de Morango. Uma experiência em duas fases porque não havia açúcar amarelo suficiente. Amanhã, a segunda parte do doce será com açúcar branco. E, entretanto, tenho de ir comprar frascos, que hoje só depois de ter tudo a ferver é que me lembrei que faltavam.
Amanhã mostro o resultado.
Ana Critstina

quinta-feira, maio 02, 2013

Lembrando a História - 68 anos

No dia 2 de Maio de 1945 as tropas soviéticas libertaram Berlim do controlo nazi. A não esquecer.
A foto foi adoptada daqui.

Ana Cristina

Do Vasco para o primo

Em consulta às fotografias, reparei que ainda não tinhamos mostrado a prenda para o António, a condizer com as das irmãs... a da mais velha... e a da do meio...
Desta vez usámos um desenho do Vasco. Talvez por causa da infantilidade do desenho, ou das cores ou do tamanho, adorei o resultado:



Rita

quarta-feira, maio 01, 2013

O nosso dia de hoje

Hoje, para comemorar os dois anos da nossa pequena amiga Teresa, rumámos ao Jardim Zoológico para passar o dia... um dia magnífico, como se quer... com passeios por áreas não exploradas em outras visitas, animais ainda nunca vistos... Foi óptimo ver o entusiasmo do Vasco, desta vez crescido o suficiente para usufruir do espaço... pelo menos até às 17H00, quando os nossos amigos já se tinham ido embora e o pai estava quase a chegar para nos vir buscar... foi só nessa altura que o cansaço pegou, que os pés lhe doeram e ele até confessou o sono...


Rita

Dia do Trabalhador

Ana Cristina

sexta-feira, abril 26, 2013

Menino da Laranja - Elis regina

Hoje esta música seguiu-me por todo o lado. Apetecia-me cantá-la no serviço esta noite, vim a trauteá-la no carro e, quando acordei depois do merecido (e curto) descanso ainda a ouvia.
Resolvi o problema com uma pesquisa no You Tube, para a partilhar com todos vocês. Não a encontrei com o vídeo da Elis a cantar mas esta montagem agradou-me.
Espero que também gostem.
Ana Cristina

terça-feira, abril 23, 2013

Dia Mundial do Livro

Hoje, para comemorar, cheguei a casa com esta preciosidade:

 


Veio a calhar, nunca li (nunca lemos!) o Peter Pan e este está todo feito em torno de um pop-up que é uma autêntica obra de arte... A prenda foi para toda a família e mal vejo a hora de começarmos, noite após noite, a desvendar a magia...
Rita

segunda-feira, abril 15, 2013

A rapariga que roubava livros


Como muitas vezes me acontece, atraiu-me o seu título. A capa também tinha qualquer coisa de enigmático - um desenho muito simples de uma rapariga que parecia dançar com a morte - e, sem outro motivo, o livro saiu do expositor da livraria, saltou-me para as mãos, e ficou lá. Em casa esperou o momento oportuno para ser lido, o que para dizer a verdade foram vários meses (quase dois anos).
Li-o nos últimos três dias e gostei muito. Gostei da história e da forma como está contada.


Contada por um narrador muito especial, a morte, trata de uma Alemanha nazi em plena 2° Guerra Mundial. Um país também povoado de cidadãos amedrontados e impotentes perante o rumo da História, e do poder crescente do nazismo. Onde a consciência das injustiças perante a descriminação e perseguição dos judeus (e dos que estavam contra o regime, denominados de comunistas) estava presente em parte dos cidadãos alemães, mas a impotência e acima de tudo o medo eram os sentimentos dominantes. 
Nesta história a personagem principal é uma rapariga que, rodeada de morte e de solidão, mas também de amor, raiva e desespero descobre o poder dos livros. Primeiro como objectos, depois como portadores de histórias. A rapariga que roubava livros descobre, no fundo, o poder das palavras.

Uma boa sugestão de leitura, para quem necessitar.
Ana Cristina