domingo, março 23, 2014

Sete dias de... Oficinas

Transmiti à Cristina o desejo de continuar com o "Sete dias de..." e lancei-lhe o desafio de o fazermos esta semana com as Oficinas. Cá vai:

Domingo: Xulé em elaboração, com a companhia do filho-gato da Cristina
 
Segunda: o retoque na prenda de aniversário que fiz para a Cristina, mesmo antes dela sair cá de casa, depois de um encontro para os projectos das Oficinas
 
Terça - o pormenor de um Xulé em elaboração 

Quarta - trabalho numa prenda para uma amiguinha
 
 Quinta - a fotografia que a Cristina me enviou das meias todas que há lá por casa

 Sexta - uma pequena parte de uma brincadeira que a Cristina fez para uma colega recém-divorciada
 
Sábado - a fotografia é péssima, mas tendo em conta que pretende retratar o meu bloqueio criativo a impedir-me de realizar uma prenda para outra amiguinha, acho que acaba por não estar mal de todo...
 
Rita
(pelas Oficinas)

quinta-feira, março 20, 2014

Desafio de hoje

Hoje, no Dia Mundial da Felicidade, para começar bem o dia a lembrar-me da minha, tive que tratar dos putos todos sozinha. O João tinha ido trabalhar para fora de Lisboa e tinha saído mais cedo do que a hora do despertador: 07H30.
De forma que, para tentar resumir bem a coisa, foi assim:
Acordar, tomar banho, vestir a roupa já previamente preparada.
Acordar os putos, insistir com o Vasco para ele sair da cama, gerir a crise da Alice quando reparou que a Fada dos Dentes não lhe tinha deixado o presente, levar-lhes as roupas para a sala para se vestirem, convencer a Alice que eu própria iria procurar melhor dali a um tempo.
Pôr a água a ferver para fazer a massa de acompanhamento ao frango da Alice para o almoço; preparar o resto da lancheira (a sopa, a fruta, os iogurtes, as bolachas).
Ir à cama da Alice procurar o presente da Fada, a Alice mesmo ali atrás, encontrar o presente, vê-la toda contente com os brincos novos, crise resolvida.
Ajudar a Alice a preparar os flocos dela.
Chatear-me com o Vasco porque, no tempo todo que passou, ainda não tirou uma única peça de roupa.
Tratar do resto do almoço da Alice. Tratar do lanche do Vasco.
Chatear-me mais com o Vasco. Pô-lo a despachar-se em relação à arrumação do pijama e à escolha dos sapatos.
Fazer o pequeno-almoço do Vasco.
Acudir à Joana, a começar a choramingar lá dentro, dar-lhe a chucha, pôr o mobil a rodar, acender-lhe a luz.
Ir à padaria comprar o pão.
Fazer o pão para a Alice, preparar o meu pequeno-almoço.
Dar uma dentada no pão, um gole no leite, empurrar os putos para irem escovar cabelos e dentes.
Dar uma dentada no pão, um gole no leite, ir buscar os lençóis para que a senhora troque as camas.
Dar uma dentada no pão, um gole no leite, levar as mochilas e lancheira para perto da porta de saída, juntamente com os convites para a festa do Vasco e os livros para lhe ler na sala.
Dar uma dentada no pão, um gole no leite, empurrar a Alice para vestir o casaco, enquanto o Vasco se lembra da necessidade urgente de fazer cocó.
Trazer a Joana e vesti-la para a levar a conhecer os colegas dos manos.
Dar a Joana para o colo da Alice, dar as restantes dentadas no pão e goladas no leite, tratar do Vasco, empurrá-lo para vestir o casaco.
Ir buscar a mala previamente preparada, agarrar na Joana, empurrar os outros para a porta, para porem as mochilas, para ajudarem a carregar as minhas coisas.
Voltar atrás para pôr um dos brincos à Alice, o outro não, para ver se o furo fecha.
Atravessar a rua e pôr toda a gente dentro do carro, Alice que pôr o cinto sozinha e ajuda o Vasco a pôr o dele enquanto eu coloco a Joana no ovo.
Ir.
Mesmo com todo o nervosismo e stress e pressa e acusações ao puto sanduiche que não faz nada para nos despacharmos, conseguir que a Alice chegue só dez minutos atrasada, grande VITÓRIA, prova superada!!!
Rita
 
De notar que já chegámos a ter este atraso e a sermos dois adultos com duas crianças.

quarta-feira, março 19, 2014

Apresento-vos o Xulé 27#


Feito especialmente para a sobrinha Joana, e oferecido antes do seu nascimento o Xulé 27# tem sobretudo uma aparência alegre.

Foi aprovado pelo controlo dos irmãos mais velhos mas, por enquanto tem sido poupado dos testes de resistência a que são sujeitos os deles numa tentativa bem sucedida de respeito pelos brinquedos da mana bebé. Já é alvo de alguns períodos de observação por parte da sua pequena dona. Actualmente companheiro de berço (ou companheira porque tem ar de menina) adivinha-se que possa ser protectora de noites bem dormidas como são os da Alice e do Vasco. 

Tal como os outros Xulés foi feito integralmente à mão. Os materiais usados foram; meia, enchimento sintético anti-alérgico, botões e guizo.
Ana Cristina



terça-feira, março 18, 2014

De desenhador a escrevinhador

Parece que agora, na escola, na escolha das actividades que quer fazer, opta sempre pelo desenho. Antes tinha que ser empurrado, agora descobriu que é algo que gosta e que, ainda por cima, consegue fazer sozinho - do que se congratula, em resposta às nossas tantas solicitações para que brinque sozinho quando a irmã não lhe apetece e decide então "alapar-se" a nós.
Os desenhos acumulam-se cá por casa, mas para além destes, o Vasco tem vindo a descobrir também o prazer de outro tipo de desenho: o das letras. No outro dia enchemos uma folha inteira de palavras, primeiro de nomes que ele foi pedindo ou que nos fomos lembrando, em seguida as contidas nas cartas de um jogo para o efeito que anda cá por casa... e por fim, como não poderia deixar de ser, os nomes dos super-heróis, pois claro...

 
Rita

sábado, março 15, 2014

Um sábado...

... com direito a passeio pela marginal até Cascais, almoço na pizzaria e sobremesa de gelado na Santini, brincadeiras pelo restaurante, conversas e risos trocados entre férias, filhos e planos...
Não deixa de ser engraçado como, de entre este grupo de oito amigos gerados na esfera profissional...

... seis concorreram no mesmo concurso público; três conheceram-se melhor em 1998 e outros três em 1999, mas duas já se conheciam (pelo menos de vista) desde o ensino secundário e uma era grande amiga da cunhada de outra e um era grande amigo de juventude de um grande amigo da faculdade de outra; três andaram na mesma faculdade; dois namoraram desde muito jovens e tiveram uma casa que agora é a casa da irmã de outra, e depois tentaram ter uma casa perto da casa de outra que agora também já não mora lá, e agora têm uma casa aqui e outra em terras alemãs e dividem a vida entre cá e lá... e foram os mesmos dois que toda a gente ouviu dizer que não queriam ter filhotes e depois quiseram e não foi fácil e agora têm um, lindo e simpático de morrer; dois foram amigos quando tinham outras companhias e depois tornaram-se companheiros de vida e têm agora um miúdo simpático e sorridente a fazer companhia aos dois, mais velhos, que já andavam lá por casa semana sim semana não; dois são, para mim, das melhores companhias que se pode ter nas férias (o que é dizer muito) e sempre...

... e já tivemos tantos momentos, tantos, dos bons e dos maus, já nos acompanhámos em projectos, e dúvidas, e copos a mais, e choros em casa de banho, e depressões, e gargalhadas até às lágrimas...

... e, no meio de tudo isto, já fomos oito e agora vamos em dezassete, com uma mais velha que já se ressalva o direito de não se juntar a nós e uma mais nova, já nascida este ano...

... a fazer lembrar que, ao fim e ao cabo, somos como cartas baralhadas e trocadas e voltadas a dar... e como bom é fazer grandes amigos no meio profissional, mas melhor ainda é fazê-los durar para lá dos anos e das distâncias e dos momentos...






Rita

sexta-feira, março 14, 2014

Agora todo o tempo livre é a pensar nos novos projectos

Claro que esta é uma verdade só parcial. Mas na minha faceta que pertence às Oficinas RANHA é quase absoluta. Preparo novos Xulés. Imagino como os dispor numa possível mostra. Sonho com a possibilidade de usar a máquina de costura nestes ou noutros projectos (tenho uma máquina pequenina que ainda não usei porque não tenho o livro de instruções). Faço pequenos investimentos em materiais e muitas experiências com botões, linhas e tecidos. Em breve mostrarei os novos Xulés. 
 Ana Cristina

quarta-feira, março 12, 2014

Xulé 26#


As crianças amigas das Oficinas RANHA vão aumentando e recebendo os nossos Xulés, os bonecos de meia feitos à mão e com enchimento sintético que vamos tentando espalhar pelo país. O Xulé 26# foi entregue a uma menina especial que fez um ano no final de Fevereiro. Estava previsto recebê-lo desde que tinha nascido... Cor garrida e muitos corações para uma personalidade que se avizinha forte e a crescer rodeada de amor.
Ana Cristina

quinta-feira, março 06, 2014

Uma encomenda para uma amiga especial

Quando a Alice recebeu o Xulé dela ficou muito contente por saber que seria um modelo especial. Um toque de menina mais velha, que fica de pé,  e com uma saia de berloques tipo bailarinha de dança do ventre. Na altura prometi-lhe que só faria outro, sempre diferente mas igualmente de saia se ela o autorizasse. 
E por época do Natal passado recebi uma encomenda especial. Um Xulé de saia para uma amiga especial que sempre mostrou muito carinho pelo Xulé da Alice. Da encomenda constavam dois dados, que a sua futura dona gostava de cor-de-rosa e que o seu Xulé teria saia como o da Alice. Teve a aprovação da Alice que já aproveitou para fazer mais uma encomenda e ouvi dizer que também teve a adoração imediata da sua dona.
Saiu assim o Xulé 29#, que foi oferecido à Didi pela sua festa de aniversário. 
Ana Cristina
Aproveito para dizer que criei mais uma etiqueta, a dos Xulés.

quarta-feira, março 05, 2014

O nosso Carnaval

Quase que me esquecia de mostrar imagens das mascaradas deste ano...
Com vista a conseguir ser eu a fazê-las, já falávamos nos desejos deles desde Janeiro. É engraçado como alguns sonhos podem ser pueris, mas eu tinha este há muito tempo: conseguir fazer as máscaras de Carnaval dos meus miúdos. Este ano, também por estar de licença, mas essencialmente por ter começado a pensar e tratar do assunto com antecedência, o objectivo foi bem sucedido.
 
Para o Vasco, máscara de Batman: calças pretas de fato-de-treino + camisola polar com tecido preto a fazer de capa, cosido nos ombros, e aplicações do símbolo e do cinto em feltro amarelo + máscara + lança-morcego em musgumi

 

 

Para a Alice, máscara de Gótica (ainda estou para perceber onde foi ela arranjar esta ideia...!): leggings pretas + collants de rede vermelhos (quem diria que havia collants de rede para 8 anos?!) + saia tipo tule cinzenta + camisola preta com aplicações de caveira + colete polar preto com aplicações em feltro vermelho e preto, com ataches (de papelaria...!)...



... e, como a riqueza das coisas está nos pormenores, fazer uma espécie de pulseira com feltro vermelhor e ataches, pintar as unhas e o cabelo de preto, juntamente com uma boa maquilhagem, usar muitas pulseiras e colares alusivos...



Modéstida à parte, os putos estavam o máximo...
Rita

segunda-feira, março 03, 2014

Dois meses de Joana


 
Ficávamos as duas muito tempo em casa porque ela era pequena e o tempo estava uma treta lá fora. Quem tem bebés sabe como não dá jeito nenhum sair de carro quando chove: o "ovo" é um peso tremendo, não dá para andar com guarda-chuva, quando se tem uma chave de carro que só abre na ignição, tem de se andar às voltas até conseguir estar pronto para sair... Sair de carrinho está fora de questão, apanhariamos chuva e aqui à volta as ruas são extremamente inclinadas e os passeios são completamente tortos. Ter um filho em pleno Inverno chuvoso não é fácil e acabámos por ficar em casa a namorar-nos mutuamente.
Assim que o tempo melhorou, ala de pôr a miúda no sling ou no pano e começar a passear. No princípio, o efeito notava-se muito... um ou dois dias pendurada em mim e dava logo azo a momentos de muito mais choradeira quando se esperava que adormecesse na cama...
 
Então, nestes dois meses em que tenho vindo a conhecer a miúda e a miúda se tem vindo a conhecer a si e ao mundo, posso dizer - e não necessariamente por esta ordem de importância - que:
 
- Por data do primeiro mês, a rapariga começou a sorrir. Eram sorrisos inseguros, ainda o treino apalermado de uma expressão. De tanto treino, nosso e dela, a miúda agora escancara a boca toda e, como todos os bebés, fica o máximo. Sorri muito, para mim essencialmente - que, como diz a K., sou a sua pessoa preferida - mas também para o pai, irmãos (mais para a Alice, que lhe dá mais do seu tempo), tia Cristina, e qualquer pessoa que se meta com ela quando está bem disposta, na maior parte das vezes depois de dormir belas sonecas.
- Já conseguimos fazer horários regulares de refeições, que é o mesmo que dizer, de vida. O nosso dia/noite agora divide-se em grupos de seis horas, quatro, três e meia, três e meia, três e meia, três e meia - mas alteramo-los conforme nos dá jeito nos passeios e retomamo-los a seguir. Quando a casa está cheia com o resto da família, que é o mesmo que falar nos fins-de-semana, a miúda dorme muito menos de seguida, pensamos que por efeito do barulho.
- No final da tarde, teimamos em colocá-la na espreguiçadeira para conviver com o resto da malta. Ela ainda não parece achar piada nenhuma ao assento e chora na maior parte do tempo... revezamo-nos a quatro a colocar-lhe a chucha e, quando os ajudantes mais novos se vão deitar, a dois para lhe proporcionar o luxo de uma cadeira tremeliques...
- É a minha filha mais chorona, mas isso é dizer pouco, se acrescentar que a Alice não chorava nada e que o Vasco também o fazia em pouca quantidade. Recordo-me que brincávamos que a Alice não usava os vasos lacrimais e que, por causa disso, só tinha tido lágrimas já depois de um ano de idade. Na verdade, não há nenhuma fundamento científico para isto, o Vasco chorou desde sempre com lágrimas a correr pela cara abaixo e a Joana, que tenta fazer melhor usufruto desta capacidade de negociação, só fica com os olhos rasos e depois de alguma instência.
- Fora de casa, a sua posição preferida é a vertical e, quando começa a ficar com sono, a "vertical andante". Cá pela nossa vida doméstica, no mesmo estado aceita muito bem ser colocada na cama, chucha na boca e lençóis até às orelhas.
 
E, a minha preferida...
- Quando fomos à médica há um mês e lhe disse que achava que a miúda começava a tentar fazer as suas primeiras vocalizações, ela achou que ainda era cedo. Apesar disso, ao longo deste mês fui comprovando que era verdade. A rapariga adora que eu fale directamente com ela e que faça os sons equivalentes às primeiras palradelas e anda a tentar preparar-se para me responder à altura.
 
Rita

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Para cumprir a tradição...

... repetimos passeios pelas ruas de Lisboa, lanches em pastelarias famosas e andamos de eléctrico.
Com o pretexto de ir fazer umas comprinhas ou umas pesquisas de mercado para projectos das Oficinas RANHA, e dar um passeio numa bonita tarde de Sol, lá fomos nós para o centro de Lisboa. Numa tarde de irmãs com sobrinha incluída, resolvemos como é óbvio lanchar na Pastelaria Nacional. A Pastelaria Nacional é um local de visita para lanchar, que apesar de rara sempre agradável. Quase uma tradição implementada há uns 20 anos, nos tempos em que Lisboa ainda não era a cidade onde se vivia mas já seria onde trabalhava e estudava. Mas há cerca de 8 anos fomos lá lanchar com a Alice, há pouco mais de 4 quisemos ir com o Vasco e agora com a Joana. Lanchámos as três, primeiro a Joana do seu leitinho de mãe, depois nós, as adultas. E constatámos mais uma vez que um bebé pequeno faz toda a gente rir, mostrar o lado mais bonito da expressão tanto a adultos jovens como mais idosos, a portugueses e estrangeiros. E sem dúvida que serve para despoletar conversa, habitualmente sobre bebés, claro.
No fim da tarde rumámos a casa de eléctrico, noutra tradição bem mais recente.
Uma tarde bem passada a três.
Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Tesourinhos que se guardam durante muitos e longos anos...

As colegas começaram agora a comprar agulhas e lãs e a dar os primeiros passos na malha. Eu, que nem nunca fui grande artista na arte das duas agulhas; posso dizer que em toda a minha vida, que me lembre, fiz umas quatro camisolas para mim e uma para a "Nancy" sempre com ajuda da madresita; até tenho servido de formadora na aprendizagem dos pontos básicos. E claro que o entusiasmo também me contagiou. Fiquei com vontade de voltar a fazer umas experiências em malha em duas agulhas. Num primeiro passo resolvi ir buscar aos pais o material básico que usava em tempos, as agulhas e, quem sabe com sorte,  o cestinho onde as guardávamos em tempos. Nessa procura encontrei um tesourinho bem maior. Uma série de novelos de lã, ao que parece de produção portuguesa. Pela minhas observação devem ser bem vintage, diria mesmo "quarentage", a contar pelas cores de bebé e pelo estado das lã (estavam a desfazer-se) e pela etiqueta que as acompanhava. Calculo, pela ausência de lembrança de ver a minha mãe usar estas cores e da Rita ter nascido quase 8 anos depois de mim numa época em que a minha mãe já não tinha tempo pra roupas de bebé, que tenham sobrado do enxoval que a minha mãe fez para a sua primeira filha, eu. Imaginei a minha mãe, grávida a fazer casaquinhos e roupinhas para o seu bebé, que não sabia ainda ser uma menina...
As etiquetas são lindas e são bem claras quanto à origem nacional do produto.
Não resisti a mostrar-vos.
Ana Cristina


domingo, fevereiro 23, 2014

Desenhador compulsivo

No ano passado, quando comentei com a Educadora do Vasco que ele não gostava de desenhar e que parecia inseguro a fazê-lo, ela descansou-me e disse que muitas vezes era assim que se passava... transmitiu ainda que a experiência dela é que tal acontecia muitas vezes com rapazes, que demoravam a querer desenhar e que depois, quando começavam, não paravam...
Parece que ela tinha razão.

Este ano reparei que as Educadoras e as Monitoras de ATL andavam a insistir com o Vasco para ele pintar e desenhar. Apesar disso, ainda não o fazia em casa por sua iniciativa. Até à semana passada.
Na quarta-feira, quando o fui buscar ao ATL, quis trazer o desenho que tinha começado, mas só se dedicou a ele na quinta. Estava motivado e quando comentámos com ele que gostávamos muito de o ver a fazer desenhos, disse: «Eu gosto. Aprendi a gostar.»
Assim sendo, desde que aprendeu a gostar, o Vasco passou a dedicar-se muito aos seus desenhos. Desde quinta à noite, contando com todos os momentos fora de casa e as outras actividades mais domésticas, o Vasco fez cinco desenhos, cada vez mais coloridos e mais preenchidos. Estão todos ligados ao seu imaginário dos super-heróis e depois de os fazer, costuma dizer que são jogos para jogar (o pai descarregou recentemente um jogo da Liga da Justiça para o Ipad), ao que eu lhe digo que tomara que ele venha a ser um grande desenhador de jogos...

o Homem-Aranha rodeado de maus, sendo que à direita há um mau que é vampiro, com o seu filho também vampiro em baixo

o Batman à esquerda e topem-me os músculos todos do super-herói do centro

 o Homem-Aranha e o Super-Homem (a deitar raios de fogo pelos olhos) rodeados de maus com pistolas (tento demovê-lo das pistolas, mas não vou lá) e martelos e paus, o Batman na horizontal, em cima

o Batman, o Homem-Aranha e o Homem-Aranha mau, com um vulcão do lado esquerdo e um lagarto verde que corre muito depressa
 
o Super-Homem (a deitar os raios pelos olhos), o Batman, o primo do Batman (mais colorido, no centro) e o Lanterna-verde, todos rodeados de muitos maus, inclusivamente de maus com expressão sorridente e simpática (como o chefe dos maus, a azul, em cima, do lado esquerdo)
 
 
No meio disto tudo, ainda há tempo para criar uma máscara de Batman para um Homem-Aranha cá de casa:

 
Como resultado, um par de mãos muito artísticas:

 Rita



sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O humor da Alice

«"Senhor dos Anéis"?! Quem é? Saturno, não?!»

(Depois achou por bem acrescentar, caso eu não tivesse percebido, que estava a brincar, que era uma piada... nota-se que foi ao planetário recentemente com a escola e que anda a dar o espaço, os astros e os planetas em Estudo do Meio?!)
Rita

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Poesia

»Amigas

Amigas é ter amizade entre tu e eu
É ser vermelho no coração
É o coração da amizade vermelho em vez de preto
E quando nos chatiamos há uma trovoada dentro de nós...»

Este foi o poema lindo que a Alice recebeu da sua grande amiga R., numa das suas cartas do dia dos namorados - na escola eles trocam cartas com os amigos. Ficou contente, mas achou importante transmitir que não rimava. Fiquei a pensar.
Cá em casa não temos muito contacto com poesia. Eu admito que nunca tive e por isso recordo-me ainda de uma ou outra com que me deparei e que me marcou.
Devido a esta constatação, decidi levar para a frente uma ideia que, acho que já há uns anos, encontrei num blog, na net (de que agora não recordo): todas as semanas, colocar num local muito frequentado da casa, uma poesia diferente.
Cá está a primeira, de António Aleixo, colada na parede da casa-de-banho:

 
O Beijo Mata o Desejo

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.


E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.
Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!


No primeiro dia, já lhe descobrimos uma outra utilidade: descobrir palavras que não se entendem e aprendê-las. Aqui foram "ensejo" e "almejo". Vamos lá ver se amanhã ela ainda se recorda dos significados e se consegue dar novas frases a estes termos...
Rita

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

WIP

Eu e a Cristina estamos a pensar em lançarmo-nos para novos projectos... para "treinar" criatividades e capacidades, forjam-se trabalhos, desta vez cá para casa...

Rita

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O meu médico e eu

Ontem fui ao meu ginecologista e obstetra. Consulta de um mês e meio após o parto, para assegurar a boa saúde das minhas partes baixas. 
Dei-me conta de repente que já nos conhecemos há um montão de anos. Quer dizer, o senhor já espreitou para as minhas entranhas umas quantas vezes, já tirou de lá duas crianças e quase quase uma terceira, já falámos sobre o meu trabalho enquanto ele me cosia, logo a seguir ao meu pedido para ver a placenta... 
Nesta gravidez notei que a nossa relação se estreitou, confessei-lhe o meu choro de ansiedade num episódio, contei-lhe pequenas coisas, ele partilhou as dele, relacionadas com as filhas, trocamos mais risadas relacionadas com coisas de nada.
De facto, a relação estreitou-se tanto ou tão pouco que ontem o gajo (acho que agora também já tenho o direito de o tratar assim, até porque ele não sabe) disse, à medida que se aproximava da marquesa onde eu estava, para observação: "Então vamos lá ver o estrago..."
Rita

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Os Xulés de 2013


Foram muito poucos.  Não admira, já não eram novidade. E a verdade é que quase todas as crianças das nossas relações mais próximas já receberam um. E depois de uma produção que incluiu 23 Xulés (o Xulé 17# são dois gémeos verdadeiros) e 8 mini-Xulés em 2012, no ano seguinte a produção das Oficinas RANHA foi em muito menor quantidade. Hoje mostramos alguns.
O Xulé 23#, 24# e 25# seguem um modelo muito semelhante mas seguiram para casas diferentes, uma no norte e as outras duas na região de Lisboa. O 23# e o 25# são os dois cinzentos, e podia pensar-se que ficariam muito semelhantes mas resultaram em bonecos bem diferentes. Seguiram em períodos diferentes para duas crianças amigas das Oficinas. O 24#, que foi feito em tons de roxo e lilás, foi uma encomenda que recebemos e seguiu para uma menina que, quando bebé andava sempre a perder um dos sapatos. Por esse motivo tem um calçado e outro à lapela.
 
Esperamos que estejam a fazer muito sucesso nas suas respectivas famílias e, quem sabe, recebemos o feed-back sob a forma de uma foto dos seus donos com os Xulés by Oficinas RANHA.
Em breve mostrarei aqui mais alguns...
Ana Cristina



Sim... é isto um babyblog?!

No outro dia comentávamos isso mesmo. Que este espaço já parecia um babyblog.
Mas, no fundo, também é um babyblog. É um "nósblog"...
 
Tenho muitas em mim. Mas, neste momento, sou muito... e muito e muito... mãe. Não é que não seja sempre mãe, mas com o nascimento desta terceira cria, a parte mãe de mim está extremamente acentuada. Passo os meus dias com ela, numa simbiose perfeita, a tentar guardar todos os bocadinhos que, pela experiência com os outros, já sei que vão ficar esquecidos. Ficam as fotografias e a memória visual, mas tudo o que é tacto e cheiro é ultrapassado...
 
Ser mãe novamente faz de mim ainda mais mãe dos outros. Sou mãe da maiorca, do meiorca e da minorca, mas sou também mãe das relações entre eles e, tendo adicionado mais uma variável, sou ainda mais mãe.
 
Nenhuma das outras de mim está apagada. A trabalhadora, que tem um trabalho de que gosta muito (mas que também a stressa muito) está de férias, bem como a delegada sindical, mas está por aqui a filha, a amiga, a que raciocina sobre o que se passa à sua volta, a que lê, a que vê televisão, a que critica alguma desta realidade que vivemos, a que a que a que...
 
A oxitocina veio também desenvolver a parte de mim que planeia tanto mas tanto, que nem sabe para que lado se virar, de tantos projectos... hoje fui obrigada a fazer uma lista de tudo o quero fazer, para poder saber por onde começar e não me esquecer de nada. Tenho dezenas de ideias na forja para a casa, para os filhos, para estas Oficinas.
 
Neste momento, portanto, sou toda mãe, só a gerar.
Rita