terça-feira, fevereiro 18, 2014

Poesia

»Amigas

Amigas é ter amizade entre tu e eu
É ser vermelho no coração
É o coração da amizade vermelho em vez de preto
E quando nos chatiamos há uma trovoada dentro de nós...»

Este foi o poema lindo que a Alice recebeu da sua grande amiga R., numa das suas cartas do dia dos namorados - na escola eles trocam cartas com os amigos. Ficou contente, mas achou importante transmitir que não rimava. Fiquei a pensar.
Cá em casa não temos muito contacto com poesia. Eu admito que nunca tive e por isso recordo-me ainda de uma ou outra com que me deparei e que me marcou.
Devido a esta constatação, decidi levar para a frente uma ideia que, acho que já há uns anos, encontrei num blog, na net (de que agora não recordo): todas as semanas, colocar num local muito frequentado da casa, uma poesia diferente.
Cá está a primeira, de António Aleixo, colada na parede da casa-de-banho:

 
O Beijo Mata o Desejo

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.


E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.
Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!


No primeiro dia, já lhe descobrimos uma outra utilidade: descobrir palavras que não se entendem e aprendê-las. Aqui foram "ensejo" e "almejo". Vamos lá ver se amanhã ela ainda se recorda dos significados e se consegue dar novas frases a estes termos...
Rita

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

WIP

Eu e a Cristina estamos a pensar em lançarmo-nos para novos projectos... para "treinar" criatividades e capacidades, forjam-se trabalhos, desta vez cá para casa...

Rita

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O meu médico e eu

Ontem fui ao meu ginecologista e obstetra. Consulta de um mês e meio após o parto, para assegurar a boa saúde das minhas partes baixas. 
Dei-me conta de repente que já nos conhecemos há um montão de anos. Quer dizer, o senhor já espreitou para as minhas entranhas umas quantas vezes, já tirou de lá duas crianças e quase quase uma terceira, já falámos sobre o meu trabalho enquanto ele me cosia, logo a seguir ao meu pedido para ver a placenta... 
Nesta gravidez notei que a nossa relação se estreitou, confessei-lhe o meu choro de ansiedade num episódio, contei-lhe pequenas coisas, ele partilhou as dele, relacionadas com as filhas, trocamos mais risadas relacionadas com coisas de nada.
De facto, a relação estreitou-se tanto ou tão pouco que ontem o gajo (acho que agora também já tenho o direito de o tratar assim, até porque ele não sabe) disse, à medida que se aproximava da marquesa onde eu estava, para observação: "Então vamos lá ver o estrago..."
Rita

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Os Xulés de 2013


Foram muito poucos.  Não admira, já não eram novidade. E a verdade é que quase todas as crianças das nossas relações mais próximas já receberam um. E depois de uma produção que incluiu 23 Xulés (o Xulé 17# são dois gémeos verdadeiros) e 8 mini-Xulés em 2012, no ano seguinte a produção das Oficinas RANHA foi em muito menor quantidade. Hoje mostramos alguns.
O Xulé 23#, 24# e 25# seguem um modelo muito semelhante mas seguiram para casas diferentes, uma no norte e as outras duas na região de Lisboa. O 23# e o 25# são os dois cinzentos, e podia pensar-se que ficariam muito semelhantes mas resultaram em bonecos bem diferentes. Seguiram em períodos diferentes para duas crianças amigas das Oficinas. O 24#, que foi feito em tons de roxo e lilás, foi uma encomenda que recebemos e seguiu para uma menina que, quando bebé andava sempre a perder um dos sapatos. Por esse motivo tem um calçado e outro à lapela.
 
Esperamos que estejam a fazer muito sucesso nas suas respectivas famílias e, quem sabe, recebemos o feed-back sob a forma de uma foto dos seus donos com os Xulés by Oficinas RANHA.
Em breve mostrarei aqui mais alguns...
Ana Cristina



Sim... é isto um babyblog?!

No outro dia comentávamos isso mesmo. Que este espaço já parecia um babyblog.
Mas, no fundo, também é um babyblog. É um "nósblog"...
 
Tenho muitas em mim. Mas, neste momento, sou muito... e muito e muito... mãe. Não é que não seja sempre mãe, mas com o nascimento desta terceira cria, a parte mãe de mim está extremamente acentuada. Passo os meus dias com ela, numa simbiose perfeita, a tentar guardar todos os bocadinhos que, pela experiência com os outros, já sei que vão ficar esquecidos. Ficam as fotografias e a memória visual, mas tudo o que é tacto e cheiro é ultrapassado...
 
Ser mãe novamente faz de mim ainda mais mãe dos outros. Sou mãe da maiorca, do meiorca e da minorca, mas sou também mãe das relações entre eles e, tendo adicionado mais uma variável, sou ainda mais mãe.
 
Nenhuma das outras de mim está apagada. A trabalhadora, que tem um trabalho de que gosta muito (mas que também a stressa muito) está de férias, bem como a delegada sindical, mas está por aqui a filha, a amiga, a que raciocina sobre o que se passa à sua volta, a que lê, a que vê televisão, a que critica alguma desta realidade que vivemos, a que a que a que...
 
A oxitocina veio também desenvolver a parte de mim que planeia tanto mas tanto, que nem sabe para que lado se virar, de tantos projectos... hoje fui obrigada a fazer uma lista de tudo o quero fazer, para poder saber por onde começar e não me esquecer de nada. Tenho dezenas de ideias na forja para a casa, para os filhos, para estas Oficinas.
 
Neste momento, portanto, sou toda mãe, só a gerar.
Rita

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Foi no dia 6 que fizemos oito anos...

... e nem nos lembrámos. Deve ter sido da virose que atacou nas duas frentes, mas também pode ter sido porque eu, de há muito tempo para cá, tenho dado pouca importância (ou quase nenhuma) a este blog. Tenho-me limitado a ler o que escreve a outra Ranha e, com o tempo o hábito de vir aqui, mais ou menos regularmente, deixar o meu cunho pessoal perdeu-se por completo.
Mas, mais uma vez, num processo de análise acerca da sua importância na minha vida pessoal, deparo-me com a ligação emocional a este cantinho, que em tempos foi para mim tão interessante sobretudo como forma de alimentar a relação fraternal que nos une, mas também como registo tanto das nossas manualidades como das nossas inquietações e pensamentos mais ou menos banais. E pronto, mais uma vez me proponho a voltar aqui de forma mais regular, e a trazer assuntos mais variados que os dos últimos posts, e que fazem pensar a quem não conhece o arRanha no Trapo que este é mais um babyblog dos muitos que se encontrarão na blogosfera.
Talvez recuperemos o hábito de postar assuntos mais variados, como as nossas pequenas artes ou apenas as nossas meras opiniões sobre temas variados.
Até lá, parabéns para o arRanha no Trapo, e para nós, as irmãs de nome artístico Oficinas RANHA.
Ana Cristina

domingo, fevereiro 09, 2014

Ensinamentos

Desde que deu o sistema digestivo na escola, a Alice não "faz cocó"... faz fezes...
Rita

sábado, fevereiro 08, 2014

O dia comigo e com eles

Quando ontem, ainda me encontrava eu enrolada nos lençóis, ouço a Alice, ao acordar, a queixar-se de dores fortes nas pernas e que não conseguia andar de forma normal, não quis acreditar... enfiei a cabeça ainda mais dentro dos lençóis e esperei que tivesse sido um sonho ou um engano... mas o João veio depois segredar-me se valia a pena dar-lhes a roupa previamente preparada para se irem vestindo, ou se eu achava que - encontrando-se ela provavelmente com o meu vírus e ele com uma tosse de cão - era melhor eles ficarem em casa comigo...
 
É óbvio que, mais cedo ou mais tarde, surgiria um dia em que eu teria de ficar sozinha com os três... já tinha acontecido, mas por períodos de poucas horas... mas, convenhamos, eu própria não estava boa, as dores nas articulações ainda lá estavam e eu esperava passar o dia numa tranquilidade de recuperação, sozinha com a miúda mais nova, a carregar as baterias para a chegada dos mais velhos a casa no final da tarde... 
 
No fim, o dia foi excelente... depois de se começarem a sentir os efeitos de um Brufenezito, pude organizar o tempo em função do que todos queriam fazer: um pouco de televisão, um pouco de jogos de computador, muita brincadeira, um filme com pipocas, trabalhos manuais... Confesso que, depois de passar as férias de Natal todas com a Alice e o Vasco, andava com saudades deles, de dias inteiros por nossa conta sem horários e obrigações, dedicados só às actividades do Advento e aos nossos gostos e apetites.
Nesta sexta pudemos aproveitar para realizar um trabalho que eu andava a propor há dias: usar uma caixa de cartão cá por casa para fazer um castelo. A Alice qualificou o trabalho como a melhor coisa do dia e o Vasco fartou-se de dar ideias. Nos próximos tempos, há que acabar alguns pormenores e pintar...
 
Rita

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Estamos com uma virose do caraças

A gente sabe que vírus é bicho esquisito, podemos conviver com eles desde sempre que conseguirão sempre surpreender-nos com sintomas invulgares e nomes esquisitos.
Cá por casa anda uma senhora virose estranhíssima, da qual vos faço o relato o mais simplificado que me é possível:
 
Sábado ou até sexta de noite - ao acordar do sofá para a cama, fortes comichões na planta de um pé... desde aí, comichões inusitadas numa ou noutra parte do corpo, de tempos a tempos, com especial incidência em alguns momentos nas plantas dos pés e palmas das mãos, comigo a lembrar o João que estava na hora de fazer desinfestação à Fera e que devia andar uma pulguita qualquer pela casa;
Sábado de madrugada - acordar para dar de mamar e dar-me conta de dores intensas na cabeça e nas pernas, a prolongarem-se pelo dia até ao fim da tarde, momento em que cedi a tomar Brufen, ficando indiscutivelmente melhor;
Domingo de madrugada - repetição do cenário anterior em termos de sintomas, dificuldade até para estar em pé, Brufen logo no fim da manhã para garantia de boa disposição no convívio do cunhado + irmã enfermeira cheia de uma espécie de alergia pelo corpo todo;
Segunda de madrugada - os mesmos sintomas em mim e no João, continuação de opção pelo Brufen (sou alérgica ao Benuron), a constatar-se o alívio do mau estar;
Em algum momento de segunda - verificação de que a Joana tem uma borbulhagem no couro cabeludo, pescoço e orelhas;
Em algum momento - início de comichão na cabeça, ideia súbita da possibilidade de existência de piolhos;
Quarta de manhã - tomada de consciência repentina de uma borbulhagem pelo meu corpo todo, semelhante à da Joana + telefonema ao companheiro para irmos todos ao hospital, ficando ele no carro com a caçula, à espera de saber da vontade médica de a examinar também + telefonema para a irmã enfermeira, que contou estar com um terrível mau estar, feito de dores fortes pelas articulações, com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos;
      Diagnóstico clínico: virose, esperar o final
Quinta - acordar cheia de dores fortes nas articulações, sem força e a doer até para tirar um comprimido com especial incidência nos pulsos e dedos das mãos...
 
Resultado: irmãs Ranha doentes, com virose de comichões, borbulhagem generalizada, dores de corpo e articulações... mas sem febre, ranhos ou tosses... Mãe com máscara de cada vez que tem de se aproximar da filha, para cuidar dela, alimentá-la ou simplesmente mimá-la...
Ca coisa esquisita!!
Rita

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Um mês de Joana



Uma das coisas boas de ir aqui escrevendo é poder, anos depois, consultar o que disse e reviver aqueles mesmo sentimentos e sensações... é bom pensar que, em relação a eles, os miúdos poderão também um dia gostar de ver o que tanto se reflectiu sobre eles...
Assim, correndo o risco de me ver repetida em relação ao post sobre o primeiro mês do Vasco, um mês de Joana tem igualmente representado trinta e um dias de arrebatamente e adoração crescente...
A miúda é linda. Agora é-o cada vez mais, uma vez que já tem uns olhos enormes "de ver mundo" que nos seguem com assertividade, e uns sorrisões lindos de boca aberta, (ainda por cima)essencialmente para mim...
Fisicamente, é o mesmo estilo de bebé que eram a Alice e o Vasco e, devido a isso, houve quem na escola no outro dia dissesse que era parecida com eles. No entanto, muito embora existam várias pessoas a concordar que há uma maior parecença da Joana com o Vasco, acho-a com feições diferentes das deles.
É a mais chorona dos meus filhos, mas isso não é dizer muito porque a Alice não chorava praticamente nada e o Vasco também o fazia pouco. Parece ser a que come mais e por isso tens umas bochechas giraças. Mama de quatro em quatro horas durante o dia, mas as noites têm sido mais instáveis, provando-se aquela máxima famosa do "quanto mais dorme, mais quer dormir". Tem feito algumas noites com intervalos de seis horas e algumas noites a chorar desalmadamente... Somos nós que estamos efectivamente mais velhos e temos menos resistência para choros nocturnos. Com a Joana já fizemos o que nunca foi feito com os outros dois: incapazes de a sossegar, puxámo-la para a nossa cama e tentámos dormir assim. É a idade, dirão uns; o cansaço, dirão outros; a sapiência e confiança da experiência, o acreditar que não vamos fazer nenhum disparate e fazer dela uma bebé cheia de manhas, poderá ainda afirmar alguém. Será um pouco de tudo isso, acredito eu.
Ser mãe de terceira viagem é ser ainda mais descontraída. Digo "ainda mais" porque cá em casa sempre o fomos muito (ainda por cima com uma primeira filha angelical e uma irmã enfermeira-de-bebés para nos ensinar tudo o que sabe)... mas claro que agora já não damos grandes hipóteses a algumas dúvidas mais comuns. Por exemplo, quando ela chora sem conseguir acalmar-se, encolhe-se com mais facilidade os ombros e admite-se a incapacidade parental para fazer parar o choro em todas as ocasiões. Não se alinha facilmente em "será que comeu o suficiente? será o meu leite bom?"... simplesmente, pensa-se que um bebé chora, por stress, excitação, cansaço, desgaste, manhozice, necessidade de contacto ou miminho... acontece, o choro é uma forma de comunicação e, encontrando-se as suas necessidades básicas satisfeitas, é melhor admitir que um bebé chora e tem o direito de chorar...
Em resumo... nesta casa onde passei a cortar quarenta unhas por semana (oitenta de quinze em quinze dias, noventa de longe em longe, quando lhes somo as das patas dianteiras da Fera), tudo vai correndo... apaixonadamente bem...
Rita

sábado, janeiro 25, 2014

A primeira brincadeira a três

Que fique registado que hoje foi o primeiro dia de brincadeira a três. Quer dizer... foi mais de brincadeira a dois à custa da terceira... como decerto irá acontecer muitas e muitas vezes no futuro desta casa, independentemente do primeiro, segundo e terceiro elementos rodarem entre si...
A coisa foi simples mas deu origem a minutos largos de risadas e gargalhadas: Dona Panqueca e Senhor Crepe de volta da espreguiçadeira, com uma Miss Goffre acordada mas demasiado zen para se incomodar com o facto deles lhe tirarem e colocarem em cima um barretinho, escolhendo diversas formas para o fazer, «o barrete velhota», «o barrete carteiro», «o barrete cocó», etc... Se a não interacção e indiferença contar como interacção, ficou devidamente filmada a primeira brincadeira de muitas que se esperam.
Rita

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Em casa...

Como é que uma mãe e uma filha de três semanas se entretêm em casa sozinhas, principalmente depois da primeira constatar que não tem fotografias nenhumas com a segunda...?

Rita

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Quem é que andou a dizer que os meus filhos não choravam?!


A Joana faz hoje três semanas, mas estou para escrever este post já há uns dias.
A brincar, apetece-me dizer que a miúda se está a revelar uma pirata, mas é só porque neste preciso momento me está a dar a soneira do tempo que ela passou a chorar durante a noite e não me deixou dormir. Não conseguimos perceber se isto acontece a seguir a dias em que tem mais estímulo e cansaço: visitas, os manos em casa, mais colo. O que é verdade é que acontece. É quase certo que a minorca não gosta de ir de olho muito arregalado para a cama e, se for a meio da noite, quando, depois de dar de mamar, eu apago a luz, ui, vem logo o chorinho. No início era um chorinho que passava rapidamente a fúria que rapidamente se entrecortava com silêncios e rapidamente passava. Agora, que a miúda está maior, o choro também é mais forte... e resistente.
Não desesperamos e achamos que não é nada de mais... mas o meu cansaço vai pesando um bocadinho, uma vez que não consigo depois dormir durante o dia (detesto!)...
Há duas noites, foi chorando (e dormindo e chorando e dormindo) durante praticamente duas horas... nada a acalmava e a certa altura tive a certeza que os nossos esforços para a tranquilizar só serviam para a estimular mais... só acalmou mesmo quando decidi dar-lhe de mamar novamente. Depois disso, eu e a Cristina (bom mesmo é ter uma irmã enfermeira de bebés) elaborámos uma estratégia: nem pensar deixar passar cinco horas de intervalo (na noite anterior tinha dormido seis, foi a única vez); colocar um saco de água quente a aquecer a caminha enquanto ela está fora dela, a mamar; não mudar a fralda caso não esteja suja. Foi um plano de sucesso... nessa noite... porque, nesta última, a pirralha voltou a fazer das suas e tornou a não gostar das luzes apagadas...
Brinco a achar que isto é coisa para noite sim-noite não... mas hoje o dia também não lhe correu bem e acho mesmo é que a miúda gosta de colinho e mãozinhas dadas... quem a pode censurar...? Alguém por aí sabe onde é que se pode arranjar uma pessoa que nos faça umas festinhas nas costas e nos dê a mão, quando precisamos de dormir porque a nossa filha não nos deixou dormir...?
Rita
 
 
A foto é de uma manhã em que ela estava mais aborrecida e só se acalmou quando "passeada" no sling...

sexta-feira, janeiro 17, 2014

A minha última leitura


Há uns dias acabei de ler este livro, que tinha começado no hospital, no dia seguinte à Joana nascer. Prenda de Natal.
Entusiasmei-me a lê-lo, talvez um pouco com na esperança ou perspectiva de encontrar um pouco da vivacidade, sentido de humor e originalidade da "Crónica dos Bons Malandros", o único livro que eu conhecia do Mário Zambujal. Não seria fácil... E de facto, "O diário oculto de Nora Rute" não lhe chega aos pés. É giro, de leitura simples e fácil, com uma série de referências interessantes aos costumes, convenções, acontecimentos dos anos 60... vale a pena se se desejar, como me acontece tantas vezes, visualizar um pouco de épocas anteriores. Para além disso, é leve e agradável, nada maçador, perfeitamente realista. Por outro lado, falta-lhe uma qualquer espécie de clímax.
Fiquei curiosa de ler mais livros do Mário Zambujal. Mas confesso que, ainda na esperança de encontrar algo tão espectacular como a "Crónica"...
Rita

* E, caso interesse a alguém, o grafismo da capa é giríssimo... parece que o Clube do Autor (a editora) tem uma série de livros recentes do Mário Zambujal, todos com esta espécie de grafismo. Eu gosto de capas bonitas... nunca é de descurar na escolha de um livro para levar para casa...

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Da Joana, com quinze dias


Ontem fomos às consultas, à minha e à dela.
 
Comigo está tudo ok e retive essencialmente o facto de neste momento ter somente três quilos a mais do que quando engravidei - e calculo que, como visto as calças que vestia, pelo menos dois deles estejam acumulados na minha fábrica particular de produção de leite, neste momento. Decidi que a partir da próxima semana vou começar uma série de exercícios para fazer aqui por casa.
 
Em relação à minorca:
- nasceu com 48,5 cm e 2980 kg e neste momento tem 50 cm e 3360 kg. Os reflexos neurológicos estão perfeitos. A médica achou que tudo nela estava a desenvolver-se optimamente.
- depois de um início de vida em que bastava estar acordada para andar de boca aberta de um lado para para outro, a miúda amainou a sua sofreguidão e conseguimos estabilizar-lhe os horários para que mamasse de quatro em quatro horas. Também diminuiu o tempo em que está a mamar, parece finalmente acreditar que ninguém tem qualquer interesse em deixá-la à fome. Com o aumento de peso, já começámos a tentar espaçar-lhe os intervalos da noite.
Cada filho que tenho parece gostar mais de comer. A Alice sempre foi "pisco", mamava dez minutos e ela própria largava a maminha e caía para o lado a dormir. O Vasco era mais comilão e gostava de adormecer enquanto comia, ficando só basicamente a chuchar, se eu o deixasse. A Joana gosta mesmo de mamar e, mesmo com interregno para mudar fralda, está sempre disposta a mais um bocadinho de leite.
- depois de mamar, sai ao irmão e fica sempre com soluços, SEMPRE... a diferença é que, quando lhe metia a maminha na boca dele para que os soluços acabassem quando mamasse mais um niquito, ele parava e ficava de olho arregalado, com expressão surpreendida... a ela, como não se faz rogada a mamar mais um bocadinho, os soluços terminam logo...
- não gosta muito das luzes totalmente apagadas durante a noite e de forma geral faz sempre um chorinho... como chora baixo e pouco, não tem grande sucesso... ainda não tem lágrimas...
- por enquanto, é a minha filha morena... tem um tom de pele aparentemente bem mais escuro do que os outros... os olhos são escuros, mas ainda têm uma cor indefinida, o cabelo também é escuro e não lhe vejo, na implantação, nenhum que seja loiro... a continuar assim, vai fazer uma grande diferença nas festas e parques infantis, em que, ao longe, conseguiamos sempre controlar os nossos... esta, pelos vistos, vem com mais capacidade para se camuflar...
 
Rita

domingo, janeiro 12, 2014

Uma semana de vida - 2

Foi há uma semana que se conheceram, os três. Os mais velhos chegaram ao Hospital sorridentes e expectantes. Quiseram pegar-lhe e posaram para as fotos.
Se a Alice se apaixonou descaradamente à primeira vista, o Vasco não terá ficado menos enamorado. De olhos muito grandes e espantados, disse «Ela é mesmo muito pequena...!» e tem repetido a frase todos os dias, parece sempre uma nova redescoberta de cada vez que a vê acordada antes de sair para a escola ou depois de chegar... «É tão pequenina...», «Tem o nariz tão pequenino...», «Tem um rabinho mesmo pequenino...», «Tem umas bochechas tão pequenas...»...
No Hospital, depois da surpresa, colo e fotografias iniciais, deu-lhe o mimo. Começou a falar à bebé (tinha começado poucas semanas antes do parto) e queria enroscar-se no meu colo. E se bem que na escola nos transmitem estar completamente normal, em casa continua assim, com mais ou menos fitinhas, muita necessidade de miminhos, tendência para falar abebesado e com uma surdez selectiva bastante acentuada, mesmo quando lhe estamos a dois passos.
Apesar disso, o seu enamoramento também é notório. A «mana bebé» é a sua primeira lembrança ao chegar a casa... só para ela, ele guarda todo um interminável stock de «beijinhos bebés» (uma reinvenção nossa, só de mãe e filho, no momento de deitar, de beijinhos que a minha irmã também me costumava dar) e de festas de mão pesada na cabeça... Gosta de lhe pegar, de a ver mamar e já disse, de forma muito assertiva, que a mana ia vê-lo à escola «amanhã» (o que teve de ser revertido em «um dia destes, depois dela ter feito um mês»). Não vive em torno da irmã, mas olha-a sempre fascinado e ela provoca-lhe uma imensidão de perguntas... a idade que ele vai ter quando a Joana tiver três, oito, catorze anos... o leitinho que me sai das maminhas, se ele também bebeu leitinho...
 

Não há dúvida nenhuma que esta Joana tem muita sorte...
Rita

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Uma semana de vida - 1

A Alice tinha uma composição para fazer nas férias. A escolha era aberta: algo sobre o Natal, sobre o Ano Novo ou outro tema à escolha. "O nascimento da minha irmã", foi o selecionado:
 
«Foi assim numa tarde que a minha irmã nasceu era magra tinha cabelo castanho e olhos pretos. passado um dia a Joana foi para casa e nós fomos lá ter, ela estava acordada e chorava muito mas quanto a mãe lhe deu de mamar calou-se logo, depois fomos lanchar e a Joana começo a chorar e eu fui dizer à mãe e a mãe foi buscá-la e ela adormeceu no colo da mãe, depois os avós e o tio foram-se embora e a tia não, a tia jantou connosco e depois foi-se embora. Nessa mesma a Joana acordome e depois o resto do dia correu bem mas com uma bébe.»
 
Não sei se, mesmo com a notória falta de investimento a partir de certo momento do texto, com os erros, com as confusões factuais, com a falta de vírgulas ou maiúsculas ou pontos finais, dá para perceber a paixão. A Alice está perdidamente apaixonada pela mana. Fica totalmente embevecida com ela, nem que seja só a olhá-la, quer participar em tudo, pega-lhe com uma descontração e qualidade de fazer inveja a muita gente crescida e só tem pena de na maior parte do tempo - tendo em conta que segunda-feira começou a escola e só tivemos sozinhos a cinco no domingo, e mesmo assim numa parte do dia - a encontrar a dormir.
 
Talvez seja preciso uma foto para perceber melhor:


Rita

sexta-feira, janeiro 03, 2014

Ao segundo dia do ano de dois mil e catorze

A Joana nasceu. Depois de ter deixado passar o aniversário da sua mãe, o Natal e a Passagem de Ano escolheu nascer num dia especial, só dela (e do primo Fernando, mas se fosse excluir todos os aniversários de familiares e amigos tinha que nascer lá pra vinte e tal de Janeiro e isso seria de todo impossível). Para esclarecer bem, e resolver confusões de peso, a rapariga pesa 2980 g, e não se parece ainda com ninguém. Em comum com os manos tem a elegância, e a beleza, pois claro. 
Foi um belo início do ano, a lembrar o velho ditado popular que nos lembra que em "ano novo, vida nova". E já agora vida nova, longa, saudável, e muito feliz...
Ana Cristina, a tia babadissima