quarta-feira, novembro 07, 2012

De volta está o blog, de volta estão as Oficinas


Num ciclo que se vai repetindo todos os anos preparamos uma lista de presentes a oferecer no Natal e pomos mãos à obra. Tentamos que sejam peças originais, assinadas e manufacturadas por nós, Ana Cristina e Rita, as Oficinas RANHA. E nos últimos anos contamos com a colaboração da Alice e do Vasco, umas vezes como artesãos, outras como testadores oficiais.
Este ano, porque contamos colaborar nesta campanha, resolvemos tentar fazer bonecos-meia para oferecer. Os primeiros foram umas experiências tímidas e muito simples. Mas o trabalho continua, e o que foi uma mera tentativa de fazer uns bonequinhos simpáticos está a transformar-se numa produção de bonecos todos diferentes, todos de meia, cada vez mais complexos e mais bonitos (modéstia à parte).
Os três primeiros posso mostrar aqui, com a promessa de mostrar os outros só depois de ofertados. E posso garantir que resistiram a uma tarde inteira de brincadeira. Foram até disputados e prometidos. Os outros não poderão passar pelas mãos dos pestinhas, se não, está certo que não poderão seguir para outras paragens.

 Bonecos-meia 2# e 1# sentados lado a lado. 
Boneco-meia 3#.
Ana Cristina (que já tinha saudades deste blog)

terça-feira, novembro 06, 2012

Os casacos novos do Vasco

O Vasco herdou dois casacos novinhos (nunca compro roupa a este moço, recebe imensa coisa em segunda mão, para ficar ou devolver). Experimentou-os hoje, para ver se já estavam bons para este Inverno.
 
Reacção ao primeiro:

«Mãe, vou vestir este casaco e depois vou para dentro de água, não é?!»
Reminiscências dos passeios de canoa no rio, este Verão...

Reacção ao segundo:

«Eh pá, este casaco é muita forte...! Posso cair ao chão e não me vou magoar, não é?!»
E pronto, vai de vestir o casaco e andar a treinar quedas de várias formas e feitios pela casa...
 
Vivam os blusões de penas meio insuflados e «muita fortes»!
Rita

segunda-feira, novembro 05, 2012

Passeio de "férias" num dia de fim-de-semana

O dia de ontem foi magnífico na sua simplicidade.
Alterámos o convívio familiar (praticamente) semanal para Lisboa e, depois de um excelente repasto, sem temer o céu cinzento e sem levar chapéu de chuva, juntámos o grupo para um passeio. Com apenas duas baixas, lá fomos, graúdos, médios e miúdos... até ao Miradouro da Sra. do Monte, depois ao Bairro da Estrela D'Ouro, paragem na Padaria Portuguesa para comprar o lanche, Miradouro da Graça, Villa Sousa e Villa Berta.
Enchemos os olhos de belas vistas e lembrámos como passear na nossa cidade é tão refrescante e se recomenda... fica a ideia, com a certeza que deixará no ar um cheiro a férias no que é bom e é nosso.

A vista na Miradouro da Sra. do Monte
 
Pouca coisa do Bairro Estrela D'Ouro
 
Miradouro da Graça, com menos de dez minutos de diferença 

Patacoadas num fim de tarde já de noite na Villa Sousa
 
Rita


sábado, novembro 03, 2012

Do Vasco

Há poucos dias, logo a seguir a acordar:
- Papá, papá, doí-me este olho... temos que ir ao dentista...!
Rita

quinta-feira, novembro 01, 2012

Ausências

Dois meses de ausência não são novidade por estas bandas. Principalmente a seguir às férias (supostamente) grandes, em alturas prováveis de balanço.
Neste caso, o balanço é óbvio. Gostamos deste espaço, queremos continuá-lo. Ainda hoje, à procura de alguma coisa, dei comigo a ler relatos antigos, nossos e dos miúdos, escritos que me deram gozo fazer, lembranças que foi prazeiroso recordar.
Daqui se conclui portanto que o espaço será renovado. Mas não parado. Logo, até amanhã.
Rita

sexta-feira, julho 20, 2012

quinta-feira, julho 19, 2012

Ela também está de férias

Os rituais repetem-se. Sempre que vem passar uma férias aqui em casa dos tios-humanos a Fera porta-se da mesma maneira. 
Nos primeiros 5 ou 6 dias está sempre amuada; rosna ao Pilas sempre que ele se aproxima, está sempre afastada de nós e meia escondida. Claro que não perde o apetite. Aliás, a primeira coisa que costuma fazer assim que sai da caixa de transporte é ir direitinha ao tabuleiro da comida.
Depois a zanga passa, provavelmente habitua-se às nossas rotinas e ao primo-gato que não a deixa em paz. Aí começa a mostrar-se aquela faceta a linda gatinha que ama festas e mimos, tanto que salta para cima de nós, dá cabeçadas para ter festas e passa horas a ronronar baixinho. Lembra aquela Fera que mamava no lóbulo da orelha... Eu adoro esta faceta dengosa. O pior é o pelo, que é taaaannnto...
Ana Cristina

segunda-feira, julho 16, 2012

sábado, julho 14, 2012

Um chamamento que há muito não ouvia

Há muito que não ouvia um amolador. E esta semana voltei uns anos atrás, ao tempo em que era habitual passar lá na rua um senhor com um carrinho e que tinha um apito que só ele, e os seus colegas tinham. Acho que ainda desci umas quantas vezes à rua para afiar facas ou arranjar a a vareta do chapéu de sol.
E, assim de repente, ouvi aquele chamado do amolador. Soube depois que posso escolher entre o senhor discreto e com um carrinho de mão ou o outro, que tem uma bicicleta cheia de bandeiras e uma noção muito mais moderna de marketing.
Não que o regresso ao passado seja o que mais desejo, até porque muitas vezes representa apenas isso mesmo, um saudosismo lamechas, mas gostei.
Estarei também eu a ficar saudosista?
Por outro lado, será este também mais um sinal dos tempos difíceis que todos estamos a passar?
Ana Cristina

domingo, julho 08, 2012

Como é trazer uma amiguinha de férias


Quando essa amiga tem um corpo de aparência superior aos seus sete anos de idade e não acusa os somente cinco meses de diferença da nossa filha mais velha, trazê-la de férias é ter que responder às diversas interpelações de terceiros sobre o ter-se três filhos. Ainda por cima, mesmo sendo os meus loirinhos e de pele clara, o João é moreno, e por isso, a ideia da R. ser nossa filha não estaria assim tão longe de uma possível realidade. «São os três seus?» e «À terceira acertaram, não?!» (mais uma vez a ideia de que, em três, quem tem um filho mais novo de género diferente andou a tentar propositadamente alcançá-lo) - foram algumas das perguntas a que respondemos.
Ter três filhos parece ser uma raridade e a mim, que há muito tenho esse desejo, deu-me que pensar. A verdade é que tudo pareceu fácil, mas a R. não é de facto nossa filha. A sua presença foi sempre equilibradora entre os nossos dois, mesmo tendo em conta que a Alice e o Vasco até se dão bastante bem. E como é uma menina que no geral se porta sempre bem e que nós trazemos connosco só por uma semana, tudo correu muito bem. O que obviamente, não é igual a hipoteticamente virmos a ter um terceiro filho e eu sei bem disso.

Trazer uma amiguinha de férias é também ter em conta que as suas regras não são iguais às nossas e que, tê-la confortável, é arranjar soluções de compromisso. Por esse motivo, a sopa teve que passar a ser sempre passada e combinaram-se previamente refeições em que esta era ou não incluída. E, nos momentos mais críticos de mimalhice, como a chegada da noite, ter uma amiguinha connosco é mesmo multiplicar carinhos, conversas racionais e soluções para as saudades de casa.

Se a amiguinha é praticamente da idade da nossa filha mais velha, trazê-la de férias é ter esta sempre entretida com brincadeiras e jogos (por vezes até à desora), é acompanhar o crescimento de ambas, o facto de já jogarem com palavras, de já serem capazes de utilizar a ironia para gozarem connosco... é ver a nossa filha a imitar a outra nos banhos de mar e ver a outra a imitar a nossa nas acrobacias de um parque infantil... e recordarmos o Brazelton quando diz que nenhuma criança aprende tão rapidamente com um adulto como com outra criança...

Depois, quando a amiguinha vai embora, tê-la trazido de férias representa ver a nossa filha a chorar silenciosa e amargamente a sua ausência...
Rita

sexta-feira, julho 06, 2012

Da R.


- Rita, Rita, olha esta pedra tão gira... - a R. e a Alice, todas contentes, a virem ter comigo com uma pesada pedra cinzenta escura nas mãos.
- É mesmo gira, depois podem pintar...
E a R.:
- Pois é. Parece um peixe. Vai ficar muito gira na minha colecção!
- Ah é? Tens uma colecção de pedras pintadas?
- A colecção que eu quero fazer...! Ainda não pintei nenhuma...
- Ahhhh, que tu queres fazer... Isso não se pode bem considerar uma colecção de pedras pintadas, então...
- Pois... ainda só tenho uma pedra. É branquinha e muito bonita, por isso é que não me apetece pintá-la...
- Ahhhhh, ok... então isso dificilmente se pode considerar uma colecção, certo...?
Rita

quinta-feira, julho 05, 2012

Novidades lá do serviço...


Era um processo que se desenvolvia há uns meses, onde se moveram vários esforços, transversais a todas as classes profissionais, dentro e fora do serviço, no sentido de cumprir com todos os trâmites necessários para a aquisição dos padrões de qualidade  no serviço.

E a auditoria decorreu no final do mês da Março, uns dias antes do anuncio de encerramento da MAC, e quase que nos esquecíamos da visita daqueles senhores, a fazer perguntas e a abrir os dossiers e as gavetas que lhes apeteceu.

A resposta definitiva veio na semana passada e a placa foi entregue ontem.


E a novidade é que o Serviço de Pediatria da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, composta pelas Unidades de Cuidados Intensivos e Intermédios ao Recém-nascido e a Consulta de Pediatria foi Acreditada com a Qualidade de BOM

Ana Cristina

quarta-feira, julho 04, 2012

Esta semana são três!


Cá por casa, as férias começaram com uma aventura: sermos três por uma semana.
Três para gerir na praia, nas refeições, nos divertimentos, na hora de dormir. Em geral, tudo parece correr até melhor e fico com uma pena antecipada do momento em que a Alice (e o Vasco, claro) vejam a amiga a ir embora. A coisa só se torna difícil no anoitecer, com o aumento da ansiedade da separação, mas até isso se aprende a resolver e a trabalhar.
Sorrio para mim de cada vez que penso na Joana, à porta de minha casa na altura de deixar a R., a dizer que não tinha stresses nenhuns por estas férias. Que bom é ter amigos com quem sintamos confiança para deixar um filho... Que bom que é ser os amigos que merecem essa confiança...
Rita

blá blá blá... outra vez sobre a MAC

E cá vou eu, fazer tarde ao meu serviço, politicamente desnecessário e com morte anunciada.
Mas como está cheio uma de nós terá de seguir Noite extraordinária... 
Ana Cristina 

sexta-feira, junho 29, 2012

Olá cá estou eu, ou, Algo se passa neste reino Luso

Quem estes lados tem visitado já reparou que o ArRanhanoTrapo passa por mais uma fase de pouca actividade.
É verdade. Continuamos a adorar este projecto de fazermos algo em conjunto, de escrever para nós e para quem nos visita, de deixar opiniões, ideias ou mesmo relatos das vidas privadas (desde que não sejam muito privados, claro). Mantemos a ideia de desenvolvermos a nossa criatividade através da nossa assinatura Oficinas RANHA, e temos a certeza que em breve estaremos de volta com as nossas peças.
E não pense quem aqui vem que andamos apenas a pensar em férias. Estamos é muito mais embrenhadas na actividade social, e posso dizer que, pela minha parte, a personalidade reivindicativa que sempre foi uma das minhas características pessoais tem tido muitas razões para se desenvolver. 
Como sabem a instituição onde exerço há mais de 12 anos está a passar por um processo  de encerramento. Já aqui manifestei a minha opinião e ela não se tem alterado com os argumentos de reestruturação dos cuidados de saúde, com a existência de um bom conjunto de maternidades na região de Lisboa, incluindo as privadas, ou a necessidade de cumprimento dos acordos com os parceiros privados de prestação de cuidados de saúde (como é o caso no novo Hospital de Loures ou o de Cascais)

Dentro da MAC sente-se um desânimo muito grande e alguma revolta. Pensar que serviços como o meu vão abaixo depois de obras estruturais profundas com apenas 4 anos e serão "transferidos" para serviços que vão ainda ser remodelados é realmente decepcionante.
Mas pensar ainda que um serviço tão específico como a Neonatologia, onde se prestam cuidados a 42 bebés vai ser desfeito e, em troca, vão aumentar em 8 ou 12 (ainda ninguém sabe bem) o número de vagas da Neonatologia do Hospital da Estefânia (e que actualmente tem 16) para cumprir com os cuidados necessários à nossa população é em primeira linha  muito preocupante.
A minha primeira dúvida é muito simples. Para onde vão as 30 vagas de internamento para recém-nascidos com necessidades especiais que sobram? Mas tenho mais, muitas mais... Mas ninguém se preocupe, ninguém vai deixar de ser atendido... dizem os nossos governantes.

Ana Cristina e J. um bebé com 940 g. que me ficou na memória

segunda-feira, junho 18, 2012

Alguns problemas de geografia...

A Alice hoje, ao jantar:
- A esta hora, do outro lado do mundo, mesmo lá do outro laaaaaaado... deve ser de noite...
- Se aqui está a anoitecer, do outro lado do mundo estará a amanhecer...
- Pois... mesmo do outro lado do mundo, muito longe... quê, no Algarve, mãe?
Rita

quarta-feira, junho 13, 2012

Sarau de ginástica

Neste sábado tivemos o nosso primeiro sarau de ginástica. Em bom rigor, o sarau não era nosso, mas toda a família o encarou como se fosse, rumando ao pavilhão segundo essa perspectiva.
O percurso da Alice na ginástica não tem sido totalmente pacífico. Quando no início do ano, depois de uma avaliação das suas características, lhe propusemos a rítmica, ela entusiasmou-se e começou com afinco. Depois do primeiro trimestre, iniciaram-se as quebras de vontade, o torcer do nariz quando sabia ser dia de ginástica. No treino, tudo bem, tirando por vezes as notas amarelas da distracção durante a aula.
A verdade é que neste ano lectivo, tudo tinha começado a ser a sério. A escola, a ginástica, o ritmo, a assiduidade.
Neste sábado, misturada com quem treina a valer, muitas horas, colecciona títulos e minis para os Jogos Olímpicos, a nossa Alice foi exemplar, exibindo os exercícios com uma perfeição rigorosa e um sorriso constante de indisfarçável orgulho. Eu, que sou uma suspeita óbvia, não sou capaz de deixar de ter a sensação, quando vejo as fotografias (mesmo que desfocadas pela distância), que a miúda tem mesmo jeito, que nasceu para aquilo. E no fim, a conclusão de um esforço recompensado: que a dela foi a ginástica preferida e que ali se quer manter para o ano.
Rita

quarta-feira, maio 23, 2012

Mas também há coisas que gosto muito...

Foto retirada do Facebook Falcão-Webcam
Neste momento, uma delas é o ninho dos falcões peneireiros. adoro ir espreitar os pequenos, que são seis e reguilas. Gostei de saber que ontem um deles caiu ao chão mas como já é um crescido não sofreu consequências. Passou algum tempo no café, à espera de voltar para o seu ninho no segundo andar. Hoje colocaram uma rede de protecção para as possíveis tentativas de voos exploratórios e já surtiu efeito.
Quem quiser espreitar os pequenos falcões pode ver aqui:  
  • http://www.livestream.com/janelafalcao
Ana Cristina

sexta-feira, maio 18, 2012

Mais um ódio de estimação

O anúncio da criopreservação das células estaminais.
Estou sem paciência para este tipo de pressão moral aos potenciais clientes. Agora a publicidade deixou de ser a imagem da grávida feliz que oferece a si e ao seu filho a criopreservação de células estaminais e passou a um estilo muito mais agressivo “compra este serviço porque se não um dia podes arrepender-te”. E não há ninguém que proíba este tipo de publicidade?Mas quem defende quem não tem sequer a hipótese de optar por "gastar" 150€ num kit de criopreservação? Eu estou aqui vou uma raiva...
Ana Cristina

sábado, maio 12, 2012

A crise explicada pelas crianças...?!

A Alice, no outro dia, enquanto se tomava o pequeno-almoço e se via o telejornal da manhã:
- O Romeu [colega de turma do 1º ano] esteve a falar na sala sobre um senhor, um senhor que roubou.
Conversa estranha. E eu:
- Roubou? Mas roubou quem?
A resposta dela:
- As pessoas, roubou as pessoas.
Conversa ainda mais estranha. Novamente eu:
- Um senhor que roubou pessoas?! Que história é essa? Que senhor?
E ela, expressão muito compenetrada e pensativa, como quem tenta recordar:
- Ai, como é que era o nome dele, como é que era... ah, já sei. Vítor Gaspar. Era isso: Vítor Gaspar.
Rita

quarta-feira, maio 09, 2012

O que fazer em caso de vómito...

A Alice, entre a sopa e a lasanha:
- Mãe, ajudas-me a fazer o pino e depois a cair para ponte?
- Não me parece que isso seja uma boa ideia depois de comer...
- Oh mãe, vá lá, eu fecho a boca!!!!
Rita

segunda-feira, abril 30, 2012

Mais sobre o "Não ao encerramento da MAC"

Ao que parece as declarações oficiais têm vindo a alterar-se acerca do eminente fecho da Maternidade Dr. Alfredo da Costa. No princípio trabalhávamos até ao final do mês (hoje seria o último dia), depois considerou-se que até ao fim do ano encerraríamos e agora será até ao final da legislatura. E mais, entre a chamada de retrógradas e obsoletas a quem se manifestou contra o encerramento da maior maternidade do país, às afirmações que a MAC encerra até 2015 e passando pelo anúncio de falta de verba para fazer obras no telhado, aparentemente o que parece ser uma luta apenas dos profissionais está a tomar contornos de símbolo nacional. 
A verdade é que a MAC é um símbolo nacional. Não é só o seu edifício com aquela estátua sugestiva e localização privilegiada ou que tanta gente tem afirmado como o local onde tantos nasceram que é uma ameaça. O fecho da MAC apresenta hoje contornos de exemplo do futuro do Serviço Nacional de Saúde. O seu encerramento representa que, em seguida, muitas outras instituições poderão também ser dispensadas.
A minha perspectiva continua a ser a defesa da manutenção desta instituição enquanto não houver condições para que os mesmos cuidados, ou melhores, sejam prestados em local público, “tendencialmente” gratuitos, e por funcionários públicos. Por isso temo-nos manifestado na rua e continuaremos a chamar a atenção para a causa “Não ao encerramento da MAC”.
E temos tido o apoio de várias figuras públicas de vários quadrantes políticos, mas falta agora o debate público em assembleia da república com as posições oficiais de todos os partidos políticos representativos.
Mas o ambiente que lá se vive é difícil. Proliferam a revolta por se ter investido nos últimos anos na nossa instituição, as declarações de receio pelo futuro mas também o medo de opinar à comunicação social. E, pior de tudo, começam a faltar condições de trabalho. Agora, além da redução efectiva de profissionais auxiliares (agora denominados de assistentes operacionais) que estão a ver renovados os seus contractos com a empresa prestadora de serviços ao mês, com a insegurança que acarreta, e a saída sem substituição de colegas enfermeiros a quem não foi renovada a sua contratação no final do ano passado falta-nos agora material como seringas, luvas e até fraldas. Só para que percebam, os pais uns bebés “nossos” ofereceram ao serviço 11 pacotes de fraldas para bebés com menos de 1500 gramas porque estávamos na eminências de colocar fraldas para bebés com mais de 2000 gramas a bebés com pouco mais de um kilo.
Agora só falta evocar que temos de fechar porque não temos material…
Ana Cristina

sexta-feira, abril 27, 2012

Chapéu de chuva personalizado


Aproveito as fotografias do 25 de Abril para mostrar a prenda espectacular que os filhotes me ofereceram pelo meu aniversário em Dezembro. Foi feito com a ajuda da Tia Cristina e só em Abril o pude estrear... deve ser mesmo verdade que desde que os homens foram à Lua, o tempo está todo diferente...
Rita

quarta-feira, abril 25, 2012

segunda-feira, abril 16, 2012

GAP

Podia ser aquela marca famosa que têm a mania arrogante de se nomear nas próprias camisolas que faz... mas não... alguém resolveu dar o mesmo nome a uma aula de... de... de exercício físico...
Não sei se a ideia era a de fazer com que o pessoal fosse ao engano... talvez pensassem que era alguma campanha do ginásio, que alguém lá ia estar a dar camisolas... porque venhamos e convenhamos, Glúteos Abdominais e Pernas estava aparentemente mais para aula de anatomia numa qualquer faculdade de medicina do que para treino de ginásio...
Apesar de tudo, há quem vá. Como eu, a quem deu na venetta (?) aproveitar o tempo que passo no ginásio à espera da Alice e ir ginasticar... e, para comemorar alguns meses - vá, anos - sem fazer qualquer exercício físico, comecei por GAP...
Resultado: quando a Alice me quis dar a mão para descermos as escadas juntas, eu fiz a triste figura de lhe dizer que era melhor agarrar-me ao corrimão porque as pernas me poderiam falhar... e não é que dois degraus abaixo desta conversa me ia estampando mesmo...?! Estive quase a pedir à miúda de seis anos para me levar a casa...
Posto isto, questiono-me como é que amanhã vou conseguir conduzir até à casa do meu colega para o apanhar e irmos até Mafra...
Rita

sexta-feira, abril 13, 2012

Uma semana complicada

Onde se trabalhou muito num serviço a abarrotar, apesar de alguém andar a dizer por aí que trabalhamos pouco, mas onde se vive um clima de muita ansiedade e angústia. Foi também uma semana onde o espírito colectivo se sentiu, e a noção de somos um colectivo.
Este é um post muito curto, só a lembrar que a luta continua e novas iniciativas se perfilham na defesa da Maternidade Dr. Alfredo da Costa. A próxima é no domingo "Uma flor pela MAC", onde se vai construir o logotipo da intituição em flores a partir das 15 horas.
Prepara-se também a MARCHA LENTA A CAMINHO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, no dia 19, às 18.30. Mas depois dou mais notícias, agora vou dormir, depois de três noitadas de trabalho amanhã entro às 8 da manhã.
Ana Cristina

terça-feira, abril 10, 2012

Não ao encerramento da MAC





Nós estivemos lá. Os quatro cá de casa, mais os dois da casa da Cristina, mais os dois da casa dos nossos pais. Mais não sei quantos que ali trabalham ou trabalharam ou gostariam de vir a trabalhar. Mais não sei quantos que lá nasceram. Mais não sei quantos que já lá tiveram filhos. Mais não sei quantos que não têm ali familiares, nem vínculo afectivo, nem qualquer relação, mas que vivem esta tão famosa crise diariamente e que ali viram os seus dinheiros gastos nas grandes obras realizadas. Mais não sei quantos que gostariam de saber os planos para todos os que ali trabalham ou para a futura utilização daqueles tão preciosos metros quadrados no centro de Lisboa. Mais não sei quantos que sabem que ali se faz nascer... e viver... e sobreviver.


Rita

domingo, abril 08, 2012

Maternidade Dr. ALfredo da Costa

Já devem ter ouvido falar que a Maternidade Alfredo da Costa irá fechar como instituição de saúde.
Talvez também já tenham percebido que nós, profissionais que lá trabalhamos, fomos apanhados de surpresa com o seu anuncio, que, apesar de não ser uma completa novidade (fala-se no assunto há pelo menos 20anos) se efectivou de repente e após uma anexação legal a outros hospital de Lisboa.
Desta forma, de repente, eu como profissional, e todos nós como utentes do Serviço Nacional de Saúde estaremos privados de uma Instituição que nos últimos 8-10 anos investiu muito dinheiro na remodelação e modernização das suas instalações e que apresenta actualmente taxas de ocupação maiores que qualquer outro serviço das mesmas áreas de trabalho da região de Lisboa. Não serão esses concerteza os argumentos para o seu encerramento, como o são para os encerramentos vários dos serviços de maternidade espalhados pelo país. Também não será desculpa dizer que o novo hospital nos tirará utentes, porque se esse fosse o argumento seria necessário justificar o seu investimento numa área de funções que já cobria os cuidados à população da sua área de residencia, em período de contensão de despesas.
Não me opondo, de forma nenhuma à restruturação de serviços e ao fecho de alguns deles mas gostava muito de obter respostas acerca do fecho de toda a instituição MAC. E gostava de mostrar o meu desagrado pela forma totalitária como esta decisão estará a ser tomada.

Se vocês estiverem de acordo, convido-vos desde já a participar no "abraço à MAC", uma iniciativa de formação de um cordão humano, na terça-feira, dia 10 de Abril, às 19.30. Eu em princípio estou lá dentro, porque estou de serviço, mas espero que muita gente se una neste abraço conjunto a uma causa. O saber porquê, quais as soluções, o que vão fazer do edifício, dos profissonais e como se irão prestar cuidados a todos os utentes que a MAC, sozinha, presta.

Ana Cristina

quinta-feira, abril 05, 2012

Depois das noticias na TV...

... ainda pensei telefonar para lá a perguntar se devo ir fazer a tarde, mas no telejornal dizem que até ao fim do mês a MAC estará aberta.
Vai ser um turno lindo vai... AnaCristina

segunda-feira, março 26, 2012

Saudades de irmãos

Ontem a Alice ficou nos avós a curar a ligeira doença com que parece estar. Cá por casa ficou um mano muito saudoso. É a primeira vez que vejo a falta que ela lhe faz. Quando ele é o ausente, ela expressa a falta que sente dele e anda pela casa muitas vezes a aparentar não ter o que fazer. Até hoje, ele não o tinha feito. Desde ontem, a avaliar pela quantidade de vezes que já perguntou por ela, pelo facto de lhe ter feito menção pouco depois de acordar e assim que chegou a casa no final da tarde, vejo que deu mais um passo no sentido da aproximação à irmã mais velha. Hoje admitiu que tinha saudades e ontem ficou mesmo zangado quando percebeu que ela não iria regressar logo.

Vejo este amor a nascer de dia para dia e recordo-me da falta que a minha irmã sempre me fez quando me deixava sozinha. Com um sorriso nos lábios, lembro-me de quando, em miúda mas não assim tão pequenina, ela foi à Alemanha de férias e eu chorava durante a noite a cantarolar a canção do Chico Buarque, «Será que Cristina volta, será que Cristina fica por lá...»...

Rita

domingo, março 25, 2012

Um filho que sabe o que é "a fibra"?!

Não faço ideia se os Gatos Fedorentos colocam os seus cenários humorísticos sob o escrutínio dos filhos, mas se não o fazem, deviam.
Há uns dias reparei que o Vasco estacava a ver o último anúncio dos Gatos. Estava a brincar e imobilizava-se assim que eles começavam a falar, prova viva como tudo num anúncio deve ser estudado ao pormenor e tentar atingir o sucesso de fazer parar uma criança de dois anos.
Hoje, durante o telejornal, o Ricardo Araújo Pereira apareceu, numa rubrica sobre trabalhos que irá fazer no Brasil. O Vasco, enquanto comia a sopa, observou a reportagem e, de repente, disse: «Olha, aqui ele não está com a fibra, pois não?».
Será isto a prova de que tenho um filho atento ou de que tenho um filho que vê muita televisão...?!

Rita

sábado, março 17, 2012

terça-feira, março 13, 2012

Mais um ódio de estimação

Aqueles reconhecimentos de comentários com letras esquisitas que nos fazem reconhecer para, segundo eles, provarmos que não somos um robot.

Eu devo ser um bocado mecânica porque, invariavelmente, repito a operação umas três vezes por cada comentário que quero fazer...

Ana Cristina

quinta-feira, março 08, 2012

Invocação à mulher única

Tu, pássaro – mulher de leite! Tu que carregas as lívidas glândulas do amor acima do sexo infinito
Tu, que perpétuas o desespero humano – alma desolada da noite sobre o frio das águas – tu
Tédio escuro, mal da vida – fonte! Jamais… jamais… (que o poema receba as minhas lágrimas!...)
Dei-te um mistério: um ídolo, uma catedral, uma prece são menos reais que três partes sangrentas do meu coração em martírio
E hoje meu corpo nu estilhaça os espelhos e o mal está em mim e a minha carne é aguda
E eu trago crucificadas mil mulheres cuja santidade dependeria apenas de um gesto teu sobre o espaço em harmonia.
Pobre eu! Sinto-me tão tu mesma, meu belo cisme, minha bela graça, fêmea
Feita de diamantes e de cuja postura lembra um templo adormecido numa velha madrugada de lua…
A minha ascendência de heróis: assassinos, ladrões, estupradores, onanistas – negações do bem: o Antigo Testamento! – a minha descendência
De poetas: puros, selvagens, líricos, inocentes: o Novo Testamento – afirmações do bem: dúvida
(Dúvida mais fácil que a fé, mais transigente que a esperança, mais oportuna que a caridade
Dívida, madrasta de génio) – tudo, tudo se esboroa ante a visão do teu ventre púbere, alma do Pai, coração do filho, carne do Santo Espírito, amém!
Tu, criança! Cujo olhar faz crescer os brotos dos sulcos da terra – perpetuação do êxtase
Criatura, mais que nenhuma outra, porque nasceste fecundada pelos astros – mulher! Tu que deitas o teu sangue
Quando os lobos uivam e as sereias desacordadas se amontoam pelas prias – mulher!
Mulher que eu amo. Criança que eu amo, ser ignorado, essência perdida num ar de inverno…
Não me deixes morrer!... eu, homem – fruto da terra – eu, homem – fruto do pensamento – eu, homem – frutoo da carne
Eu que carrego o peso da tara e me rejubilo, eu que carrego os sinos do sémen e que se rejubilam à carne
Eu que sou um grito perdido no primeiro vazio à procura da Deus que é o vazio ele mesmo!
Não me deixes partir… - as viagens remontam à vida!... e porque eu partiria se és a vida, se há em ti a viagem muito pura
A viagem do amor que não volta, a que me faz sonhar do mais fundo da minha poesia
Com uma grande extensão de corpo e alma – uma montanha imensa e desdobrada – porque eu iria caminhando
Até ao âmago e iria e beberia da fonte mais doce e me enlanguesceria e dormiria eternamente como uma múmia egípcia
No invólucro da Natureza que és tu mesma, coberto da tua pele que é a minha própria – oh mulher, espécie adorável da poesia eterna!

por Vinicius de Moraes (in Antologia Poética)

quarta-feira, março 07, 2012

Hoje...

Apetecia-me ficar por aqui no aconchego do lar. Não queria ter de sair, daqui a pouco, para mais uma noite de dez horas de trabalho...

Quando falta inspiração para escrever coisas com algum interesse vêm-se ao blog escrever idiotices...

Ana Cristina

terça-feira, março 06, 2012

Sucessão de ideias

Ela, agora há pouco, ao jantar:
- Não se come e fala ao mesmo tempo.
O que deu origem à explicação que era o falar com a boca cheia que não devia ser feito... e depois sobre o porquê... e a razão de algumas regras que se praticam à mesa... e o perigo de confundirmos o nosso corpo e de enviarmos a comida para o canal onde é suposto respirar-se...
E ela, logo a seguir:
- Pois... porque se pode morrer... mas o pior é o cérebro porque é o cérebro que manda em tudo no nosso corpo, no que pensamos, no que dizemos, se nos portamos bem, se somos totós... tudo, é o cérebro que manda em tudo...
O que deu origem a nova conversa sobre o facto do cérebro até comandar coisas que fazemos sem nos apercebermos, como respirar, pestanejar («O que é pestanejar?!»), engolir.
E ela, logo no imediato:
- Não é bué fácil fazer o pino e cair em ponte a seguir?!


Rita

segunda-feira, março 05, 2012

O Vasco, de cor-de-rosa

Uma das pequenas grandes coisas que gosto na nossa família é a possibilidade de ter estas fotografias do Vasco. De asas de borboleta, de sapatos de salto alto, de saias brilhantes e coroas de papel cor-de-rosa. Sem qualquer tipo de stress ou constrangimentos ou preconceitos.

O Vasco é um pândegas. Gosta de tudo o que é festa, brincadeira e máscaras. Ainda por cima é um pândegas com uma irmã mais velha, toda feminina. Ele não é de todo feminino. Mas a par com as mascaradas de palhaço e as pinturas de bigodes, gosta de experimentar tudo o que por aqui anda que é diferente e que ela, a primogénita, gosta.

É óbvio que acho que temos sorte com ele, sempre disposto a festa. Por outro lado, não tenho dúvidas que ele também tem sorte connosco, por não ouvir uma série de patacoadas machistas e machonas sempre que quiser experimentar vestir-se com lantejoulas... tomara que ele também venha a concluir isso, quando lhe passar a raiva por nos ver a mostrar as fotografias aos seus amigos adolescentes...

Rita

sexta-feira, março 02, 2012

Uma das coisas que me chateia nesta coisa de ficar mais velha é a menor resistência às noites mal dormidas... Há duas noites dormi mal. Primeiro foi algo inexplicável, viravoltas na cama, insatisfação com a temperatura, um acordar constante a pensar que a noite estava ser tão longa e que o telefone de trabalho ainda iria tocar à conta disso... Depois foi o telefone de facto a tocar, quase uma hora a tentar dar início à resolução de uma situação... Depois foi o voltar para a cama, para mais viravoltas de olhos bem abertos... Depois foi o levantar da cama para tentar fazer algo que provocasse a chegada do sono, uma caneca de leite, um livro, uma manta e um banquinho na casa-de-banho aquecida; ao fim e ao cabo, é a única divisão da casa em que a luz acesa não perturba o sono dos restantes moradores da casa... Depois foi o regressar para a cama já sonolenta... o adormecer... para ter brutais pesadelos em que era uma qualquer outra mulher a ser perseguida por outra com um facalhão, que conseguia espetar no meu ombro, e eu a correr e a fugir, de respiração ofegante e sem voz, a correr por uma estrada e ela a agarrar-me e eu a conseguir soltar um grito... e a acordar com a palavra gritada em surdina e a sentir o quarto todo à escuro, só com a minha respiração alterada e o pai a dormir ao lado...

Para compensar, ontem adormeci no sofá antes das dez... e dormi a noite toda, já sem telefonemas, canecas de leite e correrias de fuga de uma louca assassina...

E hoje decidi escrevê-lo, só para contrariar os bocejos que já se me surgiam a seguir ao jantar. Agora, a esta hora, agora sim, vou recostar-me no sofá a ver uma qualquer série e deixar-me adormecer lentamente... mas vai ser uma batalha ganha com as minhas regras, às minhas horas, horas de uma mulher adulta, ora essa, e não de mais uma compensação de uma noite mal dormida...!

Rita

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

De coração


Mais uma peça com coração de Viana, para quem é de Viana... esperamos que dela tenha gostado e que, envaidecida, a propagandeie pela cidade...

Rita

terça-feira, fevereiro 28, 2012

A minha profissão numa telenovela portuguesa

Tenho a certeza que os inspectores da PJ, ou os profissionais da dança me compreendem mas eu tenho como ódio de estimação ver a minha profissão mal retratada na televisão. Talvez os publicitários também me percebam, porque acho que na semana passada consegui ver na telenovela o lançamento de um novo produto de marca nacional, qui çá internacional, feito na casa da dona da empresa, com discurso improvisado por uma gerente que, no dia, estava com uns copinhos a mais.

imagem retidade da net


Nos dias que passei no Alentejo tive a oportunidade de ver a telenovela da SIC, e vi dois colegas enfermeiros. Uma, coitada, deve ter tido dificuldade em arranjar emprego, é agora dama de companhia e uma senhora com Alzheimer. Pelos vistos, essa enfermeira manipula a terapêutica da sua doente a seu belo prazer e por interesses pessoais. Entre passeios e lanchinhos com a sua cliente faz questão de baralhar a sua mente e manipular o seu estado clínico para lhe causar uma dependência ainda maior. Acho que está doidinha de amor não correspondido...
O outro, mais sério e trabalhador, ao que parece roubou material do hospital onde trabalha e, num sítio escondido, mantém a irmã em coma até que esta consiga levar a gravidez a termo, para depois, aparentemente, a poder deixar morrer de cancro. Suponho que este enfermeiro seja mesmo capaz de conciliar o trabalho por turnos com o cuidado contínuo a uma pessoa completamente dependente, em coma, ventilada e às portas da morte.
Depois disto só me resta afirmar que ver televisão nacional é, sem dúvida, uma boa lição sociológica (que me desculpem os sociólogos) acerca dos estereótipos das profissões… Muito mais haveria por dizer, mas de momento, fico-me por aqui.


Ana Cristina

domingo, fevereiro 26, 2012

Ainda do Carnaval


Acho que este ano, mesmo que por pouco tempo, eu e a Cristina conseguimos realizar um dos nosso projectos de há tantos anos... mascararmo-nos com os miúdos... antes da Alice nascer, faziamo-lo sempre, com diversos amigos, e os dias do Carnaval eram festejados por inteiro, ora iamos ao cinema, ora aos bailaricos, ora a um qualquer corso por aí... desses belíssimos anos de festas guardamos felizes recordações, daquelas de rir quase até às lágrimas. E depois vieram os miúdos e as atrapalhações e o medo que de nós tivessem medo ao ver-nos pintadas.

Este ano vencemos todas as contrariedades e formámos um novo grupo para brincar ao Carnaval. Nós e eles. Foram poucas horas, é verdade. Talvez para o ano consigamos mais tempo, Cristina. Agora é sempre a aumentar.

Rita

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Ontem foi mais um aniversário do Pilas. E para variar, ontem não foi dia de tirar belas fotografias ao aniversariante. Mas mostro uma foto mais antiga do meu gatarrão favorito para assinalar os seus nove anos.

Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Domingo de Carnaval




Nada para curar maleitas do corpo a uns ou da mente a outros como aproveitar um solarengo domingo de Carnaval e levar os filhos a fazer um piquenique no parque... há de tudo: hamburgueres do Pingo Doce previamente aquecidos em casa (já que o objectivo inicial era irmos ao McDonalds do Parque das Nações), livros para pintar e desenhar quando os baloiços ou cambalhotas deixam de interessar e maquinhos de chinês para aprender e experimentar...

Rita

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

O sobrinho no seu melhor

Fala tão bem que encanta, com os rr’s no início das palavras e os ss’s muito audíveis, mas com os ll’s em som de u. De repente sai-se com cada uma…
- Tia? Fizeste cocó hoje? Então podes comer dois chocolatinhos logo. Eu também fiz cocó. Posso comer dois chocolatinhos?
- Vamos correr? Quem chegar ao sofá primeiro é uma batata podre. Eu é que sou a batata podre (e é assim todo o dia, do tipo quem come primeiro a trincadela de torrada, ou quem bebe o café, ou quem dá um salto primeiro … ou quem vê primeiro as vacas…
- A Rita está a trabalhar. A Rita é a minha mãe Rita.
- Olha o futegol. O meu pai gosta do futegol.
Todos os dias faz pelo menos uma birra com choro e um episódio de amuo onde coloca a cabeça de lado. Esse amuo costuma ser acompanhado de lágrima no canto do olho mas às vezes é só a expressão facial, que parece ensaiada ao pormenor. Geralmente dura pouco mas nos piores dias tem episódios recorrentes que ficamos com a ideia que o rapaz está com um torcicolo…

É tão giro…


Ana Cristina

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Relatório destes dias

A passar um fim-de-semana prolongado, no meio de uma vaga de frio siberiano que se confunde com o início de primavera, eu e o Vasco já vimos por aqui cegonhas bebé, andorinhas, e uma série de outros "animais" (como ele diz quando não sabe os nomes). Fomos à praia e ele queria tirar as sapatilhas e molhar os pés mas também não admira, o rapaz todos os dias tem comido gelado depois do almoço ...


Lá para o final da semana voltamos à rotina. Até lá pode ser que consiga fazer mais um post com o telemóvel, como este.

Ana Cristina

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Os homens que odeiam as mulheres

Li este livro no ano passado. Na altura comprei o livro porque estava em promoção mas também porque tinha ouvido dizer muito bem desta obra, composta por três livros. Comecei a lê-lo com a relutância de quem gosta pouco de seguir os best-sellers e menos ainda de seguir as febres de momento. Mas a verdade é que gostei. E gostei ainda mais dos outros dois livros que se seguiram, que me é característico, li de uma assentada. “Os homens que odeiam as mulheres”, “A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo” e “A rainha no palácio das correntes de ar” são títulos estranhos como estranhas são as histórias que os compõem. Um ambiente soturno e de uma violência obscura que não estamos habituados a pensar como representativos da Suécia, o país dos ABBA e do IKEIA, um país do primeiro mundo onde nada parece correr mal e tudo será transparente e legal. No livro podemos observar uma marcada influência da segunda guerra mundial e do período pós-guerra, como o aparecimento do bloco de leste.
E se tinha gostado do livro, como seria de esperar, estava apreensiva com a segunda adaptação ao cinema da obra que, ao que parece, tem sido alvo de algumas críticas por comparação com a versão sueca de 2009. A primeira versão não vi mas este é, sem dúvida, um filme muito bem realizado, que em cerca de duas horas, nos conta exactamente a mesma história do livro, com ligeiras nuances que pouco influem no resultado final. E isso foi o que mais gostei, da fidelidade à obra que lhe deu origem. Gostei da atmosfera que o filme nos mostrou com as suas imagens em tons de cinza azulado, do frio, da frieza das personagens e sobretudo das suas personagens nórdicas, pouco calorosas e algo distantes. Eu tinha imaginado um Mikael Blomkvist um pouco diferente, com um ar mais “dengoso” e cativante mas acredito que a minha versão fosse influenciada pela minha visão latina e não a versão nórdica que se pretendia, e que é a original. Por outro lado a Lisbeth Salander do filme enquadra perfeitamente no meu imaginário.
Gostei do filme mas gostei um bocadinho mais do livro. Gostei ainda mais do segundo e terceiro livros, e neste momento encaro os três em conjunto como uma obra só.
Aconselho a sua leitura e a sua visualização, quer juntos, quer separados. E assim que possível, já agora, quero ver a primeira versão cinematográfica da obra.

Para quem estiver interessado, apresento uma curta sinopse.
A história passa-se na Suécia, no país onde “18% das mulheres foram, numa ou noutra ocasião, ameaçadas por um homem.”
O jornalista Mikael Blomkvsit, depois de ser julgado e condenado por difamação a um financeiro importante se torna uma figura mediática. Decide, em consequência do processo mediático, afastar-se temporariamente das suas funções na revista que também é sócio, a “Millennium”. Por essa altura, é convidado por um importante industrial a escrever um livro sobre a história da família Vanger, em tempos uma das famílias mais importantes da indústria Sueca. Mas a história da família é apenas uma fachada para o que pretende o Sr. Henrik Vanger. Na verdade ele está interessado numa investigação acerca da sua sobrinha-neta que, há quase 40 anos desapareceu sem deixar rasto, episódio que é o alvo de uma obsessão pessoal por parte do industrial. Durante esta investigação Mikael Blomkvist contar com a ajuda de Lisbeth Salander, uma jovem de comportamento estranho e anti-social, que por algum motivo é encarada como uma ameaça à segurança pública mas é, ao mesmo tempo, uma mulher com capacidades extraordinárias. Dotada de uma memória notável e de capacidades informáticas fora do comum, Lisbeth tem também uma noção de justiça muito própria e vai tornar-se fundamental na investigação (nos livros seguintes tornar-se-á a personagem principal da história)
Os dois vão mergulhar numa história que vai muito mais para além do desaparecimento de uma adolescente há quarenta anos atrás e que envolve crimes obscuros de carácter sexual, cometidos por homens que odeiam as mulheres…


A acrescentar só tenho a dizer que concordo na generalidade com esta opinião (algo está corrompido no reino da Suécia).

Ana Cristina

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Candeeiro com a nossa assinatura

Para o segundo candeeiro com assinatura Oficinas RANHA escolhemos como inspiração os bordados de Viana. E resultou nesta peça que vos mostro hoje, bem diferente da primeira experiência com candeeiros de pano. Espero que gostem. E para a próxima talvez mostremos o candeeiro do U.


Ana Cristina

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Outros festejos

Quase na data do aniversário do nosso blog, cá em casa, temos a cachupada comemorativa do aniversário do F e que já se tornou uma tradição familiar. Na prática, comemos até fartar o prato típico de Cabo Verde, feito por quem tem genes da cachupa e que (por acaso) até faz anos. No final, as sobras vão em caixinhas pra casa dos amigos porque só uma vez por ano comem cachupa caseira. Este ano tiveram pouca sorte. Não há nada, e se houvesse era pra mim. Queriam um bocadinho, era?

Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

PARABÉNS A NÓS !!!

Hoje, antes de sair para trabalhar, a Cristina escreveu assim:

Porque o "arRanha no Trapo" tem sido, apesar de tudo, um projecto muito interessante que temos tentado manter ao longo destes últimos seis anos. Este foi o nosso primeiro post e, de lá para cá temos muitos mais, alguns bem mais visitados e com alguns comentários... como este ou este. Fizemos posts sobre nós mesmas, "conhecemos" blogs que continuamos a visitar assiduamente, fizemos algumas amizades exclusivamente blogistas mas que são quase como conhecimentos pessoais, como a Rutinha, a Nati e mais recentemente o Jorge...

Fazemos hoje anos e, nem que seja só por isso PARABÉNS A NÓS, as manas Ranha que assinam como Oficinas e que, além das suas vidas privadas e de mulheres trabalhadoras ainda fazem de vez em quando, numas peças originais que quase sempre têm sido oferecidas. Quem sabem se a nova meia- dúzia de anos não trará nova vida às Oficinas RANHA....


Depois, como se foi embora à pressa, mandou-me uma sms para eu acabar:

Eu pensei logo que sim, que diabos, seis anos merecem ser comemorados com um post lamechas a propósito do tanto que para nós pode significar ter este blog, quase como um diário de momentos importantes e raivas e desabafos... Mas depois, a minha filha, também de seis anos, decidiu presentear-me com a leitura de quatro páginas inteirinhas, totalmente por iniciativa sua... e só não pôde ser mais porque, a custo, tive de lhe lembrar que era mesmo necessário que fossem para a cama... de forma que hoje, à laia de comemoração deste blog, só penso em ser mais assídua, para que um dia, ela sozinha, possa ler o que foi acontecendo à nossa volta enquanto ela (eles) cresciam...

Rita

Oficinas Ranhas

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Homem que morreu baleado por defender a esposa

Não sei o que dizer. Eu sei que as notícias têm muito maior impacto quando conhecemos os seus intervenientes mas ontem a notícia do Sr. que morreu baleado já me tinha impressionado. Talvez porque ocorreu numa localidade que não é muito longe da minha. Talvez porque imaginei que seria normal um homem tentar defender a esposa que está a ser assaltada. Talvez porque fiquei contente por o assassino ter sido apanhado. E porque imaginei o segundo assaltado a dar um enxerto ao assaltante. Mas soube hoje que a esposa do Sr. que foi assassinado é uma Sr.ª que conheço de vista e é minha “colega”.
Lembrei-me do outro homem que, há muitos anos, foi baleado num assalto à ourivesaria dos pais. Esse conhecia um pouco melhor. Tinha sido colega da minha irmã e aluno da minha mãe. Era um jovem com vinte e tal anos. Deixou os pais, o irmão, a esposa e uma filha por nascer. Acho que os assassinos nunca foram encontrados.
Tenho receio que, qualquer dia, seja frequente conhecer alguém que morreu com um tiro num assalto. Apesar de tudo, acho que já tenho a minha dose.

Ana Cristina

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Quando um país está como um barril de pólvora...


Imagem retirada da net

...Um jogo de futebol, em vez de ser um motivo de festa, tornou-se num campo minado... Talvez esta seja mesmo a definição de um país que procura um rumo político. Mas também é o reflexo do valor da vida humana em determinado contexto social e político.

Ana Cristina

terça-feira, janeiro 31, 2012

Os Descendentes

No fim-de-semana passado fui ver “Os Descendentes”. Gostei muito. Aliás, não estava à espera de gostar tanto.
Trata-se de uma história muito simples.

Quase um mês depois da mulher ter um acidente que a colocou em coma profundo, Matt King, é informado que o estado de saúde da sua esposa é irreversível e que, de acordo com a declaração por ela assinada vão ser suspensas todas as medidas heróicas de suporte de vida. Nos poucos dias que se seguem cabe ao pai de família informar familiares e amigos que a esposa vai morrer, promover as despedidas, preparar as filhas da morte eminente da mãe. E nesse curto período pai e filhas crescem como família, organizam-se, despedem-se e promovem a despedida. Paralelamente, Matt repensa acerca da morte e da importância da herança familiar e cultural.
De forma muito simples o filme faz-nos reflectir acerca de vários assuntos que se relacionam com a vida, como as relações inter-pessoias como as familiares, as parentais e as conjugais
Já disse que gostei do filme. Gostei. Gostei de tudo. Sobretudo de ser tão simples e tão real.


Ana Cristina