quinta-feira, novembro 04, 2010

...

Na noite passada, em conversa com algumas colegas, falávamos sobre os problemas actuais da enfermagem. Acaba por ser um assunto recorrente em tempo de restrições orçamentais mas também de mudanças na profissão. Nos últimos anos aumentou-se o tempo de formação em um ano, negocia-se o tempo de experiencia profissional tutorado para a obtenção de autonomia profissional, abriram-se de novo as formações especializadas e abrem-se portas para novas especializações (que durante uns anos estiveram praticamente bloqueadas), negociam-se o exercício tutorado para obtenção de autonomia como enfermeiro especialista. Por outro lado assumem-se apenas duas categorias profissionais das quais para atingir a segunda é necessário ser especialista, que não tem categoria, mas onde só se pode chegar por quotas dependentes de avaliação que podem envolver requisitos de malvadez.
No meio disto tudo, uma falta imensa de profissionais, uma alta taxa de desemprego, uma realidade que envolve a proposta de estágios profissionais a serem pagos à hora e a subcontratação para exercício em hospitais de serviço público e ordenados bloqueados umas vezes por causa da crise, outras porque os acordos de actualização da carreira de enfermagem não foram cumpridos.
Claro que o desânimo é muito e a sensação de impotência é quase generalizada mas eu sou incapaz de dizer a alguém que não vá para enfermagem se for esse o seu sonho. O resto fica para outro dia.
Ana Cristina

quarta-feira, novembro 03, 2010

Às vezes...

... o trabalho torna-se novamente um sítio para onde nos apetece ir. Onde rimos, descontraímos e nos encantamos com as imensas possibilidades do que nos oferece, a cada dia. Onde as horas extra deixam de pesar e de dar vontade de chorar. Onde voltamos a sentir um frémito de excitação.
Às vezes isso acontece num momento imperceptível do qual só retemos um leve odor a esperança. E depois o tempo passa devagarinho, com pezinhos de lã. Um dia acordamos cedo, para trabalhar cedo e já depois de uma noitada de trabalho... e apercebemo-nos que tudo mudou. Que os anos parecem recuar. Que nos apetece estar ali, que nos apetece trabalhar, que temos orgulho no nosso trabalho, em quem somos, em quem conseguimos ser ou em quem acreditamos poder vir a ser.
Que o mundo nos está a sorrir outra vez.
Rita

terça-feira, novembro 02, 2010

A mecânica do coração

Confesso que comprei este livro pela sua linda capa e pelo título atractivo, porque do autor não tinha qualquer referência. Actualmente sei apenas que Mathias Malzieu, é vocalista de uma banda de rock francesa e, no campo da escrita, é autor de vários contos editados e de um romance. O livro que venho falar hoje foi assim uma descoberta de um autor que ficará para sempre na minha lista dos que devem ser lidos mais vezes.

“A mecânica do coração” é sobretudo de uma linda e doce história sobre o amor. No final do séc. XIX, numa época sombria e pobre em emoções há personagens que fazem a diferença porque amam de forma pouco convencional; uma mulher que conserta defeitos de crianças abandonadas para que possam ser adoptadas por novas famílias, uma criança com voz de pássaro e que desperta paixões, o inventor que sofre de desamor e o jovem que vive com medo de morrer de amor mas que não resiste a esse sentimento porque ao mesmo tempo é esse mesmo amor que o faz sentir vivo.

Ao estilo de Tim Burton ou de Lewis Carol, como podemos ler no resumo da contra-capa, encontramos um livro de fácil leitura, que eu gostei muito e que aconselho a quem gosta do estilo.
Ana Cristina
Notas: Este livro já tem uma edição com outra capa, igualmente bonita. E, se estiverem interessados posso editar o resumo.

segunda-feira, novembro 01, 2010

O post que não consegui fazer ontem...

Espero que tenham tido um feliz Haloween... Por cá não houve oportunidade de festejar em grande, com mascaradas completas e lanches com os amigos - como tantas vezes desejei refazer, mas infelizmente este ano estou em standby para o trabalho - mas houve quem se vestisse de bruxa, se pintasse a rigor e andasse toda orgulhosa pela rua e num centro comercial*... uma bruxa de botas "caminheiras" cinzentas e rosas, mas em todo um caso, uma bruxa.

Rita

* onde tirei a fotografia de cima, mas não pude tirar mais nenhuma porque é proibido...

segunda-feira, outubro 25, 2010

Petas

A roupa do ballet vinha toda misturada no saco da escola, com a malinha para a actividade lá dentro, aberta e vazia. Perguntei-lhe se tinha sido ela a pôr as coisas assim e ela confirmou. Depois questionei se tinha sido depois da aula do ballet ou se tinha sido já em casa, quando foi à procura de um desenho... que não, que tinha vindo da escola assim. Dei-lhe naturalmente conta da minha estranheza ao perceber que levava a mochila da escola para o ballet e não só o saco do ballet. Ela ficou com ar ligeiramente atrapalhado e começou a explicar que não queria mostrar o saquinho do ballet aos outros... e face à minha cara de espanto e incompreensão, acrescentou que não queria mostrar aos amigos porque eles começavam a gozar: «tu andas no ballet e nós não»... os meus olhos deviam estar cheios de pontos de interrogação... «mas tu não andas no ballet?! E se eles não andam... Então, o que há para gozar...?»...
E depois, de repente, veio a luz: «Estás a dizer-me isso porque não gostas do saquinho?!... Não me digas aldrabices, diz-me a verdade... se não gostas do saco, diz-me... não precisas de me dizer que os outros gozam contigo se não é verdade...»
E foi então que ela confirmou. O saco, não gostava do saco, não tinha nenhuma bailarina como os das outras amigas. Procurámos e encontrámos outro, da Kitty, pequenino, mas onde cabe a roupa do ballet, bem aconchegadinha. Ela ficou contente.
Acho que foi o dia da primeira treta à séria.
Rita

sexta-feira, outubro 22, 2010

Os desenhos da Alice


Nos últimos tempos o grafismo da Alice tem evoluído imenso. Não estou a falar no seu sentido objectivo, mas no investimento que ela tem feito quando desenha e no carácter de experimentação que tem desenvolvido. Dedica-se durante mais tempo e com mais intensidade à actividade, usa mais cores, pormenoriza detalhes. A figura humana, por exemplo, agora tem brincos, franja, penteados e, em muitas ocasiões, cinco dedos numa mão.
Os resultados são maravilhosos, como no caso da fotografia acima: duas mães, com bebés na barriga que um dia se casarão um com o outro. O mais extraordinário, para mim, foi ver a forma como uma delas abraça o seu próprio corpo ou filho, numa configuração de braços tão simples e verdadeira, mas tantas vezes de tão inacessível compreensão para nós quando queremos desenhar.
Rita

Já estou melhor

Apesar de continuar rouca e de me sentir com pouca energia estou melhor do meu síndrome gripal. Mais uma vez se confirma que comigo as gripalhadas passam depressa.
Obrigada pelas mensagens de melhoras
Ana Cristina

quinta-feira, outubro 21, 2010

Estou constipada

Com dores no corpo, cabeça e garganta e rouquidão. E ao contrário do costume, o meu sindrome gripal (expressão correcta para as "gripes" que não o são), já está no final do segundo dia e ainda não me sinto boa.
Mas amanhã devo dar melhores notícias.
Ana Cristina

quarta-feira, outubro 20, 2010

Um abraço forte

Gostaria de conseguir explicar, até para eu própria poder não me esquecer, como é que o Vasco, com ano e meio, dá abracinhos fortes. Fá-lo em duas fases: coloca primeiro os braços à volta da nossa cabeça e a cara junto à nossa cara, e a seguir, depois de desencostar o corpo do nosso, aperta os punhos e faz força com os dentes cerrados à mostra...
Rita

terça-feira, outubro 19, 2010

Pilas é um caçador...

Está provado!
Desde há cerca de uma hora, altura em que um passarinho teve o azar de ter sido apanhado por um enorme gato preto que dá pelo nome de Pilas. Também ninguém o mandou entrar na cozinha de um 4º andar, ainda por cima, propriedade de um felino. O problema agora é que ainda não consegui convencer o filho-gato a deitar o seu novo brinquedo para o lixo, e a sala está cheia de penas...
A brincadeira tem sido semelhante à que ele faz com a bola de saco plástico, mas desta vez com uma bolinha de penas que ainda à pouco voava.
Eu é que não estou lá muito contente...
Ana Cristina

quarta-feira, outubro 13, 2010

Sem grandes palavras para exprimir a emoção de ver, em directo, o salvamento dos mineiros hoje no Chile não queria deixar de relembrar aqui o momento histórico que hoje se viveu no nosso planeta. Mas sobretudo queria aproveitar para também lembrar a falta de condições de trabalho em que estes homens vivem diariamente. Se não fosse o drama por que viveram nestes últimos 69 dias, observado em directo em tudo o mundo, ninguém conseguiria ver com olhos "de ver" as suas dificuldades. Talvez este acidente traga alguma mudança, para melhor, das condições destes trabalhadores que vivem lá tão longe, por baixo do chão... mas que poderiamos ser nós, ou alguém aqui perto.
Mas, enquanto o 27º mineiro chega à superfície, não consigo deixar de me sentir entusiasmada pela capacidade técnica que permitiu libertar estes homens de uma situação que, noutros tempos (ou noutro lugar) teria necessáriamente outro desfecho.
Ana Cristina

terça-feira, outubro 12, 2010

"O rapaz dos olhos azuis"

Acabei há poucos dias de ler este livro. Comprei-o durante as férias e li-o de sopetão porque é daqueles que não se consegue parar.
Não vou fazer grandes resumos porque é fácil de os ler pela net. Limito-me a adiantar que é um thriller interessante que envolve um grupo restrito de pessoas que partilham um passado comum e onde a certa altura já não se consegue perceber quem é quem ou quem é capaz de fazer o quê.
Tenho quase todos os livros da Joanne Harris. Gosto muito do tipo de escrita, simples e sem pretensiosismos. Gosto do envolvimento que sinto com os enredos e personagens. Gosto das ideias iniciais, embora acabe por pensar que têm sempre uma base comum, o que dá uma bibliografia com uma aparência repetitiva...
Neste caso em particular, e embora a leitura tenha sido agradável e ensusiasmante, o final desiludiu-me um pouco, por considerar que deu voltas excessivas no intuito de surpreender cabalmente o leitor... na minha opinião, um daqueles casos em que "menos teria sido mais".
De qualquer forma, aconselho, principalmente se pretenderem uma leitura que vos envolva e vos faça correr para o livro de cada vez que tenham um bocadinho de tempo livre.
Rita

segunda-feira, outubro 11, 2010

Primeiro tinha coisas para escrever sobre as férias. Ou então tinham-me ocorrido durante as férias.
Depois, um vendaval estranho passou-me no cartão da máquina fotográfica e varreu de lá as fotografias todas do mês de Setembro de 2010, nomeada e principalmente das férias. E, com elas, qualquer palavra que me lembrasse.
Não sei do que escrever, ainda estou a habituar-me ao pós férias e aos fins-de-semana pela metade que aí vêm.
Rita

quinta-feira, outubro 07, 2010

Interlúdio risonho com a B. de 13 anos

Eu e a B., de 13 anos. Uma conversa séria, já pela noite dentro.
Enquanto escrevia, a B. ia-me elogiando. Primeiro, porque razão não tinha o cabelo comprido. Depois, que ficava bem assim. A seguir eram os meus olhos, como ela gostava dos meus olhos. Perguntou-me também se era amiga dela. E de repente, no meio destas e de outras expressões, dos balanços corporais que fazia ao som da música da rádio e dos corações rabiscados no pedaço de papel à sua frente, perguntou:
- Tem filhos?
- Sim, tenho dois.
As idades e os nomes. Alice de 05 e o Vasco de ano e meio. E claro, a pergunta sacramental:
- Que idade tem?
- 33. Não, 34.
A boca muito aberta, o espanto em toda a sua expressão:
- Não!!!!!!! Está a gozar comigo??????!!!!!!!
- Não, claro que não.
- Mas parece tão nova...!!!!!!!! A sério!!!! É que é mesmo a sério!!! É que parece mesmo nova!!!!
Eu a rir à gargalhada (mais ou menos aquele tipo de rir para não chorar) e a garantir-lhe que, com 34 anos, também não era assim tão velha. E ela impassível à minha afirmação, contente por arrancar gargalhadas e por, obviamente, eu parecer contente com o elogio:
- É que é mesmo a sério, parece mesmo nova...!!!!! Dava-lhe p'raí uns 20, 21... mas não, é velha...!!!! E parece mesmo nova, a sério...!!!
Rita

domingo, outubro 03, 2010

Olá, cá estamos nós...

De regresso, depois de uns dias de férias.
Eu estive por terras de Além-Tejo, mas já estou por casa há uns dias. Voltei para tratar de assuntos inadiáveis e avançar com novos projectos que depois contarei.
Para finalizar estes dias de descanso ontem fomos passear pela noite de Lisboa e assistir ao espectaculo multi-média no Terreiro do Paço. Foi muito bom andar por Lisboa a ouvir música, assistir ao concerto dos Orquestrada na esplanada do Teatro D. Maria, e comer gelado na rua como se estivessemos em pleno Verão... A noite estava linda e ninguém adivinharia que hoje acordaríamos com chuva, a lembrar que o Outono está aí e que as férias terminaram.
Tanto eu como a Rita voltamos à rotina amanhã. E com ela, também estamos de regresso ao blog.
Até amanhã, ou como diria o Vasco "mnhã"
Ana Cristina

quinta-feira, setembro 23, 2010

Cardigos 2009-2010

Como no ano passado, nestas férias também fomos visitar os Bisavós e os Tios-avós à casa cor-de-rosa de Cardigos, perto de Castelo Branco. Matámos saudades e ficou prometido voltar com bem menos do ano de intervalo que fizemos desta vez.
Tirámos tantas fotografias que até deu para fazer um jogo de "descubra as diferenças":

A miúda no pequeno (e velho e estragado e incumpridor das imensas regras de segurança actuais - mas único na terra e tão parecido com os do nosso tempo) parque infantil da aldeia. Em 2009 e em 2010.
O mais velho e o mais novo deste lado da família. Em 2009 e 2010.

Eu do alto do alpendre a vê-los: ela em brincadeira com o pai no sobe e desce das escadas em 2009 e a regar as plantas com a Bisa em 2010.

Rita

sábado, setembro 18, 2010

Descanso, leitura...

... final de tarde na praia em terras de Além-Tejo.
Eu sei que têm inveja, mas não tenham. Pensem que eu, este ano, ainda só tinha estado de férias em Maio.
Ana Cristina

sexta-feira, setembro 17, 2010

Piadola de filha (à falta do cabo de ligação da máquina fotográfica ao computador e, por isso, de hipótese de ilustração de posts de outro teor)

Já no carro, depois de sairmos da casa dos primos:
- Logo à tarde, quando estiverem a dar as Winx, vou partir a televisão! E depois colo com fita-cola...
Nós surpreendidos com a estranheza e violência do objectivo. E logo ela a explicar que nessa altura as Winx podiam sair da televisão para fora, para brincarem com ela.
Não valeu de nada explicar a questão dos desenhos animados, da sucessão de imagens desenhadas, da exemplificação que já tínhamos visto em outros locais. Irredutível. Existiam sim senhora e ela ia meter o braço dentro da televisão e puxá-las cá para fora.
Pelo sim pelo não, é melhor hoje afastá-la do dito aparelho. Era só o que me faltava, um bando de miúdas aladas e descontroladas cá por casa.
Rita

quinta-feira, setembro 16, 2010

Vou passar uns dias fora...

... porque VOU DE FÉRIAS.
Não serão as férias que tinha em mente quando as marquei, porque terei de vir a casa por uns dias mas sobretudo porque ele não pode juntar os dias dele aos meus. Os dias juntos serão reduzidos a um fim-de-semana prolongado, que já estamos com muita sorte por ele ter andado a ter apenas uma folga por semana (obrigado) durante umas semanas seguidas e os chefes terem autorizado o gozo dessas folgas seguidas.
Cá estarei antes do fim do mês para concretizar um projecto, que por azar ficou marcado para as minhas férias, mas também para o inicio de uma nova fase que falarei noutra altura.
Entretanto levo uns livrinhos e algum material de trabalho. Não sei se terei orçamento, ou rede, para vos visitar mas se der apareço.
A todas as nossas visitas, até breve que eu vou de férias.
Ana Cristina

quarta-feira, setembro 15, 2010

Pequena história de Dona Panqueca, do alto da sua nova e vermelha cadeira-auto, e Senhor Crepe, encolhido na antiga cadeira dela

Lá fora, a serra e o escuro. Pela frente, uma viagem grande. Nos dois o sono pesa, mas nenhum se quer deixar demover, entusiasmados pelas brincadeiras recentes na casa cor-de-rosa, com os Bisos e a Tia-avó.
Senhor Crepe resmunga, pede água, está aborrecido. Não parece decidido a dar facilidades no início da viagem. A mãe sugere que dêm as mãos, lembranças de um ritual antigo entre manas, quando havia pesadelos.
Senhor Crepe rejeita primeiro, aceita depois. Dona Panqueca maravilhada com a acalmia dele. A bem dizer, todos maravilhados com a acalmia dele. A mãe lamenta interiormente não ter a máquina fotográfica à mão.
Lá fora o escuro e dentro do carro uma vozinha:
- Quando eu crescer posso casar com o Vasco?
- Não pode ser, vocês são irmãos e os irmãos não se casam uns com os outros.
- Então quem é que vai casar com o Vasco?
- Outra menina que seja namorada dele, de quem ele goste.
- Não! Não quero...!
Explicações sobre lugares e amores eternos, que ninguém rouba.
Dona Panqueca e Senhor Crepe de mão dada, praticamente a viagem toda, mesmo a dormir.
Rita