segunda-feira, agosto 02, 2010

Resquícios da Irlanda

Há uns dias que ando a prometer uma coisa a mim mesma.
O meu amigo U. costuma dizer que o trânsito desperta o pior nas pessoas e acho que ele tem toda a razão. Uma pessoa sai satisfeita de casa e passados dez minutos já está a reclamar com o mundo de condutores à sua volta, com os disparates em que vai reparando, a insultar os seus proprietários na intimidade da viatura... o sangue pulsa mais rápido, acelera, desacelera...
Mas na Irlanda, em Dublin, em plena hora de ponta, os condutores não apitam... mesmo quando vão para lá os que conduzem à direita e fazem as idiotices normais depois de pegar num automóvel com tudo ao contrário... não apitam... e cedem a passagem... O cenário é tão calmamente estranho ou estranhamente calmo que só depois de algum tempo é que nos apercebemos...
Hoje atravessei Lisboa em hora de ponta, em Agosto, e um indivíduo atrás de alguém fartava-se de apitar para outro alguém. E foi quando eu, que já andava a reparar e a pensar nestas coisas, decidi que posso torcer-me toda, mas que vou tentar ser mais irlandesa nisto do trânsito... vamos lá ver se não me dá uma apoplexia motivada pelo silêncio...
Rita

quarta-feira, julho 28, 2010

"Mana" pela primeira vez

Ao telefone:
- Vasco, chama a mana... chama lá a mana...
- Na... na...
- Ouviste, Alice?! O Vasco chamou-te pela primeira vez...!
E, do lado de lá, uma gargalhada de satisfação.

Actualizações:
Agora, com 16 meses, o Vasco chama o pai e a mãe por toda a casa, e diz atabalhoadamente "olá", "já tá", "tá aqui", "bola", "onde está"... e "mana", provavelmente uma das palavras mais saborosas da sua vida...
Rita

segunda-feira, julho 26, 2010

Está demasiado calor para chegar de uma festa de anos e ainda ter vontade de escrever alguma coisa... talvez amanhã tenha mais energia...
Rita

Cada vez menos por estas bandas

Eu sei que a minha presença neste blog tem sido cada vez menor. Talvez pelo periodo de férias que paira no ar. Talvez por as nossas visitas estarem mais ausentes.
Ainda pensei porpôr à Rita o fecho deste cantinho mas a verdade é que não quero. Custa largar um projecto elaborado e mantido a duas vozes, com tudo o que isso implica.
Pronto, mais uma fez prometo contribuir para a manutenção deste espaço de forma mais assidua. Acho mesmo que é uma questão de ultrapassar a inercia que me assola quando chego a casa cansada.
Até ao novo post. Fiquem bem.
Ana Cristina

quinta-feira, julho 15, 2010

Verde que te quero verde

A viagem foi só de uma semana e só rumámos a sul de Dublin e atravessámos depois o país para a costa oeste... mas, tanto quanto nos foi dado perceber, a Irlanda é verde.
Verde de um verde relva, espalhado por todo o lado até às encostas encarpadas que encontram o mar, o verde que só a intensa precipitação durante um ano gera. E, talvez por termos tido a sorte de pouco ter chovido na nossa semana por lá, o verde fez-nos acreditar ser fácil viver no meio de tanto verde. Deve ser a tal história da esperança...
Tentei encontrar no meu imaginário português paisagens semelhantes, feitas de tamanho verde mas simultaneamente de tão bela simplicidade. A mais parecida que me vem à memória é talvez a de S. Miguel, nos Açores. E ficará por aí, uma vez que no Minho, ou em Sintra, não se encontra tanta área seguida daquele verde.
Só alguns dias depois de termos por lá andado é que nos veio à cabeça a explicação: a Irlanda está vazia. Vazia de gente, comparativamente connosco. O país é pouco menor do que este rectângulo (cerca de 20.000 km2 a menos, sendo que na nossa conta entram as ilhas também), mas por aqui existem à volta de 115 habitantes por km2 enquanto que lá há 29... 29! (Sendo a totalidade da população calculada de 10 637 713 habitantes para 4 339 000) E atenção que a densidade populacional aqui colocada é enganadora (como o é sempre a estatística, mas isso são outros motivos para posts), porque um terço da população irlandesa encontra-se toda em Dublin!!!!
E assim daí o verde, somente salpicado de ovelhas de cabeça castanha, vacas... e gente, pois claro, gente que também planta relvados diante das casas, e que depois cuida deles...
Rita

terça-feira, julho 13, 2010

Sete dias de... Irlanda

Sim, é verdade... roam-se de inveja... e, apesar das fotos seguintes serem dos sete dias de viagem, não correspondem todas a uma por cada dia... mas pronto, cumpriu-se o desafio... mais opiniões sobre a Irlanda em posts seguintes, para quem esteja interessado...

Uma porta em Dublin, num edifício de estilo urbanístico georgiano. E, tanto quanto percebemos, mesmo quando as casas são só uma imitação do dito cujo, é hábito colocar uma porta assim, com este tipo de "moldura"... as ombreiras, armações e bandeiras das janelas e da porta são sempre pintadas de branco e depois as portas podem ser vermelhas, amarelas, azuis, verdes, com batentes grandes e trabalhados...

Um pub dos muitos em Dublin, na zona do Temple Bar... em hora de ponta, com música ao vivo e muita gente de "pints" de cerveja na mão...


Uma cascata nas Wicklow Montains, uma floresta tão densa que não se vê mais de dois metros lá para dentro... e todo o verde da Irlanda...

Uma rua em Kilkenny, com traços bastante comuns ao de outras localidades pequenas que visitámos e em que é visível o tipo de decoração aplicada nos edifícios a qualquer tipo de estabelecimento comercial.

O "full irish breakfast" que se vê em todo o lado e que não consegui compreender se é totalmente turístico ou perfeitamente comum... ovos mexidos ou estrelados, salsichas, bacon, tomate grelhado, morcela branca e preta, pão torrado com manteiga ou doce, café ou chá com leite... uma prendinha para os nossos fígados...
Uma casa de telhado de colmo, como ainda se vêm algumas... neste caso, no Kerry Bog Village Museum, na zona de Killarney (um museu ao ar livre, tentando reproduzir e mostrar as formas de trabalho e vida dos agricultores cortadores de turfa do século XVIII).

O Beef Stew... um guisado de carne de vaca, pelos vistos marinada em Guiness durante algumas horas, acompanhado com legumes e puré de batata.

Grafton Street em Dublin (a rua pedestre, altamente comercial, quase como uma Rua Augusta em Lisboa)... a chuva como despedida, ou não estivessemos nós a deixar a Irlanda...

Rita

quarta-feira, julho 07, 2010

Eu também tenho uma B.

Quem me conhece sabe que e não sou muito adepta de tachos e panelas. Sou eu própria que crio a minha fama de má cozinheira, o que não corresponde bem à verdade. Eu sou é pouco cozinheira. E gosto muito pouco de pensar com antecedência no que se vai preparar de refeição, detesto ir fazer as compras e adorava mesmo era que tudo aparecesse feito tipo passe de mágica. Não tenho acessórios de cozinha tipo batedeira ou a famosa (no tempo em que andava no curso era famosa, acho que hoje ninguém sabe o que é) Kloche. Costumo dizer às minhas amigas que eu não tenho jeito para dona de casa, mas sim para dona da casa. Por mim podia alguém dedicar-se a limpar, arrumar e organizar a casa e as ementas. Eu de vez em quando fazia uns petiscos ou um prato elaborado. Mas só de vez em quando…
Por isso ninguém estranhou quando eu, aceitando que me viessem fazer uma demonstração cá a casa, disse à Sr.ª que era melhor ela aproveitar o tempo para ir a casa de outra pessoa porque eu não ia comprar a famosa máquina que ajuda a cozinhar e que tem nome abimbalhado.
Não tinha contado com um pormenor. É o F que costuma dedicar-se muito mais vezes a tratar das nossas refeições. E ele adora fazer compras… e esava de folga no dia da demonstração (por puro acaso). E ainda... já tinha visto uns progrmas de televisão sobre o famoso robot de cozinha...
E em coisa de uma demonstração compramos a bimba, que já está cá em casa. E eu já fiz algo que nunca me tinha passado pela cabeça; Pão.

Aqui fica a foto do meu primeiro pão, feito com a preciosa ajuda da Bimby. Estava bom, mas já fiz outros (outras receitas) que não ficaram tão bons.

Ana Cristina

segunda-feira, julho 05, 2010

Este calor dá cabo de mim...

...
Eu sei que não gosto de chuva e dias cinzentos, mas o S. Pedro podia não exagerar e mandar um tempinho mais fácil de aguentar.
Ana Cristina

segunda-feira, junho 28, 2010

Um saco com a nossa assinatura

Numa tentativa de elaboração de peças diferentes e variadas para as nossas amigas adultas, já experimentamos trabalhar t-shirts, camisas, calças, agendas, peças de bijuteria, estojos, carteirinhas...
Mas em tempos também oferecemos um saco que comprámos feito (porque nenhuma de nós sabe de costura) pintado à mão e com aplicações de missangas e lantejoulas.
A fotografia não lhe é muito justa, mas ainda ontem o vi a passear na rua com a sua dona e achei que valia a pena lembra-lo.
Ana Cristina

domingo, junho 27, 2010

Tenho pena, mas esta semana não fiz o "Sete dias"... máquina que não tinha pilhas, dias de trabalho que deram para noites, muitos projectos ao mesmo tempo... talvez consiga esta semana... logo se vê...
Rita

segunda-feira, junho 21, 2010

Pediculose

A chavala precisava urgentemente de um corte na guedelha.
E vai a mãe e leva-a pela primeira vez da sua curta vida de quatro anos quase cinco lá acima a um dos cabeleireiros da Graça. Porque o pai insistiu que a mãe, que sempre curtou o pêlo à miúda, não o sabe fazer profissionalmente e não tem a técnica e para a filha experimentar e coisa e tal tal e coisa. E pronto, a mãe dá o braço a torcer porque decidiu um corte complicado, com franja e escadeado e esses tretas.
E lá vão as duas, vaidosonas, a mãe com a filha imunda depois de vir da praia com a escola. E a chavaleca lá se senta num acrescento ao banco e lá fica a lavar a cabeça, tão quieta e gira, com olhos sonolentos do dia bem passado que eu sei lá. E depois passa para a outra cadeira, que cabelo tão lavadinho a emoldurar uma cara tão enfarruscada e e encimar uma camisola e calções verdadeiramente nojentos.
E a mãe, de sorriso apalermado, pergunta se pode tirar fotografias, que bimbalhice, parece que nunca levou a filha ao cabeleireiro e não é que é verdade... E vai daí a senhora separa o cabelo, prepara pente e tesoura. E estaca de repente, ó mãe não pode ser, vai ter que fazer tratamento, ela tem piolhos, venha cá ver. E raça do bicho lá estava, todo contente a passear do alto dos seus três milímetros, e a pôr ovos o desgraçado, que eles fazem filhos até mais não, os promíscuos, quinze por cada dia durante vince e cinco dias ao que parece, a cabeça da miúda cheia de pintinhas prateadas que o diga. E fica tudo explicado, as comichões e as feridinhas minúsculas e tudo o que a mãe lhe parecia instintivamente ter visto e achado que não, ora agora, devo estar a ver mal, se fosse piolhos notava-se então as lêndeas é que custa a ver, isto agora lá iam ser as ditas cujas...
E mãe e filha de volta para casa, loção e lenço no cabelo enquanto brinca com os vizinhos no páteo, raça dos miúdos reproduzem-se que nem piolhos, devemos ter os dez metros quadrados mais frequentados dos arredores... ainda bem que não se reproduzem à rácio da raça, ou não haveria loção que os safasse... ainda bem que se alimentam a estrelitas, a bolas e a pirracinhas uns com os outros, pelo menos saem baratinhos.
Corte de cabelo adiado para amanhã.
Rita

domingo, junho 20, 2010

Sete dias... de algumas das brincadeiras que há cá por casa

Cá está, desafio aceite... sete dias fotografados sob o tema de um único post... é muito giro pensar na semana assim e estimula o olhar e o pensamento...







Esclarecimentos: não consta nenhuma das brincadeiras que fazemos todos juntos porque não sobra ninguém para segurar a máquina...
E em relação à última: o pai também tem direito às suas brincadeiras...
Rita

sexta-feira, junho 18, 2010

Bandeira a meia haste...

pelo homem, pelas obras que ficaram por escrever...
Talvez noutro dia as palavras sejam mais justas.
Ana Cristina

quarta-feira, junho 16, 2010

O Rapaz do Pijama às Riscas

“O Rapaz do Pijama às Riscas” é um livro muito interessante, classificado como romance jovem mas que todos, independentemente da idade, deveríamos ler. Não me tinha interessado aquando da passagem nas salas de cinema, por não ter gostado tanto como a generalidade das pessoas dos últimos filmes famosos acerca da 2ª Guerra Mundial. Na maioria das vezes fiquei com a sensação que a História não foi contada de forma séria e grave que merece ser lembrada. Assim de repente lembro-me de um dos meus filmes de ódio, filme esse que ao que me lembro, ganhou montes de prémios e fez inúmeros fãs, mas que a mim só me faz taquicardia de tantos nervos que me mete. Refiro-me ao “A Vida é Bela”.Neste livro deparamo-nos com uma história contada de forma muito simples, sem rodeios nem floreados mas muito realista, onde o leitor se vê observador de um desenlace que se prevê mas que deixa qualquer um sem palavras. Um livro justo com História Mundial. Um livro bem escrito que todos, todos deveriam ler.
Mas…
“Claro que tudo isto aconteceu há muito tempo e nada parecido voltará a acontecer.
Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos.” (as últimas frases do livro)

Sim! … esperemos.
Tenho de ver o filme ( e espero não me desiludir).


Ana Cristina

terça-feira, junho 15, 2010

No ano passado, para as minhas sobrinhas

Gostaria que todos os anos as Oficinas pudessem oferecer obras da sua autoria às minhas sobrinhas F e M.
E que, sem ser iguais, fossem parecidas uma com a outra e fizessem conjunto, como a minha cunhada gosta.
E que cumprissem os requisitos para que todas elas (mãe e filhas) abrissem a cara num sorriso grande de satisfação.
Este ano ainda não conseguimos chegar lá, talvez no Inverno, para variar.
Um beijinho do tamanho do mundo para vocês. Então esse fim-de-semana em Arraiolos, sai...?!
Rita

segunda-feira, junho 14, 2010

Ideia para os próximos tempos

A Rute, cujo link não vale a pena pôr aqui porque vai dar a um blog privado, lançou uma ideia engraçada. A de escolher um tema e tirar sete fotografias com ele relacionadas, uma por cada dia da semana. No fim, fazer um post com todas.
Hoje dei por mim a fazer uma lista mental de assuntos e fotografias. E por isso transmito aqui que o primeiro assunto está escolhido e a primeira foto está tirada. No Domingo coloco tudo. Vai ser giro estimular uma maneira diferente de olhar para as coisas ao nosso redor.
A ideia está abraçada, Rute. Quem quiser, espalhe e/ou participe.
Rita

terça-feira, junho 08, 2010

Hoje...

estou constipada. Por isso não me apetece sequer pensar no que escrever neste post.
Claro que nos últimos tempos essa tem sido uma sensação constante, mas hoje a desculpa da constipação serve de justificação.
Digo só que estou numa fase de projectos, sobretudo pessoais e familiares, que envolvem mudanças e sonhos possíveis de realizar com um bocadinho mais de espaço. Com esta perspectiva, imaginar decorações, cores de paredes, montagem de armários, ocupam o meu dia. Hoje acordei a fazer medidas...
Mas em fase de criatividade, outros projectos também se desenvolvem, em relação a este espaço e às Oficinas RANHA.
Só vos digo que as novas peças prometem...
Ana Cristina

quinta-feira, junho 03, 2010

Curtas

Passo a explicar que não temos actualizado devidamente este blog nos últimos dias porque uma das manas Ranha decidiu fazer um curtíssimo passeio por terras algarvias e a outra está demasiado ocupada com a realização de quatro prendas de aniversário em simultâneo, uma amigdalite repentina, duas injecções de penicilina e um rabiosque dorido.
Rita

terça-feira, junho 01, 2010

Aos poucos retomo os meus hábitos de leitura da fase pré-mestrado. Da mesma forma projecto várias novas peças com assinatura Oficinas RANHA, que falarei (e espero mostrar) em breve. Também ando muito animada com os vários projectos que me rodeiam, mas esses não se contam por enquanto.

Falemos então de um dos últimos livros que li; "O Estranho caso de Benjamin Button". Não magradou especialmente. Que me lembre, pela primeira vez, gostei muito mais do filme, que da obra literária que lhe deu origem. Talvez porque, mais uma vez, as obras homónimas não nos apresentam a mesma história. As personagens são outras. O enredo é diferente. E eu, definitivamente gostei mais da história do filme, muito mais completa e pormenorizada.
De qualquer forma será interessante pensarmos, pelo menos hoje - dia da criança - na nossa renitência em aceitar as vidas que não vão de encontro aos padrões considerados normais.
Apesar de não ter gostado assim tanto do livro, deixo-o como sugestão de leitura muito rápida (eu li-o em menos de um dia).
Um conselho; não comparem com o filme.
Ana Cristina