quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Dia de três


De vez em quando, em vez de dois, trago três da escola. É o dia em que fingimos que a que não tem manos é a irmã mais velha, a minha primogénita é a do meio e o puto é o mais novo.
Ela é a grande amiga da Alice, o único nome que para além do dela ela quer aprender, aquela para quem ela faz desenhos.
Gostamos muito de a ter cá e de ir vendo como as duas crescem a par e passo, com gostos, características e formas diferentes de resolver as coisas.
Agora, há momentos em que o Vasco também se junta a elas; como hoje, em que rastejou até às construções de lego. Foi a primeira vez de muitas em que ele deixou de ser o bebé com a piada de agarrar e mimar e pegar para tirar fotos, para passar a ser o puto chato que precisa de ser enxotado porque só estorva e estraga. Pediram-me para o tirar dali e eu disse-lhes que não, que ele queria brincar com elas, que elas poderiam levar o lego para o quarto, que teriam de resolver o assunto com ele. Até que a Alice resolveu ensinar a amiga a afastá-lo, pegando-lhe nas pernas e levando-o para outro sítio da sala. E as duas o foram fazendo à vez, conforme ele se aproximava.
Todos manos a fingir.
Rita

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Será que...

... depois de arrolados e ouvidas as prováveis mil testemunhas do Sr. Embaixador, mais as trinta e tal do Sr. Apresentador e as cinquenta e tal do Sr. Doutor e outras tantas dos outros arguidos este tribunal vai ouvir os dez milhões de portugueses para concluir o processo? Ou talvez os turistas que visitaram o país nos anos muitos anos em que alegadamente ocorreram os abusos.
Se calhar é melhor fazer um referendo. Seria concerteza mais rápido...
Ana Cristina

domingo, fevereiro 07, 2010

Família reunida

Hoje, pouco tempo antes do Vasco conseguir pôr, pela primeira vez, um cubo pequeno dentro de um cubo grande, inaugurámos as nossas reuniões familiariares.
A ideia foi do Brazelton, confesso. Ele é que disse que Quando as crianças atingem os quatro anos de idade, é altura de começar a ter reuniões familiares regularmente. (...) Todos se sentam juntos. A ideia é levar a criança a sentir que é um membro estimado da família, com responsabilidades claras, de que se pode orgulhar.* E nós, seguindo o conselho um "guru" cá de casa, lá o fizemos. Com direito à escrita dos pontos principais e tudo.
Nesta reunião, mantida sob o desatento olhar do Vasco, que jantava (ou melhor, que pouco jantava), conversámos sobre actividades, tarefas e regras de doces. As ideias dela ainda foram poucas e as do pai nenhumas, mas acho que com o tempo nos habituaremos a melhorar estes momentos.
As conclusões, como todas as conclusões, foram importantes. Definiu-se que, a juntar às tarefas que já tem (tirar e arrumar os seus sapatos e casacos quando chega a casa, colocar uma toalha separadora na mesa quando vai lanchar, por exemplo), a Alice vai passar a despir sempre a sua roupa e a vestir o pijama, bem como a ajudar por vezes a pôr a mesa. Ao pequeno-almoço vai comer Chocapic "só" às 2as, 4as, 5as, 6as e sábados, bebendo leite e comendo pão às 3as e domingos. Pode pedir doces dia sim dia não, apesar de não significar que os pais lhos dêm (só diminuir os pedidos já é bom, isto anda um exagero!). Da parte dos pais houve a promessa de brincar mais vezes com as Barbies, às escondidas, à plasticina e um pedido para que se guardasse um dia para desenhos, trabalhos e exercícios.
Tudo registado em "acta" para o futuro.
Rita

*T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow, "A criança dos 3 aos 6 anos"

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Ando cansada

Tenho coisas para dizer aqui mas ainda não arranjei o momento oportuno do dia para me dedicar a elas.
A verdade é que ando cansada e não consigo perceber bem o porquê. Será que é agora, passados alguns meses do início do trabalho, que o ritmo começa a entrar... e a pesar?! Será que é do ginásio, recentemente recomeçado e que me lembra uma "morte lenta", ou seja, a pessoa sai de lá como se não tivesse sido nada e depois levanta-se cansada todos os dias e tem sono logo a partir das 22h?! Será que é daquelas fases no ano em que se sente necessidade de tomar umas vitaminas porque até nos esquecemos de coisas que são diárias e comuns?! Será que é desta constipação que pressinto?! Será disto tudo?!
Rita

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Uma música para começar a semana

Eu sei como é: uma pessoa anda a viajar pelos blogues usuais, vê que num deles inseriram um vídeo e passa logo adiante, quase sem ver... Vá, não façam isto desta vez... prometo que vale a pena, que é lindo de ver, de ouvir... e principalmente de sentir... e depois, com o coração cheio de coisas boas, comecem uma semana nova...

Rita

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ó pra mim a falar dos enfermeiros...

Quando eu acabei a minha licenciatura, a minha irmã já era enfermeira há uns oito anos.
Eu vim a seguir a participar num concurso público para a profissão que hoje tenho - e que acho que não devo dizer aqui qual é - a entrar e a fazer um ano de curso e um ano de estágio. A minha licenciatura não era um requisito na altura, pelo que para o que eu iria fazer só se exigia o 11º ano. Na verdade, se eu não achasse que as minhas habilitações se enquadravam perfeitamente na minha futura profissão, era quase como se sentisse que tinha andado a estudar mais de quatro anos para nada.
Quando eu me encontrava a acabar este segundo curso, a carreira para a qual eu estava a estudar foi repensada, reestruturada e criaram-se novas regras: a partir dali, seria exigida uma licenciatura e não mais o 11º ano. Mudaram-se títulos e, mais importante, tabelas salariais. Todos passaram a ganhar mais, independemente das suas habilitações literárias. E mesmo hoje, ter uma licenciatura (como passou a ser obrigatório nos concursos seguintes) ou ter o 11º ano (como muitos até à minha entrada têm) acaba por ter o mesmo significado em termos de vencimento.
Entretanto, a minha irmã tinha um bacharelato, porque assim era a formação em enfermagem. E trabalhou no público, depois no privado, trabalhou em dois sítios em duas ocasiões, voltou ao público, fez algumas greves em que teve de assegurar serviços mínimos e não ganhar na mesma (o que mudou mais recentemente), contraiu uma tuberculose que nunca lhe foi considerada doença profissional e que a deixou sem trabalhar uns tempos, ficou com dor siática por mudar camas com velhinhos gordinhos lá dentro, fez manhãs tardes noites e mais manhãs tardes noites e mais manhãs tardes noites...
Um dia, o curso de enfermagem passou a ser uma licenciatura e a minha irmã, como muitos enfermeiros seus colegas, começou a pensar que deveria pôr-se a fazer o ano que a faria ter equivalência a este grau de estudos. E lá se dedicou a estudar mais um ano, a arranjar chatices no emprego por demorarem meses e meses a dar-lhe o estatuto de trabalhador-estudante, lá teve de fazer trocas e trocas, lá gastou uma imensidão de dinheiro e lá tirou o seu ano de licenciatura...
Contudo, a sua carreira nunca foi reestruturada, nem repensada, nem as tabelas salariais alteradas. Fizeram-se promessas de ajustar anos de experiência profissional e habilitações, mas estas nunca vieram a ser cumpridas. O que significa que os enfermeiros licenciados e os bacharéis ganham o mesmo, mesmo aqueles que decidiram licenciar-se e esforçar-se e sacrificar vidas pessoais na esperança de verem os seus esforços reconhecidos.
Mais: um enfermeiro licenciado (ou bacharel, no fundo vai dar ao mesmo em matéria de reconhecimento de esforço) ganha em início de carreira, um ordenado base inferior ao de quem tem a minha profissão, independentemente de até eu entrar nela, só ser exigido o 11º ano.
Pronto, só quis dizer isto. Para que alguém tenha mais ou menos a mesma noção que eu do motivo que leva os enfermeiros a recusarem trabalhar e a manifestar-se nas ruas.
Rita

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Pequenas notas...

1- O orçamento tinha umas pequenas gafes. Coisas sem importância, do estilo de umas aplicações em falta e uns euros (-itos) de diferença nos apoios à agricultura.
2- Parece que os quadros eram muito difíceis de fazer e por isso entregaram o dossier tarde, na pen, porque não tiveram tempo de imprimir tudo.
3- Mas atenção. Estamos a falar do Ministro das Finanças, não de um aluno do primeiro ano da faculdade. Porque se fosse esse, chumbava.
... quanto à GREVE DOS ENFERMEIROS. Disso falamos mais tarde.
Ana Cristina

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Greve Nacional dos Enfermeiros

"Imagine, se puder, um mundo sem enfermeiros" . Um sistema de saúde tão debilitado que seria irreconhecível. Quando as enfermeiras desaparecem também desaparece a segurança do paciente. Assim começa o vídeo que vos deixo...
Podem vê-lo aqui.
Na sexta lá estarei na rua, mais uma vez, a manifestar-me. Numa luta pelo reconhecimento da profissão que é a minha.
Ana Cristina

terça-feira, janeiro 26, 2010

Reportagem de Natal atrasada 2


Eu recebi uma jóia. Peça única. Feita pela Alice.

Ao que parece é do mesmo modelo que o colar da tia Sofia, mas com cores diferentes. O dela será em cor-de-rosa, o meu em azuis, mas seria em laranja se a Rita não tivesse interferido e lembrasse que cor-de-laranja é uma cor que eu não gosto.

Recebi a minha mais recente jóia da mão da sua autora, com um grande sorriso e uma interrogação: "- Ó tia, porque é que tu não gostas de cor-de-laranja e até detestas? Todas as cores do mundo são bonitas!"

Senti-me quase uma criminosa...
Ana Cristina

domingo, janeiro 24, 2010

Uma árvore para todo o ano

Vamos cá ver: prometi uma reportagenzita de Natal e esta ainda só vai no primeiro episódio... mas a verdade é que, cá em casa, a árvore também só foi desmontada ontem... eu e o meu cunhado Fernando até demos por nós a falar sobre a eventualidade de se deixar de ter uma árvore de Natal e passar a uma espécie de árvore anual... uma que ficasse sempre ali e que nós fôssemos redecorando conforme a época em que nos encontrávamos... por exemplo, nos próximos tempos colocaríamos máscaras... depois, ovos pintados... no Verão poderiamos pendurar-lhe fatos de banho e biquinis... seria um incentivo à originalidade e criatividade, não...?!
Rita

E promete-se a continuação e final da reportagem (que não é assim tão grande) para esta semana...

terça-feira, janeiro 19, 2010

Dia de sol

Quando iamos a caminho do carro, ela pediu para irmos ao parque de Sta. Clara. Hesitei, mas foi só por uns segundos. Um dia como o de hoje, não dava mesmo para desperdiçar... Para lá caminhámos então, que é como quem diz que fomos andando de carro, embora a terça-feira, dia de feira da ladra, não prometesse grande estacionamento. Para completar a sorte do dia, um lugar próximo do portão.
Um homem e uma mulher, ar de pai e filha, com dois cães e duas bolas. Um grupo de senhores velhinhos em torno de uma mesa, o silêncio da expectativa da jogatana de cartas. Duas amigas na esplanada e a pose saborosamente indolente do empregado/dono do quisque-café. Poucos pais com os filhos, depois mais alguns e até uma coleguinha de sala.
A filha contente, a saltitar nos degraus, a pedir para comer um gelado e para despir o casaco. O bebé a rir e a olhar a copa das árvores com ar fascinado. A mãe contente, tão contente por ter aderido à proposta da filha, apesar dos arrepios de frio nas costas mal agasalhadas.
Que bom, um dia de sol.
Rita

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Reportagem de Natal atrasada 1

Tenho o sonho de conseguir fazer as prendas de Natal todas... ou praticamente todas.
Acho que houve um ano em que estivemos perto de o conseguir, mas não nos temos aproximado desse feito desde aí.
Entretanto, estimulo os filhos a fazerem as prendas para os mais chegados: os avós e os tios. O objectivo é demovê-los de aceitar passivamente todo o consumismo da época e lembrá-los de que o Natal é um momento para dizermos às pessoas que gostamos delas e de as ter perto de nós. Para isso, nada melhor do que prendas personalizadas. Tem sido assim desde que a Alice pôde colaborar minimamente e ela gosta e adere, satisfeita, aos projectos. O mais interessante é vê-la a evoluir, tanto nas ideias que dá como no modo de as levar a cabo.
Na noite de Natal, os presentes feitos por ela são abertos ao mesmo tempo. Este ano iniciou-se ainda o hábito de serem os primeiros, para possibilitar aos familiares que reparem bem no que foi realizado e que o partilhem com ela. O orgulho da Alice é indescritível...

Este ano, a prenda da Alice para os tios foi:

"Duas pequenas sereias" e "Uma menina com uma flor e um bebé"


O Vasco também se iniciou nestas lides e ofereceu a sua mãozada e pegada:

Rita

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Fui ao cinema agorinha mesmo...

Fui ver o Avatar.
E devo dizer que embora o tema seja recorrente, continuo a emocionar-me com ele, com a lembrança de que, no mundo e na natureza, todos estamos ligados sinergicamente, de forma interdependente, e que isso faz com que tenhamos de cuidar uns dos outros e de dignificar os nossos contactos...
O filme é muito bonito e vale a pena ver. É possível que saiam de lá como eu, a desejar uma visita ao mundo de Pandora... e, já agora, uma pele azul manchada e com pintinhas fluorescentes, um corpo esbelto e longuilíneo, umas orelhas expressivas, uns olhos gigantescos e doces, e uma trança que faz contacto directo com os animais e as plantas...

Rita

quinta-feira, janeiro 14, 2010

A partir de hoje...

... podem encontrar-nos também no Facebook.
Pois é, foi só aderir e procurar uns três nomes e, num instante, encontramos as páginas de conhecidos, de amigos de longa data e até de gente famosa.
Tenho é de combater a tentação de se tornar um vício...

Ana Cristina

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Desde a última notícia nossa passou-se quase um mês, o aniversário da Rita, o Natal, a passagem de ano e uma carrada de turnos desde o ano novo.
Não nos cansamos deste espaço nem deixamos de gostar de visitar as nossas amigas da blogosfera. Simplesmente não o fizemos. Foi como fazer umas férias de posts, de blogosfera e de net. Na verdade as férias não foram muito completas porque eu vim diariamente consultar o mail para procurar novidades acerca da marcação da defesa da minha tese mas nada se passou nestes dias. Essa é a minha preocupação de momento, preparar a defesa e fazê-la o quanto antes porque me sinto em stand-by, à espera de ser reiniciada. Aguardo o dia em que me sentirei livre o poderei de novo ler os meus livros e usar os meus pincéis.
Quanto a este blog, o plano é que receba um novo impulso, se modernize e que as Oficinas RANHA voltem a mostrar as suas artes. Foi um dos meus desejos e projectos para o novo ano. Espero que se concretize.
E a todas as nossas visitas... Um bom ano de 2010, porque todas merecemos...

Ana Cristina

domingo, dezembro 13, 2009

Há dias assim...

Às vezes precisávamos de um elogio, alguém que nos dissesse que somos mesmo bons, e que fizemos mesmo bem... ou que somos o máximo, os maiores, que estivemos à altura... ou que têm um imenso orgulho em nós...
para não nos sentirmos só razoáveis...
Rita

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Filha injustiçada

Enquanto se sentava a lanchar:
- Pois é, vocês me deixam ler um livro, ouvir música ou ver a árvore de Natal...!!

(Compreenda-se: em detrimento de estar a ver televisão, que era o que ela queria.)

Rita

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Hoje...

... estou tão (pacificamente) irritada e revoltada com as atitudes de um colega meu, que gostava mesmo de o atropelar... caso tivesse a absoluta certeza que ele não se magoava fisicamente...
Isto parece ilógico, mas tenho a sensação que me vão compreender.
Rita

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Produção pré-Natal e não "pró-Natal"


Este foi um dos mais recentes trabalhos das nossas Oficinas. Uma saia da Ana Prima para decorar, entregue já há algum tempo e só agora feita e entregue.
Tenho pena de sentir, mais uma vez, que a fotografia não faz a mínima justiça ao efeito com que a saia ficou... não nasci mesmo para tirar fotografias bonitas, do estilo de algumas que vejo por aí na net... enfim, se estivesse passada a ferro também tinha ajudado...
Rita

terça-feira, dezembro 01, 2009

Fomos ao teatro


Hoje fomos ver "O Corcunda de Notre Dame" ao TIL. Nunca tinha assistido a nenhum espectáculo do Teatro Infantil de Lisboa e sempre havia tido curiosidade sobre as suas produções.
Gostei. A peça está gira, animada, cómica, e fiel à única versão que eu conhecia, a da Disney. Tão fiel que, interiormente, optei por acreditar ser "A" versão correcta.
Quase sem nos apercebermos, foram quase duas horas de Alice silenciosa, de boca aberta, com excepção do momento em veio o intervalo e pediu para ir embora porque estava com medo. Do Juiz, calculei. Acabou por lhe passar e ela percebeu a necessidade de enfrentar o sentimento para compreender o destino de todas as personagens de que gostava.
Em resumo: achou o Phoebus muito bonito e até ir para a cama, tivemos direito a vários teatros e danças inspirados na nova história. Escusado será dizer que gostou e que temos agendado o aluguer do filme para o fim-de-semana.
Rita
*a foto foi tirada do site do TIL