sábado, outubro 24, 2009

E eis que...

... hoje, quando acordei, aos tropeções, para ir fazer o biberon do Vasco, me deparo com a nova-antiga realidade: aparentemente, estou curada! Quer dizer, já sou uma ouvinte novamente! Ou melhor, estou praticamente como estava, tirando uma muito ligeira sensação de bloqueio...
Rita

sexta-feira, outubro 23, 2009

Dela novamente

No banho:
- Mãe, quero ter uma bolha no pé, como a R....
- Olha que coisa tão gira para se querer ter...! (e depois, vendo que ela estava mesmo a falar a sério) Filha, uma bolha no pé dói... é uma coisa que dói... que se tem porque se magoou o pé...
- Ahhh...
- Então, queres ter uma bolha no pé?
- (com ar de medo) Não...

***
Enquanto eu penteava e fazia rabos-de-cavalo a todas as bonecas que me ia dando, ela:
- Sabes, é que depois de tu as penteares, elas ficam com uma cara assim... assim... desigual.
Rita
E é verdade: aparentemente, nada de novo. Continuo meia surda.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Actualidades de uma otite

É verdadeiramente estranho estar meia surda. Sinto-me melhor depois de ter desaparecido o mau-estar geral inicial, mas continuo com o ouvido bloqueado. Nunca pensei como estar surda afectaria a minha percepção da realidade... é horrível... os estímulos auditivos parecem surgir em demasia e não me sinto capaz de os aguentar de forma confortável, são sempre excessivos... só tem uma coisa boa: não ouvir a Alice a ressonar no quarto dela durante a noite...
Rita

quarta-feira, outubro 21, 2009

Estou mesmo. E agora, que recomeça a dor e o desconforto mais intenso, não me apetece escrever nada. Vou-me sentar ali quietinha e em silêncio. Pode ser que as bactérias se esqueçam da minha pessoa e migrem para outro sítio de mim onde causem menos estragos.
Rita

segunda-feira, outubro 19, 2009

Querida Avó adoptiva Irene

Entrei eu aqui no blog, pronta para deixar um post rápido sobre os filhos porque tenho que ir ali ajudar a Cristina com a sua tese de mestrado, e eis que me deparo com... um comentário simpático da Avó Irene sobre este nosso cantinho...!!!!
E agora explico: a Avó Irene é avó das minhas queridas primas adoptivas Ana e Catarina... que vejo verdadeiramente como minhas primas, razão porque não gosto de usar o "adoptivas" e porque passo a retirá-lo imediatamente... adiante...
A Avó Irene faz os melhores panadinhos de polvo que eu conheço, mas para além disso, faz um montão de outras coisas boas que são com certeza as melhores que já comi. (Nomeei os panadinhos porque foram os supostos causadores de uma das rotinas mais deliciosas do Natal em Viana.)
A Avó Irene cozinha mesmo muito bem e fiquei impressionada quando me contou uma vez que só o tinha aprendido a fazer depois de casar, uma vez que a sua própria mãe adorava fazê-lo e nunca permitia ninguém na sua cozinha. Na altura foi prova provada como há talentos que se transportam nos genes.
A Avó Irene recebeu-me algumas vezes na sua casa, chega a fazer petiscos de propósito para mim e é sempre amorosa para a minha família, que praticamente também terá adoptado como sua. Como ainda não tem bisnetos, gosto de lhe mostrar a Alice e o Vasco. A primeira já elogiou as comidinhas especiais e o segundo lá chegará.
Para além disto tudo, a Avó Irene faz parte daquele grupo de senhoras que não se renderam à sua idade e decidiram ir aprender informática para poder, inclusivamente, viajar por este mundo que é a internet. E, com muita honra, recebemo-la aqui, e aguardamos ansiosamente, por novas visitas... e, porque não, por um novo espaço onde também nós possamos ir...
Olá Avó Irene!!!
Rita

terça-feira, outubro 13, 2009

Dela, hoje no caminho de escola para casa

- Sabes mãe, hoje eu cuspi e depois pus a baba aqui nos olhos, assim... [tipo maquilhagem, estão a ver?!]

***

Depois de tropeçar e se amparar com as mãos no chão, digo eu:
- Boa, filha. É assim mesmo, fizeste muito bem, puseste as mãos no chão, é assim que se faz.
- Porquê?
- Porque assim não batemos com a cara. É melhor bater com as mãos do que com a cara.
- Porquê?
- Olha... o que é que tu preferias, bater com a cara ou com as mãos...?!
- Com nenhum. [realmente, que pergunta parva...]

Rita

segunda-feira, outubro 12, 2009

Prova superada

Hoje, o princípio de noite avizinhou-se desastroso...
A filha tinha adormecido no sofá (por sua própria iniciativa) e acordou com a neura, irritada e irritante, cheia de birras e manias.
O filho estava bem-disposto, mas sair do banho não o satisfez e decidiu também reclamar a viva voz.
A filha tomou banho em segundo lugar, mas o dito não lhe aliviou o mau humor e aos problemas já revelados, juntou o queixume.
O filho recusou a sopa e até a banana e colocou-se num berreiro desgraçado sempre que se lhe tirava a chucha ou se esta caísse.
...
E depois, quase que de repente, a filha salta do sofá para o chão e começa a brincar.
E o filho começou a dar grandes risadas (por entre os olhos cheios de lágrimas) aos bonecos usados para o entreter, e a abrir a boca e ala de colheres de sopa e banana sem precisarem de ser misturadas nem nada.
...
E os pais suspiraram de alívio. Tinham conseguido apagar os fogos sem desesperarem, sem chorarem e sem a voz levantarem.

Rita

quinta-feira, outubro 08, 2009

Arte ("How to save a life" - The Fray)

Gosto muito desta música.
Quando a ouço tenho vontade de correr e saltar de olhos fechados
e de chorar por todas as mágoas que me esforço por ir pisando em mim
e de chorar a sorrir por tudo o que consegui
e de cantar a gritar
e de fazer amor no chão, rodeada de velas acesas
e de andar à chuva e não me preocupar com nada
e de recuar até à idade em que conseguia voar
e de...

Então, pego nele, no filho, porque só aqui estamos os dois, apago a luz do escritório e deixo só a azulada que vem do computador, e dançamos de cara encostada um ao outro... eu de olhos semicerrados e ele com os dele bem abertos, espantados porque ainda não conseguem perceber que nesta vida temos a sorte de viver coisas destas, que outros fizeram para nos mostrar e que nos fazem transbordar de emoção... e que isso é das coisas melhores do mundo... das coisas que nos salvam a vida todos os dias...



Rita

quarta-feira, outubro 07, 2009

Posição de super-herói

O meu filho passa imenso tempo nesta posição, assente só pela barriga, pernas levantadas a espenear e braços para trás. Já há muito tempo. A mim dá-me sempre vontade de rir e não consigo deixar de esperar o momento em que o veja, num qualquer dia destes, a levantar vôo para ir salvar o mundo...
Rita

terça-feira, outubro 06, 2009

Manifesto

Declaro-me contra os dias úteis de chuva a seguir a fins-de-semana prolongados.
O céu é cinzento demais para se ficar com vontade de sair de casa e ir trabalhar.
E principalmente quando os mesmos significarem simbolicamente o início de uma nova estação e tivermos de calçar sapatos tapados e deixar as sandálias em casa com o resto da família*. Mas porque razão não começa o Outono devagarinho, com dias solarengos a ficar progressivamente mais fresquinhos e as folhas das árvores a acumular aos poucos nos passeios...?!
Protesto contra o dia de hoje, está protestado.
Rita
* Entenda-se pelo pai e pelos filhos, porque a Alice afinal estava com uma amigdalite resistente e este fim-de-semana teve de tomar penicilina, coitadita... e provavelmente daí o cansaço extremo e o mau estar em alguns dias da semana passada... "O seu a seu dono", nada de culpar só o excesso de medicação...

segunda-feira, outubro 05, 2009

Canal Benfica... sem Benfica

Já alguém viu o Canal Benfica durante um jogo que só dá na Sport Tv...?! É o máximo!!!! Dois comentadores que só estão habituados a ser ouvidos, de frente para a câmara, a descrever e a tecer considerações sobre um jogo que só eles estão a ver... sim, porque se os espectadores estão a olhar para eles, não estão decididamente a ver o jogo...
Ouçam, se quiserem dar uma boa gargalhada num momento de desânimo, ou alegrar um amigo sisudo, coloquem a televisão no canal certo, na hora certa. Minutos de puro e cómico ridículo! Aproveitem! E nem é preciso gostar de futebol...!
Rita

quinta-feira, outubro 01, 2009

Que sirva de alerta...

Ontem, a Educadora da Alice chamou-me a atenção para o facto dela ter passado o dia todo com muito pouca energia, quase sem falar, com pouco apetite, imenso sono, constantemente à procura do colo e mimo dos adultos. Como se não bastasse para me intrigar, enquanto me encontrava a receber estas informações, a Alice vomitou.
Uma vez chegada a casa, pensando que poderia ser uma reacção ao antibiótico para a amigdalite que ela ainda estava a tomar, fui ver a bula. Que fique claro que eu sou daquelas que lê sempre as bulas e que reclamo com todos os que, à minha volta, não o fazem. Desta vez, eu era digna do meu próprio ralhete. E eis que, da leitura, resultou a constatação que a Alice se encontrava a tomar o dobro da dose de antibiótico que devia para o seu peso e idade. Um engano, ou na prescrição (é o que me parece), ou na farmácia. Um engano não especialmente prejudicial, como a pediatra veio a explicar, mas causador de irritabilidade difestiva - o que terá provocado o vómito e o mal-estar geral. Um engano que, a meu ver, pode ser compreensível, porque todos os temos, mas um engano que poderia, em outras circunstâncias, ter saído muito caro...
No rescaldo do sucedido, fica então o alerta, para que ninguém deixe de ler, NUNCA, as bulas dos medicamentos e confirmar bem as doses receitadas...
Rita

quarta-feira, setembro 30, 2009

Pequeno cenário desta noite

Hoje, depois do jantar, lavagem dos dentes, etc, história da Mandarina*; eu, Alice e Vasco (é tão giro, fica mais quieto a ver as imagens e a ouvir-me, e depois tenta agarar as letras) sentados no sofá.
Depois, Vasco a ir para a caminha nos meus braços, Alice a continuar a conversar com o pai no sofá.
Vou. Volto. Pai às voltas com a Mandarina, porque ela era má e o mago a tinha transformado em árvore. E então a Alice, toda chateada: «A Mandarina não era má! E não ficou transformada em árvore!».
Tentamos nova explicação. Ela, irredutível.
Pego novamente no livro, folheio até às páginas e começo, pacientemente: «Estás a ver aqui? O Mandarim era grande e gordo e tinha um coração como ele, onde cabiam todos os seres. Vês aqui esta árvore? É como o coração do Mandarim, por isso é que estão estas pessoas e animais todos nos ramos... E aqui? É a Mandarina, pequena e bonita, mas com um coração onde só cabia ela. Estás a ver a árvore? É só um ramo, onde só está ela.» E continuo: «E depois vem um mago, um feiticeiro, mascarado de velho sem-abrigo, que é uma pessoa que não tem nada, e pede-lhe uma laranja, e ela, mesmo tendo estas laranjas todas, tantas, que estão aqui, estás a ver, diz-lhe que não, e grita, e diz-lhe que não lhe dá porque ele é velho e feio e sujo. Então ele, que é mago, tranforma-a numa árvore que dá laranjas docinhas que toda a gente gosta. Mais do que gostavam dela como pessoa.»
Alice de sobrolho franzido, verdadeiramente zangada, a levantar a voz: «Então... se a V. e o Rui e o Tiago e a Sofia me deram este livro em que a Mandarina é má e fica uma árvore, já não o quero!»
E vai de deitar (suavemente) o livro para o chão. Verdadeiramente traída pela sua ideia da Mandarina, que não havia com certeza passado da figura pequena e bonita da ilustração.
Nós desconcertados. Nova explicação. «Mas não vês que assim todos gostavam das laranjinhas dela...?!»
...
Já na cama, o pai para ela: «Então, mas podes inventar o fim que quiseres... a seguir a árvore Mandarina, como se tinha portado bem e dado laranjinhas doces a toda a gente, transforma-se novamente em Mandarina pessoa e fica boa...»
E acho que só mesmo assim é que os amigos que deram o livro ficaram perdoados, nesta nova aventura de se inventar fins diferentes para as histórias que não acabam como se quer...

Rita

*"A bela Mandarina", texto de Laura Pons Vega, ilustração de Elena Odriozola, edição de ItsImagical (Imaginarium)

terça-feira, setembro 29, 2009

Acerca de uma declaração que acabei de ouvir...

Não percebi quase nada. O Sr. Presidente não queria dizer que só ele é que fala por ele mesmo e que não disse isso antes porque queria que tudo se dissesse a seu tempo mas que há quem queria que ele diga coisas que não disse mas que se tivesse escrito no mail agora alguém podia ler? Tá bem...

Ana Cristina

Parabéns!!!!!

PARABÉNS MAFALDA

Pelos teus 45 anos de crítica social. E muito obrigada pelas tuas observações, tão justas e adequadas hoje em dia.



Ana Cristina (e claro que a Rita também o subscreve, ou não tivessemos nós na nossa história horas e horas de "competição" de tiras da Mafalda decoradas ao pormenor... )

segunda-feira, setembro 28, 2009

Sabem aqueles dias de trabalho que achamos que vamos guardar para sempre, de tão maus que se tornaram...?! Pois hoje foi um desses. Não me apetece falar.
Rita

quinta-feira, setembro 24, 2009

Contingentes e cansaço...

Hoje, dois dias depois de ter começado a escola, a Alice arranjou forma de testar o famoso contingente da famosa Gripe A.
Às 10H30, subitamente, 38.5º de febre, dores de garganta e de costas. Três sintomas. Suspeita de H1N1. Sala de isolamento, máscara, Saúde 24. Encaminhamento para um centro de atendimento específico da Gripe, Alice e pai no meio de mais não sei quantos "mascarados".
Às 12H30, amigdalite. Três dias de casa. Coitada, nem aqueceu o lugar.
E agora com licença que me vou deitar um bocadinho, que isto de começar a acordar cedo para enfrentar um dia de trabalho depois de tantos meses em casa e ainda com dois miúdos para arranjar e tratar, estando um deles doente... não é obra... mas é sofázinho de certeza absoluta...

Rita

quarta-feira, setembro 23, 2009

O recomeço

O dia amanheceu bem disposto e solarengo, como eu. Perante a inevitabilidade do recomeço do trabalho, nada a fazer para além de acordar sorridente, optimista e com a expectativa das coisas boas que podem acontecer quando se entra numa nova fase.
Por lá, uma sala diferente com novo colega, um grande amigo. Ainda nenhum trabalho distribuído mas, com a mudança, muitos armários para arrumar, o que significa a oportunidade de me dedicar a planos pré-licença que não tinha havido oportunidade de levar a cabo. Danças nos lugares dos restantes membros da equipa - se é bom ou mau, logo se verá. Algumas ausências por um lado, fortes abraços por outro. Um saudoso almoço, com novidades frescas de uma extraordinária amiga. Um chefe praticamente indiferente à minha pessoa. Algumas caras e vozes dispensáveis.
Mas também...
Uma saída antecipada por duas horas durante mais seis meses, os meus meninos à minha espera, dois mundos de novidades, sorrisos e abraços, que bom...

Rita

terça-feira, setembro 22, 2009

Nova fase... ou O meu filho é um discente

Hoje foi um dia importante - aquele em que ele iniciou um percurso que lhe poderá durar cerca de um quarto de vida (longa) e que, sem qualquer margem para dúvida, moldará muito da sua forma de ser e reagir.
Se o primeiro dia de escola for representativo de alguma coisa, é bom sinal. O Vasco esteve mais ou menos quarenta e cinco minutos na creche, a sorrir para toda a gente. Depois veio no meu colinho até ao carro, todo molenga de sono, com o pai ao lado.
Acho que a São não acreditava que ele ia ficar bem, daí a insistência que fôssemos só beber um café e voltássemos logo. A verdade é que ele está óptimo, tão bem como a irmã esteve, no mesmo local e com praticamente as mesmas caras, há três anos e tal atrás.
Com ela a escola foi sempre fácil. Conta-se pelos dedos de uma mão as vezes em terá choramingado, e sempre de forma ligeira. Ainda hoje. Estava totalmente ansiosa da companhia dos colegas, muito saudosa de grandes amigas como a R. («Ela vai dar-me um abraço e ficar muito contente, não vai?!») e a M.M.. Com muitas novidades para a Maria João e para a Hélia, de umas férias muito muito longas («Porque quando os bebés nascem, tem de se ter muitas férias.»). Entrou na sala e não olhou mais para trás, nem sequer para se despedir.
Eles estão bem e eu estou em contagem decrescente para a reentrada no trabalho amanhã. Sei que me esperam coisas boas e coisas más (como sempre...). Eu entrarei, não com o pé direito, mas com os dois juntos, de um salto, para não perder o equilíbrio.

Rita