terça-feira, março 24, 2009

Barrigas e manos



Acho que foi na passada sexta-feira, só no dia em que fiz as 38 semanas de gravidez, que a Alice sentiu pela primeira vez o mano na minha barriga.
A paciência dela para esperar e experimentar estar a olhar não é muita... a vontade dele se exibir também me parece pouca... Enfim, nesse dia eu descansava na poltrona e ela andava à minha volta, conversa para aqui, festas para acolá, colinhos e mimos. Quando repousou a cabeça na minha barriga, levantou-a logo a seguir, olhos muito abertos. Disse-lhe que era o mano a mexer lá dentro. Ela pousou novamente a cabeça e levantou-a outra vez. Fascinada. Queria saber porquê e expliquei-lhe que o bebé estava todo enrolado lá dentro e que, como estava cada vez maior, o espaço era pouco, tinha a necessidade de, de vez em quando, esticar um braço ou uma perna...

A relação dela com este mano e com a minha barriga tem sido engraçada. Na quinta-feira teve cá uma amiga da mesma idade e a certa altura esta perguntou se podia tocar no meu bebé. Respondi-lhe que sim, mas a Alice não achou bem. Não queria, o mano era dela, a barriga também.
Tento explicar-lhe. Que o mano não é assim uma propriedade nossa. Que quando nascer vai ser do mundo. Que o mundo vai querer pegar-lhe e fazer-lhe festas e ajudar a tratar dele. Que nós temos de deixar. Que nós também não a podemos prender em casa, que ela também é do mundo e que o mundo também é dela. Ela parece perceber melhor essa comparação. Depois, quando ficar a pensar, segredo-lhe que não se preocupe, apesar de tudo ele vai ser sempre um bocadinho mais nosso do que do mundo...

Hoje, quando a fomos buscar, levantou-me a camisola e fez-me festas na barriga. («Nasce, mano!») Depois, deixou os colegas todos tocarem e eles, de olhos e sorrisos muito fascinados, fizeram quase uma fila. Se eu acreditasse, ficava na dúvida se era eu que abençoava ou que era abençoada.
Este grande mistério que é a vida.

Rita

segunda-feira, março 23, 2009

Uma nova companhia

Desde o início do ano ando com ela no carro. Uma boneca com ar muito doido, feita pelos primvsviana. Os primvs são mesmo nossos primos e são três, sendo que a mãe e a filha já partilham a autoria de algumas peças, e outras são elaboradas pelas quatro mãos do casal, mas a grande maioria é mesmo da Lili. As peças são muito interessantes, a maioria em arame e em tecido. Algumas fotos podem vê-las aqui no flickr dela.

Ana Cristina

quinta-feira, março 19, 2009

Olá, cá estou eu...

Gosto deste canto que é nosso.
E nos últimos tempos não tenho sido assídua como gostaria, não porque não tenha assunto para partilhar, não porque o rapazola já tenha nascido e nos ocupe o tempo todo, mas porque são muitos os dias em que trago trabalho para casa para acabar e não deixar para ninguém e porque são muitas as noites em que adormeço imediatamente a seguir ao jantar, no sofá, às vezes para cima do próprio computador...
Há também a questão da máquina fotográfica, cujas fotografias eu não consigo diminuir a qualidade para que possam caber aqui. A máquina "velha" foi a emprestar à Cristina - que pelos vistos também não a tem usado - e esta deve ser demasiado boa, eheheh...
Entretanto, fica o desejo que estejam todos bem. Os que nos visitam e não comentam, os que nos visitam e comentam e nos deixam com a sensação que são velhos conhecidos, os que habitualmente visito e comento mas sem andar a fazê-lo nos últimos tempos, os meros passantes ocasionais.
A ver se volto mais assiduamente para deixar registo dos últimos dias desta minha gravidez (que amanhã perfaz 38 semanas).
Rita

quarta-feira, março 18, 2009

A tese voltou novamente aos meus dias.

Nesta fase tem sido toda a revisão, e quem sabe reestruturação, do que está escrito com direito a mais umas pesquisas pelo meio para ir melhorando o enquadramento teórico.
Mas os dados têm de começar a ser tratados dando aos números uma enorme importância e vejo-me assustada com uma teoria que não conheço e com um programa informático que é um mistério (ainda nem sequer percebi como se constrói a tabela de dados). A estatística parece-me uma linguagem quase incompreensível, tipo uma língua estrangeira como, sei lá… o criolo, onde consigo identificar umas palavras, e até uma ideia mas não faço ideia de como se usam. E eu, que nunca fui muito de me assustar com conceitos matemáticos estou a “empanicar” .
Ana Cristina

sexta-feira, março 13, 2009

A prova? Faço-a já aqui em baixo...

Fotos tiradas pela Inês e gentilmente oferecida para publicar aqui.
Que estive lá. De manhã em frente ao Ministério da Saúde, de tarde a descer a Av. da Liberdade. Manifestei-me por todos os trabalhadores que estão em situação precária, a perder os seus direitos, a ver diminuir o seu poder de compra, ou que se sentem injustiçados (como nós, enfermeiros), por todos. Até pelos que infelizmente ficaram em casa.
Outras fotos aqui, aqui e aqui, todas tiradas pela Inês.
Ana Cristina

quinta-feira, março 12, 2009

Esta tarde foi de trabalho...

... mas ao sol, na esplanada. Estive com uma amiga a preparar um trabalho, o que com bom tempo é sempre muito melhor.
Amanhã vou para a minha jornada de luta. Concentração em frente ao Ministério da Saúde, na luta por um justo estatuto do enfermeiro, que corresponda tanto às responsabilidades exigidas como às habilitações literárias necessárias para o exercício profissional.
Estas duas folgas, correspondem ao meu fim-de-semana. Por isso, um bom domingo para todas as nossas visitas.
Ana Cristina

quarta-feira, março 11, 2009

O que fazer...?

Agora está toda contente, a saltitar de um lado para o outro da casa, mas há umas horas, chorava no carro, vinda da escola. Era por causa de tudo. A boneca, que vinha sem uma perna, a amiga R, para casa de quem queria ir, os desenhos animados na televisão, que dissemos que não iria ver porque já tinha visto muitos nos outros dias. No meio de tudo aquilo, uma queixa: o Cristiano, que lhe tinha apertado o pescoço e a garganta, e que a tinha mandado para o chão porque queria jogar à bola no sítio onde ela estava.
A expressão dela era tão inconsolável e o cenário que imaginei tão violento, que quase fiquei com vontade de chorar também. Não gosto quando chega a casa a dizer que este menino ou aquele lhe bateu ou a empurrou ou se zangou com ela. Mas habitualmente sei quem são, imagino o quadro e explico-lhe que tem de se entender com os amigos sem bater. Que devem conversar, que ela deve fazê-los entender que não gostou do acto e que não é assim que as pessoas se entendem.
Hoje não consegui. Apertar o pescoço e atirar alguém para o chão não é atitude que se perdoe ou que se resolva da mesma forma pacífica que aconselhamos sempre. Desta vez dissemos-lhe que tinha de se defender e que, se fosse preciso, numa ocasião como essas, tinha de se defender batendo. É triste, mas não conseguimos pensar em outra forma. O que fazer em alternativa...?
Rita

domingo, março 08, 2009

Reis diferentes...

A Alice no outro dia, a passar a ponte com os avós, sobre o Cristo Rei:
- Que Rei é este que não tem coroa...?!
Rita

quinta-feira, março 05, 2009

Cuidar o bebé...

No ano passado elaborámos uma proposta de formação e concorremos com ela a um apoio por parte desta instituição, que além de outras funções também se dedica à formação pública no âmbito da saúde e que, em conjunto com estes parceiros dão credito a estes pequenos projectos de educação para a saúde. Adorámos a experiência que correu muito bem e este ano vamos voltar a abraçar esta iniciativa.
No próximo dia 21 de Março seremos novamente formadoras do "Curso Cuidar o Bebé no 1º Ano de Vida", que se destina a todas as pessoas que cuidem de crianças nesta idade e que pretendam ter noções teóricas básicas das suas diferentes etapas de desenvolvimento, e que lhe permitam contribuir para um desenvolvimento saudável e harmonioso.
O programa pode ser consultado aqui, aqui e as inscrições são feitas através do mesmo site. E já agora, se puderem divulguem ...
Ana Cristina

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Medo...

Sei que pontapeias violentamente, chamo a Alice para ver, mas de repente ficas quieto.
Pensando que a minha colega Sara nunca viu nada como isto, fico imóvel à frente dela, o seu olhar fixo na minha barriga, mas tu tranquilizas-te justamente na altura em que me levanto da secretária para ir ter com ela.
Sinto-te a vaguear mas quando levanto as camisolas para observar, páras.
Puto, estou curiosa...
... isso é pura timidez, ou um grande espírito de contradição prontinho para me vir atazanar a vida...?!
Rita
E já agora, para cumprir essa etiqueta aí em baixo, na outra gravidez não foi nada assim... a Alice morria de vontade de comunicar com o exterior e reagia sempre que a provocávamos...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Mana mais velha

No outro dia ela deve ter-nos ouvido dizer qualquer coisa sobre o quarto do bebé. Colocou de imediato as mãos nas axilas e pediu satisfações:
- Oh mãe, e onde é que vai ser o quarto do mano?!
Sorri e perguntei-lhe:
- Não sei, onde é que achas que deve ser...?
Agarrou-me pela mão e disse-me para a acompanhar. Levou-me à entrada do quarto dela, fez um gesto vago com a mão a apontar e disse:
- Olha, não pode ser este...?!
Rita

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

...

Ontem juntámo-nos no parque para os filhotes (de quem os tem) brincarem e já agora para recordar que a terça-feira de Carnaval foi, durante uns anos, um dia de mascarada garantida, depois do passeio ao centro comercial no domingo à tarde e do baile de máscaras na segunda. Desta vez só a Alice e o João-pequeno é que entraram no espírito carnavalesco - eles, que por sinal, são os mais pequenos do grupo. Foi pena termos deixado passar mais um ano, mas pelos vistos a idade não perdoa.

Hoje, depois de procurar cá em casa, constatei que perdi a minha máquina fotográfica... Entre casa e o jardim, passando pelo carro, ela desapareceu. Maldita pdi...

Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Seis Anos

O sexto aniversário do Pilas também não teve direito a festejo, tal como no ano passado, porque entre turnos e os convívios de família não houve tempo para muito mais. Mas a sessão de festinhas e brincadeiras aconteceu tal como a de fotografia. As brincadeiras foram as habituais, uma bola de saco de plástico e muita correria. As fotos é que o deixam sempre pouco à vontade, mas de todas elas escolhi as que ilustram melhor o feitio mais ou menos tímido do modelo.
Outros posts sobre o mesmo tema, em anos anteriores: 2006, 2007, 2008
Ana Cristina

domingo, fevereiro 22, 2009

Ontem...

Ontem, das 11H00 às 19H00, trabalhei, mas de uma maneira diferente. E aprendi, mas de uma maneira diferente. E falei, e ouvi, e reconstruí. Sempre de uma maneira diferente.
Jogámos e sorrimos e subimos e descemos. Elevámos o tom de voz mas dissemos mais em surdina, em entrelinhas, com o olhar. Deixámos passar alguma coisa de nós e observámo-nos também nos outros, mas só ficámos a conhecer-nos e a reconhecer-nos o suficiente para querermos, decerto, voltar.
E, por tudo isso, agradeço interiormente. Como alguém disse: «foi uma benção.»
Rita

sábado, fevereiro 21, 2009

Projectos...

É já daqui a um bocadito que vou usufruir de uma das mais espectaculares prendas de Natal que recebi... e estou verdadeiramente aterrada...
Rita

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Estou grávida, tenho direito a pedir estas coisas, pronto!

Fotografia tirada sem flash, para o espelho do roupeiro da arrecadação não fazer reflexo, nas quase quase 34 semanas, e sim, é a minha tábua de passar a ferro ali à direita

Já não me lembro de com quanto tempo estava na gravidez da Alice quando me ocorreu que nunca tínhamos tido um bebé a nosso cargo. Foi mais para o fim, porque foi sempre correndo tudo tão bem, com tanta descontração, que nunca sofremos de ansiedades e stresses.
Na altura eu tinha muito presente as histórias de duas colegas que haviam sido sempre muito autónomas e aquando do nascimento do primeiro filho, tinham sofrido de inícios de depressões pós-parto. O conselho que retirava dali era a necessidade de pedir ajuda ou de, principalmente, não a recusar.
Foi assim que nasceu a convocação, mãe e irmã informadas de que contávamos com elas a acampar na nossa casa assim que a bebé nascesse, porque basicamente não percebíamos nadinha do assunto.
E depois veio a Alice, tão calma, tão boa onda, tão sem choros e lágrimas, tão adaptável a todas as rotinas impostas, que nem parecia nossa filha, nós que jurávamos que, pestes como tínhamos sido, alguma sina iriamos ter de pagar. E a meio da primeira semana lá rumou a minha mãe a dormir novamente na casa dela, aquilo lá era neta que se apresentasse, nem trabalho dava.

Pronto, tudo ok, mas isso foi nessa altura. Agora, as probabilidades de nos ocorrer o mesmo são ínfimas. Primeiro, porque já tivemos a nossa quota parte de sossego. Segundo, porque continuamos a ter sido umas grandes pestes em pequenos. Terceiro, porque não iriamos ser os pais com mais sorte do mundo, a passar pelo paraíso uma segunda vez.
E é por isso que se faz passar a nova convocação: mãe e irmã, ficam informadas que de certeza que não vamos perceber nada deste bebé, deste que decerto nos fará pagar a dobrar o sossego que tivemos com a primogénita. Quando a altura chegar, o sofá está pronto, que agora já não temos o colchãozito ranhoso da outra vez.

Rita

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Agradecimento

Nestes últimos tempos tenho mostrado algumas das criações Oficinas RANHA.
Mas não seria justo deixar de agradecer públicamente a quem contribuiu para a sua realização, mesmo quando isso implicou um esforço físico pouco compreendido.

Este post é dedicado ao Pilas, que apesar de não saber ler também costuma participar muito na realização de posts, muitas vezes cedendo o seu posto no colo da dona para o portátil...

Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Alguém me explica...

... porque é que embalagens do mesmo tamanho, comercializadas pela mesma marca têm indicações de reciclagem diferentes?
Ana Cristina

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Uma mesinha diferente.

Quando comprei a minha casa, pela primeira vez, e acho que única, comprei umas revistas de decoração para poder tirar umas ideias do que fazer ao meu novo espaço. Numa dessas revistas havia uma mesa com rodinhas que serviu de inspiração ao padresito que reciclou uma porta de escrivaninha partida da mobília do nosso quarto e a transformou nesta mesa de apoio única.
Actualmente está no nosso quarto e nela estão os novos livros da casa e umas latinhas. A maior trouxe-a dos EUA cheia de chocolatinhos em forma de suspiro mas o que me encantou foi mesmo a lata. As outras duas comprei-as no final do ano passado.

Ana Cristina