terça-feira, maio 13, 2008

Das férias...


Guimarães foi uma das cidades visitadas. É linda e plena de património arquitectónico magnífico, que um passeio pelo centro histórico faz desde logo perceber. Já não íamos lá há quase quatro anos e antes disso não tenho qualquer recordação de lá ter estado, apesar de não confiar nesta amnésia.
Foi bom calcorrear a terra e encontrar uma loja onde se vendiam as peças de Helena Zália, que eu conheci pela net... ver as figuras dela a sorrir-me fez-me sentir verdadeiramente de volta a um qualquer lar já conhecido...
Na companhia da Alice qualquer turismo é mais limitado, mas foi bom confiar no nosso instinto e ficar por um restaurante vegetariano recém-descoberto, agregado a uma loja de comércio justo, o "Cor de Tangerina" (boa comida, empregado simpático, espaço lindo), assim como foi positivo ir à descoberta do castelo e deixar qualquer outra ideia mais complexa.
A única crítica do nosso pequeno roteiro foi para a falta de protecções nas escadas e muralhas do Castelo de Guimarães... fez-me impressão pensar que, mesmo com todo o cuidado, um visitante pode de repente tropeçar e estatelar-se lá em baixo...


Rita

segunda-feira, maio 12, 2008

Aborrece-me...

... demorar muito tempo a entrar no meu ritmo, no nosso ritmo, no ritmo da nossa casa, depois das férias...
... não conseguir fazer os posts que quero e quando quero, ou seja, logo a seguir a chegar a casa...
... ter mais vontade de me deitar no sofá do que fazer as "obras de arte" a que me propus nos últimos tempos...
... sentir-me atrapalhada com esta coisa de ter um computador portátil mas deixar as fotografias no outro, o que também significa atrapalhar-me a fazer os posts...

Rita

quinta-feira, maio 08, 2008

Azulejos


Não sei se gostam tanto de azulejos antigos como eu, mas trouxe-vos estes do Minho, particularmente interessada no seu relevo... A foto de cima foi tirada a uma casa numa das ruas principais do centro de Guimarães e a de baixo foi em Valença, a um edifício sito em plena área muralhada do castelo. Foi pena não ter apontado as moradas, fica para a próxima. Os meus azulejos preferidos são os de baixo, adoro as cores e os recortes no granito.
Rita
Pensamento: ocorre-me que seria uma boa prenda para mim, um livro sobre azulejaria... tenho de ir ao museu...

quarta-feira, maio 07, 2008

Voltámos

Enquanto a Cristina vivia o seu drama por cá, eu acompanhava-o em férias, lá, na minha terra do coração.
Foi muito bom estender os últimos períodos que estivemos em Viana por mais uns tempos e chegar à uma semana inteirinha para reviver gentes, lugares, ritos, tudo coisas que fazem parte do passado bom que é o meu. De tudo, uma das coisas melhores foi gozar o que não pertencia ao meu leque de recordações e é sempre uma novidade surpreendente, de cada vez que lá vou: a minha querida prima S., de onze anos, o seu crescimento, e a sua relação com a Alice. Está tão linda, tão crescidota, e imita tão bem uma espécie de irmã mais velha, de forma tão correcta e responsável... E enternece-me tanto ver as brincadeiras das duas, tão semelhantes às que em tempos eu própria fiz com ela, ou mesmo talvez às que a minha irmã um dia fez comigo...
Rita

Por agora é tudo, mas trouxe fotografias, informações e opiniões para vir a postar aqui. Nos próximos dias.

terça-feira, maio 06, 2008

a razão da crise...

Dos que não me conhecem pessoalmente, poucos(as) sabem que eu sou enfermeira de bebés pequeninos. Daqueles que nascem e precisam de quem cuide deles para ir para casa, muitas vezes demasiado pequenos e frágeis, dos que estando em risco de vida e necessitando de cuidados especiais já não necessitam tanto de tubos para respirar... Sou enfermeira de cuidados intermédios, como se diz em linguagem hospitalar. E amo profundamente a minha profissão, o que faço e onde o faço (apesar das muitas críticas que vou fazendo ou da vontade de fugir que me assola com mais frequência do que gostaria).
Apesar de estar há oito anos no mesmo serviço fui contra a imposição que me fizeram de ser transferida para outra unidade, a de intensivos, por factores que se prendem por interesses de gestão dos serviços mas também devido às características dos próprios bebés. Senti-me usada como um fantoche. Essa era a minha revolta, foi a minha zanga nesta semana...
E essa transferência estaria em vigor a partir de amanhã, mas por algum motivo que duvido que tenha sido o da iluminação das mentes pensantes recebi ontem a notícia que a decisão estava em stand-by pelo menos durante quatro semanas.
Continuando a ser o fantoche de serviço, aproveito mais uns dias o colinho dos "meus meninos", que do outro lado não posso dá-lo.

Beijinhos a todas as nossas visitas
Ana Cristina

segunda-feira, maio 05, 2008

Cá em casa, uma vez por semana...


Isto de mostrar uma vez por semana um dos cantinhos das nossas casas não é bem assim. Como podem reparar, a semana passada não teve direito a posts alegres, nem a pensamentos rebuscados nem a fotos. As palavras simpáticas não abundaram, (na boca e muito menos nos pensamentos), as fotos não tiveram direito a legendas e por isso não foram convertidas em posts. Mas esta semana será diferente, espero...
E porque as férias espreitam por todos os lados; a família ou esteve ou está de passeio, eu terei uns dias de descanso lá para o fim do mês e o Sol já apetece, lembrei-me de vos mostrar a prateleira dos roteiros de viagens realizadas, com três latinhas que trouxe em mãos de sítios diferentes, um cheirinho de outras línguas...

Como eu gostava de ir dar um passeio desses este ano...
Ana Cristina

quarta-feira, abril 30, 2008

Passei por aqui para dizer que estou viva...

... Com a Rita, que escreve a maior parte dos posts deste bolg, a passar uns dias bem merecidos de férias este espaço perde muita da sua energia. Comigo a passar por uma fase de mudança imposta, revolta, desânimo, revolta outra vez, reorganização... o cantinho ainda tem menos actividade porque as palavras saem da boca de forma menos bonita e alegre.
Mas estou viva... magoada mas viva. E ontem passei uma bela tarde a festejar o sucesso e a brindar ao futuro. Amanhã vou à Alameda festejar o dia do trabalhador, lembrar que somos muitos e que temos cada vez mais energia para lutar pelos nossos direitos, que estamos descontentes com as políticas que estão a ser tomadas para com os trabalhadores, que estamos vivos e não vamos ficar calados.
Beijinhos e bom 1º de Maio, o nosso dia...
Ana Cristina

quinta-feira, abril 24, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 4

Lá em cima, no alto do móvel do hall de entrada, a aproveitar os tectos tão lá no fundo, está mais um louvor da nossa casa ao Ikea: as nossas arrumações encaixotadas.
É impressionante como as caixas ajudam a arranjar um sítio para as coisas, quaisquer que elas sejam. E quando as ditas são catitas, melhor, conseguem-se cantinhos de arrumações deliciosos. Neste caso, as nossas ajudam a organizar revistas de decoração, correspondência, programas de espectáculos artísticos, documentos sobre gravidez e bebés, obras da Alice na creche e recordações-várias-daquelas-que-não-se-consegue-deitar-fora-mas-que-sabemos-que-não-servirão-nunca-para-nada.
Sorrio: das caixas até ao tecto ainda há espaço. Nunca se sabe...
Rita

terça-feira, abril 22, 2008

Dela... para não esquecer...

Em simultâneo com um grande abraço e repetido até quase à exaustão (dela, porque uma declaração destas, a nós nunca nos cansa):

«Mamã, sou amiga de ti!»

Rita

segunda-feira, abril 21, 2008

Sessão de mimo...




São poucas as vezes que podemos fotografar o Pilas numa sessão de festas porque ele não gosta muito da máquina (já o disse aqui várias vezes), mas ele nem com isso ele se importou num destes dias...

Concluí que ele estava cheio de saudades minhas porque, além das turrinhas, dos olhos grandes e do mimo que solicitou, terminámos a sessão com mordidelas e a correr feitos maluquinhos pela casa toda.

Ana Cristina

domingo, abril 20, 2008

Shhhh... que ninguém se mexa nesta casa, que nenhum de nós se lembre de chamar a atenção sobre si... o nosso pequeno diabrete hiper dinâmico em forma de filha está há dez minutos quietinho e em silêncio a ver os mundiais de ginástica rítmica... shhhhh...
Rita

sexta-feira, abril 18, 2008

Cá em casa, uma vez por semana...

Numa época em que eu senti que era a altura de ter novas experiências, que necessitava explorar em mim as vertentes mais artísticas da minha pessoa, resolvi inscrever-me no curso de pintura da SNBA. Aprendi muito, e mesmo não tendo terminado os três anos iniciais da formação, foi uma experiência que, mais do que tudo, me libertou de algum medo dos pincéis, da cor e do tamanho dos trabalhos. Até à data eu queria que tudo ficasse perfeito, não tinha capacidade para ir corrigindo o que me parecia menos bem, tinha medo de gastar material, fazia tudo muito pequenino e nunca tinha mostrado nenhuma das minhas experiências a ninguém fora da família próxima.
Guardo uma prateleira de livros sobre pintura, quase todos desses dois anos. Neste momento os gastos são ainda mais controlados e as prioridades vão para outros temas...
Mas é um cantinho da minha casa que eu adoro, por isso resolvi mostrá-lo.

Ana Cristina


quinta-feira, abril 17, 2008

Costurar, coser, cerzir, alinhavar, remendar...


A Cristina costuma dizer sempre que eu tenho um ponto muito certinho quando coso algo. Eu não sei coser, bem vistas as coisas. Assim como não sei bordar ou fazer malha. Vou-me desenrascando...
Quer dizer, eu aprendi a fazer crochet (será assim?), com a minha Avó, numas férias passadas na Praia de Santa Cruz. Acho que foi com linha castanha, mas posso estar enganada. Talvez beje. E bordar não sei com quem foi, mas lembro-me de ter feito, num Natal, uma almofada para os alfinetes da minha Tia, com um peixe... gostava de voltar a vê-la, quem sabe até reavê-la como recordação da minha Tia e de algo nosso...
Estava aqui a trabalhar numa coisa que ando há dias a fazer - um novo wip - e veio-me à cabeça como gostava de mostrar estas coisas que a gente faz, (que a gente finge mais ou menos que cose,) à minha Avó. Acho que ela iria ficar orgulhosa. Mas também não sei se isso é mesmo importante porque a verdade é que sou eu que sou orgulhosa de cada vez que acabo um projecto e penso que nele pode haver um bocadinho do talento e minúcia dela, passado geneticamente para nós... Talvez um dia possa ter a certeza disso, quando arranjar quem me ensine a costurar à máquina, porque a minha mente fervilha de ideias alinhavadas, prontas para esse momento...

Rita

terça-feira, abril 15, 2008

Sem nada interessante para dizer...

Hoje o final do dia foi stressante e só chegámos agora a casa. Agarrei no computador portátil (que temos agora, novo) e vim sentar-me com ele ao colo no sofá, mas não me ocorria nada para escrever por aqui...
Na televisão está a dar um episódio antigo da série "Donas de Casa Desesperadas" e quedo-me a ver algumas cenas enquanto afasto a Fera dos mimos que tenta obrigar-me a aceitar que ela me faça e dos pingos que lhe caem dos bigodes para o teclado (novinho) - aquelas gotas dos mimos que eu não sei bem como aparecem aos gatos...
De repente, apetece-me falar sobre as "Donas de Casa Desesperadas". Gosto muito, acho a série verdadeiramente genial. Principalmente porque as personagens são um intrincado complexo de bondade e maldade, com direito a mesquinhices e falsas moralidades. E porque a trama tem verdadeiros dramas que nos arrancam gargalhadas em vez de lágrimas. Como se o ideal fosse rir das nossas próprias desgraças e optar por ver o pior do melhor e o melhor do pior, mas sempre sarcastica e humoristicamente.
Eu gosto de séries, de facto é o que mais gosto de ver na televisão. E gosto destas todas de teor policial ou médico, verdadeiras modas (já ouve as dos advogados, recordam-se?!) que parecem ter tomado conta de todos os canais. Mas irrita-me o facto daquilo ser tudo tão perfeito, dos tipos serem profissionais que nunca se cansam, com casamentos desgraçados por causa das profissões, de arranjarem todas as soluções difíceis na hora que dura o episódio, das suas tecnologias avançadíssimas... Por isso vou preferindo a irrealidade e a anormalidade das "Donas de Casa Desesperadas", que pelo menos me fazem sorrir, pensar, nunca me cansar e invejar a capacidade para escrever um argumento como aquele.
Rita

segunda-feira, abril 14, 2008

Estes...

... como os outros, ilustraram um projecto com sucesso. Desta vez os desenhos foram para um poster a alertar para os malefícios para o feto e as crianças do tabagismo durante a gravidez.
Uma estreia como profissional. Uma experiência a repetir.
Ana Cristina

domingo, abril 13, 2008

Aeroporto, aviões, chegadas e partidas

Ontem a última saída do dia foi ao aeroporto.
Como eu gosto do aeroporto...!
Gosto obviamente quando vou de partida, porque isso representa viajar para outras paragens, mas também porque gosto de todo o processo da viagem propriamente dita... a ansiedade de tipo agradável com que se acorda no dia, as duas horas prévias com que se vai para o aeroporto para fazer o check-in e basicamente fazer tempo (tempo esse que, bem vistas as coisas, para o viajante não serve para nada), a entrada para o avião e tudo o que se relaciona com ele (sim, eu sou das que gosto da comida embalada separadamente e dividida por aquelas caixinhas pequeninas de plástico, acho o máximo!)... e até a adrenalina da descida...!
Gosto do momento da chegada. De quando eu chego (foi tão bom mas venham as malas depressa que quero é abraçar o pessoal que está lá fora à minha espera) e de quando vou buscar alguém que chega.
Estar a olhar para a rampa à espera de ver aparecer alguém é um exercício de dedução fascinante. Vê-se o placard dos voos chegados e tenta-se relacioná-los com as pessoas que vão aparecendo: a maneira como vêm vestidas, o bronze, a fisionomia, algumas recordações de que se fazem acompanhar (as estrelícias, por exemplo, são típicas do pessoal que vem da Madeira)...
Claro que não é muito agradável chegar atrasado e concluir que quem esperamos está atrasado... Tina, ainda te recordas daquele dia em que a Cristina chegava de um "qualquer estrangeiro" no dia do seu próprio aniversário...?! E de termos ido todos para lá recebê-la, em grande festa, deixando em casa tudo pronto para a comemoração... e do voo adiado para o dia seguinte... e do regresso de todos nós para casa e da decisão de começarmos a festa sem a aniversariante... e do telefonema dela de outras paragens que não as iniciais a dizer que tinha aceite um outro voo de compensação e que chegaria tarde mas mais cedo do que o tarde previsto antes... e do nosso retorno, todos contentes, ao aeroporto umas horas mais tarde... e do festejo tarde mas ainda a tempo...?!
Sim, porque quem viaja muito terá imensas histórias para contar... mas quem vai buscar viajantes também aprende a tê-las.
Uma boa semana a todos.
Rita

sexta-feira, abril 11, 2008

Para quem ainda não saiba, a partir dos 30 é muito mais difícil recuperar de umas quantas noites mal dormidas, quer seja porque se trabalhou intensamente ou até tarde, porque a filha tem tossido enquanto dorme, ou mesmo porque se foi a uma festa de aniversário que durou até às 03h00 há quase uma semana.
Com licença, que tenho um sofá à espera.
Rita

quinta-feira, abril 10, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 3

Assim, visto de baixo, parece-me uma espécie de flor...



Mas afinal é o(s) nosso(s) candeeiro(s) do corredor...



Falta dizer que talvez assim, exibidos neste nosso blog, alguém comente os nossos candeeiros... é que cá em casa os tectos são tão altos que habitualmente ninguém repara neles e é sempre uma frustração...

Rita

segunda-feira, abril 07, 2008

De volta

Este agregado familiar está de volta de uns dias passados em Viana do Castelo.
Eu não nasci em Viana e nunca lá morei. Mas Viana é, definitivamente, a minha terra de coração.
Nunca tive a família perto. Ir a Viana representou sempre estar com os tios, os avós, os primos. E quando, como eu, se tem a sorte de ter uma família assim espectacular (só me surge a não palavra XPTO), os momentos passados com ela sabem sempre bem... e a pouco.
Passei muitas e muitas férias e temporadas em Viana, é de lá que são alguns dos meus grandes amigos, por lá vivi dias maravilhosos e de aprendizagem intensa. E é por isso que lá me sinto em casa, que ao chegar o cheiro da cidade me inebria como se fosse o recordar de um vício já antigo, que não há dia nenhum que não me lembre de todos os bocadinhos que constroem a grande parte de mim que está lá.
Nos momentos mais felizes ou mais tristes, de lá regresso sempre a sentir que metade de mim é lá que pertence, que da próxima vez ficarei mais tempo, que nunca conseguirei viver sem a expectativa de lá voltar.
Rita

sábado, abril 05, 2008

Cá em casa, uma vez por semana

Hoje mostro um cantinho da cozinha.
Nestas prateleiras guardo bebidas gostosas, com uma enfermeira à entrada a controlar a taxa de alcolémia, e as massas dentro de umas latinhas por quem me apaixonei porque são ilustrações de prédios com pessoas a estender massas e espaguetes à janela.

Ana Cristina

quinta-feira, abril 03, 2008

Coisas dela...

Cenário: mesmo há pouquinho, ela sentada no lavatório, de meias, camisola de pijama e body, acabada de fazer um xixi no bacio e pronta para lavar os dentes, já de chucha na boca.
Eu, em frente a ela, pronta para lhe lavar os dentes:
- Então diz lá à mãe onde é que vamos amanhã...
- Vamos... ao castelo...
- Sim, vamos a Viana do Castelo... e quem é que está lá, quem é que vamos ver lá?
- A pima Sara.
- Boa! A prima Sara. E mais, quem vamos ver mais? Como se chama a prima que é mãe da Sara?
- Chama mãe.

Rita
Nota: Mas no fundo é verdade, não é?! Passamos a chamar-nos mães em primeiro lugar, não é?!

quarta-feira, abril 02, 2008

O que é a Escola?

A Joana fez-se a si mesma (e à imensa audiência que a net constitui) esta pergunta ontem. E como isto dos blogs tem a vantagem de distribuir e alargar discussões, resolvi fazer o meu comentário cá, e não lá. Então cá vai:

Isto é tão difícil, quase até de ter opinião...
Eu gostei muito de andar na escola, e foi sempre a pública. A escola representou para mim um local de aprendizagem onde eu sentia pertencer e onde encontrei muitas e muitas vezes a felicidade. Nem sempre me apetecia lá estar, mas a vida é mesmo assim, nem sempre hoje me apetece estar também no meu trabalho, na minha casa, até na minha pele...

Há turmas que me acompanharão para a vida, como a do 9º, a do 10º e do 11º e a do 12º, mas, nas que me marcaram menos em termos de conjunto, há muitos colegas que nunca esquecerei. Os espaços físicos também ficarão para sempre e acho que sempre me serviram... até bem...
Os professores... não me lembro de muitos deles, mas tenho a sorte de poder recordar uns quantos pelas suas memoráveis capacidades e outros pelas particularidades que tantas vezes nos fizeram rir. Tenho muito a agradecer ao prof. Vargas, que com o seu profissionalismo e competência, conseguiu sempre manter a minha turma de vandâlos do 7º ano (metade do grupo eram repetentes e expulsos de outras escolas e havia só sete raparigas) interessada na matéria de História e no que ele tinha para dizer; à minha prof. de Português do 9º ano, a quem devo saber as preposições de cor até hoje e uma representação adaptada do "Auto da Barca do Inferno" espectacular e moderna; à prof. Domingas de Português do 10º e 11º, tão sensata e espectacular, querida mas firme; ao Luís Filipe, que para além que ser um professor de História extraordinário, ainda chegou a emprestar-me dinheiro para comprar croissants de chocolate ou a dispensar uma aula para falar connosco sobre cinema (e sobre vinhos, eheheh) e que depois me acompanhou durante anos a fazer teatro e com quem conquistei o direito (dado por ele) de retirar o epíteto de professor quando conversávamos; à prof. Isabel de Inglês do 12º, grande máquina; o prof. Coter, de Filosofia, um grande maluco e um grande professor...
Recordo de outros, com carinho, embora algumas feições se esfumem: a prof. de Geografia que dizia "coitadinhax dax crianxinhas"; a prof. de Francês do 10º; a prof. de Química do 9º ano com quem me esforcei tanto para que me valorizasse como aluna (numa disciplina onde eu queria era brincadeira); uma das profs. de Inglês, meia indiana, toda preciosista com a pronúncia; o prof. jeitoso de Educação Física do 6º... sei lá, foram tantos e tantos... e também houve os que, claro, recordo porque não tinham mão em nós, como o de Matemática durante dois anos... ou por outras questões, como a de Filosofia do 12º, que fez questão de me diminuir e achar que a nota que eu tinha obtido na Prova de Aferição tinha sido adequada a mim (e depois recorri e vim a subir 12 valores!)...
E pronto, não vou falar da prof. da primária porque muito mais coisas me unem a ela que só o facto de me ter dado aulas... e não vou falar dos da faculdade porque me recordo de quase todos e porque a minha crítica vai para outras vertentes que não o seu profissionalismo académico...
A escola nunca foi perfeita... tivemos aulas num pavilhão a cair de podre, onde quase chovia... o chão do campo de jogos abateu uma vez por causa de um lençol de água... houve alturas com faltas de professores... mas acho que correu bem e posso dizer que se calhar tive sorte, sentia-me bem lá dentro, valorizada, bem avaliada (quase sempre)... importante na minha individualidade.
Gostava mesmo que a minha filha se sentisse sempre assim, lá na escola ou escolas que irá frequentar.

Mas, e para finalizar, continuo a achar que, para se fazer um bom trabalho - lá, na escola - é preciso gostar, ter prazer... Todos os dias há professores e funcionários que fazem um trabalho bem feito, mesmo sendo mal pagos, mesmo com má condições... mas não se pode querer que as pessoas gostem sempre do que estão a fazer se o fizerem em situações pouco dignas, não é?! Se não se sentirem motivados, valorizados, respeitados, qualquer prazer se perde... quando estão preocupados com o dinheiro que não chegará ao fim do mês... com a falta de colocação ou a colocação longínqua e a filha de dois anos longe (esta é para ti, minha querida prima), ou com a forma como serão avaliados pelos pais dos seus alunos - os mesmos pais que ajudam a educar os filhos para não respeitarem a escola e os seus profissionais e o próprio conhecimento e formação que daí é suposto retirar... como se pode ter prazer?! Sei lá, penso que o que falta em muitos casos, é o prazer, é querer ser professor, mas também é gostar de lá estar, é sentir-se valorizado e bem tratado (pelos alunos, pelos colegas, pelos pais)... pronto, sei lá, é isto o que eu acho, mais ou menos, claro que haveria mais para dizer. E vocês? Digam qualquer coisa, vá lá, enfrentem e discutam este assunto... que escola queremos nós, o que é "ela"?
Rita

terça-feira, abril 01, 2008

Fotos do fim-de-semana...



Ter de parar para dar passagem ao rebanho é uma experiência em extinção. Tinha de fotografar. Desculpem, sou uma menina de cidade...
Ana Cristina

sexta-feira, março 28, 2008

Cá em casa, uma vez por semana

Um dia vi-a numa montra em Viana do Castelo. Entrei na loja só para a ver de perto. Gostei de tudo; das cores, dos tecidos, do desenho que fazia, da renda ... sim, até dos pedacinhos em renda. Quem me conhece estranhou uma tão grande paixão. No dia seguinte fomos lá outra vez. Cada vez gostava mais dela. Sabia que as medidas ideiais não eram bem aquelas (devia ser mais larga e menos comprida) mas cabia para cubrir a cama.
Comprei-a.
Hoje mostro a minha colcha, que foi uma das primeiras coisas que comprei cá para casa. Tapa a cama de Verão e de Inverno (com pequenas interrupções claro). Ainda gosto muito dela mas está velhinha...

A foto não é muito justa nem para a colcha, nem para o Pilas, que HOJE resolveu matar saudades da máquina fotográfica. O que fazem uns dias de férias com a prima...

Ana Cristina

quinta-feira, março 27, 2008

Trabalhinhos que faltavam mostrar I

O ano passado personalizei uma agenda para mim. Na altura queria dar-lhe uma cor a pincel ou com linhas mas o tempo ia passando, o ano começou, e lá decidi que ficasse muito simples mas funcional.
Este ano já aqui mostramos uma agenda personalizada que foi presente de uma visitante assídua, mas faltava mostrar as outras duas que também são assinadas pelas Oficinas RANHA, e neste caso usadas por nós mesmas. Neste período em que as produções Oficinas RANHA estão a ganhar um novo fôlego (apesar da falta de tempo) é tempo de mostrar umas peças que ainda não tinham vindo a público.

É tempo também para pensar positivo, afinal, foi triplicada a produção de agendas o que torna este valor um sinal positivo, que a juntar à diminuição da taxa de IVA de 1% nos faz pensar que a economia portuguesa e qui çá, mundial estão em franco desenvolvimento.
Para ver as outras imagens clique por cima das palavras; Agendas velha e Agenda nova; Agenda vermelha; Agenda e Carteirinha
Ana Cristina

quarta-feira, março 26, 2008

Final de tarde

Hoje, quando saimos do trabalho, fomos à Baixa para que eu pudesse procurar o que me faltava para os próximos projectos (são uma lista enorme, bem definida!!!).
O primeiro pouso foi a Botilã, porque foi lá que a minha querida amiga Van me levou há já alguns anos. A Botilã, como qualquer retrosaria, fascina-me.
Eu nunca cresci num "mundo de costura", a minha mãe sempre detestou a prática. No entanto, tenho belas recordações dos tempos que a minha Avó Joana lá passava por casa e das horas que passava sentada na nossa máquina Singer (ainda lá, mas recentemente em outro sítio) iluminada pelo solinho da tarde na marquise. A Avó Joana chegava e tinha sempre muitas coisas para costurar porque acho que era o que gostava de fazer (ou tinha aprendido a gostar de fazer, não sei). Mas, para além de todas essas coisas, sempre me lembro de nos ter feito roupa... e roupinhas para as bonecas... e, a meu pedido, uma boneca de pano, de sorriso assustador e olhos tortos, mas com a perfeição que sempre nos habituou.
À máquina vi também muitas e muitas vezes, a Mané. E a Tina tinha tantos vestidos que a Mané lhe fazia para as Tuxas e Susys, era uma inveja olhar para a mala das roupas das bonecas que havia lá em casa...
Apesar de ser somente essa a minha relação com a costura, uma retrosaria enorme como a Botilã - e que eu calculo que nem seja a melhor nem a mais em conta, mas que é das que conheço e onde calculo vir a encontrar o que quero - faz-me sempre ter vontade de saltar para o lado de lá do balcão e começar a abrir gavetas e armários... gostaria de me perder por ali um dia inteiro, só para poder tocar em todas as coisas cuja existência desconheço e que acho sempre fascinante...
Bem, o que é certo é que fiz as minhas compras, cheia de pena de não levar a máquina fotográfica comigo, e fomos lanchar.
Entrámos na Pastelaria Nacional (que é linda de morrer mas onde já fomos mal atendidos mais do que uma vez, porque se recusam a acreditar que não enriquecerão se colocarem mais funcionários a trabalhar no atendimento), mas saímos logo, não sem antes eu me recriminar mais uma vez pela ausência da máquina (os rodapés e ombreiras decapadas e o papel da parede são uma coisa por demais deliciosa). Acabámos por lanchar uma torrada a meias e um chocolate quente no Café Nicola, sítio cheio de turistas a comerem fatias de melão ou bitoques ou outros menus no mínimo cómicos para as seis da tarde.
Lembrança: nunca mais deixar de colocar a máquina fotográfica ao lado da agenda, do bloco de desenhos, do livro do momento, da carteira de documentos, do porta-moedas, da bolsa dos óculos, das chaves, do baton do cieiro, daquela carteira-importante-sem-a-qual-não-sou-nada, do telemóvel, e do resto das coisas que agora me posso ter esquecido mas que guardo diariamente na minha mala de viagem diária. Dizem que isto é característico de mulher, mas a menos que o Sport Billy estivesse bem disfarçado, há sacos maiores e ainda com menos fundo que o meu.
Rita

terça-feira, março 25, 2008

Uma prenda para uma amiguinha

A R. é uma amiguinha recente que fez agora há pouco tempo três anos - logo, só poderia ser recente...
Nós fomos a uma festa simpática onde nos divertimos na inversa proporção da quantidade de gente que conhecíamos (ó pró meu raciocínio matemático, Joana...! - até faz trocadilhos) e a Alice até choramingou porque não se queria vir embora, de tão bem que estava.
As Oficinas, sabendo que a R. é fã de gatos e que a sua mãe é alérgica aos ditos cujos, voltaram a exercer o seu artesanato doméstico (que é como quem diz, "de trazer por casa") para oferecer então um daqueles que não provoca espirros a ninguém: o Bigodes, como foi apelidado pela Alice.


É caso para dizer: as Oficinas Ranha voltam a atacar.
Rita

segunda-feira, março 24, 2008

Carinhos...

Há cerca de uma hora andavam a correr atrás um do outro em fúria, de tal forma que tive de lhes ir pregar um ralhete. Mas ontem, era assim que dormiam no sofá:

Juntos e abraçadinhos.
Rita

sábado, março 22, 2008

Águas de Março

Nestes últimos dias tenho-me lembrado muito desta música, na voz de uma interprete maravilhosa. Como eu gostava de a ter visto a cantar ao vivo...
(não me perguntem porquê, mas não consigo editar o vídeo aqui, deve ser da chuva...)
Ana Cristina

sexta-feira, março 21, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 2

Gostei muito quando os nosso primos, que são os Primvs, me deram esta jarra pelo Natal, mas apesar disso, ela acabou por ficar bastante tempo guardada, sem um pouso definido que a honrasse verdadeiramente.
Actualmente ocupa lugar de destaque na sala, impossível de não ver logo quando se entra, e adoro o efeito que faz com as flores da Cordemar e umas peças minhas, em fimo, de há uns tempos atrás.

Rita

quarta-feira, março 19, 2008

Chao Min de Vegetais (porque os camarões mínimos era só um restinho no congelador que era para acabar)

Salteia-se cebola, cortada de forma "grosseira", às tiras largas, tipo restaurante chinês. Ah, é verdade!: se for possível, usar um wok, não só porque é muito bonito mas também porque consta por aí que ajuda a cozinhar de forma mais saudável.


Quando a dita cuja alourar (ou enruivecer, só depende do gosto), juntar a mistura de legumes chineses. Pode-se também adicionar cogumelos (mesmo os de lata), quando se acredita, como eu, que os cogumelos melhoram tudo, principalmente o humor (sim, o meu humor tem caminho directo pelo estômago, não têm todos?!). Se houver necessidade de aproveitar os restos de uma embalagem de miolo de camarão daquele mínimo, que não sabe a nada, nem sequer sabemos para que o comprámos, faz favor. Já agora, dá também para aproveitar verdadeiramente qualquer resto presente no congelador (afinal, a ASAE não vai lá a casa).

Não esquecer de temperar a gosto, com sal, pimenta e, já agora, se se quiser dar um ar verdadeiramente oriental, molho de soja. Como não há orientais à mesa, não há medo de impressionar negativamente com um de má qualidade, por isso dá para escolher o mais barato. À parte, coze-se a massa.

No fim, mistura-se tudo. Mas, como "vivendo e aprendendo", já agora convém pôr a massa chao min primeiro num recipiente e só depois juntar a restante mistura. Porque o conjunto não é muito fácil de misturar se se deitar o chao min para dentro do wok, para cima dos legumes.

Acredite-se: qualquer que seja a ordem adoptada para misturar o chao min e os legumes, o resultado é saboroso. E, mais uma vez como não há orientais à mesa, pode-se comer enquanto se bebe uma caipirinha. Afinal, cozinhámos de forma tão saudável no wok, que a coisa contrabalança.
Rita

terça-feira, março 18, 2008

Projectos mais ou menos artesanais

Tudo começa com uma ideia mais ou menos vaga (apesar da Cristina achar que não e pensar que vem tudo assim compostinho, com cores e formatos e tudo o resto)...
e durante muito tempo quase não lhe ligo, vou pensando só com carinho...
depois, pressionada pelo pouco tempo que resta (é um grande defeito meu, confesso), agarro no lápis e caneta e começo a experimentar... em qualquer pedacinho de papel, pequeno ou grande...
e depois aquilo vai tomando forma e ser e vejo-me sem conseguir pensar noutra coisa...
e penso inclusivamente durante o meu horário de trabalho e durante o banho e durante o caminho de ida e volta para o emprego e durante as conversas com os colegas...
e, mais ou menos às escondidas, a certa altura agarro nas folhas de rascunho e rabisco e risco e tento e retento...
e depois já está...
Prevê-se trabalho mais ou menos artesanal cá por casa e os resultados de tão apurado planeamento (ahahah) no final da semana!
Rita

segunda-feira, março 17, 2008

Mais um filme

Chegámos há pouco a casa depois de ver o "Juno". O João não estava com vontade de ver o outro, o vencedor, e optámos por este, que estava na nossa lista, não desde os tãos afamados comentários, mas logo a partir do momento em que nos prendemos cativados por um trailer.
"Juno" é uma história bem disposta e sem pretensiosimos. Conta a história de um pequeno drama familiar (a de uma gravidez aos 16 anos) de uma forma pouco dramática e apresenta uma trama com um desenvolvimento sorridente e suave mas, ao contrário do que se possa pensar, nada leve. Já li uma ou outra crítica que adopto e que linko aqui.
Para quem se queira rir, sorrir, e até ficar com a lágrima ao canto do olho enquanto faz as duas coisas, força, "Juno" aconselha-se.
Rita

domingo, março 16, 2008

Parabéns a você...

Acabadinha de chegar do nosso Alentejo e ainda lá tendo deixado quase a família toda a festejar (incluindo a patanisca pequena), só venho até aqui para lembrar uma data importante para quem tem sido sempre um dos grande amores da minha vida: parabéns, minha querida irmã.
Rita

sexta-feira, março 14, 2008

quinta-feira, março 13, 2008

Para fora, cá dentro

Muito perto, mais ou menos uma hora de carro, numa cidade com nome de vila...
Foi um passeio cultural, com direito a três museus, uma exposição de arte sacra e a uma mostra ao vivo de azulejoaria. Pistas... os azulejos estão na estação de comboios, os museus são o do Neo-realismo, o Museu Municipal e a Casa Museu Mário Coelho (um toureiro famoso). Vila Franca de Xira, uma cidade com personalidade onde se respira tradição ribatejana.
Não foi a primeira vez que lá fui mas desta foi mesmo como turista, de máquina em punho e em forma de visita de estudo. Gostei de tudo, do programa, do almoço, da bebida na explanada, do grupinho (e ainda bem que eles nos convidaram). Adorei o facto dos museus serem todos gratuitos.
O Museu do Neo-realismo lembrou-me, mais uma vez, aquilo que eu penso da arte como forma de transmissão de mensagem e de conhecimento. A luta através da expressão artística, que em Portugal representou "um dos mais importantes movimentos culturais que o nosso País conheceu ao longo do séc. XX". "Se outro valor não tivesse, o ímpeto de liberdade que subjaz a toda a criatividade neo-realista chegaria para fazer deste movimento um marco decisivo da nossa memória colectiva mais recente." in Museo do Neo-realismo de VFX
Foi um dia muito bem passado.
Amanhã rumamos para terras de além-Tejo...

Ana Cristina

quarta-feira, março 12, 2008

Cá nas casas, uma vez por semana ...

Esta balalaica ou balalaika (parece que se pode escrever das duas formas) está mesmo à entrada da sala, na companhia de uns cd´s. Fazem um cantinho musical...
Parece-me que foi o pai que a trouxe da URSS, e quando me mudei trouxe-a comigo. Não sei dizer porquê mas faz parte dos objectos que gosto de ter por perto.
Inaugura a rúbrica do "once a week" da minha casa.
Ana Cristina

terça-feira, março 11, 2008

Cineminha ...

"Este país não é para velhos" é um filme que merece ficar para a história do bom cinema americano. O enredo prende-nos à tela. Desenrola-se num mundo completamente diferente da nossa realidade, tanto que quase parece outro, numa época distante no máximo de 30 anos, mas que parece de um século distante. Começa com o narrador a dizer-nos o quanto se sente impossibilitado de entender determinada violência. Continua com uma violência por motivos económicos misturada com outra sem razão de ser. Acaba como começa, sem um fim...
Gostei tanto que se classificasse os filmes numa daquelas rubricas de jornal onde se põem umas estrelas de 1 a 5, daria 5.
Fiquei com muita vontade de ler o livro...
Fica a referência bibliográfica, para quem estiver interessado.


Este País Não É para Velhos.
Cormac McCarthy
1.ª edição, Outubro de 2007, 231 pp.
Lisboa: Relógio D’Água,
(tradução de Paulo Faria; obra original: No Country for Old Men, 2005).
Ana Cristina

segunda-feira, março 10, 2008

Puzzles

Quando a Alice fez dois anos, a Tia Sofia, que diz não perceber nada dessas coisas mas ainda não está é treinada o suficiente, ofereceu-lhe um puzzle para "+ de 3".
Durante muito tempo o jogo esteve guardado no armário, mas de há uns tempos para cá que a Alice o descobriu e têmo-lo feito quase todas as noites. Obviamente, ainda não o consegue fazer sozinha, mas as suas capacidades têm aumentado gradualmente, não só a nível motor (já vai percebendo a dinâmica e encaixa cada vez melhor as peças umas nas outras) como no tocante à observação e percepção da imagem. Tento trabalhar o raciocínio com ela («Estás a ver aqui no desenho as alfaces deste lado e os tomates ao lado? Agora temos que procurar os tomates, estás a ver, para pôr aqui...») e é emocionante ver os avanços na aprendizagem.
A próxima coisa a trazer da casa dos meus pais são uns puzzles de cubos antigos que para lá andam a aguardar pelo retorno de muitos fins de tarde divertidos...!


Rita

sexta-feira, março 07, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 1

Gosto do colorido que há na minha casa.
Alguém disse uma vez algo como que gostava das casas "cantinas mariachi" e é isso que eu sinto em algumas ocasiões. A minha mania de viver num mundo colorido vem de trás, desde há muitos anos, de quando isso não era moda, quando comecei a vestir calças e saias às flores e, talvez ao mesmo tempo, decidi que as louças da minha casa (quando as comprasse, ainda estava longe de sonhar em ter uma casa) iam ser de todas as cores, por causa do efeito que isso faria quando olhasse para os armários... Apercebi-me muito cedo que a mim, era o branco que me cansava e recordo-me da primeira vez que descobri maravilhada numa revista um frigorífico retro, amarelo, porque detestava ter de me vincular ao branco que se usava.
Bem, o que é certo é que, nesta minha casa dos anos 30 (fica para outro post a explicação do meu fascínio pelo antigo, "as velharias", como lhe chama a minha mãe), existem ombreiras e rodapés e portadas e bandeiras e portas divinais e, quando descobrimos que não conseguiríamos tornar a ver a cor da madeira em todas elas, optámos pela cor. O mais possível. E eu gosto, gosto tanto de me deitar em alguns cantos, mesmo no chão, e ficar a olhar lá para cima, para a forma como aí o colorido se conjuga.
Esta fotografia é tirada no meu quarto e corresponde a um canto para onde olho apaixonadamente de vez em quando, só porque gosto dos dois tons de azul. Já há muito tempo que pensava se deveria partilhar e, como resolvi aderir à nova "rubrica" da Rute, voilá, só para vocês, o meu cantinho azul.
Rita

quinta-feira, março 06, 2008

Um dia bom

Estou numa formação.
É bom afastar-me do local de trabalho e estar a trabalhar na mesma, sob outro prisma. É bom repensar o meu ser profissional e voltar a ter a certeza que estou no lugar certo, que preciso aprender muita coisa mas que fundamentalmente tenho o mais importante, a sensibilidade, o talento, o interesse, a vontade. É bom sentirmo-nos bons outra vez. Depois de tantos dias, até meses de dúvidas, fiquei cheia de vontade de voltar a agarrar-me e a ser agarrada pelo trabalho, de dar de mim mas também receber.
Hoje foi, definitivamente, um dia bom.
Rita

quarta-feira, março 05, 2008

Recordações recuperadas 2

De vez em quando vai-se ao sotão, amontoado de recordações e de lixo, tudo com quase o mesmo tratamento e traz-se para baixo uma lembrança. Tenta-se recupera-la, dar-lhe um toque pessoal e mais moderno. Por vezes consegue-se...

O "boneco do baloiço" foi uma oferta da Tia A. Trazido de França, era um conjunto de menino simpático que ria às gargalhadas quando estava divertido, e um baloiço moderno que foi as delícias também das amigas que iam lá a casa. Não teve tratamento diferenciado, nem foi o boneco preferido mas sempre ocupou um cantinho especial e quando o baloiço foi perdendo qualidades (que é como quem diz, se partiu) a mãe fez o que pode por ele. Resistiu às nossas mãos pouco destruidoras mas muito brincalhonas, e estava na arrecadação sem a atenção que merece. Há uns tempos sofreu uma remodelação e seguiu para casa da Alice. O menino continua de cara simpática mas vê-se que já está quase casa dos trinta. Suspeita-se mesmo que houve quem o tentasse remodelar e tivesse começado pelas pestanas... O baloiço talvez ainda vá a tempo de encantar alguma menina.

Ver mais fotos aqui: 1, 2, 3, 4

(continua)
Ana Cristina

terça-feira, março 04, 2008

Recordações recuperadas 1


Na casa dos nossos pais ainda há muita coisa nossa... não falo de tudo o que, nomeadamente eu, ainda tenho por trazer... falo de tudo o que faz parte da nossa infância e preservámos até chegar ao hoje.
Sempre me lembro da minha mãe nos estimular a cuidar das coisas. Pensando bem, fazendo valer a regra de que muito se aprende por imitação, a minha mãe sempre foi um excelente exemplo para nós. Os livros rasgados ou descolados eram carinhosamente reparados. As caras dos bonecos das prateleiras eram sujeitas a uma espécie de "remaquilhagem" por causa do descoramento (?) que a luz do Sol provocava. De longe em longe (uma vez por ano?!), com muito carinho, todas as roupas dos bonecos eram lavadas, arranjadas, passadas a ferro. Os próprios bonecos estavam sempre bonitos, bem penteados... e não era porque não pudessemos brincar com eles e sim porque havia sempre uma espécie de conversa prévia antes da arrumação («Não lhe queres escolher um vestido bonito, para ela ir para a prateleira?»).
Graças à paciência e carinho da minha mãe, a Alice tem hoje um verdadeiro tesouro lá em casa. Não se tratam de antiguidades, mas de recordações muito importantes e amorosas para nós, significativas para o que somos hoje.
E, por esse motivo, de vez em quando trazem-se cá para casa livros como estes...
(continua)
Rita

segunda-feira, março 03, 2008

Uma semana difícil

Já por vezes me queixei de estar com muito trabalho... mas a semana e meia que passou bateu todos os records dos últimos anos... deu para nunca saber a que horas chegava a casa, para nunca saber quando voltaria, para muitas horas ao computador, para deixar tudo para o João, para voltas a mais de carro, para gastar muitas energias, para quase não ir buscar a Alice, para falar com muitas pessoas, para estar mais ansiosa, para me constipar, para arranjar uma dor nas costas que até me doía a andar e a elevar os braços... só não deu para chorar de desespero com o cansaço porque estive sempre muito bem acompanhada e isso, só por si, já foi muito bom.
Tenho quase a certeza que a Alice se ressentiu da minha desequilibrada ausência, pois foi a primeira vez em dois anos e sete meses que o seu padrão de sono (deitar-se cerca das 21h00 sozinha na sua cama e quartinho, adormecer sozinha de forma serena e sozinha dormir sem sobressaltos até de manhã) se alterou e começou a acordar algumas horas depois de se deitar a choramingar, a chamar por nós e a dizer que não queria ficar sozinha.
Foi de tal forma que na sexta-feira, quando a principal onda de trabalho (o maremoto, mesmo) se acalmou, disse-lhe que lhe queria explicar porque é que não tinha estado e ela começou a desconversar. Perguntei-lhe: «Não queres que a mãe te explique do trabalho dela?». E ela respondeu de forma agressiva: «Não!». Mas aceitou as explicações, mais tarde, e deu muitos pulos de alegria quando disse que no dia seguinte ninguém ia nem trabalhar nem para a escola.
E eu adormeci no sofá às 22h00, nem me lembro de ter caminhado até à cama, dormi até às 9h00, fiz 45 minutos de intervalo e voltei para a cama, para acordar às 11h00. Toma!
Rita

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Nestes últimos dias

Entre o trabalho urgente, os turnos e o desenvolvimento do projecto de investigação nem tivemos tempo de festejar o aniversário o nosso filho-gato. Pois é, o Pilas fez cinco anos e recebeu uma noite de festas e brincadeiras. Este ano sem presentes, nem fotos, tudo em família... (mostro uma foto antiga)

Ana Cristina

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Aqueles ...

Foi no sábado que o “Guia Prático: Cuidar o bebé na primeiro ano da vida” foi entregue aos primeiros utentes do curso. Uma experiência interessante, onde participei quer como autora do Guia, quer como ilustradora, quer como formadora. A ANAFS e o ISLA aceitaram a nossa proposta, promoveram a formação e eu e a A pusemos em prática uma ideia que nos perseguia. O grupo foi simpático e o ambiente informal. Saimos contentes, nós e eles.
Vai ser bom poder repetir.
Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Não posso dizer que o dia tenha corrido mal... mas não gosto quando acontece alguma coisa que me deixa frustrada, sem saber o que pensar, o que querer... não quero o grupo pelo grupo, mas não dá para pensar no individual quando se vive e precisa do grupo... quero a minha postura, as minhas ideias, mas não quero ser prejudicada por elas ou ser colocada numa prateleira que não gosto e onde não me incluo... faz-me falta, nestas alturas, a liberdade de outrora, de escolher à vontade, de pensar à vontade, de me excluir e incluir à vontade, de viver à vontade, sem oscilar entre o viver e o sobreviver... às vezes não queria isto, queria outra coisa que não sei o quê... e às vezes queria isto como era antes... mas já não dá para voltar atrás, já sou o que sou agora e ainda não sou o que quer que tente aprender a ser para o futuro...
Hoje o dia correu mais ou menos.

Rita

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Foi desta...

... que entregámos o presente da nossa visitante nº 20.000. Uma agenda, que pelo adiantado do ano poderia ser do próximo, e uma carteirinha a fazer conjunto.
Beijinhos D., gostamos muito de te ter como visitante assídua neste nosso cantinho, e esperamos que tenhas gostado.

Ana Cristina

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Palermices


Às vezes gostava de ter uma cauda. E já agora, uma bem comprida, à Marsupilami, daquelas que desse para fazer mil e um malabarismos, inclusivamente pendurarmo-nos por ela nas árvores e saltar tipo mola.
Olho para a minha gata e não consigo deixar de pensar que, nem que fosse por um dia da minha vida, gostava de experimentar ter uma cauda que eu pudesse, sabe-se lá como, articular até à pontinha... qual será a sensação de ter uma espécie de membro ondulante que, para além da beleza e elegância inerente ao movimento que faz, não serve bem para grande coisa...?!
Acho que esta minha mania (palermice, lá está!), bem conhecida já dos que me acompanham há muito tempo, vem de uns bonecos (leia-se desenhos animados) que havia quando eu era pequena. Tenho a vaga ideia que consistiam em humanos, bastante simpáticos e garbosos por sinal... e com cauda. Comprida. E, já agora, roupa adaptada.
Pronto, já disse.
Rita

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Quadro do dia de ontem

Almoço com colegas no restaurante de tantas segundas-feiras. Bacalhau cozido com batatas e grão. Alguém, a certa altura: «O grão está muito bom, mas o bacalhau parece que não me sabe tão bem como é costume.» Outro alguém concorda e logo diz alto, para trás do balcão onde se vê o dono: «Sr. Aníbal, este bacalhau hoje não está tão salgado, deve ter ficado muito tempo a demolhar...». Resposta do Sr. Aníbal: «Ná, esse é o do congelado, por causa da ASAE.»
Pois é. Ao que nos explicaram, parece que não é permitido agora comprar bacalhau num dia e servir no dia seguinte. Tem que ser consumido no dia da compra. Ora como o bom português sabe, não é possível comprar bacalhau, demolhá-lo, cozinhá-lo e comê-lo no próprio dia... por isso, recorre-se ao demolhado, ultracongelado...
E as castanhas?! Já alguém reparou que as castanhas assadas vendidas na rua já não são embrulhadas nas páginas amarelas?! Agora tem de ser um papel próprio, todo branco... Regra da ASAE... Só me resta falar na pena que tenho que os meus filhos não venham a perceber aquele capítulo do "Lote 12 2º frente" da Alice Vieira: "Embrulhou-me as castanhas numa folha de jornal - coisa que aflige muito a minha mãe, que diz que aquilo é uma falta de higiene e suja as mãos todas, mas que me diverte quando começo a ler tudo o que lá vem e a imaginar o que lá falta."

O que virá a ser de nós...?!
Rita

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Palila Palula

Leio este post e rio-me a pensar na quantidade de vezes que a Alice inventa uma linguagem muito própria para brincar connosco...
Ela já sabe muitas coisas sobre ela, mas não é de todo estranho ouvi-la responder de forma inventada a algumas questões. Primeiro trocava propositadamente as informações, à semelhança de uma brincadeira nossa em que usamos os protagonistas de determinadas músicas para outras músicas com diferentes protagonistas. Depois, apercebeu-se da possibilidade de inventar e criou uma resposta generalizada para o que não lhe apetecia responder. «Como se chama o pai?», e ela, de sorriso safado: «Palila Palula». A Palila Palula passou a caber em todos os lugares, circunstâncias, nomes e objectivos e talvez ainda mais desde que começou a ser expressão quotidiana, a arrancar sorrisos previsíveis e inevitáveis.
Neste fim de semana tentei que ela me cantasse a música que, pelo que sei, todos os dias é cantada na creche. «Alice, ensina-me a canção do "Bom Dia" que cantas na escola...» E ela, logo, de sorriso safado: «La la la la. Bom Dia. Já está». Em resumo, já "goza" comigo, a minha filha.
Rita

quinta-feira, fevereiro 07, 2008