terça-feira, abril 01, 2008

Fotos do fim-de-semana...



Ter de parar para dar passagem ao rebanho é uma experiência em extinção. Tinha de fotografar. Desculpem, sou uma menina de cidade...
Ana Cristina

sexta-feira, março 28, 2008

Cá em casa, uma vez por semana

Um dia vi-a numa montra em Viana do Castelo. Entrei na loja só para a ver de perto. Gostei de tudo; das cores, dos tecidos, do desenho que fazia, da renda ... sim, até dos pedacinhos em renda. Quem me conhece estranhou uma tão grande paixão. No dia seguinte fomos lá outra vez. Cada vez gostava mais dela. Sabia que as medidas ideiais não eram bem aquelas (devia ser mais larga e menos comprida) mas cabia para cubrir a cama.
Comprei-a.
Hoje mostro a minha colcha, que foi uma das primeiras coisas que comprei cá para casa. Tapa a cama de Verão e de Inverno (com pequenas interrupções claro). Ainda gosto muito dela mas está velhinha...

A foto não é muito justa nem para a colcha, nem para o Pilas, que HOJE resolveu matar saudades da máquina fotográfica. O que fazem uns dias de férias com a prima...

Ana Cristina

quinta-feira, março 27, 2008

Trabalhinhos que faltavam mostrar I

O ano passado personalizei uma agenda para mim. Na altura queria dar-lhe uma cor a pincel ou com linhas mas o tempo ia passando, o ano começou, e lá decidi que ficasse muito simples mas funcional.
Este ano já aqui mostramos uma agenda personalizada que foi presente de uma visitante assídua, mas faltava mostrar as outras duas que também são assinadas pelas Oficinas RANHA, e neste caso usadas por nós mesmas. Neste período em que as produções Oficinas RANHA estão a ganhar um novo fôlego (apesar da falta de tempo) é tempo de mostrar umas peças que ainda não tinham vindo a público.

É tempo também para pensar positivo, afinal, foi triplicada a produção de agendas o que torna este valor um sinal positivo, que a juntar à diminuição da taxa de IVA de 1% nos faz pensar que a economia portuguesa e qui çá, mundial estão em franco desenvolvimento.
Para ver as outras imagens clique por cima das palavras; Agendas velha e Agenda nova; Agenda vermelha; Agenda e Carteirinha
Ana Cristina

quarta-feira, março 26, 2008

Final de tarde

Hoje, quando saimos do trabalho, fomos à Baixa para que eu pudesse procurar o que me faltava para os próximos projectos (são uma lista enorme, bem definida!!!).
O primeiro pouso foi a Botilã, porque foi lá que a minha querida amiga Van me levou há já alguns anos. A Botilã, como qualquer retrosaria, fascina-me.
Eu nunca cresci num "mundo de costura", a minha mãe sempre detestou a prática. No entanto, tenho belas recordações dos tempos que a minha Avó Joana lá passava por casa e das horas que passava sentada na nossa máquina Singer (ainda lá, mas recentemente em outro sítio) iluminada pelo solinho da tarde na marquise. A Avó Joana chegava e tinha sempre muitas coisas para costurar porque acho que era o que gostava de fazer (ou tinha aprendido a gostar de fazer, não sei). Mas, para além de todas essas coisas, sempre me lembro de nos ter feito roupa... e roupinhas para as bonecas... e, a meu pedido, uma boneca de pano, de sorriso assustador e olhos tortos, mas com a perfeição que sempre nos habituou.
À máquina vi também muitas e muitas vezes, a Mané. E a Tina tinha tantos vestidos que a Mané lhe fazia para as Tuxas e Susys, era uma inveja olhar para a mala das roupas das bonecas que havia lá em casa...
Apesar de ser somente essa a minha relação com a costura, uma retrosaria enorme como a Botilã - e que eu calculo que nem seja a melhor nem a mais em conta, mas que é das que conheço e onde calculo vir a encontrar o que quero - faz-me sempre ter vontade de saltar para o lado de lá do balcão e começar a abrir gavetas e armários... gostaria de me perder por ali um dia inteiro, só para poder tocar em todas as coisas cuja existência desconheço e que acho sempre fascinante...
Bem, o que é certo é que fiz as minhas compras, cheia de pena de não levar a máquina fotográfica comigo, e fomos lanchar.
Entrámos na Pastelaria Nacional (que é linda de morrer mas onde já fomos mal atendidos mais do que uma vez, porque se recusam a acreditar que não enriquecerão se colocarem mais funcionários a trabalhar no atendimento), mas saímos logo, não sem antes eu me recriminar mais uma vez pela ausência da máquina (os rodapés e ombreiras decapadas e o papel da parede são uma coisa por demais deliciosa). Acabámos por lanchar uma torrada a meias e um chocolate quente no Café Nicola, sítio cheio de turistas a comerem fatias de melão ou bitoques ou outros menus no mínimo cómicos para as seis da tarde.
Lembrança: nunca mais deixar de colocar a máquina fotográfica ao lado da agenda, do bloco de desenhos, do livro do momento, da carteira de documentos, do porta-moedas, da bolsa dos óculos, das chaves, do baton do cieiro, daquela carteira-importante-sem-a-qual-não-sou-nada, do telemóvel, e do resto das coisas que agora me posso ter esquecido mas que guardo diariamente na minha mala de viagem diária. Dizem que isto é característico de mulher, mas a menos que o Sport Billy estivesse bem disfarçado, há sacos maiores e ainda com menos fundo que o meu.
Rita

terça-feira, março 25, 2008

Uma prenda para uma amiguinha

A R. é uma amiguinha recente que fez agora há pouco tempo três anos - logo, só poderia ser recente...
Nós fomos a uma festa simpática onde nos divertimos na inversa proporção da quantidade de gente que conhecíamos (ó pró meu raciocínio matemático, Joana...! - até faz trocadilhos) e a Alice até choramingou porque não se queria vir embora, de tão bem que estava.
As Oficinas, sabendo que a R. é fã de gatos e que a sua mãe é alérgica aos ditos cujos, voltaram a exercer o seu artesanato doméstico (que é como quem diz, "de trazer por casa") para oferecer então um daqueles que não provoca espirros a ninguém: o Bigodes, como foi apelidado pela Alice.


É caso para dizer: as Oficinas Ranha voltam a atacar.
Rita

segunda-feira, março 24, 2008

Carinhos...

Há cerca de uma hora andavam a correr atrás um do outro em fúria, de tal forma que tive de lhes ir pregar um ralhete. Mas ontem, era assim que dormiam no sofá:

Juntos e abraçadinhos.
Rita

sábado, março 22, 2008

Águas de Março

Nestes últimos dias tenho-me lembrado muito desta música, na voz de uma interprete maravilhosa. Como eu gostava de a ter visto a cantar ao vivo...
(não me perguntem porquê, mas não consigo editar o vídeo aqui, deve ser da chuva...)
Ana Cristina

sexta-feira, março 21, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 2

Gostei muito quando os nosso primos, que são os Primvs, me deram esta jarra pelo Natal, mas apesar disso, ela acabou por ficar bastante tempo guardada, sem um pouso definido que a honrasse verdadeiramente.
Actualmente ocupa lugar de destaque na sala, impossível de não ver logo quando se entra, e adoro o efeito que faz com as flores da Cordemar e umas peças minhas, em fimo, de há uns tempos atrás.

Rita

quarta-feira, março 19, 2008

Chao Min de Vegetais (porque os camarões mínimos era só um restinho no congelador que era para acabar)

Salteia-se cebola, cortada de forma "grosseira", às tiras largas, tipo restaurante chinês. Ah, é verdade!: se for possível, usar um wok, não só porque é muito bonito mas também porque consta por aí que ajuda a cozinhar de forma mais saudável.


Quando a dita cuja alourar (ou enruivecer, só depende do gosto), juntar a mistura de legumes chineses. Pode-se também adicionar cogumelos (mesmo os de lata), quando se acredita, como eu, que os cogumelos melhoram tudo, principalmente o humor (sim, o meu humor tem caminho directo pelo estômago, não têm todos?!). Se houver necessidade de aproveitar os restos de uma embalagem de miolo de camarão daquele mínimo, que não sabe a nada, nem sequer sabemos para que o comprámos, faz favor. Já agora, dá também para aproveitar verdadeiramente qualquer resto presente no congelador (afinal, a ASAE não vai lá a casa).

Não esquecer de temperar a gosto, com sal, pimenta e, já agora, se se quiser dar um ar verdadeiramente oriental, molho de soja. Como não há orientais à mesa, não há medo de impressionar negativamente com um de má qualidade, por isso dá para escolher o mais barato. À parte, coze-se a massa.

No fim, mistura-se tudo. Mas, como "vivendo e aprendendo", já agora convém pôr a massa chao min primeiro num recipiente e só depois juntar a restante mistura. Porque o conjunto não é muito fácil de misturar se se deitar o chao min para dentro do wok, para cima dos legumes.

Acredite-se: qualquer que seja a ordem adoptada para misturar o chao min e os legumes, o resultado é saboroso. E, mais uma vez como não há orientais à mesa, pode-se comer enquanto se bebe uma caipirinha. Afinal, cozinhámos de forma tão saudável no wok, que a coisa contrabalança.
Rita

terça-feira, março 18, 2008

Projectos mais ou menos artesanais

Tudo começa com uma ideia mais ou menos vaga (apesar da Cristina achar que não e pensar que vem tudo assim compostinho, com cores e formatos e tudo o resto)...
e durante muito tempo quase não lhe ligo, vou pensando só com carinho...
depois, pressionada pelo pouco tempo que resta (é um grande defeito meu, confesso), agarro no lápis e caneta e começo a experimentar... em qualquer pedacinho de papel, pequeno ou grande...
e depois aquilo vai tomando forma e ser e vejo-me sem conseguir pensar noutra coisa...
e penso inclusivamente durante o meu horário de trabalho e durante o banho e durante o caminho de ida e volta para o emprego e durante as conversas com os colegas...
e, mais ou menos às escondidas, a certa altura agarro nas folhas de rascunho e rabisco e risco e tento e retento...
e depois já está...
Prevê-se trabalho mais ou menos artesanal cá por casa e os resultados de tão apurado planeamento (ahahah) no final da semana!
Rita

segunda-feira, março 17, 2008

Mais um filme

Chegámos há pouco a casa depois de ver o "Juno". O João não estava com vontade de ver o outro, o vencedor, e optámos por este, que estava na nossa lista, não desde os tãos afamados comentários, mas logo a partir do momento em que nos prendemos cativados por um trailer.
"Juno" é uma história bem disposta e sem pretensiosimos. Conta a história de um pequeno drama familiar (a de uma gravidez aos 16 anos) de uma forma pouco dramática e apresenta uma trama com um desenvolvimento sorridente e suave mas, ao contrário do que se possa pensar, nada leve. Já li uma ou outra crítica que adopto e que linko aqui.
Para quem se queira rir, sorrir, e até ficar com a lágrima ao canto do olho enquanto faz as duas coisas, força, "Juno" aconselha-se.
Rita

domingo, março 16, 2008

Parabéns a você...

Acabadinha de chegar do nosso Alentejo e ainda lá tendo deixado quase a família toda a festejar (incluindo a patanisca pequena), só venho até aqui para lembrar uma data importante para quem tem sido sempre um dos grande amores da minha vida: parabéns, minha querida irmã.
Rita

sexta-feira, março 14, 2008

quinta-feira, março 13, 2008

Para fora, cá dentro

Muito perto, mais ou menos uma hora de carro, numa cidade com nome de vila...
Foi um passeio cultural, com direito a três museus, uma exposição de arte sacra e a uma mostra ao vivo de azulejoaria. Pistas... os azulejos estão na estação de comboios, os museus são o do Neo-realismo, o Museu Municipal e a Casa Museu Mário Coelho (um toureiro famoso). Vila Franca de Xira, uma cidade com personalidade onde se respira tradição ribatejana.
Não foi a primeira vez que lá fui mas desta foi mesmo como turista, de máquina em punho e em forma de visita de estudo. Gostei de tudo, do programa, do almoço, da bebida na explanada, do grupinho (e ainda bem que eles nos convidaram). Adorei o facto dos museus serem todos gratuitos.
O Museu do Neo-realismo lembrou-me, mais uma vez, aquilo que eu penso da arte como forma de transmissão de mensagem e de conhecimento. A luta através da expressão artística, que em Portugal representou "um dos mais importantes movimentos culturais que o nosso País conheceu ao longo do séc. XX". "Se outro valor não tivesse, o ímpeto de liberdade que subjaz a toda a criatividade neo-realista chegaria para fazer deste movimento um marco decisivo da nossa memória colectiva mais recente." in Museo do Neo-realismo de VFX
Foi um dia muito bem passado.
Amanhã rumamos para terras de além-Tejo...

Ana Cristina

quarta-feira, março 12, 2008

Cá nas casas, uma vez por semana ...

Esta balalaica ou balalaika (parece que se pode escrever das duas formas) está mesmo à entrada da sala, na companhia de uns cd´s. Fazem um cantinho musical...
Parece-me que foi o pai que a trouxe da URSS, e quando me mudei trouxe-a comigo. Não sei dizer porquê mas faz parte dos objectos que gosto de ter por perto.
Inaugura a rúbrica do "once a week" da minha casa.
Ana Cristina

terça-feira, março 11, 2008

Cineminha ...

"Este país não é para velhos" é um filme que merece ficar para a história do bom cinema americano. O enredo prende-nos à tela. Desenrola-se num mundo completamente diferente da nossa realidade, tanto que quase parece outro, numa época distante no máximo de 30 anos, mas que parece de um século distante. Começa com o narrador a dizer-nos o quanto se sente impossibilitado de entender determinada violência. Continua com uma violência por motivos económicos misturada com outra sem razão de ser. Acaba como começa, sem um fim...
Gostei tanto que se classificasse os filmes numa daquelas rubricas de jornal onde se põem umas estrelas de 1 a 5, daria 5.
Fiquei com muita vontade de ler o livro...
Fica a referência bibliográfica, para quem estiver interessado.


Este País Não É para Velhos.
Cormac McCarthy
1.ª edição, Outubro de 2007, 231 pp.
Lisboa: Relógio D’Água,
(tradução de Paulo Faria; obra original: No Country for Old Men, 2005).
Ana Cristina

segunda-feira, março 10, 2008

Puzzles

Quando a Alice fez dois anos, a Tia Sofia, que diz não perceber nada dessas coisas mas ainda não está é treinada o suficiente, ofereceu-lhe um puzzle para "+ de 3".
Durante muito tempo o jogo esteve guardado no armário, mas de há uns tempos para cá que a Alice o descobriu e têmo-lo feito quase todas as noites. Obviamente, ainda não o consegue fazer sozinha, mas as suas capacidades têm aumentado gradualmente, não só a nível motor (já vai percebendo a dinâmica e encaixa cada vez melhor as peças umas nas outras) como no tocante à observação e percepção da imagem. Tento trabalhar o raciocínio com ela («Estás a ver aqui no desenho as alfaces deste lado e os tomates ao lado? Agora temos que procurar os tomates, estás a ver, para pôr aqui...») e é emocionante ver os avanços na aprendizagem.
A próxima coisa a trazer da casa dos meus pais são uns puzzles de cubos antigos que para lá andam a aguardar pelo retorno de muitos fins de tarde divertidos...!


Rita

sexta-feira, março 07, 2008

Cá em casa, uma vez por semana 1

Gosto do colorido que há na minha casa.
Alguém disse uma vez algo como que gostava das casas "cantinas mariachi" e é isso que eu sinto em algumas ocasiões. A minha mania de viver num mundo colorido vem de trás, desde há muitos anos, de quando isso não era moda, quando comecei a vestir calças e saias às flores e, talvez ao mesmo tempo, decidi que as louças da minha casa (quando as comprasse, ainda estava longe de sonhar em ter uma casa) iam ser de todas as cores, por causa do efeito que isso faria quando olhasse para os armários... Apercebi-me muito cedo que a mim, era o branco que me cansava e recordo-me da primeira vez que descobri maravilhada numa revista um frigorífico retro, amarelo, porque detestava ter de me vincular ao branco que se usava.
Bem, o que é certo é que, nesta minha casa dos anos 30 (fica para outro post a explicação do meu fascínio pelo antigo, "as velharias", como lhe chama a minha mãe), existem ombreiras e rodapés e portadas e bandeiras e portas divinais e, quando descobrimos que não conseguiríamos tornar a ver a cor da madeira em todas elas, optámos pela cor. O mais possível. E eu gosto, gosto tanto de me deitar em alguns cantos, mesmo no chão, e ficar a olhar lá para cima, para a forma como aí o colorido se conjuga.
Esta fotografia é tirada no meu quarto e corresponde a um canto para onde olho apaixonadamente de vez em quando, só porque gosto dos dois tons de azul. Já há muito tempo que pensava se deveria partilhar e, como resolvi aderir à nova "rubrica" da Rute, voilá, só para vocês, o meu cantinho azul.
Rita

quinta-feira, março 06, 2008

Um dia bom

Estou numa formação.
É bom afastar-me do local de trabalho e estar a trabalhar na mesma, sob outro prisma. É bom repensar o meu ser profissional e voltar a ter a certeza que estou no lugar certo, que preciso aprender muita coisa mas que fundamentalmente tenho o mais importante, a sensibilidade, o talento, o interesse, a vontade. É bom sentirmo-nos bons outra vez. Depois de tantos dias, até meses de dúvidas, fiquei cheia de vontade de voltar a agarrar-me e a ser agarrada pelo trabalho, de dar de mim mas também receber.
Hoje foi, definitivamente, um dia bom.
Rita

quarta-feira, março 05, 2008

Recordações recuperadas 2

De vez em quando vai-se ao sotão, amontoado de recordações e de lixo, tudo com quase o mesmo tratamento e traz-se para baixo uma lembrança. Tenta-se recupera-la, dar-lhe um toque pessoal e mais moderno. Por vezes consegue-se...

O "boneco do baloiço" foi uma oferta da Tia A. Trazido de França, era um conjunto de menino simpático que ria às gargalhadas quando estava divertido, e um baloiço moderno que foi as delícias também das amigas que iam lá a casa. Não teve tratamento diferenciado, nem foi o boneco preferido mas sempre ocupou um cantinho especial e quando o baloiço foi perdendo qualidades (que é como quem diz, se partiu) a mãe fez o que pode por ele. Resistiu às nossas mãos pouco destruidoras mas muito brincalhonas, e estava na arrecadação sem a atenção que merece. Há uns tempos sofreu uma remodelação e seguiu para casa da Alice. O menino continua de cara simpática mas vê-se que já está quase casa dos trinta. Suspeita-se mesmo que houve quem o tentasse remodelar e tivesse começado pelas pestanas... O baloiço talvez ainda vá a tempo de encantar alguma menina.

Ver mais fotos aqui: 1, 2, 3, 4

(continua)
Ana Cristina

terça-feira, março 04, 2008

Recordações recuperadas 1


Na casa dos nossos pais ainda há muita coisa nossa... não falo de tudo o que, nomeadamente eu, ainda tenho por trazer... falo de tudo o que faz parte da nossa infância e preservámos até chegar ao hoje.
Sempre me lembro da minha mãe nos estimular a cuidar das coisas. Pensando bem, fazendo valer a regra de que muito se aprende por imitação, a minha mãe sempre foi um excelente exemplo para nós. Os livros rasgados ou descolados eram carinhosamente reparados. As caras dos bonecos das prateleiras eram sujeitas a uma espécie de "remaquilhagem" por causa do descoramento (?) que a luz do Sol provocava. De longe em longe (uma vez por ano?!), com muito carinho, todas as roupas dos bonecos eram lavadas, arranjadas, passadas a ferro. Os próprios bonecos estavam sempre bonitos, bem penteados... e não era porque não pudessemos brincar com eles e sim porque havia sempre uma espécie de conversa prévia antes da arrumação («Não lhe queres escolher um vestido bonito, para ela ir para a prateleira?»).
Graças à paciência e carinho da minha mãe, a Alice tem hoje um verdadeiro tesouro lá em casa. Não se tratam de antiguidades, mas de recordações muito importantes e amorosas para nós, significativas para o que somos hoje.
E, por esse motivo, de vez em quando trazem-se cá para casa livros como estes...
(continua)
Rita

segunda-feira, março 03, 2008

Uma semana difícil

Já por vezes me queixei de estar com muito trabalho... mas a semana e meia que passou bateu todos os records dos últimos anos... deu para nunca saber a que horas chegava a casa, para nunca saber quando voltaria, para muitas horas ao computador, para deixar tudo para o João, para voltas a mais de carro, para gastar muitas energias, para quase não ir buscar a Alice, para falar com muitas pessoas, para estar mais ansiosa, para me constipar, para arranjar uma dor nas costas que até me doía a andar e a elevar os braços... só não deu para chorar de desespero com o cansaço porque estive sempre muito bem acompanhada e isso, só por si, já foi muito bom.
Tenho quase a certeza que a Alice se ressentiu da minha desequilibrada ausência, pois foi a primeira vez em dois anos e sete meses que o seu padrão de sono (deitar-se cerca das 21h00 sozinha na sua cama e quartinho, adormecer sozinha de forma serena e sozinha dormir sem sobressaltos até de manhã) se alterou e começou a acordar algumas horas depois de se deitar a choramingar, a chamar por nós e a dizer que não queria ficar sozinha.
Foi de tal forma que na sexta-feira, quando a principal onda de trabalho (o maremoto, mesmo) se acalmou, disse-lhe que lhe queria explicar porque é que não tinha estado e ela começou a desconversar. Perguntei-lhe: «Não queres que a mãe te explique do trabalho dela?». E ela respondeu de forma agressiva: «Não!». Mas aceitou as explicações, mais tarde, e deu muitos pulos de alegria quando disse que no dia seguinte ninguém ia nem trabalhar nem para a escola.
E eu adormeci no sofá às 22h00, nem me lembro de ter caminhado até à cama, dormi até às 9h00, fiz 45 minutos de intervalo e voltei para a cama, para acordar às 11h00. Toma!
Rita

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Nestes últimos dias

Entre o trabalho urgente, os turnos e o desenvolvimento do projecto de investigação nem tivemos tempo de festejar o aniversário o nosso filho-gato. Pois é, o Pilas fez cinco anos e recebeu uma noite de festas e brincadeiras. Este ano sem presentes, nem fotos, tudo em família... (mostro uma foto antiga)

Ana Cristina

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Aqueles ...

Foi no sábado que o “Guia Prático: Cuidar o bebé na primeiro ano da vida” foi entregue aos primeiros utentes do curso. Uma experiência interessante, onde participei quer como autora do Guia, quer como ilustradora, quer como formadora. A ANAFS e o ISLA aceitaram a nossa proposta, promoveram a formação e eu e a A pusemos em prática uma ideia que nos perseguia. O grupo foi simpático e o ambiente informal. Saimos contentes, nós e eles.
Vai ser bom poder repetir.
Ana Cristina

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Não posso dizer que o dia tenha corrido mal... mas não gosto quando acontece alguma coisa que me deixa frustrada, sem saber o que pensar, o que querer... não quero o grupo pelo grupo, mas não dá para pensar no individual quando se vive e precisa do grupo... quero a minha postura, as minhas ideias, mas não quero ser prejudicada por elas ou ser colocada numa prateleira que não gosto e onde não me incluo... faz-me falta, nestas alturas, a liberdade de outrora, de escolher à vontade, de pensar à vontade, de me excluir e incluir à vontade, de viver à vontade, sem oscilar entre o viver e o sobreviver... às vezes não queria isto, queria outra coisa que não sei o quê... e às vezes queria isto como era antes... mas já não dá para voltar atrás, já sou o que sou agora e ainda não sou o que quer que tente aprender a ser para o futuro...
Hoje o dia correu mais ou menos.

Rita

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Foi desta...

... que entregámos o presente da nossa visitante nº 20.000. Uma agenda, que pelo adiantado do ano poderia ser do próximo, e uma carteirinha a fazer conjunto.
Beijinhos D., gostamos muito de te ter como visitante assídua neste nosso cantinho, e esperamos que tenhas gostado.

Ana Cristina

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Palermices


Às vezes gostava de ter uma cauda. E já agora, uma bem comprida, à Marsupilami, daquelas que desse para fazer mil e um malabarismos, inclusivamente pendurarmo-nos por ela nas árvores e saltar tipo mola.
Olho para a minha gata e não consigo deixar de pensar que, nem que fosse por um dia da minha vida, gostava de experimentar ter uma cauda que eu pudesse, sabe-se lá como, articular até à pontinha... qual será a sensação de ter uma espécie de membro ondulante que, para além da beleza e elegância inerente ao movimento que faz, não serve bem para grande coisa...?!
Acho que esta minha mania (palermice, lá está!), bem conhecida já dos que me acompanham há muito tempo, vem de uns bonecos (leia-se desenhos animados) que havia quando eu era pequena. Tenho a vaga ideia que consistiam em humanos, bastante simpáticos e garbosos por sinal... e com cauda. Comprida. E, já agora, roupa adaptada.
Pronto, já disse.
Rita

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Quadro do dia de ontem

Almoço com colegas no restaurante de tantas segundas-feiras. Bacalhau cozido com batatas e grão. Alguém, a certa altura: «O grão está muito bom, mas o bacalhau parece que não me sabe tão bem como é costume.» Outro alguém concorda e logo diz alto, para trás do balcão onde se vê o dono: «Sr. Aníbal, este bacalhau hoje não está tão salgado, deve ter ficado muito tempo a demolhar...». Resposta do Sr. Aníbal: «Ná, esse é o do congelado, por causa da ASAE.»
Pois é. Ao que nos explicaram, parece que não é permitido agora comprar bacalhau num dia e servir no dia seguinte. Tem que ser consumido no dia da compra. Ora como o bom português sabe, não é possível comprar bacalhau, demolhá-lo, cozinhá-lo e comê-lo no próprio dia... por isso, recorre-se ao demolhado, ultracongelado...
E as castanhas?! Já alguém reparou que as castanhas assadas vendidas na rua já não são embrulhadas nas páginas amarelas?! Agora tem de ser um papel próprio, todo branco... Regra da ASAE... Só me resta falar na pena que tenho que os meus filhos não venham a perceber aquele capítulo do "Lote 12 2º frente" da Alice Vieira: "Embrulhou-me as castanhas numa folha de jornal - coisa que aflige muito a minha mãe, que diz que aquilo é uma falta de higiene e suja as mãos todas, mas que me diverte quando começo a ler tudo o que lá vem e a imaginar o que lá falta."

O que virá a ser de nós...?!
Rita

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Palila Palula

Leio este post e rio-me a pensar na quantidade de vezes que a Alice inventa uma linguagem muito própria para brincar connosco...
Ela já sabe muitas coisas sobre ela, mas não é de todo estranho ouvi-la responder de forma inventada a algumas questões. Primeiro trocava propositadamente as informações, à semelhança de uma brincadeira nossa em que usamos os protagonistas de determinadas músicas para outras músicas com diferentes protagonistas. Depois, apercebeu-se da possibilidade de inventar e criou uma resposta generalizada para o que não lhe apetecia responder. «Como se chama o pai?», e ela, de sorriso safado: «Palila Palula». A Palila Palula passou a caber em todos os lugares, circunstâncias, nomes e objectivos e talvez ainda mais desde que começou a ser expressão quotidiana, a arrancar sorrisos previsíveis e inevitáveis.
Neste fim de semana tentei que ela me cantasse a música que, pelo que sei, todos os dias é cantada na creche. «Alice, ensina-me a canção do "Bom Dia" que cantas na escola...» E ela, logo, de sorriso safado: «La la la la. Bom Dia. Já está». Em resumo, já "goza" comigo, a minha filha.
Rita

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Carnaval II

Nos bons velhos tempos do Carnaval tinhamos três dias de folia. Ao Domingo íamos vestidas a rigor ao centro comercial, víamos um cineminha e como era carnaval ninguém levava a mal as cabeleiras ocuparem tanto espaço. Na segunda à noite não perdiamos o baile dos Bombeiros ou da Igreja, o que houvesse. E na terça lá rumavamos para uma qualquer terra de festejos carnavalescos.
Na altura eramos 3 (nós e a Tina, amiga para todas as ocasiões), acampavamos lá em casa ou mais tarde aqui na mansão Cristina-Ranha e arrastavamos connosco um grande grupo que foi mudando com o tempo. Houve mesmo tempos em que os maridinhos entraram na brincadeira e fizeram figuras apalhaçadas (e se quiserem negar nós temos provas irrefutáveis).

Não perdiamos a folia carnavalesca mas de algum tempo para cá temos deixado passar os dias sem os aproveitar.

Este ano fomos a casa de uns amigos em trajes apalhaçados com um pequena capuchinho vermelho...

Para o ano será melhor.

Ana Cristina

Carnaval

Este ano tentámos voltar a brincar ao Carnaval mas, no rescaldo da vaga de doenças que assolou esta casa, para alguns de nós ainda foi pouco:

Pelo menos tendo em conta o fulgor de outros tempos...
Rita

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Telegráfico

Perdão pela ausência stop. Filha com escarlatina últimos dias stop. Mãe com amigdalite devido escarlatina da filha stop. Gata com nova infecção urinária sem nada a ver stop. Cansaço familiar stop. Necessária paragem do computador stop. De volta stop.
Rita

terça-feira, janeiro 29, 2008

A Fera e o Kaos

Quando o Kaos tinha dois meses e se juntou à família, a Fera já era adulta, com lugar conquistado. Uma adulta que nunca tinha convivido com irmãos de ninhada e que o único bicho com quem convivia era o primo Pilas.
O Kaos, com dois meses, era um cachorro com o dobro do tamanho da Fera e, claro, com uma forma de agir que em nada se assemelha à postura dos felinos.
Resultado: a Fera nunca suportou aquele bicho peludo enorme, de patas gigantescas, de boca sempre aberta pronta a devorar qualquer pedaço de comida que se lhe dê (e sem cheirar primeiro, veja-se bem!) e, ainda por cima, constantemente agitado.
O Kaos, por outro lado, sempre lhe votou uns olhos de adoração, e principalmente de submissão... afinal, os bichos também não se medem aos palmos e a idade ainda é um posto de respeito...
Em casa, estão sempre perto um do outro, a controlarem os movimentos mútuos... mas ela rosna-lhe incessantemente e não perde a oportunidade para lhe demonstrar o quanto lhe enraivecem as tentativas de aproximação dele.
Na rua, e desde que a Fera tem passeado mais, vão conseguindo uma estranha relação, feita da partilha forçada de território.
Enfim, já lá vão os tempos em que eu achava que conseguiria um dia tirar uma foto de Natal com todos nós reunidos, pai, mãe, filha-menina e filhos-bichos. Mas, de longe em longe, lá se consegue uma fotografia dos dois juntos...
Rita

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Igual a...

Parece que para o Hugo, eu sou parecida com esta menina.

Bem, ele tem 8 anos e está a fazer a colecção de cromos com muito entusiasmo, mas será um elogio?

...

Ana Cristina

domingo, janeiro 27, 2008

Wip 3 - o resultado final




Depois de avanços e retrocessos, certezas e dúvidas nas ideias para esta arca, cá está o resultado final. Eu gostei, mas mais do que tudo, agradaram-me as avaliações dos amigos em questão, principalmente da dona. Com um ligeiro pesar, porque confesso que me custa sempre um bocadinho a separação dos resultados finais dos nossos trabalhos, lá deixei a obra no seu novo (projecto de) quarto... e trouxe um espelho, ao qual me dedicarei nos próximos tempos.
Rita

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Gosto do sorrisinho idiota com que fico depois de algumas séries televisivas... o mesmo que tenho depois de ler determinadas passagens de livros, ou mesmo alguns livros completos... o mesmo dos momentos em que ouço uma ou outra música... o mesmo com que olho para as coisas que vamos fazendo...
Rita

segunda-feira, janeiro 21, 2008

WIP

WIP foi uma sigla que aprendemos na net, ou melhor, no flickr (esta coisa aqui do vosso lado direito que permite ver as nossas fotografias). Por lá, em grupos de artesãos muito mais hábeis, criativos e trabalhadores do que nós, "work in progress" é uma expressão muito usada para nomear um projecto no qual se labora.
Assim, apresento-vos o nosso próximo wip. É para uma amiguinha que está prestes a ter um quarto novo, só para ela, num espaço simultaneamente usado e novo na sua vida, um espaço que pelos vistos também irá ser preenchido de coisas novas usadas. Calculo que aos 10 anos um quarto seja uma grande conquista e ponho toda a dedicação neste desafio que eu própria lancei a mim mesma e que os pais dela... aventureiros... aceitaram...
Rita

sábado, janeiro 19, 2008

Os restos

Cá por casa também andamos em arrumações... e como delas fazem sempre parte as selecções, decidimos levar para a frente o plano de sempre e sempre adiado: despachar a roupa e o calçado que não se usa, o que se usou bastante e o que sabemos que não iremos usar mais.
Que não se pense que é tarefa fácil... mas a verdade é que o espaço mingua com o passar do tempo e, subsistindo os desejos consumistas, nada a fazer. A nossa técnica foi mais ou menos simples: um lado para tudo o que não se quer e, mesmo daí, de parte o que se encontra em boas condições e que alguma amiga ainda pode aproveitar para si (ou o que temos mesmo muita pena de mandar embora). Um dos meus grupos de amigas não tem esquisitices e criou o hábito. A ideia é excelente, a nós parece-nos sempre novo...
Depois, o restante é colocado num daqueles contentores que existem por aí, de auxílio a quem precisa...
Fica a ideia e se alguém souber de outros destinos, que diga.
Rita

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Iguarias



Isto é que vos pode esperar se forem parar a Viseu, como hoje me aconteceu. Arroz de carqueja do Cortiço (preparem a bolsa, mas também o estômago... e os olhos, porque toda a decoração do restaurante é muito gira e bem escolhida). E algum doce, qualquer que ele seja, da Confeitaria Amaral (atenção com as empregadas: adoram o que fazem e parecem conseguir convencer-nos a trazer ou experimentar de tudo). E depois... bom apetite...
Rita

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Os Primvs

Fomos este fim de semana buscar prendas de Viana... e no grupo inseria-se este conjunto lindo, barrete e cachecol, maravilhosamente decorados pelos Primvs... só decorado, por enquanto, mas eu bem sei - e já sei há muitos anos - as obras de arte que podem sair daquelas mãos, por isso... é só aguardar...
Beijinhos, primos... e obrigada...
Rita

domingo, janeiro 13, 2008

Será que podemos achar que é daquelas magias incompreensíveis que de vez em quando acontecem o facto de termos um torcicolo no dia a seguinte a termos contabilizado mentalmente o tempo que passou desde o último torcicolo...?! Ou será daquelas meras ironais ridículas da vida...?!
Rita

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Regresso ao passado

Um colega levou para o trabalho dois livros da famosa colecção Vampiro e, dada a minha curiosidade por nunca ter lido estes, emprestou-mos.
Agora, cada vez que olho para eles, viajo até ao passado... o pessoal trintão terá todo esta mesma recordação, de se colar horas a fio aos livros policiais do Sherlock Holmes (os meus preferidos), da Agatha Christie, do Perry Mason...?!
Rita

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Tá visto...

O Pilas e a Alice são, defenitivamente, família.
As bolas da árvore de Natal foram descobertas no dia dos Reis. Caixas é com ele...
Claro que não pede para a gente puxar pelas pantufas, mas que raio, ele é um gato.
Ana Cristina

Ainda das festas 3

Acho que a Alice gostou mais de desmanchar a árvore de Natal na passada segunda-feira, do que de montá-la... saltitou à minha volta, fez perguntas intermináveis (que agora são o seu hábito constante), brincou com os enfeites e, o maior dos sucessos, descobriu a caixa da árvore... seguindo a sua iniciativa, decidiu meter-se lá dentro repetidamente e gritar: «Mãe, tou pêja! Ajuda a Alice! Puxa as pantufas!!!!»
E pergunto-me eu: pessoal, para quê os legos, os bebés carecas, os conjuntos de panelas, os serviços de chá, os quadros de desenho... quando o que faz a moça feliz é tão pura e simplesmente uma caixa de cartão...?!
Rita

É verdade: a Fera parece apresentar ligeiras melhoras mas, como em tudo, é preciso dar tempo ao antibiótico para actuar devidamente... de qualquer forma, temos conseguido dar-lhe a medicação... continuarei a dar notícias... como de tanto pensar nela dormi pouco esta noite, estou completamente de rastos... o sofá espera-me...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Família doente

Cá em casa, quando um está doente, estamos todos.
A Fera está com a terceira infecção urinária da sua vida e, apesar de nós sermos mais experientes e nos podermos aperceber disso mais depressa, também a situação dela evoluiu mais rapidamente. Como hoje de manhã não conseguimos dar-lhe a medicação (ela fez uma autêntica revolução e deitou antibiótico, anti-inflamatório e relaxante das vias urinárias tudo fora), levámo-la no final da tarde à veterinária e foi o que fizemos de melhor... estava incontinente, urinava com sangue e estava provavelmente cheia de dores...
Claro que, neste contexto, ficámos em stress e depressa os restantes males passaram a superficiais, a dor de cabeça que hoje me fazia companhia passou e a Alice começou a ficar insuportável.
Agora, algum tempo depois, banhos e jantares tomados, tratamentos feitos, lida a história antes de dormir, as próximas horas já projectadas, chega o momento de respirar fundo.
Amanhã será um outro dia.
Rita

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Ainda das festas 2

A fotografia não está muito boa, mas esta foi uma das prendas de Natal que este ano a Alice ajudou a fazer e que ofereceu no seu nome. As avós ganharam aventais, os avôs foram presenteados com tapetes para o rato (com quadras dirigidas a eles e uma pesada da neta) e os tios receberam calendários para o ano 2008.
O Natal ganhou um significado muito especial desde que, há cerca de três anos, as Oficinas começaram a fazer quase todas as prendas. Sempre adorei a época mas a partir daí foi como se tivessemos encontrado a verdadeira essência da festividade: a comemoração do amor por alguém representado num presente especial, pensado e construído com muito carinho, com muita... não sei se se pode dizer mas o termo que me surge é "pessoalidade"...

Por esse motivo, desejei introduzir a Alice nesse sentimento... a excitação que envolve todo o processo de pensar numa coisa especificamente para alguém... o prazer fascinante de vê-la abrir o seu presente...

Rita

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Ainda das festas 1...

Entende-se, vá-se lá saber porquê, que o Natal é época de Circo. E nós, como tivemos bilhetes oferecidos no emprego, levámos a Alice pela primeira vez. Uma semana e meia mais tarde, como uma amiga arranjou novos bilhetes, avançámos novamente.
O primeiro circo era o Walter Dias. Quem já tenha visualizado o logotipo (as letras tal e qual as da marca e assinatura de Walt Disney), percebe que o dito é fraquito e que se rege um tanto ou quanto pela imitação dos de melhor gama. O segundo foi o Circo Moscovo, do tipo dos que são imitados, de tal forma que, sendo o grupo de amigos mais ou menos o mesmo, por diversas vezes nos rimos uns para os outros e segredámos: «isto é como no outro mas em bom...».
A Alice portou-se lindamente e gostou. Ficou excitadíssima com os animais, as acrobacias não lhe disseram muito, mas ao contrário do que eu esperaria, esteve atentamente a seguir o ilusionismo e fez-lhe muita confusão os desaparecimentos... «A outra menina, mãe, onde está?»
Quanto a mim, sou suspeita para falar. Adoro circo, desde miúda. Sou sensível a tudo: aos chapitôs coloridos, às fatiotas cheias de brilhantes pirosos, aos nomes inimagináveis (quem me conhece sabe que eu seria Isolette, o meu preferido), aos tiques das partenaires, ao próprio termo par-te-nai-re, às expressões batidas de quase todos os circos (os conselhos para não repetirmos as actuações em casa, os pedidos de silêncio para a execução dos exercícios mais difíceis, a inflexão da voz quando estes resultam bem).
Talvez a única dualidade na minha postura seja em relação aos animais, principalmente os de grande porte, os selvagens. Fascinam-me, desejo vê-los, tal e qual como quando era garota e queria ansiosamente passar ao redor das jaulas dos que assentavam lá no Cacém. No momento da exibição, prescruto-lhes o tamanho, o peso, o pêlo, a cumplicidade com os tratadores, para ter uma noção do cuidado a que são votados. Sei que vivem em espaços exíguos para o tamanho que alguns têm e a ideia perturba-me. Queria que fossem felizes, mas sei que muitas vezes não o são. Os animais do circo são animais de trabalho... como outros em que não pensamos, tipo os cavalos para equitação, passeios de férias e uso da polícia. Sim, na sua essência, os cavalos também são animais selvagens, sem estribos, sela e esporas.
Como no outro dia me diziam em conversa, as pessoas podem ir-se embora, os animais não escolhem. É verdade... será...? Será assim tão fácil, nesta nossa realidade, uma criança crescida no ambiente, com um insucesso escolar grotesco devido ao nomadismo, com toda a família artista de circo, sair dali, virar costas, escolher ser professor, enfermeiro, caixa de supermercado, empregado de balcão...?! Não serão as pessoas também aprisionadas ao chapitô...?!
Não me importo de ver um circo sem animais, mas o que eu queria mesmo era que o circo fosse um espectáculo valorizado e rico, como em outros países. Talvez não fossem necessários os animais para me fascinar, talvez bastassem artistas letrados, estudiosos, formados, que pudessem verdadeiramente ter escolhido estar ali e não em outro lugar. Artistas e não sobreviventes.

Rita