quarta-feira, dezembro 19, 2007

Poema à chuva

Chuva.
Roupa na máquina.
Mais de duas horas a chegar.
Bateria do carro a mostrar-se descontente.
Falta, trabalho para entregar noutro dia, a Prof. aproveitou e saiu mais cedo.
Dúvidas sobre os presentes, que nas filas de trânsito o tempo é muito para pensar.
Lembram-se assuntos que estavam adiados para melhores dias.
A discussão que fica cá dentro mas mandam-se umas bocas.
Chuva na rua.
Chuva da alma.
Ana Cristina

terça-feira, dezembro 18, 2007

Os últimos dias ...

Desde sexta que entre os turnos, as prendinhas, uma tarde de visita que durou até às onze da noite e umas festinhas, não tenho tempo de aqui vir deixar umas palavras.
De realçar o lanche de domingo com uma menina que visita este cantinho muitas vezes. Foi divertido e lá teremos nós de marcar outros, não é Rute?

Mas não posso deixar de lembrar que a minha maior amiga fez anos ontem. A Rita, a minha princesa, apagou as suas velas com ajuda da Alice, a princesa-herdeira. Fotos? Desta vez não há, que eu estava dedicada a cantar os parabéns e lembrar velhas festas de aniversário, com hinos cantados de forma estridente. Desta vez portei-me bem...

Hoje e amanhã serão dias dedicados à Tese.

Ana Cristina

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Venho cá só para dizer que estou um pouco apalermada com o facto de, num dos telejornais, haver uma notícia sobre o facto dos cães do Bush terem feito um filme e serem nomeados guardas-florestais ou assim qualquer parvoíce do género... não querendo dizer que outros canais ofereçam uma maior qualidade, foi um alívio perceber que em outro se discutia de forma séria os últimos homicídios na noite portuense... ufa, por momentos pensei que tinha caído (mais uma vez) numa realidade paralela (como às vezes acontece, enfim)...
Rita

20.000 visitas

Parabéns D.
Ficámos muito contentes por a menina premiada ser uma visitante tão assidua e tão comentadora como tu. Em breve receberás o teu presentinho. E estás convidada para, se quiseres, fazer um post para nós editarmos aqui neste nosso espaço. Escreve o "teu post" (se quiseres com foto) e envia-nos esse post por mail. É escolha tua, nós só serviremos de meio de publicação.
Rutinha:
Não fiques triste. Também gostamos muito das tuas visitas, assim como adoramos ler o teu diário e ver as tuas criações.
Beijinhos para as duas comentadoras do último post.
Ana Cristina

terça-feira, dezembro 11, 2007

Visita especial

Lanço o desafio da visita nº 20.000, que estará para muito próxima.
Essa visita especial receberá um presentinho das Oficinas RANHA, que já está a ser preparado.
Amigo/a identifica-te, manda-nos os teus dados e um envelope aparecerá em tua casa, para que não te esqueças do nosso cantinho na blogosfera.
Até breve; AnaCristina

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Medos

Até hoje a Alice não tem sido mocita de muitos medos. Chegou a dizer que tinha medo de algumas coisas, mas com um distanciamento afectivo que denotava que se encontrava mais a experimentar afirmações do que sentimentos.
No entanto, ou não fosse próprio da idade, começou a descobrir medos reais nos últimos tempos. Um dos primeiros (ou dos últimos, dependendo da perspectiva), foi o medo da sombra.
Numa manhã de fim-de-semana, enquanto experimentamos diversas brincadeiras uns com os outros na cama, a Alice resolve acender um dos candeeiros e, divertida, olha para os jogos que fazemos na parede, usando a sombra das mãos. Lembra-se de acender o outro candeeiro, e vira-se para ver novamente a parede. De repente, com um olhar de pânico, vê a sua própria sombra, destacando-se, enorme. Começa a gritar que tem medo, agarrando-se a nós. O medo é real, está bem patente na expressão.
Claro que não há truques infalíveis para os ensinar a lidar com estas coisas. Entretanto, a Alice já demonstrou medo de outras coisas, nomeadamente de alguns desenhos animados, mesmo para a idade dela (ai o Pimpão, do dvd da "Escolinha de Música"!). Nessas alturas, o que parecem esperar de nós difere de momento para momento e é estranho. Em algumas ocasiões quer que eu esteja ao seu lado e que altere as circunstâncias do que a amedronta. Em outras, parece querer olhar para o que lhe faz medo, de frente, como quem percebe que conhecer bem o obstáculo, mesmo que de longe ou de mão dada, seja o primeiro passo para o vencer...
Com a sombra, o medo passou inesperada e repentinamente, fins-de-semana mais tarde,
no momento em que percebeu que podia dizer-lhe adeus... literalmente... Ou seja, quando percebeu que a sombra era uma espécie de duplo e soturno ego que, no fundo, não faz mais do que repetir o que lhe ordenamos... e, por isso, responde ao adeus... no quarto, no corredor, na sala, na rua...
A transição de sentimentos foi tão engraçada que não consegui impedir-me de ir a correr buscar a máquina e registar o momento de valentia.
Rita

domingo, dezembro 09, 2007

Quadro do dia

Nós os três na festa de Natal do nosso amigo Tomás, 4 anos.
Um Pai Natal à saída a distribuir congéneres de chocolate (enormes...!) e prendas.
A Alice a arrancar o topo do chapéu do seu Pai Natal à dentada. A Alice, isolada do resto do mundo, a comer quase um terço do boneco.
A Alice, depois de nos entregar o Pai Natal sem cabeça, a requisitar ao de carne e osso o livro de prenda a que pensava ter direito. O Pai Natal humano a fingir-se despercebido, era só para os meninos da escola.
A nossa amiga Inês, irmã do Tomás, do alto dos seus experientes 9 anos, a sentir-se na necessidade de consolar a Alice, fazendo até uma festinha na cabeça: «Deixa lá Alice, eu se receber assim uma prenda daquelas que não gosto muito, depois dou-te, está bem...?».
Rita

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Desabafo dos bons:

Todas as vezes que vou deitá-la (e que costuma ser mais cedo do que foi hoje, mais uma vez caímos na esparrela de pensar que nos irá deixar dormir um pouquito mais amanhã por se deitar mais tarde hoje... não há patranha pior do que esta de que nos convencemos, olhando para o nosso caso... COM ELES ISSO É INVERSAMENTE PROPORCIONAL AO QUE ACONTECE CONNOSCO, não se esqueçam) penso no bom que será dormir ali, naquela caminha pequenina, enroscadinha nos amigos (eu que dormi com amigos até ao dia em que saí da casa dos meus pais) de todas as noites, ainda para mais agora, com aqueles lençóis de flanela e o edredon das girafas que a avó fez... e a música, a música da caixinha pendurada na grade... ai, ai... seria bom às vezes ser pequenina e levarem-nos ao colo para a cama, e deitarem-nos com beijinhos... e ouvir dizer para dormir um sono grande que amanhã estamos todos juntos para brincarmos muito...
Rita

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Hoje estou cansada

Perdi algures o fato de super mulher (que todas nós temos escondido) e sinto-me cansada. Cansada o suficiente para de repente me esquecer do que fiz de importante na segunda-feira. Cansada por ter que ouvir algumas coisas e ter que manter sempre o ar profissional, sem disparatar, ralhar e não acreditar. Cansada por ter de me sujeitar a outras a que ainda não estou habituada (quererei estar? terei de estar?). Cansada por não ter "tempo" para ela como quereria e como de certeza que merece. Cansada por outros terem esgotado todo o "tempo" que tiveram e que deixaram de merecer. Cansada por não me apetecer tanta coisa por estar cansada.
Mas estou bem porque os dias têm sido produtivos, surpreendentemente agradáveis e até facilmente resolvíveis... Só tenho pena que, algo mais ou menos inevitável quando se chega aos trintas, já faça parte do grupo de pessoas em que se olha para a cara delas e se veja que estão cansadas...
Rita

segunda-feira, dezembro 03, 2007

No banho...

Desde que o João partiu o pulso, a Fera, sabe-se lá porquê, passou a acompanhar-me ao banho. Segue-me (deve perceber perfeitamente que só lhe dou de comer depois) e desafia as leis da gravidade como só os felinos sabem fazer, ao subir para cima do resguardo da banheira... quem não sabe que a Fera pesava até há pouco tempo (antes da dieta) quase oito quilos, não desconfiará da habilidade que isto é...
Como nós, humanos, somos muito dados a exibir as coisas tão giras que os nossos fazem, há muito tempo que queria mostrar isto aqui. Mas a verdade é que a Fera raramente o faz com outras pessoas a tomar banho e eu não costumo levar a máquina comigo para o duche. Parto do princípio que isto é mais uma das coisas que fazem parte da nossa cumplicidade, ela a subir lá para cima e ficar a mirar-me durante o tempo todo em que tomo banho e a descer no momento imediato em que puxo a toalha para me limpar... e gosto mais uma vez, aliás, gosto sempre...
Rita

sábado, dezembro 01, 2007

ONTEM

Estive, mais uma vez de greve.
Em luta pelo direito a manter um nível de vida médio baixo.
Em luta pelas colegas que começam um contracto de seis meses e não sabem o que será da vida delas dentro de seis meses e um dia.
Em luta pelo direito ao reconhecimento de uma profissão onde é necessário ser licenciado mas se recebe como bacharel.
Em luta pelos meus utentes, que têm direito a ser cuidados por pessoas bem integradas, bem tratadas e reconhecidas.
... em luta por muitos outros motivos.
Ontem estive em greve e fiz parte dos 22%, segundo números oficiais, das pessoas descontentes pelas medidas políticas dos últimos anos, em relação aos funcionários públicos.
Ontem estive em greve e mais uma vez vi o quão mentirosos podem ser os números oficiais.
Ontem estive em greve num dia tão atarefado que nem deu para vir aqui.
Mas estou cá hoje.
Ana Cristina

quarta-feira, novembro 28, 2007

Em casa, com ela doente

Os períodos mais longos (três dias, uma semana) com a Alice em casa, doente, têm variado com o tempo, à medida que ela cresce.
Já não é mais a bebé que dorme a grande maioria do dia na sua caminha e quartinho. Agora, os nossos dias juntas, com ela doente, são feitos de muita coisa. Alguma brincadeira, alguma leitura, alguns jogos - entretenimentos que duram pouco tempo cada um e sucedem-se a uma velocidade difícil de satisfazer. Remédios tomados à colher. Muito tempo deitada no sofá, ou aninhada no meu colo, comigo sentada no sofá. Muito mimo, mãos entrelaçadas, beijinhos, festinhas, dependência, interdependência. Provavelmente algum cansaço uma da outra no final de um dia.
No entanto, estes períodos continuam a deixar a mesma marca, daquelas indeléveis e intimamente dolorosas. No dia em que tenho de sair da nossa reclusão e deixá-la, na melhor das hipóteses na escola, na pior delas, em casa com o pai ou com os avós, vou trabalhar de coração domiciliado, com nó na garganta e ruga na testa, uma imensa saudade, uma imensurável falta, um sentimento quase orgânico. É já amanhã, eu vou, ela ainda fica.
Rita

terça-feira, novembro 27, 2007

Verde...

Sabem aqueles momentos que ficamos a saber algo que se passa à distância, mas não tão distante assim, que nos faz ficar verde de raiva e saber que arriscamos azedar todo um serão...?! Grrrrrr!!!!!!!!!
Rita

segunda-feira, novembro 26, 2007

Frio

Por cá, o tempo do frio chegou mesmo...
E sabemo-lo porque:
- começa a apetecer a camisola interior a tapar o final das costas;
- entrámos na casa dos meus pais e achámo-la mais gelada do que a rua;
- durante o tempo que estivemos na casa dos meus pais pensámos mais do que uma vez como é que tínhamos conseguido ali sobreviver durante tantos anos;
- quando saímos da casa dos meus pais, concluímos pela sabe-se lá quanta vez, que era a casa mais fria que conhecíamos;
- já tive necessidade de, em momentos mais calmos cá por casa, vestir um robe por cima do polar que tinha por cima da t-shirt;
... e, principal e infelizmente, porque a Alice já está novamente doente, cheia de tosse e com febre, em casa.
Rita

sábado, novembro 24, 2007

Sugestão

Ouvimos falar pela primeira vez na "Kid to Kid" há uns meses, mas a verdade é que ainda não tínhamos tido oportunidade de a conhecer ao vivo. Hoje lá fomos e voltámos com as mãos cheias de coisas e a cabeça com a certeza absoluta de ser um projecto útil e que se recomenda.
A "Kid to Kid" é um loja com alguns (poucos...) pontos de venda em Portugal, que vende artigos para criança em segunda mão. Os artigos estão em boas condições e os preços são bastante (bastante mesmo!*) módicos. Encontra-se todo o tipo de marcas e todo o tipo de produtos: roupa, sapatos, carrinhos para bebé, brinquedos, cadeiras auto, banheiras, roupa de grávida... até uma bicicleta cor de rosa da Barbie que a Alice fez questão de que caísse para cima de si quando, à sucapa, a tentava montar...
Claro que, assim como vende, compra a quem tiver em excesso nas suas casas e não saiba o que fazer com o tanto que as crianças parecem exigir, principalmente nos primeiros anos de vida.

Numa altura em que o nosso Presidente começa a interrogar-se sobre a baixa de natalidade no país, e acreditando que as cabeças pensantes que nos regem demorarão algum tempo a permitir-se debruçar-se sobre as questões que isso levanta (será porque não se tem suficientes apoios para investir na paternidade? será que é porque se recebe menos de IRS quando se é um casal? será que é porque os preços só aumentam quando os salários parecem estar numa constante diminuição? será que é porque não há creches do Estado? enfim, será tudo isto e ainda mais?? Ná...), este blog surge assim na vanguarda de quem precisa... porque afinal somos todos nós... e deixa aqui uma sugestão útil para as poupanças de cada um (e para o Natal que se aproxima, porque não?)...
Rita
*por módicos significa que paguei bem menos do que 10 euros por cada peça de roupa que trouxe, inclusivamente vestidos da marca Clayeux e calças jardineiras

sexta-feira, novembro 23, 2007

...

Numa quase repetição deste post, constato que tenho andado pouco interventiva neste espaço. A inspiração para a escrita tem-se esgotado nos trabalhos escritos, e com as pesquisas para a tese. O desânimo para deixar aqui umas palavras vai-se com as desilusões com o projecto. Se a tese é como um filho, até para este está difícil engravidar.

E mais uma vez prometo fazer um esforço para voltar com maior dedicação, apesar das limitações. Espero em breve poder lançar um desafio.
Ana Cristina

quinta-feira, novembro 22, 2007

O que é tradicional é bom...


O bilboque ou lá como raio se chama, foi trazido de uma FIA. O equilibrista foi oferecido à Alice pelo meu pai, não faço ideia de onde vem. O carrinho foi uma aquisição da minha mãe nesta última Festa do Avante.
Lembro-me do Miguel dizer que a mãe dele gostava de dar brinquedos tradicionais, de madeira e toscos, como prenda de aniversário. Lembro-me até dele ter a ideia que os miúdos até preferiam, dada a invulgaridade.
A mim, continuam a fascinar-me. Talvez um miúdo ache mais giro ter um carrinho para os seus bonecos feito de plástico e semelhante ao seu... eu gosto que a Alice tenha este e a verdade é que tem tido grande sucesso na miudagem que vem cá a casa.
Quanto ao equilibrista, ou ginasta, ou como quer que lhe queiramos chamar, não tenho qualquer dúvida sobre como a irá divertir, porque eu mesma me recordo de ficar imenso tempo diante de um parecido. E sei que o bilboque também não nos irá desiludir, é um entretenimento para todas as idades (incluindo a nossa, a dela e todas as intermédias... pelo menos).
Acho que, mesmo que não tivesse filhos, iria ter alguns destes brinquedos, os tradicionais, de madeira e um pouco toscos, que um pouco por todo o lado ainda se encontram nas feiras portuguesas... são lindos... talvez não aprovados pela União Europeia ou pela ASAE, mas lindos...
Rita

domingo, novembro 18, 2007

Barro

Há umas semanas fomos fazer um atelier de barro.
Encontrei o Espaço Azul na Agenda Cultural de Lisboa, quando pesquisava por actividades para a levar a fazer. O barro pareceu-me interessante e lá rumámos à baixa lisboeta num dos últimos Domingos.
A Alice era a mais nova de todos os meninos presentes e aprendemos que a experiência com ela é isso mesmo, uma experiência. Aos dois anos, uma miúda não vai fazer nada com os pedaços de barro que lhe entreguemos, só mexer, apalpar, calcar, esticar, dividir. E mesmo assim, é muito engraçada a observação do contacto que faz com o material, a forma como se surpreende, como começa a tocar com um dedo e sai de lá com as duas mãos todas sujas.
Saímos satisfeitos por descobrir coisas importantes. Que, para não causar resistências futuras, não se insiste com uma criança quando esta se cansa de um material, mesmo que só o esteja a experimentar há quinze minutos. Que existe beleza no toque de uma coisa diferente, mesmo que não seja com o objectivo de dali criar algo - é algo que esquecemos e tornamos a lembrar com os miúdos. Que o pai tem muito mais jeito do que alarda e que das suas mãos saem coisas muito giras. Atelier de barro, aprendizagem em família.
Rita

sexta-feira, novembro 16, 2007