O telemóvel toca na altura em que vamos jantar.
«Olá, é o Miguel, tudo bem? Estou a ligar-te porque estamos a ficar velhos e estava aqui a lembrar-me de uma festa a que fomos em 95. Era os anos da [não sei quantas], a irmã do amigo do meu irmão, não te lembras?! Aquilo era tudo queque, nós fomos à piscina e depois quando começou a festa viemos embora e depois eu fui com o Filipe e o Tó para Cerveira e até bebemos de mais e depois aparecemos na casa da tua avó...»
«Não me estou a lembrar dessa festa, mas parece que me me lembro da [não sei quantas, que de há bocado para agora já me esqueci]... Mas eu também fui para Cerveira?!»
«Não, nós é que fomos! E depois aparecemos e atirámos umas pedrinhas à vossa janela, tu estavas com aquela tua amiga...»
«A Sónia!»
«Sim, e depois ligámos e tu tiveste que inventar uma história à tua avó e dizer que eram uns estrangeiros quaisquer... e depois saímos pela outra porta e fomos andar de slide à noite!!»
«Já me lembro desse telefonema!!!!!! Perfeitamente!!»
«Ahahahahah! Tivemos de telefonar para o fixo porque na altura ainda não havia telemóveis!! Foi há 12 anos!!»
«É verdade! Somos uns cotas!!! Do tempo em que não havia telemóveis! Ahahahah!!»
«Quando contares à tua filha um dia, ela nem vai acreditar!»
Ter 30s é sentir e recordar tudo como se tivesse sido ontem mas depois olharmo-nos ao espelho no final do dia e parecermo-nos com olhos mais fundos e sentirmo-nos mais acabadas... e claro, prontas para recomeçar no dia seguinte e aproveitar melhor ainda cada bocadinho de vida.
Obrigado Miguel, pela recordação de ontem, hoje.
Rita