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quarta-feira, julho 08, 2015

A criação do dinheiro, dos bancos e da banca...

Um vídeo muito interessante que nos explica, em dez minutos, de onde vem o dinheiro. Para todas as idades, n minha opinião, num tempo que importa estarmos tentos e minimamente informados.
Espero que gostem.
(Transportado do YouTube)
Ana Cristina

quarta-feira, maio 20, 2015

terça-feira, maio 19, 2015

Contas muito simples, no dia mundial do médico de família

Fazendo contas muito simples para que ninguém se engane. Nós as duas e as nossas famílias mais os nossos pais, somos nove. Nenhum de nós tem médico de família. Mas não somos os únicos, somos um milhão, doze por cento da população portuguesa. Segundo a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar faltam oitocentos médicos de família neste nosso país. Para nós faltam três. E dizem que há zonas mais carenciadas. Nós somos de Lisboa, Amadora e Sintra. Será coincidência?
Mas no meio disto tudo há a esperança que dentro de pouco mais de ano e meio haverá quem nos trate da saúde. E não estou a falar de nos tratarem dos nervos pela crise que nos provocam com tanta hipocrisia.
Ana Cristina (queria formatar este post e colocar-lhe uma imagem mas ao que parece o blogger no tablet funciona maaaalll)

sexta-feira, maio 08, 2015

Comemoram-se hoje os 70 anos


... da vitória sobre o Nazi-Fascismo  E nunca é demais lembrar uma das manchas negras da história da Humanidade...

Ana Cristina

sábado, março 21, 2015

Eu também tenho opiniões sobre a lista VIP

Segundo o título de ontem d'"O Público", o subdiretor da Justiça Tributária terá validado a ideia de fazer uma lista VIP de contribuintes... mas depois a mesma nunca teria avançado na prática... Porque nunca ninguém lhe teria dado uma lista de facto, nem o Paulo Núncio, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, nem qualquer outra pessoa... 

Curiosamente, todos os funcionários do fisco que acederam ao cadastro fiscal de determinados contribuintes, foram alvo de processos disciplinares para explicar o motivo dessa consulta... Ora, é de mim, ou torna-se difícil de explicar: não existindo uma lista, não existindo um sistema de alertas informáticos no caso de se consultar os cadastros fiscais das pessoas dessa lista, como é que se pode saber quem são os funcionários que o fizeram?! Como é possível haver quem tenha de explicar o acesso a algo, se esse algo não gera um alerta... se esse algo não existe... se esse algo não interessa a ninguém...?

Esta questão é tanto mais pertinente quanto se pondera sobre a necessidade de controlar acessos a cadastros que, no fundo, deveriam ser públicos, como no caso de titulares de órgãos de soberania... E, no caso dessas pessoas serem íntegras, não deveriam ser as primeiras a querer comprovar a legitimidade das suas contas...?

Rita

terça-feira, janeiro 27, 2015

Nunca é demais lembrar

Que hoje é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Faz hoje 70 anos que as tropas soviéticas libertaram o maior campo de extermínio do movimento nazi. Aushwitz não pode ser esquecido. A condições sociais e políticas que levaram à sua criação, ao crescimento da ideologia nazi, essas terão de continuar a ser analisadas e sobretudo nunca ser desvalorizadas.
Por isso, mais uma vez e à semelhança de outra vez, relembro a data aqui. E mostro fotos, que não sendo novas, também elas não deverão ser esquecidas. Foram todas retiradas da net.




Ana Cristina

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Mais uma rede social, que eu descobri recentemente

Foi uma amiga que me falou do Pinterest, uma rede social de fotografias. Eu já conhecia outra rede, que eu e a Rita frequentámos como Oficinas RANHA, e na verdade gostava bastante, mas tornou-se paga para o numero de fotografias que lá tínhamos e acabámos por deixar a
nossa conta ficar sem actividade.
Resolvi então dar uma hipótese ao Pinterest e estou a descobri-lo. Esta é uma rede, como disse de fotografias, todas elas públicas (há a possibilidade de fazeres pastas privadas mas neste caso só tu as podes consultar). Parece ser um mundo de imagens, organizadas por temas gerais ou pura e simplesmente de forma pessoal. Um mundo para as pessoas que gostam de "manualidades", e o mesmo mundo parece agradar também as pessoas que gostam de moda, de carros, de fotografar viagens, livros, etc... Um mundo tão extenso que eu ainda ando a dar os primeiros passos nele. E vim aqui dizer-vos que, se tiverem um tempinho a mais podem usá-lo também nesta rede que me parece bem interessante. E se nos quiserem encontrar não nos procurem por Oficinas RANHA, desta vez.
Ana Cristina

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Mais uma vez, e para variar, venho aqui rapidamente

Fazer um curto post porque já a seguir saio deste contexto e vou para o de trabalho, para mais uma jornada de trabalho longa. 
Este não é um momento de análise política nem tão pouco de extrapolações acerca do que se passa no mundo, é somente uma declaração muito rápida...

- Eu não sou o Charlie, mas sou, acima de tudo, contra o terrorismo. Resta saber se o que se está a passar em Paris é um ato de terrorismo de uns indivíduos radicais que por motivos religiosos e políticos resolveram matar um grupo de jornalistas e mais os que se passaram pela frente ou se terrorismo não é também o que, por razões de segurança se preparam para fazer...

Mais não digo porque não tenho tempo, e na verdade, a opinião para ser bem entendida tem de ser muito bem explicada.
Até daqui a uns dias. Virei em breve falar das Oficinas RANHA e das suas peças.
Ana Cristina
Imagem retirada da net

terça-feira, novembro 11, 2014

Devem andar a dar amendoins ...

... ou qualquer outra coisa qualquer. Ou a dar ou a fazer as mesmas maravilhosas campanhas que incluem fidelização e adesão a serviços que a maioria nem sequer está interessado, tipo 350 canais ao preço de 20 com possibilidade de usar os canais de desporto durante 8 horas por dia entre a uma e as nove da manhã ou qualquer coisa do género.
Estou a brincar, mas a verdade é que anda por aí campanha da boa (e deve ser semelhante entre eles) ou combinação de preços. Hoje já me telefonaram de todas as redes de telefone, fixo ou móvel, com ou sem televisão. Até já repetiram contactos por parte da mesma operadora, coisa que já reclamei, é claro. 
Quase que dá para ter um surto de mania da perseguição e pensar que TODOS ELES SABIAM QUE EU ESTIVE EM CASA!!! 
Socorro!!!
Ana Cristina ;)

quarta-feira, outubro 08, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 2 - A febre

Quando o pediatra do Hospital da Estefânia me perguntou ao que ia, expliquei que durante a última noite nos havíamos apercebido que ela estaria quente, com febre, mas que não a tínhamos medicado logo. 
De imediato me interrompeu, expressão levemente zangada (como quem acha que está diante de uma louca anti-vacinas): «Mas não a medicou logo porquê?!».

Confesso que gaguejei. Passou-me pela cabeça explicar o que tinha lido no livro do seu colega Mário Cordeiro ["A febre não é uma doença, é um sinal. A ansiedade, o desejo do médico de aplicar a terapêutica antipirética fazem com que, muitas vezes, se hipermedique a febre, apesar dos crescentes conhecimentos da sua fisiopatologia sugerirem que esta atitude, além de comportar riscos, é, em muitos casos, desnecessária e ineficaz.", entre outras passagens] mas ocorreu-me a ideia que tenho dos médicos como de uma classe que parece gostar pouco dos doentes auto-diagnosticados ou que activamente participem no estudo do seu problema de saúde, pesquisando e sugerindo. Acabou por me surgir o segundo motivo para não medicar de imediato um filho com febre: «Não quis que mascarasse outros sintomas…».
Fui interrompida. Que não mascarava nada, nada, eu que não me preocupasse e que era preferível medicar.
A verdade é que, como pessoa informada e inteligente que me sinto, não concordo. Aliás, tanto não concordo que a ida ao hospital se deveu precisamente à observação que fiz da Joana enquanto ela não estava medicada: a mão a mexer na orelha, um dedo enfiado no orifício que ao ouvido dá acesso, o gesto repetido pela manhã, mesmo no decorrer da sua boa disposição geral e normal atividade. Questiono-me se, sob o efeito do Benuron, ela teria demonstrado o seu desconforto e se me teria passado pela cabeça que pudesse ser otite. Acho que não; pelo menos é o que me dita a recordação das minhas próprias dores de ouvidos na infância, o desejo da atuação rápida do paracetamol para me aliviar.

Por outro lado, ocorre-me explicar que, desde que descobri que a febre era uma reação defensiva do organismo a um agente infeccioso, não medico logo, pelo menos enquanto a febre não chegar aos 38e pouco e/ou se não houver outra queixa ou desconforto na criança.
Depois da Joana ficar boa, fiz umas pesquisas e encontrei este documento, da Unidade de Saúde Familiar de Valongo, que me pareceu verdadeiramente esclarecedor e que aconselho todos os que têm crianças a seu cargo a ler: http://www.usfvalongo.com/documentos/edu/guia_febre.pdf. Achei extraordinário.

Xô Tôr, está decidido que da próxima vez podemos conversar um niquito melhor… posso levar o documento de Valongo imprimido dentro da mala... ou então o livrinho de 739 páginas do seu colega...
Rita

terça-feira, outubro 07, 2014

NOVELA DA DOENÇA, Capítulo 1 - É proibido adoecer

Um dia antes de fazer os nove meses – e, provavelmente para comemorar um mês de creche – a Joana ficou doente pela primeira vez.
A diarreia que tinha há uns dias estava a passar, controlada só com dieta, mas na quarta-feira passada fomos dar com ela com febre. Parecia bem, ativa, igual a ela mesma, com apetite, mas com febre. E, como durante o dia, me parecesse vê-la cofiar a orelha num gesto que lhe é pouco habitual, lá nos organizámos (Vasco na vizinha) e rumámos à Estefânia à noite. Aproveitámos um coxear de vários dias da Alice e levámo-la também.

Depois do Rx, o diagnóstico da mais velha foi rápido e fácil: um ligeiro entorse a necessitar só de dispensa da prática de educação física durante quinze dias, passível de melhorar em menos. A avaliação do estado da Joana demorou mais um pouco mas o resultado foi claro: uma ligeira inflamação nos dois ouvidos, sem pus, com alta probabilidade de se resolver em 48 horas só com Brufen. O médico explicou as alternativas: ou medicar, de forma talvez excessiva e precipitadamente com antibiótico, ou garantir a necessidade de reavaliação após o período indicado. Escolhida a última hipótese, questionei-o acerca do atestado para ficar em casa com a mocinha e qual não foi o meu espanto quando ele me explicou que, atualmente, só poderia fornecer uma declaração médica com o diagnóstico e que seria o colega do centro de saúde a quem caberia passar o atestado de assistência à família.

Pois que lá rumei eu, desta feita só com a doente, para o centro de saúde da minha área. Tirei a senha e expliquei no atendimento ao que vinha. Tiraram fotocópia do meu Cartão de Cidadão e da declaração do médico no hospital e mandaram-me esperar. E esperámos. Esperámos, eu e a minha rapariga pequena – doente, já tinha dito? possivelmente com um contexto viral, contagioso, certo? e a idade de nove meses, também já tinha mencionado? – exatamente TRÊS HORAS E MEIA…! Sentadas na sala de espera, indiferentemente a poderem estar ao nosso lado grávidas, bebés mais pequenos ou doentes, idosos, fosse quem fosse…
Duas horas depois de lá estarmos, dirigi-me ao atendimento e perguntei, com a maior calma e boa educação de que fui capaz – mas provavelmente com olhos raiados de fúria – do que estava eu à espera. «Então… não veio para lhe ser passado um atestado…?! Está à espera que o médico consiga chamá-la…» Perguntei se não me encontrava à espera de uma consulta de urgência para isso (passo a explicar o raciocínio: ou o médico tirava um minuto entre consultas para observar as fotocópias dos documentos e aproveitava os meus dados já informatizados para me passar o atestado o mais depressa possível ou desejava examinar novamente a criança e, nesse sentido, fá-lo-ia numa consulta com urgência para que um bebé de nove meses, doente, não estivesse à espera – tem lógica? Pelos vistos, não) e que estava ali a perguntá-lo uma vez que já tinham sido chamadas outras pessoas chegadas depois de mim, algumas delas provavelmente também com urgências.
E é quando a senhora me explica que não, que não era uma consulta. Que «qualquer coisa, blá-blá-blá, um favor do médico, quando tivesse tempo». Estaquei: «Desculpe, mas o médico não me está a fazer favor nenhum.» (Duas horas????!!!! Com filha de nove meses doente???!!! É que é cá um favor!!!!!) E ela: «Sim, no fundo é mais ou menos um favor.». Ao que expliquei que tinha estado na noite anterior no hospital durante uma hora e quarenta e que a minha filha já tinha sido examinada e diagnosticada, trazendo eu o papel do diagnóstico. E que sabia que ela, a senhora, não tinha culpa nenhuma, mas que compreendesse a minha situação. E ela explicou que eu não tinha médico de família, que no centro havia pouquíssimos médicos, e que, dada a hora a que tinha chegado (09H20, mais ou menos), já não havia senhas de urgência (que penso serem só cerca de meia dúzia por dia), e que o centro não fazia urgências (contrariamente ao teor do site do Ministério da Saúde sobre os centros de saúde, portanto). E lá amarguei mais uma hora e meia (na verdade um pouco mais, uma vez que fui chamada às 12H00), para encontrar um médico muito simpático, mas que percebi que nem sequer tinha olhado para os documentos fotocopiados e que, ao saber que a criança tinha ido ao hospital, declarou: «Ah, então diga lá, o meu trabalho assim já está facilitado…». Eu nem sequer precisei de tirar a Joana do carrinho e ele nem sequer precisou de lhe tocar, aliás, de se levantar do seu lugar.

Tempo esperado no Hospital público: 1 hora e 40 minutos (nada mau, para uma época do ano complicada e de noite).
Tempo esperado pelo atendimento no centro de saúde: 3 horas e 40 minutos.
Tempo dentro do consultório do médico no centro de saúde: 5 minutos.

Pelo que percebi que as novas indicações (provavelmente para evitar baixas fraudulentas) é dificultar ao máximo as condições para quem está doente ou tem filhos doentes. Vamos ao hospital. Depois ao centro de saúde. Ocupamos os dois serviços de saúde inutilmente. Andamos doentes, ou com filhos doentes, a necessitar de descanso e preservação em casa ou com contextos possivelmente contagiosos, a passar horas a tratar de papéis que nos justificam faltas ao trabalho, sendo que na grande maioria dos casos (as tais viroses simples e curáveis em três dias) estas nos forçam a descontos a 100%... (que é o que se desconta quando se está de baixa ou assistência à família até três dias)!!! Já para não falar que, no caso de uma doença altamente contagiosa ou incapacitante, podemos ter que enviar outra pessoa por nós ao centro de saúde e, nesse caso, sujeitamos um profissional a ter que assinar de cruz um atestado a uma pessoa que não observou…!!
Pergunto-me: o que é isto…?! A que ponto chegámos?! Já não chega a preocupação/ ansiedade de ver um filho pequeno doente?! Já não chega a culpa que sentimos tantas e tantas vezes em relação às faltas ao trabalho, à redução na equipa, a deixar os colegas desfalcados?!
Fico a pensar quem é que beneficia disto. Não são os doentes, nem os seus acompanhantes, nem os utentes do serviço de saúde, nem todos os funcionários do serviço de saúde (quer seja de hospital quer seja de centro de saúde), nem os locais de trabalho… Fico reduzida ao poder instituído, que trata de burocratizar e dificultar tanto e cada vez mais a situação a quem está doente ou a acompanhar quem está doente que só lhes resta pôr dias de férias para não ter que se sujeitar a isto…
Interiormente guardo para mim o desejo de que esta minha filha pequena saia ao irmão, que é tão resistente, e não à irmã, que apanhava todo e qualquer vírus ou bactéria no raio de quilómetros ao seu redor…
A partir de hoje, minhas gentes, já sabem: PROIBIDO ADOECER!

Rita

sexta-feira, setembro 26, 2014

10 Livros que ficaram comigo, versão segunda mana Ranha

Corre por aí no facebook um desafio sobre 10 livros que marcaram a vida dos desafiados, independentemente da ordem pela qual sejam colocados, de serem conhecidos como bons livros ou até de serem os mais marcantes de todos os lidos. 
Tendo o repto sido lançado às Oficinas, a minha irmã respondeu primeiro e eu faço-o agora.
A minha atitude perante os desafios é sempre a mesma: no início custa-me sentir-me impelida a fazê-lo, depois gosto bastante do momento de reflexão e recordação a que me obriga. É sempre bom reviver algumas lembranças, conhecer-me e dar-me a conhecer um bocadito melhor…
Posto isto, cá vai, esperando que aos meus desafiados no facebook a proposta dê tanto gozo como me deu a mim:


  1. Tal como já referi em outras alturas, a Alice Vieira foi a grande escritora da minha infância e início de juventude, por isso não poderia deixar de a nomear… escolher um livro específico que me marcou é o mais difícil. Penso que terei de mencionar o “Flor de Mel”, uma vez que a história (principalmente o seu final) é contada de forma sub-reptícia e deixa margem a várias interpretações… a mim marcou-me a angústia de uma menina sem mãe, com necessidade de imaginar a figura maternal envolta em fantasia e a sobreposição da realidade a que é sujeita…
  2. Obviamente que tenho que referir “O meu pé de laranja-lima”, de José Mauro de Vasconcelos. Contei aqui que foi o grande livro da minha infância e é verdade. Lembro-me com imensa exatidão do momento em que encontrei a minha irmã a chorar, do que me disse, da vontade com que fiquei de sentir aquilo. Ainda hoje, ao pensar num livro ou mesmo num filme que me marque, sou transportada para as gargalhadas ou lágrimas de tristeza, desamparo ou raiva que os mesmos me tenham provocado. Um bom livro para mim é esse, o que me faz o caminho de ida até às entranhas, as revolve, regressa, e depois deixa a minha vida… desigual…
  3. A Mafaldinha, do Quino, é uma personagem literária muito marcante na minha vida, sem qualquer sombra de dúvida. Li-a e reli-a tantas vezes, foi passível de tantos risos à conta de descobertas do significado de ironia política, que era habitual dramatizá-la em família. Tenho-a impressa na mente, decorada, e vem-me à cabeça inúmeras vezes consoante as situação com que me deparo no dia-a-dia. A sua atualidade impressiona-me sempre. Tive três ou quatro livros dela, mas menciono, é claro, o grande: “Toda a Mafalda”.
  4. “Capitães da Areia” foi um dos grandes livros que li do Jorge Amado, provavelmente na minha adolescência, e não poderia deixar de o referir aqui.
  5. Em jovenzinha tive (ainda tenho, que livros não são bens que se deitem fora) alguns livros da coleção “Caminho Jovem”, todos eles muito bons e que reli várias vezes ao longo do tempo. Resolvi destacar aqui o primeiro, “Trovão, ouve o meu grito”, de Mildred D. Taylor, uma história que aborda o racismo e o valor da dignidade por volta dos anos 30, no Sul dos Estados Unidos da América. Aliás, a recordação provocou-me a vontade de o procurar e ler novamente…
  6. “Ensaio Sobre a Cegueira”, do José Saramago. O que se pode dizer deste livro que não tenha sido dito já… a sensação é a de que o Saramago tinha uma espécie de clarividência que o levava a conseguir prever e descrever situações que, face ao acontecimento inicial, se desenrolariam exatamente dessa forma… Neste caso e tanto isso em conta, a crueza e frieza do que o ser humano é capaz, face à ocorrência abordada nesta história, é absolutamente chocante… Um livro verdadeiramente magnífico, sem dúvida um dos livros da minha vida…
  7. Coloco aqui “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende, não só porque gostei muito do livro (como gostei de quase todos os da autora, embora confesse que me tenha sentido um pouco defraudada com alguns que achei muito juvenis, só porque não estava à espera que assim fosse quando os li), mas porque foi com este livro que me questionei se a literatura que vinha da América Latina seria toda assim tão magnífica, tão envolta em fantasia e beleza… Escrever realisticamente com toda a naturalidade sobre uma mulher que teria cabelos verdes deixou-me absolutamente maravilhada… Deu-me a perceção que há, de facto, quem saiba muito bem uma história…
  8. No seguimento do último livro, “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez, lido já na idade adulta, foi completamente avassalador… Ocorre-me dizer que por alguma razão é, tanto quanto tenho visto, um dos livros mais mencionados pelos desafiados que aí circulam na net… É absolutamente perfeito, não se pode dizer mais.
  9. “O principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry. É um hino à forma mais bela com que se pode descrever a amizade, o amor…
  10. Não sei se sugestionada pela resposta da minha irmã ao desafio, surge-me um livro sobre a II Guerra Mundial: “Se isto é um homem”, de Primo Levi. Li-o ao mesmo tempo que me encontrava de férias em Varsóvia e Cracóvia, em 2006, na mesma altura em que visitei o Museu de Auschwitz-Birkenau. Não poderia, quanto mais não fosse por isso, deixar de ficar marcada. Não é um livro passível de crítica literária; a história é o relato, na primeira pessoa, dos onze meses que Primo Levi passou neste campo de concentração, trabalho e morte. Não é bonito, nem é para sê-lo. É cru, frio, terrível, faz-nos doer, dá-nos um nó no estômago… lá está, é algo que nos faz acreditar no pior a que nos transporta o “Ensaio sobre a cegueira”, que é pura ficção… Aconselho vivamente.

Claro que a minha vida não se resume a estes títulos. Muitos outros se me surgem como a tendo marcado, livros que me ocorrem frequentemente, que ficaram comigo.
Oh pá, este desafio deixou-me cheia de vontade de ler... 
Rita

segunda-feira, setembro 22, 2014

10 Livros que ficaram comigo

Fui desafiada no facebook a nomear 10 livros que de alguma forma ficaram comigo não tendo de ser os livros certos ou grandes obras literárias. 
Como sempre, o difícil será escolher. Numa estante cheia de livros, quase todos ficaram na lembrança. E porque nos últimos tempos tenho lido muito pouco relembro alguns dos que nomeei em tempos e acrescento mais uns quantos. A ordem porque estão apresentados não tem importância nenhuma, esclareço.
Aqui vai a minha lista
  1. "Rosa minha irmã Rosa" da Alice Vieira. Na altura em que eu era, nem sempre a orgulhosa irmã mais velha, recebi do meu pai este livro, e percebi-me a mim própria um bocadinho melhor.
  2. "O Meu Pé de Laranja-Lima" de José Mauro de Vasconcelos. Nem imaginam as vezes que foi lido e relido... sempre com muitas lágrimas a acompanhar.
  3. "O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway. Li-o pela primeira vez numa biblioteca de turma e gostei muito. Li-o de novo muitos anos depois e ainda gostei mais.
  4. A trilogia de "Subterrâneos da Liberdade" - "Os Asperos Tempos", "Agonia da Noite", "A Luz no Túnel" de Jorge Amado. Na adolescência, depois de ter lido "O Cavaleiro da Esperança" também do Jorge Amado, que gostei muito, encontrei estes livros na estante dos meus pais. Os "Subterrâneos da Liberdade", como outros que li na época, vieram reforçar as minhas convicções políticas, ajudaram-me a compreender melhor o trabalho clandestino por um mundo melhor.
  5. "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago. O retrato nu da sociedade. Tão esmagador que nos deixa angustiados.
  6. "Do Amor e Outros Demónios" de Gabriel Garcia Márquez - o livro que mais me marcou do meu escritor preferido. Mas do Gabo poderei também nomear  "Cem anos de Solidão", o mais famoso livro da sua obra, ou o "Viver para contá-la" se quiserem entender a sua evolução como autor.
  7. "Servidão Humana" de W. Somerset Maugham, um livro que ninguém deve deixar de ler. E se quiserem leiam também "O Fio da Navalha" do mesmo autor.
  8. "O velho que lia romances de amor" de Luís Sepúlveda. Uma história linda.
  9. "Diário" de Anne Frank, para não nos esquecermos do holocausto. E pelos mesmos motivos dos dois últimos livros, nomeio também
  10. "A rapariga que roubava livros" de Markus Zusak...
Com toda a certeza nomeava aqui muitos mais... 
Ana Cristina

sábado, agosto 09, 2014

Os comentadores políticos que não têm nada a ver com as políticasImagem

Imagem tirada da net
São muitos. Uns dias é o Sr. Marcelo Rebelo de Sousa a contar-nos histórias de quem disse o quê e a quem qual poder de omnipresença e omnisciência. Ao que parece comenta acerca de tudo excepto da temática da sua candidatura à Presidência da Republica. Também há o Sr. Sócrates, ex-primeiro ministro, que recusa relacionar as suas políticas com as actuais. E temos ainda o Sr. Marques Mendes, um autêntico adivinho, que nos apresenta semanalmente a sua previsão do futuro. 
Estou para comentar acerca deles há algum tempo mas tenho sempre adiado. Umas vezes por falta de tempo, outras porque as palavras escritas não ajudam a clarificar as ideias. Mas hoje, numa nova tentativa, vai a minha pessoa comentar sobre os comentadores políticos, ou seja, sobre as incoerências que tivemos de ouvir o Sr. Marques Mendes dizer. 
  • Com que então não existem dinheiros públicos envolvidos no caso do BES mas pode dizer-se que há grave lesão do interesse nacional?!... 
  • E se o Tribunal Constitucional chumbar as medidas propostas pelo governo para o próximo Orçamento de Estado o governo não deve cair porque se houvesse eleições antecipadas ninguém votava no PSD e no CDS?! Ou seja, como ninguém votava neles o melhor é não pedir a demissão... ou melhor ainda, o melhor é o TC fazer passar tudo para o governo não ficar mais uma vez como aldrabão. 
  • E também não percebe a greve na TAP numa altura destas?! Tá bem, eu esta explico. Os trabalhadores da TAP estão a fazer greve por motivos de descanso. O aumento do horário de trabalho, a obrigatoriedade de trabalho extraordinário, e a diminuição dos períodos de descanso não parecem motivos suficientes para fazer greve??? Então também não deve entender as greves dos enfermeiros exactamente nesta altura.
Acho que deu para perceber que estou um bocadinho cheia destes e de outros senhores/as, a fazer comentário político na televisão. Aliás, nenhum deles parece ter absolutamente nada a ver com o estado a que chegámos.
Mais não digo num post que, apesar de mal redigido e sem correcção tem de ser publicado. Porque isto também sou eu, uma descontente. Mas também uma crente que um dia virão novos tempos, novas atitudes.
Ana Cristina

sábado, agosto 02, 2014

Vinte e três anos é muito tempo...

Muitos dias, muitas horas a cuidar. Vinte e três anos anos é muito tempo, deste tempo inteiro que eu tenho. É metade.
Festejei ontem os vinte e três anos que comecei a trabalhar como enfermeira. 
Não me lembro bem do primeiro dia. Só que era um bonito dia de sol, que havia notícias de uma Guerra no Golfo, e que eu tinha a noção que a minha vida iria mudar muito. Aquele era só o primeiro dia do resto da minha vida. O dia da passagem real à vida adulta, de começar a trabalhar na profissão para a qual tinha estudado e passado por grandes lutas internas, de começar a colaborar para a sociedade.
E passaram 23 anos, com vários primeiros dias do resto da minha vida e diferentes experiências profissionais. Comecei como uma menina enfermeira das que "- Menina, podia-me chamar uma enfermeira? Uma enfermeira mais velha.". Sou agora uma daquelas enfermeiras mais velhas e com experiência.
Tenho a mesma vontade de mudar o mundo (embora com uma visão mais assertiva) e, infelizmente, encontro agora algumas das mesmas dificuldades que encontrei no exercício da minha profissão quando comecei. Há uns anos pensava que estávamos numa espiral crescente mas parece que não. Não posso é desistir de acreditar que a espiral crescente é possível. 
A LUTA CONTINUA. A luta mental, a luta social, a luta política.
Ana Cristina

quinta-feira, julho 10, 2014

sábado, julho 05, 2014

Os meus obrigados

Fico tão contente por termos tido a hipótese de, há uns meses, termos trocado o nosso carro por um novo (novo para nós) que permite colocar mais dois lugares. É que é tão bom trazer amigos pequenos de férias. É tão bom ter grandes amigos grandes que confiam em nós para nos permitirem isso. E é tão bom ter amigos em quem confiamos para levarem os nossos filhos de férias. E tão tão bom chegar à conclusão que, ao contrário do que pensávamos, a nossa capacidade para fazer amigos destes não diminui com o passar da vida. E, também ao contrário do que poderíamos ter considerado em tempos, o grupo destes amigos pode ir aumentando. E eles andam por aí e é uma sorte encontrá-los, mas é também reflexo das pessoas que nós somos, por conseguirmos atraí-los e isso também diz algo de nós e é bom.

Eu esqueci-me completamente de aproveitar a iniciativa dos CTT para enviar obrigados aos meus amigos. Mesmo depois de deles ter recebido obrigados, continuei a atrapalhar-me com o dia-a-dia e tornei a esquecer-me… Vão então por aqui esses obrigados aos meus amigos. Eles sabem quem são.

Rita

sábado, abril 26, 2014

40 anos de liberdade

Noutros anos, comemorei também aqui a data histórica de conquista da liberdade. Neste post, já antigo, relembrei a minha vivência do dia 25 de Abril de 1974, tinha seis anos. Mais recentemente, como neste post, ou neste, lembrei que a comemoração costumamos fazê-la na rua. Por isso, quem nos lê, sabe que é tradição familiar ir ao desfile da Av. da Liberdade neste dia sempre que possível. Este ano não foi diferente. Fomos todos, os que não tiveram de trabalhar... Fotos?! Mostro só a nossa...
 
 
Ana Cristina

sexta-feira, abril 18, 2014

Com um dia de atraso, apesar de tudo

 
Isto de fazer dos dias noites e de ter horários de trabalho diferentes tem as suas consequências. É frequente ter vontade de vir aqui comentar algo, uma notícia de momento, um acontecimento ou apenas uma ideia e perder essa oportunidade. E com ela perder-se também o post que tinha pensado. Desta vez quase aconteceu o mesmo. Ontem, quando soube que tinha falecido, estava a trabalhar. Cheguei a casa tarde e quase no dia de hoje. Sem vontade de ligar o computador deixei passar a referência neste espaço. Havia tantas e tão bonitas referências na net à sua morte que o meu post, pouco inspirado e sem imagens, não traria nada de novo a este lamento colectivo. Esta manhã pensei o mesmo e deixei passar outra vez a oportunidade. Fiquei a folhear os livros seus que se encontram na minha estante.
 
 
Mas não me parece bem deixar de fazer a minha referência ao acontecimento. Afinal, Gabriel Garcia Marquez, o Gabo, é ainda o meu escritor preferido. Há uns anos, neste post, tive a oportunidade de deixar o meu apontamento sobre o seu livro auto-biográfico e de lá pra cá a minha opinião não mudou. Apenas o lamento da sua morte ser apenas o fim do seu corpo, que a sua mente já vagueava há anos perdida com a sua memória. O que mais o caracterizava como escritor, e imagino como pessoa, a mente criativa e inundada de recordações, há muito que se tinha perdido. Por isso e porque, tal como o próprio referiu, " A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para poder contá-la", eu apenas posso recordar aqui que um dos melhores escritores de sempre, o representante maior do Realismo Mágico, Prémio Nobel da Literatura de 1982, o meu escritor preferido, faleceu ontem infelizmente, mas o Mundo estava mais pobre há muito tempo.
 
Ana Cristina

quarta-feira, outubro 16, 2013

A nova austeridade

Não sou boa a matemática e não tenho grandes noções de economia...
Oriento-me bem a escrever sobre "emocionalidades", mas atrapalho-me muito no que toca a falar sobre política...
Mas... fico a pensar...
... como é que se estabelecem cortes salariais a quem ganha 600 euros...?
... e por que razão os cortes param nos 12% para quem ganha 2000...?
.... por que carga de água, por exemplo, o nosso Primeiro Ministro, que ganhará como ordenado bruto base cerca de 5700 euros, também só será cortado em 12%...?
... é que, se é suposto os ditos cortes serem "progressivos", por que razão param nos 2000 euros...?
... porque não abrangem os que ganham de facto MUITO?
E, já agora...
.... como é que o Primeiro Ministro pode ousar sequer dizer que quem tiver os cortes previstos, não vai alterar assim tanto o seu nível de vida em 2014???!!!

Rita