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sábado, agosto 19, 2017

Doze

Foi há 12 anos...
Vieste, por acaso numa data que acabou por ser marcada - tal como depois os teus irmãos, porque, ao que parece, o meu útero «é muito protetor» e parece ser ótimo estar lá por dentro até às últimas das últimas. 
Vieste bem e sorridente e tranquila e com um magnífico sentido de adaptação. 
E tens crescido, linda, simpática, inteligente, teimosa que dói, sensível, fiel, constante. Tens-te preparado para o mundo e olhas para ele com cada vez maior curiosidade e espírito crítico. Eu vejo, orgulhosa demais.
Foi há 12 anos, minha filha, que chegaste, e é há 12 anos que nos acompanhamos e vamos aprendendo a vida em conjunto, neste desafio que é ver-te crescer e à nossa relação. 
És magnífica e tudo o que és e o que somos em conjunto nunca caberá aqui... 
Parabéns, Alice. Adoro-te.
Rita

segunda-feira, agosto 14, 2017


Ser uma terceira filha tem sempre pontos negativos... talvez, essencialmente, o facto de nunca se ter, dos outros, nomeadamente dos pais, a disponibilidade completa...

Recrimino-me sempre por não ler todos os dias para a Joana como lia para a Alice e para o Vasco. O hábito foi diminuindo de filho para filho, numa dinâmica inversamente proporcional ao cansaço e afazeres. No início do ano letivo passado, em fase de reformulação de planos e projetos, surgiu a ideia de pôr todas as noites a Alice a ler para ela, enquanto o Vasco treinaria a leitura comigo, num processo conjunto. O problema é que depois começam os treinos e atividades, os fins de tarde a correr com um para o futsal, com outro para a ginástica, e o dia que é de trampolim, o outro que é de xadrez, aquele em que o pai dá treinos, aqueloutro em que a mãe tem expressão dramática... o que, do par de adultos, fica em casa tem de escolher roupas para o dia seguinte, preparar o jantar, aprontar tudo para quando o resto da família chega... infelizmente a leitura fica sempre para demasiado tarde...

Até que chegam as férias... 
                                            as atividades cessam, 
                                                                               a respiração abranda... 

Tenho feito um esforço para lhe ler, todas as noites. Talvez como forma de compensação, leio duas ou três histórias antes do dormir. É bom constatar-lhe a evolução na concentração com que acompanha... Contudo, tenho que reconhecer que o melhor momento é quando, chegada ao fim a minha leitura, começa a dela. Quer sempre contar a história, num hábito que não me recordo de os outros gostarem tanto, e é nesse momento que lhe vejo... as partes que fixou, as que preferiu, as que repete, as que esquece, as que não entendeu...
Claro que espero que o próximo ano letivo traga um pouco de maior organização e tempo para as minhas leituras. Mas interiormente, o que espero é mesmo que haja tempo para a ouvir a ela e que continue sempre a gostar de recontar o que ouvir...
Rita

domingo, julho 16, 2017

Piada dele, sem o ser, sobre o seu campo de férias

Sobre o acampamento de Verão, o Vasco explica:
- Mãe, o nome do meu destacamento era "Valente Pedra"! Foi a Vera quem deu a ideia...
- Ah sim? Então vocês eram "os calhaus"...!
- Não, nós eramos "os pedrados"!
- Não ficava melhor "os calhaus"?
- Não, isso não faz sentido... nós eramos "os pedrados", é muito mais giro...
- Ok... E tu sabes o que é isso d'"os pedrados"?
- Sei mais ou menos...
- Ah, ok. Então e o que é que percebes mais ou menos?
- Hum... bem, vais ter que me explicar essa parte porque eu também não percebo bem o mais ou menos...
Rita

quarta-feira, julho 05, 2017

Animais... alentejanos?

Passeio pelo Alentejo. Eu, a dizer à Joana:
- Bem, que sorte, já viste... Ontem vimos ovelhas e hoje já vimos cabras, cegonhas, vacas...
Miss Goffre, entusiasmada:
- Sim! Vou ver sempre animais. Agora vou ver gazelas. E zebras...
Rita

domingo, julho 02, 2017

Conversa imaginária de um Fada dos Dentes para outra


- Eh pá, tens de me desenrascar... um dos miúdos da minha lavra voltou de um acantonamento sem um dos incisivos e eu estou aqui com um problema e não consigo ir ao meu armazém... Ajuda-me, por favor!
- Hum, está bem, vou ver o que consigo arranjar aqui no meu... O miúdo, como é ele?
- Rapaz, oito anos, desportivo, está nas primeiras leituras... porreirinho, fácil de agradar... Olha, pode ser uma bd simples, do Patinhas...
- Ok, vou ver, já te ligo... [minutos mais tarde] Olha, estou aqui a ver... tens é que te decidir rápido, tenho de me ir embora, tenho uma urgência das minhas... O que é que achas: um livro do "Lago dos Cisnes", com cd de música...?
- Hã..................................... está bemmmmmmmm.................... se não há mais naaaada..............
- Ou queres uma revista do "Star Wars" com um lego para fazer...?
- .......?! Isso, é isso! Obrigada, pá, isso foi super fixe, safaste-me de boa!

Rita

sábado, julho 01, 2017

As segundas pequenas coisas que aconteceram no segundo dia de ausência do pai

É sábado e acordamos duas horas antes da atividade planeada, para dar tempo ao tempo. Mesmo assim, saímos à pressa, vamos a correr, em stress absoluto. Quando chegamos, nem queremos acreditar, são todos tão simpáticos, parece quase que estiveram à nossa espera para começar. 
Quando saíamos - a atividade ficará para outro post - são horas de almoçar. Eles iniciam a sua lengalenga de pedido... «por que é que não almoçamos fora»... «podíamos almoçar aqui»... «ou ali»... Eu já ia preparada, concordei com o MacDonalds, os restos em casa ficariam para o jantar...
Rumámos, satisfeitos, ao Mac do Campo Grande. Tudo a correr bem. Uma voltinha escusada para estacionar, mas algo aceitável para quem não circula por aquelas bandas...
Tudo a correr bem.

E depois...
- o do meio que entorna o ice tea para a frente e quem está à frente sou eu e as minhas calças e o meu hamburguer e as minhas batatas...
- a mais velha que perde o saco de apoio que levávamos... uma questão de minutos até se perceber que os funcionários já o tinham encontrado...
- a mais nova que resolve novamente fazer xixi pelas pernas abaixo - não sei se já tinha dito mas não é nada habitual...

Enfim... ao menos foram democráticos nos acidentes... Não serve para nada mas ajuda pensar que até nos disparates se pode ser solidário...
Rita

sexta-feira, junho 30, 2017

As pequenas coisas que já aconteceram desde que esta mãe ficou sozinha com os filhos, há cerca de vinte e oito horas, para o pai ir fazer uma atividade:


- ontem, enquanto esperava que o irmão chegasse do acantonamento com a turma, a mais nova caiu e bateu com a cabeça no chão;
- o do meio chega do acantonamento às 19H30, com um dente para pôr debaixo da almofada, assim, de repente, surpreendendo a disponibilidade da fada dos dentes que abastece a casa, que se viu obrigada a ligar de urgência para uma amiga fada, para tratar do assunto - quem tem amigos tem tudo, de facto;
- hoje, mal saiu da Creche e a caminho da festa de final de ano dos manos, a mais nova decidiu fazer xixi pelas pernas abaixo;
- durante o jantar da festa de final de ano, e ainda antes de começar a comer a comida pela qual se havia esperado tanto tempo na fila, o do meio entornou o tabuleiro com a bifana, salada e "caldo verde", por ele abaixo... Depois, dotado de um grande sentido de humor, concluiu: «Pelo menos, com este caldo verde fiquei quentinho...». Ao que eu perguntei: «Ah, ainda chegaste a comer o caldo verde?». E ele respondeu: «Não. Fiquei quentinho porque ele estava quentinho e agora estou com ele todo por aqui por cima de mim...»;
- num arraial de fim de ano em que todas as famílias gelavam com um vento terrivelmente frio, o do meio perdeu o casaco;

- a mais velha teve o seu último dia na escola onde andou mais de doze anos.............................

Rita


quinta-feira, junho 29, 2017

Do rapazote

Segunda coisa que um filho de 08 anos nos diz depois de chegar de um acantonamento de quatro dias com a sua turma:
- Mãe, posso ir dormir a casa do Xis esta noite?

E não, a primeira não foi que estava cheio de saudades, foi a exibição de um espaço vazio num lugar de um dente...
Rita

terça-feira, junho 06, 2017

Olhem! Será...


... uma bailarina?! 
... uma fada?! 
... um manjerico?! 
... uma borboleta?!

Não!!! É só a miúda de três anos e cinco meses, que gosta de mascaradas...!
Rita

sexta-feira, junho 02, 2017

"O Miguel é que é o príncipe da mana?»

Saído assim, da boca da mocinha mais nova, quando íamos a caminho da escola e os mais velhos já seguiam à frente, a Alice com um colega que a viu e esperou por ela. 
Tão bom quando se tem idade para se se esquecer da palavra "namorado" e, em vez desta, se diz "príncipe"...
Rita

domingo, maio 14, 2017

A propósito de babywearing...

Ao que parece, é o último dia da Semana do Babywearing. Acho muita piada ao termo, fico sempre com a ideia de que se trata de nos vestirmos com o nosso bebé... O que é algo que de facto se aproxima à realidade...!

Quando tivemos a Alice, pedimos um "canguru", daqueles clássicos das marcas mais populares, e foi com ele que contámos para a transportar. Mas quando nasceu o Vasco, aderi aos slings, de cuja existência tinha ficado a saber por blogs perdidos por esta internet fora. Com a Joana, para além do sling emprestado (e outro feito carinhosamente para mim), uma amiga arranjou-me um pano, daqueles feitos em tear, de padrão lindíssimo...

Eu confesso-me totalmente fã de babywearing... Mas claro que cada método tem vantagens e desvantagens. 

Se os membros de um casal tiverem tamanhos muito diferentes (como acontece cá em casa) e só quiserem investir num método, o "canguru" poderá ser uma boa ideia. Contudo, têm de ter a noção que aquele de formato mais clássico (falo naquele que eu tinha, mas sei que agora existirão com certeza muitos mais modelos) poderá não dar para os primeiros meses e não se estender muito no tempo. Recordo-me ainda de, quando a Alice começou a ficar mais comprida, levarmos com os pés dela a baterem-nos nas pernas, o que era bastante incomodativo.

Gostei muito do sling e as suas grandes vantagens são, de facto, o podermos transportar o bebé logo desde recém-nascido e durante muito tempo da sua meninice. A Joana tem 03 anos e eu, de muito longe em longe, ainda levo o sling na mala, para ter a certeza que poderei carregá-la caso seja necessário. Já não o faço, porque ela adora andar e correr de um lado para o outro, mas poderia, em caso de necessidade (que pode surgir se ela estiver muito cansada e eu precisar das mãos livres). O sling também tem essa grande vantagem, a de poder colocar-se dentro de qualquer mala e andar sempre à mão. As maiores desvantagens que encontrei foi o facto de não ser de fácil adaptação (muitas amigas nunca chegaram a gostar e contavam que os bebés também não - já eu, como desejava muito usar, adaptei-me muito bem e tanto o Vasco como a Joana adoraram) e de fazer doer bastante um ombro quando o filhote já pesa e há necessidade de o carregar durante algum tempo. Os meus miúdos foram sempre peso-pluma, mas recordo que, na altura em que acompanhávamos a Alice a uma atividade, andar uma hora a carregar o Vasco de um ano e tal, não era fácil...

Por sua vez, o pano foi uma descoberta muito agradável por alturas da terceira filha, quando eu saltitava de um método para o outro de forma descontraída. Tem a desvantagem de ser mesmo muito grande e de as suas pontas arrastarem pelo chão quando o estava a pôr, depois de sair do carro... o que num chão molhado da chuva não parece muito boa ideia - eu gostava tanto do resultado que resolvi não me importar... O pano é muito confortável, principalmente porque faz o peso do bebé assentar por cima das costas no seu todo. Como nos enfaixamos bastante com ele, ficamos quentes, o que o torna num método excelente no Inverno, provavelmente não tanto no Verão. Em tempo muito frio, ainda dá para vestir um casaco por cima, o que não é tão fácil com o sling...

Que se desengane quem pense que só se recorre ao babywearing para transportar um filhote na rua... Em casa, quando ele parece queixar-se de cólicas ou, por algum motivo, não consegue sossegar-se, ou a mãe e o pai precisam de fazer algo enquanto o adormecem ou entretêm... é sempre uma boa solução... 

Não sei se este post ajudará alguém a escolher um método de babywearing... mas, mais do que isso, talvez ajude pais e mães a perceber que "vestir um bebé" é ótimo, é aconchegante e caloroso, independentemente de como se o faça... tê-los encostados a nós é promover a união, a terapia pelo toque, o sentir, o amor. 



Rita

terça-feira, maio 02, 2017

Preocupações da minha filha mais nova

Nos trabalhos de 24 horas, tiramos bocadinhos... para beber um café, para almoçar, lanchar, jantar. Nunca pode ser muito tempo nem se pode ir muito longe. Comigo, como moro perto de casa, consigo vir jantar com o homem e os miúdos. Consigo até deitá-los, dar os beijinhos de boas noites, antes de tornar a sair. É importante para mim, calculo que também o seja para eles. 
No feriado, consegui também almoçar em casa. Mas giro foi quando à noite me despedi e ela, a pequena, com três anos, me instruiu, depois de se certificar que eu ia trabalhar e só voltaria de manhã:
- Porta bem, mãe... Não bate nos amigos, não morde nos amigos...

Portanto, colegas de trabalho, de todos os trabalhos mas principalmente daqueles que de longe em longe nos organizam em equipas de 24 horas, segundo indicações da minha filha mais nova, podem ficar descansados, prometo que, mesmo que tenha muita vontade, não vos bato nem vos mordo...
Rita

quarta-feira, abril 26, 2017

«Posso só acabar de...»

«... ler esta página?»
«... acabar de ouvir esta música?»
«... ver este episódio?»
«... jogar este jogo?»
«... dizer isto à ...?»
«... acabar este vídeo?»

LIVRA!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rita

Nota: e a terceira ainda não conta para esta lista...

domingo, abril 16, 2017

Caça aos ovos da Páscoa - 2017!

Passaram quatro anos desde a primeira caçada aos ovos cá de casa. Em 2015 não me organizei para a conseguir fazer e os miúdos lamentaram o facto, tanto que desde aí comprometi-me comigo mesma a dar o máximo para lhes oferecer uma espécie de caça ao tesouro anual. 
Não tinha a certeza que iria conseguir porque o fim-de-semana estava parcialmente dedicado a um torneio de futsal do Vasco, onde os horários dos jogos de segunda volta eram dependentes dos resultados dos de uma primeira... logo... não havia a noção quando iriamos estar em casa, se ou quando conseguiríamos conseguir fazer um almoço de família... a juntar-se-lhe, as variáveis "turnos de irmã enfermeira" e "jantar de aniversário de amigo"...
Na verdade, a caça aos ovos de 2017 foi alvo de muita pesquisa mas de poucas ideias... a sua forma foi moldada na noite de sábado, quase repentinamente, como me acontece com muitos projetos criativos... A maior dificuldade era tentar juntar três filhos de idades tão diferentes (11, 08 e 03 anos) na realização de atividades comuns... mas acho que consegui...

Assim sendo, este ano não houve enigmas espalhados pelas várias divisões da casa, a possibilitar o achado de pequenos ovinhos de chocolate... 
Rezava assim o início da grande Caçada aos Ovos da Páscoa de 2017, entregue em mãos à caçadora mais velha:

«Olá a todos!
Como sempre, cá estamos para mais uma caçada ao ovo...
Todas as caçadas são um bom desafio e uma grande conquista. Este ano, mais ainda. Para conseguir os ovos, vão ter de superar 12 desafios, em conjunto. Alguns têm tempo, outros não. Todos os ovos conquistados terão de ser divididos igualmente pelos três "coelhinhos" e, no fim, ser oferecidos à restante família...
O jogador que vai buscar um desafio tem de ser vendado e partir, às cegas, com a ajuda da família. O envelope do desafio tem de ter a sua inicial... e há os que são falsos...
Depois de lido, o desafio tem de ser cumprido por todos os caçadores. Se a família considerar que o desafio foi cumprido com sucesso, os caçadores entram na marquise para procurar os seus ovos com as ajudas de "quente" e "frio".
A todos... uma boa caçada!!!»

Ou seja, à vez, os miúdos eram vendados e partiam para encontrar um bilhetinho com a sua inicial, através das ajudas e indicações dadas pelo pessoal da família que os rodeava:


Na posse dos papelinhos, tinham de cumprir os três o desafio proposto, ou em conjunto, ou separadamente mas com o mesmo objetivo. No fim, com o desafio cumprido, entravam em casa e, numa única divisão, procuravam ovinhos, mediante as ajudas de quem os tinha escondido enquanto eles realizavam as suas tarefas. Embora algumas confusões e complicações, acho que o objetivo de que os três tivessem que fazer algo em conjunto foi amplamente realizado... e divertido...

A parte mais engraçada foi, obviamente, o cumprimento dos desafios:

«O Vasco é o carrinho de mão da Alice, que ela tem de fazer ir de um lado para o outro do pátio. O carrinho leva um balão, que a Joana tem de ajudar que não caia, mas sem o ir a segurar pelo caminho...
Tempo!»


«Têm de saltar ao pé coxinho.
Joana: dez vezes, com ajuda, no mesmo sítio.
Vasco: ir e vir de um lado para o outro do pátio, trocando o pé quando chegar ao muro e virar.
Alice: ir e vir três vezes, com o mesmo pé, e dar uma volta sobre si no final de cada volta.»


«Colocam-se em fila e, com um balão entre cada um, têm de ir de um lado para o outro e regressar, sem os deixar cair.
Tempo!»


«No chão há umas linhas a percorrer.
Joana: a andar em cima de cada uma delas.
Vasco: a andar com os pés na linha do meio e as mãos em cima de uma das linhas das pontas (à escolha).
Alice: a andar com os pés em uma das linhas das pontas e as mãos em outra das linhas das pontas.
Para o Vasco e a Alice, é ir e voltar.
Tempo!»


«Colocam-se em fila e têm de ir até ao outro lado do pátio e voltar. Para lá, avançam passando um balão por cima das cabeças de cada um. Para cá, avançam passando o balão por entre as pernas de cada um. O último da fila vai passando para primeiro e assim sucessivamente...»


«Têm de levar um balão até à outra ponta do pátio.
Joana: na mão esticada.
Vasco: numa colher, na boca.
Alice: na ponta de um dedo, o mínimo.
Tempo!»


«Fazem uma linha, de mãos dadas: Vasco, Alice, Joana.
Recebem o arco e têm de conseguir que o arco atravesse a linha dos vossos corpos, ou seja, que entre por uma "ponta" e saia pela outra...
Tempo!»


«Têm de fazer um desenho ou escrita.
Joana: de um sol.
Vasco: dos nomes próprios dos manos, de olhos vendados.
Alice: do nome completo mais comprido que está cá em casa hoje, de olhos vendados.»


«Com os vossos corpos em conjunto, têm de fazer três animais, um de cada vez...»
(Uma serpente... e, na segunda foto, seria uma girafa antes da Joana resolver estragar a figura...)


«Têm de cantar uma canção inteira, ao mesmo tempo, em cima do muro.
Joana: sentada.
Vasco: deitado.
Alice: de pé.»



Para além dos fotografados, foram feitos outros dois:

«Joana: quantas patas tem a Fera?
Vasco: quantas pernas existem hoje cá em casa?
Alice: quantos pares de narizes existem hoje cá em casa?»

«Joana: tem de agarrar três vezes o balão que lhe é mandado.
Vasco: tem de cabecear dez vezes o balão, sem parar.
Alice: tem de fazer a seguinte sequência de toques, de seguida: cabeça-mão-outra mão-joelho-outro joelho-pé-outro pé.»

Garantem-se momentos bem divertidos, para quem queira aproveitar algumas das ideias...
Rita

sábado, abril 15, 2017

Um parque é só um parque...?

O cenário foi o parque infantil da Praça José Fontana, em Lisboa. Um feriado de manhã, não demasiado cedo mas ainda cedo o suficiente para estas aventuras, tanto que eramos os únicos. Era até difícil decidir ficar com ou sem casaco, uma vez que o sol, tanto aparecia tímido, como se revelava com mais força por entre as nuvens.
O pai e a mana foram a umas consultas e eu rumei com os outros dois à descoberta do parque.

É sempre engraçado ir a um novo parque. Alguns, como este, têm estruturas bem diferentes, que obrigam a pensar nos obstáculos a superar. Um escorrega sem assento...?! Escadas em que uma parte dos degraus não existe..?!

O Vasco sorria... divertia-o ver uma construção diferente, mas mostrava dificuldade em arriscar...



Desde pequenos que qualquer um dos meus filhos teve sempre à vontade, leveza e descontração em matéria de movimentos. A coordenação surge-lhes naturalmente. Não obstante, nenhum foi particularmente destemido, afoito, aventureiro. Será um pouco óbvio dizer que, enquanto pais, nunca nos importámos, uma vez que sabíamos que eles estariam mais seguros se se mexessem com confiança mas sem maluqueiras...

Agora, de vez em quando, encaro de outra maneira as suas hesitações. Penso no receio que lhes poderá estar subjacente. Pondero se as dúvidas os poderão acompanhar em outras áreas...
Mais do que tudo, o que desejo é que vejam além dos obstáculos, mantendo aquela espécie de aptidão inconsciente e inata para treparem, saltarem, descerem... que acreditem neles, que observem, que pensem... mas que não escolham sempre fugir de um impedimento...

Sei que isto não parece conversa sobre um parque infantil... mas talvez um parque infantil não seja só um parque infantil... talvez aí, como em tantas outras ocasiões, se possa aproveitar para treinar capacidades... aproveitar ter alguém de fora, a ver e motivar, para experimentar subidas alternativas, apoios imprevistos, locais de desequilíbrio latente... aproveitar o estar de fora para mostrar os vários caminhos que se pode seguir, onde se podem colocar os pés, incentivar a experimentar, respeitar os recuos, aplaudir os sucessos...
Ou seja, estimular competências... deles e nossas...
Rita

quarta-feira, março 29, 2017

Na Estefânia

Resultado de imagem para palminhas

Ontem estive na Estefânia. Hospital, entenda-se. Uma suspeita que a Joana pudesse ter uma infeção urinária. Ia muitas vezes à casa-de-banho e contorcia-se de dores. 
As urgências da Estefânia estão em obras, há uns mesitos. Na parede de uma das salas, um écran novo apresentava várias categorias: muito urgentes, urgentes, pouco urgentes e outras duas (na condição de renegadas para quem se encontra com um problema súbito de saúde e deseja ansiosamente não ser algo muito mau mas que se mantenha num nível de urgência que permita ser atendido rapidamente). À Joana foi dada pulseira verde. O écran atribuía à sua categoria a misteriosa numeração "4:43", que desejei ardentemente não ser respeitante a horas e minutos.
Entre triagem, observação médica, colheita de urina, análise à urina, conclusão médica, estivemos por lá duas horas certas. Nas várias salas para onde fui encaminhada, com a Miss Goffre, várias crianças com mais do que um acompanhante - a fazer-me lembrar a reclamação de uns amigos acerca de só poder estar um deles com o filho no Hospital de Cascais (independentemente de carrinho, casacos, sacos, etc). 
Reparei também, como reparo sempre, nos pais e filhos à minha volta. Uma mãe chinesa, com filha adolescente (e tradutora) e com filha pequenita. Casal paquistanês com bebé. Línguas diferentes, de quem deve ficar ansioso por ter de explicar o estado de saúde do seu filho e tem de o fazer numa forma diferente da que lhe seria natural. E, do lado de lá, profissionais que nos recebem a sorrir, se metem com os miúdos e têm que lidar com uma amálgama cultural, perceber o que se passa, diagnosticar, encaminhar, tratar.
As minhas palmas hoje vão para o Hospital da Estefânia. Público. Antigo, a funcionar desde 1877. Com jardim cá fora. Com urgências em obras. Por vezes a abarrotar, outras nem tanto. Com famílias de todos os tipos. Com brinquedos velhos e muito usados. Com salas em que dois progenitores podem acompanhar o seu filho, ou progenitores e irmãos, ou progenitores e avós, ou um progenitor e dois avós, ou um bairro inteiro. Onde todos são atendidos. E bem. Por vezes, em duas horas (outras vezes mais, outras vezes bem menos, como no sábado passado de manhã, em que tivemos de levar a Alice, por suspeita de fratura numa mão, que afinal se revelou um quisto sinovial). 
Bravo. 
Rita

Nota: só para que não se preocupem, a mocinha entrou com possibilidade de infeção urinária mas saiu de lá com cólicas. 

domingo, março 05, 2017

Talento para romantizar

A dar as cuecas à Joana, para ela vestir.
Joana: O que têm estas?
Eu: Nada de especial... Riscas, têm só riscas.
Joana: Como as zebras...?
Rita

sábado, março 04, 2017

Obriguemo-nos a vir para a rua gritar!!!!

(A Alice com um cartaz... o trabalhão que se teve para explicar o trocadilho com o dizer popular e a organização OPART, responsável pela Companhia Nacional de Bailado)

Foi  há pouco mais de uma semana que nos fomos manifestar para a frente do Teatro Camões pela reposição do espetáculo "1HD - Uma História da Dança" (ver aqui e aqui).

Claro que isto, para quem aqui vem de vez em quando, ou espreita neste canto pelo facebook, representa mais do mesmo. Mais do mesmo discurso do espetáculo que 10 miúdos ajudaram a construir e no qual participavam quando foi subitamente cancelado, sem qualquer justificação plausível. Mais do mesmo acerca de 68.000 euros gastos numa coisa que depois é completamente desperdiçada. Mais do mesmo em relação à falta de respeito com que se tratam as pessoas. Blá blá blá.
Todos os dias vemos no telejornal estas coisas, afinal. Mais uma, menos uma. Franzimos o sobrolho, resmungamos para o ar, dizemos que é sempre a mesma coisa, que isto é a república das bananas, que isto está cheio de poleiros... blá blá blá. E depois, viramo-nos para o lado, e continuamos a nossa vida. 

Mas a verdade é que... se não for quando a coisa  nos bate à porta, quando nos pisa os calos, quando se passa na nossa casa, com a nossa miúda de 11, a quem temos de dizer que pode haver quem esteja sempre disposto a roubar-lhe o trabalho, o esforço e o empenhamento... quando nos manifestaremos...? Se não for nessas alturas que aproveitamos para reclamar, para afirmar o nosso desacordo, para nos mostrarmos lutadores... então o que sobra...? Uma mera passividade, um mero dizer que podem fazer connosco o que quiserem... 
Por isso, desta vez, não. Pode parecer uma coisa sem importância, só um espetáculo com miúdos e para miúdos, só algo que aconteceu. Mas, no fundo, é uma tomada de posição. Por isto, mas também pelo resto, por outras coisas semelhantes a que vamos assistindo, pela decisão de não se ser passivo...!

Pela reposição de "1HD - Uma História da Dança", vamos assinar a petição pública a correr, aqui: http://peticaopublica.com/search.aspx?q=1HD


(imagens da manifestação, alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional a tocar e a cantar "Acordai")

Rita

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Um dia todo PLAY

Voltámos ao Play Fest no passado sábado. Logo pela manhã, para usufruir de uma experiência quase completa.

Os miúdos saíram de pijama de casa, como fazia parte da proposta lançada pelo festival, e adoraram, não só porque, tal como toda a gente sabe, é capaz de não haver roupagem mais confortável, mas também porque foi uma indumentária assumidíssima e não uma coisa meio às escondidas como quando se vai pôr lá fora o lixo e se faz um sorriso envergonhado ao vizinho encontrado nas escadas. Não, isto foi mais do estilo «é verdade, estou de pijama no meio da rua, em plena Lisboa, e é de propósito e olha tão giro que ele é!». Mesmo do alto dos seus 11 anos não muito altos, a Alice quando reparou que não haveria muitos mais miúdos como eles, ainda esboçou um comentário de estranheza, mas logo a seguir pareceu convencer-se que os outros é que saíam a perder e não ficou minimamente incomodada.

A experiência passou a seguir pelas panquecas, pequeninas, redondinhas e saborosas, sempre com cobertura de chocolate, comidas de várias formas e feitios, inclusivamente com a ajuda do cabelo, bochechas, mãos, casaco e mais a mãe deixasse se não se apercebesse. A única não apreciadora da coisa foi a Joana, mas já sabemos que é coisa para variar e no próximo ano ser a sua maior fã...

Dividimo-nos depois, pai e filhos crescidos para a sessão dos 6-9 anos, mãe e filha pequena (com birra descomunal provocada pela separação forçada dos dois irmãos, a levar todos os outros pais na sala a crer que talvez não tivessem feito bem na escolha dos lugares, até ao início do filme) para a sessão dos 3-6.


À tarde a coisa foi diferente. Mãe e filha crescida rumaram ao cine-concerto de Buster Keaton acompanhado musicalmente por Noiserv - David Santos, o que se revelou uma experiência única, por todo o tipo de motivos: a idade do filme (e a sua tremenda qualidade cinematográfica), o seu humor, a sua diferença, a música ao vivo ali, para nós... O S. Jorge, em toda a sua magnificiência (uma sala de cinema com 827 lugares é coisa rara e ainda me lembro de lá ir com a minha irmã, nas fases em que os filmes eram uma descoberta semanal), a receber tão bem este PLAY, que belos momentos lá passámos... 

No fim, um grande passeio a pé até à nossa colina, pelo caminho longo e turístico, hora e meia de conversa partilhada, entre paragem para fotos, para ver os artistas de rua, as lojas de artesanato, os edifícios que nos rodeiam nesta tão bela cidade em que vivemos.


Decisão de futuro, para as duas convencermos a restante família: mais passeios a pé por Lisboa precisam-se!
Rita

Nota: para quem não saiba, como era o meu caso, o S. Jorge tem atualmente lá dentro um café onde se está maravilhosamente, aberto todos os dias, com exceção dos domingos sem atividade cultural. 

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

"1HD - Uma História da Dança", o cancelamento - CAPÍTULO 2

E eis que, há praticamente uma semana, na terça-feira, tudo acabou. Ou que se iniciou outro capítulo desta história, o da desilusão.

Para nós, pais, do lado de cá, a coisa deu-se com uma mensagem escrita da Diretora de Turma, que tinha sempre acompanhado o projeto de perto com os miúdos. Estes tinham sido deixados à hora costumeira do ensaio, mas num local diferente do usual. A mensagem foi recebida por mim no final do tempo destinado ao ensaio e não a tomei como uma forma distante de receber a notícia, antes pela única forma da professora da minha filha não desatar a chorar ao telefone dez vezes, de todas as que teria de dar a triste informação aos pais. 
Fiquei obviamente surpreendida com a decisão, que na altura envolvia somente o cancelamento do "1HD" e o sentimento de desolação de todos os envolvidos. Ao aceder ao site da Companhia Nacional de Bailado, percebi - perceber é uma forma de dizer que realizei, não que verdadeiramente compreendi o que estava na base da decisão - que o motivo do cancelamento de oito sessões de espetáculo ainda por vir tinham sido "os problemas técnicos".

Fui esperar pela Alice no final do dia de aulas, sem esperar pelo treino normal da ginástica. Achei que se impunha um passeio, uma conversa, essencialmente o apoio que ela precisaria para ultrapassar a desilusão. Esteve sempre calma, mas triste, contando como todos tinham chorado com a notícia e recebido com consternação e choque também a do despedimento do Bruno. Falou como ele tinha conversado com eles, tentando que percebessem essencialmente que nada do que tinham feito, enquanto atores e colaboradores no projeto, era o motivo para o fim do espetáculo. E como era necessário manter a cabeça erguida. 

Passamos o tempo todo a dizer aos filhos para trabalharem, estudarem, esforçarem-se, aplicarem-se, envolverem-se... que os resultados refletirão tudo isso e serão bons e tudo valerá a pena... Que os compromissos são para se manter, que isso faz de nós pessoas sérias e honestas e ser uma pessoa de palavra é riqueza superior às que se palpam... E depois claro que sabemos que nem sempre as coisas são assim, mas esperamos que vão aprendendo essa mensagem lentamente...

Claro que os lembramos, como eles também sabem, que apesar de tudo, foi bom. Foi bom os meses de trabalho, a descoberta, os conhecimentos que fizeram, os sítios que visitaram, os bastidores, o teatro, as palmas, a experiência. 
E, todos sabemos, os miúdos tendem a possuir uma resiliência e positivismo invejáveis... Mas é difícil, hoje, dias depois de saber que não tornará a fazer o "1HD", ainda a ouvir por vezes tristemente a desabafar... e, o mais engraçado, na inteligência de quem tem 11 anos, a valorizar o que é importante... «Será que vou tornar a ver o Rúben?», «Gostei tanto de algumas pessoas que conheci, não as vou ver mais...», «Mas sabes, mãe, eu gostei do teatro e dos bastidores e dessas coisas... mas do que eu vou sentir falta, mesmo falta, é do espetáculo... do espetáculo mesmo... de fazer, de dizer... eu gostava mesmo do 1HD, sabes, achei que estava tão bonito...»

Eu também. Estava mesmo bonito. 



Rita