Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas da primogénita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas da primogénita. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 29, 2015

Ui...

Foi há pouco.
Tínhamos estado os três enfiados na cama, eu e os dois maiores, a ler "O sapo tem medo". No final, falámos sobre a história e perguntei de que é que tinham medo. 
Ele declarou que não havia nada que o assustasse (por acaso o rapazola nunca foi de grandes medos, isso é verdade), mas ela assumiu que tinha um medo. Quando lho perguntei, referiu que era tão grande que não o podia dizer em voz alta porque ficaria cheia de medo. Disse que ela não precisava de o dizer e que poderíamos ficar só ali os três, abraçadinhos.
E então ela diz:
- Tenho medo de morrer. Porque se não, depois, o que é que eu vou ser?
Ficámos os três abraçadinhos, a distrair-nos com coisas boas.
Caramba.
Rita

sábado, julho 18, 2015

Dos filhos

Do Vasco
Durante o almoço de hoje, enquanto falávamos no conceito de infinitude (a propósito dos números), comenta o Vasco algo sobre nós, pessoas. Dizemos que somos o contrário e ele emenda:
- Não, nós também somos infinitos. Porque depois de morrermos, nascemos outra vez como outra pessoa ou outro animal.
E ainda diz o pai:
- E lembramo-nos de alguma coisa?
- Não, não nos lembramos de nada. Se calhar até já fomos.
Tenho portanto um filho adepto da reencarnação. Que declarou ter preferência sobre o formato do tigre ou leão, numa próxima vida. Mas que também foi recordado que poderia vir a ser uma barata, daquelas que nos aparece de tempos a tempos em casa e que andamos sempre a tentar apanhar a todo o custo. Vá lá, ele riu-se.

Da Alice
Na praia, chega junto de mim com um sorriso:
- Oh mãe, acreditas... vi agora um miúdo dois ou três anos mais novo do que eu, nu... sem fato de banho, já viste...
- E então...?
- Então, que é um espetáculo não muito agradável de se ver...

Conceitos de estética e opiniões metafísicas. Os meus filhos estão uns crescidos.

Rita

domingo, julho 05, 2015

Novidades de D. Panqueca, a maior

Há dois anos inscrevemo-la num campo de férias, mas ainda não tinha completado os oito anos e acabou por não poder ir. No ano passado foi, segura, com uma grande amiga, e voltou delirante, cheia de rituais, cantorias, aventuras
Este ano, como os avós já não têm tanta disponibilidade e não há licenças de maternidade a serem gozadas, propusemos o acampamento para onde eu e a tia íamos em miúdas (e até adolescentes), versão moderna obviamente. A ideia era monetariamente acessível e eu estava confiante de que ela ia gostar. Único senão: ir sozinha. 
Aderiu. Confessou por duas vezes à tia que não lhe apetecia ir, mas cá em casa nunca o admitiu. E, na altura do pagamento, numa última conversa sobre vantagens e desvantagens, nem pareceu hesitar (pelo menos diante de um olhar menos atento). 
Hoje, no meio daquilo que lhe há-de ter parecido uma pequena multidão a confirmar o seu nome da lista, encostou-se a mim e disse de repente: «Mãe, não quero ir...». Mas logo a seguir, com a chegada de um colega da sala do irmão, a insegurança pareceu atenuar-se, despediu-se, entrou para o autocarro sozinha, escolheu uma cadeira. O outro ficou depois ao seu lado e percebi-os a conversar animadamente, mesmo com os anos de diferença. 
Ela não sabe, mas admirei-lhe a decisão. Percebi naquele momento como sempre tinha sido fácil para mim, pelo menos tendo uma irmã presente, e como pode ser diferente abrir caminho sozinha. 
Ficámos, nós cá de fora, só a ver-lhe a silhueta na sombra do autocarro, a trocar acenos e beijos enviados pelo éter. E agora, fico sozinha por aqui, a pensar-lhe nos pensamentos e a repetir-se-me o orgulho de, mesmo insegura e de coração a bater descompassado (senti-o nos abraços), vê-la a caminhar no interior do autocarro, à procura do seu lugar. O de sentar... e o outro. 
Rita

terça-feira, junho 09, 2015

Vários pensamentos sobre estudar... com filhos

Pico, Estrela, Pico Ruivo, Larouco, Gerês, Montesinho, Peneda, Marão - ontem, eu e a Alice decorámos as maiores elevações de Portugal, durante a ajuda ao estudo para o último teste, de Estudo do Meio. Decorámo-las compassadamente, a bater palmas e a dizê-las alto e em bom som.
Explico sempre que as coisas são essencialmente para ser percebidas, que têm uma lógica. Mas claro que, na aprendizagem, surgem sempre listas, nomes, datas, pequenas coisas a decorar. E acho que não há mal nisso, desde que não seja a norma. Como raio teria eu aprendido todas as preposições se a Natividade, a minha professora do 8º ano, não tivesse teimado que todos os alunos tinham de as saber, de cor e salteado, e nos obrigado até a fazer uma espécie de audição, para garantir que as tínhamos de facto decorado. Tenho a certeza que a minha compreensão da Língua Portuguesa não seria igual e, embora entendendo que tal não interessa a todos, para mim é efetivamente importante.

A estudar com a filhota maior cá de casa para este último teste, apercebi-me mais uma vez que, apesar das muitas irritações, frustrações, até do descambar em gritos que por vezes acontece, eu gosto. Claro que não gosto da frustração que sinto quando ela não pensa, quando responde qualquer coisa, quando quase roça a má-educação. Mas gosto da ideia que um dia ela recordará que me interessei o suficiente para me chatear quando isso acontecia, que me dediquei a ela, que lhe demonstrei algumas formas de estudar e de fazer um esforço.
Para além disso, acabo por me aperceber sempre que, apesar dos aborrecimentos, gosto de estudar com ela porque... relembro, reaprendo, aprendo. E isso é ótimo.
Rita


terça-feira, março 24, 2015

Deles

1.
Ao jantar, a Alice fala de Egon Schiele, a propósito do ATL de férias que está a fazer; de como a este pintor só interessava a pintura de pessoas, de como retirava os objetos das pinturas, de como tinha chegado a estar preso por exibir pinturas de nús, de como tinha morrido muito novo, de gripe espanhola... A dada altura, perguntamos de onde era o pintor. E ela:
- Era... australíaco!

2.
Na casa-de-banho, digo ao Vasco para ele sair, porque preciso fazer coisas que só as mulheres fazem na casa-de-banho, que ele tem tempo de saber disso. À saída, olha para mim e solta:
- Blergh... deve ser nojento...

3.
Ao jantar, o Vasco fala sobre o filme do Homem Aranha que viu hoje com o pai. A certa altura, diz:
- ... e depois, o puto fez aquilo...
O pai:
- Não se percebeu nada do que agora disseste. "O puto"? Quem era "o puto", o que quiseste dizer?
E ele:
- Hum... o indivíduo!

Rita

segunda-feira, outubro 13, 2014

Momento mesmo mesmo bom

À hora de deitar, subi à cama dela, como faço todas as noites, e, como todas as noites, cantei-lhe a canção [como a minha amiga Micas fazia à sua Inês muito antes de eu ter filhos]. Desta vez até estávamos abraçadinhas e, com a minha cabeça encostada à dela, conseguia cheirar-lhe o pescoço no meio do cabelo revolto. No fim, perguntei-lhe:
- Há quanto tempo te canto esta canção, sabes?
- Há muito.
- Lembras-te quando comecei?
- Lembro. Foi na pré. Eu aprendi essa música com o João.
É verdade. Ela tinha 03, foi o primeiro ano do pré-escolar e andou a aprendê-la com o professor de música e com as educadoras para a festa de Natal. 
- Lembras-te de quando não a cantava?
- Não...
E depois veio o momento verdadeiramente bom:
- E até quando vais querer que te cante a canção?
- Para sempre...!
Ri-me.
- É tão fixe que aches que aos 15 anos ainda vais querer que suba até aqui e te cante a canção dos abraços...!
- Sim, vou! A sério, mãe!
- Então está combinado. Vou vir até não quereres mais. 
Rita

terça-feira, setembro 30, 2014

As primeiras pretensões políticas de uma filha de 9 anos

"Mãe, estava aqui a pensar... Se eu algum dia vier a ser Presidente... Por acaso!... Mas não vou ser... Mas se for, por acaso, uma das coisas que eu acho que fazia... acho eu... uma das coisas que eu fazia era... pronto, era aumentar o dinheiro que todas as pessoas ganham... Achas que podia ser...?"
Rita

quinta-feira, agosto 28, 2014

O Vasco dormiu ontem no seu quarto novo pela primeira vez. Ia todo feliz e dormiu a noite toda, sem qualquer interrupção.
Nesta noite, a segunda, deve-lhe ter dado as saudades e teve vontade de voltar à cama pequenina, por baixo da da Alice. Era o colchão novo, que «era duro» - comentário que a irmã tinha feito a experimentá-lo. Apesar disso, acedeu facilmente a dormir nele novamente, desde que soube que os colchões duros eram melhores para as costas.
Quando me fui despedir da Alice, encontrei-a com expressão melancólica. Brinquei que quase se poderia abrir uma janela entre os quartos para que pudessem falar ou brincar às sombras um com o outro antes de dormir. Perguntei-lhe se sentia a falta dele, e ela:
«Claro... eu gostava de o ter aqui... no andar de baixo... fazíamos... fazíamos um bom prédio juntos...»
Rita

terça-feira, agosto 19, 2014

A Alice faz nove anos

Há nove anos atrás passei a ter uma coisa destas para amar e cuidar... 


Hoje estamos de parabéns, minha querida filha grande.
Rita

domingo, agosto 17, 2014

Despojos de um campo de férias


No dia seguinte ao regresso comecei logo por tratar da mochila, ansiosa por arrumar qualquer coisa que aliviasse o estado de uma casa em obras, onde se anda a aumentar uma divisão e a dar-lhe uma utilidade diferente, logo, uma casa completamente de pantanas.
Essencialmente, o que vinha na bagagem era sujidade. Como já há muitos anos não via...! Para além da imundice, a mochila trazia todos os items da lista por nós elaborada previamente (com excepção de uma única meia... mas, como vinha um par a mais...!), organizados de uma forma não irrepreensível mas nada criticável...  
Muito mais importante do que a bagagem física, a miúda trazia ótimas recordações, de uns maravilhosos oito dias. Já alguns dias volvidos, continuamos a falar do campo, do que fizeram, agora cada vez com mais pormenor... E todos os dias há músicas novas... e antigas, dos meus próprios campos... músicas já trauteadas também pelo irmão...
A minha filha está mais rica com a ida para este campo, e com ela, todos nós.
Rita

sábado, agosto 16, 2014

O regresso


Se não estivéssemos demasiado embrenhados nas modificações que estamos a fazer em casa para criar o quarto do Vasco, já aqui tinha vindo falar do regresso.
Oito dias depois de ter ido, a minha menina grande regressou. Imunda, estafada, cheia de saudades, mimocas, sorriso de orelha a orelha. Geriu, como pôde, os abraços e beijos entre os manos, declarou estar ansiosa por tomar o seu banho «a escaldar», passou pelas brasas no sofá com o irmão agarrado a ela e foi extremamente satisfeita para a sua cama. 
Do campo afirmou que, de 1 a 10, a nota era a máxima. Pronta para voltar para o ano, portanto.
Rita

quarta-feira, agosto 06, 2014

De mochila às costas...


... partiu ela, hoje de manhã, para o seu primeiro campo de férias... com uma grande amiga e mais de quarenta desconhecidos que presumo se irão tornar grandes companheiros a merecerem amargas lágrimas de despedida daqui a uma semana...
No saco levava todos os items da lista sugerida, mais a roupa escolhida por ela para a noite de gala, mais o seu Xulé, mais o seu característico contentamento equilibrado, de quem se adapta sempre às novas aventuras a que se propõe... 
Como eu ainda me recordo de tantas coisas do meu primeiro acampamento - e dos que se lhe seguiram - sei de fonte segura o bom que vai ser, o tanto que se cresce e se vive, o mais que se guarda para sempre... 
De forma sempre surpreendente para mim, tal como já aconteceu nos acantonamentos de dois e três dias com a turma ou nos passeios de final de ano lectivo ou em algumas festas escolares ou exibições de actividades, dei pelas lágrimas no último abraço que trocámos, mas escondi-o dela, engoli em seco e vim embora com os outros pimpolhos atrás... lágrimas de felicidade por vê-la crescer... 
Rita

terça-feira, julho 01, 2014

A Alice e a marcha

Neste último domingo a Alice teve a última exibição da Marcha infantil da escola.
Fazendo bem as contas, há nove anos que a Alice assiste aos ensaios da Marcha da escola. Chegávamos lá para Maio e era vê-la a marchar pela casa com as mãos nas ancas. Sempre achei que seria natural ela querer participar quando fosse para o 1º ciclo e foi uma surpresa quando declarou que «dava muito trabalho» e não se quis inscrever.
Talvez porque no 1º ano a turma estava lá quase em peso, no ano a seguir alinhou. Gostou dos ensaios e das exibições, mas não declarou nenhuma paixão nem demostrou orgulhos especiais.
É preciso ter a noção que a Marcha da escola é “à séria”. Ensaiam coreografias e músicas quase todos os dias, obedecem à regra das três marchas (a tradicional da coletividade, a original da coletividade e a original desse ano para todas as marchas de Lisboa), vão ao Pavilhão MEO Arena, descem a Av. da República, aparecem na televisão e têm várias outras exibições espalhadas por feriados e fins-de-semana de Junho.
No ano passado foi mais difícil, ela tinha treinos intensos de ginástica e sarau precisamente num dos dias de exibição. Não sei se isso lhe retirou algum prazer ao envolvimento na Marcha; o que é certo é que não a vi vibrar.
Este ano foi completamente diferente. No primeiro dia de exibição, no Pavilhão, ela estava verdadeiramente feliz, encantada com a sua aparência, preocupada com a sua prestação. Foi espetacular vê-la tão contente com a Marcha ao longo do mês e perceber a evolução da maturidade nas suas posturas do ano passado para este ano…
Gosto de a ver ali, acho que lhe faz bem. É no fundo a hipótese de se relacionar com um projeto de equipa intenso mas que a curto prazo lhe permite ver os resultados do trabalho conjunto, trazendo-lhe as vantagens que advêm precisamente do trabalho de equipa.
Quanto a nós, lá marchamos também para a ver, com diversos grupos de amigos ou familiares divididos pelos dias de exibições. Brincamos acerca das indumentárias das outras Marchas, observamos o bairrismo dos outros e fingimo-nos de bairristas, decoramos (mesmo sem querer) a marcha original do ano (repetida e repetida e repetida), rimo-nos muitos, damos por nós a acordar a trautear músicas, fixamos mais uma quantidade de bons momentos para a posteridade…

(no ano passado, panorama geral da Marcha no Pavilhão, a miúda a dormir no caminho para casa e com um grupo de amigas)

(este ano, praticamente os mesmos cenários)

Rita

terça-feira, junho 10, 2014

Saudades...

Os meus miúdos são tão fixes...

Hoje, às 12h, o Vasco foi de férias com os tios e avós... Estava todo entusiasmado, mas a minha irmã disse que, ainda o carro tinha acabado de virar a esquina e subia a rua, já ele dizia que ia ter saudades... Mas daquelas boas, que não anulam projectos, tanto que no fim da tarde trocou duas palavras comigo e perguntou se podia desligar... 

Por sua vez a Alice, antes de ir para a cama, depois de um dia todo muito ocupado com amigos, marcha, convívio e brincadeira, confessou-me que já tinha saudades dele...

Rita

quarta-feira, abril 30, 2014

Mais malhas



Aproveitando a época das malhas em duas agulhas, no final do inverno ainda fiz outras duas peças. Mostro-as agora, não porque tenham sido oferecidas recentemente, mas porque as fotos ficaram, primeiro à espera de ser tiradas e depois de ser mostradas neste blog. Pode ser que sirvam de inspiração para o trabalho de verão na preparação da estação outono-inverno que se seguirá.
Bem, continuando, no dia em que ofereci  as golas aos sobrinhos, recebi da Rita a proposta de fazer umas perneiras para a Alice que, ao que parece, que queria muito ter umas.
Achei graça porque eu lembro-me de ter pelo menos dois conjuntos de perneiras, umas em castanho mesclado, outras com uns bonecos coloridos a dar a volta à perna. Deve ser de as ter usado, nos anos 80, que tenho um certo carinho pela peça de vestuário que são as perneiras e que agora parece que estão na moda outra vez. Fazem-me sempre lembrar as bailarinas do "Fame" e um estilo desportivo. 
Claro que aceitei a proposta de imediato e sem surpresa. Surpreendida fiquei quando, na despedida desse mesmo dia a Alice me veio abraçar e agradecer a gola nova. Aproveitou para me lembrar do novo projecto e fazer mais um pedido;  "- Tia, quando fizeres as perneiras podias-me fazer também umas luvas?". "- Upss", disse eu, "- Mas eu não sei fazer luvas...". Ao que ela respondeu: "- Podes sempre tentar."
Não tentei. Resolvi fazer-lhe umas "luveiras", palavra que passei a denominar a peça que cobre os braços e parte das mãos com o objectivo de as aquecer, e que na net encontrei definidas como "polainas da braço". Não interessa como se chamam, mas que foram um sucesso foram.
A Alice, que já valoriza as peças feitas especialmente para ela, depois de receber as perneiras e luveiras levou-as para a escola vários dias e emprestou as luveiras às amigas. Segundo ela há uma série de amigas que também querem umas. 
Parece que, além de Xulés, posso fazer luveiras quando quiser oferecer um presente a meninas de 8-9 anos. E se estiverem largas não faz mal, porque se não estiverem vão ficar de tanto uso.
Ana Cristina

segunda-feira, abril 28, 2014

Mães, filhas e filmes

1.
A minha mãe costumava contar que, há muitos e muitos anos atrás, a minha avó Conceição - a mãe dela - não conseguia dormir bem. Sem televisão e penso que por não ser socialmente muito bem visto ir sozinha ao cinema (ou talvez só porque quisesse companhia), levava-a com ela ao "Palácio" - outrora o único cinema em Viana do Castelo e onde eu ainda cheguei a ir ver alguns filmes. A minha mãe não tinha idade suficiente e a minha avó usava então o documento de identificação de uma outra filha, nascida anteriormente mas que já não era viva, para conseguir levá-la com ela.
O mais cómico da história é que a minha avó dormia durante toda a sessão, não imaginando provavelmente estar a criar uma cinéfila que, ainda há pouco tempo, alimentava o hábito de, sem qualquer problema, ir ao cinema sozinha...
 
2.
Vem-me muitas vezes à cabeça as matinés dos antigos domingos lá de casa. Recordo-me da fase dos filmes musicais mas também da dos westerns ou de outras... O meu pai - tal como, pelos vistos, a sogra noutros tempos - deitava-se ao comprido no sofá grande e passava o filme a ressonar. A minha mãe ficava no sofá individual e eu e a Cristina sentávamo-nos no chão, mais ou menos à frente. Gostava muito das explicações da minha mãe sobre os actores e os filmes, em voz baixa para não acordar o meu pai... mas talvez o que tenha ficado mais indelevelmente marcado em mim foi a sua mão simultaneamente a fazer-me cafuné... para mim, ainda hoje as festas na cabeça têm sabor e cheiro a sapateado e rugidos de leões a abrir tardes bem passadas...
 
3.
Penso que o filme "com pessoas e legendas" que primeiro terei visto com a Alice, terá sido o "Mary Poppins", só no ano passado. Desde aí, juntámos-lhes alguns, de propósito ou por casualidade: "Quem tramou Roger Rabbit", "O Sítio das Coisas Selvagens" (que ficou por acabar), o "Capitães de Abril", "O estranho caso de Benjamim Button" ou, no caso de hoje, "Extremamente Alto, Incrivelmente Perto". Alguns têm uma temática ou uma apresentação infantil mas outros obrigam-me a fazer paragens a meio, a explicar factos ou até a pesquisar coisas na internet paralelamente. Alguns são quase um preâmbulo de outras visualizações e leituras, como o "Capitães", mas podem envolver ao mesmo tempo a lembrança que, lá porque ouvimos e aprendemos uma quantidade enorme de asneiras no filme, não significa que optemos por repeti-las. Outros geram raciocínios imaginativos habitualmente não usados, como o "Benjamim Button". Outros ainda, como o de hoje, têm relação com assuntos sérios e pesados, como o luto ou o terrorismo.
O que a Alice não sabe é que guardo mentalmente filmes destes para ver com ela, que aguardo ansiosamente pelo momento em que lhos proponho e ela aceita, pelas mãos dadas ou festas trocadas no sofá ou na cadeira do cinema, pelas explicações que se geram, sejam elas segredadas ou ditas em volume normal, na altura de intervalo ou de opção por pausa no comando. Partilho coisas que sei sobre os actores, procuramos depois fotos ou informações que nos possam interessar. Mas o que fica, o que retenho, o que espero, é que aquelas horas que são nossas se prolonguem sensitivamente na sua mente e na sua pele e que venham a ter o mesmo doce toque dos cafunés antigos da minha mãe e dos nossos filmes.


Rita
(para a minha madrezita, aniversariante de hoje, com muitas saudades das nossas tardes de domingo, dos nossos musicais... e dos meus cafunés, obviamente)

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O humor da Alice

«"Senhor dos Anéis"?! Quem é? Saturno, não?!»

(Depois achou por bem acrescentar, caso eu não tivesse percebido, que estava a brincar, que era uma piada... nota-se que foi ao planetário recentemente com a escola e que anda a dar o espaço, os astros e os planetas em Estudo do Meio?!)
Rita

domingo, fevereiro 09, 2014

Ensinamentos

Desde que deu o sistema digestivo na escola, a Alice não "faz cocó"... faz fezes...
Rita

quinta-feira, janeiro 30, 2014